CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1209 DE 07 DE OUTUBRO DE 2026

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1209 | 07 de outubro de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Boi gordo bate R$ 375/@ em SP e sobe em várias praças brasileiras
Foram registrados reajustes de R$ 3/@ a R$ 5/@ nas cotações da arroba em várias regiões; além de SP, as consultorias do setor detectam avanços em praças como MT, MS, GO, MG, PO e PR. No PARANÁ: Boi: R$ 375,00. Vaca: R$ 345,00. Novilha: R$ 355,00. Escalas: cinco dias. Boi China: PARANÁ: R$ 371,00/@ (à vista) e R$ 375,00/@ (prazo)
Na terça-feira (6/10), o preço de referência do boi gordo (com ou sem padrão-China) subiu para R$ 375/@ (prazo) na praça de São Paulo, com alguns negócios fechados a R$ 380/@, informa a Agrifatto, que acompanha diariamente 17 regiões brasileiras. Além da região paulista, a arroba subiu em outras importantes praças do País, conforme dados apurados pela Scot Consultoria, que detectou avanços diários nas regiões de MT, MS, GO, MG, PA, PR, entre outras. Em São Paulo, pelos dados da Scot, o animal sem padrão-exportação está valendo R$ 367/@, enquanto o “boi-China” está cotado em R$ 372/@, (valores brutos, no prazo). As escalas de abate entre as indústrias paulistas estão atendendo, em média, a seis dias. “A oferta de animais terminados cada vez mais enxuta, a necessidade de alongar as escalas de abate e a demanda entre regular e consistente no varejo de carnes sustentaram a firmeza do mercado físico do boi gordo e levaram boa parte das indústrias a elevar as propostas pela arroba nas últimas duas semanas”, resumiu a Agrifatto. As grandes indústrias operam com cautela, intercalam abates, mas acabam atendendo às pedidas para preservar as exportações e o abastecimento interno neste período de ganho sazonal do consumo (devido ao pagamento dos salários). “Para os frigoríficos de pequeno e médio porte, a recomposição das escalas permanece mais difícil”, observou a Agrifatto. Na segunda-feira (5/10), os contratos futuros do boi gordo fecharam o pregão da B3 em baixa, com destaque foi o vencimento de dezembro/26, que encerrou a sessão a R$ 392,75/@, com recuo de 0,67% no comparativo diário. Cotações do boi gordo da terça-feira (6/10), conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 375,00. Boi China: R$ 375,00. Média: R$ 375,00. Vaca: R$ 345,00. Novilha: R$ 355,00. Escalas: seis dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 360,00. Boi China: R$ 360,00. Média: R$ 360,00. Vaca: R$ 340,00. Novilha: R$ 350,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 370,00. Boi China: R$ 370,00. Média: R$ 370,00. Vaca: R$ 340,00. Novilha: R$ 350,00. Escalas: cinco dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: oito dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 360,00. Boi China/Europa: R$ 360,00. Média: R$ 360,00. Vaca: R$ 340,00. Novilha: R$ 350,00. Escalas: seis dias. TOCANTINS: Boi comum: R $ 360,00. Boi China: R$ 360,00. Média: R$ 360,00. Vaca: R$ 335,00. Novilha: R$ 345,00. Escalas: seis dias. PARÁ: Boi comum: R$ 360,00. Boi China: R$ 360,00. Média: R$ 360,00. Vaca: R$ 335,00. Novilha: R$ 345,00. Escalas: cinco dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: oito dias. MARANHÃO: Boi: R$ 355,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: sete dias. Preços brutos do “boi-China” na terça-feira (6/10), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 368,00/@ (à vista) e R$ 372,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 361,00/@ (à vista) e R$ 365,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 343,50/@ (à vista) e R$ 347,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 363,00/@ (à vista) e R$ 367,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 351,00/@ (à vista) e R$ 355,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 344,00/@ (à vista) e R$ 348,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 356,00/@ (à vista) R$ 360,00/@ (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 353,00/@ (à vista) e R$ 357,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 356,00/@ (à vista) e R$ 360,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 349,00/@ (à vista) e R$ 353,00/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
EUA compram 42% mais carne brasileira em setembro, mas avanço não compensa queda da China
Brasil exportou 195,2 mil toneladas de carne bovina in natura, queda de 38% sobre setembro de 2025.
Os Estados Unidos ampliaram as compras de carne bovina brasileira em setembro, primeiro mês de vigência da cota adicional que permite importar determinados produtos com tarifa reduzida. Foram embarcadas 44,4 mil toneladas ao mercado americano, segundo levantamento da Terra Investimentos, com dados da Secex/MDIC. O volume supera em 42% as 31,3 mil toneladas destinadas aos EUA em agosto. São 13 mil toneladas adicionais em um mês, sinalizando aceleração dos embarques no início da janela comercial mais favorável. Em agosto, os americanos já haviam assumido a liderança entre os compradores da carne brasileira. O resultado americano contrasta com o desempenho geral das vendas externas. Enquanto os EUA aumentaram suas compras, o Brasil exportou 195,2 mil toneladas de carne bovina in natura, queda de 38% sobre setembro de 2025. Com as 44,4 mil toneladas, os Estados Unidos responderam por aproximadamente 22,7% das exportações brasileiras contra 16% em agosto. 16%. Os americanos compraram mais que o dobro do segundo colocado, o Chile, e aproximadamente quatro vezes o volume destinado à China em setembro de apenas 5,6% do volume de setembro. A cota adicional dos EUA contempla aparas e recortes magros destinados principalmente à fabricação de carne moída. A expansão dos embarques aos EUA ajudou a absorver carne brasileira, mas não foi suficiente para devolver às exportações totais o ritmo observado nos últimos dois anos. As 195,2 mil toneladas de setembro ficaram abaixo das 314,6 mil toneladas de setembro de 2025 e das 251,6 mil toneladas de setembro de 2024. Na comparação com agosto deste ano, quando o levantamento anterior apontou 195,7 mil toneladas, o total ficou praticamente estável. Apesar da retração de 38% no volume frente a setembro do ano passado, o faturamento caiu em proporção menor: 30,6%, para aproximadamente US$ 1,23 bilhão. O amortecimento veio do preço médio, que alcançou US$ 6.284,70 por tonelada, alta de 11,9% na comparação anual.
SECEX/MDIC
Arroba do boi gordo passa a pagar mais de 30 dias de confinamento no Sudeste
Na região Centro-Oeste, houve uma tendência inversa em setembro. A diferença de custo alimentar para o confinamento entre as regiões Sudeste e Centro-Oeste voltou a aumentar
A relação de troca Icap/boi gordo alcançou um novo recorde no mês de setembro na região Sudeste, impulsionada pela valorização do boi gordo combinada com a estabilidade do custo alimentar. Conforme o Índice de Custo Alimentar Ponta (Icap), uma arroba passou a pagar 30,77 dias de cocho. Essa foi a primeira vez que o indicador superou a marca de 30 dias na região. Segundo o levantamento da empresa Ponta, o resultado combina a maior cotação da arroba na série do Sudeste, a R$ 356, com o Icap praticamente estável, em R$ 11,57 por cabeça/dia. O indicador é calculado a partir de dados coletados pela tecnologia de gestão de confinamento (TGC), que gerencia mais de 57% das cabeças confinadas no país. Já na região Centro-Oeste, o levantamento apontou uma tendência inversa. O Icap teve a maior alta mensal desde março, de 6,64%, para R$ 12,68 por cabeça/dia. A dieta de terminação chegou a R$ 1.088/ton MS, interrompendo uma sequência de cinco recuos. Apesar disso, o Icap permanece praticamente no mesmo nível em relação a setembro de 2025. A diferença de custo alimentar entre as regiões voltou a aumentar, conforme o levantamento. Depois de cair para apenas R$ 0,35 por cabeça/dia em agosto, chegou a R$ 1,11 em setembro, mantendo o Sudeste com menor Icap pelo sétimo mês consecutivo. Na lucratividade da arroba produzida, a distância foi ainda maior: o Sudeste avançou 3,98%, para R$ 1.210,21 por cabeça, enquanto o Centro-Oeste recuou 7,77%, para R$ 906,75. Com isso, a vantagem do Sudeste chegou a R$ 303,46 por cabeça, a maior de 2026.
GLOBO RURAL
SUÍNOS
Suíno vivo registra alta de até 5,71% em outubro
São Paulo apresenta a maior valorização no período, enquanto Minas Gerais mantém a cotação mais elevada entre as praças pesquisadas pelo Cepea.
Os preços do suíno vivo apresentaram alta nas cinco praças acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) na segunda-feira (5). Os avanços diários variaram de 1,10% a 3,91%, enquanto as valorizações acumuladas em outubro ficaram entre 2,44% e 5,71%. São Paulo registrou o maior movimento entre os estados pesquisados. O indicador ficou em R$ 6,11 por quilo, alta de 3,91% no dia e de 5,71% no mês. Em Minas Gerais, o suíno vivo foi cotado a R$ 6,29 por quilo, com valorização diária de 1,78% e avanço mensal de 2,44%. O estado apresentou o maior preço nominal entre as praças consideradas pelo Cepea. No Sul, o indicador do Paraná ficou em R$ 5,53 por quilo, alta de 1,10% no dia e de 2,98% no mês. No Rio Grande do Sul, a cotação alcançou R$ 5,52 por quilo, com elevação diária de 3,56% e mensal de 4,74%. Em Santa Catarina, o preço chegou a R$ 5,49 por quilo, avanço de 2,43% na comparação diária e de 4,57% desde o início do mês. Com os resultados registrados até 5 de outubro, todas as praças acompanhadas pelo Cepea apresentam valorização acumulada no mês.
ASSESSORIA CEPEA
EMPRESAS
Frimesa acelera crescimento no Brasil e sobe 47 posições no ranking Brand Footprint 2026
A Frimesa, uma das maiores cooperativas alimentícias do Brasil consolidou a sua força entre as marcas mais consumidas pelos brasileiros, registrando um crescimento expressivo de 9% no seu Consumer Reach Point (CRP) no cenário nacional, segundo os dados mais recentes do estudo Brand Footprint 2026, realizado pela Worldpanel/Numerator. A expansão da marca tem sido fortemente impulsionada pelo ganho de penetração em novos lares, especialmente alavancada pelos consumidores da Classe C.
No panorama nacional, a Frimesa já alcança 52,2% dos lares brasileiros, ocupando a 55ª posição no ranking geral de bens de consumo massivo (FMCG). A cooperativa se destacou como marca que mais ganhou posições no ranking, subindo 47 colocações. Outro grande destaque do período foi a forte aceleração no Estado de São Paulo, onde registou um salto de 13,5% em CRP e um acréscimo de 7,9 pontos percentuais em penetração. O avanço paulista foi impulsionado pelo desempenho no pequeno varejo e por uma adesão expressiva das classes C, D e E. No segmento de Proteínas, a Frimesa já desponta como a 5ª marca mais escolhida no Estado de São Paulo. No Paraná, o seu mercado de origem, a dominância da marca continua incontestável. A Frimesa alcançou a marca de 93,3%, índice que garante o 3º lugar no ranking geral FMCG do estado, além de estar entre as principais forças de lácteos e proteínas no Estado. Apesar dos números celebrados no ganho de novos consumidores, o relatório estratégico traça os próximos passos: a disputa agora ocorre dentro do cesto de compras. Os dados revelam que mais de 95% dos consumidores que compram Frimesa também adquirem produtos de concorrentes diretos em outras categorias. Com uma presença consolidada em categorias-chave como Linguiças, Presuntaria e Iogurtes, o grande desafio da cooperativa será o cross-sell, fazendo com que o consumidor inclua mais categorias da marca na sua rotina de compras, convertendo a forte captação de novos lares em lealdade a longo prazo. “Os resultados do Brand Footprint refletem o nosso esforço contínuo em democratizar o acesso a alimentos de qualidade. A nossa expansão em São Paulo e a adoção pela Classe C mostram que a estratégia de distribuição, especialmente no pequeno varejo, tem sido muito assertiva", avalia Rodrigo Fossalussa, superintendente comercial da Frimesa. "O foco agora é ampliar a participação da cooperativa na mesa dessas famílias e apresentar o amplo portfólio ao consumidor que já confia na marca para que leve cada vez mais itens da Frimesa na mesma ida ao supermercado", finaliza. A Frimesa é uma central de cooperativas especialista e referência em carne suína e derivados de leite provenientes de famílias associadas às suas cinco filiadas: Copagril, Lar, Copacol, C.Vale e Primato. Com quase 50 anos de mercado, é a 4ª maior empresa de abate e processamento de suínos do Brasil, com um portfólio de mais de 560 produtos e mais de 48 mil clientes, entre supermercados, atacarejo, atacado, food service, distribuidores e indústria de alimentos. A Frimesa encerrou 2025 com um faturamento bruto de R$7 bi, dos quais 26% correspondem ao comércio externo em 4 continentes e 74% à comercialização de produtos no mercado interno. Um crescimento de 7% sobre 2024. A operação conta com 6 unidades industriais, 15 centros de distribuição, 41 mil posições de armazenamento, 410 transportadoras e quase 13 mil colaboradores dedicados em nutrir pessoas com comida de verdade.
Assessoria de Imprensa Frimesa
Frigoríficos movimentam R$ 63,3 bilhões no mercado de capitais, diz estudo
Quatro dos maiores grupos do setor concentram 94% do saldo analisado. O segmento de frigoríficos e empresas de proteína animal representa 30% do estoque de CRA registrado na B3
Frigoríficos e empresas de proteína animal movimentam R$ 63,3 bilhões no mercado de capitais, segundo estudo da Vitrif.AI, agente de inteligência artificial da Vitrify. O levantamento contabilizou 61 operações e 155 instrumentos financeiros em circulação, dos quais 94% são Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA). O segmento representa 30% do estoque de CRA registrado na B3. Quatro dos maiores grupos do setor concentram R$ 59,8 bilhões, ou 94% do saldo analisado. Minerva responde por R$ 17,2 bilhões, seguida por BRF, com R$ 16,2 bilhões, JBS, com R$ 13,7 bilhões, e Marfrig, com R$ 12,8 bilhões. O restante do mercado soma R$ 3,6 bilhões. O levantamento também mostra a forte participação de pessoas físicas nas emissões mais recentes. Entre 2024 e 2026, os investidores individuais responderam por 61% do volume distribuído, ante 31% dos coordenadores e 5% dos fundos. No mercado secundário, 134 dos 155 instrumentos foram negociados neste ano até 2 de outubro, com volume de R$ 19,5 bilhões.
VALOR ECONÔMICO
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Saldo devedor do agro bateu recorde em agosto
No período, já eram R$ 48,6 bilhões em inadimplência, de acordo com dados atualizados do Banco Central. Saldo problemático na carteira de crédito rural registrou avanços em maio, julho e agosto deste ano
Os valores de operações inadimplentes no sistema financeiro brasileiro continuaram em expansão depois de abril, período analisado pela consultoria Agroicone. Em agosto, já eram R$ 48,6 bilhões em inadimplência, de acordo com dados atualizados do Banco Central. O número representa cerca de 5% da carteira total de crédito rural no sistema financeiro, de R$ 861,2 bilhões. Desses, R$ 204,9 bilhões são considerados problemáticos, quase 24% de todo o montante. Além da inadimplência, o saldo inclui parcelas em atraso (R$ 20,6 bilhões), prorrogadas (R$ 30,5 bilhões) ou renegociadas (R$ 105,1 bilhões). O saldo problemático na carteira de crédito rural registrou avanços em maio, julho e agosto deste ano. Apenas em junho houve recuo nesses valores. O salto é semelhante na análise dos percentuais da carteira inadimplente, que passaram de 1%, em agosto de 2023, para 9,7% em agosto deste ano, conforme dados das Estatísticas de Crédito do Banco Central, divulgados na semana passada. Os valores consideram operações de pessoas físicas com recursos direcionados do crédito rural, oriundos das exigências mínimas de aplicação de depósitos à vista e poupança rural.
VALOR ECONÔMICO
Inadimplência de produtores rurais cresceu 10 vezes em três anos
Segundo estudo da Agroicone, saldos das operações em atraso há mais de 90 dias saltaram de R$ 3,8 bilhões para R$ 38,4 bilhões. Cleyton Candeira Pimentel: 'Inadimplência é uma fotografia das operações que já chegaram a um estágio mais grave de descumprimento'
A deterioração do crédito rural avançou de forma acelerada nos últimos três anos no Brasil e fez a inadimplência dos produtores com instituições financeiras crescer cerca de dez vezes no período. A alta é resultado do “agravamento” da situação de financiamentos “problemáticos” ao longo do tempo com a p iora na capacidade de pagamento de agricultores e pecuaristas brasileiros. Os saldos das operações em atraso há mais de 90 dias saltaram de R$ 3,8 bilhões, em julho de 2023, para R$ 38,4 bilhões em abril de 2026. Estudo da consultoria Agroicone com base em dados do Banco Central, antecipado ao Valor, mostra que houve “diferentes sinais de deterioração” pelo caminho. O documento aponta a evolução do montante de recursos sob risco de inadimplência, com reflexos na saúde financeira do campo, e o número de pessoas que podem ser excluídas da política de crédito por conta dessa degradação. A combinação dos dois indicadores dá um “termômetro” da situação. “A inadimplência é uma fotografia das operações que já chegaram a um estágio mais grave de descumprimento, mas ela é parte de um processo mais amplo de deterioração da qualidade do crédito, que também aparece antes disso, em atrasos, prorrogações e renegociações”, afirma Cleyton Candeira Pimentel, pesquisador da Agroicone e autor do estudo. No período analisado, os valores das operações identificadas como problemáticas (em atraso, prorrogadas, renegociadas ou inadimplentes) passaram de R$ 34,1 bilhões para R$ 188,8 bilhões. Os saldos inadimplentes se multiplicaram por dez. Os financiamentos em renegociação formam o maior bloco, com mais de R$ 100 bilhões atualmente e 410,4 mil operações, e avanço de 630% no período. Parcelas prorrogadas ou em atraso aumentaram três vezes. De acordo com a Agroicone, a trajetória de deterioração revela que a inadimplência do crédito rural saiu de uma situação “controlada” para “sistêmica” em pouco tempo. A análise indica uma mudança de “estágio” das operações que já estavam com problemas, com o agravamento contínuo. Por isso, o número de operações problemáticas avançou em velocidade menor que os valores, saindo de 464,5 mil em julho de 2023, cerca de 12% do total, para 893,2 mil em abril de 2026, quase 20%. Cada produtor pode ter mais de um financiamento. O ritmo mensal de crescimento dos valores com algum problema se acelerou na segunda metade do período analisado, enquanto o de novos financiamentos problemáticos diminuiu. O movimento reforça que o agravamento mais recente pesa mais sobre o valor financeiro do que sobre o número de contratos, diz a consultoria. Segundo a Agroicone, a composição do problema também mudou de perfil ao longo do tempo. Em julho de 2023, a taxa de inadimplência era de 3,9% em número de contratos e de apenas 0,7% em valor financeiro. O retrato mudou em abril de 2026, quando os índices ficaram em 5,4% e 4,3%, respectivamente. “O avanço mais acentuado veio do lado financeiro, sinal de que a exposição em valor cresceu mais rápido que a simples frequência de contratos com problema”, diz o estudo. A situação afeta produtores de todos os portes, mas de formas diferentes. “Os grandes produtores concentram o problema no valor financeiro, os médios aparecem com o maior risco relativo e os pequenos carregam a dimensão mais contratual, muitas vezes ligada ao risco de exclusão da política de crédito”, afirma Leila Harfuch, sócia da Agroicone e autora do documento. Os grandes concentravam 53,8% do saldo inadimplente em abril deste ano, cerca de R$ 20,5 bilhões, com apenas 8% dos contratos problemáticos. Pequenos agricultores e pecuaristas apresentavam padrão inverso, responsáveis por 76,7% das operações com atrasos superiores a 90 dias e somente 11% dos valores, pouco mais de R$ 4 bilhões. Entre os médios produtores, chamou a atenção a taxa de inadimplência por valor, a maior entre os públicos avaliados, de 6,1% na época. Eles respondiam por 35,2% do saldo inadimplente, de R$ 13,4 bilhões, em abril de 2026. O nível de deterioração e exposição também muda de acordo com a região do país. Na média, 3,97% dos contratos de crédito rural no sistema financeiro e 5,2% dos valores estavam inadimplentes em abril deste ano. No Rio Grande do Sul, onde produtores enfrentam problemas climáticos extremos há seis anos, as taxas de inadimplência são menores, de 1,3% na quantidade de operações e 3,1% em saldo financeiro. “Não existe uma resposta uniforme para todos os produtores, a política de crédito precisa considerar o porte do produtor, a região, o momento no tempo e se o problema é mais de quebra de contrato ou de exposição financeira”, defende Harfuch. A questão é que o crédito problemático do Rio Grande do Sul, que soma operações em atraso, prorrogadas, renegociadas e inadimplentes, chegou a 34,55% dos contratos ativos em instituições financeiras em abril e 28,80% dos valores. “O caso do Rio Grande do Sul mostra bem por que crédito problemático e inadimplência não podem ser tratados como sinônimos. O Estado tem muito atraso, prorrogação e renegociação, mas isso ainda não virou inadimplência na mesma proporção”, afirma Lauro Vicari, pesquisador da Agroicone e autor do estudo.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar fecha no menor valor em quase 5 meses sob influência de eleição e exterior
O dólar voltou a cair na terça-feira no Brasil e atingiu a menor cotação em quase 5 meses, ainda sob a influência do resultado do primeiro turno da eleição presidencial, enquanto no exterior a moeda norte-americana também cedeu ante boa parte das demais divisas.
O dólar à vista encerrou a sessão com baixa de 0,55%, a R$4,9745, a menor cotação de fechamento desde 12 de maio deste ano, quando atingiu R$4,8949. No ano, a divisa passou a acumular queda de 9,37%. Às 17h06, o dólar futuro para novembro -- o mais negociado no Brasil -- cedia 0,51% na B3, aos R$4,9995. Na segunda-feira o dólar havia recuado 4,12%, aos R$5,0022, em meio à euforia dos investidores com o fato de no primeiro turno o senador Flávio Bolsonaro (PL) ter ficado à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto. Foi a maior queda diária em mais de 8 anos. Na terça-feira, já após o impacto inicial do resultado, o dólar voltou a ceder, ainda que com variações menores. Além da questão eleitoral, o recuo das cotações no Brasil era apoiado pela baixa do dólar ante outras divisas de países emergentes no exterior, como o rand sul-africano, o peso mexicano e o peso chileno.
“O mercado começa a colocar a moeda abaixo dos R$5,00 nas projeções. Além disso, conforme o capital estrangeiro entra no mercado brasileiro, seja via título público, seja via bolsa, o investidor de fora precisa trocar seus dólares por reais, o que, sem dúvida, pesa contra a moeda americana em relação ao real”, pontuou Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital. No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial em operação de rolagem do vencimento de 3 de novembro. No exterior, às 17h15 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,31%, a 101,840.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com ajuste após rali eleitoral
O Ibovespa encerrou a terça-feira em queda, com os investidores fazendo ajustes de posições após o forte rali da véspera, quando o índice atingiu máximas históricas em meio à euforia nos mercados locais com o resultado do primeiro turno da eleição presidencial.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,52%, a 205.835,29 pontos, após marcar 204.725,23 na mínima e 209.522,60 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$58,06 bilhões. A correção na bolsa acontece após o Ibovespa atingir na véspera o maior nível intradiário, aos 209 mil pontos, e o recorde de fechamento, a 206.911,89 pontos. Os recordes foram uma resposta ao resultado eleitoral de domingo, que mostrou Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial. "O mercado hoje realiza eventuais lucros. O investidor revê os preços que ficaram esticados de determinados ativos. Então é relativamente normal termos um período de respiro em altas tão grandes", disse Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos. Ainda assim, mesmo com o recuo, o Ibovespa seguiu operando acima dos 200 mil pontos. "Com este movimento, o índice confirma a volta à tendência de alta e passa a apontar para a região de 220.000 pontos no curto prazo e 245.000 pontos no médio prazo", disse o Itaú BBA em seu relatório Diário do Grafista. Segundo os analistas do banco, para manter a tendência de alta, "o Ibovespa terá que continuar acima do suporte em 181.500 pontos". Em Nova York, as bolsas subiram com a queda do petróleo e a retração de rendimentos dos Treasuries. O S&P 500 subiu 0,57%.
REUTERS
Governo reduz a US$84,4 bi projeção de superávit comercial em 2026 apesar de dado forte em setembro
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) reduziu na terça-feira sua projeção para o superávit da balança comercial brasileira em 2026 a US$84,4 bilhões, contra previsão feita em julho de saldo de US$90,0 bilhões, prevendo ganho menor nas exportações com o arrefecimento de preços internacionais.
Apesar da revisão para baixo, o resultado ainda seria 24% mais forte do que o observado no ano anterior, quando o saldo foi de US$68,1 bilhões, e marcaria o segundo maior saldo da série histórica, atrás apenas do dado de 2023. Pelos cálculos do MDIC, as exportações devem fechar o ano em US$382,5 bilhões, uma redução de US$11,9 bilhões em relação à estimativa de julho, mas ainda representando um recorde histórico. As importações ficariam em US$298,1 bilhões, um recuo de US$6,3 bilhões sobre a previsão anterior. O diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, afirmou que a projeção feita em julho refletia forte alta dos preços do petróleo e de outros produtos diante da guerra no Irã, o que ampliaria o resultado das exportações. A partir do meio do ano, segundo ele, parte desses preços registrou alguma acomodação, o que reflete na nova projeção. “Esse movimento arrefeceu e resultou em uma taxa de crescimento (das exportações) ainda significativa, mas um pouco menor do que o modelo estava captando no primeiro semestre”, disse. O MDIC apontou que a balança comercial brasileira registrou em setembro um superávit de US$7,741 bilhões, um crescimento de 146% na comparação com o resultado do mesmo mês de 2025 e melhor do que o esperado pelo mercado, que previa em pesquisa da Reuters um saldo positivo de US$7,191 bilhões. O desempenho do mês é fruto de US$34,418 bilhões em exportações, uma alta de 12,9% na comparação com o mesmo mês de 2025, e US$26,678 bilhões em importações, recuo de 2,4%. No período, houve aumento das exportações em todos os setores, com destaque para uma alta de 39,8% na indústria extrativa, seguida de crescimentos de 5,3% na indústria de transformação e de 4,8% na agropecuária. Entre os destaques estão os embarques de óleos brutos de petróleo, com crescimento de 77% no período, de soja, com alta de 12%, e óleos combustíveis de petróleo, com alta de 39%. No sentido contrário, houve redução de quase 31% nas vendas de carne bovina. Em setembro, as exportações aos Estados Unidos cresceram 32%, apesar da vigência do tarifaço, que atinge 23% da pauta de produtos vendidos, segundo Brandão. Ele ressaltou altas de 524% nas vendas de carne e de 108% nos embarques de café para o país norte-americano, produtos que eram taxados em setembro do ano passado e estão agora isentos de tarifas. Para a China, houve recuo de 7,6% nas exportações no mês, diante de tarifação das vendas de carne bovina após o atingimento de cota, mas também por uma redução na demanda do país, segundo Brandão, que impactou as vendas de minério de ferro, soja e milho. Do lado das importações, houve queda mais intensa nas compras bens de capital, um recuo de 30% motivado pela importação de plataforma de petróleo em setembro de 2025, que distorceu a base de comparação com o mês passado. Houve ainda queda de 2,4% nas importações de bens intermediários, enquanto foram registradas altas de 11,5% em bens de consumo e de 41,2% em combustíveis. Nos primeiros nove meses do ano, o país acumulou um superávit comercial de US$62,396 bilhões, 35% acima do saldo positivo de US$46,300 bilhões do mesmo período de 2025.
REUTERS
Banco Mundial eleva previsão de crescimento do PIB brasileiro para 2,1% em 2026
Ao mesmo tempo, houve uma redução da projeção de expansão da economia em 2027 para 1,7%
O Banco Mundial revisou para cima a estimativa para o crescimento da economia brasileira em 2026, de 1,9% para 2,1%. A projeção para 2027 passou de 2% para 1,7%, enquanto a de 2028 subiu de 2,2% para 2,3%. Os dados constam da nova edição do relatório Panorama Econômico da América Latina e Caribe, divulgado na terça-feira (6). A expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segundo o órgão internacional, vai no mesmo ritmo ou abaixo da média regional. De acordo com o relatório, a atividade é restringida pelo aperto das condições monetárias, consideradas necessárias para dar continuidade à desinflação, bem como pelas incertezas da política econômica e pelo arrefecimento do impulso do investimento público. "No Brasil, condições monetárias restritivas pesam sobre a demanda interna, enquanto um mercado de trabalho ainda aquecido continua a oferecer certo suporte", diz ao mencionar o impacto das taxas de juros reais altas. A projeção de crescimento da atividade do Ministério da Fazenda é ligeiramente menor para 2026. A pasta estima crescimento econômico de 2% neste ano, segundo o Boletim Macrofiscal de setembro. No contexto regional, o Banco Mundial manteve a projeção de que o PIB da América Latina e Caribe avançará 2,2% em 2026. A estimativa fica um pouco abaixo da expansão de 2,4% registrada em 2025, o que, para a instituição, sinaliza resiliência na absorção de choques externos.
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