CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1211 DE 09 DE OUTUBRO DE 2026

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1211 | 09 de outubro de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Boi gordo sobe para R$ 380/@ em SP e avança em outras praças brasileiras
Na quinta-feira (8/10), os preços do boi gordo alcançaram R$ 380/@ (prazo) no mercado paulista, com alguns negócios girando em torno de R$ 385/@ e algumas indicações perto de R$ 390/@, informou a Agrifatto, que acompanha diariamente 17 praças brasileiras. No PARANÁ: Boi: R$ 380,00. Vaca: R$ 350,00. Novilha: R$ 360,00. Escalas: cinco dias. Boi China: PARANÁ: R$ 374,00/@ (à vista) e R$ 378,00/@ (prazo)
Além de São Paulo, a consultoria detectou valorizações nas cotações da arroba: BA, PA, PR, RO e SC. “A arroba acumula valorização gradual nas últimas semanas, com frigoríficos brasileiros elevando propostas para recompor as programações de abate em importantes regiões pecuárias do País, fortalecendo a posição do pecuarista nas negociações”, destaca a Agrifatto.
Na B3, observa a consultoria, os contratos de novembro e dezembro, negociados acima de R$ 390/@, reforçam a expectativa de preços firmes no último bimestre. “Um eventual patamar de R$ 400/@ no mercado físico dependerá da manutenção da oferta restrita e do crescimento sazonal da demanda por carne no fim do ano”, diz a consultoria. Pelos números da Scot Consultoria, em São Paulo, o boi gordo sem padrão-exportação é negociado em R$ 369/@, enquanto o “boi-China” está cotado em R$ 375/@. “Negócios pontualmente acima dessas referências foram relatados, mas sem volume para estabelecer novos patamares de preço”, diz a Scot, que trabalha com metodologia de levantamento de preços diferente da aplicada pela Agrifatto. No varejo da carne bovina, as vendas de carne bovina melhoraram na partir de terça-feira (6/10) no Estado de São Paulo e ganharam ritmo no dia seguinte (7/10). “A expectativa é de movimentação mais consistente a partir de hoje (8/10), com possibilidade de se estender ao longo da primeira quinzena de outubro”, prevê a Agrifatto. Por sua vez, o atacado com osso acompanhou a toada do varejo, com avanço das distribuições na terça-feira e ganho de tração na quarta, conforme sinalizam os pedidos de reposição em São Paulo.
Cotações do boi gordo conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 380,00. Boi China: R$ 380,00. Média: R$ 380,00. Vaca: R$ 350,00. Novilha: R$ 360,00. Escalas: seis dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 360,00. Boi China: R$ 360,00. Média: R$ 360,00. Vaca: R$ 340,00. Novilha: R$ 350,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 370,00. Boi China: R$ 370,00. Média: R$ 370,00. Vaca: R$ 340,00. Novilha: R$ 350,00. Escalas: cinco dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: oito dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 360,00. Boi China/Europa: R$ 360,00. Média: R$ 360,00. Vaca: R$ 340,00. Novilha: R$ 350,00. Escalas: seis dias. TOCANTINS: Boi comum: R $ 360,00. Boi China: R$ 360,00. Média: R$ 360,00. Vaca: R$ 335,00. Novilha: R$ 345,00. Escalas: seis dias. PARÁ: Boi comum: R$ 360,00. Boi China: R$ 360,00. Média: R$ 360,00. Vaca: R$ 335,00. Novilha: R$ 345,00. Escalas: cinco dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: oito dias. MARANHÃO: Boi: R$ 355,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: sete dias. Preços brutos do “boi-China” na terça-feira (6/10), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 371,00/@ (à vista) e R$ 375,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 361,00/@ (à vista) e R$ 365,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 343,50/@ (à vista) e R$ 347,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 363,00/@ (à vista) e R$ 367,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 351,00/@ (à vista) e R$ 355,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 356,00/@ (à vista) R$ 360,00/@ (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 353,00/@ (à vista) e R$ 357,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 344,00/@ (à vista) e R$ 348,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 356,00/@ (à vista) e R$ 360,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 349,00/@ (à vista) e R$ 353,00/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
Boi/Cepea: Apesar de menor volume exportado, preço elevado sustenta receita em setembro
Os embarques brasileiros de carne bovina recuaram em setembro, mas a valorização da proteína no mercado externo sustentou a receita obtida com as vendas. Segundo a Secex, o volume exportado em setembro recuou 1,4% frente a agosto.
De acordo com dados da Secex, compilados e analisados pelo Cepea, apesar da redução no volume embarcado, os preços recebidos pela proteína brasileira continuam em patamares elevados. Nesse contexto, a receita com as exportações registrou aumento de 1,3% em relação ao mês anterior.
CEPEA
Ministro diz ver avanços nas negociações com a UE sobre embargos a carnes do Brasil
O governo brasileiro espera superar o impasse com a União Europeia que levou à suspensão das certificações para exportações de carnes ao bloco, disse na quinta-feira o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa.
"A questão das proteínas precedia a entrada em vigor do acordo Mercosul-UE e valia para todos os exportadores. O Ministério da Agricultura vem dialogando e o governo brasileiro vem conseguindo avançar. Acho que isso vai ser superado", disse Rosa a jornalistas na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Desde 3 de setembro, as certificações para exportações de carnes brasileiras à União Europeia estão suspensas por questões relacionadas às exigências do bloco para antimicrobianos. Na avaliação do ministro, contudo, "a retração nas exportações nesse momento é temporária, passageira, e não vai se perpetuar". Ele não detalhou que tipo de avanços vêm ocorrendo nas negociações.
REUTERS
Exportação de gado em pé bate recorde e deve somar 1,3 milhão de cabeças em 2026
O Brasil exportou cerca de 920 mil cabeças de gado em pé de janeiro a agosto de 2026, ante 650 mil no mesmo período de 2025. Agosto registrou recorde mensal, com 170 mil cabeças embarcadas, e a receita do acumulado chegou a US$1,2 bilhão.
O Brasil exportou cerca de 920 mil cabeças de gado em pé de janeiro a agosto de 2026, ante 650 mil no mesmo período de 2025. Agosto registrou recorde mensal, com 170 mil cabeças embarcadas, e a receita do acumulado chegou a US$1,2 bilhão. Turquia, Marrocos e Iraque responderam por quase 80% das compras. A demanda se apoia na redução dos rebanhos locais, na manutenção da indústria frigorífica desses países e, no caso do Iraque, na falta de uma bovinocultura de corte desenvolvida. Para o pecuarista, a concorrência dos exportadores pelas boiadas tende a sustentar os preços da arroba e da reposição, especialmente no Pará, no Rio Grande do Sul, em São Paulo e no Tocantins. A projeção da Scot Consultoria é de 1,3 milhão de cabeças exportadas em 2026, o que seria recorde absoluto. O analista Lorenzo Cracco comentou os números em entrevista ao canal Tempo e Dinheiro.
SCOT CONSULTORIA
SUÍNOS
Preços do suíno vivo e da carne seguem em alta no início de outubro
Cenário está atrelado à maior demanda pela carne suína e à oferta limitada de animais vivos.
Os produtores também têm mantido ajustado o peso dos animais, a fim de evitar sobreoferta no mercado interno
As cotações do suíno vivo e da carcaça seguem em elevação em outubro, informa o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Na quarta-feira (7/10), em Santa Catarina, Estado com o maior rebanho suíno do país, o indicador Cepea/Esalq registrou a cotação de R$ 5,58 o quilo para o animal vivo, uma alta de 6,29% desde o início do mês. Em São Paulo, o preço médio estava em R$ 6,31 o quilo, avanço de 9,17% no acumulado de outubro. Já no atacado da Grande São Paulo, a carcaça suína especial estava cotada a R$ 9,25 o quilo, alta de 8,82% desde o início do mês. O preço médio em outubro alcançou R$ 8,77 o quilo, valor 13,45% maior do que a média de setembro. Segundo o Cepea, o cenário está atrelado à maior demanda pela carne suína e à oferta limitada de animais vivos. Os produtores também têm mantido ajustado o peso dos animais, a fim de evitar sobreoferta no mercado interno. Além disso, os preços dos cortes, que estavam desajustados frente aos da carcaça, também passaram a subir.
CEPEA/ESALQ
FRANGOS
União Europeia marca data para avaliar retomada de importações de aves e mel do Brasil
Aprovação do relatório é o primeiro passo para que o país seja relistado entre fornecedores aptos. Expectativa é que os embarques possam ser normalizados ainda em 2026
O comitê técnico permanente da Comissão Europeia responsável por vegetais, animais, gêneros alimentícios e rações (Scopaff, na sigla em inglês) vai analisar nos dias 20 e 21 de outubro as conclusões do relatório final da auditoria realizada no Brasil, entre 24 de agosto e 4 de setembro, que avaliou o cumprimento da proibição de uso de antimicrobianos nas cadeias de aves e mel exportados para lá. O tema foi incluído oficialmente na pauta da reunião ordinária do colegiado deste mês. O Brasil tentava antecipar essa votação. A eventual aprovação do relatório é o primeiro passo para que o país seja relistado entre fornecedores aptos para exportar carne de aves e mel para o bloco. O Brasil foi excluído da lista e está impedido de comercializar proteínas animais e derivados desde 3 de setembro. O possível aval do Scopaff será enviado, posteriormente, para ser oficializado pela Comissão Europeia. Segundo o Ministério da Agricultura, o trâmite pode durar cerca de três semanas. Na ocasião mais recente, levou 23 dias entre a votação no Scopaff e a publicação da relistagem. O governo brasileiro mantém tratativas para que haja mais celeridade e as vendas possam ser retomadas o quanto antes. O Scopaff é um órgão técnico, responsável pela análise do relatório da auditoria elaborado pela DG Santé, autoridade sanitária da Comissão Europeia. Após avaliação, o colegiado faz uma "recomendação" pelo retorno ou não do país à lista dos exportadores. A votação é por maioria simples. Segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Carlos Goulart, a tradição da UE é seguir essa recomendação. Mesmo assim, ele salientou, em conversa recente com a reportagem, que eventual aval do comitê europeu não significa a retomada "automática e imediata" das exportações brasileiras. O Brasil tentou antecipar essa avaliação, mas os europeus mantiveram a previsão de análise na reunião ordinária do Scopaff. Na quinta-feira (8/10), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, disse que o impasse deve ser resolvido em breve. "A questão das proteínas precedia a entrada em vigor do acordo Mercosul-UE e valia para todos os exportadores. O Ministério da Agricultura vem dialogando e o governo brasileiro vem conseguindo avançar. Acho que isso vai ser superado", afirmou a jornalistas no Rio de Janeiro. A divulgação do relatório preliminar da DG Santé, no final de setembro, animou o lado brasileiro. O documento concluiu que "os controles oficiais brasileiros são capazes de fornecer as garantias exigidas pela legislação europeia" para as cadeias produtivas de aves e mel. O ministro da Agricultura, André de Paula, salientou que não houve "ressalvas" ou novas recomendações. A expectativa, com isso, é que os embarques de carnes de aves e mel do Brasil para a União Europeia possam ser normalizados ainda em 2026. Não houve avanços em relação aos demais produtos cujo embarque está bloqueado, como a carne bovina.
GLOBO RURAL
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Paraná lidera abate de frangos, aponta boletim do Deral
Estado abateu 1,1 bilhão de aves no 1º semestre de 2026, alta de 4,9% sobre o mesmo período de 2025
O Deral (Departamento de Economia Rural), da Seab (Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná), divulgou na quinta-feira (8) o Boletim Conjuntural semanal, com dados atualizados sobre o desempenho de diferentes cadeias do agronegócio paranaense. O destaque é a avicultura. Segundo a Pesquisa Trimestral do Abate de Animais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Paraná abateu 1,1 bilhão de aves no primeiro semestre de 2026, alta de 4,9% sobre o mesmo período de 2025. Na safra de verão a notícia favorável é que o plantio, principalmente da soja e do feijão, segue em bom ritmo, dentro do esperado.
“Os dados apontam para um cenário de atividade aquecida no campo paranaense”, pondera Marcelo Garrido Moreira, diretor do Deral. O Estado responde por 35% de todos os abates na avicultura do país, mais de duas vezes e meia a participação de Santa Catarina, que aparece em segundo, com 13,1%. No segundo trimestre de 2026, o abate atingiu 1,690 bilhão de cabeças, volume 2,8% superior ao do segundo trimestre de 2025. Esse desempenho garantiu um recorde histórico para o período, impulsionado sobretudo pelos resultados de junho. Com 568,51 milhões de cabeças abatidas, o sexto mês obteve o maior registro da série, ficando 8,2% acima do apurado em junho do ano anterior. Na produção de carne, o resultado foi ainda mais expressivo. O Paraná produziu 2,6 milhões de toneladas de janeiro a junho, crescimento de 8,4% sobre as 2,4 milhões de toneladas do anterior. Com isso, o Estado concentra 36% de toda a carne de frango produzida no Brasil. O avanço da produção acima do número de aves abatidas indica ganho de peso médio e de rendimento das carcaças, ou seja, mais carne por animal. No segundo trimestre, o Paraná foi o Estado que mais contribuiu para o recorde nacional de abates: o acréscimo de 31,2 milhões de cabeças representa cerca de dois terços dos 46,4 milhões a mais registrados em todo o país. Junho de 2026 teve o maior número de abates da série histórica nacional, com 568,5 milhões de cabeças, 8,2% acima de junho de 2025. No país, o abate de frangos chegou a 3,3 bilhões de cabeças no semestre (+3,2%), e a produção de carne somou 7,473 milhões de toneladas (+6%). A Região Sul respondeu por 59,7% das aves abatidas. O Paraná mantém posição de destaque na suinocultura, como segundo maior produtor do país, respondendo por 21% dos abates e 21,3% da produção de carne. No primeiro semestre foram 6,5 milhões de cabeças abatidas (+1,6%) e 623,6 mil toneladas de carne (+1,8%). Juntos, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul respondem por 66,6% dos abates e 67,2% da carne suína produzida no país.
FOLHA DE LONDRINA
Preço do boi gordo bate recorde com volta da China ao mercado e cota adicional americana
Menor oferta de animais devido ao ciclo de baixa da pecuária também influencia cotações. Preços do boi ganharam impulso extra com a alta dos custos de produção e com a cota adicional de importação anunciada pelos EUA
Os preços do boi gordo têm batido sucessivos recordes nominais nos últimos dias no país, em um movimento mais intenso do que o esperado para esta época do ano, quando costuma haver valorização devido ao período seco que reduz a oferta de pastagem para o gado. Na quinta-feira (8), o Indicador do Boi Datagro em São Paulo bateu em R$ 376,13 a arroba. Uma semana antes estava em R$ 367,02. O Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq confirma o cenário: fechou em R$ 376,30 por arroba, alta de 3,29% no mês. A gradual retomada dos abates de bovinos para atender a cota da China de 2027 e uma menor oferta decorrente do ciclo de baixa na oferta da pecuária no Brasil explicam parte da alta. Mas os preços ganharam impulso extra com a alta dos custos de produção e com a cota adicional de importação anunciada pelo governo Trump, que vem turbinando as exportações ao país. “Desde o início do ano tínhamos a expectativa de que haveria, sim, essa alta de preços a partir de agosto e setembro, por causa do ciclo pecuário. O que não prevíamos era o custo de produção tão alto e a cota adicional dos Estados Unidos, que é um fator a mais para a alta dos preços”, disse o presidente-executivo da Associação Brasileira dos Frigoríficos (Abrafrigo), Paulo Mustefaga. Em 1 de setembro, entrou em vigor uma cota adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra, sem aplicação de tarifas, anunciada pelo governo americano em agosto para países que já são fornecedores, como o Brasil. Nesse cenário, os exportadores brasileiros já ampliaram os embarques de carne bovina aos EUA. Em setembro, as vendas somaram 48,3 mil toneladas, volume 389% maior do que no mesmo mês de 2025. Foi o maior embarque mensal em ao menos três anos — o mais próximo havia sido registrado em abril de 2025, 47,8 mil toneladas.
“Já é um reflexo dessa cota e deve continuar assim até o começo do ano que vem”, afirmou Felipe Fabbri, analista de mercado da Scot Consultoria. O retorno da demanda chinesa, após quase três meses sem negócios em virtude do preenchimento da cota de 1,1 milhão de toneladas sem tarifa adicional de 55% estabelecida por Pequim, ocorre como previsto por entidades e empresas. No fim de agosto, o diretor financeiro da Minerva Foods, Edison Ticle, já havia mencionado a expectativa de que os preços do boi se recuperassem com a volta da demanda chinesa. “Os abates ‘China” estão começando a ser retomados”, disse o líder da área de pecuária da consultoria Datagro, João Otávio Figueiredo. Segundo Lygia Pimentel, CEO da consultoria Agrifatto, já há informações sobre cargueiros com carne bovina para desembarque na China em janeiro. Em julho, frigoríficos do Brasil interromperam abates e deram férias coletivas por causa do preenchimento da cota chinesa. Agora, começam a preparar novamente a carne a ser embarcada à China neste trimestre, para chegar ao país no início de 2027, para contabilização na cota do ano que vem. Em setembro, o Brasil exportou só 12,9 mil toneladas ao mercado chinês, 93,2% menos do que em setembro de 2025. A fase atual do ciclo pecuário brasileiro também sustenta o cenário de alta, de acordo com Fabbri, da Scot Consultoria. O analista disse que um estímulo à estação de monta [por meio de acasalamento ou inseminação artificial], com mais fêmeas sendo retidas. Isso porque o preço do bezerro está valorizado, refletindo abates dos últimos três anos que levam agora a uma recomposição do rebanho. Segundo o Cepea/Esalq, o bezerro está em R$ 3,3 mil no Estado de São Paulo — alta de 17% em relação a um ano atrás. O cenário indica menor presença das fêmeas nos abates dos últimos meses do ano. O confinamento é um recurso importante para abastecer o mercado no segundo semestre, principalmente com a piora sazonal das pastagens, mas o volume de gado sob engorda intensiva em agosto e setembro deste ano caiu em relação a 2025, segundo Fabbri. Afora a demanda maior para abate, o câmbio também pode influenciar na precificação do boi gordo neste trimestre, segundo Figueiredo, da Datagro. A queda do dólar ante o real nos últimos dias — após o primeiro turno das eleições, em que o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, ficou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — reduz o valor em reais da carne bovina exportada. Atualmente, a arroba do boi gordo do Brasil está em torno de US$ 74, a mais barata na comparação com outros países exportadores. Com o dólar em queda e frigoríficos recebendo menos reais pela arroba, empresas tendem a ter “menos margem de lucro para pagar a arroba”, disse Figueiredo. “Em situações com o câmbio mais competitivo [dólar em alta], o frigorífico pode pagar um pouco mais [pela arroba]. Exportar com câmbio de R$ 4,80 e de R$ 5,50 é bem diferente”, afirmou. Mustefaga, da Abrafrigo, ponderou que empresas exportadoras tendem a cobrar mais pela arroba em dólar no mercado internacional, aproveitando que a carne brasileira ainda é a mais barata do mercado, como forma de compensar a queda do dólar. “A tendência é a indústria reajustar o preço cobrado em dólar para receber o mesmo em real”, afirmou. Outro fator que pode limitar a alta da arroba é o mercado doméstico, que consome cerca de 65% do que é produzido no país. “Há expectativa de um crescimento econômico baixo, tem o endividamento, fatores que prejudicam um pouco o consumo interno”, disse ele.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
Dólar tem variação modesta ante o real com eleição no radar
O dólar oscilou em margens estreitas ante o real na quinta-feira e encerrou a sessão com leve variação positiva, com os investidores mantendo no holofote a disputa pela Presidência, à espera da divulgação de nova pesquisa do Datafolha.
O dólar à vista fechou a sessão com variação positiva de 0,17%, a R$5,0240. No ano, a divisa passou a acumular queda de 8,47%. Às 17h21, o dólar futuro para novembro -- o mais negociado no Brasil -- subia 0,01% na B3, aos R$5,0440. No exterior, o dólar cedeu ante algumas divisas de exportadores de commodities, mas se firmou em alta ao longo do dia ante boa parte das demais moedas. Pela manhã, a pesquisa PoderData/Aya mostrou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 53% dos votos válidos na simulação de segundo turno, contra 47% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A margem de erro é de 1,8 ponto percentual. No início da noite, o Datafolha divulgará sua nova pesquisa, aguardada com ansiedade pelos investidores. No mercado, boa parte dos agentes considera que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas, ainda que o candidato não tenha apresentado propostas concretas de ajuste. No limite, o equilíbrio das contas públicas abriria espaço para juros mais baixos, o que se refletiu nos últimos dias na redução de prêmios na curva de DIs e na queda do dólar ante o real. Após o primeiro turno, a moeda norte-americana acumula baixa de 3,70%. Nesta quinta-feira, o jornal Folha de S.Paulo publicou que a equipe de Flávio estuda alterar os reajustes da aposentadoria, assim como a correção dos gastos obrigatórios com saúde e educação. Em Brasília, em entrevista à imprensa, Flávio disse que reajustará os valores da aposentadoria acima da inflação e negou que tenha planos para mudar a forma atual de correção dos benefícios da Previdência e do Benefício de Prestação Continuada (BPC). O ministro da Fazenda de Lula, Dario Durigan, disse em entrevista à CNN Brasil durante a tarde que Flávio vende uma “ilusão” ao mercado e não leva em conta impactos sobre a atividade econômica e empregos. Durante a tarde, a divisa norte-americana se manteve próxima da estabilidade. No exterior, o dólar sustentou pela manhã perdas ante algumas moedas emergentes, como o peso chileno e o rand sul-africano, mas durante a tarde a divisa norte-americana ganhou força ante diversas moedas. Às 17h17, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,18%, a 102,070.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta com suporte de Petrobras e com cenário eleitoral no radar
O Ibovespa encerrou a quinta-feira em alta, tendo como suporte os ganhos da Petrobras, que se beneficiaram da disparada do petróleo no exterior, ao mesmo tempo que os investidores avaliaram o noticiário eleitoral.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,03%, a 206.402,27 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 203.984,57 na mínima e 207.953,74 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão da quinta-feira somava R$56 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Rosa prevê superávit comercial de ao menos US$90 bi em 2026, acima de estimativa oficial
O Brasil deve ter um superávit comercial de ao menos US$90 bilhões este ano a despeito da recente redução da estimativa oficial do governo para um saldo de cerca de US$85 bilhões, disse nesta quinta-feira o ministro de Indústria Comércio Bens e Serviços, Márcio Elias Rosa.
Segundo ele, o país vem apostando na diversificação de mercados para compensar o impacto sobre as exportações de movimentos como o tarifaço dos EUA e o embargo às carnes bovinas e de aves imposto pela União Europeia. “Continuo apostando em US$90 bilhões, se não passar de US$90 bilhões", disse ele a jornalistas na Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro). Rosa disse que as negociações para flexibilização do tarifaço norte-americano estão caminhando e em três ou quatro semanas o governo brasileiro espera receber uma nova proposta dos EUA. "Nós podemos constituir um grupo de trabalho, se for o caso, enquanto isso as equipes técnicas podem dialogar." O Mdic reduziu na terça-feira sua projeção para o superávit da balança comercial brasileira em 2026 a US$84,4 bilhões, contra previsão feita em julho de saldo de US$90 bilhões, prevendo ganho menor nas exportações e arrefecimento de preços internacionais. Apesar da revisão para baixo, o resultado ainda seria 24% mais forte do que o observado no ano anterior, quando o saldo foi de US$68,1 bilhões, e marcaria o segundo maior saldo da série histórica, atrás apenas do dado de 2023.
REUTERS
Produção industrial cai em 10 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE em agosto, diz IBGE
Quedas mais intensas foram registradas no Pará, no Amazonas e no Rio Grande do Sul
A produção da indústria brasileira recuou em dez dos 15 locais pesquisados em agosto, ante julho, pela Pesquisa Industrial Mensal Regional (PIM Regional), divulgada na quinta-feira (08) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na média brasileira, a indústria caiu 0,6%, segundo o resultado divulgado pelo IBGE na última semana. Hoje, o instituto detalha o resultado pelos diferentes locais acompanhados pela pesquisa. As quedas mais intensas foram registradas no Pará (-7,3%), no Amazonas (-5,7%) e no Rio Grande do Sul (-4,5%). Minas Gerais registrou variação nula (0%), enquanto a Bahia apontou expansão de 3,7%, a maior entre os quatro locais em alta. Frente a agosto de 2025, a produção industrial caiu em 12 dos 18 locais pesquisados. Na comparação anual, o número de locais acompanhados e divulgados pelo IBGE é maior. As quedas mais intensas foram registradas no Pará (-19,8%) e no Maranhão (-11,2%). Na média brasileira, a produção industrial nacional teve queda de 1,2% nesta base de comparação.
VALOR ECONÔMICO
PIB do Brasil deve desacelerar para 1,8% em 2026 e 1,5% em 2027, diz órgão da ONU
Mercado de trabalho brasileiro aquecido amortece a perda de ritmo, diz o relatório
Boom da IA sustenta a economia global, mas acende alerta para sinais de bolha
O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil perderá fôlego e, após alta de 2,3% em 2025, deve crescer 1,8% em 2026 e 1,5% em 2027, segundo o relatório anual "Trade and Development Report 2026", divulgado na sexta-feira (9) pela Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento). O freio vem da inflação em alta e de um afrouxamento monetário mais lento do que se esperava antes da guerra no Oriente Médio, segundo o órgão da ONU. A entidade cita o Brasil entre os países cujos bancos centrais mantiveram os Juros ainda elevados, o que encarece o crédito às famílias. Apesar disso, ressalta o relatório, o desempenho da economia brasileira ainda é sustentado pelo consumo das famílias, pelo investimento privado e pelas exportações agrícolas, que seguem robustas. O documento também dá ao país um papel estratégico na nova era geoeconômica, em que as regras multilaterais se enfraquecem e algumas economias do Sul Global ganham peso como âncoras regionais. O Brasil aparece nesse grupo, ao lado de Índia e Nigéria. Para a economia mundial, a agência projeta crescimento de 2,6% em 2026 e de 2,7% em 2027, abaixo dos 2,9% de 2025. É um ritmo modesto, mas que, segundo a Unctad, "desafiou cenários mais sombrios". Ao mesmo tempo, os juros de longo prazo dos títulos de países ricos chegaram perto do maior nível em duas décadas, o que encarece empréstimos no mundo todo. Com isso, a Unctad estima que o consumo privado global vai desacelerar de 2,9% em 2025 para 2,6% em 2026 e 2,4% em 2027.
Entre as grandes economias, a Índia lidera, com projeção de 7,3% de crescimento do PIB em 2026. A China deve crescer 4,5%, e os EUA, 2,1%. O que impede uma desaceleração maior é o investimento em inteligência artificial. Só nos EUA, o investimento em data centers deve chegar a cerca de US$ 400 bilhões em 2026 e US$ 600 bilhões em 2027, segundo estimativas citadas pela entidade. Esse investimento, porém, está concentrado nos EUA e na China e, em menor grau, na Europa. A Unctad vê traços de bolha no setor. Entre os sinais de alerta, cita o investimento em IA financiado por empréstimos, estimado em US$ 4,1 trilhões até 2030. A corrida pela IA, diz o texto, "mal começou, mas já é grande demais para falhar". O comércio mundial de bens e serviços cresceu 4,4% em termos reais em 2025 e deve avançar cerca de 4% em 2026, segundo a Unctad. O documento ressalta que o comércio não está em retração, e sim em reconfiguração. O comércio direto entre China e EUA caiu mais de 20% em 2025. Em compensação, as demais economias do Leste Asiático passaram a exportar bem mais para os EUA (alta de 23,3%) e para o restante da América do Norte (32,2%). A China ampliou as vendas para o Leste Asiático (12,8%), a Europa (11,6%) e outros países em desenvolvimento (11,1%). Uma das explicações para a resistência do comércio é o boom da IA. Em 2025, o comércio de produtos como semicondutores e servidores cresceu 22% e chegou a US$ 4,2 trilhões, respondendo por 42% do crescimento nominal do comércio global de mercadorias. Mas boa parte da alta recente vem dos preços. No segundo trimestre de 2026, o índice de preços do comércio de mercadorias subiu 29% em termos anualizados, enquanto o volume cresceu só 1,5%.
FOLHA DE SP
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