CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1220 DE 23 DE OUTUBRO DE 2026

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1220 | 23 de outubro de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Boi gordo: pressão de baixa ganha força
Na quinta-feira (22/10), o preço do boi gordo em São Paulo seguiu firme em R$ 390/@ (prazo), enquanto 10 das 17 praças monitoradas diariamente pela Agrifatto registraram valorizações na arroba: AC, AL, BA, ES, MA, MS, PR, RJ, RO e SC. No PARANÁ: Boi: R$ 390,00. Vaca: R$ 360,00. Novilha: R$ 370,00. Escalas: seis dias. Boi China: PARANÁ: R$ 389,00/@ (à vista) e R$ 393,00/@ (prazo)
Nas demais regiões acompanhadas pela consultoria, as cotações do boi gordo seguiram estáveis, confirmando a resistência do mercado físico à pressão baixista. No mercado futuro, destacou a Agrifatto, os preços dos contratos do boi gordo seguem em queda. No pregão de quarta-feira (21/10) da B3, os contratos de novembro/26 e dezembro/26 encerraram a R$ 393,70/@ e R$ 394,10/@, respectivamente, enquanto o papel de janeiro/27 ficou em R$ 394,30/@. “Embora abaixo dos níveis anteriores, esses valores ainda indicam expectativa de manutenção da arroba em patamares elevados”, observa a Agrifatto. Na avaliação dos analistas da consultoria, a oferta restrita de animais terminados vem anulando qualquer tentativa dos frigoríficos brasileiros de redução nos valores pagos atualmente pela arroba. “A leitura conjunta da curva futura e das análises setoriais sugere menor espaço para altas expressivas, mas não uma queda obrigatória do físico acompanhando a B3”, observa a Agrifatto, reforçando: “Enquanto a oferta permanecer enxuta, a tendência é de resistência às baixas, mesmo com oscilações negativas nos contratos futuros”. Com o avanço da segunda quinzena, o consumo doméstico de carne bovina perdeu força, movimento sazonal associado à redução do poder de compra depois do esgotamento dos salários recebidos no início do mês. “Diante desse cenário, parte das indústrias saiu das compras e passou a aguardar uma melhor definição do mercado”, observaram os analistas da Scot Consultoria. Historicamente, lembra a Scot, outubro é o mês com a menor participação de fêmeas no abate, comportamento estritamente associado à estação de monta. “Neste ano, a maior atratividade econômica da atividade de cria adicionou um estímulo à retenção de fêmeas, restringindo ainda mais a oferta à indústria”, relata a Scot. No mercado externo, compras destinadas à China ainda não foram retomadas por todos os compradores, informou a Scot. Os dados preliminares da balança comercial, relata a consultoria, apontam aceleração no ritmo dos embarques brasileiros de carne bovina na segunda semana de outubro/26, embora ainda não seja possível identificar quanto desse movimento se destina à China. Assim, diz a Scot, embora o consumo doméstico mais fraco limite novas altas, a oferta ajustada continua sustentando as cotações da arroba do boi gordo nas praças brasileiras. “No curto prazo, a expectativa é de maior estabilidade, mas a retomada gradual das compras para exportação pode reforçar a demanda por bovinos e trazer novo impulso ao mercado”, afirmou a Scot. Cotações do boi gordo: conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 390,00. Boi China: R$ 390,00. Média: R$ 390,00. Vaca: R$ 360,00. Novilha: R$ 370,00. Escalas: cinco dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 370,00. Boi China: R$ 370,00. Média: R$ 370,00. Vaca: R$ 345,00. Novilha: R$ 355,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 375,00. Boi China: R$ 375,00. Média: R$ 375,00. Vaca: R$ 350,00. Novilha: R$ 360,00. Escalas: cinco dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 355,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 355,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: sete dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 370,00. Boi China/Europa: R$ 370,00. Média: R$ 370,00. Vaca: R$ 345,00. Novilha: R$ 355,00. Escalas: seis dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 365,00. Boi China: R$ 365,00. Média: R$ 365,00. Vaca: R$ 340,00. Novilha: R$ 350,00. Escalas: seis dias. PARÁ: Boi comum: R$ 370,00. Boi China: R$ 370,00. Média: R$ 370,00. Vaca: R$ 345,00. Novilha: R$ 355,00. Escalas: cinco dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 360,00. Vaca: R$ 335,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: sete dias. MARANHÃO: Boi: R$ 360,00. Vaca: R$ 335,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: seis dias. Preços brutos do “boi-China” nesta terça-feira (20/10), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 381,00/@ (à vista) e R$ 385,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 371,00/@ (à vista) e R$ 375,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 374,00/@ (à vista) e R$ 378,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 363,00/@ (à vista) e R$ 367,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 368,00/@ (à vista) R$ 372,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 358,00/@ (à vista) e R$ 362,00/@ (prazo)PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 366,00/@ (à vista) e R$ 372,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 356,00/@ (à vista) e R$ 360,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 371,00/@ (à vista) e R$ 375,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 361,00/@ (à vista) e R$ 365,00/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
Boi/Cepea: Maior valorização do boi gordo reduz diferencial frente ao magro
Movimento pode favorecer a atratividade econômica da terminação intensiva
Os preços do boi gordo registram alta mais intensa que os do boi magro nesta parcial de outubro (até o dia 20), reduzindo a diferença entre as cotações das duas categorias frente a setembro. De acordo com o Cepea, esse movimento pode favorecer a atratividade econômica da terminação intensiva, embora a viabilidade do confinamento também dependa dos demais custos envolvidos na produção. Segundo pesquisadores do Cepea, a alta nos preços do boi magro, observada desde o início do ano, está associada à menor disponibilidade de animais para reposição e à elevação dos preços do boi gordo, que, ao melhorar as perspectivas de remuneração da atividade, estimula a demanda por animais para engorda. Já a valorização do boi gordo, segundo o Centro de Pesquisas, está relacionada à oferta mais restrita de animais prontos para abate e às escalas de abate mais curtas da indústria frigorífica. O Cepea destaca que, para os próximos meses, a evolução do mercado dependerá, entre outros fatores, do comportamento da oferta de animais para abate, do ritmo de compra dos frigoríficos e da capacidade de escoamento da carne bovina. A demanda interna, especialmente com a aproximação das festas de fim de ano, pode contribuir para sustentar o consumo, embora o poder de compra das famílias e a concorrência com outras proteínas possam limitar o repasse de preços ao longo da cadeia.
CEPEA
Diferença de preços entre o boi magro e o gordo registra queda em outubro
A movimentação reflete a valorização mais intensa do animal terminado. Ágio do boi magro sobre o boi gordo está em 2,3% na parcial de outubro
A diferença entre os preços do boi magro e do boi gordo registra queda em outubro em relação a setembro, informa o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A movimentação reflete a valorização mais intensa do animal terminado. Na parcial até o dia 20, o preço do boi magro negociado na região de Presidente Prudente (SP) registra média de R$ 4.618,55 por cabeça, valor 9,2% superior ao de janeiro, em termos reais (as médias mensais foram deflacionadas pelo IGP-DI). A valorização observada desde o início do ano está associada à menor disponibilidade de animais para reposição e à elevação dos preços do boi gordo, que, ao melhorar as perspectivas de remuneração da atividade, estimula a demanda por animais para engorda. Na comparação com setembro, a média do boi magro também apresenta avanço, de 3,2%. Quanto ao indicador do boi gordo Cepea/Esalq (baseado nos negócios realizados no Estado de São Paulo), a média parcial de outubro está em R$ 376,33 a arroba, com alta real de 17,4% em relação a janeiro e de 6,56% em comparação com setembro. O movimento está relacionado à oferta mais restrita de animais prontos para abate e às escalas de abate mais curtas da indústria frigorífica. Cálculos do Cepea indicam que o ágio do boi magro sobre o boi gordo está em 2,3% na parcial de outubro, ante 12,6% no mesmo mês de 2025. Em janeiro deste ano, o diferencial era de 10%, enquanto, em abril, havia recuado para 3%. Na quarta-feira (21/10), das 33 regiões monitoradas pela Scot Consultoria, 24 tiveram estabilidade nos preços do boi gordo na comparação diária. Houve altas no sul de Minas Gerais, sul de Goiás, Três Lagoas (MS), sudeste de Mato Grosso, noroeste do Paraná, oeste do Maranhão, Redenção (PA), Acre e Rio de Janeiro. Nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências para o mercado, o preço do boi gordo seguiu em R$ 380 a arroba para o pagamento a prazo. As cotações do “boi China”, da vaca e da novilha também não mudaram. Segundo a Scot, em São Paulo, a oferta restrita de animais se manteve. Os embarques de carne bovina para a China ganharam força, o que reforçou a demanda e contribuiu para a firmeza das cotações. Porém, parte dos compradores ainda negociava com cautela e evitava alongar as escalas.
GLOBO RURAL
SUÍNOS
Suínos/Cepea: Alta da carcaça suína reduz competitividade frente às carnes concorrentes
Valorização da carcaça suína está relacionada ao maior controle da oferta de animais em peso ideal para abate
A forte valorização da carcaça especial suína ao longo de outubro vem reduzindo sua competitividade frente à carne bovina e ao frango resfriado na Grande São Paulo. Segundo o Cepea, embora os preços das três proteínas estejam em alta, o avanço é mais intenso para a carne suína. De acordo com pesquisadores do Cepea, a valorização da carcaça suína está relacionada ao maior controle da oferta de animais em peso ideal para abate por parte dos produtores e à demanda mais firme pela carne na ponta final da cadeia. O Centro de Pesquisas destaca que a valorização do frango resfriado está atrelada à demanda mais aquecida pela proteína avícola na primeira quinzena do mês. As cotações da carcaça casada bovina, por sua vez, seguem firmes na Grande SP e caminham para a terceira alta mensal consecutiva. A demanda pela proteína bovina está mais firme em razão das compras das famílias na primeira quinzena do mês, em movimento semelhante ao observado para o frango resfriado.
CEPEA
FRANGOS
Governo declara estado de emergência zoossanitária por 60 dias em região de foco de Newcastle
Ocorrência foi notificada à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e aos parceiros comerciais do Brasil, informou o Ministério da Agricultura. A decisão ocorre após a confirmação de um caso de Doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba (SC)
O Ministério da Agricultura publicou a Portaria Mapa nº 962/2026, que declara estado de emergência zoossanitária, pelo prazo de 60 dias, nos municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim, em Santa Catarina. A decisão ocorre após a confirmação de um caso de Doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, na segunda-feira (19/10). Em comunicado, a pasta informou que notificou oficialmente a ocorrência à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e comunicou o foco aos parceiros comerciais bilaterais, compartilhando as informações técnicas iniciais sobre o evento e as medidas sanitárias adotadas. O despovoamento sanitário do estabelecimento afetado teve início em 19 de outubro e foi concluído no dia 20, segundo o ministério. Atualmente, estão em andamento os procedimentos de limpeza e desinfecção das instalações, conforme os protocolos sanitários aplicáveis. Paralelamente, seguem as ações de vigilância epidemiológica e de monitoramento das propriedades localizadas na área de restrição sanitária, além do controle do trânsito de animais e de outros materiais sujeitos às regras sanitárias estabelecidas. As ações de resposta à emergência vêm sendo adotadas de forma integrada por profissionais da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), do Ministério da Agricultura, da Prefeitura Municipal, da Polícia Civil e do Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (Icasa).
GLOBO RURAL
Delegação da Europa no Brasil prevê retomada de compras de frango no fim de 2026
A estimativa considera o trâmite dentro da Comissão Europeia de análise dos controles de uso de antimicrobianos adotados. Está prevista uma reunião em meados de novembro para votar o levantamento do embargo às exportações de frango e mel do Brasil para a UE
A Delegação da União Europeia no Brasil, que reúne um grupo de diplomatas incluindo o embaixador chefe da delegação, informou ao Valor que prevê a retomada das exportações brasileiras de carne de frango e mel ao bloco “até o fim de 2026”. A estimativa considera o trâmite dentro da Comissão Europeia de análise dos controles de uso de antimicrobianos adotados nas cadeias de frango e mel do Brasil. De acordo com as informações enviadas ao Valor pela delegação europeia, o assunto foi debatido no Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da União Europeia (Scopaff) e “os Estados-membro estiveram de acordo” sobre os controles nas duas cadeias brasileiras. A delegação disse, contudo, que não houve declaração oficial da reunião. Na quarta-feira, a Reuters informou que a comissão havia dito, “em comunicado”, que pretende propor a re-listagem no Brasil entre os países autorizados a exportar frango e mel ao continente. “Está prevista uma reunião em meados de novembro para votar o levantamento do embargo às exportações de frango e mel do Brasil para a UE. Depois de votado, demora cerca de 20 dias até entrar em vigor [o fim do embargo]”, afirmou a representação. “Prevemos que até ao final de 2026, as exportações destes produtos para a UE sejam retomadas”, disse. Novos encontros do Scopaff estão agendados para os dias 16 e 17 de novembro, segundo informações do site do comitê. Somando 20 dias após o fim das reuniões, a perspectiva é de que a suspensão do embargo ocorra no início de dezembro.
Em maio, a Comissão Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar ao bloco produtos de origem animal, como carnes de frango, bovina, pescados e mel. O argumento foi que o Brasil não conseguiu comprovar o controle do uso de antimicrobianos ao longo de toda a cadeia produtiva destes produtos. Desde então, as tratativas entre os dois lados se intensificaram, mas os europeus mantiveram a decisão de suspender as importações dos produtos no começo de setembro. No fim de agosto, uma missão europeia visitou granjas e unidades produtivas de frango e mel no Brasil, para verificar in loco todos os controles adotados, inclusive etapas extras incorporadas pela cadeia brasileira para a comprovação dos controles. Na época, o bloco considerou “satisfatórios” os controles sanitários observados no país.
VALOR ECONÔMICO
MEIO AMBIENTE
Redução no desmate diminui emissão de gases-estufa em 6%
Levantamento mostra que 60% do desempenho decorre de áreas de florestas protegidas e 38% da vegetação secundária. David Tsai: “É um resultado bem positivo a nível nacional em função da redução das emissões de uso da terra”
As emissões brasileiras de gases do efeito estufa registraram queda de 6,1% em 2025, quando somaram 2,06 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, segundo levantamento feito pela Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (SEEG). Quando consideradas as emissões líquidas, descontando as remoções, houve emissão de 1,4 bilhão de toneladas de CO2 equivalente. Ao todo, o Brasil registrou remoção de 652 milhões de toneladas de CO2 equivalente (MtCO2 e) no último ano, sendo 60% desse volume oriundo de áreas de florestas protegidas e 38% da vegetação secundária de áreas em recuperação. “É um resultado bem positivo a nível nacional em função da redução das emissões de uso da terra, e mostra a importância e efetividade não só de continuar controlando o desmatamento, mas iniciar, de fato, medidas contundentes nos outros setores”, destacou o gerente de projetos no Instituto de Energia e Meio Ambiente, David Tsai, em coletiva de imprensa. As emissões por mudanças no uso da terra responderam por 39% do total, puxada principalmente pelo desmatamento, e tiveram queda de 15%, passando de 957 MtCO2 e em 2024 para 814 MtCO2 e no ano passado. De acordo com o Coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, Claudio Angelo, apesar de positivo, o resultado obtido pode ser perdido caso as políticas de combate ao desmatamento sejam afrouxadas num possível governo de Flávio Bolsonaro. “Ele já declarou que o governo dele vai ser que nem o do pai, mas não vai ser que nem o do pai, vai ser pior do que o do pai, porque o pai não tinha Câmara, Senado e Supremo”, destacou Angelo. Segundo ele, se não fossem os quatro anos de governo Bolsonaro, o Brasil já teria cumprido este ano a meta de reduzir de 59% a 67% em relação aos níveis de 2005 até 2035. Na agropecuária, que responde por outros 30% das emissões, o resultado ficou praticamente estável com 626,3 milhões de toneladas de CO2 equivalente emitidos em 2025, redução de 0,07%. Trata-se da menor variação da série histórica, iniciada há 14 anos. A queda foi puxada principalmente pela redução de 1,68% nas emissões da pecuária, que atingiram 494,1 MtCO2 e no período. Emissões por mudanças no uso da terra responderam por 39% do total De acordo com o coordenador da Iniciativa de Ciência do Clima do Imaflora, Gabriel Quintana, também é a primeira vez que o resultado total da agropecuária apresenta estabilidade mesmo com recorde na produção das atividades agrícolas. “Isso foi puxado principalmente pela redução de 1,7% do rebanho bovino entre 2024 e 2025, tanto o de corte quanto de leite, e isso trouxe uma menor emissão associada à pecuária”, explicou Quintana. Do total emitido pela pecuária, 65,6% são atribuídas à criação de gado de corte, com 410,7 MtCO2 e, queda de 1,7% na comparação com 2024. A pecuária de leite emitiu 2,9% menos, com 48,6 MtCO2 e. Segundo os pesquisadores, o principal fator para a redução das emissões da pecuária foi a queda nos níveis de fermentação entérica, que contabiliza o metano liberado pelo arroto do boi. Historicamente, a fermentação entérica é a principal fonte de emissões da atividade e sua redução deveu-se ao recorde no abate de bovinos e na produção de carcaças”, destacou o Observatório do Clima em nota. Já a agricultura teve aumento de 6,45% nas emissões, com 132,1 MtCO2 e. O resultado foi puxado pelo subsetor de solos manejados, que reúne as emissões do manejo dos solos agrícolas e uso de fertilizantes e do dejeto de animais e da decomposição de resíduos agrícolas. As emissões do subsetor de solos manejados somaram 188,6 MtCO2 e, alta de 3% em relação aos 183,2 MtCO2 e do ano anterior e o maior volume já registrado pela atividade. O uso de fertilizantes sintéticos nitrogenados e o calcário responderam por 9,9% do total, com 33 MtCO2 e 29,2 MtCO2 e, respectivamente. As demais fontes representaram 16,7% do volume emitido. Nos demais setores, houve aumento de 1,2% nas emissões provocadas pela geração de energia, para 427 MtCO2 e, e de 4,3% na geração de resíduos, com 96 MtCO2 e. Processos industriais emitiram 94 MtCO2 e, estável ante 2024.
VALOR ECONÔMICO
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Em meio a desafios, ação na SIAL Paris reafirma o Brasil como fornecedor global de proteína animal
Empresas participantes consolidaram US$ 452 milhões em negócios durante a feira e projetam mais de US$ 1 bilhão em exportações nos próximos 12 meses
Em um cenário internacional marcado por desafios sanitários, comerciais e geopolíticos, a participação brasileira na SIAL Paris 2026 reafirmou a posição do Brasil como fornecedor global, confiável e diversificado de proteína animal. A ação promovida pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), foi encerrada na quarta-feira (21), com resultados expressivos para as agroindústrias participantes. Ao longo dos cinco dias da feira, as empresas instaladas nos espaços da ABPA consolidaram US$ 451,992 milhões em negócios, resultado 256,7% superior ao registrado na edição anterior do evento. Para os próximos 12 meses, a perspectiva é de US$ 1,017 bilhão em exportações a partir dos contatos e das negociações iniciadas durante a SIAL Paris, valor 15,6% maior que o projetado na edição anterior. As negociações envolveram 40 mercados, países e regiões, evidenciando a amplitude e a diversidade geográfica alcançadas pela ação. Os contatos incluíram mercados consolidados e de alto valor agregado da Europa e da Ásia; grandes importadores do Oriente Médio; destinos em expansão na África; parceiros tradicionais da América Latina; e mercados com potencial crescente no Sudeste Asiático e na Oceania. A pluralidade dos perfis também demonstrou a capacidade da produção brasileira de atender a diferentes demandas, desde grandes volumes destinados ao abastecimento até produtos customizados e de maior valor agregado, ajustados às exigências comerciais, culturais e de consumo de cada destino. A ação reuniu 25 empresas e cooperativas em quatro espaços exclusivos, que totalizaram mais de 670 metros quadrados: Avenorte, Bello Alimentos, MBRF, C.Vale, Coasul, Copacol, Dália, Ecofrigo, Frigoestrela, Frimesa, GTF, Jaguafrangos, Cooperativa Lar Agroindustrial, Naturovos, Netto Alimentos, Pioneiro, RPF, Saudali, Somave, SSA, Suinco, Vibra Agroindustrial, Villa Germania, Vossko e Zanchetta Alimentos. Também participaram da SIAL, com espaços próprios, as associadas Seara Alimentos, Pamplona Alimentos e Aurora Alimentos. Além das reuniões comerciais, os espaços receberam importadores, distribuidores, autoridades, lideranças e outros stakeholders da cadeia internacional de alimentos. A programação também contou com degustações de pratos preparados com carne de frango e ovos produzidos no Brasil, além da distribuição de materiais sobre as empresas exportadoras e os diferenciais da produção nacional. A participação promoveu as marcas setoriais Brazilian Chicken, Brazilian Egg, Brazilian Pork, Brazilian Breeders e Brazilian Duck, destacando atributos como sustentabilidade, status sanitário, qualidade, diversidade e capacidade de customização dos produtos brasileiros.
ABPA
ECONOMIA
Dólar segue exterior e fecha em alta no Brasil antes de nova pesquisa eleitoral
O dólar fechou a quinta-feira em leve alta ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas no exterior, em uma sessão marcada pela aversão global a ativos de risco, enquanto no Brasil os investidores aguardam a divulgação de nova pesquisa do Datafolha sobre a eleição presidencial.
O dólar à vista encerrou com alta de 0,22%, a R$5,0384. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 8,21%. Às 17h15, o dólar futuro para novembro -- o mais negociado no Brasil -- subia 0,34% na B3, aos R$5,0500. A quinta-feira foi marcada pela queda dos principais índices de ações ao redor do mundo, pelo avanço do petróleo Brent para acima de US$110 o barril e pela alta do dólar ante boa parte das demais divisas, em um contexto de preocupações com o setor de inteligência artificial e de continuidade dos conflitos no Oriente Médio. No Brasil, o dólar operou em alta durante praticamente toda a sessão, acompanhando o viés vindo do exterior, mas com os agentes também cautelosos na reta final da campanha eleitoral. No início da noite desta quinta-feira o Datafolha divulgará sua nova pesquisa eleitoral. Nos levantamentos mais recentes de outros institutos, o senador Flávio Bolsonaro (PL) segue à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas intenções de voto, mas a diferença entre os dois parece estar diminuindo. Na quarta-feira, a Quaest indicou uma diferença de 1 ponto percentual nas intenções de voto, com os dois empatados tecnicamente. Além disso, a rejeição de Flávio é 5 pontos percentuais maior que a de Lula. “O dólar sobe aqui por conta desse exterior bem ruim, mas o Datafolha à noite está no radar também”, disse à tarde o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo. No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 75.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de novembro. Às 17h08, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,03%, a 101,650 -- após ter subido em boa parte da sessão. No mesmo horário, a moeda norte-americana subia ante divisas de países emergentes como o rand sul-africano, a lira turca e o peso chileno.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com ajuste antes de eleição
O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, quase perdendo o patamar dos 203 mil pontos no pior momento, contaminado pelo viés negativo em praças acionárias no exterior e ajustes antes do desfecho da disputa presidencial no Brasil no domingo.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,3%, a 203.814,72 pontos, de acordo com dados preliminares, chegando a 203.051,87 na mínima do dia. No melhor momento, marcou 206.493,11. O volume financeiro no pregão somava R$36,13 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Arrecadação federal tem alta real de 5,62% em setembro e é recorde para o mês, diz Receita
A arrecadação do governo federal teve alta real de 5,62% em setembro sobre igual mês do ano anterior, a R$239,384 bilhões, no melhor resultado para o mês da série histórica iniciada em 1995, informou a Receita Federal na quinta-feira.
No acumulado de janeiro a setembro, a arrecadação cresceu 6,97% acima da inflação em comparação com o mesmo período de 2025, a R$2,351 trilhões, valor também recorde para o período. As receitas administradas pela Receita somaram R$231,426 bilhões no mês passado, uma alta real de 5,0% ante setembro de 2025. Já as receitas administradas por outros órgãos públicos somaram R$7,958 bilhões, um aumento real de 26,3%. De acordo com o fisco, o dado do mês foi impactado positivamente por ganho considerado não recorrente, um incremento de R$2,943 bilhões em imposto de exportação de petróleo, instituído temporariamente pelo governo como medida de enfrentamento aos efeitos da guerra no Oriente Médio. Sem esse ganho atípico, as receitas administradas pelo fisco em setembro teriam registrado alta real de 3,69%, segundo o governo. No recorte por setores, a exploração de petróleo e gás natural respondeu por forte ganho na arrecadação, registrando uma receita de R$12,010 bilhões em tributos administrados pelo fisco, contra R$909 milhões em setembro de 2025. A Receita afirmou em meses anteriores, no entanto, que a expressiva alta no setor de petróleo é impactada por uma mudança na classificação tributária de empresas. O desempenho positivo foi seguido por serviços de escritório, apoio administrativo e outros serviços (+58,4%), comércio atacadista (+8,3%) e fabricação de eletrônicos (+38,7%). Entre os destaques do mês por tipo de tributo, está uma alta real de 6,18% em receitas previdenciárias, de 21,07% em Imposto de Importação e IPI vinculado e de 9,68% em Imposto de Renda sobre rendimentos de capital.
REUTERS
IGP-M sobe 1,59% na segunda prévia de outubro, informa FGV
Na segunda prévia de setembro, o indicador havia avançada 1,47%
O Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) subiu 1,59% na segunda prévia de outubro, segundo dados divulgados na quarta-feira (21) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Na segunda prévia de setembro, o indicador havia avançado 1,47%. Entre os três grupos que formam o IGP-M, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que tem peso de 60% no indicador final, subiu 2,12%, ante alta de 1,95% na segunda prévia do mês passado. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30% no IGP-M, teve alta de 0,38%, de avanço de 0,47% na segunda prévia de setembro. O Índice Nacional do Custo da Construção (INCC), que responde por 10% do IGP-M, teve ganho de 0,34%, de elevação de 0,27% na segunda prévia de setembro.
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