CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1206 DE 02 DE OUTUBRO DE 2026

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1207 | 02 de outubro de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Boi gordo: viés de alta segue fortalecido, com SP registrando alguns negócios a R$ 375/@
Preços do animal sem padrão-exportação e do “boi-China” subiram 2/@ na praça paulista, para R$ 362/@ e para R$ 367/@ (valores no prazo), respectivamente, apurou a Scot Consultoria. No PARANÁ: Boi: R$ 365,00. Vaca: R$ 340,00. Novilha: R$ 350,00. Escalas: quatro dias. Boi China: PARANÁ: R$ 366,00/@ (à vista) e R$ 370,00/@ (prazo)
Na quinta-feira (1/10), os preços do boi sem padrão-exportação e do “boi-China” subiram 2/@ na praça de São Paulo, para R$ 362/@ e para R$ 367/@ (valores brutos, no prazo), respectivamente, apurou a Scot Consultoria. “Os pecuaristas estão controlando a oferta em um ambiente de pouca disponibilidade de gado, enquanto a ponta compradora, apesar de atenta na hora dos negócios e em busca das melhores oportunidades, paga o que é pedido para manter as escalas e garantir o abastecimento neste momento de virada de mês, período que tende a melhorar gradualmente o escoamento de carne”, observaram os analistas da Scot.
Segundo a consultoria, há negócios pontuais acima da referência de R$ 367/@ na praça paulista, mas sem volume suficiente para estabelecer referência de mercado. De acordo com a equipe de analistas da Agrifatto, a necessidade de esticar as escalas de abate segue levando boa parte das indústrias brasileiras a elevar as propostas para pagamento de lotes de boiadas gordas, enquanto a oferta de animais terminados permanece restrita nas principais praças brasileiras. “O esforço para compor a agenda é maior entre plantas de porte pequeno e médio, que já desembolsaram R$ 370 em São Paulo e caminham para cotações ainda mais elevadas”, afirma a Agrifatto, acrescentando que apurou negócios pontuais a R$ 375/@, mas, pelo baixo volume negociado, não se firmaram como referenciais. As grandes indústrias, por sua vez, ainda contam com gado de contratos de parceria e de confinamentos próprios, segundo a consultoria. No mercado futuro da B3, a curva antecipa e reforça o movimento do físico. Ao longo de setembro/26, os contratos renovaram máximas, com o vencimento de outubro/26 fechando o último mês a R$ 381,90/@, enquanto os contratos para entrega em novembro/26 e dezembro/26 superaram R$ 391/@ e os vencimentos de janeiro a março de 2027 já operam na casa dos R$ 393/@. “O prêmio de outubro/26 sobre o físico, que chegou a R$ 30/@ no meio de setembro/26, segue expressivo e traduz a expectativa de aperto de oferta e demanda aquecida entre o último trimestre e início de 2027, leitura que sustenta o viés de alta da arroba e abre janela de proteção para confinadores e indústrias”, destacou a Agrifatto.
Cotações do boi gordo, conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 365,00. Boi China: R$ 365,00. Média: R$ 365,00. Vaca: R$ 340,00. Novilha: R$ 350,00. Escalas: seis dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 355,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 355,00. Vaca: R$ 340,00. Novilha: R$ 350,00. Escalas: sete dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 360,00. Boi China: R$ 360,00. Média: R$ 360,00. Vaca: R$ 340,00. Novilha: R$ 350,00. Escalas: cinco dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: sete dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 355,00. Boi China/Europa: R$ 355,00. Média: R$ 355,00. Vaca: R$ 340,00. Novilha: R$ 350,00. Escalas: seis dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: seis dias. PARÁ: Boi comum: R$ 355,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 355,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: cinco dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 340,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: nove dias. MARANHÃO: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: sete dias. Preços brutos do “boi-China” na terça-feira (29/9), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 363,00/@ (à vista) e R$ 367,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 350,00/@ (à vista) e R$ 354,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 335,50/@ (à vista) e R$ 339,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 356,00/@ (à vista) e R$ 360,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 343,00/@ (à vista) e R$ 347,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 349,00/@ (à vista) R$ 353,00/@ (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 338,50/@ (à vista) e R$ 342,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 351,00/@ (à vista) e R$ 355,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
Boi/Cepea: Setembro é marcado por altas nas cotações
Após a volatilidade verificada em agosto, setembro vai se encerrando com altas sequenciais ao longo de toda a cadeia pecuária.
De acordo com pesquisadores do Cepea, o movimento reflete a menor oferta de animais prontos para abate nesta entressafra vindos do confinamento e da melhora no volume de exportações frente ao mês anterior, além da expectativa da volta das compras chinesas.
Segundo o Centro de Pesquisas, as margens estão sendo disputadas ao longo de toda a cadeia. De um lado, a reposição segue cara, pressionando recriadores e terminadores, e, de outro, a valorização da carcaça está abaixo da do boi gordo, limitando o espaço da indústria. O cenário reforça um mercado em que eficiência produtiva, relação de troca e capacidade de repasse da carne tornam-se cada vez mais determinantes para a rentabilidade.
CEPEA
Exportação de gado em pé foi recorde em agosto
Embarques somaram 171 mil cabeças e geraram US$243,9 milhões, volume 36,4% maior que o recorde anterior para agosto, em 2024.
Em agosto, o embarque de bovinos vivos foi de 171 mil cabeças, 109,4% acima do de agosto de 2025 e 36,4% acima do recorde anterior para o mês, em 2024. A receita gerada foi de US$243,9 milhões, alta de 182,6% em relação a agosto de 2025. De janeiro a agosto, o Brasil exportou 917,6 mil cabeças, o melhor desempenho da série para o período. Esse volume equivale a 87,4% da exportação de 2025, que foi de 1,05 milhão de cabeças. O Pará foi o maior exportador em agosto, com 65,9% dos embarques, seguido pelo Rio Grande do Sul (23,6%) e pelo Paraná (6,7%) (figura 3). O Pará embarcou 112,6 mil cabeças, quase quatro vezes o volume de agosto de 2025, e respondeu por 92,6% do aumento dos embarques na comparação feita ano a ano. A Turquia liderou as importações, com 62,2 mil cabeças (36,4% do total), seguida por Marrocos (21,9%) e Iraque (20,6%). Juntos, os três países responderam por 79,0% dos embarques. O Marrocos, com 37,5 mil cabeças, quase quadruplicou as compras em relação a agosto de 2025, quando importou 9,5 mil cabeças. Líbano e Arábia Saudita também ampliaram os volumes, enquanto o Egito, reduziu as compras em 52,7% na comparação com agosto de 2025. O comportamento mês a mês em 2026 alternou picos e vales, portanto o recorde de agosto não indica, por si, uma trajetória contínua de crescimento. Se os embarques de setembro a dezembro repetirem o volume registrado no mesmo período de 2025 (397,8 mil cabeças), o desempenho de 2026 alcançaria aproximadamente 1,32 milhão de cabeças. A exportação para poucos mercados exige atenção, pois aumenta a dependência do Brasil em relação a esses destinos. Em junho, Turquia, Marrocos, Iraque e Egito responderam, juntos, por 98,1% dos embarques. Assim, uma eventual redução das compras ou mudança nas regras comerciais de qualquer um desses países afetaria a exportação. A dinâmica desse comércio sofre a forte influência de fatores geopolíticos, como as tensões entre Irã e Estados Unidos, que desestabilizaram mercados tradicionais e impulsionaram a alternância nos picos de compras.
Outro ponto a ser acompanhado é o Projeto de Lei no. 1.026/2026, que pretende proibir o transporte marítimo de animais vivos para fins comerciais, tanto na exportação quanto na importação. A proposta estava pronta para ser analisada pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR), com parecer do relator contrário à sua aprovação.
SCOT CONSULTORIA
SUÍNOS
Suínos/Cepea: Preços sobem pela primeira vez no ano
As cotações do suíno vivo e da carcaça suína registraram aumento em setembro pela primeira vez no ano. Segundo o Cepea, o movimento, de modo geral, esteve associado à redução da oferta de carne e ao aumento da demanda pela proteína no mercado doméstico.
Especificamente para os cortes, no entanto, os valores recuaram no mês. De acordo com o Centro de Pesquisas, a indústria registrou ritmo de negócios mais intenso e constante, contribuindo para a primeira valorização do ano tanto do suíno vivo quanto da carcaça. Agentes consultados pelo Cepea ainda sinalizam perspectiva favorável para a primeira semana de outubro, visto que, além do incremento sazonal da demanda das famílias no início do mês, a indústria tem se mostrado mais ativa na formação de estoques para as festividades de fim de ano.
CEPEA
GOVERNO
EL NIÑO LEVA MAPA A PROPOR GESTÃO PERMANENTE DO RISCO CLIMÁTICO
O plano vai além da próxima safra e propõe uma estrutura permanente para monitorar riscos, orientar produtores e coordenar respostas no campo.
O El Niño deixou de ser tratado apenas como uma emergência de safra e passou a ocupar espaço em uma estratégia permanente de gestão de risco no agro brasileiro. Um grupo de trabalho entregou ao Ministério da Agricultura e Pecuária um conjunto de 163 medidas voltadas à safra 2026/27, aos ciclos seguintes e à criação de uma estrutura contínua de acompanhamento climático. O documento organiza as recomendações em três horizontes diferentes: respostas imediatas para a próxima safra, medidas de adaptação para os próximos anos e ações permanentes dentro do próprio Ministério. Essa divisão mostra uma mudança de abordagem. Em vez de concentrar esforços apenas quando os efeitos climáticos já aparecem no campo, a proposta é criar mecanismos capazes de antecipar riscos, orientar decisões e integrar informações antes que as perdas ocorram. Entre as propostas de longo prazo está a criação de um centro de gestão de riscos climáticos extremos. A estrutura teria a função de acompanhar e analisar riscos, emitir informações, coordenar medidas e apoiar estratégias de resposta. O plano prevê ainda um painel agroclimático integrado, reunindo dados climáticos e orientações de manejo. A ideia é que esse sistema também ajude na articulação entre instituições e estados, além de permitir a avaliação dos resultados das ações implementadas.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que eventos desse tipo deixaram de ser vistos como situações excepcionais. Segundo ele, o Ministério precisa contar com instrumentos permanentes para lidar com um cenário que exige planejamento contínuo.
No curto prazo, uma das medidas consideradas prioritárias é o fortalecimento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, o PSR. A proposta é garantir disponibilidade de seguro antes do avanço mais intenso do plantio das culturas de verão. O relatório também recomenda ampliar a assistência técnica, oferecer orientações adaptadas a cada região e intensificar o monitoramento agroclimático durante a safra 2026/27. A orientação é que os produtores adotem práticas compatíveis com as condições específicas de cada localidade, utilizando tecnologias disponibilizadas pela Embrapa. Para as safras seguintes, o documento propõe uma integração maior entre ferramentas já utilizadas na gestão do risco. Entre elas estão o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), as Boas Práticas Agrícolas, o crédito rural, o seguro rural e o Proagro. O objetivo é ampliar o uso de sistemas produtivos mais resilientes e fortalecer a segurança hídrica. O relatório também defende o aprimoramento do próprio Zarc, aproximando a informação climática das decisões financeiras e produtivas no campo. Essa integração passa a ser uma das peças centrais do modelo sugerido pelo grupo de trabalho.
Outro eixo apontado pelo relatório é a aceleração do Plano ABC+ e do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuária e Florestal Sustentáveis, o Caminho Verde. Segundo Bruno Leite, coordenador do grupo de trabalho, essas iniciativas podem ampliar a adoção de tecnologias de produção mais resilientes, combinadas com assistência técnica, capacitação e financiamento. A proposta conecta adaptação climática à forma como os sistemas produtivos são manejados no campo. Em vez de tratar o risco apenas como uma questão meteorológica, o documento incorpora também práticas de produção, uso do solo e capacidade de resposta dos produtores. O Grupo de Trabalho sobre El Niño foi criado pelo Decreto nº 928/2026 e reuniu representantes de cinco secretarias do Mapa, além do Inmet e da Embrapa. Uma de suas atribuições foi identificar regiões e cadeias produtivas mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno. A Embrapa apresentou ao grupo as 163 medidas que passaram a compor a base das recomendações de prevenção, adaptação e redução de riscos. As ações não se limitam à safra 2026/27. O desenho apresentado ao Ministério busca criar uma estrutura que continue funcionando nos ciclos seguintes, com monitoramento, alertas, coordenação institucional e ferramentas de gestão. Para o agro brasileiro, o ponto central do relatório está justamente aí: preparar-se para eventos climáticos extremos deixa de ser apenas uma resposta pontual e passa a integrar o planejamento permanente da produção.
O PRESENTE RURAL
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Rebanho bovino cai para 234,3 milhões de cabeças em 2025, o menor em três anos
O rebanho bovino diminuiu 1,7% em 2025, na comparação com 2024. É segunda queda anual consecutiva, o que reduziu a quantidade de bovinos para 234,3 milhões de cabeças, a menor desde 2022. O Nordeste foi a única região com aumento do efetivo bovino (2,2%), chegando a 37,3 milhões de cabeças. São Félix do Xingu (PA) seguiu como o município com maior rebanho (2,7 milhões de cabeças).
O valor de produção da pecuária (R$ 141,2 bilhões) foi recorde em 2025, com alta de 6,2% em relação a 2024. O resultado foi puxado pela produção de leite de vaca, que representou 63,4% do valor total. Os produtos de origem animal somaram R$ 128,0 bilhões, um aumento de 5,6%, enquanto os itens da aquicultura contribuíram com R$ 13,2 bilhões, um crescimento de 12,5%.
A produção de leite de vaca cresceu pelo terceiro ano seguido (2,7%) com recorde de 36,7 bilhões de litros em 2025. A produtividade também foi recorde (2.498,7 litros de leite por vaca por ano), crescendo 5,6%, a terceira alta seguida. Castro (PR) liderou o ranking com 532,8 milhões de litros. O efetivo de galináceos (1,6 bilhão) teve alta de 1,6% e de galinhas (293,3 milhões), de 5,8%, ambos recordes de quantidade em 2025. A produção de ovos de galinha também foi recorde (5,7 bilhões de dúzias). Santa Maria de Jetibá (ES) lidera em ambos os efetivos e na produção de ovos. Rebanhos de caprinos e ovinos alcançaram recordes: 13,5 milhões e 22,3 milhões de animais, respectivamente, em 2025. O município de Casa Nova (BA) lidera os dois efetivos. A produção nacional de mel atingiu 71,3 mil toneladas em 2025, maior valor já registrado. Santa Luzia do Paruá (MA) liderou entre os municípios. A produção de camarão atingiu o recorde de 172,4 mil toneladas em 2025. Aracati (CE) foi o maior produtor. Já a produção de peixes cresceu 7,1%, somando 783,0 mil toneladas, com a tilápia representando quase 70% do total. Morada Nova de Minas (MG) foi o município com a maior produção. Os dados são da pesquisa da Produção da Pecuária Municipal (PPM) que investiga, anualmente, informações sobre os principais efetivos de animais criados e as produções de leite de vaca, ovos de galinha e de codorna, mel de abelha, lã bruta, casulos do bicho-da-seda, além da aquicultura (piscicultura, carcinicultura e malacocultura). O rebanho bovino diminuiu 1,7% em 2025, na comparação com 2024, na segunda queda anual consecutiva. A quantidade de bovinos reduziu para 234,3 milhões de cabeças, a menor desde 2022, quando o efetivo era de 234,9 milhões de cabeças. Os dados são da pesquisa da Produção da Pecuária Municipal (PPM) 2025, divulgada nessa quarta-feira (30/09) pelo IBGE. A queda é explicada pelo aumento do abate nos últimos quatro anos, em especial de fêmeas. São Félix do Xingu (PA) segue com o maior rebanho de bovinos (2,7 milhões de cabeças), o que representa 1,2% do total. Na sequência, aparecem Corumbá (MS), com 2,2 milhões; Porto Velho (RO), 1,7 milhão; Cáceres (MT), 1,4 milhão; e Marabá (PA), 1,3 milhão. Regionalmente, o efetivo bovino do Centro-Oeste caiu pelo terceiro ano seguido (-3,7%), mas segue com a maior quantidade (72,2 milhões de cabeças), equivalente a 30,8% do total. O Nordeste chegou a 37,3 milhões de cabeças, uma alta de 2,2%, foi a única região com aumento do rebanho. Já o Norte recuou 1,8%, com um rebanho de 63,4 milhões de cabeças, enquanto Sudeste (-1,0%) e Sul (-1,7%) também apresentaram quedas pelo terceiro ano consecutivo e chegaram a 37,3 milhões e 24,1 milhões de cabeças, respectivamente. A pesquisa mostrou também recorde no valor de produção da pecuária (R$ 141,2 bilhões), com alta de 6,2% em relação a 2024. Os produtos de origem animal somaram R$ 128,0 bilhões, um aumento de 5,6%, enquanto os itens da aquicultura contribuíram com R$ 13,2 bilhões, um crescimento de 12,5%. O recorde foi puxado pela produção de leite de vaca (R$ 89,5 bilhões), que representou 63,4% do valor total, seguido por ovos de galinha, R$ 36,4 bilhões (25,8%), e em seguida, o mel, com R$ 1,2 bilhão (0,9%). A produção de leite de vaca cresceu pelo terceiro ano seguido, com alta de 2,7% na passagem de 2024 para 2025 e recorde de 36,7 bilhões de litros. O resultado foi alcançado mesmo com a queda de 2,7% no número de vacas ordenhadas nesse período. Foram 14,7 milhões de vacas ordenhadas em 2025, a menor quantidade desde 1979 na série iniciada em 1974. Esses dados explicam também o aumento recorde de 5,6% na produtividade, a terceira alta seguida, chegando a 2.498,7 litros de leite por vaca por ano. O resultado reflete condições climáticas favoráveis e investimento em aprimoramento genético e manejo do rebanho, aliado a um processo de otimização e reorganização da base produtiva. O município de Castro (PR) liderou o ranking com 532,8 milhões de litros, alta de 10,0% em relação a 2024. Carambeí (PR) manteve a segunda posição, com 306,8 milhões de litros, e Patos de Minas (MG) ocupou a terceira posição, com 249,2 milhões de litros. A região Sul liderou em produtividade e reassumiu a primeira posição na produção de leite com 12,5 bilhões de litros, correspondendo a 34,0% da produção nacional, com um crescimento de 4,4% em relação a 2024. O Sudeste vem na sequência, com crescimento de 2,3% e 12,3 bilhões de litros de leite, o equivalente a 33,5% do total nacional. Já o Nordeste manteve a terceira colocação, com 6,6 bilhões de litros e um aumento de 2,7%, respondendo por 18,0% da produção. O Centro-Oeste chegou a 3,6 bilhões, queda de 1,0%, e contribuiu com 9,8% da produção leiteira nacional. Já o Norte apresentou a menor contribuição da produção (4,6%), e teve aumento de 1,4%, com produção de 1,7 bilhão. O efetivo de galináceos, que contempla galinhas e outras categorias como frangos de corte, foi estimado em 1,6 bilhão de cabeças em 2025, aumento de 1,6% em comparação ao ano anterior. Desse total, 293,3 milhões (18,3%) são galinhas destinadas à produção de ovos, cujo efetivo também foi recorde com alta de 5,8%. Santa Maria de Jetibá (ES) foi o município com o maior efetivo de galináceos (18,4 milhões de cabeças), um aumento de mais de 890,5 mil animais em 2025 na comparação com o ano anterior. Desse crescimento, 23,6% foram galinhas, o que reforça a sua liderança municipal nesse efetivo desde 2015, totalizando 15,1 milhões de galinhas em 2025. São Bento do Una (PE), Bastos (SP), Uberlândia (MG) e Toledo (PR) completam o ranking dos cinco maiores municípios em galináceos. No ranking de galinhas, Bastos (SP) e São Bento do Una (PE) também se destacam, ocupando a segunda e terceira posição, respectivamente. Primavera do Leste (MT) e Santo Antônio do Monte (MG) ocupam o quarto e quinto lugares. A região Sul concentra a maior quantidade de efetivos de galináceos (772,9 milhões de cabeças), quase a metade (48,1%) do total nacional, com aumento de 3,4% em relação a 2024. Em relação às galinhas, o Sul apresentou o segundo maior efetivo (72,2 milhões de cabeças), 24,6% do total nacional, e cresceu 5,8% no ano. Já o Sudeste concentrou a maior quantidade de galinhas (104,3 milhões de cabeças), equivalente a 35,6% do total, com crescimento de 5,0%.
OCEPAR/AGÊNCIA IBGE
ECONOMIA
Dólar acompanha o exterior e sobe quase 1% ante o real
O dólar fechou a quinta-feira com alta próxima de 1% ante o real, refletindo a busca global pela moeda norte-americana em meio às preocupações persistentes com a guerra no Oriente Médio.
No Brasil, a três dias das eleições, os investidores aguardavam pela nova pesquisa do Datafolha sobre a corrida presidencial, programada para o início da noite. O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,97%, a R$5,2239. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 4,83%.
Às 17h03, o dólar futuro para novembro -- o mais negociado no Brasil -- subia 0,69% na B3, aos R$5,2500. As preocupações em torno dos efeitos da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã voltaram a pressionar os mercados da Europa mais cedo, com o euro recuando para a menor cotação em 17 meses em relação ao dólar. A moeda norte-americana também avançava ante outras divisas fortes, como a libra e o franco suíço, e tinha alta ante moedas emergentes como o rand sul-africano, o peso mexicano e o peso chileno. Esse movimento se acentuou a partir do fim da manhã, com o dólar renovando máximas ante boa parte das demais divisas, incluindo o real. "O dólar está mais forte lá fora, com o DXY (índice do dólar) em patamares elevados, o petróleo subindo. É a aversão ao risco dos investidores correndo para o dólar", avaliou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. Após ter marcado a cotação mínima de R$5,1698 (-0,07%) às 9h40, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,2400 (+1,29%) às 13h57, mantendo-se em patamares elevados ao longo da tarde. “É um movimento, principalmente, global, com a moeda americana se fortalecendo porque o investidor acaba buscando uma proteção diante da guerra e diante dos juros altos lá fora também”, disse Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital. “Aqui dentro a gente tem a questão da cautela antes das eleições e uma devolução natural também da queda de ontem.”
REUTERS
Ibovespa fecha em alta com Petrobras; investidor aguarda eleição
O Ibovespa fechou em alta na quinta-feira, sustentada principalmente pelas ações da Petrobras, com o pregão já entrando em modo espera para o primeiro turno das eleições no Brasil.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,48%, a 187.243,39 pontos, de acordo com dados preliminares. Na máxima do dia, chegou a 187.436,73 pontos. Na mínima, recuou a 184.767,78 pontos.
REUTERS
Contração da indústria no Brasil se intensifica em setembro com demanda fraca, mostra PMI
A atividade industrial brasileira afundou ainda mais em terreno contracionista em setembro e atingiu o nível mais baixo em quase três anos e meio, com um forte enfraquecimento da demanda, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgada na quinta-feira.
Segundo a pesquisa, a fraqueza da demanda, as pressões competitivas e a incerteza política antes das eleições presidenciais de outubro pesaram sobre as vendas, enquanto o aumento dos custos agravou o ambiente desafiador para os negócios. Ainda assim, a confiança para os próximos 12 meses melhorou em relação a agosto. O PMI da indústria, compilado pela S&P Global, caiu a 44,8 em setembro, de 46,3 em agosto, na maior deterioração das condições operacionais desde abril de 2023. A marca de 50 separa crescimento de contração. O resultado levou a média trimestral a 46,2, a mais baixa desde o segundo trimestre de 2023, segundo a S&P Global. “O único aspecto positivo nos dados do PMI foi que as empresas continuaram mais otimistas em relação aos próximos 12 meses, amparadas pela expectativa de que as condições de mercado melhorem após as eleições”, avaliou Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence. A retração da produção chegou ao quinto mês consecutivo e se intensificou para o nível mais forte desde o início da pandemia de Covid-19, no começo de 2020. Os participantes da pesquisa associaram a queda da produção à fraqueza das vendas, ao aumento dos custos dos insumos e às incertezas relacionadas ao período pré-eleitoral. As entradas de novos pedidos sofreram o maior ritmo de contração em quase quatro anos. As novas encomendas do exterior diminuíram pelo quinto mês seguido, embora o ritmo de contração tenha desacelerado em relação a agosto. Foram relatadas vendas mais fracas para clientes na Argentina, China, México e Estados Unidos. A indústria brasileira também reduziu em setembro o número de empregados pelo terceiro mês consecutivo, embora o ritmo dos cortes de vagas tenha sido moderado e mais brando do que em agosto. Já os dados de preços mostraram uma retomada das pressões dos custos em setembro. Após desacelerar em cada um dos quatro meses anteriores, a inflação dos preços dos insumos acelerou e voltou a ficar acima de sua média histórica de longo prazo. As empresas atribuíram o aumento dos custos de materiais e transporte à crise global de energia e à guerra no Oriente Médio. Embora os fabricantes tenham voltado a elevar seus preços de venda em resposta, a concorrência e a queda das vendas limitaram seu poder de precificação, e a inflação dos preços cobrados enfraqueceu para o menor nível em sete meses.
REUTERS
Dívida bruta tem o maior ritmo de crescimento desde a covid Indicador subiu 4,2 pontos percentuais em relação ao PIB de janeiro a agosto, diz BC
A dívida bruta do governo geral (DBGG), principal indicador do estoque do endividamento público, registra em 2026 o crescimento mais acelerado desde a pandemia. A relação entre a DBGG e o Produto Interno Bruto (PIB) subiu 4,2 pontos percentuais de janeiro a agosto deste ano, divulgou na quarta-feira (30) o Banco Central (BC). O crescimento nos oito primeiros meses de 2026 só foi inferior aos registrados nos mesmos períodos de 2009 (4,79 pontos), 2015 (6,69 pontos) e 2020 (11,39 pontos). Com isso, a DBGG atingiu 82,9% do PIB (R$ 11,1 trilhões) no mês passado, o maior nível desde março de 2021. Em dezembro de 2025, estava em 10 trilhões (78,6% do PIB). Economistas defendem que os juros elevados são consequência principalmente de um desajuste fiscal do governo federal. Ecio Costa, professor de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), diz que a falta de controle das despesas públicas e a expansão de gastos, especialmente com os programas anunciados pela União em 2026, impedem a redução das taxas de juros futuros, que financiam a dívida. Para o especialista, as metas de resultado primário (receitas menos despesas, com exceção dos gastos com a dívida) previstas no arcabouço fiscal do governo federal, em vigor desde 2023, “mascaram a realidade” das contas públicas. Isso porque há um volume expressivo de despesas que são deduzidas da meta de primário, em especial os precatórios. Ao considerar essas despesas, o governo aumentou de R$ 52 bilhões para R$ 80 bilhões a estimativa de déficit primário em 2026, o que representa distância de R$ 114 bilhões para o centro da meta fiscal (de superávit de R$ 34 bilhões). “O arcabouço traz uma projeção de ampliação de despesas de forma controlada, mas a própria regra durante o governo foi revisada, permitindo que mais despesas fossem feitas e que as regras não fossem cumpridas. Também não há punição séria para o descumprimento do arcabouço, tendo isso sido estabelecida de maneira tão frouxa. Isso compromete as expectativas do mercado em relação à trajetória da dívida, e os juros são cada vez mais altos”, diz. Também para Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, as medidas recentes anunciadas pelo governo federal pioraram o quadro fiscal. Ele cita o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, que custará R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões em 2027, e a subvenção ao diesel e redução de tributos sobre gasolina e etanol, que somam R$ 37,5 bilhões desde março. A proibição das bets também deve retirar R$ 11,9 bilhões de arrecadação até 2028, afirma ainda Rondinelli. “No crédito, o movimento é igualmente preocupante. O Desenrola 3.0 prevê a compra de até R$ 150 bilhões em dívidas, com custo máximo de R$ 15 bilhões em 2027 para a União, que o governo diz compensar com remanejamento de despesas”, diz, referindo-se ao programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas lançado na semana passada.
VALOR ECONÔMICO
Confiança empresarial tem pior patamar em 13 meses por sinais de enfraquecimento da economia
Índice caiu 1,2 ponto em setembro, para 89,3 pontos, terceiro recuo consecutivo
O Índice de Confiança Empresarial (ICE) caiu 1,2 ponto em setembro, para 89,3 pontos, terceiro recuo consecutivo, informou na quinta-feira (1º) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o recuo, a confiança do empresário em setembro registrou o menor patamar desde agosto de 2025 (88,6 pontos), alertou Aloísio Campelo Júnior, economista da fundação responsável pelo indicador. A retração foi influenciada por sinais de enfraquecimento da atividade econômica, espalhados em diferentes setores da economia – cujos resultados de confiança são usados para cálculo do indicador. Porém, mesmo com a terceira queda consecutiva, o especialista ponderou não ser possível afirmar que a atual tendência negativa na confiança do empresário prosseguirá nos próximos meses. Além da economia, há outro componente de influência que pode mudar trajetória do ICE: as eleições presidenciais. Ao falar sobre o humor do empresariado em setembro, porém, Campelo admitiu que a FGV captou respostas negativas tanto nas avaliações sobre presente quanto nas projeções sobre o futuro. Isso é perceptível na evolução dos dois subindicadores do ICE. No mês passado, o Índice de Expectativas (IE) caiu 1,2 ponto, para 87,9 pontos. Esse tópico caiu em cinco dos últimos sete meses, refletindo tendência de aumento do pessimismo entre os empresários, notou. Já o Índice de Situação Atual (ISA) recuou 1,1 ponto, para 90,8 pontos, em setembro, menor nível desde fevereiro de 2022 (90,6 pontos). Todos os quatro setores usados para o cálculo do indicador mostraram queda de confiança em setembro, acrescentou o especialista: indústria (-2,4 pontos), serviços (-0,9 pontos), comércio (-2,9 pontos) e construção (-1,4 pontos). “Foi muito espalhada [a queda de confiança]”, admitiu. Um dos aspectos que contribuiu para tal cenário tem a ver com menor ímpeto de consumo das famílias. Na prática, quando a demanda mostra sinais de recuo, isso acaba afetando os níveis de atividade de praticamente todos os segmentos da economia, disse. “No início do ano vieram várias medidas de estímulo [ao consumo], salário-mínimo cresceu bem [reajuste], redução de imposto, programa [do governo, de estímulo para compra] para automóvel, programa para moto”, enumerou. “Deu um ânimo [no consumo]”, disse. “A demanda aumentou temporariamente de janeiro até talvez abril. Mas ao longo do segundo trimestre a demanda começou já a desacelerar para vários desses segmentos”, comentou. “Alguns [segmentos] começaram a perder fôlego. E mais para o final do segundo trimestre, a indústria começou a acumular estoques e agora o setor da construção também já não está muito otimista em relação aos próximos meses”, disse. Campelo explicou que os altos índices de inadimplência, de endividamento, recordes das famílias, bem como crescente parcela da renda destinada ao pagamento de dívidas limitam o poder de compra dos consumidores. E isso é sentido nos negócios dos empresários, notou. Essas restrições impactam diretamente a demanda por serviços e o varejo, o que, por sua vez, afeta a confiança nos setores de comércio e indústria, comentou. No entanto, ao ser questionado se o ICE de setembro pode ser uma confirmação de começo de tendência longa de confiança em baixa do empresariado, ele foi cauteloso. O especialista admitiu que a atividade pode continuar caindo, visto que a economia segue desacelerando e obras ligadas ao calendário eleitoral estão diminuindo.
VALOR ECONÔMICO
IPC-S sobe 0,67% em setembro e acumula alta de 3,95% em 12 meses
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) avançou 0,67% em setembro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Em 12 meses, acumula alta de 3,95%.
Em agosto, o indicador caiu 0,37%. Nas prévias de setembro, o IPC-S havia subido 0,51% na primeira, avançado 0,49% na segunda, e tido elevação de 0,52% na terceira. Nesta apuração, das oito classes de despesa componentes do índice, a maior contribuição veio do grupo Alimentação, cuja taxa de variação passou de 0,58% na terceira quadrissemana para 1% na leitura final. Educação, Leitura e Recreação reduziram o ritmo de queda (-1,12% para -0,23%), assim como Transportes (-0,09% para -0,04%), e Habitação subiu mais (1,86% para 1,99%). Despesas Diversas abrandaram a alta (1,02% para 0,08%), mesmo comportamento visto em Saúde e Cuidados Pessoais (0,19% para 0,17%), e Comunicação mudou de rumo (0,21% para -0,02%). O grupo Vestuário repetiu a taxa de variação de 0,30% registrada na última apuração.
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