CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1219 DE 22 DE OUTUBRO DE 2026

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1219 | 22 de outubro de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
“Boi-China” sobe nas praças de MS, GO, PA e PR, aponta a Scot
Em SP, os preços dos animais terminados seguem firmes, com o boi com padrão-exportação valendo R$ 385/@, no prazo. No PARANÁ: Boi: R$ 385,00. Vaca: R$ 360,00. Novilha: R$ 370,00. Escalas: cinco dias. Boi China: PARANÁ: R$ 388,00/@ (à vista) e R$ 392,00/@ (prazo)
As negociações envolvendo embarques de carne bovina in natura brasileira para a China, visando a cota de salvaguarda de 2027, começam a ganharam força, o que intensifica a demanda por este tipo de produto e contribui para os avanços nos preços da arroba nas principais praças do País. Na quarta-feira, a Scot Consultoria identificou valorizações nas cotações dos animais com padrão-exportação (abatido mais jovens, com até 30 meses de idade) nos Estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, Pará e Paraná. Na praça paulista, os preços dos animais terminados seguem firmes, com o boi sem perfil exportação valendo R$ 380/@, enquanto o “boi-China” segue apregoado em R$ 385/@ (valores brutos, no prazo), conforme os dados da Scot. Na avaliação dos analistas da Agrifatto, o enfraquecimento do consumo doméstico de carne bovina desde o início da segunda quinzena e a retração da demanda no atacado dificultam o repasse dos custos dos frigoríficos brasileiros. No entanto, continua a consultoria, a oferta restrita de animais terminados ainda favorece reajustes nos preços físicos do boi gordo conforme a necessidade de compra de cada indústria. Segundo levantamento da Agrifatto, os recentes reajustes nos valores pagos pela arroba favoreceram um discreto aumento do volume de lotes negociados, permitindo um ligeiro alongamento das escalas de abate das indústrias brasileiras, que alcançaram sete dias úteis, na média nacional. Pelos dados da Agrifatto, o boi gordo (com ou em padrão-exportação) segue valendo R$ 390/@ (prazo) no mercado paulista, enquanto o valor médio da arroba nas outras 16 regiões monitoradas pela consultoria estacionou em R$ 367,75. No mercado futuro, os contratos futuros do boi gordo encerraram o pregão de terça-feira (21/10) em queda pelo segundo dia consecutivo. O vencimento de curto prazo (outubro/26) fechou a sessão a R$ 384,80/@, com recuo de 0,85% em relação ao fechamento anterior. Cotações do boi gordo: conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 390,00. Boi China: R$ 390,00. Média: R$ 390,00. Vaca: R$ 360,00. Novilha: R$ 370,00. Escalas: cinco dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 370,00. Boi China: R$ 370,00. Média: R$ 370,00. Vaca: R$ 345,00. Novilha: R$ 355,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 375,00. Boi China: R$ 375,00. Média: R$ 375,00. Vaca: R$ 350,00. Novilha: R$ 360,00. Escalas: cinco dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 355,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 355,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: sete dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 370,00. Boi China/Europa: R$ 370,00. Média: R$ 370,00. Vaca: R$ 345,00. Novilha: R$ 355,00. Escalas: seis dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 365,00. Boi China: R$ 365,00. Média: R$ 365,00. Vaca: R$ 340,00. Novilha: R$ 350,00. Escalas: seis dias. PARÁ: Boi comum: R$ 370,00. Boi China: R$ 370,00. Média: R$ 370,00. Vaca: R$ 345,00. Novilha: R$ 355,00. Escalas: cinco dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 360,00. Vaca: R$ 335,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: sete dias. MARANHÃO: Boi: R$ 360,00. Vaca: R$ 335,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: seis dias. Preços brutos do “boi-China” nesta terça-feira (20/10), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 381,00/@ (à vista) e R$ 385,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 371,00/@ (à vista) e R$ 375,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 374,00/@ (à vista) e R$ 378,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 363,00/@ (à vista) e R$ 367,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 368,00/@ (à vista) R$ 372,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 358,00/@ (à vista) e R$ 362,00/@ (prazo)PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 366,00/@ (à vista) e R$ 372,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 356,00/@ (à vista) e R$ 360,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 371,00/@ (à vista) e R$ 375,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 361,00/@ (à vista) e R$ 365,00/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
SUÍNOS
Carcaça suína chega a R$ 10,18/kg após alta de 19,76% no mês
No mercado atacadista da Grande São Paulo, o preço avançou 1,29% em um dia, enquanto o suíno vivo também registra valorização nos cinco estados pesquisados
O mercado de suínos registra valorização nas cotações em outubro. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), referentes a 19 de outubro, mostram que o preço do suíno vivo acumula alta de até 17,99% nos cinco estados acompanhados pelo levantamento. No atacado da Grande São Paulo, a carcaça suína especial também apresenta aumento, com o quilo negociado a R$ 10,18. Entre os preços pagos ao produtor, São Paulo apresenta a maior variação mensal, de 17,99%, com cotação de R$ 6,82 por quilo. Em Minas Gerais, o indicador chegou a R$ 6,96 por quilo, o maior valor nominal entre os estados pesquisados, com elevação de 13,36% no mês. No Paraná, o suíno vivo foi cotado a R$ 5,93 por quilo, alta mensal de 10,43%. No Rio Grande do Sul, o preço ficou em R$ 5,92, com valorização de 12,33%. Já em Santa Catarina, a cotação alcançou R$ 5,88 por quilo, avanço de 12% no período. As variações diárias também foram positivas em todas as praças monitoradas. O maior aumento ocorreu no Rio Grande do Sul, onde o indicador subiu 1,89% em relação ao levantamento anterior. Em Santa Catarina, a alta foi de 0,86%; em São Paulo, de 0,74%; no Paraná, de 0,34%; e em Minas Gerais, de 0,14%. No mercado atacadista da Grande São Paulo, o preço médio da carcaça suína especial atingiu R$ 10,18 por quilo em 19 de outubro. O valor representa aumento diário de 1,29% e elevação acumulada de 19,76% no mês, conforme os dados do Cepea. Na comparação com 13 de outubro, quando a média estava em R$ 9,99 por quilo, a cotação avançou R$ 0,19 por quilo. No dia 14, o preço havia recuado para R$ 9,97, patamar mantido em 15 de outubro. Em 16 de outubro, a média subiu para R$ 10,05, antes de alcançar o nível registrado no dia 19. Os indicadores do suíno vivo correspondem aos preços recebidos pelos produtores, à vista, enquanto a cotação da carcaça especial se refere às negociações no atacado da Grande São Paulo, com ICMS.
CEPEA
FRANGOS
Paraná intensifica ações sanitárias para proteger aviários
Medidas preventivas foram adotadas após confirmação de caso da Doença de Newcastle em criação de perus em Santa Catarina
A Adapar (Agência de Defesa Agropecuária do Paraná) intensificou as ações de vigilância sanitária em todo o Estado após a confirmação de um caso da Doença de Newcastle em uma granja de perus no município de Nova Itaberaba, no Oeste catarinense. As medidas preveem atenção especial aos estabelecimentos avícolas comerciais, buscando prevenir a introdução e a disseminação da doença em território paranaense. A confirmação pelo Ministério da Agricultura e Pecuária do caso da doença em Santa Catarina, no último domingo (18), já causou reações de importantes mercados externos consumidores da carne de ave produzida no Paraná. A China e o México, dois dos três maiores compradores em 2025, já anunciaram a suspensão das importações. O México suspendeu totalmente as compras de carne de frango e outros produtos avícolas do Brasil e o país asiático, por enquanto, suspendeu temporariamente a importação de carne de frango de 14 estabelecimentos localizados em Santa Catarina. O Chile aplicou suspensão restrita às importações procedentes de produtores catarinenses. A granja em Nova Itaberaba foi interditada e passa por ações de contenção, com monitoramento de cerca de 1,6 mil propriedades na região. A Doença de Newcastle é causada por um vírus altamente contagioso que ataca aves domésticas e silvestres, afetando o sistema respiratório, nervoso e digestivo. Não há risco de contaminação para humanos pelo consumo de carne de aves ou ovos inspecionados. “As equipes do Serviço Veterinário Oficial permanecem mobilizadas para o acompanhamento das condições sanitárias dos plantéis, a realização de fiscalizações nas propriedades e a investigação imediata de eventuais suspeitas de doenças”, informou, em nota, a assessoria de comunicação da Adapar. O órgão disse ainda que reforçou as orientações aos produtores e responsáveis técnicos sobre a necessidade de manter rigorosamente as medidas de biosseguridade, especialmente o controle de acesso às granjas, a integridade das estruturas dos aviários, os procedimentos de limpeza e desinfecção e a prevenção do contato com aves silvestres e sinantrópicas, as aves silvestres adaptadas ao convívio humano. Paralelamente, a agência intensificou o trânsito de aves vivas, especificamente frangos e perus, tanto nos postos fixos localizados nas divisas estaduais quanto nas operações volantes realizadas no interior paranaense. Nessas ações, são verificadas a documentação sanitária, a origem e o destino das cargas e o cumprimento das exigências aplicáveis ao transporte, incluindo os procedimentos de limpeza e desinfecção dos veículos. “Nosso principal objetivo é atuar preventivamente, fortalecendo a vigilância nas propriedades, orientando os produtores e identificando precocemente qualquer situação que possa representar risco à sanidade da avicultura paranaense”, destacou a Adapar.
FOLHA DE LONDRINA
Arábia Saudita e Malásia também suspendem importações de frango do Brasil
Malásia suspende compras de todo o Brasil enquanto Arábia Saudita restringe carne e produtos cárneos de aves apenas de Santa Catarina
Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) atualiza as informações sobre as restrições temporárias impostas por parceiros comerciais às exportações brasileiras de produtos avícolas, após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em um estabelecimento de avicultura comercial de corte de perus, localizado em Nova Itaberaba (SC). Até o momento, as restrições estão distribuídas da seguinte forma: Suspensão das importações provenientes de todo o Brasil: Malásia (carne, produtos cárneos e miúdos de aves) e México (aves vivas, carne e miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias e aves canoras, ornamentais ou de rapina destinadas à comercialização e aves de companhia). Suspensão das importações provenientes de Santa Catarina: Arábia Saudita (carne e produtos cárneos de aves); China (carne e produtos cárneos de aves) e Chile (ovos férteis, ovos SPF, pintinhos de um dia, aves ornamentais, carne fresca de aves, ovos para consumo humano e produtos cárneos contendo carne fresca de aves). Aos consumidores, o Mapa reitera que o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações. O Mapa mantém articulação com as autoridades sanitárias dos países importadores, fornecendo informações técnicas sobre a ocorrência e as medidas de controle adotadas. A atuação busca assegurar a transparência das informações e avançar nas tratativas para a retomada segura do comércio, em conformidade com os requisitos sanitários de cada mercado. A situação dos demais mercados segue em monitoramento pelo Ministério, que divulgará novas informações à medida que houver atualizações confirmadas.
MAPA
Newcastle: Brasil pode deixar de exportar 93 mil toneladas de frango até dez/26, prevê Agrifatto
Os cinco mercados que bloquearam as exportações do Brasil compraram 673,9 mil t do produto in natura entre jan-set/26 (16,8% do total), com a China à frente
Com o registro de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina, cinco países bloquearam até agora as exportações brasileiras de frango: China e Chile, que restringiram os embarques apenas do estado catarinense, além do México, Malásia, Cazaquistão (que, por enquanto, decidiram bloquear as vendas de todo o Brasil). Juntos, esses cinco mercados compraram 673,9 mil toneladas de frango in natura de janeiro a setembro de 2026, 16,8% do total, com a China à frente (10,6%), informa relatório da Agrifatto enviado nesta terça-feira (20/10) aos seus assinantes. Santa Catarina responde por pouco mais de 20% das exportações brasileiras de carne de frango, de acordo com dados oficiais do governo brasileiro. Segundo estimativa da Agrifatto, caso os importadores do México, Chile, Malásia e Cazaquistão mantenham a suspensão nacional até dezembro/26, o Brasil deixará de exportar 93,1 mil toneladas de frango no período de outubro até o último mês de 2026, o que significaria 7% do volume total previsto para este último trimestre do ano. Caso o México, Malásia e Cazaquistão também passarem a barrar só o Estado atingindo pela doença depois de um período de mês – como ocorreu em 2024, quando houve foco de Newcastle em Anta Gorda (RS) –, a perda projetada pela Agrifatto será de 64,8 mil toneladas, ou 4,9% volume de embarques totais esperado para o trimestre. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o estabelecimento afetado em Santa Catarina abriga aproximadamente 6 mil perus, que permaneceram na propriedade após a identificação do foco. As medidas sanitárias anunciadas incluem a eliminação do foco por meio da população das aves, seguida de limpeza e desinfecção das instalações. O governo também informou que aproximadamente 133 propriedades da região serão monitoradas pelas autoridades veterinárias. A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que pode afetar aves domésticas e silvestres, com manifestações respiratórias, digestivas e neurológicas, além de provocar mortalidade elevada em determinadas circunstâncias.
PORTAL DBO
INTERNACIONAL
Argentina reduz dependência da China e amplia exportações de carne bovina para EUA e Israel
A Argentina está passando por uma mudança importante no destino de suas exportações de carne bovina. Embora a China continue sendo a principal compradora, sua participação no comércio exterior argentino vem diminuindo, enquanto Estados Unidos e Israel ganham espaço entre os principais mercados.
Segundo levantamento divulgado pela Associação de Produtores Exportadores Argentinos (APEA), com base em informações do setor, a China, que chegou a concentrar aproximadamente dois terços do volume exportado, passou a responder por cerca de 50% dos embarques em julho de 2026. A mudança também aparece nas receitas. Na comparação entre julho de 2025 e julho de 2026, a participação chinesa no valor exportado caiu de 49,7% para 35,3%. No mesmo período, os Estados Unidos ampliaram sua participação de 6,9% para 20,8%, enquanto Israel avançou de 13,6% para 20,1%. O movimento indica uma diversificação dos destinos da carne argentina, com crescimento das vendas para países que, em média, pagam valores superiores aos praticados pelo mercado chinês. Um dos fatores que impulsionaram essa mudança foi a ampliação do acesso da carne argentina ao mercado americano. Segundo a APEA, um acordo comercial elevou de 20 mil para 100 mil toneladas o volume de carne que poderia ser exportado aos Estados Unidos em condições tarifárias preferenciais. A oportunidade foi rapidamente aproveitada pelos frigoríficos argentinos. Dados da Câmara da Indústria e Comércio de Carnes da Argentina (CICCRA) mostram que, apenas no primeiro semestre de 2026, os Estados Unidos importaram 54,15 mil toneladas de carne bovina argentina, volume quase três vezes superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Com isso, o país passou a responder por 19,3% do volume exportado pela Argentina, tornando-se seu segundo maior comprador naquele semestre, atrás apenas da China. Em julho, o preço médio da carne argentina exportada aos Estados Unidos foi de US$ 8.181 por tonelada, acima dos US$ 5.641 por tonelada registrados nas vendas para a China. Outro mercado que ganhou importância foi Israel, especialmente pela demanda por carne bovina kosher, produzida de acordo com as exigências alimentares judaicas. Os embarques são compostos principalmente por cortes do quarto dianteiro, cuja procura tem aumentado em um cenário de preços internacionais elevados. No primeiro semestre de 2026, Israel importou 27,92 mil toneladas de carne bovina argentina, crescimento de 24,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O preço médio dessas vendas aumentou 43,2%, chegando a US$ 10.859 por tonelada no acumulado do semestre. Com isso, a receita das exportações para Israel alcançou US$ 303,21 milhões, alta de 78,9%. Em julho, o preço médio chegou a US$ 12.065 por tonelada, mais que o dobro do valor registrado nas vendas para a China. Países europeus compram principalmente cortes premium, como filé-mignon, contrafilé e cortes do traseiro, incluindo produtos comercializados dentro da Cota Hilton, que estabelece condições preferenciais de acesso ao mercado europeu. Segundo os dados divulgados pela APEA, esses produtos podem alcançar valores entre US$ 15 mil e US$ 17 mil por tonelada. Em julho de 2026, os preços médios registrados em alguns destinos europeus foram: Alemanha: US$ 15.300 por tonelada; Países Baixos: US$ 15.558 por tonelada; Itália: US$ 16.118 por tonelada; Espanha: US$ 16.787 por tonelada. A diferença entre os preços pagos pelos compradores internacionais reflete, entre outros fatores, os tipos de cortes comercializados, as exigências de cada mercado e o posicionamento dos produtos.
BEEF POINT
MEIO AMBIENTE
Estabilidade nas emissões GEE da agropecuária
Segundo o 14º levantamento do Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, do Observatório do Clima, em 2025, o setor emitiu praticamente a mesma quantidade de gases de efeito estufa do ano anterior
O recorde de abate de bovinos contribuiu para reduzir as emissões da pecuária, principal emissora de GEE, enquanto a agricultura registrou alta, impulsionada pelo recorde de produção e ampliação da área cultivada. Numericamente, as emissões brutas da agropecuária brasileira somaram 626,3 milhões de toneladas de CO₂ equivalente (MtCO₂e), em 2025, praticamente, o mesmo registrado no ano anterior (626,7 MtCO₂e). Essa redução de 0,07% foi a menor variação anual, desde 1970, e resultou do aumento das emissões na atividade agrícola e queda na pecuária. As emissões da pecuária recuaram 1,68%, para 494,1 MtCO₂e, enquanto as da agricultura 6,45%, chegando a 132,1 MtCO₂e. O gado de corte continua sendo a principal fonte de emissões, com 410,7 MtCO₂e, responsável por 65,6% emitido pelo setor. Em seguida, está a bovinocultura leiteira, com 48,6 MtCO₂e. As emissões das duas fontes caíram 1,7% e 2,9%, respectivamente. Juntas, corresponderam a 73,3% das emissões agropecuárias. Na sequência, aparecem os fertilizantes sintéticos nitrogenados e o calcário, cujas emissões aumentaram. Juntos, responderam por 9,9% do total, com 33 MtCO₂e e 29,2 MtCO₂e, respectivamente. As demais fontes representaram 16,7% do volume emitido. “Ao final, parte da redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) da atividade pecuária foi compensada pelo aumento das emissões da agricultura, decorrente da alta na produção agrícola”, afirma Gabriel Quintana, coordenador de Ciência do Clima no Imaflora. E a agropecuária tem margem para continuar ampliando a produção com redução de emissões. O avanço poderá ser alavancado pela aquisição de tecnologias e boas práticas de manejo. É uma oportunidade de conciliar maior produtividade com mais sustentabilidade. O principal fator para a redução das emissões da pecuária foi a queda nos níveis de fermentação entérica, que contabiliza o metano liberado pelo “arroto” do boi. Em 2025, esse subsetor emitiu 396,8 MtCO₂e, queda de 1,8% em relação a 2024, quando registrou 404,1 MtCO₂e. Historicamente, a fermentação entérica é a principal fonte de emissões da atividade e sua redução deveu-se ao recorde no abate de bovinos e na produção de carcaças: foram abatidos 42,94 milhões de animais, e a produção chegou a 11,1 milhões de toneladas — aumentos de 8,2% e 7,2%, respectivamente. Esse foi o segundo ano consecutivo de alta no abate, e o rebanho nacional caiu para 234,2 milhões de animais, cerca de 1,7% abaixo do registrado em 2024. O rebanho leiteiro também diminuiu 2,7% no período, somando 14,7 milhões de vacas ordenhadas. Um bom sinal é que as culturas mais tecnificadas responderam melhor à fixação de carbono, por exemplo, em pastagens bem-manejadas. Neste item, apesar dos avanços, o Brasil ainda tem grande potencial para reduzir suas emissões. Mesmo com a redução do rebanho, a produção de leite cresceu novamente, cerca de 2,7%, e atingiu o recorde de 36,7 bilhões de litros, segundo dados do IBGE. Também subiram as emissões dos subsetores de manejo de dejetos animais, cerca de 0,7% (29,4 MtCO₂e).
PORTAL DBO
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Produtos de cooperativas do Paraná são divulgados na Sial Paris 2026
Produtos de cooperativas agropecuárias paranaenses estão sendo divulgados na Sial Paris 2026, uma das principais feiras internacionais do setor de alimentos e bebidas, iniciada sábado (17/10) e que prosseguiu até a quarta-feira (21/10), na França.
O setor está sendo representado pela coordenadora de Economia e Mercado da Gerência de Desenvolvimento Técnico do Sistema Ocepar, Carolina Bianca Teodoro, que integra uma missão comercial em parceria com a Invest Paraná e o Sistema Fiep. Durante os cinco dias de evento, produtos selecionados estão expostos no Estande Paraná, localizado no Pavilhão Brasil. As amostras estão sendo apresentadas aos visitantes pelas equipes das instituições organizadoras, que também participam de rodadas de negócios com compradores internacionais. A proposta é aproximar as empresas paranaenses de potenciais clientes e distribuidores, além de identificar oportunidades de exportação. No estande há produtos das cooperativas Cocamar e Integrada, juntamente com itens das empresas Amafil, Campo Largo, Carob House, Cini, Dr. Peanut, Erva Mate Paraná, Florão (Grupo 2 Irmãos), Granola dos Sonhos, Podium e Qualinova. O portfólio reúne produtos como cafés, sucos, refrigerantes, derivados de mandioca e milho, erva-mate, granolas, pastas de amendoim e alimentos funcionais, que demonstram a diversidade da produção paranaense. Realizada a cada dois anos, a Sial Paris é reconhecida como um dos principais encontros mundiais da indústria alimentícia. A edição de 2026 tem previsão de reunir cerca de 8 mil expositores de 130 países, com uma programação voltada à apresentação de produtos, tendências de consumo, inovação e oportunidades comerciais.
OCEPAR
Banco do Brasil prevê renegociar R$ 20 bilhões em dívidas rurais
Estatal já tem R$ 15,9 bilhões em operações sob análise e estima atender cerca de 13 mil produtores rurais afetados por dificuldades financeiras
O Banco do Brasil prevê ultrapassar R$ 20 bilhões em renegociações de dívidas de produtores rurais até 12 de novembro. A estimativa faz parte do balanço apresentado pela instituição sobre a aplicação da Medida Provisória (MP) 1.376/2026, que permite a reestruturação de débitos do crédito rural, com prazos de pagamento de até dez anos. Segundo o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt, cerca de 13 mil clientes são potencialmente elegíveis às condições previstas na medida, voltada principalmente aos produtores que enfrentaram dificuldades financeiras após perdas de safra. Atualmente, o banco contabiliza R$ 9,8 bilhões em operações que já passaram pela pré-análise e cumprem os requisitos para contratação. Outros R$ 6,1 bilhões estão nas agências, em fase inicial de avaliação. Somados, os valores chegam a R$ 15,9 bilhões em operações em diferentes etapas de análise, mas ainda não representam recursos efetivamente renegociados. “Nossa expectativa hoje é chegarmos até o dia 12 de novembro com mais de R$ 20 bilhões em recursos renegociados”, afirmou Bittencourt. O executivo acredita que o volume de contratações deverá crescer nas próximas semanas, permitindo superar a estimativa inicial. A MP 1.376/2026, publicada em julho, estabelece condições especiais para a reestruturação de dívidas de produtores rurais e cooperativas agropecuárias prejudicados por eventos climáticos adversos ou pela queda nos preços de comercialização. Entre os critérios previstos estão perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta agropecuária esperada, devidamente comprovada por laudo técnico. A medida contempla determinadas operações de crédito rural inadimplentes desde janeiro de 2024, além de financiamentos que foram prorrogados ou renegociados anteriormente, desde que atendam às exigências estabelecidas. Apesar das condições oferecidas, parte dos produtores endividados relata dificuldades para acessar os mecanismos previstos na medida provisória. Diante dos obstáculos, alguns agricultores têm recorrido à Justiça em busca de alternativas para reestruturar os débitos. Bittencourt explicou que a renegociação depende da apresentação dos documentos exigidos e da comprovação de que as perdas financeiras estão relacionadas à atividade financiada. “O produtor tem que levar toda a documentação, tem que cumprir os requisitos que a medida provisória estabelece. A perda dele e o financiamento têm que ter uma conexão”, explicou. Outro requisito é demonstrar capacidade de pagamento dentro do novo prazo estabelecido. “Apresentando essa documentação e demonstrando capacidade de pagamento no prazo estabelecido de até dez anos, dependendo da situação do produtor, nós do Banco do Brasil temos efetuado essas renegociações”, acrescentou. Assim, o enquadramento nas regras da medida provisória não garante a aprovação automática do financiamento. Cada solicitação passa por avaliação da instituição financeira, incluindo a análise da capacidade de pagamento do produtor.
CANAL RURAL
ECONOMIA
Dólar tem leve variação positiva após pesquisa mostrar distância menor entre Flávio e Lula
Após recuar nas três sessões anteriores, o dólar fechou a quarta-feira com leve variação positiva ante o real, após uma nova pesquisa da Quaest mostrar o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto, mas com uma diferença menor nas intenções de voto.
O dólar à vista encerrou com alta de 0,18%, a R$5,0272. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 8,41%. Às 17h15, o dólar futuro para novembro -- o mais negociado no Brasil -- cedia 0,04% na B3, aos R$5,0335. A moeda norte-americana exibiu perdas ante o real nas sessões anteriores em meio à percepção no mercado de que Flávio segue à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas intenções de voto para o segundo turno, ainda que várias pesquisas indiquem empate técnico entre os dois. Nesta quarta-feira a nova pesquisa da Quaest confirmou que Flávio segue numericamente à frente -- mas com uma margem menor, de apenas 1 ponto-percentual. De acordo com o levantamento, Flávio soma 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula. Brancos, nulos e pessoas que não vão votar somam 9% e os indecisos são 2%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. No levantamento anterior, da semana passada, a vantagem de Flávio era de 2 pontos percentuais. Após a divulgação dos números o dólar se manteve próximo da estabilidade, mas no início da tarde passou a exibir leves altas, em meio às dúvidas sobre o resultado da disputa presidencial. Após marcar a cotação mínima de R$5,0125 (-0,11%) às 9h19, antes da divulgação da Quaest, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,0426 (+0,49%) às 14h35, já após a pesquisa e em um momento em que a moeda norte-americana também havia ganhado força no exterior. No fim da tarde, o dólar ainda exibia altas ante pares do real como o peso mexicano, o peso chileno e o peso colombiano. Às 17h06, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- caía 0,11%, a 101,680.
REUTERS
Ibovespa recua com acirramento da disputa eleitoral e sem o apoio de Vale
Levantamento da Quaest mostrou que a rejeição de Lula recuou de 53% para 47%, o que contribuiu para o menor apetite no mercado acionário local
Depois de abrir o pregão oscilando em torno da estabilidade, o Ibovespa se firmou em queda durante a manhã, diante de novas pesquisas eleitorais que reforçaram o acirramento da corrida eleitoral a poucos dias do segundo turno. Ontem, a Quaest mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto, contra 44% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que implica queda da vantagem do bolsonarista. Além disso, o levantamento mostrou que a rejeição de Lula recuou de 53% para 47%, o que contribuiu para o menor apetite no mercado acionário local. Ao mesmo tempo em que o cenário eleitoral elevou a cautela nos negócios, a queda mais intensa das ações da Vale, Petrobras e alguns bancos ajudou a intensificar o movimento negativo no índice. O tombo registrado pela WEG, após a divulgação do balanço, também pesou sobre os negócios. Assim, após oscilar entre os 205.988 pontos e os 209.245 pontos, o Ibovespa encerrou em queda de 0,86%, aos 206.495 pontos. Blue chips de commodities cederam em bloco: as ON da Vale recuaram 2,15%, ao passo que as PN da Petrobras perderam 0,79%. Já bancos terminaram mistos: as units do Santander foram destaque, ao subirem 0,90%, enquanto as units do BTG Pactual lideraram as perdas, no valor de 1,41%. A queda mais intensa da Vale foi provocada pela percepção de analistas de que a mineradora enfrenta uma chance razoável de não alcançar metas anuais tanto de volumes produzidos quanto de custos unitários em 2026. Participantes do mercado ouvidos pelo Valor avaliam que os números da Quaest surpreenderam, especialmente a oscilação da rejeição de Lula, que caiu de 53% para 47%, ao passo que a de Flávio variou de 54% para 52%, o que ajudou a reforçar a cautela nos negócios. "Os volumes de negócios estão mais fracos, porque o momento é de cautela: quem já está posicionado espera o resultado da eleição, e quem está menos exposto ou ainda sem posição também está aguardando", diz a fonte. Ontem, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa no pregão foi de R$ 24,6 bilhões, chegando a R$ 36,8 bilhões na B3. Já em Wall Street, o Nasdaq subiu 1,05%; o Dow Jones ganhou 0,69%; e o S&P 500 avançou 0,58%.
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