CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1119 DE 01 DE JUNHO DE 2026
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Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1119 | 01 de junho de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
“Boi-China” sobe R$ 4/@ em 7 dias
O mercado físico do boi gordo voltou a ganhar tração ao longo desta semana, encerrando a sexta-feira (29/5) com novos aumentos nos preços da arroba em algumas importantes regiões pecuárias, a começar pela praça de São Paulo, principal referência no setor. No PARANÁ: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. Boi China: PARANÁ: R$ 341,00/@ (à vista) e R$ 345,00/@ (prazo)
Pelos dados da Scot Consultoria, no mercado paulista, a cotação do “boi-China” e a da novilha gorda subiram R$ 2/@ no último dia da semana, para R$ 352/@ e R$ 330/@, respectivamente, enquanto o animal sem padrão-exportação e a vaca terminada seguiram cotados em R$ 347/@ e R$ 318/@ (valores brutos, no prazo). Em relação aos preços da sexta-feira (22/5) da semana anterior — também apurados pela Scot —, o “boi-China era negociado em R$ 348/@ em São Paulo, enquanto o animal “comum” valia R$ 345/@. Ou seja, de uma sexta-feira para outra, o houve um acréscimo de R$ 4/@ e R$ 2/@ para ambas as categorias. Segundo levantamento diário da Agrifatto, na sexta-feira, entre as 17 praças monitoradas, 4 registraram altas nos preços da arroba: GO, MG, PA e RS. Por sua vez, as outras 13 regiões acompanhadas pela consultoria fecharam o dia com estabilidade. Com isso, pelos números da Agrifatto, o boi gordo com padrão-China continua valendo R$ 355/@ em SP, enquanto os lotes com destino ao mercado interno estão cotados em R$ 345/@ (valores com prazo). A média do valor da arroba das 16 praças restantes monitoradas pela Agrifatto ficou em R$ R$ 339,90. O cenário é favorecido pelo ritmo forte das exportações brasileiras de carne bovina in natura e pela percepção de que a arroba encontrou um ponto de sustentação mais consistente. Segundo o engenheiro agrônomo Pedro Gonçalves, analista da Scot, as recentes altas na cotação do boi gordo mostram que, na queda de braço, é o pecuarista quem está levando vantagem. “Se há demanda, a matéria-prima precisa sair da propriedade, o que tem levado a negociações sem novas quedas nos preços”, diz Gonçalves. Ele lembra que, no campo da exportação, “maio/26 já surpreende com faturamento, em 15 dias úteis, bem superior ao ganho registrado em igual mês do ano anterior”. “Se o país seguir nessa toada, serão 270 mil toneladas de carne bovina in natura embarcadas em maio/26, reflexo da necessidade de compra global de carne bovina”, antecipa Gonçalves, acrescentando que a China, o maior comprador da proteína brasileira, está acelerando suas compras numa busca por fugir das novas tarifas de salvaguarda. Além disso, continua o analista, os Estados Unidos, segundo maior comprador, seguem com uma crescente dependência de importação para atender o consumo interno. “Essa onda está sendo surfada pelo mercado brasileiro”, destaca. Analistas da Scot observam ainda que a passagem da frente fria na última semana, acompanhada de chuvas, sustentou as condições das pastagens e proporcionou aos pecuaristas uma postura mais firme, permitindo aguardar melhores condições de pagamento para entregar as boiadas. Nesse contexto, as escalas de abate dos frigoríficos, que vinham confortáveis entre o fim da semana passada e o início desta, perderam força; em SP, atualmente, as programações de abate atendem, em média, a oito dias. No mercado futuro, os contratos do boi gordo fecharam o pregão de quinta-feira (29/5) da B3 de quinta-feira com leve alta. O papel com vencimento em julho/26 foi negociado a R$ 347,90/@, com aumento de 0,30% no comparativo diário. Cotações do boi gordo da sexta-feira (29/5), conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: oito dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: nove dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: sete dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China/Europa: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: oito dias. TOCANTINS: Boi comum: R $ 335,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: oito dias. PARÁ: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: sete dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 340,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: nove dias. MARANHÃO: Boi: R$ 340,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: oito dias. Preços brutos do “boi-China” nesta sexta-feira (29/5), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 348,00/@ (à vista) e R$ 352,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 321,50/@ (à vista) e R$ 325,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 345,00/@ (à vista) e R$ 349,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 344,00/@ (à vista) e R$ 348,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 323,50/@ (à vista) e R$ 327,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 349,00/@ (à vista) R$ 353,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 336,50/@ (à vista) e R$ 340,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 313,50/@ (à vista) e R$ 317,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 332,50/@ (à vista) e R$ 336,00/@ (prazo).
AGRIFATTO/SCOT CONSULTORIA/DBO
China suspende importação de carne bovina de mais uma unidade da JBS
Detecção de progesterona em cargas da planta elevou para cinco o número de frigoríficos brasileiros suspensos pela China. Procurada, a JBS não comentou o assunto
A China suspendeu as importações de carne bovina de mais um frigorífico brasileiro. Desta vez foi a unidade da JBS em Vilhena (RO). Uma fonte informou que o embargo temporário foi causado pela detecção de progesterona em cargas enviadas pela planta aos chineses. Na terça-feira (26/5), a Administração-Geral de Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês) enviou uma carta às autoridades brasileiras em Pequim para relatar os motivos da suspensão temporária. Ao todo, cinco unidades de frigoríficos brasileiros estão com as exportações de carne bovina para a China suspensas neste momento: duas da JBS, uma da Prima Foods, uma da Frialto e uma da SulBeef. Uma fonte do setor disse que as suspensões das duas unidades da JBS tendem a ser compensadas pela reabilitação recente, pela China, das compras de carne bovina da unidade de Mozarlândia (GO). A planta de Vilhena tem capacidade de abate de aproximadamente de 1,1 mil cabeças por dia, similar à da planta de Pontes e Lacerda (MT), que também foi suspensa pelos chineses há cerca de uma semana. Já a unidade de Mozarlândia, cujas vendas à China estavam suspensas desde março de 2025 por “não conformidades”, pode abater ao redor de 2,5 mil cabeças por dia. O Brasil tem 67 plantas habilitadas para vender aos chineses. Na semana passada, três unidades foram reabilitadas após mais de um ano suspensas, entre as quais a da JBS de Mozarlândia. Poucos dias depois, o governo chinês anunciou a suspensão de outras três empresas. As novas suspensões ocorrem em momento decisivo para os frigoríficos brasileiros habilitados para a China. Com mais de 55% da cota de 2026, de 1,1 milhão de toneladas, preenchidos, as unidades têm fechado negócios para embarques da proteína apenas até o fim de junho. A estratégia visa a evitar que cargas cheguem aos portos chineses após o esgotamento do volume autorizado e sejam sobretaxadas em 55%. Sem o cliente chinês, as margens das empresas devem ficar ainda mais apertadas neste ano, em cenário de dólar em queda e custos em alta.
VALOR ECONÔMICO
Exportação de carne é ameaçada por China e UE, mas não deve reduzir preços
A decisão da União Europeia de suspender as compras de carne bovina brasileira a partir de setembro se soma à aproximação do limite das exportações para a China. O cenário pressiona o setor exportador e pode reduzir o volume vendido pelo Brasil nos próximos meses. Ainda assim, o aumento da oferta no mercado interno não deve se traduzir em queda nos preços nos açougues brasileiros.
Pecuária brasileira vai sofrer com ameaças internacionais. A UE anunciou que vai interromper a compra da carne brasileira a partir de setembro. O embargo é justificado pela falta de garantias suficientes sobre o controle dos antimicrobianos, substâncias utilizadas para combater bactérias, vírus, fungos e parasitas no campo. "A Europa exige muito e não entrega nada", avalia Paulo Leonel, pecuarista representante do grupo Adir. Europa tem baixa participação na balança nacional. Os 27 países da UE compraram 128,9 mil toneladas da carne bovina brasileira em 2025. Ainda assim, o total coloca o bloco como o quarto maior consumidor da carne brasileira, mas representa apenas 3,7% das exportações do produto para o mundo. A China deixará de comprar 540 mil toneladas da carne brasileira. A estimativa considera o limite de 1,1 milhão de toneladas estabelecido em comparação com as compras do ano passado. Depois que a marca for atingida, Pequim prevê cobrar uma sobretaxa de 55% sobre a tarifa de importação vigente. Leonel classifica os embargos como uma "narrativa de terrorismo" para prejudicar os produtores. Exportações para a China se aproximam do limite. "A cota da China preocupa mais", avalia a Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos). O receio se deve ao fato de a China ser o maior comprador da carne vermelha do Brasil. Somente no ano passado, 48% do volume total exportado de carne bovina (1,68 milhão de toneladas) foram destinados à China. O volume exportado movimentou US$ 8,9 bilhões. Apesar da preocupação, há quem descarte a possibilidade de uma retração significativa da demanda chinesa. "De onde a China vai comprar carne? É tudo papo furado para desestabilizar os produtores", afirma Leonel. Retomada das vendas dos EUA para a China é outro ponto de atenção. Em visita a Pequim, o presidente norte-americano, Donald Trump, fechou um acordo para restabelecer a exportação de produtos de carne bovina para a China. "Apesar de o Brasil manter-se como o maior produtor mundial de carne, a entrada dos Estados Unidos nesse mercado poderia, indiretamente, aumentar a oferta interna brasileira", diz Adenauer Rockenmeyer, conselheiro do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia de São Paulo). A análise indica que o produto tende a ser disponibilizado no mercado interno para evitar prejuízos. "A diminuição da demanda internacional, em conjunto com o aumento da oferta nacional, poderia resultar em preços mais acessíveis para o consumidor brasileiro, beneficiando o padrão de vida e o consumo de carne vermelha", afirma Rockenmeyer. O cenário nos açougues depende da restrição efetiva da oferta para que a maior disponibilidade resulte na redução dos preços. "O brasileiro pode sentir o preço da carne um pouco mais favorável em alguns momentos [com o aumento da oferta], mas eu acredito que é algo muito mais sazonal do que o impacto internacional", avalia Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Novos mercados auxiliariam na distribuição da oferta extra. A identificação de novos compradores para as carnes que deixarão de ser enviadas para a China e a UE é um entrave para a redução de preço. "A carne mais barata do mundo está aqui", diz Leonel. Países vizinhos podem ampliar a compra da carne nacional. Uruguai e Argentina são exemplos de parceiros que vão importar mais carne brasileira neste ano e podem impedir o escoamento da produção no mercado interno. "Com o fechamento dos mercados, podemos ter o escoamento para outros países, o que ajuda a equilibrar a oferta e a demanda", analisa Carvalho. Podemos ter um cenário de uma oferta um pouco maior de carne, se a União Europeia parar de comprar em setembro, mas por outro lado a gente tem a própria volta da China para o mercado no ano que vem”, Thiago Bernardino de Carvalho. Preço das carnes subiu em todos os últimos sete meses. A possível queda dos preços tende a barrar a trajetória de alta associada à escalada da cotação do boi gordo. Dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) apontam que o preço da carne subiu 7,7% desde a deflação de 0,12% registrada em setembro do ano passado. Depois de escalar até o maior valor da história em abril (US$ 73,58), o valor da arroba de 15 kg da proteína recuou 5,6%, para US$ 69,43, segundo o indicador do Cepea coletado desde 1997. No acumulado deste ano, a cotação ainda mantém alta expressiva, de 18,9%. Queda da arroba é explicada pela sazonalidade. A recente queda de preço da commodity na cadeia produtiva é vista como recorrente e justificada pelo fim da safra do boi, que resulta na perda da qualidade do pasto devido ao clima mais frio e provocou o aumento dos abates de animais. "Nos últimos 30 anos, o preço [da arroba do boi gordo] caiu no mês de maio", afirma Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador da área de pecuária do Cepea. Tradicionalmente, os meses de maio são marcados por uma oferta sazonal maior, com o descarte de animais e o sistema produtivo de desmame, porque o bezerro nasce, em média, em agosto e setembro e fica no pé da vaca por cerca de oito meses”, Thiago Bernardino de Carvalho.
UOL ECONOMIA
SUÍNOS
Mercado de suínos perde força em maio com oferta elevada e consumo enfraquecido
O mercado brasileiro de suínos vivos encerrou maio em baixa, pressionado principalmente pela maior oferta de animais para abate ao longo do período. Segundo o analista de Safras & Mercado, Allan Maia, o aumento da disponibilidade reduziu o poder de negociação dos produtores e manteve as cotações fragilizadas durante praticamente todo o mês.
“No atacado, os cortes suínos apresentaram comportamento misto, mas a dinâmica geral do mercado seguiu enfraquecida. O consumo doméstico mostrou menor intensidade, impactando a reposição ao longo da cadeia e levando a indústria frigorífica a adotar uma postura mais cautelosa nas compras de animais vivos”, apontou. De acordo com Maia, além da pressão sobre os preços, maio também foi marcado por preocupação crescente dos suinocultores com o estreitamento das margens da atividade. O cenário de preços mais baixos para o animal, combinado aos custos de produção ainda elevados, reduziu a rentabilidade do setor. “As exportações permaneceram como o principal fator de sustentação do mercado. Apesar de uma leve desaceleração no ritmo médio diário de embarques durante maio, o fluxo externo continuou contribuindo para absorver parte da oferta interna e limitar movimentos mais intensos de queda nos preços domésticos”, analisou. Para junho, a expectativa do especialista é de um ambiente um pouco mais favorável ao setor. A entrada de salários na economia tende a estimular o consumo de proteínas, enquanto a recente queda nos preços da carne suína aumenta sua competitividade frente às demais proteínas animais. Além disso, os preços mais elevados da carne bovina e a valorização recente da carne de frango podem favorecer uma recuperação gradual da demanda por carne suína no mercado interno. Levantamento de Safras & Mercado apontou que a média de preços do quilo do suíno vivo no país caiu de R$ 5,46 para R$ 5,38 na semana. A média de preços pagos pelos cortes de carcaça no atacado recuou de R$ 9,00 para R$ 8,96, enquanto a média do pernil passou de R$ 11,43 para R$ 11,40.
A análise de preços de Safras & Mercado apontou que a arroba suína em São Paulo caiu de R$ 103,00 para R$ 102,00. Na integração do Rio Grande do Sul, o quilo vivo recuou de R$ 5,90 para R$ 5,70 e, no interior do estado, caiu de R$ 5,30 para R$ 5,20. Em Santa Catarina, o preço do quilo na integração passou de R$ 5,90 para R$ 5,70, enquanto no interior catarinense permaneceu em R$ 5,05. No Paraná, o preço do quilo vivo recuou de R$ 5,10 para R$ 5,00 no mercado livre e, na integração, caiu de R$ 5,90 para R$ 5,75. No Mato Grosso do Sul, a cotação em Campo Grande permaneceu em R$ 5,15 e, na integração, recuou de R$ 5,80 para R$ 5,65. Em Goiânia, os preços avançaram de R$ 5,15 para R$ 5,35. No interior de Minas Gerais, os preços caíram de R$ 5,70 para R$ 5,60 e, no mercado independente, permaneceram em R$ 5,80. Em Mato Grosso, o preço do quilo vivo em Rondonópolis seguiu em R$ 5,50 e, na integração do estado, recuou de R$ 5,95 para R$ 5,70. As exportações de carne suína “in natura” do Brasil renderam US$ 191,943 milhões em maio (15 dias úteis), com média diária de US$ 12,796 milhões. A quantidade total exportada pelo país no período chegou a 77,427 mil toneladas, com média diária de 5,161 mil toneladas. O preço médio ficou em US$ 2.479 por tonelada. Em relação a maio de 2025, houve recuo de 2,1% no valor médio diário, alta de 2,3% na quantidade média diária e recuo de 4,3% no preço médio. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
SAFRAS & MERCADO
EMPRESAS
Seara, do Grupo JBS, projeta crescer 40% no período da Copa do Mundo
Com estratégia que também envolve Maturatta Friboi, JBS vê aumento de 10% no consumo de carne. Dados da Seara dizem que 56% das famílias planejam se reunir e fazer churrasco durante o torneio
A Seara projeta crescer 40% na Copa do Mundo de 2026 em relação ao torneio de 2022. Há quatro anos, as vendas de todo o mercado em que a empresa atua movimentou R$ 70 milhões durante o Mundial do Qatar. O número faz parte de uma estratégia centrada no churrasco. Entre junho e julho de 2022, o torneio gerou R$ 550 milhões adicionais no varejo brasileiro.
A meta da Seara integra um plano mais amplo da JBS para transformar o churrasco em plataforma de crescimento da empresa no Brasil em 2026. Segundo ela, a tendência é que o consumo de carne cresça 10%. O grupo atua por meio de duas marcas: a Seara, com foco em linguiças, frangos, aperitivos e acompanhamentos, e a Maturatta Friboi, voltada à carne bovina. Dados da Kantar Worldpanel mostram que as vendas de carne sobem em média 10% durante períodos de Copa do Mundo. A Maturatta Friboi lançou campanha para a linha Churrascatta com Ronaldinho Gaúcho como garoto-propaganda. Pesquisa da companhia indica que 86% dos brasileiros associam futebol e churrasco. Dados da Seara mostram que 56% das famílias pretendem se reunir durante os jogos da Copa e fazer um churrasco.
FOLHA DE SÃO PAULO
GOVERNO
Ministério da Agricultura e Pecuária liberou mais 2,4 milhões doses de vacinas contra clostridioses
Volume total ofertado ao mercado brasileiro ultrapassou 41 milhões de doses, entre vacinas produzidas no país e importadas. Estimativa indica que mais de 100 milhões de doses poderão chegar ao mercado até o fim do ano
O Ministério da Agricultura e Pecuária informou na quinta-feira (29) a liberação de 2.470.600 doses de vacinas contra clostridioses para o mercado nacional entre os dias 25 e 29 de maio de 2026. Do total disponibilizado no período, 1.360.800 doses (55,08%) são de fabricação nacional, enquanto 1.109.800 doses (44,92%) correspondem a produtos importados. Segundo o Ministério, a medida integra as ações adotadas junto à indústria de insumos veterinários para ampliar a produção nacional, viabilizar importações e acelerar os procedimentos de fiscalização e liberação dos imunizantes. Com os lotes liberados desde março, o volume ofertado ao mercado brasileiro ultrapassou 41 milhões de doses, entre vacinas produzidas no país e importadas.
GLOBO RURAL
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Agro inicia 2026 em alta, mas tendência é de perda de ritmo
Para os próximos meses, o clima pode se tornar uma variável crítica, com os possíveis efeitos do El Niño. Milho segunda safra pode limitar os próximos resultados do PIB agropecuário
A agropecuária iniciou 2026 em crescimento, mas o resultado também mostra que o setor sente o peso da taxa Selic elevada, segundo o economista Joelson Sampaio, da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV). Para os próximos meses, o clima pode se tornar uma variável crítica, com os possíveis efeitos do El Niño, e o economista já projeta uma desaceleração do ritmo de produção. Os dados do PIB apontam alta de 2,0% na agropecuária no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o trimestre anterior. Já o avanço interanual foi de apenas 0,7%. A soja foi destaque no resultado, com novo recorde de 4,8% na estimativa anual de produção, mas o milho (-2,5%) e o arroz (-10,6%) registraram quedas. Joelson avalia que, embora o conflito no Oriente Médio tenha afetado o setor e gerado um resultado inicialmente mais fraco em termos de expectativas, o saldo final foi “muito mais positivo do que negativo” para o agronegócio brasileiro, já que o setor ainda impulsionou os resultados neste trimestre. “O agro vive muito de ciclos. Lá atrás, você tinha um ciclo muito favorável, e acho que isso explica boa parte do resultado do ano passado. Agora, o que a gente observa no agro tem a ver com ciclos e cenários externos. Mas também há um ponto interessante: às vezes temos impactos negativos do clima e, em outras, positivos. No caso deste ano, o impacto foi mais positivo”, explica. Depois da alta de 0,7% registrada no primeiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária ainda deve contar com impactos positivos vindos da soja no segundo trimestre, mas o milho segunda safra pode ser um limitador dos próximos resultados do setor. A avaliação é de José Carlos Hausknecht, sócio em Agronegócios na EY Brasil. "Vai ser difícil termos crescimentos fortes no PIB da agropecuária ao longo do ano", disse o especialista. Segundo ele, o milho safrinha é uma das culturas que tiveram alguns problemas na produção e podem pressionar, principalmente, o desempenho do PIB no segundo semestre de 2026. A colheita da segunda safra de milho já começou e há expectativa de redução na oferta desta temporada. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção do cereal deve alcançar 108,4 milhões de toneladas na segunda safra, ou 4,2% menos que no ciclo 2024/25. Falta de chuvas afetou a produtividade do Estado de Goiás, e há problemas pontuais em outras regiões, como Minas Gerais e São Paulo, ainda que em menor proporção. Além do milho, Hausknecht também cita o algodão e cana-de-açúcar como pontos de atenção para o desempenho do PIB no segundo semestre. Sobre o resultado do primeiro trimestre, o sócio da EY Brasil destaca que o crescimento de 0,7% na variação anual é decorrente da produção de soja e do segmento de carnes. "Não era esperado um crescimento muito grande (no PIB agropecuário)", afirmou.
VALOR ECONÔMICO
Área do milho na primeira safra cresce 31% no Paraná e será recorde na segunda
De acordo com relatório mensal do Deral, a primeira safra ocupou 364,9 mil hectares, frente à 278,3 mil ha na safra 24/25. Na segunda safra, a área cultivada com o cereal avançou sobre o espaço do trigo. São 2,9 milhões de hectares, 7% a mais que a safra anterior e a maior área da história.
A área cultivada com milho no Paraná na primeira safra aumentou 31%. De acordo com o relatório mensal de safra do Deral (Departamento de Economia Rural) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a cultura ocupou 364,9 mil hectares, frente à 278,3 mil ha na safra 24/25. O preço mais estável do milho, em relação ao da soja, foi a principal razão desse crescimento. A safra de soja ficou em 21,7 milhões de toneladas e está entre as três maiores colheitas do Estado. De acordo com Edmar Gervásio, agrônomo do Deral, o aumento da área cultivada com milho no Paraná se deu, principalmente, pelo cenário menos favorável à comercialização da soja, o que não ocorria em períodos anteriores. “O milho tem uma capacidade produtiva maior do que a soja que está com preços não muito atrativos. Os preços mais estáveis levaram o produtor a optar pelo milho. A produção chegou a mais de 4 milhões de toneladas na primeira safra”, destacou. Na segunda safra de milho, a área cultivada com o cereal avançou sobre o espaço do trigo. São 2,9 milhões de hectares, 7% a mais que a safra anterior e a maior área da história. Se não houver nenhum fenômeno climático adverso, o Paraná pode ter uma produção acima de 17,5 milhões de toneladas. “As últimas geadas trouxeram problemas pontuais na região Sul do Estado que não tem relevância para a cultura do milho. Se não tiver geada nos próximos 15 dias, boa parte dessas áreas vão ter o seu potencial produtivo mais definido. As duas safras de milho somadas devem render mais de 21 milhões de toneladas. Quanto à safra de soja, a produção ficou em 21,7 milhões de toneladas, uma das maiores obtidas no Estado. Os cultivos de trigo encontram-se em bom estado de desenvolvimento. Mais de 61% da área do estado já foi plantada e a previsão é que a cultura ocupe 722 mil ha no Paraná. A produção estimada é de 2,4 milhões de toneladas. Marcelo Garrido, do Deral, acredita que a previsão de um intenso El Niño, no segundo semestre, com menos frio e mais chuvas, aponte para um inverno menos rigoroso, o que pode beneficiar o trigo e o plantio da safra de verão do próximo ano. O Deral também divulgou o boletim desta semana que mostra um cenário de valorização em toda a cadeia do leite, apoiada pela menor captação do produto pelas indústrias. O preço do leite cru, pago ao produtor, aumentou 13% em comparação à média de abril. A avicultura se consolida com a liderança absoluta do Paraná nas exportações. No primeiro quadrimestre, o Estado embarcou 791,1 mil toneladas e faturou US$ 1,43 bilhão. O volume é 6,2% superior ao mês anterior e os ganhos superam em 4,1% o verificado anteriormente. A demanda continua forte por parte da China e Japão
SEAB-PR/DERAL
ECONOMIA
Dólar sobe em dia negativo para ativos brasileiros e acumula alta de 1,82% em maio
O dólar fechou a sexta-feira em alta no Brasil, em uma sessão no geral negativa para os ativos brasileiros, com fluxo de saída de estrangeiros da bolsa e cautela em relação ao cenário econômico, enquanto no exterior os agentes aguardavam por um desfecho nas negociações entre EUA e Irã.
A moeda norte-americana à vista encerrou o dia com alta de 0,24%, aos R$5,0453. Na semana, o dólar acumulou ganho de 0,27% e, em maio, alta de 1,82%. Às 17h31, o dólar futuro para julho -- que nesta sessão passou a ser o mais líquido no mercado brasileiro – cedia 0,18% na B3, aos R$5,0700. Na primeira metade do dia parte dos agentes operou tendo como foco a determinação da Ptax de fim de mês. Definida a Ptax (R$5,0563 para compra e R$5,0569 para venda) no início da tarde, o dólar passou a oscilar sem a influência técnica da disputa, mas se manteve no território positivo, em uma sessão de perdas para os ativos locais. “Quando olhamos para o cenário externo, estamos em um dia positivo para ativos norte-americanos, com os índices de ações subindo, mas mais uma vez os ativos domésticos estão sofrendo. O Ibovespa está em mais uma semana de queda e o dólar sobe”, comentou durante a tarde Tadeu Arantes, head de alocação da gestora Ghia. “Este movimento é explicado pela dinâmica de fluxo externo. O rali anterior de ativos brasileiros foi explicado pela rotação de fluxo global, que foi destinado para países emergentes, mas a narrativa que beneficiou o Brasil mudou um pouco agora”, acrescentou Arantes. “O fluxo de investimentos para emergentes continua, mas para países que se beneficiam mais da inteligência artificial, como Taiwan e Coreia do Sul, enquanto o Brasil acaba ficando para trás.” De fato, de janeiro a abril a bolsa brasileira havia recebido R$42,4 bilhões em investimentos estrangeiros, excluindo operações com novas ofertas de ações e ofertas iniciais. Somente em maio, até o dia 27, saíram da bolsa R$14,1 bilhões em investimentos estrangeiros. Este fluxo de saída acaba impactando o câmbio. Outro ponto de atenção na sexta-feira foi a notícia de que os EUA vão designar como terroristas as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Para além das implicações políticas, ainda não estão claros os efeitos macroeconômicos e sobre as empresas que atuam no Brasil, mas há a percepção de que os prêmios de risco para os ativos brasileiros podem aumentar. “É um fator a mais a ser considerado na hora de o estrangeiro alocar no Brasil”, avaliou Arantes. Na agenda de indicadores, destaque para o avanço de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2026 ante os três meses anteriores, acelerando ante a alta de 0,3% do último trimestre de 2025. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam avanço de 1,0% no primeiro trimestre deste ano. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o PIB cresceu 1,8%, em linha com a expectativa. O resultado reforçou as preocupações com a inflação, colocando em dúvida a continuidade do ciclo de cortes da taxa básica Selic nos próximos meses.
REUTERS
Ibovespa fecha abaixo de 174 mil pontos e tem pior mês desde 2023 com saída de estrangeiros
O Ibovespa fechou em queda na sexta-feira, acumulando a sétima semana negativa seguida e confirmando o pior desempenho mensal desde 2023, em uma correção ditada pela saída de investidores estrangeiros da bolsa brasileira.
Índice de referência do mercado acionário, o Ibovespa caiu 0,73%, a 173.787,49 pontos, somando uma perda de 1,37% na semana e de 7,22% em maio. A série de perdas semanais é a maior desde uma sequência também de sete quedas entre abril e maio de 2004. De acordo com dados da LSEG, considerando a série histórica até 1982, o Ibovespa nunca caiu por mais do que sete semanas consecutivas. A queda no mês foi a maior desde o declínio registrado em fevereiro de 2023 (-7,49%) -- um movimento que tem como pano de fundo um saldo de capital externo negativo em R$14,1 bilhões em maio até o dia 27, excluindo ofertas de ações (IPOs e follow-ons). Estrategistas têm apontado que o desempenho de maio reflete uma rotação de volta para o setor de tecnologia nos EUA e Ásia, bem como perspectiva de um ciclo de cortes mais lento da Selic e incerteza com o cenário eleitoral. O UBS cortou a recomendação das ações brasileiras de "atrativas" para "neutra" nesta semana, citando uma mudança no perfil de risco versus retorno, enquanto mantém uma visão positiva para mercados emergentes de uma forma mais ampla. O desempenho em maio poderia ter sido pior, uma vez que o Ibovespa chegou a 172.686,36 pontos na mínima desta sexta-feira, menor patamar intradia desde 22 de janeiro. Na máxima, marcou 175.064,44 pontos. O volume financeiro na sexta-feira na bolsa somou R$46,67 bilhões, influenciado por operações relacionadas ao rebalanceamento de índices MSCI Global Standard que passou a vigorar no fechamento da sexta-feira. No caso do MSCI Brasil, foram incluídas as ações do Itaú Unibanco e da Aura Minerals e excluído o papel da Totvs. O último pregão da semana incluiu a análise de dados do PIB brasileiro no primeiro trimestre, que mostraram a atividade econômica acelerando ante o final de 2025, bem como repercussão da decisão dos Estados Unidos de designar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho como "Organizações Terroristas Estrangeiras". Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou em alta de 0,22%, renovando recorde, com apoio de ações de setores relacionados à inteligência artificial e esperanças sobre um desfecho para a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
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Aceleração do PIB no Brasil reforça dúvidas sobre espaço para cortes da Selic
A aceleração do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre do ano, com crescimento relevante do consumo das famílias, reforçou as preocupações sobre o controle da inflação e as dúvidas no mercado sobre o espaço para o Banco Central promover mais cortes da taxa básica Selic.
O PIB no primeiro trimestre do ano, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cresceu 1,1% ante os três meses anteriores, acelerando ante a alta de 0,3% do último trimestre de 2025. Foi o maior avanço na margem desde o primeiro trimestre do ano passado, quando houve alta de 1,3%. Analistas chamaram a atenção, entre outros aspectos, para a elevação de 1,0% do consumo das famílias, amparado entre outros fatores pela isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$5 mil por mês. Esta foi a maior alta do consumo desde o terceiro trimestre de 2024, quando a taxa foi de 1,4%. Ainda que os economistas projetem uma desaceleração do PIB no segundo trimestre -- período em que os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a atividade tendem a ficar mais claros --, a avaliação é de que os dados do primeiro trimestre não são favoráveis ao atual ciclo de cortes da Selic, hoje em 14,50% ao ano. "Os primeiros sinais aqui para o segundo trimestre são de uma desaceleração importante, talvez um crescimento mais próximo de zero, mas de qualquer forma (o PIB do primeiro trimestre) é um bom resultado para esse início de ano e que ajuda -- acho que não a aumentar, mas a manter -- a preocupação do Banco Central em relação à inflação", avaliou Carlos Lopes, economista do banco BV. O mercado precifica atualmente de forma majoritária corte de 25 pontos-base da Selic no meio de junho, mas está dividido no caso do encontro de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC entre novo corte de 25 pontos-base ou manutenção da taxa básica. Para Liam Peach, economista sênior de Mercados Emergentes da Capital Economics, a aceleração do PIB no primeiro trimestre já coloca em dúvida um corte da Selic na próxima reunião, em junho. "Agora estamos cada vez mais inclinados a esperar uma manutenção da taxa na reunião de política monetária do próximo mês, em vez de outro corte de 25 pontos-base, para 14,25%", escreveu Peach em análise sobre o PIB. Alguns dados mais recentes de inflação e mercado de trabalho no Brasil não contribuíram, de fato, para reforçar a visão de um ciclo muito longo ou intenso de cortes da Selic. A inflação medida pelo IPCA-15 subiu 0,62% em maio, acima da taxa de 0,53% projetada pelos economistas ouvidos pela Reuters, enquanto a taxa de desemprego ficou em 5,8% nos três meses até abril, abaixo dos 6,6% do mesmo período de 2025. Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foram em sentido oposto, com criação de 85.888 vagas formais em abril, abaixo dos 230.000 esperados. Entre os analistas, uma das visões é de que, se as expectativas de inflação continuarem piorando ou se a atividade econômica não desacelerar como esperado nos próximos meses, o BC seja levado a paralisar o atual ciclo de cortes. Na esteira dos números da sexta-feira, o Goldman Sachs elevou de 1,9% para 2,2% a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026, chamando atenção para o crescimento da renda das famílias. "Combinada a um mercado de trabalho aquecido, essa dinâmica deve sustentar os gastos nos próximos meses", avaliou a instituição.
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