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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1131 DE 18 DE JUNHO DE 2026

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  • há 8 horas
  • 13 min de leitura

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 5 | nº 1131 | 18 de junho de 2026

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL 

 

Preços do boi gordo recuam

Na região Noroeste do Paraná, o mercado iniciou o dia ofertando R$3,00/@ a menos para o boi gordo e para o “boi China”. Para as demais categorias, houve estabilidade. A oferta de bovinos atendeu à demanda sem aperto, enquanto os compradores demonstraram menor apetite nas aquisições. As escalas de abate atenderam, em média, a 11 dias.

 

Os preços do boi gordo sem padrão-exportação e do “boi-China” recuaram R$ 2/@ na praça de São Paulo, para R$ 348/@ e R$ 353/@, respectivamente (valores brutos, no prazo), segundo apuração da quarta-feira (17/6) da Scot Consultoria, que acompanha diariamente os negócios em mais de 30 regiões brasileiras. Pelo levantamento diário da Agrifatto, das 17 praças monitoradas, as cotações da arroba recuaram em 6 delas: MS, MT, PR, RJ, RS e SC. Nas demais regiões, os preços ficaram estáveis. No dia anterior (16/6), a Agrifatto havia detectado queda em 10 das 17 regiões acompanhadas: SP, AL, GO, MG, MS, MT, PA, PR, RO e SC. Na avaliação da Scot, tanto os frigoríficos de maior porte quanto os menores desaceleraram as compras de boiadas gordas, forçando negócios abaixo das referências. “Essa postura reflete as incertezas do mercado em relação à demanda externa por carne bovina e ao aumento dos excedentes no mercado interno, diante da proximidade do cumprimento da cota de exportação para a China (medida de salvaguarda, que prevê tarifa adicional de 55% após o esgotamento da cota)”, afirma os analistas da Scot. Para a equipe de especialistas da Agrifatto, o mercado físico do boi gordo vive um embate entre a pressão negativa dos frigoríficos e a oferta restrita de animais. 

“Embora as indústrias testem preços menores, a retenção por parte dos pecuaristas e as escalas curtas limitam quedas mais agressivas, mantendo o cenário de incerteza, que é acentuado pela volatilidade na B3”, observa a consultoria. No mercado futuro, que vinha de três dias de perdas expressivas, ensaiou uma alta na terça-feira (16/6), mas abriu majoritariamente em baixa na quarta-feira, embolando o “meio de campo” e elevando a cautela dos agentes, relata a Agrifatto. No pregão da última terça-feira da B3, o vencimento de julho/26 foi o destaque positivo, cotado a R$ 335,80/@, com valorização de 0,55% frente ao fechamento anterior. A proximidade do esgotamento da cota chinesa de importação de carne bovina tem aumentado a cautela de frigoríficos e pecuaristas, gerando dúvidas sobre o comportamento da arroba nos próximos meses. Para César de Castro Alves, consultor do Itaú BBA, o mercado vive uma espécie de “zona cinzenta”, marcada pela falta de visibilidade sobre as exportações para a China, o consumo interno e a capacidade de absorção da oferta prevista para o segundo semestre. Cotações do boi gordo da quarta-feira (17/6), conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: oito dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: oito dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China/Europa: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: sete dias. TOCANTINS: Boi comum: R $ 340,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: sete dias. PARÁ: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: seis dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 340,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: oito dias. Preços brutos do “boi-China” nesta quarta-feira (17/6), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 349,00/@ (à vista) e R$ 353,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 328,50/@ (à vista) e R$ 332,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 344,50/@ (à vista) e R$ 348,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 341,50/@ (à vista) e R$ 345,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 328,50/@ (à vista) e R$ 332,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 349,00/@ (à vista) R$ 353,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 344,50/@ (à vista) e R$ 348,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 341,50/@ (à vista) e R$ 345,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 319,50/@ (à vista) e R$ 323,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 336,50/@ (à vista) e R$ 340,00/@ (prazo). PARANÁ: R$ 341,50/@ (à vista) e R$ 345,00/@ (prazo).

AGRIFATTO/SCOT CONSULTORIA/DBO 

 

SUÍNOS

 

Poder de compra do suinocultor recua e atinge menor nível em mais de dois anos

Queda mais intensa no preço do suíno vivo frente aos insumos pressiona margens em maio.

 

O poder de compra do suinocultor paulista frente ao milho e ao farelo de soja voltou a cair em maio, refletindo principalmente a desvalorização mais intensa do suíno vivo em relação aos principais insumos da atividade. No caso do milho, o recuo já ocorre há oito meses consecutivos, levando o indicador ao menor patamar desde fevereiro de 2023. As informações foram retiradas do Boletim do Suíno, de maio de 2026, divulgado pelo Cepea neste mês de junho. Mesmo com a retração nos preços do cereal e do farelo de soja, a queda mais acentuada no valor do animal comprometeu a capacidade de aquisição do produtor. Na região de Campinas (SP), o suinocultor conseguiu comprar, em média, 3,15 quilos de farelo de soja e 4,94 quilos de milho para cada quilo de suíno vivo comercializado, reduções de 6% e 4,9%, respectivamente, em relação a abril. Na comparação com maio do ano passado, as perdas são ainda mais expressivas: o poder de compra caiu 34% frente ao farelo de soja e 29,5% em relação ao milho. De acordo com dados da Equipe Grãos/Cepea, os preços do farelo de soja recuaram pelo terceiro mês consecutivo. Em maio, o produto foi negociado no mercado de lotes de Campinas (SP) a R$ 1.716,59 por tonelada, queda de 1,6% frente ao mês anterior.

No mercado de milho, a demanda enfraquecida e as estimativas de produção acima do esperado pressionaram as cotações. A saca de 60 quilos registrou média de R$ 65,60 em maio, recuo de 3,1% e segundo mês seguido de baixa. O indicador de poder de compra frente ao milho atingiu o menor nível desde fevereiro de 2023, quando um quilo de suíno vivo permitia a aquisição de 5,39 quilos do cereal. Naquele período, o preço do milho era de R$ 91,78, em valores reais corrigidos pelo IGP-DI de abril de 2026. Segundo o Cepea, o suíno vivo negociado na praça SP-5, que engloba Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba, apresentou queda de 7,9% em maio, com média de R$ 5,46 por quilo. O movimento reforça o cenário de pressão sobre as margens da suinocultura paulista, que segue enfrentando desafios diante da relação desfavorável entre preços do animal e custos de produção.

CEPEA

 

INTERNACIONAL

 

Frigoríficos brasileiros negociam para retomar embarques à Venezuela

Delegação multissetorial, organizada pelo Ministério das Relações Exteriores, está em Caracas nesta semana para reuniões com autoridades e importadores. Exportações de carne à Venezuela estão virtualmente paralisadas desde meados de 2015

 

O Brasil quer retomar as exportações de carne bovina à Venezuela, que já foi um dos principais destinos do produto brasileiro no mercado externo. Nesta semana, uma delegação multissetorial, organizada pelo Ministério das Relações Exteriores, está em Caracas para discutir o assunto com autoridades e importadores locais. As exportações de carne à Venezuela estão virtualmente paralisadas desde meados de 2015, quando o forte declínio dos preços do petróleo e o início das sanções dos Estados Unidos acentuaram a crise da economia venezuelana. No auge, em 2014, os embarques de carne brasileira à Venezuela somaram 160 mil toneladas e renderam US$ 852 milhões. A agenda, que começou ontem, prevê reuniões de negócios entre empresas dos dois países, nas quais os participantes vão discutir oportunidades comerciais e de investimentos. A indústria brasileira avalia que a retomada gradual da atividade econômica na Venezuela pode criar condições para a demanda por carne bovina recuperar ao longo dos próximos anos. A persistência da crise econômica e o baixo consumo de carne no país são duas barreiras que a indústria brasileira terá que enfrentar para voltar a ganhar espaço. Antes de 2015, cada venezuelano consumia 21 quilos de carne bovina por ano, em média. O consumo per capita despencou nos anos seguintes, e, em 2019, era de apenas três quilos por pessoa. A média cresceu desde então, mas ainda é de apenas nove quilos per capita. No Brasil, para efeito de comparação, a média anual é de 35 quilos. Quase 80 frigoríficos brasileiros têm habilitação para exportar carne bovina para a Venezuela. Segundo o Agrostat, plataforma do Ministério da Agricultura que reúne estatísticas sobre comércio exterior, entre 2016 e 2026, a Venezuela importou 25,3 mil toneladas de carne brasileira.

VALOR ECONÔMICO

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ

 

Receitas da agropecuária caem em 2026, após sete anos em alta

Com a retração dos preços, Valor Bruto de Produção diminui para R$ 1,42 trilhão. Lavouras, com previsão de queda de 6%, terão redução maior do que a da pecuária

 

O VBP (Valor Bruto da Produção) agropecuária brasileira, depois de sete anos em alta, terá a primeira queda nesta safra 2025/26. Apesar do recorde que será atingido em volume, os preços médios de negociação perderam força neste ano, conforme estimativas da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). O Ministério da Agricultura estima um VBP de R$ 1,42 trilhão para este ano, 4,6% a menos do que em 2025. Até mesmo a soja, que teve uma safra recorde de 180 milhões de toneladas, perde 1% nas receitas obtidas dentro da porteira. A queda de receita ocorre tanto na lavoura como na pecuária. Na agricultura, o valor de produção cai para R$ 909 bilhões, 6% a menos do que no período anterior; na pecuária, recua para R$ 510 bilhões, 2,2% a menos. O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), entidade ligada à Esalq, e que acompanha os preços no campo, aponta as principais quedas no setor. Importante nessa conta, o arroz, apesar de uma safra menor neste ano, voltou a ter uma tendência de queda nos preços. Essa queda é ajudada pelo varejo, que diminui as compras, uma vez que encontra dificuldades na venda do cereal. O VBP do arroz retrocede para R$ 15,1 bilhões neste ano, 30% a menos do que o de 2025. O café, em vista da maior oferta mundial e das perspectivas de safra recorde no Brasil, tem forte queda de preços, e o VBP do setor recua para R$ 110 bilhões, 8% a menos. As recentes chuvas em parte das áreas da produção nacional colocam em dúvidas o volume a ser produzido, o que pode mudar os preços médios. A cana-de-açúcar, terceiro principal produto em receitas, também rende menos neste ano. A maior oferta internacional de açúcar derruba os preços internacionais, afetando o mercado interno. As receitas com a cana devem ficar em R$ 111 bilhões, 9% a menos. O milho vem com preços baixos desde o ano passado, e a previsão de uma boa safrinha, que já está sendo colhida, segura ainda mais os valores de negociações do cereal. Nos cálculos do Ministério da Agricultura, o VBP do milho retrocede para R$ 162 bilhões, 6% a menos. Na pecuária, o ritmo de produção continua acelerado neste ano, mas a forte demanda pelo mercado externo dá suporte aos preços. A produção de carne bovina atingiu o maior patamar em um primeiro trimestre neste ano, o mesmo ocorrendo com as de frango e de suínos. O mercado externo, no entanto, dá suporte aos preços. As receitas previstas para a pecuária bovina são de R$ 249 bilhões neste ano, 9% acima das de 2025. Já os segmentos de frango e de carne suína terão recuos de 10% e 20%, respectivamente. A exportação de carne bovina aumentou 15% de janeiro a maio; a de frango, 8,7%, e a suína, 5%. O VBP acompanha 17 produtos na área agrícola e cinco na de pecuária. As estimativas de receitas são com base no volume de produção e perspectivas de preços obtidos pelos produtores dentro da porteira.

FOLHA DE SP

 

ECONOMIA

 

Dólar sobe a R$5,0894 após nova pesquisa eleitoral e antes de decisões sobre juros

O dólar fechou a terça-feira em alta ante o real, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha cedido ante outras divisas de países emergentes, com investidores à espera das decisões sobre juros no Brasil e nos EUA e repercutindo nova pesquisa eleitoral CNT/MDA.

 

O dólar à vista fechou o dia com alta de 0,45%, aos R$5,0894. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 7,28% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para julho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,56% na B3, aos R$5,1040. O acordo preliminar assinado por Estados Unidos e Irã na segunda-feira seguiu permeando os negócios na terça-feira, mas não foi suficiente para segurar o dólar no território negativo no Brasil. O viés de alta para a moeda norte-americana foi reforçado no fim da manhã, após divulgação de pesquisa mostrando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu vantagem de 12,5 pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial de outubro. Lula tem 49,3% das intenções de voto, ao passo que Flávio soma 36,8%, conforme pesquisa do instituto MDA, contratado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). No levantamento anterior, de abril, o atual presidente tinha 44,9%, ante 40,2% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda que a campanha eleitoral não tenha começado oficialmente, os mercados no Brasil têm reagido negativamente a algumas pesquisas que indicam chances maiores de Lula vencer a eleição. Por trás disso está a leitura de uma parcela dos agentes de que o controle fiscal seria mais frouxo em um novo governo Lula. Na terça-feira, investidores também se prepararam para a decisão de política monetária do Federal Reserve, na quarta-feira à tarde, e do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, no início da noite.

Enquanto a expectativa no caso do Fed é de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75%, os agentes estão divididos em relação ao Copom, entre novo corte de 25 pontos-base da Selic ou manutenção da taxa em 14,50%.

REUTERS

 

Ibovespa recua e fecha abaixo de 170 mil pontos pressionado por Petrobras

O Ibovespa fechou com declínio modesto na terça-feira, ditado principalmente pela queda das ações da Petrobras, em mais uma sessão de recuo dos preços do petróleo no exterior. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,45%, a 169.648,47 pontos, após marcar 169.121,31 pontos na mínima e 170.415,52 pontos na máxima do dia. 

 

O volume financeiro no pregão somou R$27,94 bilhões. Na visão do sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, a performance do Ibovespa refletiu uma combinação de cautela antes das decisões de juros nos Estados Unidos e Brasil na quarta-feira com a queda dos preços do petróleo. O barril de petróleo sob o contrato Brent fechou em queda de 5,1%, a US$78,96, em meio a expectativas para a normalização do transporte no Estreito de Ormuz, após acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã. Os EUA também permitirão que o Irã comece a vender petróleo e combustível imediatamente após a assinatura da versão final do acordo, de acordo com uma autoridade norte-americana de alto escalão. O Banco Central também anuncia decisão sobre juros na quarta-feira, com a maioria das apostas na direção de mais um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa Selic para 14,25% ao ano.  O cenário base da equipe de pesquisa macroeconômica do BTG Pactual é de um último corte de 0,25 pontos, seguido de estabilidade até o fim de 2026. Em relação à comunicação, equipe do BTG disse esperar que o Comitê de Política Monetária (Copom) preserve a opcionalidade para as próximas reuniões, mas aumente a barra para a continuidade do ciclo. "A semana começou com o Ibovespa novamente pressionado e cada vez mais perto do suporte de 168.100 pontos", destacaram analistas do Itaú BBA no relatório Diário do Grafista. "Esse é um patamar perigoso para o índice, pois, abaixo dele, a tendência de médio prazo para o Ibovespa ficará ameaçada, o que trará um viés mais negativo para o segundo semestre de 2026." De acordo com os analistas do Itaú BBA, para sair dessa tendência de baixa e retornar a um cenário neutro, o Ibovespa precisará superar a região dos 174.900 pontos

REUTERS

 

IGP-10 tem queda de 0,3% em junho impulsionado por deflação para produtor, mostra FGV

O IGP-10 (Índice Geral de Preços-10) registrou queda inesperada de 0,30% em junho, depois de ter avançado 0,89% no mês anterior, influenciado principalmente pela deflação nos preços ao produtor.

 

Com isso, o IGP-10 passa a acumular em 12 meses avanço de 2,15%, de acordo com os dados divulgados pela FGV (Fundação Getulio Vargas) na terça-feira (16). A expectativa em pesquisa da Reuters era de alta de 0,34% no mês. O IPA-10 (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que mede a variação dos preços no atacado e responde por 60% do índice geral, teve recuo de 0,71% em junho, depois de avançar 0,95% no mês anterior. O IPC-10 (Índice de Preços ao Consumidor), que responde por 30% do índice geral, registrou alta de 0,56% no mês, e o INCC-10 (Índice Nacional de Custo da Construção), por sua vez, subiu 0,92% em junho. Segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE, destacaram-se quedas dos preços de commodities relevantes como café, cana-de-açúcar e combustíveis, "refletindo um cenário de acomodação nos preços internacionais e normalização de oferta", disse. "Por outro lado, houve pressões pontuais de alta em itens agrícolas como batata-inglesa e feijão, associadas a fatores sazonais de oferta", completou.

REUTERS

 

Varejo recua mais que o esperado, mas expectativa ainda é de desaceleração lenta, dizem economistas

Disseminação de variações negativas entre os segmentos varejistas em abril indicou, segundo os especialistas, a já esperada perda de fôlego da atividade no segundo trimestre 

 

O volume de vendas do varejo no país teve queda maior que a esperada em abril, ante março, mas tem base de comparação alta, após atingir nível recorde no primeiro trimestre do ano. A disseminação de variações negativas entre os segmentos varejistas mostra, para economistas, a já esperada perda de fôlego da atividade no segundo trimestre. A perspectiva de desaceleração gradual, sem movimentos bruscos, está mantida, com um comércio que deve ter comportamento oscilante nos próximos meses, sob o embate de fatores como juros, inflação, incertezas domésticas e externas, mercado de trabalho ainda relativamente aquecido e estímulos do governo em ano de eleições. O volume de vendas no varejo restrito caiu 1,5% em abril, ante março, com ajuste sazonal, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira (16). Em março, o comércio restrito tinha avançado 0,7%, em dado revisado após divulgação de alta de 0,5%. O resultado de abril ante março veio menor que a mediana estimada pelo Valor Data, apurada junto a 18 consultorias e instituições financeiras, que era de queda de 0,6%. O intervalo das projeções ia de queda de 1,6% a alta de 0,3%. O volume de vendas no varejo ampliado, que inclui veículos e motos, partes e peças, material de construção e atacarejo, também teve queda em abril ante março, de 0,7%. Os analistas de 18 bancos e consultorias esperavam alta de 0,2%, segundo a mediana do Valor Data. O desempenho do volume de vendas do varejo no país em abril interrompe um ciclo de três meses de crescimento que havia levado o índice a nível recorde, e devolve o patamar dessazonalizado ao nível de janeiro, indicando desaceleração no começo do segundo trimestre para o comércio, diz Leonardo Costa, economista do ASA. “A queda disseminada entre atividades e regiões aponta para uma perda de fôlego do consumo doméstico.” Pela PMC, as vendas do comércio recuaram em abril, na variação mensal, em seis das oito atividades pesquisadas no varejo restrito. Os destaques negativos foram combustíveis e lubrificantes (-6,2%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (-4,6%); equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-4,5%); móveis e eletrodomésticos (-0,8%); tecidos, vestuário e calçados (-0,1%); e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-0,1%). Registraram crescimento hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,3%) e livros, jornais, revistas e papelarias (1,1%). No comércio varejista ampliado, o grupo de veículos e motos, partes e peças registrou queda (-0,7%) assim como material de construção (-3,6%). Cristiano Santos, gerente do IBGE responsável pela PMC, destaca que, além da base de comparação elevada, o resultado de abril também tem influência de estabilidade em renda e crédito. “Não há crescimento nem no crédito nem no rendimento e nem no número de pessoas ocupadas. Esses são os três fatores principais”, completou.

VALOR ECONÔMICO

 

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