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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1135 DE 24 DE JUNHO DE 2026

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Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 5 | nº 1135 | 24 de junho de 2026

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL 

 

Redução das compras de “boi-China” força queda na arroba do boi gordo

A Agrifatto apurou desvalorização nas cotações dos animais terminados em 9 das 17 praças monitoradas diariamente, em SP, MA, MS, MT, PA, PR, RO, SC e TO. No PARANÁ: Boi: R$ 340,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: oito dias. Boi China: PARANÁ: R$ 338,50/@ (à vista) e R$ 342,00/@ (prazo).

 

Com a proximidade do esgotamento da cota anual chinesa de importação (de 1,106 milhão de toneladas) – prevista para ocorrer em algum momento do próximo mês –, a maior parte dos frigoríficos brasileiros decidiu interromper a produção destinada à China, o que acabou fortalecendo o viés de baixa nos preços do boi gordo. “Esse cenário vem mexendo com a estratégia das indústrias e mudando a dinâmica das negociações no mercado físico”, observam os analistas da Agrifatto, que na terça-feira (23/6) identificou queda nos preços da arroba em 9 das 17 praças brasileiras monitoradas diariamente: SP, MA, MS, MT, PA, PR, RO, SC e TO. Nas demais regiões acompanhadas (AC, AL, BA, ES, GO, MG, RJ e RS), as cotações ficaram estáveis em relação ao dia anterior (22/6), acrescenta a consultoria. Com isso, na praça paulista, tanto o boi sem padrão-exportação quanto o animal-China valem agora R$ 345/@, no prazo, de acordo com os dados da Agrifatto. “Há uma queda de braços cada vez mais evidente entre quem segura a oferta e quem aperta as compras”, ressaltam os analistas da Agrifatto. Pelo levantamento da Scot Consultoria, em São Paulo, o boi gordo destinado ao mercado doméstico está cotado em R$ 345/@, enquanto o “boi-China” vale R$ 350/@ (valores brutos, no prazo). Segundo a Scot, depois das retrações observadas ontem (22/6) nos preços dos machos terminados, foi a vez das fêmeas registrarem recuo nesta terça-feira. A vaca gorda sofreu desvalorização diária de R$ 2/@, atingindo R$ 320/@, enquanto a novilha teve queda de R$ 3/@, fechando o dia em R$ 332/@ (valores com prazo). “As indústrias que já têm boiadas suficientes para abater neste restante do mês e, por isso, compram com cautela, pensando nas escalas do começo de julho”, relatou a Scot. No mercado futuro, os contratos futuros do boi gordo negociados na B3 encerraram a sessão de segunda-feira (22/6) em alta, com destaque para o vencimento de julho/26, que registrou avanço de 1,37% frente ao fechamento do pregão anterior, para R$ 337,70/@. Cotações do boi gordo desta terça-feira (23/6), conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: oito dias.

MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 325,00. Boi China: R$ 325,00. Média: R$ 325,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: nove dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: oito dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: sete dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 325,00. Boi China/Europa: R$ 325,00. Média: R$ 325,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: oito dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: sete dias. PARÁ: Boi comum: R$ 335,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: sete dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 335,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: oito dias. MARANHÃO: Boi: R$ 335,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: oito dias. Preços brutos do “boi-China” nesta terça-feira (23/6), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 346,50/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 326,50/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 339,50/@ (à vista) e R$ 343,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 341,50/@ (à vista) e R$ 345,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 326,50/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 346,50/@ (à vista) R$ 350,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 338,50/@ (à vista) e R$ 342,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 333,50/@ (à vista) e R$ 337,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 316,50/@ (à vista) e R$ 320,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 331,50/@ (à vista) e R$ 335,00/@ (prazo).

AGRIFATTO/SCOT CONSULTORIA/DBO

 

Brasil atingiu 65% da cota chinesa de carne bovina em maio

Há uma expectativa entre os frigoríficos brasileiros para o anúncio do alcance de 80% do limite.

Várias indústrias já reduziram os ritmos de abate e produção de cortes específicos para a China e mantêm apenas embarques desde 20 de junho

 

As exportações de carne bovina do Brasil para a China atingiram 65,4% da cota estabelecida para este ano, de 1,1 milhão de toneladas, de acordo com dados divulgados na terça-feira (23/6) pelo Ministério do Comércio (Mofcom) e a Administração-Geral de Alfândegas (GACC).

De janeiro até maio, entraram no país asiático 723,7 mil toneladas da proteína brasileira. O volume considera cargas embarcadas ainda em 2025 e que chegaram à China a partir de janeiro. Há uma expectativa entre os frigoríficos brasileiros para o anúncio do atingimento de 80% da cota. Alguns analistas acreditavam que esse nível já teria sido atingido no início de junho, já que os embarques no Brasil aceleraram em abril e maio. Nos dois meses foram embarcados 135 mil toneladas e 154 mil toneladas de carne bovina in natura, respectivamente.

Parte dessas cargas ainda está em trânsito para os portos chineses e serão contabilizadas em breve. Várias indústrias já reduziram, os ritmos de abate e produção de cortes específicos para a China e mantêm apenas embarques desde 20 de junho. O movimento é estratégico e busca evitar que as exportações sejam sobretaxadas ao chegar ao destino. Há leituras diferentes no setor. Alguns empresários acreditam que é seguro exportar apenas até o fim deste mês, para garantir que a carne chegue à China em cerca de 45 dias ainda dentro da cota, sem pagar tarifa adicional de 55%. Já outros avaliam que poderão embarcar na primeira semana de julho, o que levaria o anúncio do esgotamento da cota para setembro. A expectativa de preenchimento da cota de exportação de carne bovina à China, que deve ocorrer nos próximos meses, já mexe com o mercado do boi gordo, segundo relatório do Rabobank. A instituição aponta recuo de 6% no preço da arroba no mercado futuro em julho, cotada a R$ 333. Por outro lado, segundo o relatório, os embarques para os Estados Unidos devem continuar com oportunidades no terceiro trimestre deste ano. A confirmação de ao menos 12 casos de screwworm (varejeira do Novo Mundo) e a manutenção da suspensão das importações de gado em pé do México reforçam um cenário de oferta restrita nos EUA, segundo o Rabobank. "Soma-se a isso o perfil mais magro da carne brasileira, que atende à demanda da indústria local para blends na produção de hambúrgueres", completa o relatório. Já o embargo da União Europeia à carne brasileira, por conta do uso de antimicrobianos, deve exercer pressão negativa nos preços do boi gordo no próximo trimestre, conforme o Rabobank. Os dados do governo chinês mostram que, de janeiro a maio, foram preenchidos 47,7% da cota de 2,6 milhões de toneladas de carne bovina, dividida entre diversos fornecedores. Os dados não estão totalmente atualizados. A Austrália, por exemplo, estava com 85,4% da cota de 205 mil toneladas utilizada em maio. Na semana passada, a China anunciou que o volume foi totalmente preenchido em 18 de junho.

A Argentina ocupou, até maio, 41,2% da cota de 511 mil toneladas até maio e o Uruguai, 22,3% do volume de 324 mil toneladas autorizado pelos chineses. A Nova Zelândia exportou 45,8 mil toneladas nos cinco primeiros meses do ano, cerca de 22,2% da sua cota de 206 mil toneladas. As exportações dos Estados Unidos seguem praticamente zeradas. Até agora, foram internalizadas cerca de 803 toneladas, menos de 0,5% da cota de 164 mil toneladas para o ano.

Outros fornecedores enviaram 56 mil toneladas, o equivalente a 32,5% da cota de 172 mil toneladas para o ano inteiro.

VALOR ECONÔMICO 

 

SUÍNOS

 

O paradoxo da suinocultura em 2026

Produção cresce, exportações seguem em alta e os custos recuam, mas o aumento da oferta mantém as cotações pressionadas e amplia as perdas nas granjas.

 

Os dados definitivos do IBGE para o primeiro trimestre de 2026 confirmaram o avanço da produção de carne suína no país. Embora o número de animais abatidos tenha sido mantido em relação à divulgação anterior, o instituto revisou para cima o peso das carcaças. Com isso, a produção totalizou volume 6,93% superior ao registrado nos três primeiros meses de 2025, o equivalente a 92,4 mil toneladas adicionais de carne. Além do aumento de 5,49% no número de suínos abatidos, cerca de 794,5 mil cabeças a mais na comparação anual, os dados mostram crescimento do peso médio das carcaças. Em março de 2026, o indicador alcançou 93,54 quilos, acima dos 90,93 quilos observados em dezembro de 2025. O movimento sugere maior permanência dos animais nas granjas antes do envio para o abate. A análise da evolução mensal reforça a consistência da expansão da atividade. A última retração no número de cabeças abatidas ocorreu em abril de 2025, enquanto a redução no volume produzido em toneladas foi registrada pela última vez em fevereiro do mesmo ano. Entre abril de 2025 e março de 2026, o abate cresceu, em média, 5,05% ao mês em número de animais e 6,5% em toneladas de carcaça na comparação com os mesmos meses do ano anterior, evidenciando um ciclo prolongado de aumento da produção. Parte deste aumento da produção (92,4 mil toneladas) do primeiro trimestre de 2026 foi destinada às exportações de carne suína in natura que cresceram 15,15% (+44,1 mil toneladas) no mesmo período. Ou seja, a disponibilidade interna aumentou 48,2 mil toneladas (4,63%) no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. Na mesma tabela, analisando cada mês, observa-se que março de 2026 foi o mês de maior incremento na disponibilidade interna, com 22,8 mil toneladas (6,6%), o que equivale a quase 1,3kg per capita ano a mais de consumo. Esta sobre oferta bastante significativa explica a queda consistente de preços no início do ano, porém as cotações continuaram caindo em abril e maio e na primeira quinzena de junho. O que explica, em grande parte, a continuidade da queda de preços no segundo trimestre/26 é a redução do ritmo de crescimento percentual das exportações de carne suína in natura em relação ao mesmo período do ano passado (Gráfico 3). Geralmente, por representar, em torno de 24% da destinação da produção, a exportação de carne suína in natura precisa crescer percentualmente em torno de quatro vezes mais que o crescimento da produção para manter a disponibilidade interna no mesmo patamar, ou seja, se, por exemplo, a produção em toneladas de carcaça crescer 6% as exportações precisam crescer 24% no mesmo período para que não haja sobreoferta no mercado doméstico. Conforme o gráfico 3, a seguir, no acumulado do segundo trimestre de 2026, até os embarques de 12 de junho, as exportações de carne suína in natura só cresceram 5,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Ainda não temos dados oficiais da produção neste segundo trimestre, mas mantido o ritmo do início do ano, dificilmente o crescimento em relação ao ano passado ficará abaixo de 5%, ou seja, certamente também fecharemos o segundo trimestre com um excedente significativo de carne suína ofertada no mercado doméstico. Com o início da colheita da segunda safra de milho, mesmo com expectativa de quebra considerável em estados como Goiás e Minas Gerais, as cotações do cereal continuam em queda. O farelo de soja se apresenta estável, com pequenas oscilações para baixo. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, as quedas nas cotações do suíno parecem ter chegado ao seu pior momento nas últimas semanas, pois na entrada da segunda quinzena de junho, algumas praças demonstram estabilização e até reação dos preços pagos ao produtor. “Os dados definitivos de abate do IBGE referente ao primeiro trimestre, trazem a preocupação quanto ao crescimento significativo da produção, exigindo que haja um aumento também expressivo da demanda interna e externa para que determine um novo ciclo de alta nas cotações do suíno, permitindo tirar a atividade do vermelho”, ressaltou.

ASSESSORIA ABCS

 

INTERNACIONAL

 

Carne bovina: preços de exportação da Argentina atingem recorde histórico em maio/26

Nas alturas: proteína argentina alcançou valor médio de US$ 7.251/t no mês passado

 

Em maio/26, o preço médio da carne bovina refrigerada e congelada exportada pela Argentina alcançou US$ 7.251 por tonelada, um valor 4,3% superior ao obtido em abril/26 e 32,4% acima da cotação média de maio/25, de US$ 5.477/tonelada, informou o jornal Clarín, com base nos dados divulgados pelo Consórcio de Exportadores de Carne Bovina (ABC). Trata-se de um novo recorde para a proteína argentina no mercado internacional, superando o pico de R$ US$ 6.300 por tonelada registrado em abril de 2022. Segundo o Consórcio, desde o início de 2025, os preços da carne bovina argentina vêm registrando uma forte recuperação, depois de passar um período de quedas significativas, quando a commodity exportada bateu um patamar mínimo de US$ 3.740, em meados de 2024. Embora todos os meses de 2026 tenham apresentado bons resultados, maio obteve um ótimo desempenho, com o embarque de 58.600 toneladas, somando US$ 425,1 milhões, o que representou aumento de 7,5% e 42,3%, respectivamente, em comparação com abril/26, e um acréscimo de 23,3% (volume) e 28,6% (em valor) em relação aos resultados obtidos em igual mês de 2025. Impulsionada pela alta considerável nos preços internacionais, a receita com os embarques de carne bovina argentina alcançou US$ 1,833 bilhão no acumulado entre janeiro e maio de 2026, um avanço de 44,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, destaca o Consórcio ABC. Na mesma base de comparação, o volume exportado cresceu 8%, totalizando 271.400 toneladas. Considerando os últimos 12 meses – de junho de 2025 a maio de 2026 –, os embarques totalizaram 733.990 toneladas de peso do produto, com um valor de US$ 4,453 bilhões. A China continua a consolidar sua posição como principal destino das exportações de carne argentina, tanto em maio quanto no acumulado dos primeiros cinco meses do ano. Segundo o relatório do Consórcio ABC, no último mês, 14.700 toneladas de carne bovina com ossos bovinos foram enviadas para a China, no valor de US$ 43,4 milhões, e aproximadamente 20.500 toneladas de carne bovina desossada, no valor de US$ 124,2 milhões. “A China representou 60,1% do volume de exportações em maio/26 e 60,5% do total nos primeiros cinco meses do ano”, aponta o relatório, acrescentando que o preço médio de venda para o país asiático foi de US$ 6.060 por tonelada. Segundo a reportagem do Clarín, os Estados Unidos compraram 9.900 toneladas de carne bovina argentina, o que fez do país norte-americano o segundo destino mais importante durante o mês de maio, impulsionado pela expansão da quota isenta de tarifas.

CLARÍN

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ

 

Cooperativismo do Paraná triplicou seu faturamento em dez anos

O cooperativismo agroindustrial do Paraná alcançou um faturamento de R$ 223 bilhões em 2025, triplicando de tamanho em uma década. O setor agora responde por 66% do PIB agropecuário do estado, consolidando-se como um pilar estratégico para a segurança alimentar no Brasil e no mundo.

 

O setor é uma potência que emprega diretamente 154 mil pessoas e exporta mais de US$ 8 bilhões anuais. Para se ter uma ideia da força desse modelo, o faturamento das cooperativas agropecuárias paranaenses equivale a cerca de um quarto de toda a riqueza produzida pelo estado (PIB). Além disso, em um terço dos municípios do Paraná, a maior empresa local é uma cooperativa, o que ajuda a manter o dinheiro circulando nas comunidades regionais. A organização coletiva gera ganhos de escala. Ao unir milhares de pequenos produtores, a cooperativa consegue negociar melhores preços em insumos, acessar tecnologias de ponta e industrializar a produção. Segundo líderes do setor, esse sistema de eficiência permite reduzir o preço final dos alimentos nas prateleiras dos supermercados entre 20% e 30%, garantindo comida de qualidade mais barata para as famílias brasileiras. As cooperativas paranaenses movimentam volumes impressionantes: em 2025, receberam 29 milhões de toneladas de grãos, o que representa cerca de 13% de toda a produção nacional se somarmos as filiais em outros estados. No setor de carnes, o protagonismo é ainda maior, especialmente no frango, onde o Paraná é o maior produtor do Brasil. Quase metade da produção estadual de proteína animal passa pelas indústrias das cooperativas. Industrializar significa transformar o produto bruto (in natura) em itens com maior valor agregado, como carnes processadas e laticínios. Enquanto o grão puro rende uma margem de lucro pequena, o produto industrializado pode render até 5% a mais. A meta do Sistema OCEPAR é que, até 2027, mais de metade de tudo o que for colhido pelos cooperados seja transformado em produto pelas próprias indústrias das cooperativas. Sozinho, um agricultor com 50 hectares dificilmente teria poder de negociação ou acesso a mercados internacionais. Dentro de uma cooperativa, ele conta com assistência técnica contínua e garantia de venda. É a união de 230 mil famílias produtoras que permite ao Paraná abastecer o mercado interno brasileiro e ainda exportar excedentes para 190 países, garantindo a sobrevivência do pequeno produtor no campo.

GAZETA DO POVO 

 

Indústria cooperativa do Paraná avança com suporte à segurança alimentar

É um sistema produtivo que, em 2025, faturou R$ 223 bilhões, empregou diretamente 154 mil pessoas, exportou US$ 8,16 bilhões e respondeu por 66% do PIB agropecuário do Paraná, segundo indicadores mais recentes publicados pelo Sistema OCEPAR que reúne as empresas do segmento no estado.

 

Em uma década, o faturamento do setor, estruturado por grandes indústrias, triplicou: saiu de R$ 69,4 bilhões em 2016 para os atuais R$ 223 bilhões, e os investimentos saltaram de R$ 2,1 bilhões para R$ 9,2 bilhões no mesmo período. São resultados de um modelo que transforma pequenas economias em força produtiva de escala internacional que fomenta a segurança alimentar. O Paraná reúne 255 cooperativas de todos os ramos, das quais 61 são agropecuárias, diversas delas com destaque no mapa do cooperativismo mundial. Das 21 cooperativas brasileiras presentes no ranking World Cooperative Monitor, que lista as 300 maiores do mundo, seis paranaenses atuam no agronegócio: a Coamo, do noroeste do estado, na 25ª posição; a C. Vale na 34ª; a Lar Cooperativa Agroindustrial na 38ª; a Copacol na 80ª;

a Frimesa na 123ª; a Coopavel na 139ª. Não por acaso, cinco delas estão concentradas no oeste do Paraná, região que se consolidou como o maior complexo cooperativista agroindustrial do país. “Além dessas que são as gigantes, o conjunto de 61 cooperativas do agro sustentam grande parte do protagonismo do estado na produção de alimentos — respondem por mais de 80% do faturamento total do setor cooperativista paranaense, cerca de R$ 184 bilhões”, enfatiza o presidente do Sistema Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), José Roberto Ricken. Juntas, essas empresas empregam diretamente cerca de 109 mil trabalhadores, de acordo com o gerente de Desenvolvimento do Sistema OCEPAR, Flávio Turra. "As cooperativas agropecuárias são as que estão diretamente na produção de grãos e de proteína animal. Garantem alimentos de qualidade e mais baratos na mesa dos brasileiros", afirma ele. Ao todo, são 230 mil agricultores cooperados vinculados às indústrias cooperativas agropecuárias, proprietários de áreas que têm, em média, em torno de 50 hectares. Esse é o diferencial estrutural que explica por que o Paraná se tornou referência nacional no segmento. O estado responde por quase um terço de todo o faturamento do setor cooperativo do país, que chegou a R$ 758 bilhões no último ano, segundo a Organização Brasileira das Cooperativas (OCB). "Na prática, o que a cooperativa faz é juntar muitas pequenas economias e dar escala com foco na sobrevivência de quem está no campo e quem precisa se alimentar com qualidade e preços acessíveis ", resume Turra. Individualmente, um produtor com pequenos módulos de terra não tem poder de negociação, não acessa tecnologia de ponta, não industrializa, não exporta. Dentro de uma cooperativa, ele faz tudo isso com assistência técnica contínua, garantia de mercado e participação nos resultados. “No cooperativismo, quem lucra é quem produz e todos saem ganhando, porque o sistema reduz de 20% a 30% o preço final de um alimento”, reforça Elias Zydek, presidente do quarto maior player do mercado suíno do Brasil e primeiro do Paraná, a Frimesa. Segundo Turra, as cooperativas do estado receberam, em 2025, 29 milhões de toneladas de grãos, ante 21 milhões em 2015 — crescimento de 38% em uma década, impulsionado pelo aumento de produtividade e pela expansão das estruturas cooperativas. Somando a atuação das unidades, como filiais e entrepostos, em estados como Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso, o volume chega a 42,5 milhões de toneladas, o que representa aproximadamente 13% da produção nacional de grãos na safra 2025/2026, que promete alcançar 359 milhões de toneladas, segundo o Ministério da Agricultura. Na proteína animal, a fatia de mercado é ainda mais expressiva. A série histórica do Sistema OCEPAR evidencia que, no período de 2016 a 2025, o número de cooperados saltou de 1,43 milhão para 4,42 milhões, crescimento de 209%. Os investimentos passaram de R$ 2,1 bilhões para R$ 9,2 bilhões anuais, alta de 338%. As exportações saíram de US$ 2,03 bilhões para US$ 8,16 bilhões, quadruplicando em dez anos. Os impostos recolhidos cresceram de R$ 1,99 bilhão para R$ 5,9 bilhões, reforçando o peso fiscal e econômico do setor. A participação das cooperativas no PIB agropecuário paranaense subiu de 56% para 66% em uma década de expansão. Se há um movimento que define a próxima fase do cooperativismo paranaense, que espera um faturamento de R$ 500 bilhões até o ano de 2030, é o avanço da agroindustrialização. Das 157 indústrias cooperativas em operação no estado, a meta do Sistema OCEPAR é ambiciosa: até 2027, superar 50% de industrialização de tudo que é recebido dos cooperados. Hoje, esse índice está em 48%. "O produto in natura rende cerca de 2% de margem. Com agregação de valor, chegamos a 4% ou 5% a mais", detalha Turra. Essa diferença, multiplicada pela escala das operações cooperativas, representa bilhões de reais adicionais distribuídos entre os produtores rurais, o setor público com arrecadação de impostos, o fortalecimento do sistema e a possibilidade de produzir mais alimentos a preços mais acessíveis, complementa Ricken.

Cerca de 60% de tudo o que as indústrias cooperativas produzem vai para a alimentação dos 213 milhões de brasileiros. Depois de abastecer o mercado interno, o excedente ganha os navios com destino a 190 países pelo mundo. Há um dado que resume com precisão cirúrgica o enraizamento do cooperativismo paranaense: em 135 dos 399 municípios do estado, um terço do total, a maior empresa local é uma cooperativa — seja sua sede, uma unidade industrial ou um entreposto. "Gera emprego, renda e essa economia circula no comércio regional. O produtor reinveste, uma imensa engrenagem econômica e social é movida por esse movimento", aponta Turra.

GAZETA DO POVO

 

ECONOMIA

 

Dólar segue exterior e atinge maior valor ante o real desde o fim de março

O dólar fechou a terça-feira em alta ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante quase todas as demais divisas no exterior, com as cotações no Brasil também ponderando a ata do último encontro de política monetária do Banco Central.

 

O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,87%, aos R$5,1859, o maior valor de fechamento desde 30 de março deste ano, quando atingiu R$5,2461 em meio à guerra no Oriente Médio. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 5,52% ante o real. Às 17h02, o dólar futuro para julho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,83% na B3, aos R$5,1960.

A terça-feira foi de “risk-off” (fuga do risco) nos mercados globais, com investidores vendendo ações em Wall Street e comprando dólar e títulos norte-americanos -- neste caso, com consequente queda nos rendimentos. Com isso, o dólar sustentou ganhos ante quase todas as divisas de países emergentes, incluindo o real, o peso mexicano, o peso chileno e o rand sul-africano. No Brasil, o avanço da moeda norte-americana também encontrou respaldo na ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que reforçou a percepção de que a taxa básica Selic pode cair no curto prazo, mesmo com a instituição demonstrando preocupação com o cenário inflacionário. A ata do Copom, que na semana passada cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,25% ao ano, reiterou que a projeção de inflação do BC para o quarto trimestre de 2027 -- atual horizonte relevante -- está em 3,7%, acima do centro da meta de inflação, de 3%. Ao mesmo tempo, o BC voltou a defender que atingir os 3% no quarto trimestre de 2027 demandaria ajustes agressivos da Selic e faria, na sequência, a inflação ficar abaixo desse nível por diversos trimestres consecutivos. Em função disso, o Copom julgou como mais adequadas trajetórias de Selic “menos discrepantes”, com combinações de “momentos de pausa” e “retomada do ciclo de calibração” -- ou seja, de corte -- da taxa básica, com a inflação “convergindo para a meta no primeiro trimestre de 2028”. Assim, enquanto o Federal Reserve tem sinalizado a possibilidade de juros mais elevados nos EUA, o BC preparou o terreno para possíveis novos cortes, indicando que há poucas chances de elevações da Selic.

REUTERS 

 

Ibovespa dribla aversão a risco e avança com rotação global Depois de iniciar o dia em queda, o Ibovespa devolveu as perdas e passou a subir após a abertura das bolsas americanas, driblando a aversão a risco vista lá fora.

 

 A melhora ocorreu em meio a um movimento de rotação global de carteiras, com investidores reduzindo exposição às ações de tecnologia em Nova York e migrando para papéis de valor, favorecendo mercados como o Brasil. No cenário doméstico, a nova rodada de queda dos juros futuros também ajudou a garantir um fôlego extra à bolsa local. Hoje, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) reforçou a expectativa do mercado por cortes da Selic, o que levou a ajustes na curva futura. O desempenho do Ibovespa só não foi mais intenso devido ao recuo das ações da Vale, o que limitou os ganhos. Após oscilar entre os 168.495 pontos e os 171.720 pontos, o índice encerrou em alta de 0,52%, aos 171.259 pontos. Blue chips de bancos foram destaque de alta, especialmente as units do BTG Pactual, que ganharam 1,13%. A exceção ficou para as units do Santander, que encerram em baixa de 0,74%. A despeito de mais um dia de recuo nos preços de petróleo, as ações da Petrobras terminaram em alta: as ON subiram 0,78%, ao passo que as PN avançaram 0,41%, o que pode indicar que houve compra do papel por parte de investidores estrangeiros. Já a Vale perdeu 1,89%, em um dia em que o contrato do minério de ferro na bolsa de Dalian cedeu 0,54%, depois de a commodity atingir a mínima desde 9 de julho de 2025, no começo da sessão. 

VALOR ECONÔMICO

 

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