CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1222 DE 27 DE OUTUBRO DE 2026

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1222 | 27 de outubro de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Preços do boi gordo registram estabilidade
Animal sem padrão-exportação segue cotado em R$ 380@ no mercado paulista, enquanto o “boi-China” está apregoado em R$ 385/@ (valores brutos, no prazo), apontou a Scot Consultoria. No PARANÁ: Boi: R$ 390,00. Vaca: R$ 360,00. Novilha: R$ 370,00. Escalas: seis dias. Boi China: PARANÁ: R$ 389,00/@ (à vista) e R$ 393,00/@ (prazo)
Na segunda-feira (26/10) pós-Eleições do segundo turno, enquanto o mercado financeiro brasileiro foi marcado por períodos de turbulências, os preços físicos do boi gordo ficaram estáveis na maioria absoluta das praças do País, conforme apuração das consultorias que acompanham diariamente o setor pecuário. “O mercado seguiu parado, com poucos negócios”, resumiu a Scot Consultoria, acrescentando que a maior parte das indústrias ficou fora das compras, aguardando posição do mercado para retomar as negociações. Pelos dados da Scot, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 380@ no mercado paulista, enquanto o “boi-China” está apregoado em R$ 385/@ (valores brutos, no prazo). Segundo informações da Agrifatto, o consumo doméstico de carne bovina segue enfraquecido nesta segunda quinzena do mês, limitando o escoamento no atacado e reduzindo a necessidade imediata de reposição das indústrias. A expectativa, contudo, é de recuperação gradual das vendas a partir de quinta-feira (29/10), com a proximidade da primeira semana de novembro, período em que a demanda costuma ganhar força, prevê a consultoria. Na avaliação da Agrifatto, a oferta restrita de animais terminados continua dando sustentação aos preços da arroba, mesmo diante do enfraquecimento da demanda interna. Por sua vez, continua a consultoria, os pecuaristas resistem às propostas de baixa e fracionam os lotes disponíveis, na expectativa de melhores condições de venda. “Alguns frigoríficos, com programações mais alongadas, chegaram a oferecer valores inferiores às referências, mas a maior parte dos negócios permaneceu dentro dos patamares vigentes”, ressaltou a consultoria. Na B3, os contratos futuros do boi gordo encerraram o pregão da sexta-feira (23/10) em queda pelo quarto dia consecutivo. O vencimento de novembro/26, por exemplo, fechou a sessão a R$ 392,15/@, com recuo de 0,19% em relação ao fechamento anterior. Cotações do boi gordo: conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 390,00. Boi China: R$ 390,00. Média: R$ 390,00. Vaca: R$ 360,00. Novilha: R$ 370,00. Escalas: cinco dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 370,00. Boi China: R$ 370,00. Média: R$ 370,00. Vaca: R$ 345,00. Novilha: R$ 355,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 375,00. Boi China: R$ 375,00. Média: R$ 375,00. Vaca: R$ 350,00. Novilha: R$ 360,00. Escalas: cinco dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 355,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 355,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: sete dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 370,00. Boi China/Europa: R$ 370,00. Média: R$ 370,00. Vaca: R$ 345,00. Novilha: R$ 355,00. Escalas: seis dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 365,00. Boi China: R$ 365,00. Média: R$ 365,00. Vaca: R$ 340,00. Novilha: R$ 350,00. Escalas: seis dias. PARÁ: Boi comum: R$ 370,00. Boi China: R$ 370,00. Média: R$ 370,00. Vaca: R$ 345,00. Novilha: R$ 355,00. Escalas: cinco dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 360,00. Vaca: R$ 335,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: sete dias. MARANHÃO: Boi: R$ 360,00. Vaca: R$ 335,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: seis dias. Preços brutos do “boi-China” nesta terça-feira (20/10), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 381,00/@ (à vista) e R$ 385,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 371,00/@ (à vista) e R$ 375,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 374,00/@ (à vista) e R$ 378,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 363,00/@ (à vista) e R$ 367,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 368,00/@ (à vista) R$ 372,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 358,00/@ (à vista) e R$ 362,00/@ (prazo)PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 366,00/@ (à vista) e R$ 372,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 356,00/@ (à vista) e R$ 360,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 371,00/@ (à vista) e R$ 375,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 361,00/@ (à vista) e R$ 365,00/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
Arroba brasileira bate recorde em dólar, destaca Agrifatto
Na parcial do mês (até 20/10), o valor médio da arroba atingiu US$ 75,33/@, um aumento de 30,6% sobre a patamar médio registrado em igual mês de 2025, destacou a Agrifatto
A alta do boi gordo e o movimento de baixa do dólar levaram a arroba do boi gordo brasileiro ao maior valor em moeda norte-americana da história, destaca boletim da Agrifatto enviado na segunda-feira (26/10) aos seus assinantes. O indicador do Cepea fechou a sexta-feira (23/10) a US$ 76,40/@, maior valor da série iniciada em 1997. Por sua vez, informou a Agrifatto, o valor médio nesta parcial de outubro/26 (até 20/10), de US$ 75,33/@, ficou 30,6% acima do patamar médio registrado em igual mês de 2025. Considerando a mesma base de comparação, a média ponderada dos principais países produtores subiu 11,3%, para US$ 89,14/@. Com isso, o desconto do boi brasileiro frente ao mercado mundial caiu de 28% para 15,5%, o menor desde novembro de 2024. No entanto, o Brasil continua com a arroba mais barata entre os grandes exportadores mundiais de carne bovina, mas essa distância encurtou, observa a Agrifatto (veja dados abaixo). Preços do boi no mundo (parcial de out/26): Brasil: US$ 75/@. Argentina: US$ 79/@. Paraguai: US$ 82/@. Uruguai: US$ 90/@. Austrália: US$ 90/@. EUA: US$ 115/@.
AGRIFATTO
SUÍNOS
Bem-estar animal avança na suinocultura, mas financiamento é entrave
Levantamento foi divulgado pela organização de proteção animal Alianima. Financiamento da adaptação continua sendo citado como um dos principais obstáculos
A suinocultura brasileira avançou na adoção de práticas de bem-estar animal nos últimos anos, mas ainda enfrenta desafios para acelerar a transição aos sistemas de alojamento, segundo levantamento anual divulgado pela organização Alianima. O Observatório Suíno convidou 11 fornecedores a participarem do estudo, dos quais apenas um não respondeu ao questionário. O estudo aponta que 45,1% das matrizes suínas estão alojadas em baias coletivas durante a gestação, o que representa um avanço de 0,2 ponto percentual em relação ao levantamento do ano passado. Entre os fornecedores que responderam ao levantamento, JBS e Ecofrigo afirmaram ter alcançado 100% de suas matrizes em baias coletivas na fase de gestação. Também houve avanços nas respostas da Pamplona, Alegra Foods e Alibem. Outras três empresas, segundo o relatório, não apresentaram avanços considerados suficientes. O financiamento da transição continua sendo citado como um dos principais obstáculos. Neste ano, 80% dos fornecedores apontaram essa como uma dificuldade para avançar. A precificação do produto foi mencionada por 70%, e o planejamento das instalações, por 60%. "O cenário reforça a importância de um esforço conjunto entre produtores, empresas compradoras, instituições financeiras e poder público para viabilizar as mudanças necessárias. O objetivo é permitir que os compromissos assumidos sejam convertidos em melhorias efetivas nas condições de alojamento, sem desconsiderar os desafios técnicos e econômicos envolvidos", afirma Maria Fernanda Martin, zootecnista e gerente de bem-estar animal da Alianima. O levantamento também aponta que 60% dos fornecedores afirmaram ter planos para oferecer mais espaço às matrizes na maternidade, mas somente em novas instalações. Outros 40% não indicaram planos de ampliação. Um ponto considerado positivo pela Alianima é que, pelo terceiro ano consecutivo, 100% dos fornecedores respondentes declararam não realizar castração cirúrgica sem anestesia, enquanto 80% informaram terem banido o desbaste dos dentes dos leitões. Já entre as empresas compradoras monitoradas, 53% nunca reportaram informações sobre a transição para sistemas de gestação coletiva ou deixaram de fazê-lo nas três edições mais recentes do levantamento. Foram contatadas 32 empresas, das quais 13 responderam ao questionário. "A ausência de reporte não comprova, por si só, que uma empresa não tenha avançado na transição. No entanto, impede que seus fornecedores, consumidores e outros públicos acompanhem de forma consistente os resultados alcançados, as dificuldades encontradas e a evolução em relação às metas divulgadas", explica Maria Fernanda.
GLOBO RURAL
EMPRESAS
Copacol celebra 63 anos com investimentos de R$ 1 bilhão e reconhecimento nacional
A história construída pela união de 32 pioneiros e do padre Luís Luise completa 63 anos marcada pelo crescimento, pela inovação e pelo compromisso com o desenvolvimento regional. Fundada em 1963, a Copacol (Cooperativa Agroindustrial Consolata), primeira cooperativa do Oeste do Paraná, celebra mais um aniversário consolidada entre as referências do agronegócio brasileiro, com faturamento próximo de R$ 12 bilhões, 11 mil cooperados e 17 mil colaboradores.
Em 2026, a cooperativa também conquistou um importante reconhecimento nacional ao ser consagrada pelo Prêmio Valor 1000, da revista Valor Econômico, como Melhor do Agronegócio Brasileiro. A trajetória que começou com recursos limitados e o propósito de proporcionar melhores condições de vida às famílias do campo transformou-se em um empreendimento de grande dimensão, com atuação em 85 países. Com os olhos voltados para o futuro, a Copacol prevê investimentos de R$ 1 bilhão até 2028, destinados à ampliação da capacidade produtiva, à modernização da estrutura e ao fortalecimento das atividades agroindustriais. Entre os principais projetos está a construção de um novo incubatório em Rancho Alegre, com investimento de R$ 165 milhões e capacidade projetada para produzir 80 milhões de ovos por ano. A iniciativa integra o planejamento de expansão da avicultura, que também contempla novos matrizeiros para ampliar a produção de aves. Outro investimento estratégico é a Unidade de Produção de Leitões, na Central Santa Cruz. A Cooperativa também trabalha na ampliação da capacidade de recebimento de grãos, com novas unidades para atender ao crescimento da produção agrícola e oferecer estrutura aos cooperados. Os projetos reforçam a estratégia de crescimento sustentável da Copacol, que busca acompanhar a evolução das atividades no campo, ampliar a eficiência operacional e criar condições para que os produtores continuem investindo em suas propriedades. O aniversário de 63 anos é celebrado em um momento de resultados expressivos nas diferentes atividades da Cooperativa. Em 2026, a Copacol alcançou a marca de 2,5 milhões de toneladas de soja e milho, resultado que evidencia a dimensão da produção agrícola e a importância da estrutura de apoio aos cooperados. A rede de atendimento conta com 47 unidades de recebimento de grãos, insumos e sementes, estrutura cuja capacidade foi ampliada nos últimos cinco anos. Na avicultura, as duas unidades industriais processam, juntas, cerca de 800 mil aves por dia. Na piscicultura, a produção chega a 210 mil peixes por dia nas duas unidades industriais, enquanto a produção anual alcança 100 milhões de alevinos. Na cadeia leiteira, são entregues 13 milhões de litros à Frimesa, enquanto a suinocultura registra a entrega de aproximadamente 660 mil leitões por ano. “Os resultados demonstram a integração entre as atividades e a participação dos cooperados em um modelo que conecta produção, tecnologia, industrialização e mercado. A excelência alcançada no campo, somada à capacidade de processamento e comercialização, contribui para a geração de renda e para a consolidação da Cooperativa no cenário nacional e internacional”, complementa Pitol.
ASSESSORIA DE IMPRENSA COPACOL
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Porto de Paranaguá concentra 47% das exportações brasileiras de carne de frango
Porto embarcou 1,87 milhão de toneladas entre janeiro e setembro, alta de 18,7% em relação ao mesmo período de 2025.
O Porto de Paranaguá respondeu por 47% das exportações brasileiras de carne de frango entre janeiro e setembro de 2026. No período, foram embarcadas 1,87 milhão de toneladas pelo terminal paranaense, volume 18,7% superior ao registrado nos primeiros nove meses de 2025, quando foram exportadas 1,57 milhão de toneladas. Ao todo, o Brasil embarcou 3,98 milhões de toneladas de carne de frango por via marítima entre janeiro e setembro deste ano. O aumento registrado em Paranaguá correspondeu a 65,1% do crescimento das exportações brasileiras do produto no período. Das 451,9 mil toneladas adicionais embarcadas pelo país em relação ao mesmo período de 2025, 294 mil toneladas passaram pelo Porto de Paranaguá. Em setembro, foram 199,2 mil toneladas, alta de 12% na comparação com as 177,8 mil toneladas embarcadas no mesmo mês do ano passado. Os dados são do Comex Stat, sistema do Governo Federal que reúne informações sobre o comércio exterior brasileiro, e do Centro de Estatísticas da Portos do Paraná. A China foi o principal destino da carne de frango embarcada por Paranaguá entre janeiro e setembro, com 198,4 mil toneladas. As importações chinesas do produto passaram de 325 mil toneladas em todo o ano de 2025 para 450 mil toneladas nos nove primeiros meses de 2026. A China encerrou 2025 como o quinto maior comprador de carne de frango brasileira e assumiu a liderança do ranking em 2026. Segundo o diretor de Operações Portuárias da Portos do Paraná, Gabriel Vieira, o aumento das exportações está relacionado à demanda internacional pela proteína e às condições do mercado mundial. A infraestrutura portuária do Paraná também contribui para a movimentação do produto. A carne de frango foi o 11º produto mais exportado pelo Brasil. Em Paranaguá, o produto representou 5,5% das 33,9 milhões de toneladas exportadas pelos portos paranaenses no acumulado do ano. Entre janeiro e setembro, a movimentação de cargas embarcadas e desembarcadas pela Portos do Paraná alcançou 52,1 milhões de toneladas. Desse total, 18,2 milhões de toneladas corresponderam às importações, o equivalente a 35% do volume movimentado.
O PRESENTE RURAL
ECONOMIA
Dólar à vista avança 8,2%, maior alta diária desde 1999, com vitória de Lula
Maior parte do mercado estava posicionada para a vitória de Flávio Bolsonaro e projetando um ajuste fiscal com o possível mandato do senador
O dólar à vista registrou valorização expressiva na segunda-feira, encerrando o dia com a maior alta frente ao real desde janeiro de 1999. O movimento refletiu a frustração dos agentes do mercado com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A maior parte estava posicionada para a vitória de Flávio Bolsonaro e projetando um ajuste fiscal com um possível mandato do senador. Além de os investidores terem feito apostas favoráveis aos ativos brasileiros, havia um menor prêmio de risco embutido no câmbio relacionado ao endividamento público do país. Com a virada surpreendente de Lula, o horizonte se tornou outro. Por isso, hoje mecanismos de “stop-loss” foram acionados e o risco voltou ao preço. Quem aproveitou a alta de hoje foi o exportador com caixa no exterior. Houve relatos de internalização de capital, com empresas exportadoras fazendo a contraparte da busca por dólar, o que ficou evidente no dólar casado, a diferença em pontos entre a cotação do dólar futuro e do dólar à vista. Encerradas as negociações da segunda-feira, o dólar à vista fechou em alta de 8,21%, a R$ 5,4027, depois de ter encostado na máxima de R$ 5,6048 pela manhã. Houve duas travas de negociações batidas pelo dólar futuro na B3. Uma no nível de 8,4% no mercado futuro e outra em 12%. No caso do euro comercial, a valorização de hoje foi a maior observada desde o início da compilação dos dados de euro pelo Valor, em 2014, com apreciação de 8,04%, a R$ 6,0386. O dia foi também de superlativos no volume de negociações dos mercados futuros. Na B3, até as 18h05, o volume negociado nos contratos mais líquidos do dólar cheio e dólar mini rondava US$ 78,3 bilhões, podendo se tornar até o fechamento, às 18h30, o segundo dia de maior negociação desde 19 de dezembro de 2024, quando o dólar bateu a máxima intradiária nominal histórica, de R$ 6,30 (na data foram negociados US$ 90,3 bilhões). No exterior, houve intenso volume de negociação, com a plataforma CME Group batendo o recorde em negócios diários, de US$ 4,5 bilhões no início da tarde. Para estrategistas do Morgan Stanley, o dólar pode ficar perto de R$ 5,50, uma vez que a exposição favorável ao real foi apontada como a forma preferida de os investidores expressarem uma visão construtiva sobre o resultado eleitoral. Em um segundo momento, com mais prêmio de risco, o dólar pode ir para a faixa de R$ 5,60 a R$ 5,70. “A sazonalidade desfavorável ao real em novembro e dezembro, decorrente de saídas de recursos de empresas e pagamentos de dividendos, poderia intensificar a desvalorização da moeda brasileira”, acrescentam.
VALOR ECONÔMICO
Ibovespa fecha em queda de quase 14% após reeleição de Lula acionar "circuit breaker"
O Ibovespa fechou com a maior queda desde 2020 na segunda-feira, marcada por "circuit breaker" na bolsa paulista, em meio a uma forte reprecificação das ações brasileiras após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistar a reeleição no domingo.
Investidores vinham se posicionado para uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa, principalmente após ele liderar a primeira etapa da disputa, vislumbrando um governo mais favorável ao mercado e melhora do cenário fiscal. Mas, no domingo, Lula venceu Flávio por 51,79% a 48,21% dos votos válidos, uma diferença de 4,4 milhões de votos, frustrando tais expectativas e desencadeando uma forte correção no mercado financeiro brasileiro como um todo. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa despencou 13,88%, a 176.608,23 pontos, maior perda percentual em um dia desde 16 março de 2020 (-13,92%), período marcado pela pandemia de Covid. O índice Small Caps tombou 26,92%, para 2.036,13 pontos, maior queda em um dia da sua série histórica, iniciada em 2005. O volume financeiro no pregão totalizou quase R$114,9 bilhões, bem acima de uma média diária já alta no mês, de cerca de R$57,5 bilhões e perto do recorde registrado em abril desse ano, quando atingiu R$120 bilhões, inflado naquela sessão pelo vencimento de opções. A B3 acionou o "circuit breaker" na abertura, suspendendo por 30 minutos a negociação de ativos à vista, renda fixa privada e opções referenciadas em ações, BDR, Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50, Índice Small Cap e ETFs. A B3 afirmou que decisão de acionar o mecanismo baseou-se na análise do cenário de formação do preço teórico do Ibovespa, que indicava queda superior a 20%. O "circuit breaker" não era acionado na bolsa desde março de 2020. "O mercado embutiu nos seus preços uma expectativa diferente no primeiro turno do que efetivamente se concretizou no segundo turno e como esse resultado foi diametralmente diferente das expectativas há esse ajuste forte", afirmou a investidora Louise Barsi, cofundadora do Grupo AGF (Ações Garantem o Futuro). Ainda nesta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ao Estadão que o governo apresentará uma proposta para que possa perseguir o centro da meta fiscal ao longo do ano, e não mais o piso da margem de tolerância. Na visão de agentes financeiros, houve um aumento das incertezas sobre as perspectivas fiscais do país e a direção dos preços dos ativos brasileiros agora dependerá das sinalizações sobre a política econômica do novo mandato. As atenções estão voltadas para a decisão sobre quem comandará o Ministério da Fazenda, bem como uma definição mais precisa da estratégia de consolidação fiscal para os próximos quatro anos. O Goldman Sachs espera, "no máximo, medidas modestas para conter o crescimento dos gastos primários, acompanhadas por novos aumentos de uma carga tributária que já é elevada.
REUTERS
Mercado ajusta para baixo projeções de inflação, PIB e câmbio neste ano no Focus
Economistas consultados pelo Banco Central ajustaram para baixo suas projeções para a inflação, o crescimento da economia e o câmbio ao final deste ano, mostrou o Boletim Focus na segunda-feira, que também apontou uma revisão para baixo na taxa básica de juros ao final do ano que vem.
Os agentes veem agora uma inflação medida pelo IPCA de 5,19% ao fim de 2026, ante estimativa de 5,22% uma semana atrás. Para 2027, a inflação é estimada agora em 4,34%, ante 4,32%. Para 2028 a conta se manteve em 3,75%. A meta de inflação é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O mercado também passou a ver crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,80% ao fim deste ano, ante 1,83% uma semana atrás, e 1,31% em 2027, ante 1,32%. Para o câmbio, os agentes enxergam o dólar cotado a R$5,05 ao fim deste ano, ante R$5,13 na semana passada, e para o ano que vem a estimativa é de R$5,15, ante R$5,22. As estimativas para a taxa básica de juros Selic ao final de 2026 foram mantidas em 13,25% ao ano, com expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central faça um corte de 0,25 ponto percentual em sua reunião de novembro e uma nova redução de mesma magnitude no encontro de dezembro. Para 2027, os economistas ouvidos pelo BC passaram a ver a Selic em 11,75%, ante 12,00% na semana anterior. A pesquisa realizada com cerca de uma centena de instituições financeiras foi concluída na sexta-feira, antes de, no domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistar uma virada histórica sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial e conquistar um inédito quarto mandato na Presidência da República. Após o resultado eleitoral, os ativos brasileiros registravam fortes quedas no exterior e a expectativa é de que as ações brasileiras e o real despenquem no pregão desta segunda-feira. Agentes do mercado financeiro preferiam uma vitória de Flávio sob o argumento de que, com ele no Palácio do Planalto, haveria uma chance maior de controle nas contas públicas, embora nem o senador nem seus assessores econômicos tenham apresentado detalhes concretos de um eventual ajuste durante a campanha.
REUTERS
Melhora na confiança do consumidor em outubro não muda perspectiva desfavorável, avalia FGV
Para o economista da fundação Rodolpho Tobler, a alta foi uma “oscilação natural”, após período prolongado de quedas
Após cinco quedas consecutivas, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu 0,5 ponto em outubro, para 84,7 pontos, maior pontuação desde julho (88,3 pontos), informou na segunda-feira (26) a Fundação Getulio Vargas (FGV). No entanto, a taxa positiva não pode ser considerada como retomada de confiança do consumidor, no entendimento do economista da fundação Rodolpho Tobler. Para ele, a alta foi uma “oscilação natural”, após período prolongado de quedas – e, não necessariamente, reversão de tendência negativa do indicador. “Temos que ter cautela porque foi uma alta pequena [em magnitude]”, disse. “E, mesmo com ela, o indicador continua em faixa inferior a 90 pontos, o que é terreno negativo”. Ele lembra que, na ótica do índice, o quadrante favorável é acima de 100 pontos. “A confiança ainda está em terreno muito mais de pessimismo do que de otimismo. E esse aumento foi mais causado por [melhora em] expectativas”, disse. Tobler se refere ao fato de que, nos dois componentes do ICC, o Índice de Expectativas (IE) subiu 2,8 pontos, para 88 pontos, e o Índice de Situação Atual (ISA), caiu 2,6 pontos, para 81,4 pontos. Assim, ponderou, os números mostram que, na prática, o brasileiro não visualiza melhora na situação presente em termos de condições de consumo. Outro aspecto que inspira cautela é a piora que os consumidores perceberam na avaliação de finanças pessoais. O indicador de situação financeira atual das famílias, um dos tópicos usados para cálculo do ISA, recuou 3,1 pontos, para 71,3 pontos, menor nível desde janeiro (70,1 pontos). Já o indicador de situação econômica local atual, também componente do ISA, caiu 2,2 pontos, para 91,8 pontos, menor nível desde março de 2025 (91,3 pontos). Esses resultados ocorrem em um contexto que as famílias ainda operam com altos patamares de endividamento e de inadimplência, o que reduz espaço para consumo. Além disso, completou, chama atenção o fato de que a melhora na confiança não foi puxada por famílias de menor renda. Pelo contrário: nas quatro faixas de renda pesquisadas pela FGV, o ICC caiu 5,4 pontos entre famílias com ganhos mensais abaixo de R$ 2.000,00. “O ICC da baixa renda subiu muito no mês passado [em setembro, avanço de 10,7 pontos]”, lembrou. Ele não descartou possibilidade de o dado ter sido influenciado por anúncio de reajuste no valor do Bolsa Família, programa de transferência de renda do governo. “Mas a alta não se sustentou”, comentou, a admitir que isso pode ser sinal de alerta para próximos desempenhos do ICC. Assim, mesmo com aumento, os sinais delineados no ICC de outubro apontam ímpeto menor de consumo das famílias quando comparado com períodos anteriores. No entanto, o técnico não descarta novas altas no indicador. Isso porque medidas, como perspectiva de queda na taxa básica de juros (Selic) – que norteia os juros de mercado – e o recebimento de valor maior no Bolsa Família, podem ajudar a manter indicador no terreno positivo. Mas ele não acredita que, mesmo com saldo positivo no ICC, a intenção de consumo, no fim deste ano, seja tão forte como observada ao término de anos anteriores. “Creio que em 2025 e em 2024 tivemos demanda um pouco mais aquecida do que vamos ver agora ao fim de 2026”, disse.
VALOR ECONÔMICO
Intenção de consumo das famílias cai 0,8% em outubro, diz CNC
Segundo a entidade, esta foi a terceira queda consecutiva do indicador, que atingiu o menor patamar desde janeiro
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), calculada pela Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), caiu 0,8% em outubro ante setembro, para 103,6 pontos, informou nesta segunda-feira (26) a organização. Foi a terceira queda consecutiva do indicador, que atingiu o menor patamar desde janeiro (103,6 pontos). Maior preocupação com mercado de trabalho, bem como menor interesse em compra de itens duráveis, como fogões e geladeiras, levaram ao resultado, informou a CNC. Na comparação com outubro do ano passado, no entanto, o ICF subiu 2,2%. Todos os sete tópicos usados para o cálculo do indicador mostraram queda na passagem de setembro para outubro: emprego atual (-0,7%), renda atual (-0,3%), nível de consumo atual (-1,3%), perspectiva profissional (-0,6%), perspectiva de consumo (-1%), acesso ao crédito (-0,7%), e momento para duráveis (-1,8%). Na comparação com outubro do ano passado, no entanto, o único recuo registrado foi em perspectiva profissional (-7,7%). Os outros tópicos tiveram alta: emprego atual (1,5%), renda atual (0,9%), nível de consumo atual (2%), perspectiva de consumo (3,4%), acesso ao crédito (7%) e momento para duráveis (14%). A retração da intenção de consumo em outubro ante mês anterior ocorreu tanto entre famílias de renda elevada quanto nas de renda mais baixa. No recorte do ICF por faixas de renda, entre aquelas com rendimento de até dez salários-mínimos, o indicador caiu 0,8% em outubro, para 101,4 pontos. No grupo com renda superior a dez salários-mínimos, a redução também foi de 0,8%, e o indicador chegou a 115,4 pontos. E, nas duas faixas de renda, o tópico “Momento para Compra de Duráveis” foi o principal destaque negativo. Esse tópico recuou 1,7% entre famílias de menor renda, com queda de 2% entre as de maior renda em outubro ante setembro, detalhou a CNC. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, os resultados evidenciam que o “bolso do consumidor” poderia estar mais bem preparado do que está. Mas mostrou-se otimista com o desempenho do varejo, no curto prazo, devido às datas sazonais historicamente boas para vendas no comércio, que ainda estão por vir. “O mês do Dia das Crianças é uma espécie de prévia da Black Friday e confraternizações de fim de ano, que mobilizam consumidores em todo o País”, lembrou. No entanto, Tadros admitiu que ainda há dúvidas sobre o patamar de consumo nos próximos meses. “Ainda que a massa salarial e a taxa de ocupação tenham estabilizado em bons patamares, há incertezas no horizonte do consumidor, tanto internas quanto externas”, avalia. “Parcelas de dívidas e contas em atraso são o outro lado desta equação que ainda se inclina para a redução no poder de compra do brasileiro”, complementou ele.
VALOR ECONÔMICO
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