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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1074 DE 25 DE MARÇO DE 2026

  • prcarne
  • 25 de mar.
  • 21 min de leitura

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 5 | nº 1074 | 25 de março de 2026

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL 

 

Boi-China sobe e rompe a barreira dos R$ 350/@ em SP

Boi gordo direcionado ao mercado interno paulista está cotado em R$ 350/@, enquanto o “boi-China” subiu para R$ 353/@, apontou a Scot Consultoria.

 

Na terça-feira (24/3), as cotações do boi gordo sem padrão-exportação e do “boi-China” subiram R$ 3/@ na praça de São Paulo, segundo apuração da Scot Consultoria, que acompanha diariamente os negócios em mais de 30 regiões do País. “O fator que sustenta a alta é a oferta enxuta de animais para abate e uma ponta vendedora que não tem aceitado negociar abaixo da referência”, relatam os analistas da Scot. As exportações brasileiras de carne bovina in natura também contribuem para a sustentação dos preços da arroba, apesar da redução no ritmo dos embarques, acrescenta a consultoria. Com as oscilações de hoje, o boi gordo direcionado ao mercado interno paulista está cotado em R$ 350/@, enquanto o “boi-China” subiu para R$ 353/@, destaca a Scot. Segundo levantamento semanal realizado pela Agrifatto, atualmente, os frigoríficos brasileiros operam com escalas de abate bastante curta, o que contribui para a tendência de alta do boi gordo. Neste momento, relata a consultoria, as programações das indústrias giram em torno de 6 dias úteis, na média nacional. “No curto prazo, segue a expectativa de continuidade da valorização da arroba”, prevê a Agrifatto. Porém, dizem os analistas da consultoria, o quadro de preços firmes do boi gordo pode mudar a partir do segundo trimestre. “A redução das chuvas tende a prejudicar as pastagens, diminuir a retenção de animais pelos pecuaristas e aumentar a oferta no mercado”, acredita a Agrifatto. No mercado futuro, os contratos do boi gordo registraram desempenho positivo no pregão de segunda-feira (23/3), marcando o segundo avanço consecutivo. O principal destaque ficou para o papel com vencimento em maio/26, que encerrou a sessão cotado a R$ 357,80/@, com alta de 1,39% em relação ao fechamento anterior. Cotações do boi gordo desta terça-feira (24/3), conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: seis dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: quatro dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: cinco dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 340,00. Boi China/Europa: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: seis dias. TOCANTINS: Boi comum: R $ 330,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: cinco dias. PARÁ: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: quatro dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 305,00. Vaca: R$ 285,00. Novilha: R$ 295,00. Escalas: nove dias.

MARANHÃO: Boi: R$ 330,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 300,00. Escalas: cinco dias.

PARANÁ: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: cinco dias.

Preços brutos do “boi-China” nesta terça-feira (24/3), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 349,50/@ (à vista) e R$ 353,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 331,50/@ (à vista) e R$ 335,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$341,50/@ (à vista) e R$ 345,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 336,50/@ (à vista) e R$ 340,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 331,50/@ (à vista) e R$ 335,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 336,50/@ (à vista) R$ 340,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 331,50/@ (à vista) e R$ 335,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 312,00/@ (à vista) e R$ 315,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 312,00/@ (à vista) e R$ 315,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 326,50/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo). PARANÁ: R$ 343,50/@ (à vista) e R$ 347,00/@ (prazo).

SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO

 

Bezerro com ágio acima de 35% exige ajuste de estratégia na pecuária de corte

Avaliação é da SIA, Serviço de Inteligência em Agronegócios, que orienta controle de compra, peso e custo no sistema

 

A perspectiva de alta no preço do bezerro exige mais controle na compra e atenção aos custos de produção por parte de pecuaristas que trabalham com recria e terminação. A avaliação é da SIA, Serviço de Inteligência em Agronegócios, que aponta a relação de troca como um dos fatores centrais para manter a atividade viável em um ano mais desafiador. Segundo o gerente técnico da SIA, Armindo Barth Neto, o primeiro ponto de atenção deve ser o ágio pago pelo bezerro em relação ao boi gordo. Produtores mais eficientes costumam operar com um ágio entre 35% e 40%, o que ajuda a segurar o custo de entrada do animal na fazenda. Em um cenário com a arroba ao redor de R$ 350, o bezerro posto na propriedade deveria ficar próximo de R$ 15,50, no máximo R$ 16,00 por quilo. “O principal é cuidar o quanto está sendo pago de ágio no preço do bezerro. Bons produtores trabalham nessa faixa de 30% a 35% acima do valor do boi gordo”, afirma. O acompanhamento da média de compra dos lotes também é decisivo. A recomendação é utilizar planilhas para monitorar os valores pagos e equilibrar eventuais compras mais caras com aquisições mais baratas, mantendo a média sob controle. “Não tem problema pagar um lote um pouco mais caro, desde que isso seja compensado ao longo das compras”, observa. O peso do animal na reposição também influencia diretamente no resultado. A orientação é evitar animais muito pesados com custo elevado, que dificultam a remuneração na engorda. A faixa indicada para compra fica entre 210 quilos e 240 quilos. Dentro da propriedade, o foco deve ser custo baixo com eficiência produtiva. Pastagens bem manejadas e adubadas, aliadas a suplementação de baixo consumo, permitem alto ganho de peso com maior número de animais por área. “Com pasto bem conduzido, o produtor consegue desempenho elevado com custo relativamente baixo”, ressalta. A estratégia recomendada é manter o animal o maior tempo possível no pasto e concentrar a fase mais cara no final do ciclo. A entrada na terminação deve ocorrer mais pesada, com o bovino entre 430 quilos e 450 quilos, reduzindo o custo médio de produção. O peso de abate também impacta diretamente na rentabilidade. “Abater o animal mais pesado possível aumenta o retorno por cabeça e melhora a relação de troca”, salienta o gerente técnico da SIA. Para Barth Neto, anos de maior pressão no custo da reposição exigem disciplina na compra, ajuste de lotação e eficiência no sistema produtivo como caminhos para preservar margem e competitividade na pecuária de corte.

SAI

 

CARNES

 

Ovos, frango e carne suína podem ficar mais caros com a guerra no Irã, diz setor

Associação Brasileira de Proteína Animal aponta alta no frete e em embalagens de plástico

Boom das proteínas sustenta demanda crescente; preços vinham em queda em 12 meses

 

O aumento nos custos provocado pela guerra no Irã já pressiona a cadeia de produção de ovos, frango e carne suína no Brasil e pode levar a reajustes ao consumidor nos próximos dias, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). A entidade afirma que a alta do diesel elevou em até 20% os fretes rodoviários do setor, incluindo desde o transporte de insumos até a distribuição do produto no mercado interno. Além disso, diz que embalagens plásticas – derivadas de petróleo, com trajeto dificultado pelos conflitos no estreito de Hormuz— já registram aumento de até 30%. "Frente a este quadro, é possível que ocorram nos próximos dias repasses aos preços para o consumidor tanto de ovos, como de carne de frango e carne suína", afirma a associação. O movimento ocorre em um momento de demanda aquecida com o "boom das proteínas". No caso dos ovos, por exemplo, o consumo chegou a 287 unidades por brasileiro em 2025, um aumento de 6,7% em relação a 2024 e de 33,4% desde 2015, segundo estimativas da ABPA. A preocupação também demonstra que não é só o preço dos combustíveis que pode aumentar com os conflitos no Oriente Médio. Alimentos, medicamentos, eletrônicos, plásticos e fertilizantes são outros produtos de risco. Os preços dos ovos caíram 10,79% no acumulado de 12 meses, com base no último IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Apesar disso, foi registrada uma inflação mensal de 4,55% em fevereiro, que pode ser explicada pela alta demanda na Quaresma, tradição católica que pede substitutos para a carne vermelha, não consumida especialmente durante a Sexta-Feira Santa, no próximo dia 3. Já a carne de porco registrou queda de 1,21% no último mês e de 1,62% no acumulado de 12 meses. O frango inteiro caiu 0,29% em fevereiro; o em pedaços, 0,19%.

A produção de ovos cresceu 7,9% no último ano, de 57,7 bilhões de unidades em 2024 para 62,2 bilhões em 2025. "O mercado apresenta um cenário de oferta equilibrada em relação ao visto no ano passado, com crescimento dentro do esperado", afirma a ABPA em nota. "Toda essa turma da musculação, do atletismo, come muito ovo, principalmente depois que saiu aquele mito de que não podia comer muito", diz Elsio Figueiredo, pesquisador na área de suínos e aves da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Ele também cita a Quaresma como fator para o aumento da demanda. "Além do consumo de ovos direto, para substituir a carne, também se faz mais produtos à base de ovos, como massas, bolos, guloseimas, sobremesas", diz.

FOLHA DE SP

 

SUÍNOS

 

Preço do suíno estabiliza. há pressão nos custos com atraso do plantio da segunda safra de milho e guerra no Oriente Médio

Análise da ABCS aponta margens pressionadas, atraso da safrinha e cenário global como os 3 principais riscos para o setor em 2026.

 

Após queda nas cotações nos meses de janeiro e fevereiro, o preço do suíno estabilizou em março, mostrando recente ajuste na oferta e demanda. Dados preliminares do SIF indicam um aumento do abate ao redor de 2,5% no primeiro bimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. O aumento da oferta no mercado doméstico já vinha ocorrendo em 2025, conforme apontam os dados definitivos de abate do IBGE, publicados no último dia 18, indicando que a produção brasileira de carne suína (carcaças) aumentou quase 300 mil toneladas (5,54%) em relação a 2024. Como o incremento das exportações em 2025 foi de pouco mais de 140 mil toneladas, a disponibilidade interna cresceu 3,73% (156 mil toneladas), excedente que o mercado doméstico absorveu bem e que determinou ultrapassarmos a barreira dos 20 kg per capita ano de consumo. Quando se analisa a participação das Unidades Federativas no abate, chama a atenção o crescimento percentual expressivo da produção, de 2025 em relação a 2024, muito acima da média, dos estados de Minas Gerais (11,35% em toneladas) e Mato Grosso do Sul (14,36% em toneladas), sendo que este último ultrapassou o Mato Grosso e assumiu a quinta posição no ranking nacional. O crescimento do abate de Minas Gerais, cujo plantel de produtores independentes é o maior do Brasil, explica em parte o porquê os preços de suínos para abate praticados neste estado, desde março de 2025, estão abaixo de São Paulo. Com produção de suínos crescente e mercado doméstico “andando de lado” a pergunta é: “como está a exportação?” Em 2025 ela ultrapassou os 23% da destinação da produção nacional, assumindo o terceiro lugar no comércio mundial e ultrapassando o Canadá. A resposta é: “vai muito bem em 2026!” com crescimento acima do esperado, sendo que, no acumulado de janeiro e fevereiro, com 204,7 mil toneladas de carne suína in natura, superou em 8,3% os volumes embarcados no mesmo bimestre de 2025. Isto representa pouco mais de 15 mil toneladas a mais exportadas, num período em que, estimativas preliminares indicam um crescimento da produção ao redor de 2,5% (+22 mil toneladas), ou seja, haveria um excedente no primeiro bimestre em torno de 7 mil toneladas que foram ofertadas a mais no mercado doméstico em janeiro e fevereiro de 2026. O atraso do plantio da segunda safra de milho, que hoje representa quase 80% de toda produção nacional deste cereal, é motivo de preocupação e determinou uma alta considerável nas cotações nas últimas semanas. O custo das rações só não subiu mais porque as cotações do farelo se soja têm se mantido relativamente estáveis, mas a relação de troca entre o preço do suíno vivo e os principais insumos, milho e farelo de soja, vem caindo mês a mês, desde outubro de 2025. Esta pressão nos custos, aliada ao recuo das cotações do suíno, determinaram, no início deste ano, margens muito apertadas na suinocultura, próximas do ponto de equilíbrio. Como se não bastassem as incertezas climáticas para o estabelecimento da “safrinha” de milho, as consequências indiretas do conflito no Oriente Médio trazem pressão sobre o preço dos combustíveis e fertilizantes, o que resulta em inflação em toda cadeia de produção, além de ameaçarem e/ou encarecerem a logística no fluxo de exportações de frango, o que pode reduzir a competividade da carne suína no mercado doméstico, dificultando uma eventual retomada de ciclo de alta nas cotações do suíno.

ABCS

 

EMPRESAS

 

A estratégia da Frimesa para conseguir dobrar sua receita até 2032

Em 2025, a empresa faturou R$ 7 bilhões. O plano de fortalecimento da presença no Estado de São Paulo abrange tanto o segmento de carne suína quanto de lácteos

 

Quarta colocada em abate e processamento de suínos no país, a cooperativa paranaense Frimesa pretende diminuir a distância para as gigantes do setor, ampliando sua participação no mercado dos atuais 8,5% para cerca de 14% até 2032. A meta faz parte do planejamento para dobrar o faturamento até 2032. Em 2025, a Frimesa faturou R$ 7 bilhões. Uma das estratégias é ampliar a presença no Estado de São Paulo. Ontem, a Frimesa inaugurou escritório comercial na zona leste da capital paulista. “Com o crescimento de escala, vêm os desafios de varejo, de como chegar no consumidor”, afirmou o presidente-executivo, Elias José Zydek. Para ele, há uma tendência de concentração no mercado de suínos. Hoje, disse, não é viável abater menos de 4 mil a 5 mil cabeças por dia. “São muitas exigências legais, ambientais, sanitárias”, justificou Zydek, que aposta que até 2032 devem permanecer no mercado no máximo dez empresas competitivas. Apesar disso, a Frimesa não cogita aquisições nos próximos anos, afirmou. Hoje, as empresas que mais abatem suínos no Brasil são MBRF, Aurora e JBS (Seara). “Estamos ainda distantes do terceiro [lugar], por isso há espaço para crescer”, observou Zydek. Mesmo que a Frimesa consiga ampliar a participação no mercado, a possibilidade de diminuir a distância para o pódio irá depender “das velocidades que eles [concorrentes] andarem”, segundo ele. O plano de fortalecimento da presença no Estado de São Paulo abrange tanto o segmento de carne suína quanto de lácteos. Porém, a suinocultura representa um peso maior para a Frimesa — responde por 72% do faturamento. O frigorífico de Assis Chateaubriand (PR), inaugurado em 2022, também faz parte desse plano, segundo o dirigente. O investimento foi de R$ 1,35 bilhão, porém novos aportes devem ser realizados para que a planta seja concluída. Atualmente, 15% a 16% do faturamento da Frimesa vem do mercado paulista. O projeto é dobrar essa participação. A atualização da imagem da empresa também faz parte da estratégia, com mudanças nas cores e na logomarca utilizadas nos produtos — além de uma maior capilaridade no varejo. Uma ação para tornar a marca mais conhecida foi o patrocínio à camiseta do Corinthians, com contrato recentemente renovado.

Outra iniciativa da Frimesa para avançar no mercado é a adequação do portfólio. “Dos mais de 500 itens que temos no portfólio, uma grande parcela era para o transformador, grandes pacotes, grandes volumes. Agora, com essa revisão do portfólio, seja no segmento de carne ou de lácteos, estamos direcionando mais para o consumidor final”, afirmou o superintendente comercial, Rodrigo Fossalussa. Segundo Zydek, o mercado externo representa 26% do faturamento, o que não deve sofrer grandes alterações no planejamento até 2032. Os embarques da empresa não foram afetados pela guerra, pois os países do Oriente Médio não consomem carne suína. Porém, o frete ficou 7% mais caro.

VALOR ECONÔMICO

 

Escalada da guerra pressiona Frimesa, fabricante de alimentos, a reajustar preços

Elias Zydek, presidente da Frimesa, aponta que a cadeia produtiva precisa repassar 5% dos preços para recompor margens do setor. Companhia traçou plano de expansão em São Paulo para atingir faturamento de R$ 15 bilhões em 2032

 

Uma das principais empresas voltadas à suinocultura no Brasil, a Frimesa já sente os impactos da guerra no Oriente Médio nos custos de produção. A companhia, resultante de uma cooperativa de alimentos do Paraná, diz que o "efeito guerra" a fez subir em 3% o valor de seus produtos. O preço do petróleo disparou nas últimas semanas. O combustível é matéria-prima crucial para a cadeia de plástico, usado em embalagens dos produtos da empresa. Além de suínos, a Frimesa é uma grande fabricante de lácteos no país. Ao todo, a marca comercializa 563 itens diferentes, sendo 371 em carnes e 192 em lácteos. "O efeito do [aumento] do combustível é na veia. Os fretes já aumentaram 7% e representam 6% da nossa matriz de custos. Isso significa 0,5% no valor para o consumidor final", diz Elias José Zydek, presidente da Frimesa. "Nós também usamos muito plástico e a embalagem teve aumento de 25%. Ela representa 10% da nossa matriz de custos. O impacto direto no preço final é de 2,5%. Ou seja, eu tenho de aumentar os preços em 3% só para cobrir o efeito da guerra." "Todo aumento de custo que nós temos, a gente acaba repassando. Não tem como absorver. Hoje, está tudo muito ajustado", diz Zydek. "A cadeia produtiva precisa repassar 5% dos preços para recompor margens e cobrir os custos no curtíssimo prazo. A embalagem tem um efeito imediato sobre os nossos custos." Composta por cinco cooperativas, a Frimesa apresentou uma receita de R$ 7 bilhões em 2025, alta de 7% sobre o ano anterior. A projeção é encerrar este ano com faturamento acima de R$ 8 bilhões. A ideia é que a marca chegue a R$ 15 bilhões em receita até 2032. A companhia é a quarta maior produtora de carne suína no Brasil, atualmente, atrás de MBRF (a empresa resultante da fusão entre BRF e Marfrig), Aurora e JBS, por meio da marca Seara. Após investir R$ 1,35 bilhão para aumentar a capacidade de sua fábrica de processamento de suínos em Assis Chateaubriand (PR), a companhia elegeu São Paulo como um mercado estratégico para ganhar receita. Hoje, a unidade fabril abate mais de 7.000 suínos por dia, mas a ideia é que o espaço dobre sua capacidade de processamento em breve e atinja a marca de 23 mil suínos por dia em 2032. "A planta ainda precisa de alguns investimentos. Vamos investir em torno de R$ 150 milhões em máquinas e equipamentos, mas a parte de construção civil está pronta", afirma o presidente da Frimesa. Zydek aponta que São Paulo é um mercado estratégico também por sua proximidade com o Paraná, pelo poder aquisitivo do estado e pela escala nacional. Desde o fim de 2025, a companhia estampa a marca na camisa do Corinthians, um patrocínio que não teve valores divulgados, mas já foi renovado até o fim deste ano. A companhia, que anunciou investimento de cerca de R$ 120 milhões para o reposicionamento de seus produtos nos supermercados, contratou duas consultorias para um projeto para repaginar os produtos da marca. A ideia é ter cores mais vibrantes no portfólio. Na linha de lácteos, foram introduzidos novos produtos para a linha zero açúcar, impulsionada pela tendência das canetas emagrecedoras, como Ozempic e Mounjaro. O aumento da capacidade produtiva da Frimesa também deve impulsionar as exportações de suínos para outros países. Hoje, um terço da receita da companhia vem dessa frente, sendo que os principais mercados da empresa fora do Brasil são Singapura, Filipinas e Hong Kong – os três representam, juntos, 35% da receita das exportações. Uruguai e Argentina completam o top 5.

Como o consumo de carne suína é estritamente proibido no Alcorão, a empresa tem passado praticamente ilesa pelo conflito geopolítico instaurado no estreito de Hormuz. Mas, ainda que suas exportações utilizem rotas alternativas, o aumento no preço do frete e do petróleo impacta os ganhos da empresa. "O frango está indo para a zona de guerra hoje. O suíno não. Então, só temos o efeito do frete. Mesmo assim, não dá para tirar proveito dessa guerra. Acho que só fabricantes de armas mesmo [estão ganhando com a guerra]", diz Zydek. Nessa linha, o executivo estima que o câmbio de equilíbrio ideal para a operação seria que o dólar figurasse na casa de R$ 5,30, um pouco acima do patamar atual. "O câmbio está nos prejudicando. Ajuda a quem importa, mas prejudica quem exporta", aponta ele, que ainda espera por uma redução mais acentuada da taxa Selic no país -- a inflação, no entanto, voltou ao radar com a escalada da guerra e pode prejudicar a queda dos juros.

FOLHA DE SP

 

GOVERNO 

 

Brasil conclui negociações para exportar gado vivo e material genético para Ruanda

Em 2025, o Brasil exportou mais de US$ 392 milhões em gado vivo e material genético bovino para a África

 

O governo brasileiro concluiu negociações que permitirão ao Brasil exportar gado vivo e material genético para Ruanda. As aberturas de mercado abrangem bovinos e búfalos vivos para reprodução; bovinos vivos para engorda e abate; embriões bovinos e bubalinos; e sêmen bovino, informa o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Além de fortalecer o comércio com Ruanda, as aberturas sinalizam crescentes oportunidades na África para produtores brasileiros e para serviços de assistência técnica, em vista do grande potencial do continente africano em termos de crescimento econômico e expansão demográfica. Em 2025, o Brasil exportou mais de US$ 392 milhões em gado vivo e material genético bovino para a África. Com este anúncio, o agronegócio brasileiro alcançou 552 aberturas de mercado desde o início de 2023.

MAPA

 

Acordo UE-Mercosul vai entrar em vigor em 1º de maio

Entre os setores do agronegócio mais beneficiados estão a carne, o açúcar e o etanol, frutas, pescados e suco de laranja. Exportadores brasileiros poderão usufruir das novas possibilidades de acesso ao mercado europeu

 

O acordo provisório de comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) vai entrar em vigor em 1º de maio. A vigência ocorre após as notificações entre as partes. O decreto legislativo que aprovou o texto do acordo provisório foi publicado em 17 de março. No dia seguinte, 18 de março, o Brasil notificou oficialmente a Comissão Europeia sobre a conclusão dos procedimentos internos de ratificação do acordo. A União Europeia, por sua vez, notificou hoje o Brasil, concluindo os procedimentos formais. Em comunicado conjunto, os ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) e o Itamaraty informaram que está em “estágio avançado de tramitação” o decreto de promulgação, o ato final que incorpora tratados e acordos internacionais ao ordenamento jurídico interno, tornando-os obrigatórios. Com isso, a partir de 1 de maio, os exportadores brasileiros poderão usufruir das novas possibilidades de acesso ao mercado europeu, com redução de tarifas e eliminação de barreiras ao comércio bilateral. Entre os setores produtivos do agronegócio mais beneficiados pelo acordo entre Mercosul e União Europeia estão a carne, o açúcar e o etanol, frutas, pescados e suco de laranja.

GLOBO RURAL

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ

 

Endividamento das famílias recua no Paraná

Mesmo com melhora no controle das dívidas, o alto uso do cartão de crédito ainda pressiona o orçamento das famílias paranaenses.

 

Os paranaenses começam a mostrar sinais de maior controle financeiro, mas o cenário ainda exige atenção. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC em parceria com a Fecomércio PR, revelam que o percentual de famílias endividadas no Paraná recuou em fevereiro — embora siga acima da média nacional. Endividamento das famílias no Paraná: queda leve, mas acima da média nacional. Em fevereiro, o índice de famílias com algum tipo de dívida caiu de 85,1% para 84,5% no estado. Apesar da redução, o número ainda supera a média nacional, de 80,2%. No ranking entre os estados brasileiros, o Paraná ocupa a 14ª posição entre os mais endividados, indicando que, embora haja melhora, o nível de comprometimento da renda ainda é elevado. Inadimplência no Paraná: aumento acende sinal de alerta. Mesmo com um cenário relativamente melhor que o restante do país, a inadimplência apresentou crescimento. O percentual de famílias com contas em atraso subiu de 13,9% para 15,2%. Também aumentou a parcela de consumidores que não conseguem pagar suas dívidas, passando de 2,7% para 3,1%. Ainda assim, o estado mantém posição favorável no ranking nacional, ficando entre os menores índices de inadimplência do Brasil.

Cartão de crédito lidera endividamento e pressiona renda. O cartão de crédito segue como o principal vilão do orçamento das famílias paranaenses, sendo citado por 94,8% dos entrevistados. Outras modalidades aparecem bem atrás: financiamento de veículos (7,4%);

financiamento imobiliário (7%); carnês (4,9%). O dado reforça o peso do crédito de curto prazo no endividamento e indica a necessidade de maior planejamento financeiro. Renda e endividamento: famílias de menor renda seguem mais pressionadas. A pesquisa também mostra diferenças relevantes entre faixas de renda. Famílias com rendimento de até dez salários-mínimos continuam sendo as mais endividadas, com 85,3% declarando possuir dívidas. Já entre as famílias com renda mais alta, houve redução no índice, que caiu para 81%.

A leve queda no endividamento aponta para um movimento positivo de ajuste financeiro no Paraná. No entanto, o aumento da inadimplência e a forte dependência do cartão de crédito mostram que o cenário ainda exige cautela — especialmente para as famílias de menor renda.

GAZETA DO POVO 

 

ECONOMIA

 

Dólar supera R$5,25 com continuação do conflito no Oriente Médio

Após a queda firme da véspera, o dólar voltou a subir no Brasil nesta terça-feira, para acima dos R$5,25, em um dia negativo para as moedas de países emergentes em meio à continuação do conflito no Oriente Médio.

 

No início da tarde, o Banco Central realizou uma operação cambial, aumentando a liquidez no mercado à vista, mas ainda assim a moeda norte-americana encerrou a sessão em alta. O dólar à vista fechou com elevação de 0,25%, aos R$5,2549. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 4,26%. Às 17h03, o dólar futuro para abril -- o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,28% na B3, aos R$5,2610. Na segunda-feira o dólar havia fechado com baixa superior a 1%, após o presidente dos EUA, Donald Trump, citar conversas com o Irã e adiar por cinco dias ataques a usinas do país. Na terça-feira, porém, o cenário era diverso, com o Irã lançando mísseis contra Israel e voltando a negar qualquer negociação com os norte-americanos.

Com o Estreito de Ormuz ainda sob a mira do Irã, o petróleo tipo Brent voltou a superar os US$100 o barril, reforçando os receios sobre os impactos inflacionários nos países. Os rendimentos dos Treasuries também subiam diante da perspectiva de juros mais altos nos EUA.

Já o dólar sustentou ganhos ante a maior parte das demais divisas, incluindo moedas de países emergentes como o real, o peso mexicano e o peso chileno. “O dólar voltou a operar em alta, refletindo a deterioração do ambiente de risco global diante da incerteza sobre a efetividade das negociações entre Estados Unidos e Irã”, resumiu à tarde Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. No início da tarde, o BC vendeu US$1 bilhão em leilão de linha (venda de dólares com compromisso de recompra), em operação que representou a injeção de recursos novos no mercado à vista, melhorando a liquidez. Ainda assim, o dólar se manteve em alta ante o real. Pela manhã, os agentes também se debruçaram sobre a ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que na semana passada cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,75% ao ano. No documento, o BC afirmou que "a magnitude e a duração do ciclo de calibração (da Selic) serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises". Entre analistas do mercado e investidores, a ata manteve a divisão sobre o que o BC anunciará no fim de abril: nova redução de 25 pontos-base da Selic, aceleração do corte para 50 pontos-base ou mesmo manutenção da taxa, a depender da guerra no Oriente Médio.

REUTERS

 

Ibovespa destoa dos demais ativos locais e das bolsas de NY e fecha em alta 

Forte alta das ações da Petrobras ajuda a impulsionar o principal índice da B3

 

Depois de oscilar entre perdas e ganhos na terça-feira ao sabor das notícias em torno da guerra no Oriente Médio, o Ibovespa conseguiu suporte para se estabilizar no campo positivo e adotar uma alta moderada perto do fim do pregão. Pelo fato de as ações da Petrobras representarem uma parcela significativa do índice, a subida de quase 3% dos papéis da petroleira ajudou a principal referência acionária local a encerrar no azul e a destoar também de Wall Street. No fim do dia, o Ibovespa encerrou em alta de 0,32%, aos 182.509 pontos, após oscilar entre os 179.915 pontos e os 182.649 pontos. Entre as blue chips, o destaque ficou para as ações da Petrobras: as PN subiram 2,69% e as ON ganharam 2,51%. Da mesma forma, as ON da Vale exibiram valorização de 0,79%. Papéis de bancos encerraram majoritariamente no negativo, com as ON do Banco do Brasil liderando as perdas, no valor de 1,29%. A exceção ficou para as units do BTG Pactual, que subiram 0,72%. Segundo participantes do mercado, a nova rodada de ataques no Oriente Médio voltou a elevar os prêmios de risco, o que chegou a pressionar para baixo o Ibovespa durante parcela da manhã. No entanto, a alta das ações da atuou como contraponto para manter o índice no campo positivo, juntamente com o avanço da Petrobras. O volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 17,6 bilhões e de R$ 25,0 bilhões na B3. Já em Wall Street, os principais índices fecharam no negativo. No fim, o Nasdaq cedeu 0,84%; o S&P 500 cedeu 0,37%; e o Dow Jones recuou 0,18%.

VALOR ECONÔMICO

 

Arrecadação federal cresce 5,68% em fevereiro e bate recorde para o mês

Resultado é o melhor de fevereiro desde o início da série histórica em 1995. País arrecadou R$ 222,12 bilhões no mês passado

 

A arrecadação do governo federal teve alta real de 5,68% em fevereiro sobre o mesmo mês do ano anterior, somando R$ 222,12 bilhões, informou a Receita Federal na terça-feira (24). O resultado é o melhor para meses de fevereiro da série histórica da Receita Federal, iniciada em 1995. No acumulado de janeiro e fevereiro, a arrecadação cresceu 4,41% acima da inflação em comparação com o primeiro bimestre de 2025, a R$ 547,87 bilhões, patamar também recorde para o período. Os recursos administrados pela Receita, que englobam a coleta de tributos de competência da União, cresceram 6,17% em termos reais em fevereiro frente a um ano antes, a R$ 215,21 bilhões. Essa elevação foi mais que suficiente para compensar o desempenho da receita administrada por outros órgãos, que tem peso relevante de royalties de petróleo e caiu 7,46% no mês passado, a R$ 6,91 bilhões. Teve papel relevante no dado do mês uma alta de R$ 2,29 bilhões, equivalente a 35,7% na comparação com janeiro de 2025, nos ganhos com IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que teve alíquotas elevadas pelo governo no ano passado. A Receita ainda destacou o desempenho do Imposto de Renda sobre rendimentos de capital, que cresceu 19,4%, em razão de ganhos de contribuintes com papéis de renda fixa.

O fisco também apontou influência positiva do comportamento de indicadores econômicos que afetam a arrecadação e ganhos de PIS/Cofins, que subiram 8,5%, em função do crescimento do setor de serviços e do desempenho do setor ligado à extração de petróleo.

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Governo piora projeção de déficit fiscal em 2026 e anuncia contenção de R$1,6 bi em gastos de ministérios

O governo Luiz Inácio Lula da Silva disse na terça-feira que precisará implementar um bloqueio de R$1,6 bilhão em gastos de ministérios para cumprir o limite de despesas do ano, apontando que não será necessário contingenciar recursos para atingir o piso da meta fiscal.

 

Em relatório bimestral de avaliação fiscal, os ministérios da Fazenda e do Planejamento apontaram que a previsão é que o governo feche 2026 com um déficit primário de R$59,8 bilhões, mas o saldo iria a um superávit de R$3,5 bilhões após abatimento de exceções ao cálculo da meta, como precatórios. O detalhamento dos cortes por ministério será apresentado até o fim do mês. A meta fiscal de 2026 é de superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$34,3 bilhões, com tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB para mais ou para menos -- um intervalo que vai de um saldo zero a um superávit de R$68,6 bilhões. A primeira projeção feita pelo governo neste ano para o resultado primário de 2026 é significativamente pior do que a prevista no Orçamento, que estabeleceu um resultado primário negativo de R$22,9 bilhões sem abatimento das exceções, ou um superávit de R$34,9 bilhões após as exclusões legais da meta. Ao fazer a avaliação sobre eventual necessidade de cortes, o governo seguiu mirando o piso da margem de tolerância da meta. Desse modo, as pastas apontaram que ainda há uma sobra de R$3,5 bilhões em relação ao limite inferior do alvo, não sendo necessário contingenciar recursos. Segundo os cálculos oficiais, a receita líquida do governo, que exclui transferência a Estados e municípios, deve ficar R$13,7 bilhões menor do que o estimado no Orçamento, a R$2,577 trilhões. A previsão de despesas totais, por sua vez, foi elevada em R$23,3 bilhões na comparação com o Orçamento aprovado para este ano, sob pressão de maiores despesas obrigatórias.

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