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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1121 DE 03 DE JUNHO DE 2026

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Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 5 | nº 1121 | 03 de junho de 2026

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL 

 

Boi gordo: menor poder de negociação dos frigoríficos

Na terça-feira (2/6), pelos dados da Agrifatto, o animal sem padrão-exportação permaneceu em R$ 345/@ no mercado paulista, enquanto o “boi-China” é negociado por R$ 355/@. Na média das outras 16 praças monitoradas diariamente pela Agrifatto, o animal terminado ficou em R$ 339,90/@. No Paraná: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. Boi China: PARANÁ: R$ 341,00/@ (à vista) e R$ 345,00/@ (prazo)

 

Pelos dados da Scot Consultoria, na terça-feira, as fêmeas gordas subiram R$ 2/@ em São Paulo, para R$ 320/@ (vaca) e R$ 332/@ (novilha), valores brutos, no prazo. Por sua vez, os machos terminados seguem valendo R$ 347/@ (boi sem padrão-exportação) e R$ 352/@ (“boi-China”). “A oferta de bovinos atende à demanda dos frigoríficos, mas não apresenta excedentes nem força suficiente para exercer pressão na cotação”, relatam os analistas da Scot. A demanda pelos lotes de boiadas, por sua vez, segue firme, tanto para atender o mercado interno quanto o externo.  “Nesse cenário, os compradores não encontram espaço para negociar abaixo da referência vigente”, enfatiza a Scot. Na avaliação da Agrifatto, o cenário também segue amparado pelo bom desempenho das exportações brasileiras de carne bovina e pela expectativa de aquecimento do consumo interno na primeira quinzena do mês, devido ao pagamento dos salários e benefícios sociais referentes a maio, na sexta-feira (5/6). 

Tais fatores, apostam os analistas da Agrifatto, ampliam o potencial para novos reajustes positivos nos preços da arroba. “Embora os negócios ainda ocorram de maneira pontual, a capacidade de pressão dos compradores perdeu intensidade”, reforça a Agrifatto. No mercado futuro, o movimento baixista observado nos pregões anteriores se reverteu, e o preço do boi gordo registrou alta na sessão de segunda-feira (1/6) da B3. O contrato com vencimento em julho/26 liderou os ganhos, fechando em R$ 342,20/@, com aumento de 0,87% em relação ao fechamento anterior. Cotações do boi gordo, conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: oito dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: nove dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: sete dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China/Europa: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: oito dias. TOCANTINS: Boi comum: R $ 335,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: oito dias. PARÁ: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: sete dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 340,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: nove dias. MARANHÃO: Boi: R$ 340,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: oito dias. Preços brutos do “boi-China” nesta sexta-feira (29/5), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 348,00/@ (à vista) e R$ 352,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 321,50/@ (à vista) e R$ 325,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 345,00/@ (à vista) e R$ 349,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 344,00/@ (à vista) e R$ 348,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 323,50/@ (à vista) e R$ 327,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 349,00/@ (à vista) R$ 353,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 336,50/@ (à vista) e R$ 340,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 313,50/@ (à vista) e R$ 317,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 332,50/@ (à vista) e R$ 336,00/@ (prazo).

AGRIFATTO/SCOT CONSULTORIA/DBO

 

China reconhece Brasil como livre de febre aftosa e suspende restrições

A agência alfandegária da China informou que suspendeu as proibições relacionadas à febre aftosa no norte do Brasil e reconhece todo o território brasileiro como livre da doença, de acordo com um comunicado oficial divulgado na terça-feira. 

 

O Brasil, o maior exportador de carne bovina e de frango do mundo, destinou mais da metade de suas exportações de carne bovina à China no ano passado. A China, maior importadora mundial de carne bovina, comprou quase US$3 bilhões em carne do Brasil no primeiro trimestre deste ano, segundo dados comerciais do país. Em nota conjunta, o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmaram que a medida deverá ampliar as oportunidades de exportação de produtos bovinos e suínos, incluindo miúdos e carne com osso, para o mercado chinês. “A decisão, anunciada hoje, ocorre após mais de 20 anos de negociação entre os países”, afirmou o governo brasileiro, observando que o anúncio ocorreu após a viagem do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Pequim para o que a China chamou de “diálogo estratégico”. No mês passado, o Brasil solicitou à China que permitisse o envio de mais carne bovina para o país. Durante uma visita a Pequim no final de maio, o ministro da Agricultura do Brasil, André de Paula, pediu à China que reatribuísse ao Brasil as cotas de exportação não utilizadas por outros países, mas a China rejeitou o pedido, segundo noticiou a Reuters no mês passado. A China enfrentou um surto de febre aftosa na região noroeste do país no final de março. O país asiático confirmou a febre aftosa em 219 bovinos de dois rebanhos que totalizavam 6.229 bovinos na província de Gansu e na região de Xinjiang. A China reforçou os controles nas fronteiras, acelerou as aprovações de vacinas e implementou medidas de abate e desinfecção após os surtos.

REUTERS

 

Confinamento de gado deve crescer 5,7% em 2026, aponta levantamento

Avanço é incentivado pela agricultura ocupando áreas que se destinavam à recria e engorda de bovinos. As regiões com maior potencial de expansão dos confinamentos são as novas fronteiras agrícolas, como Maranhão, Piauí e algumas áreas da Bahia 

 

O confinamento de gado no Brasil deve crescer 5,7% em 2026, segundo levantamento apresentado na terça-feira (2/6) pela dsm-firmenich. Os dados preliminares do Censo de Confinamento 2026 apontam para um total de 9,78 milhões de cabeças de gado confinadas neste ano. Em 2025, o número registrado havia sido de 9,25 milhões. Esse número de animais está distribuído em 2.466 propriedades de 1.103 municípios. Desde 1998, o crescimento médio anual do confinamento de gado no Brasil alcançou 7%, de acordo com o levantamento. O Sul do país foi um dos destaques, com crescimento próximo de 10%, em especial devido a projetos de expansão de confinamento na região oeste do Paraná. Mas é o Mato Grosso que segue com o maior volume de animais confinados, 2,4 milhões de cabeças, com estimativa de alta de 7,7% em 2026. Segundo o gerente de confinamento da dsm, Walter Patrizi, um dos fatores que possibilitaram esse avanço foi a pressão da agricultura ocupando áreas do Brasil central que se destinavam à recria e engorda de bovinos. As regiões com maior potencial de crescimento, segundo Patrizi, são as novas fronteiras agrícolas, como Maranhão, Piauí e algumas áreas da Bahia. "A agricultura ocupa as melhores áreas de pecuária, destinadas à recria e engorda dos animais, desalojando os animais do pasto, mas ao mesmo tempo traz consigo uma infraestrutura muito grande e o grão para poder alimentar esses animais", observou Patrizi.

GLOBO RURAL

 

SUÍNOS

 

ABPA celebra avanço sanitário do Brasil na exportação de suínos à China

Reconhecimento sanitário pode aumentar exportações de carne suína em 40 mil toneladas anuais e gerar 150 milhões de dólares por ano

 

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) anunciou um avanço significativo no reconhecimento sanitário do Brasil para a exportação de carne suína à China. Estima-se que a ampliação do reconhecimento para outros estados com plantas habilitadas poderá resultar em um incremento superior a 40.000 toneladas anuais de carne suína. Ricardo Santim, presidente da ABPA, destacou a importância desse reconhecimento, que é fruto de uma luta histórica envolvendo o Ministério da Agricultura, o Ministério das Relações Exteriores, a Apex e o setor privado. O reconhecimento já existente para o estado de Santa Catarina agora se estende a outros estados brasileiros. Os estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso, que já possuem plantas habilitadas, poderão exportar carne com osso e miúdos para a China. Essa expansão pode gerar um valor de exportação estimado em 150 milhões de dólares por ano. Além das plantas já habilitadas, há a possibilidade de que outras plantas em diferentes estados do Brasil busquem essa habilitação. Santim enfatizou que este é um momento de celebração e uma grande conquista para a cultura brasileira, reafirmando o Brasil como um importante parceiro na segurança alimentar global.

ABPA

 

Castrolanda conquista 1º lugar em ranking do Sistema Aurora na suinocultura

A Castrolanda conquistou o 1º lugar no Ranking Sistema Aurora, Premiação Destaques Suinocultura 2025, reconhecimento entregue na última semana, em Chapecó (SC).

 

A premiação reconhece o desempenho das cooperativas parceiras do Sistema Aurora com foco em qualidade, excelência operacional e segurança dos processos ligados à produção de rações e à cadeia da suinocultura. Segundo o coordenador industrial da fábrica de rações da Castrolanda, Mahani Acir Piacentini de Souza, o resultado reflete uma evolução contínua da cooperativa nos últimos anos. Em 2024, a Castrolanda obteve nota 8,2 na avaliação. Já na avaliação seguinte, referente a 2025, o índice subiu para 9,6. “O maior desafio não é alcançar o sucesso, mas manter esse nível. Nosso compromisso agora é continuar trabalhando para sustentar esse resultado e seguir evoluindo”, destacou. O ranking avaliou 12 cooperativas parceiras do Sistema Aurora. Para Mahani, o reconhecimento ganha ainda mais relevância pelo avanço apresentado pela Castrolanda e pela visibilidade que o resultado trouxe dentro do próprio sistema cooperativista. “Ficamos muito contentes porque o reconhecimento veio também das lideranças do sistema, que acompanharam nossa evolução. E, entre todas as cooperativas avaliadas, sermos o destaque em primeiro lugar torna esse momento ainda mais especial”, afirmou. A supervisora de qualidade da Fábrica de Ração e Laboratório da Castrolanda, Jeanine Solek, ressaltou que a premiação é resultado do compromisso diário das equipes com a excelência e a segurança dos alimentos. “Esse prêmio é reflexo da parceria sólida entre as cooperativas e do comprometimento de cada colaborador. Trabalhamos diariamente com monitoramentos e controles em todas as etapas da produção, sempre buscando garantir qualidade e segurança nos processos”, explicou. O gerente executivo Negócios Pecuária da Castrolanda, Mauro Cezar de Faria, destacou que a conquista reforça o compromisso da cooperativa com a excelência em toda a cadeia produtiva.

CASTROLANDA

 

EMPRESAS

 

Com Sadia, MBRF avalia que suas vendas para Copa podem subir 50%

A empresa de alimentos MBRF avalia que vendas de alimentos da companhia destinadas a eventos e encontros relacionados à Copa de 2026 podem ter aumento de 50% em relação ao torneio de quatro anos atrás, afirmou o diretor de Marketing e Inovação da empresa, Luiz Franco, na terça-feira.

 

Durante apresentação da estratégia da MBRF, dona da marca Sadia, patrocinadora da seleção brasileira, o executivo citou o posicionamento da empresa, lançamentos de produtos este ano e uma Copa mais longa do que as demais entre os fatores que devem impulsionar os resultados.

REUTERS

 

GOVERNO

 

Recursos do Plano Safra deverão crescer a partir de CPRs e recursos livres

Avaliação é que o governo quer manter a tradição de anunciar números mais robustos a cada ano, ainda mais em cenário eleitoral. Há críticas no setor financeiro e entre produtores sobre o valor anunciado no Plano Safra e o que é efetivado na ponta

 

O valor de R$ 550 bilhões, que o ministro da Agricultura, André de Paula, pretende anunciar no Plano Safra 2026/27 para médios e grandes produtores rurais é considerado factível por representantes do sistema financeiro e do setor produtivo. A avaliação é que o governo quer manter a tradição de anunciar números mais robustos a cada ano, ainda mais em cenário eleitoral. O incremento, no entanto, deve ser em cima de Cédulas de Produto Rural (CPRs) e recursos livres dos bancos. Há críticas no setor financeiro e entre produtores sobre o valor anunciado e o que é efetivado na ponta. Atualmente, diante do alto endividamento, há restrição e aversão ao risco. Com isso, há recursos empoçados, que não são emprestados aos agricultores e pecuaristas. O ritmo de contratações está 12% abaixo do registrado na temporada passada. De julho de 2025 a maio deste ano, foram liberados R$ 307,6 bilhões em operações de crédito rural ante R$ 346,3 bilhões no mesmo período da temporada 2024/25, segundo dados compilados pela reportagem a partir de acesso ao sistema do Banco Central na terça-feira (2/6). O número considera os desembolsos para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que não é computado pelo Ministério da Agricultura no pedido feito à equipe econômica. Os agricultores familiares acessaram R$ 60,8 bilhões nos 11 meses do Plano Safra atual, valor semelhante aos R$ 59,4 bilhões contratados entre julho de 2024 e maio de 2025. O temor atual do setor financeiro em relação ao Plano Safra 2026/27 é ser surpreendido com alguma nova exigência do governo, como o aumento nas exigibilidades de direcionamento de aplicação de recursos de depósitos à vista, poupança ou Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). No ano passado, os índices já foram reajustados e houve pressão maior nos bancos. Com a entrada em vigor das regras de provisionamento, há dificuldades de cumprimento dessas regras. Técnicos do Banco Central ainda trabalham nas projeções dos montantes de recursos que os bancos serão obrigados a emprestar no próximo ciclo, de acordo com os valores depositados e emitidos e o direcionamento em vigor. A autarquia também discute as variáveis que poderão ser aplicadas dado o novo cenário.

Isso porque boa parte das "exigibilidades" já são cumpridas com operações prorrogadas e renegociadas, que aumentaram nos últimos anos, o que deixa menos espaço, e menos "dinheiro novo", para novas operações. Nesta safra, as instituições financeiras são obrigadas a manter aplicado em crédito rural 70% dos valores da poupança rural, 60% das LCAs e 31,5% dos depósitos à vista. Uma fonte experiente do setor relatou que o recado passado ao governo em reuniões é de que "o problema não é falta de dinheiro e sim de crédito". A principal questão do próximo Plano Safra será encontrar soluções para a elevação de risco e a falta de garantias, lembrou. Outras alas do governo, como o Ministério do Desenvolvimento Agrário, por exemplo, têm pregado foco na manutenção de juros, e não no aumento do montante disponível para empréstimos. Já o Ministério da Agricultura falou em aumentar recursos (de R$ 516,4 bilhões para R$ 550 bilhões) e reduzir os juros para um dígito. Atualmente, algumas linhas chegam a 13,5% ao ano. O incremento solicitado pelo Ministério da Agricultura à equipe econômica, por exemplo, é maior do que o efetivado no ano passado. No Plano Safra 2024/26, o governo anunciou R$ 508,6 bilhões em crédito e CPRs. Em 2025/26, foram R$ 516,4 bilhões, aumento nominal de 1,5%. Agora, a pedida é por elevação de 6,5%. A proposta da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para o Plano Safra 2026/27 foi de R$ 518,2 bilhões para a agricultura empresarial, com recursos exclusivos do crédito rural tradicional, sem considerar as CPRs, que deverão ultrapassar os R$ 100 bilhões.

VALOR ECONÔMICO

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ

 

Impacto de tarifa dos EUA nas exportações do agro brasileiro pode chegar a US$ 1 bilhão, diz Farsul

Sobretaxa poderá afetar diretamente quase 37% das exportações do agronegócio do Brasil

O setor mais afetado seria o de produtos florestais, que exportou US$ 1,64 bilhões e poderia ser afetado em mais de US$ 410 milhões de taxação.

 

A proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de sobretaxar em 25% alguns produtos do Brasil poderá afetar diretamente quase 37% das exportações do agronegócio brasileiro para lá e impactar negócios que renderam US$ 4,19 bilhões aos empresários nacionais em 2025. Caso as tarifas de 25% sejam realmente aplicadas, o impacto direto nas exportações brasileiras pode chegar a US$ 1 bilhão. Os dados foram consolidados pela assessoria econômica da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). Os setores brasileiros mais afetados seriam o de produtos florestais, que exportou US$ 1,64 bilhões e poderia ser afetado em mais de US$ 410 milhões de taxação; o complexo sucroalcooleiro, que vendeu US$ 401 milhões e seria taxado em US$ 102,5 milhões; e o sebo bovino, que faturou US$ 416 milhões de exportações em 2025 e teria impacto previsto de US$ 104 milhões em um ano com a taxação. Os cálculos consideram a manutenção do mesmo fluxo comercial no período de um ano.

FARSUL

 

FAEP: taxação terá impacto limitado

A Federação da Agricultura e Pecuária do Paraná (Faep) avaliou que a possível taxação dos Estados Unidos sobre produtos do agronegócio brasileiro terá impacto limitado no setor produtivo paranaense.

 

Caso entre em vigor, a medida deve afetar itens como produtos florestais, pescados e mel. No entanto, outros itens, considerados estratégicos pelos EUA, estarão isentos da sobretaxa (carnes, frutas e café). Essa cesta é relevante na pauta da exportação do Paraná para os americanos. "Embora a nova tarifa americana represente um sinal de alerta e deva afetar alguns dos setores, o impacto na agropecuária do Paraná tende a ser limitado. Isso porque parte expressiva da exportação agropecuária paranaense aos Estados Unidos segue isenta dessa sobretaxa", avaliou, em nota, o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Entre janeiro e maio de 2026, o Paraná exportou para os EUA cerca de US$ 24,5 milhões em café, US$ 11 milhões em carnes e US$ 165 mil em frutas. Os itens que poderão ser taxados e que preocupam os paranaenses são os produtos florestais. Ao todo, o segmento representou US$ 90 milhões nas exportações do Paraná para os EUA neste ano, segundo a Faep. "Ainda que a taxação não atinja todo o setor, não podemos ignorar o peso dessa medida, que deve atingir produtores que movimentam um segmento considerável das exportações paranaenses", disse Meneguette. A entidade também criticou as conclusões da investigação do órgão comercial americano (USTR) que motivou a proposta de taxação. O relatório afirma que áreas desmatadas ilegalmente seriam utilizadas para atividades agropecuárias, o que proporcionaria às exportações do agronegócio brasileiro uma vantagem competitiva considerada injusta.

"Classificar a nossa produção dessa forma é um erro. O agronegócio do Paraná segue legislações ambientais rigorosas, com rastreabilidade e um compromisso real com a preservação", concluiu o dirigente.

FAEP

 

ECONOMIA

 

Dólar à vista tem leve queda apesar de incerteza sobre guerra no Oriente Médio

Ainda que o cenário geopolítico entre Estados Unidos e Irã siga incerto, os investidores mantiveram visão construtiva sobre o imbróglio no Oriente Médio, o que reduziu o prêmio de risco dos ativos 

 

O dólar à vista exibiu leve depreciação frente ao real, em um movimento alinhado à dinâmica da moeda americana contra divisas de mercados emergentes. Ainda que o cenário geopolítico entre Estados Unidos e Irã siga incerto, os investidores mantiveram visão construtiva sobre o conflito no Oriente Médio, o que reduziu o prêmio de risco dos ativos. Com isso, o real se beneficiou e se manteve apreciado frente à moeda americana, apesar do anúncio pelos EUA de possíveis novas tarifas contra o Brasil. Encerradas as negociações desta terça-feira, o dólar à vista fechou negociado em queda de 0,27%, cotado a R$ 5,0088, depois de ter tocado a mínima de R$ 5,0000 e encostado na máxima de R$ 5,0230. Já o euro comercial recuou 0,27%, a R$ 5,8264. Perto das 17h05, no exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, seguia estável, aos 99,200 pontos. Desde o começo da sessão, o dólar exibiu desvalorização frente ao real. Em nota a clientes, o Commerzbank diz que, diante de uma eleição polarizada, riscos fiscais crescentes e incertezas sobre a atuação futura do Banco Central, espera que o real devolva parte dos ganhos recentes até as eleições. “Embora esses riscos já tenham sido apontados há algum tempo, eles parecem agora estar começando a se materializar”, diz o analista Michael Pfister. “Além disso, ninguém sabe exatamente qual será o resultado da eleição”, diz, apontando, porém, que o banco não espera uma fraqueza prolongada da moeda. Para o banco, após as eleições, a incerteza política deve diminuir; haverá menos necessidade de novos estímulos fiscais; e a abundância de commodities continuará favorecendo o Brasil. “Assim, o banco projeta uma nova queda do dólar até o final do ano. Caso o Federal Reserve (Fed) reduza os juros no próximo ano, conforme esperado pelos economistas da instituição, a cotação do dólar poderá cair até para perto de R$ 4,80.” Também vendo um cenário não tão conturbado para o câmbio, o C6 Bank revisou sua projeção para o dólar no Brasil em sua atualização de cenário. A projeção para o dólar ao final de 2026 foi reduzida de R$ 5,50 para R$ 5,20, enquanto a estimativa para o fim de 2027 passou de R$ 5,80 para R$ 5,50. “Desde o início do conflito no Oriente Médio, o real tem apresentado um desempenho melhor do que outros emergentes, possivelmente por nossa capacidade de produção de petróleo em um contexto de aumento da cotação do barril”, afirma o economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, em nota.

VALOR ECONÔMICO

 

Ibovespa tem dia de respiro com apoio de Vale e bancos após cinco sessões seguidas de queda 

Alta mais intensa de blue chips garantiu fôlego extra ao índice, deixando em segundo plano a ameaça tarifária de Donald Trump contra o Brasil

 

Após cinco sessões seguidas de perdas, o Ibovespa apresentou um dia de alívio na terça-feira, em um movimento característico de correção, deixando em segundo plano a ameaça tarifária de Donald Trump contra o Brasil. Embora os sinais sobre as conversas diplomáticas entre Estados Unidos e Irã permaneçam confusos, a expectativa de que as negociações resultem em um acordo em breve deu fôlego para a bolsa local, em um dia em que a alta mais intensa de blue chips também funcionou como um impulso extra ao índice. Depois de oscilar entre os 172.199 pontos e os 174.894 pontos, o Ibovespa encerrou em alta de 1,16%, aos 174.197 pontos, puxado pelo forte ganho dos papéis da Vale, que subiram 4,04% na B3. Já em Nova York, os recibos de ações (ADRs) da mineradora tiveram valorização de 3,19%, em linha com o dia mais positivo para os ADRs de pares globais, como a Rio Tinto Group e a BHP Group, que avançaram 2,49% e 2,12%, respectivamente. Bancos também registraram ganhos, especialmente as preferenciais do Bradesco, que avançaram 1,52%. Já as ações da Petrobras terminaram em queda, na contramão da alta de preços do petróleo. No término da sessão, as PN da petroleira cederam 0,53%, enquanto as ON perderam 0,62%. Para além do dia mais positivo para a maior parte das blue chips, um participante de mercado avalia que parte da reação positiva dos ativos na terça-feira pode estar relacionada a possíveis efeitos positivos que uma eventual tarifação americana de 25% sobre produtos brasileiros pode gerar no cenário político local. “Se, por um lado, a medida tem implicações econômicas negativas, por outro, é vista por alguns investidores como um movimento alinhado a pautas defendidas pela direita”, afirma o gestor. “O comunicado do USTR [Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos] deixa claro que as tarifas têm motivação política.” O USTR determinou a imposição de tarifas de 25% sobre importações do Brasil. Embora, o impacto efetivo ainda seja incerto, analistas do Citi Ibovespa destacam que a medida, se entrar em vigor de fato após um período de consultas, introduzirá um risco adicional para as ações da WEG. Hoje, os papéis da empresa encerraram em queda de 2,33%. Por outro lado, analistas do Citi afirmam que as tarifas sobre aeronaves e produtos relacionados devem continuar efetivamente zeradas no novo documento, permanecendo isentas após o período de consultas, o que pode beneficiar a Embraer. Hoje, os papéis da fabricante fecharam em leve queda de 0,30%. Ontem, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa chegou a R$ 16,4 bilhões e a R$ 22,3 bilhões na B3.

VALOR ECONÔMICO

 

EUA propõem tarifa adicional de 12,5% sobre produtos do Brasil 

Novas tarifas vêm um dia depois de o governo Trump propor taxação de 25% sobre importações brasileiras, alegando práticas comerciais consideradas “irracionais” e prejudiciais ao comércio americano. Entre os produtos considerados mais suscetíveis ao uso de trabalho forçado estão arroz de Mianmar, tabaco do Malawi, carne bovina do Brasil, além de algodão e polissilício da China.

 

A administração Trump está propondo a imposição de tarifas adicionais de 12,5% sobre produtos do Brasil, além de China, Japão, Índia, Coreia do Sul, Suíça e dezenas de outros países após uma investigação sobre importações de mercadorias supostamente produzidas com trabalho forçado. O relatório divulgado na madrugada de quarta-feira pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) afirma ainda que Canadá, México, Taiwan, Reino Unido e outros países e territórios enfrentariam uma tarifa adicional de 10% por supostamente não aplicarem de forma adequada a proibição de importação de produtos feitos com trabalho forçado. Em comunicado, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, declarou que o fracasso dos principais parceiros comerciais do país em combater a importação de bens produzidos com trabalho forçado é inaceitável, pois obriga os trabalhadores americanos a competir em condições desiguais no mercado global. Segundo ele, todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos precisam fazer mais para garantir que o comércio internacional não incentive nem perpetue o trabalho forçado. O USTR argumenta que a incapacidade de impedir essas importações é uma prática “irracional” que prejudica ou restringe o comércio americano. A nova rodada de tarifas tem potencial para causar inquietação entre parceiros comerciais que já foram atingidos por sucessivas medidas tarifárias desde o retorno de Donald Trump à presidência no início do ano passado. As novas tarifas não entrariam em vigor imediatamente, pois ainda estarão sujeitas a consulta pública e revisão. As audiências públicas sobre a proposta estão previstas para começar em 7 de julho. A investigação foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e permitiria a Trump contornar limitações impostas pela Suprema Corte às suas políticas tarifárias. O relatório concluiu que 60 países investigados falharam em aplicar efetivamente a proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado. O documento define trabalho forçado como qualquer trabalho ou serviço exigido de uma pessoa sob ameaça de penalidade caso não o execute e para o qual ela não tenha se oferecido voluntariamente. O relatório cita estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), segundo as quais 27,6 milhões de pessoas estavam submetidas ao trabalho forçado em 2021. Entre os produtos considerados mais suscetíveis ao uso de trabalho forçado estão arroz de Mianmar,tabaco do Malawi, carne bovina do Brasil, além de algodão e polissilício da China. As novas tarifas vêm um dia depois de o governo Trump propor tarifas de 25% sobre importações brasileiras, alegando que a décima maior economia do mundo adota práticas comerciais consideradas “irracionais” e prejudiciais ao comércio americano. Segundo o USTR, uma investigação apontou que o Brasil possui aplicação insuficiente das leis anticorrupção e mantém tarifas consideradas injustas, entre outras questões. No relatório de quase 100 páginas sobre trabalho forçado, o USTR sustenta que, mesmo quando um país proíbe o trabalho forçado internamente, a importação de produtos fabricados nessas condições viola os princípios do comércio justo. O documento também prevê exceções ou tarifas reduzidas para alguns itens, incluindo determinados produtos têxteis, tomates, bananas, café e alguns metais.

VALOR ECONÔMICO

 

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