CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1097 DE 29 DE ABRIL DE 2026
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Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1097 | 29 de abril de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Boi gordo: Agrifatto identifica queda nos preços em oito praças pecuárias
Estresse hídrico já compromete a qualidade das forragens em GO e MG, o que pode comprometer a retenção de lotes terminados nas fazendas, alertam analistas. NO PARANÁ: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: sete dias. Boi China: PARANÁ: R$ 355,50/@ (à vista) e R$ 360,00/@ (prazo)
Na terça-feira (28/4), os preços do boi gordo recuaram em São Paulo e mais em outras 7 praças pecuárias monitoradas diariamente pela Agrifatto — ES, GO, MG, MS, PR, SC e TO. Nas demais regiões — AC, AL, BA, MA, MT, PA, RJ, RO e RS —, as cotações da arroba ficaram estáveis. Com isso, em São Paulo, o boi gordo “comum” agora vale R$ 355/@ e o “boi-China” é negociado por R$ 365/@, segundo os dados da Agrifatto. Por sua vez, a média de preço da arroba para as outras 16 praças acompanhadas pela consultoria caíram para R$ 342,70/@. Pelo levantamento da Scot Consultoria, o animal sem padrão-exportação abatido em São Paulo sofreu baixa de R$ 2/@ na terça-feira, fechando em R$ 361/@, enquanto o “boi-China” segue valendo R$ 365/@ (preços brutos, no prazo). Na avaliação dos analistas da Scot, o mercado paulista está morno, com pecuaristas resistentes a negociar diante das ofertas de compra deprimidas. Segundo a equipe de especialistas da Agrifatto, o movimento de baixa dos preços do boi gordo confirma a maior cautela dos compradores, que passaram a testar valores mais baixos em diferentes regiões do País. De acordo com análise da consultoria, a piora sazonal das pastagens no segundo trimestre do ano tende a reduzir a capacidade de retenção das boiadas no campo, aplicando a necessidade de venda dos lotes, sobretudo em áreas como Goiás e Minas Gerais, onde o estresse hídrico já compromete a qualidade das forragens.
Cotações do boi gordo desta terça-feira (28/4), conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 355,00. Boi China: R$ 365,00. Média: R$ 360,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: oito dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: nove dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 360,00. Média: R$ 355,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: sete dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: oito dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 345,00.Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: sete dias. PARÁ: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: sete dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: dez dias. MARANHÃO: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. Preços brutos do “boi-China” na terça-feira (28/4), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 360,50/@ (à vista) e R$ 365,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 341,00/@ (à vista) e R$ 345,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$355,50/@ (à vista) e R$ 360,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 344,00/@ (à vista) e R$ 348,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 355,50/@ (à vista) R$ 360,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 347,50/@ (à vista) e R$ 352,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 326,00/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 321,00/@ (à vista) e R$ 325,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 344,00/@ (à vista) e R$ 348,00/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
Governo proíbe aditivos com antimicrobianos na produção animal
A medida também determina o cancelamento dos registros desses produtos. Substâncias são tradicionalmente utilizadas na alimentação animal para ganho de desempenho
Foi publicada nesta segunda-feira (27/4), no Diário Oficial da União, a portaria do Ministério da Agricultura que proíbe a importação, fabricação, comercialização e uso de aditivos melhoradores de desempenho que contenham antimicrobianos considerados importantes para a medicina humana ou veterinária. medida também determina o cancelamento dos registros desses produtos. Entre essas substâncias estão avoparcina, bacitracina (e suas variações) e virginiamicina, tradicionalmente utilizadas na alimentação animal para ganho de desempenho.
Conforme o texto, os estoques já existentes poderão ser comercializados e utilizados por até 180 dias. Após esse prazo, as empresas terão 90 dias para recolher os produtos remanescentes no mercado. Por outro lado, o governo prevê a possibilidade de fabricação exclusiva para exportação, mediante autorização.
GLOBO RURAL
Bezerro de 7@ de MT atinge R$ 16,10/kg, maior valor nominal da série histórica, aponta Imea
A cotação média atual (até a 3ª semana de abril/26) representa um avanço de 5,2% frente ao patamar de março/26 e acréscimo de 22,2% em relação ao preço de abril/25, calcula o instituto
Em trajetória de alta, o preço do bezerro de 7@ de Mato Grosso atingiu o maior valor nominal da série histórica, informou o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA). Na média até a 3ª semana de abril/26, o indicador do bezerro alcançou R$ 16,10/kg, avanço de 5,2% frente ao preço médio de março/26 e aumento de 22,24% em relação ao valor médio de abril/25, aponta o Imea. Segundo o instituto, esse cenário segue atrelado à menor oferta de animais, somada à retenção de fêmeas. Paralelamente, o preço médio do boi gordo de MT acompanhou o movimento, registrando alta de 5,77% no comparativo mensal e um avanço de 10,70% sobre abril/25, alcançando R$ 355,87/@ (R$ 11,86/kg). Com isso, o ágio entre as categorias apresentou redução de 0,73 ponto porcentual nesta parcial de abril/26 em relação ao mês anterior, com o indicador ficando em 35,72%. Porém, no comparativo anual, o ágio atual apresenta aumento de 12,80 ponto percentual, sinalizando que, apesar da recente maior valorização do boi gordo, o bezerro segue acumulando desempenho superior nos últimos 12 meses, mantendo a reposição em patamares elevados e exigindo maior cautela nas margens da engorda, sobretudo no confinamento, diz o Instituto.
IMEA
SUÍNOS
Produção de suínos cresce 50% em Mato Grosso do Sul
Expansão ocorre em meio à modernização da cadeia e aumento de investimentos no setor.
Uma produção organizada, sustentável e altamente tecnificada. Assim se apresenta a suinocultura de Mato Grosso do Sul, que registrou crescimento de quase 50% nos últimos três anos e se firma como um dos principais cases de sucesso do agronegócio estadual.
A força do setor foi evidenciada durante o 4º Encontro de Lideranças da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, promovido pela Associação Sul-Mato-grossense de Suinocultores (Asumas) na última quinta-feira (23). O evento reuniu produtores, autoridades, representantes institucionais e investidores de diversas regiões do país, em um momento estratégico de diálogo sobre expansão e fortalecimento da cadeia produtiva. O Governo do Estado tem atuado de forma estruturante no fortalecimento da atividade, com destaque para o programa Leitão Vida, que incentiva a produção e melhora a eficiência da cadeia. Em 2025, foram 262 estabelecimentos aprovados, mais de 108 mil matrizes e 3,29 milhões de animais abatidos e mais de R$ 91 milhões em incentivos. Já em 2026, até o momento, são 257 estabelecimentos, 110,5 mil matrizes e mais de 1 milhão de abates, totalizando R$ 39,2 milhões em incentivos. O presidente da Asumas, Renato Spera, destacou a importância do apoio governamental para o crescimento do setor. “Temos potencial, sanidade e acesso a crédito. O Estado é parceiro e isso faz toda a diferença. Nos últimos anos, foram quase R$ 2 bilhões em financiamentos via FCO para a suinocultura, recursos fundamentais para esse desenvolvimento”, afirmou. Atualmente, Mato Grosso do Sul conta com mais de 300 granjas em operação, cerca de 121 mil matrizes e aproximadamente 3,6 milhões de suínos abatidos por ano. A cadeia gera cerca de 32 mil empregos diretos e movimenta setores como grãos, genética e serviços. No mercado internacional, o desempenho também é positivo: as exportações superam 20 mil toneladas de carne suína, com crescimento de 11% em relação ao ano anterior. Entre os principais destinos estão Singapura, Filipinas e Emirados Árabes Unidos. Outro fator estratégico para o avanço do setor é a Rota Bioceânica, que deve reduzir custos logísticos e ampliar o acesso aos mercados asiáticos. O secretário Artur Falcette destacou que o crescimento da suinocultura está diretamente ligado à modernização das cadeias produtivas e à atração de novos investimentos.
Segundo ele, mais de R$ 300 milhões em incentivos já foram concedidos pelo Governo do Estado desde 2020 aos suinocultores. “Programas como o Leitão Vida ampliam a rentabilidade do produtor e impulsionam toda a cadeia. Nosso objetivo é manter esse ambiente favorável, estimulando investimentos e garantindo que a suinocultura continue crescendo nos próximos anos”, concluiu.
ASSESSORIA SECOM-MS
EVENTOS
Congresso de Suinocultores do Paraná será realizado em junho
Evento será no dia 9, em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, e reunirá produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e empresas que integram a base produtiva da principal região suinícola do Estado.
A suinocultura moderna não se move por improviso. Ela avança quando informação técnica, leitura de mercado e decisões bem calibradas se encontram no momento certo. É com esse entendimento que o Congresso de Suinocultores do Paraná volta ao calendário em 9 de junho, em Marechal Cândido Rondon, reunindo produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e empresas que fazem parte da base produtiva da maior suinocultura do Estado. Produzido pelo O Presente Rural, com direção de conteúdo compartilhada com a Frimesa, o Congresso nasce com uma proposta clara: ser objetivo, conciso e estrategicamente relevante para o suinocultor no seu dia a dia. Um evento pensado para quem precisa sair da granja com informação prática e voltar com mais clareza para decidir. Segundo Selmar Marquesin, diretor-geral do Congresso, o retorno do evento à base produtiva do Oeste do Paraná tem um significado estratégico. “Nossa proposta é oferecer conteúdo técnico relevante, com foco na realidade do produtor, nos desafios que ele tem no seu dia a dia”, afirma. Além do conteúdo técnico, o Congresso se consolida como espaço de leitura mais ampla da atividade. A palestra sobre mercado integra essa visão, conectando produção, consumo e perspectivas, em um momento em que a suinocultura exige atenção redobrada a custos, sanidade e posicionamento comercial. Para Selmar, o evento também cumpre um papel importante no próprio ecossistema de informação do agro. “Eventos como esse fortalecem o setor como um todo. Eles aproximam produtores, cooperativas, agroindústrias e empresas, criando um ambiente saudável de troca, negócios e construção coletiva”, destaca. O Congresso de Suinocultores do Paraná será realizado em formato híbrido, com transmissão ao vivo pelo YouTube, ampliando o alcance do conteúdo técnico para além do público presencial. A experiência não é nova para O Presente Rural: eventos anteriores transmitidos pela plataforma seguem sendo acessados e consultados até hoje, acumulando milhares de visualizações ao longo do tempo. A proposta é transformar o Congresso em acervo técnico, acessível antes, durante e depois do encontro, fortalecendo o papel da informação como base da produção. O Congresso de Suinocultores do Paraná 2026 também se estrutura como uma plataforma para empresas que acreditam na suinocultura, no cooperativismo e no desenvolvimento técnico do setor. Estar ao lado do evento é associar a marca a um ambiente de credibilidade, conteúdo qualificado e diálogo direto com quem decide.
O Presente Rural
GOVERNO
Lula assina decreto de promulgação do acordo Mercosul-UE
Pacto entre os blocos avançou após mais de 25 anos de negociações e entra em vigor provisoriamente nesta sexta-feira (1º). Lula: “Se o Brasil aprender a se respeitar, vamos negociar igualdade de condições com qualquer país”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou decreto de promulgação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), que entra em vigor provisoriamente nesta sexta-feira (1º). O pacto entre os blocos avançou após mais de 25 anos de negociações. Durante a cerimônia, Lula afirmou que o acordo foi promulgado com “ferro, suor e sangue” e defendeu relações multilaterais entre as nações. “Se o Brasil aprender a se respeitar, vamos negociar igualdade de condições com qualquer país”, disse. Segundo ele, o país adotará a mesma postura em futuros acordos, como fez nas tratativas com a União Europeia. Em relação ao cenário global recente, marcado pelo aumento de tarifas promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula afirmou que Brasil e União Europeia deram uma resposta ao mundo de que “não existe nada melhor” do que acreditar na democracia, no multilateralismo e nas relações cordiais entre as nações. “Não existe saída individual para nenhum país nesse mundo de comércio”, reforçou. O presidente também encaminhou duas mensagens ao Congresso Nacional referentes aos acordos de Mercosul com Singapura e Associação Europeia de Livre Comércio, a EFTA. Lula afirmou que o Brasil trabalha para concluir o tratado comercial com o Canadá. Como mostrou o Valor em março, o acordo entre Mercosul e Canadá ainda tem temas sensíveis a serem alinhados, como o acesso a carne, lácteos, frango e ovos, além de divergências sobre regras de indicação geográfica. Ainda assim, essas questões não devem impedir a conclusão do tratado, prevista para este ano. Lula declarou ainda que o Brasil articula a incorporação da Colômbia ao Mercosul — atualmente formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com a Bolívia em processo de adesão — e sinalizou que outros países também podem vir a integrar o bloco. O presidente também mencionou o que classificou como “problema” relacionado ao excesso de produção e à importação de leite do Uruguai e da Argentina. Ele defendeu a necessidade de equilíbrio “para que todos se sintam confortáveis”. A importação de leite e derivados pelo Brasil tem gerado pressão sobre o mercado nacional em 2026. Isso fez com que, em março, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) protocolasse proposta na Câmara dos Deputados para investigar os impactos dessas compras externas sobre a renda de produtores nacionais. Grande parte desses produtos estão vindo da Argentina e Uruguai. O acordo comercial reúne países que somam cerca de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de aproximadamente US$ 22,4 trilhões, além de estabelecer uma zona de livre comércio entre o Mercosul (composto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e os 27 países da União Europeia. Atualmente, a UE é o segundo principal parceiro comercial do Brasil. O tratado deve eliminar de forma progressiva tarifas em cerca de 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% pela União Europeia. A redução ocorrerá de forma gradual, com prazos que variam entre quatro e quinze anos.
O texto também prevê uma série de regras para salvaguardas comerciais, especialmente em setores considerados sensíveis. A nova etapa do acordo ocorre após o Brasil notificar oficialmente a Comissão Europeia, em 18 de março, sobre a conclusão dos procedimentos internos de ratificação. A União Europeia, por sua vez, notificou o Brasil em 24 de março. Com isso, foram cumpridos os requisitos para a entrada em vigor provisória do acordo a partir de 1º de maio.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
Mercosul vive impasse sobre divisão de cotas em acordo com União Europeia
Brasil quer partilha que leve em conta tamanho e histórico exportador do país, enquanto sócios menores falam em divisão paritária. Países negociam norma de transição para que exportadores possam usar cotas já em 2026. O principal impasse está na carne bovina —pelo acordo, esse setor terá uma cota de 99 mil toneladas que poderá entrar na UE com uma tarifa reduzida de 7,5%
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta um impasse com os sócios do Mercosul sobre a divisão das cotas abertas pelo acordo comercial firmado com a União Europeia. As divisões internas envolvem o cálculo para definir quanto cada país tem direito a receber e até mesmo o momento em que a partilha deve ser feita. Pelos termos do acordo comercial, que entra em vigor provisoriamente em 1º de maio, há tanto produtos que terão o imposto de importação reduzido quanto itens agrícolas que contarão com cotas para entrar na União Europeia com tarifas menores. O Mercosul, no entanto, está há meses negociando internamente como as cotas devem ser repartidas entre seus membros (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Segundo pessoas que acompanham o assunto, o Paraguai é o país com a posição mais dura contra o entendimento do governo Lula. O país vizinho opina que as fatias deveriam ser igualitárias (25% para cada sócio), enquanto o Brasil sustenta um cálculo que leve em conta o seu histórico exportador para o mundo —o que lhe daria uma fatia significativamente maior do que a dos demais membros. A posição do governo paraguaio foi registrada em ata de reunião do Grelex (Grupo de Relacionamento Externo) do Mercosul, realizada em janeiro: "Sujeito às discussões no âmbito pertinente, a delegação do Paraguai indicou que, a seu critério, a distribuição de cotas deveria ser em percentuais iguais". Ainda Segundo pessoas com conhecimento das tratativas, o Uruguai —liderado pelo presidente Yamandú Orsi— também considera que a proposta do Brasil, de levar em conta o histórico exportador de cada país, é inaceitável e prejudica os sócios menores. O governo Lula rejeita uma divisão paritária. Na avaliação de técnicos, a repartição deve levar em conta o tamanho do país e de seu setor exportador. O Brasil representa, sozinho, mais de 70% da população do bloco. Segundo especialistas brasileiros, o Paraguai não tem capacidade de preencher uma cota igualitária de 25 mil toneladas. A avaliação é que Assunção parte de uma postura maximalista para obter melhores termos na negociação final —algo que o país vizinho nega. Em documento publicado após reunião de um comitê sobre agricultura da UE no dia 20 de abril, o bloco europeu registrou que os integrantes do Mercosul ainda não informaram como pretendem partilhar as cotas. Segundo a UE, isso impede a redistribuição das quantidades atribuídas a cada país do Mercosul caso um membro não consiga preencher sua parcela. "Como o ITA (acordo comercial interino) deverá ser aplicado provisoriamente a partir de 1º de maio de 2026, e os Estados do Mercosul ainda não notificaram a União Europeia sobre qualquer distribuição entre si, nem essa distribuição, nem qualquer redistribuição serão possíveis em 2026", diz a normativa europeia. Segundo membros do governo Lula, as cotas europeias deverão ser preenchidas segundo o princípio de ordem de chegada ("first come, first served") até que haja um acordo entre os países do Mercosul. Eles dizem ainda que não há tempo hábil para dividir as partilhas até 1º de maio, como defendem Paraguai e Uruguai. Se prevalecer esse entendimento, as cotas de 2026 serão alocadas sem divisão por país. O preenchimento ocorrerá conforme a capacidade dos exportadores privados de assinar contratos com mais agilidade do que seus concorrentes. Isso pode criar uma corrida entre as empresas para fechar contratos em condições mais benéficas —Paraguai e Uruguai dizem que seriam prejudicados nessa lógica.
FOLHA DE SP
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Perto do trilhão: vendas de empresas do Paraná para outros estados crescem 211% em 7 anos
Comércio com outras unidades da Federação renderam R$ 978 bilhões em 2025 para as empresas instaladas no Estado, ante R$ 314 bilhões em 2018. Investimentos na ampliação de rodovias, portos e aeroportos contribuíram para o resultado.
As empresas do Paraná ampliaram em 211% a venda de mercadorias para outros estados brasileiros nos últimos sete anos – de R$ 314 bilhões em 2018 para R$ 978 bilhões em 2025. É o que aponta uma análise do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), que avalia que os investimentos em infraestrutura como um fator determinantes nesse aumento. Os dados são do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) do Ministério da Fazenda, que disponibiliza as estatísticas com base na emissão de Notas Fiscais Eletrônicas (NF-es). São Paulo lidera a lista de maiores compradores de mercadorias produzidas por empresas instaladas no Paraná, com R$ 322 bilhões em produtos adquiridos apenas em 2025. Na sequência aparecem Santa Catarina, com R$ 197 bilhões, e o Rio Grande do Sul, com R$ 82 bilhões. O avanço é puxado tanto pelo crescimento da atividade econômica quanto pelos investimentos em infraestrutura e logística, que facilitaram o escoamento da produção e a conexão com outros mercados. Também houve mudanças estruturais em outros modais. Os aeroportos de Curitiba, Londrina e Foz do Iguaçu foram concedidos à iniciativa privada, ampliando a capacidade e a eficiência do transporte aéreo. Outro fator preponderante é tributário. Empresas paranaenses do Simples Nacional tem a menor carga tributária do Brasil, com uma alíquota efetiva média do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 2,39%, valor abaixo da média nacional, que é de 2,81%. A Secretaria da Fazenda também tem regras que modificam a base de cálculo para apoiar negócios em operações interestaduais. Outros benefícios envolvem o agronegócio. O Paraná é o único estado com isenção total (100%) para carnes bovina, suína, peixe, frango e ovos, o que ajuda na competitividade de preços, e incluiu a produção de queijos, requeijão e doce de leite no rol de isenções em 2025 para fomentar a produção artesanal. Paralelamente, a aquisição de produtos de outros estados pelo Paraná também cresceu, passando de R$ 304 bilhões em 2018 para R$ 906 bilhões em 2025. No ano passado, as compras tiveram como principais origens São Paulo (R$ 346 bilhões), Santa Catarina (R$ 179 bilhões) e Rio Grande do Sul (R$ 76 bilhões).
AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS
CNA pede ao governo R$ 623 bilhões para o Plano Safra 2026/27
Presidente da entidade, João Martins, entregou dez propostas ao ministro da Agricultura, André de Paula. Entre os pedidos, está a garantia de R$ 4 bilhões no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR)
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pediu ao governo federal que garanta R$ 623 bilhões para o Plano Safra 2026/27, sendo R$ 104,9 bilhões para a agricultura familiar, R$ 518,2 bilhões à agricultura empresarial, além de R$ 4 bilhões no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). No documento, a CNA destaca os pontos prioritários para o próximo ciclo agropecuário, com foco em iniciativas estruturantes como previsibilidade do orçamento, planejamento plurianual, e no fortalecimento da saúde financeira do produtor, nos instrumentos de renegociação de dívidas, ampliação do acesso ao crédito e recursos para o seguro rural. Segundo a entidade, as sugestões buscam assegurar a sustentabilidade econômica do setor e preservar o papel estratégico do Brasil como um dos principais produtores e fornecedores de alimentos do mundo. No documento, a CNA demonstra preocupação com o descompasso entre o orçamento anual e o ciclo do Plano Safra, que dificulta o planejamento das operações dos produtores, cooperativas e agentes financeiros. “A assimetria entre o calendário orçamentário e o agrícola prejudica a previsibilidade e dificulta o planejamento adequado das políticas públicas voltadas ao agro”.
Além da questão do calendário, também preocupa a insuficiência de recursos previstos no Orçamento Geral da União (OGU), que não são compatíveis com a demanda do setor. Outra prioridade da CNA para a safra 2026/27 é um novo modelo orçamentário plurianual para as políticas agrícolas. Para a Confederação, um novo modelo orçamentário do Plano Safra deve ser orientado pela previsibilidade, pela plurianualidade e pela continuidade de execução. “Mais do que ampliar valores anunciados, deve fortalecer a qualidade institucional do plano, com uma arquitetura orçamentária compatível com a dinâmica da produção”. Veja as dez propostas da CNA para o próximo Plano Safra: Possibilitar a construção de um novo modelo de Plano Agrícola e Pecuário Plurianual, com direcionamentos para programas prioritários; Garantir R$ 4 bilhões no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e a aprovação do Projeto de Lei nº 2.951/2024, que prevê a modernização do seguro rural;
Assegurar efetivos R$ 623 bilhões no Plano Agrícola e Pecuário 2026/2027, sendo R$ 104,9 bilhões destinados à agricultura familiar e R$ 518,2 bilhões à agricultura empresarial, com recursos exclusivos do crédito rural tradicional; Promover medidas de apoio à saúde financeira do produtor rural e apoiar a aprovação do Projeto de Lei nº 5.122/2023; Atualizar e ampliar os limites de Renda Bruta Agropecuária (RBA) para enquadramento no Pronaf, no Pronamp e nas demais categorias de produtores; Apoiar e assegurar a aprovação da proposta de nova Lei do Agro (“Lei do Agro 3”); Promover ajustes no ambiente de negócios do crédito rural, reduzindo burocracias, eliminando extrapolações infralegais e fortalecendo o combate à venda casada;
Nos programas de investimento agropecuário, priorizar o RenovAgro, o PCA e o Proirriga;
Ampliar os fundos garantidores para operações de custeio e investimento agropecuário;
Ampliar os mecanismos de financiamento privado do agro no mercado de capitais.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar fecha estável ante o real com impasse no Oriente Médio e expectativa por decisões de juros
O dólar fechou a terça-feira próximo da estabilidade no Brasil, em meio à falta de uma definição sobre o conflito no Oriente Médio e a cautela antes das decisões de juros do Banco Central e do Federal Reserve.
O dólar à vista fechou estável, aos R$4,9828. Às 17h25, o dólar futuro para maio -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 0,1% na B3, aos R$4,9825. O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã seguiu ditando o humor dos mercados, depois que uma autoridade norte-americana disse que o presidente dos EUA, Donald Trump, está insatisfeito com a última proposta iraniana para resolver a guerra de dois meses. Mais cedo, na terça, Trump disse que o Irã afirmou estar em estado de colapso e quer que os Estados Unidos abram o Estreito de Ormuz o mais rápido possível. Diante da ausência de uma resolução para o conflito e sem a perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz, os preços do petróleo subiram mais uma vez, com o contrato do Brent fechando o dia em alta de 2,8%, a US$111,26 por barril. Nesse ambiente, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,18%, a 98,639. No Brasil, a falta de uma definição sobre o conflito no Oriente Médio inspirou cautela, depois da cotação do dólar ter chegado aos R$5 na abertura. "O mercado ainda está evitando algum posicionamento mais contundente", disse o diretor da FB Capital, Fernando Bergallo. A cautela também refletia a expectativa pelas decisões de juros do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve, que serão anunciadas na quarta-feira. A maioria do mercado aposta em uma redução da Selic para 14,50% ao ano, com um corte de 0,25 ponto percentual. Para o Fed, a previsão é de manutenção da taxa do Fed na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano. Os bancos centrais da zona do euro, do Reino Unido e do Canadá também anunciarão suas decisões sobre as taxas esta semana. No campo doméstico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou pela manhã que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve alta de 0,89% em abril, depois de subir 0,44% em março. Foi a taxa mensal mais elevada desde fevereiro de 2025 (1,23%).
REUTERS
Ibovespa fecha em queda pressionado por Vale e exterior desfavorável
O Ibovespa fechou em queda na terça-feira, com Vale entre as principais pressões negativas em dia de declínio dos preços do minério de ferro na China, enquanto a situação no Oriente Médio continua impondo cautela aos negócios.
Investidores também estão na expectativa dos desfechos das reuniões de política monetária nos Estados Unidos e Brasil, que serão conhecidos na quarta-feira. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,47%, a 188.684,16 pontos, de acordo com dados preliminares, chegando a 187.236,79 pontos na mínima do dia. Na máxima, marcou 189.578,50 pontos. O volume financeiro somava R$21,72 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Arrecadação federal cresce 4,99% em março e bate recorde para o mês
A arrecadação do governo federal teve alta real de 4,99% em março sobre o mesmo mês do ano anterior, somando R$229,249 bilhões, informou a Receita Federal na terça-feira, apontando impulso de uma atividade econômica resiliente, da elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e do bom desempenho das importações.
O resultado é o melhor para meses de março da série histórica da Receita Federal, iniciada em 1995. No acumulado de janeiro a março, a arrecadação cresceu 4,58% acima da inflação em comparação com o primeiro trimestre de 2025, a R$777,117 bilhões, patamar também recorde para o período. No mês de março, os recursos administrados pela Receita, que englobam a coleta de tributos de competência da União, cresceram 5,56% em termos reais frente a um ano antes, a R$223,531 bilhões. Essa elevação foi mais que suficiente para compensar o desempenho da receita administrada por outros órgãos, que tem peso relevante de royalties de petróleo e caiu 13,52% no mês passado, a R$5,718 bilhões. Teve papel importante no dado do mês uma alta de R$2,785 bilhões, equivalente a 50,1% na comparação com março de 2025, nos ganhos com Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que teve alíquotas elevadas pelo governo no ano passado. A Receita também destacou o desempenho do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) vinculado, que cresceram 30,7% em razão de um volume maior das importações e de elevação nas alíquotas médias. O fisco também apontou alta real de 4,95% na arrecadação das contribuições previdenciárias por conta de um aumento real da massa salarial no país e da redução promovida pelo governo na desoneração da folha de setores da economia. Em outra frente, a receita de Pis/Cofins cresceu 4,35% no mês, movimento que reflete em parte a extinção do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) no ano passado, o que levou empresas a contribuírem mais sobre suas atividades. Os dados do mês também mostraram efeitos iniciais da reforma do Imposto de Renda, que entrou em vigor neste ano. O coordenador de Previsão e Análise da Receita, Marcelo Gomide, disse que foram arrecadados em março R$308 milhões com a nova retenção na fonte de IR, com alíquota de 10%, para recebimentos mensais de dividendos acima de R$50 mil. No trimestre, a receita total foi de R$464 milhões. A arrecadação estimada pelo governo para todo o ano com essa taxação é de R$23,8 bilhões. Por outro lado, segundo ele, a retenção na fonte de IR sobre rendimentos do trabalho caiu 5,6% no mês, ou R$1,250 bilhão, sob influência da nova faixa de isenção do tributo, que neste ano foi ampliada para rendimentos mensais de até R$5 mil. No trimestre, a queda foi de R$402 milhões na arrecadação (-0,59%).
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IPCA-15 sobe 0,89% em abril, abaixo das previsões
Nos últimos 12 meses, índice de preços registrou alta de 4,37%
Prévia da inflação oficial no país, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) subiu para 0,89% em abril, após alta de 0,44% em março, informou na terça-feira (28) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em abril de 2025, houve aumento de 0,43%. A taxa é a maior para meses de abril desde 2022 (1,73%). O resultado de abril ficou abaixo da mediana das 25 projeções de analistas de consultorias e instituições financeiras consultados pelo Valor Data, que estimavam alta de 0,97% em abril. O intervalo das estimativas era de 0,70% a 1,11% de elevação. A gasolina foi a principal influência para a alta do IPCA-15 em abril, com variação de 6,23% e impacto de 0,32 ponto percentual (p.p.) no resultado do indicador para o mês. Em março, a gasolina teve queda de 0,08%. No acumulado em 12 meses, o IPCA-15 ficou em 4,37% em abril, ante 3,9% até março. O resultado ficou abaixo da mediana das estimativas do Valor Data, que era de 4,45%, com intervalo entre 4,17% e 4,60%. A meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC) para 2026 é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para baixo ou para cima. Das nove classes de despesas avaliadas, sete tiveram aceleração na passagem entre março e abril: alimentação e bebidas (de 0,88% para 1,46%), habitação (de 0,24% para 0,42%), artigos de residência (de 0,37% para 0,48%), vestuário (de 0,47% para 0,76%), transportes (0,21% para 1,34%), saúde e cuidados pessoais (de 0,36% para 0,93%) e comunicação (de 0,03% para 0,48%). Por outro lado, houve desaceleração em despesas pessoais (de 0,82% para 0,32%) no mesmo período. Já educação manteve variação de preços (de 0,05%). A inflação se espalhou mais pelos itens que compõem o IPCA-15 em abril. O Índice de Difusão, que mede a proporção de bens e serviços que tiveram aumento de preços num período, passou de 63,2% em março para 67% um mês depois, segundo cálculos do Valor Data considerando todos os itens da cesta. Sem alimentos, um dos grupos considerados mais voláteis, o indicador foi de 60% em março para 68,3% em abril. A média dos cinco principais núcleos do IPCA-15 monitorados pelo BC avançou para 0,47% em abril, após marcar 0,35% em março, segundo cálculos da 4intelligence. Em 12 meses, a média dos cinco núcleos permaneceu em 4,33%.
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