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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1122 DE 05 DE JUNHO DE 2026

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Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 5 | nº 1122 | 05 de junho de 2026

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL 

 

 “Boi-China” sobe R$ 3/@ em SP

Os avanços nos preços, diz a Scot, refletem a tentativa dos frigoríficos em alongar as escalas de abate e a expectativa de aquecimento da demanda doméstica pela carne bovina. No Paraná: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. Boi China: PARANÁ: R$ 343,50/@ (à vista) e R$ 347,00/@ (prazo)

 

Depois de identificar, na terça-feira (2/6), aumento de R$ 2/@ nos preços das fêmeas gordas em São Paulo, a Scot Consultoria apurou, na quarta-feira (3/6), elevação nas cotações dos machos terminados na mesma região. Pelos dados da consultoria, o boi gordo sem padrão-exportação registrou alta diária de R$ 2/@ na praça paulista, fechando o dia em R$ 349/@, enquanto o “boi-China” teve acréscimo de R$ 3/@, encerrando em R$ 355/@ (valores brutos, no prazo). Os avanços, diz a Scot, refletem a tentativa dos frigoríficos em alongar as escalas de abate e a expectativa de aquecimento da demanda doméstica pela carne bovina ao longo da primeira quinzena de junho, quando os consumidores estão mais capitalizados devido ao pagamento dos salários neste início do mês. Além disso, junho marcará o início da Copa do Mundo, evento que impulsiona a busca dos torcedores brasileiros por cortes bovinos para churrascos, de longe os mais demandados em eventos comemorativos entre amigos e familiares. Segundo relatos da Agrifatto, a menor disponibilidade de animais prontos para abate, sobretudo com o esgotamento gradual da oferta vinda das pastagens, reduziu a margem de conforto das indústrias na composição das escalas de abate e reforçou a percepção de que a arroba encontrou um patamar mais consistente de sustentação. “A oferta de bovinos atende à demanda dos frigoríficos, mas sem excedentes capazes de pressionar as cotações para baixo”, observa a Agrifatto, referindo-se ao comportamento do mercado do boi gordo não só em São Paulo, mas nas outras principais praças do País. A consultoria relata ainda que o bom desempenho das exportações brasileiras de carne bovina também ajuda a dar suporte aos preços da arroba. No mercado futuro, os contratos do boi gordo negociados na B3 encerraram a terça-feira (2/6) em terreno positivo. Entre os vencimentos, o papel para junho/26 apresentou o melhor desempenho, fechando a sessão a R$ 352,25/@, com acréscimo e 0,84% em relação ao pregão anterior. Cotações do boi gordo, conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: oito dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: nove dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: sete dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China/Europa: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: oito dias. TOCANTINS: Boi comum: R $ 335,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: oito dias. PARÁ: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: sete dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 340,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: nove dias. MARANHÃO: Boi: R$ 340,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: oito dias. Preços brutos do “boi-China”, de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 351,00/@ (à vista) e R$ 355,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 321,50/@ (à vista) e R$ 325,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 345,00/@ (à vista) e R$ 349,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 344,00/@ (à vista) e R$ 348,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 323,50/@ (à vista) e R$ 327,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 349,00/@ (à vista) R$ 353,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 336,50/@ (à vista) e R$ 340,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 313,50/@ (à vista) e R$ 317,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 332,50/@ (à vista) e R$ 336,00/@ (prazo).

AGRIFATTO/SCOT CONSULTORIA/DBO

 

Exportações de carne bovina superam US$ 1,7 bilhão e crescem 50,2% em maio

Avanço no volume embarcado e com valorização de 25% no preço médio da tonelada movimentada

 

As exportações brasileiras de carne bovina in natura ganharam força em maio de 2026 e ultrapassaram a marca de US$ 1,7 bilhão. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Mdic, a receita somou US$ 1,704 bilhão no período, resultado 50,2% superior ao registrado em maio de 2025, quando os embarques geraram US$ 1,134 bilhão. O crescimento também aparece na média diária da receita. Em maio deste ano, as exportações movimentaram a média diária de US$ 85,2 milhões frente aos US$ 54 milhões observados no mesmo mês do ano passado. O volume exportado alcançou 261,9 mil toneladas em maio de 2026. No mesmo período de 2025, os embarques haviam totalizado 218 mil toneladas. Na média diária, as exportações passaram de 10,4 mil toneladas para 13,1 mil toneladas. Outro destaque do levantamento da Secex foi a evolução do preço médio da carne bovina exportada. Em maio de 2026, a tonelada foi negociada a US$ 6.505. No mesmo mês do ano passado, o valor médio havia sido de US$ 5.202 por tonelada. A diferença representa uma valorização de 25% na comparação.

SECEX/MDIC

 

SUÍNOS

 

Suínos/ABPA: reconhecimento da China pode impulsionar exportações do Brasil em 40 mil t

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebrou, em nota oficial, o anúncio do governo da China que reconheceu todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação.

 

Segundo projeções técnicas da entidade, a expansão desse status sanitário para Estados que têm plantas frigoríficas já habilitadas deve representar um incremento superior a 40 mil toneladas anuais nos embarques brasileiros de carne suína destinados ao mercado chinês, com reflexos positivos na geração de empregos e divisas. O presidente da ABPA, Ricardo Santin, avaliou que a medida valida a robustez do sistema de defesa agropecuária nacional e consolida a confiança construída entre os dois países. Com a nova resolução, os Estados do Rio Grande do Sul (com 8 plantas habilitadas) e de Mato Grosso (com 1 planta) passam a contar imediatamente com as mesmas prerrogativas de exportação anteriormente restritas a Santa Catarina (que possui 7 plantas), ficando autorizados a embarcar miúdos externos (como pé e orelha) e carne com osso. A decisão de Pequim atende a um pleito brasileiro formalizado após o País obter, em junho do ano passado, o status de território livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), e soma-se à homologação de risco negligenciável para a Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), o “mal da vaca louca”, anunciada em fevereiro. A China permanece como o principal destino das proteínas brasileiras. Conforme dados consolidados do sistema de estatísticas Agrostat, os embarques totais de carnes suína, bovina e de frango para o mercado chinês somaram 2,057 milhões de toneladas em 2025, gerando uma receita de US$ 9,815 bilhões.

BROADCAST

 

Preços de cortes suínos variam e toucinho dispara frente ao suíno vivo

Dados da APCS mostram valorização expressiva do toucinho e movimentação de R$ 131,2 milhões nas compras da CSP até maio

 

Os preços dos principais cortes suínos seguem em patamares variados no mercado paulista, com destaque para a valorização do toucinho em comparação ao suíno vivo. Levantamento divulgado na última terça-feira (02) pela Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), com base no Informativo do Consórcio Suíno Paulista referente até maio de 2026, aponta que, no período, o quilo do toucinho alcança R$ 22,85, enquanto o suíno vivo é cotado a R$ 5,33/kg, evidenciando um descolamento relevante entre os dois indicadores. A comparação histórica reforça esse movimento. Em 1995, o quilo do suíno vivo era comercializado a R$ 3,50, valor próximo ao do toucinho naquele período. Ao longo das décadas, no entanto, o derivado ganhou maior valorização, acumulando crescimento significativamente superior ao do animal vivo, segundo os dados apresentados pela entidade. No varejo, os preços dos cortes refletem essa dinâmica. A bisteca suína aparece a R$ 16,95/kg, enquanto a copa lombo com osso é comercializada a R$ 19,58/kg e a versão sem osso chega a R$ 22,99/kg. A costela suína atinge R$ 24,99/kg, e o lombo é encontrado a R$ 27,99/kg. Entre os itens com menor valor, o pé suíno está cotado a R$ 12,25/kg, seguido do pernil com osso a R$ 13,59/kg e da orelha a R$ 14,05/kg. Já o pernil sem osso é vendido a R$ 16,98/kg, enquanto a panceta figura entre os cortes mais valorizados, com preço de R$ 29,19/kg. Além da valorização de produtos específicos, os dados da APCS também mostram o ritmo de compras da cadeia produtiva. Segundo o informativo até maio de 2026, a Central de Suínos Paulista (CSP) movimentou R$ 131,2 milhões nos primeiros cinco meses do ano. O desempenho mensal indica oscilações ao longo do período, com R$ 28,1 milhões em janeiro, R$ 19,6 milhões em fevereiro, R$ 29,0 milhões em março, R$ 24,8 milhões em abril e R$ 29,5 milhões em maio. A entidade destaca ainda o papel da CSP na organização do setor. Atualmente, a central praticamente concentra a aquisição de todos os produtos utilizados nas granjas dos consorciados, que juntos somam um plantel de aproximadamente 55 mil matrizes. O modelo é apontado como exemplo de transparência e organização, contribuindo para a eficiência das operações e para a consolidação de um sistema considerado bem-sucedido dentro da suinocultura paulista. O volume financeiro consolidado e a estrutura de compras reforçam a importância do setor no estado, em um cenário marcado por diferenças significativas entre matéria-prima e produtos derivados. Para a APCS, a evolução dos preços ao longo dos anos, especialmente no caso do toucinho, ilustra mudanças estruturais na demanda e no aproveitamento da cadeia, com impactos diretos sobre produtores, indústria e consumidores.

APCS


INTERNACIONAL

 

Exportações de carne bovina da Austrália para a China praticamente param após ameaça de tarifa de 55%

As exportações de carne bovina da Austrália para a China praticamente chegaram a uma paralisação nas últimas semanas, à medida que o setor se aproxima rapidamente do acionamento de uma tarifa adicional de 55% sobre os embarques que excederem a cota anual estabelecida pelo governo chinês.

 

A medida, anunciada pela China em 1º de janeiro de 2026, estabeleceu uma cota de 205 mil toneladas para a carne bovina australiana. Uma vez ultrapassado esse volume, todas as importações adicionais passam a pagar uma tarifa de 55% até o final do ano. O volume permitido representa cerca de dois terços do total exportado pela Austrália para a China em 2025. O Brasil, principal concorrente da Austrália no mercado chinês, também enfrenta em 2026 um sistema semelhante de cota e tarifa, criado por Pequim com o objetivo de proteger a indústria doméstica de carne bovina diante do crescimento das importações. Dados divulgados pela consultoria Expana mostram que a Austrália atingiu 90% da cota anual em 1º de junho. O ritmo de embarques acelerou significativamente à medida que o limite se aproximava. Segundo os dados, foram necessários apenas 17 dias para o país passar de 80% para 90% do volume autorizado. Antes disso, foram necessários 51 dias para avançar de 50% para 80% da cota. Com cargas já embarcadas por navio ou em trânsito por transporte aéreo, os exportadores acreditam que os 10% restantes serão rapidamente preenchidos. Na prática, isso significa que o acesso livre de tarifas ao mercado chinês está praticamente encerrado para este ano. Segundo um importante frigorífico exportador do sul da Austrália, poucos operadores estão dispostos a continuar enviando carne para a China neste momento. “Ninguém colocará carne em um navio para a China a partir desta semana”, afirmou o executivo ao Beef Central.

A justificativa é simples: considerando o tempo de viagem, que varia entre duas e três semanas, a mercadoria chegaria à China quando a cota já estivesse esgotada, passando automaticamente a sofrer a incidência da tarifa de 55%, o que elevaria drasticamente o custo final do produto. O setor já começa a ajustar os preços diante dessa nova realidade. Algumas operações ainda podem ocorrer após a entrada em vigor da tarifa, especialmente quando exportadores e importadores concordarem em dividir parte do impacto financeiro.

Segundo o exportador, alguns produtos considerados estratégicos para o mercado chinês podem continuar sendo comercializados, embora em volumes muito menores. “Peças como peito bovino e ossos, que a China procura constantemente, podem continuar entrando mesmo com a tarifa. Mas os volumes serão bem menores por causa do aumento dos preços”, explicou.

Outro grande exportador australiano afirmou que sua empresa não pretende compartilhar os custos da tarifa com clientes chineses. “Essa é uma tarifa aplicada aos importadores, não aos exportadores”, declarou. Segundo ele, cada frigorífico poderá adotar estratégias próprias de negociação com seus clientes, mas sua empresa não discutiu qualquer mecanismo de compensação tarifária durante a recente feira SIAL, realizada em Xangai. A expectativa é que ocorra uma interrupção temporária no fluxo comercial. Entretanto, caso os estoques chineses de carne australiana comecem a diminuir ao longo do segundo semestre, algumas negociações poderão ser retomadas no terceiro ou quarto trimestre. O fechamento efetivo do mercado chinês já está provocando impactos imediatos e, em alguns casos, bastante significativos nos preços da carne bovina no mercado atacadista australiano. Os reflexos são mais evidentes em cortes tradicionalmente direcionados à China, que começam a se acumular no mercado doméstico. Fontes do setor relatam que cortes resfriados de animais terminados em confinamento, como filé-mignon, contrafilé e porterhouse, registraram quedas de preço entre 15% e 20% no atacado australiano. Segundo um trader de carnes de Brisbane, a redução está diretamente relacionada à perda do mercado chinês. “Existem ofertas de carne para entrega imediata sendo negociadas com descontos bastante significativos. Dependendo do corte, especialmente os cortes do lombo, as quedas chegam a 15% ou 20%”, afirmou. Embora outros fatores também influenciem o mercado, ele acredita que o fechamento do acesso à China seja o principal motivo da pressão sobre os preços. Além da questão chinesa, o setor enfrenta outros desafios. A Austrália já utilizou cerca de 88% de sua cota de exportação para a Coreia do Sul em 2026. Soma-se a isso o cenário geopolítico internacional e a expectativa de que o Brasil também esgote sua própria cota de exportação para a China nos próximos meses. Na avaliação do mercado, compradores de países como Estados Unidos e Japão já começam a adotar uma postura cautelosa. Esses clientes acreditam que a menor demanda chinesa poderá gerar uma oferta maior de carne australiana disponível para outros destinos, favorecendo preços mais baixos. Uma expectativa existente entre exportadores era que a China voltasse a realizar grandes compras de carne australiana no final do ano para formar estoques antes da eliminação da tarifa em 1º de janeiro de 2027. No entanto, especialistas em acesso a mercados explicaram que as regras chinesas para armazenagem alfandegada de carnes são muito mais restritivas do que as adotadas por outros países. Segundo essas regras, somente produtos que chegarem ao país aproximadamente duas semanas antes da retirada da tarifa poderão ser colocados nesses estoques especiais. Na prática, isso limita fortemente a possibilidade de antecipação das compras durante o quarto trimestre. Além disso, a Austrália possui capacidade limitada de armazenamento refrigerado para manter grandes volumes de carne estocados até o início do próximo ano. “Seria necessário muito capital de giro para comprar grandes quantidades de carne e deixá-las armazenadas em câmaras frias por meses esperando uma oportunidade futura de venda”, explicou uma fonte ligada ao setor de acesso a mercados.

O cenário reforça o descompasso que começa a surgir entre os preços historicamente elevados pagos pelo gado para abate e o enfraquecimento observado nos mercados de carne.

BEEF CENTRAL

 

MEIO AMBIENTE

 

Certificação de carne bovina sem desmatamento: Imaflora formaliza acordo com importadores chineses

Importadores assinam carta de interesse e serão os primeiros a pilotar o padrão de certificação Beef on Track (BoT)

 

Tianjin é uma importante cidade portuária chinesa e recebe parcela significativa da carne bovina brasileira importada pela China. A partir de agora, Tianjin será protagonista do projeto piloto de implementação da certificação Beef on Track (BoT), a primeira a atestar o monitoramento e a conformidade socioambiental da carne bovina brasileira. “Assinamos na quarta-feira (3/6) com a Tianjin Meat Association (TMA) a carta que dá início à parceria para testar a certificação BoT na China. Avançamos ainda na negociação com uma auditoria chinesa, chamada Chinese Quality Mark Certification Group (CQM), responsável pela verificação da cadeia de custódia dos produtos passíveis de certificação”, explicou, em nota, Marina Guyot, diretora de Clima e Desmatamento Zero do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), criador do selo BoT.  “Utilizando o desenvolvimento verde e sustentável como ponte, buscamos aprofundar a cooperação entre as indústrias de carne da China e do Brasil. Da logística da cadeia de suprimento refrigerada ao acesso ao mercado, dos padrões de qualidade aos canais comerciais, cada interação reflete nosso compromisso compartilhado de viabilizar a circulação bidirecional de produtos cárneos de alta qualidade”, declarou Xing Yanling, presidente da TMA. A formalização do acordo aconteceu durante a Tianjin International Shipping Industry Expo, evento voltado à logística portuária, no qual a importação de carne se insere. Outros oito importadores de carne bovina também foram signatários dessa carta de interesse: PICC Property and Casualty Company Limited – Tianjin Branch; CAWM (Tianjin) Cold Chain Logistics Co., Ltd.; TedaHang (Tianjin) Cold Chain Logistics Co., Ltd.; ADP International Logistics Group; Yinkai International Freight Agency (Tianjin) Co., Ltd.; Shunfeng Wagyu (Tianjin) International Trade Co., Ltd.; Tianjin Xinjian Food Trade Co., Ltd.; e Zhonggong Huamu (Tianjin) Food Co., Ltd. Segundo o comunicado à imprensa, na visita ao país, o Imaflora deu outro passo importante para a disseminação do selo BoT junto a compradores chineses, como o Dahe Holding Group, com uma apresentação do sistema de certificação a importadores da província de Henan, um dos principais hubs de distribuição de carne no país, igualmente interessados em adotar o selo BoT. De acordo com o Imaflora, o Brasil dispõe de 2,1 milhões de toneladas de carne que atendem aos requisitos do Termo de Ajustamento de Conduta da Carne na Amazônia Legal (o TAC Carne Legal), com maiores concentrações em Mato Grosso e Pará. Apoiadora de primeira hora do BoT, a TMA havia anunciado, já no lançamento do sistema, a intenção de comprar até 50 mil toneladas da carne certificada ao longo de 2026. “Ela agora está se preparando para cumprir o prometido e mostra disposição de negociar junto aos seus clientes locais um prêmio adicional de até 10% para a carne certificada nos níveis mais avançados do BoT”, explica Guyot. Na avaliação do instituto, o efeito esperado do pagamento desse prêmio é que ele alavanque um movimento semelhante ao desencadeado pelo “boi-China”, que, no início da década de 2020, impulsionou uma verdadeira revolução ao oferecer pagamento diferenciado pelo gado rastreável e abatido antes de 30 meses.

ASCOM IMAFLORA

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ

 

Atualização constante é requisito para permanecer competitivo na suinocultura, afirma presidente da Frimesa

Elias Zydek destaca que o Congresso de Suinocultores do Paraná vai oferecer aos produtores acesso a informações estratégicas para decisões mais assertivas dentro e fora da granja.

 

A atualização constante de informações técnicas e de mercado tornou-se um dos principais fatores para a competitividade da suinocultura. Em um setor que convive com desafios sanitários, oscilações cambiais, custos elevados de produção e exigências crescentes dos consumidores, a capacidade de tomar decisões rápidas e bem fundamentadas pode definir os resultados da atividade. Presidente executivo da Frimesa, Elias José Zydek: “Os eventos técnicos trazem informações atualizadas que orientam decisões mais assertivas em toda a cadeia produtiva e proporcionam uma importante troca de experiências entre seus integrantes” Esse será um dos focos do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, promovido pelo Jornal O Presente Rural em parceria com a Frimesa. O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Para o presidente executivo da Frimesa, Elias José Zydek, o principal diferencial do Congresso está justamente na proximidade entre quem produz, quem industrializa e quem acompanha diariamente as transformações do mercado. “É um evento diferente por duas grandes razões. Primeiro porque procura ter contato direto com o produtor e com toda a cadeia produtiva, discutindo os problemas e desafios nas áreas de tecnologia, sanidade, manejo e, principalmente, mercado. O produtor precisa estar próximo do que o mercado está querendo”, ressalta.

Segundo Zydek, o segundo diferencial está relacionado à qualidade e à atualidade das informações compartilhadas. “A informação é hoje o maior insumo de qualquer gestão e de qualquer negócio. Como ela muda rapidamente, é preciso estar sempre atualizado. É uma oportunidade que ninguém deveria perder. É o momento de debater, dar opinião, ouvir e participar”, salienta. Ao analisar os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura, Zydek destaca que os gargalos estão distribuídos dentro e fora da propriedade rural. “Dentro da porteira, o principal desafio está na eficiência produtiva associada ao bem-estar animal e à biosseguridade. O produtor precisa de escala e modernização tecnológica para diluir custos, mas enfrenta dificuldades relacionadas à sucessão familiar e aos altos investimentos exigidos pela atividade”, explica. Fora da granja, os desafios passam principalmente pela logística e pelos custos de produção. “A infraestrutura logística e a dependência do milho e da soja são fatores importantes para a competitividade da cadeia. Além disso, as barreiras sanitárias internacionais exigem que o Paraná mantenha seu status sanitário com extremo rigor”, enfatiza. Na avaliação do executivo, uma das decisões mais críticas para a competitividade da cadeia está ligada ao comportamento do mercado internacional. Hoje, aproximadamente um quarto de toda a produção brasileira de carne suína depende das exportações para equilibrar oferta e demanda. “O Brasil precisa exportar cerca de 25% da sua produção. Nessa situação, o câmbio é determinante. Quando o dólar fica abaixo de R$ 5,20, a exportação torna-se inviável, aumenta a oferta no mercado interno e os preços acabam caindo”, afirma. De acordo com Zydek, compreender essa dinâmica é fundamental para que produtores e empresas consigam planejar seus investimentos e suas estratégias de produção. O presidente executivo da Frimesa também destaca o papel das cooperativas na evolução técnica da atividade. Para ele, a sanidade permanece como a base de toda a cadeia produtiva. “A sanidade é sempre determinante. Sem ela não se alcança produtividade, padronização e nem mercado”, observa. Além disso, Zydek avalia que ainda existe espaço para avanços importantes em áreas estratégicas da produção. “A busca por melhorias na conversão alimentar, prolificidade e redução da mortalidade deve ser contínua. Esse processo de melhoria permanente é um dos papéis mais importantes das cooperativas”, afirma. Quando o assunto é mercado, Zydek acredita que os produtores precisam ampliar a compreensão sobre os fatores que influenciam os preços e a rentabilidade da atividade. “O resultado da cadeia de produção de suínos está no equilíbrio entre oferta e demanda. O mais importante é organizar a produção para controlar a oferta. Isso exige informações precisas, ações consistentes e acompanhamento permanente da demanda mundial”, destaca. Segundo ele, eventos técnicos como o Congresso de Suinocultores do Paraná ajudam justamente a aproximar os produtores dessas informações e permitem a troca de experiências entre todos os elos da cadeia. “Os eventos técnicos trazem informações atualizadas que orientam decisões mais assertivas em toda a cadeia produtiva e proporcionam uma importante troca de experiências entre seus integrantes”, evidencia.

O PRESENTE RURAL

 

ECONOMIA

 

Dólar tem alta firme antes de feriado no Brasil em dia de tensão no Oriente Médio

O dólar fechou a quarta-feira pré-feriado em alta firme ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior após novos ataques de EUA e Irã no Oriente Médio.

 

Entre as moedas negociadas globalmente, o real foi a que teve pior desempenho, com as cotações refletindo também a busca pela segurança do dólar antes do feriado de Corpus Christi e o mal-estar com a nova ameaça tarifária ao Brasil. O dólar à vista encerrou com alta de 1,12%, aos R$5,0661. No ano, passou a acumular baixa de 7,70% ante o real. Às 17h05, o dólar futuro para julho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 1,12% na B3, aos R$5,0975. Os EUA dispararam um míssil na terça-feira contra um navio-tanque que se dirigia ao Irã, enquanto as forças iranianas lançaram dois mísseis contra o Kuweit e três contra o Barein, que não atingiram seus alvos, conforme fontes norte-americanas. As dúvidas sobre um possível acordo entre Irã e EUA deram força ao dólar ante quase todas as demais divisas, incluindo pares do real como o peso chileno, o rand sul-africano e a rupia indiana. No Brasil, as cotações aceleraram à tarde em meio ao noticiário sobre as tarifas comerciais. Após o Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) defender uma cobrança de 25% sobre várias exportações brasileiras, o órgão propôs uma tarifa adicional de 10% ou 12,5% sobre vários países, incluindo o Brasil, por falhas no combate ao trabalho forçado. No caso brasileiro, a tarifa seria de 12,5%.

Ainda que as tarifas ainda precisem de aprovação, a percepção mais geral entre os agentes foi negativa, poucos dias depois de os EUA também designarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Após marcar a cotação mínima de R$5,0119 (+0,04%) às 9h03, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,0917 (+1,63%) às 15h38, com os investidores se posicionando antes do feriado de quinta-feira, quando o mercado brasileiro estará fechado. Durante a sessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o anúncio de tarifas, após ter lançado na véspera uma ofensiva para colar na família Bolsonaro a culpa pela deterioração das relações entre Brasil e EUA. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado, é atualmente visto como o principal adversário de Lula na disputa pelo Planalto. Os anúncios sobre as organizações criminosas e sobre as novas tarifas ocorreram após encontro recente de Flávio com Trump, em Washington. À tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$743 milhões em maio.

REUTERS

 

Ibovespa fecha em forte queda com aversão a risco global

O Ibovespa fechou em forte queda na quarta-feira, embalado pela maior aversão aos ativos de risco nos mercados globais após novos ataques envolvendo os Estados Unidos e o Irã no Oriente Médio, pressionando os preços do petróleo e as perspectivas para a inflação.      

 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 2,21%, a 170.348,44 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 170.007,55 na mínima e 174.192,19 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão somava R$25,3 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

 

Produção industrial no Brasil cresce mais que o esperado em abril com impulso de petróleo em meio à guerra

A indústria brasileira marcou em abril o quarto mês consecutivo de alta e o melhor resultado para o mês em 13 anos com o impulso do aumento da produção de petróleo, iniciando o segundo trimestre com desempenho acima do esperado mesmo em meio a uma política monetária ainda restritiva.

 

A produção industrial registrou avanço de 0,7% em abril na comparação com o mês anterior, com destaque para a indústria extrativa em meio à guerra no Golfo Pérsico, com expansão de 2,7% em relação ao mesmo período de 2025. Os dados, divulgados na quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficaram acima das expectativas de economistas apontadas em pesquisa da Reuters, de altas de 0,4% no mês e de 1,7% na base anual. O avanço no mês foi o mais alto para abril desde 2013, quando houve ganho de 1,7%, mas ainda assim a indústria brasileira opera 12,9% abaixo do nível recorde, alcançado em maio de 2011, de acordo com o IBGE. "O resultado confirma que a atividade industrial segue aquecida", disse Leonardo Costa, economista do ASA. "Vale notar que o principal destaque positivo veio das indústrias extrativas, ... movimento que reflete em parte o impacto do conflito no Oriente Médio sobre a produção de petróleo bruto e gás natural, fator de natureza essencialmente transitória." A indústria teve no primeiro trimestre alta de 1,0% sobre os últimos três meses do ano passado, de acordo com os dados do PIB divulgados pelo IBGE no mês passado, recuperando-se da queda de 0,7% no final de 2025 e registrando o melhor resultado desde o quarto trimestre de 2023. A indústria brasileira vem buscando se recuperar em meio aos juros altos, com a Selic a 14,50% ao ano, um mercado de trabalho favorável e renda em alta. Também pairam os efeitos da guerra no Oriente Médio, que interrompeu o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz e vem pressionando a inflação, embora o Brasil também registre impactos positivos. Os dados mostraram que 14 dos 25 ramos industriais pesquisados mostraram avanço na produção em abril sobre março, com as influências mais significativas vindas das indústrias extrativas (3,1%) e de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (3,1%). Os setores "extrativo e de derivados têm usado uma estratégia de aumento de produção em sequência. Isso tem sim algum reflexo da guerra. Os setores atuam para minimizar os impactos e as consequências da guerra, fechamento do estreito de Ormuz e outros impactos", disse André Macedo, gerente da pesquisa no IBGE.

Nestas atividades, as pressões mais relevantes foram exercidas por óleos brutos de petróleo, gás natural e minério de ferro, no caso do setor extrativo; e de álcool etílico e dos derivados do petróleo, especialmente o óleo diesel, para a atividade dos derivados do petróleo e biocombustíveis, segundo Macedo. "Não obrigatoriamente é aumento de exportação. Alguns setores estão aproveitando o aumento de preços por conta da guerra para ampliar produção e receita", acrescentou. Dados da reguladora ANP mostraram que a produção de petróleo do Brasil registrou recorde pelo terceiro mês consecutivo em abril, ao atingir 4,34 milhões de barris por dia (bpd). Entre as categorias econômicas, tiveram resultados positivos em abril bens intermediários (1,5%) e bens de capital (0,1%). Por outro lado, os segmentos de bens de consumo semi e não duráveis (-0,2%) e de bens de consumo duráveis (-3,2%) registraram quedas. "A produção industrial tende a enfrentar um ambiente menos favorável ao longo dos próximos meses", disse Rafael Perez, economista da Suno Research. "A política monetária contracionista, a perspectiva de menos cortes de juros, a manutenção de condições de crédito restritivas e a pressão observada na curva de juros devem reduzir gradualmente o ritmo de crescimento da atividade, especialmente nos segmentos mais dependentes da demanda doméstica."

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Setor de serviços do Brasil fica quase estagnado em maio em meio à alta da inflação por guerra, mostra PMI

A atividade de serviços no Brasil ficou quase estagnada em maio, contida pela falta de novos pedidos conforme o forte aumento dos preços cobrados em meio aos impactos da guerra no Oriente Médio reduziu uma demanda já frágil, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras na quarta-feira.

 

O PMI de serviços, compilado pela S&P Global, caiu a 50,4 em maio, de 52,3 em abril, aproximando-se da marca de 50 que indica estagnação da atividade. “Os dados do PMI de maio soam como um alerta, já que o papel do setor de serviços como amortecedor da fraqueza da indústria parece estar perdendo força. Muitos esperam que essa desaceleração seja temporária e que uma recuperação no próximo mês possa sustentar os resultados do segundo trimestre”, disse Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence. Várias empresas relataram queda da produção devido a pressões competitivas, questões financeiras e um ambiente cada vez mais desafiador para a demanda. Os novos pedidos feitos aos fornecedores de serviços no Brasil ficaram, de modo geral, estagnados em maio, com o respectivo índice ficando pouco abaixo do nível neutro de 50,0. O segmento de transporte, informação e comunicação foi o único setor monitorado a registrar aumento na produção, tendo ainda o melhor desempenho em termos de vendas, apesar de o crescimento ter recuado para o menor nível em cinco meses. A estagnação das vendas em maio coincidiu com um forte aumento nos preços cobrados pela prestação de serviços. Apesar de ter recuado em relação a abril, o ritmo de inflação foi o segundo mais alto em 15 meses, com os participantes da pesquisa citando o repasse do aumento de custos aos clientes. Os preços dos insumos subiram no ritmo mais forte desde fevereiro de 2025, com as empresas indicando que a guerra no Oriente Médio elevou os custos de combustíveis e materiais. Elas relataram ainda aumento de preço em itens como materiais de construção, produtos químicos, componentes eletrônicos, energia, alimentos, metais e embalagens. "Fissuras estão surgindo na economia de serviços do Brasil, à medida que empresas e consumidores enfrentam a inflação", disse De Lima. "Orçamentos apertados levaram os consumidores a cortar gastos não essenciais, impactando setores como entretenimento, hotelaria e lazer". O aumento dos custos e a fragilidade da demanda prejudicaram os esforços de contratações em maio, que aconteceram no ritmo mais lento dentro do atual período de quatro meses de geração de vagas. Além disso, as pressões de preços, aliadas à forte concorrência e às difíceis condições operacionais, reduziram a confiança empresarial, com queda no nível de otimismo em relação à perspectiva de produção para o próximo ano. Diante do enfraquecimento do setor de serviços e da contração do setor industrial, já reportada, o PMI Composto do Brasil voltou ao território de contração ao cair a 49,5 em maio, de 52,4 em abril.

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