CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1071 DE 20 DE MARÇO DE 2026
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Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1071 | 20 de março de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Mercado do boi: preço sobe em MT/MS e mantém estabilidade em SP
Na quinta-feira (19/3), Agrifatto identificou valorização na arroba em 4 regiões (GO, MG, MT, MS); no mercado paulista, macho terminado segue valendo R$ 350/@. O preço do boi gordo permaneceu estável no Estado de São Paulo – em R$ 350/@ (no prazo) – e na maioria das 17 praças monitoradas diariamente pela Agrifatto. No PARANÁ: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: cinco dias. Boi China: PARANÁ: R$ 343,50/@ (à vista) e R$ 347,00/@ (prazo)
Analistas da consultoria identificaram um movimento de valorização na arroba em 4 regiões do Brasil – em Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Pelos dados apurados pela Scot Consultoria, no mercado paulista, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 347/@, enquanto o “boi-China”, a vaca gorda e a novilha terminada são negociadas em R$ 350/@, R$ 322/@ e R$ 335/@, respectivamente (no prazo, valores brutos). Além de São Paulo, a Scot acompanha a movimentação dos negócios em 32 praças pecuárias do País.
Segundo o zootecnista Felipe Fabbri, analista da Scot, na primeira quinzena de março/26, o mercado do boi gordo alternou momentos de estabilidade e quedas nos preços da arroba.
Porém, diz Fabbri, na comparação mensal, as cotações da arroba seguem sustentadas, “indicando que o movimento de baixa encontra dificuldades para ganhar tração e pode ser menos intenso do que em anos anteriores”. Desde a abertura desta semana, recorda Fabbri, o mercado do boi tem dado sinais de estabilidade nas cotações, mas com pontos de atenção, como os conflitos no Oriente Médio, o que atrapalha o escoamento da exportada, além do ritmo mais lento da demanda doméstica, um reflexo do menor poder aquisitivo da população brasileira neste período do mês – quando, sazonalmente, há um esgotamento dos salários recebidos no dia quinto dia útil. “A oferta menor de boiadas gordas, somada ao desempenho da demanda até então, é suficiente para limitar o viés baixista proposto pelo comprador”, observa Fabbri. Cotações do boi gordo desta quinta-feira (19/3), conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: seis dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: quatro dias.
MATO GROSSO: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: cinco dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 340,00. Boi China/Europa: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: seis dias. TOCANTINS: Boi comum: R $ 330,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: cinco dias. Pará: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: quatro dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 305,00. Vaca: R$ 285,00. Novilha: R$ 295,00. Escalas: nove dias.
MARANHÃO: Boi: R$ 330,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 300,00. Escalas: cinco dias.
Preços brutos do “boi-China” nesta quinta-feira (19/3), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 346,50/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 328,50/@ (à vista) e R$ 332,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$338,50/@ (à vista) e R$ 342,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 336,50/@ (à vista) e R$ 340,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 328,50/@ (à vista) e R$ 332,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 332,50/@ (à vista) R$ 336,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 328,50/@ (à vista) e R$ 332,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 309,00/@ (à vista) e R$ 312,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 314,00/@ (à vista) e R$ 317,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 323,50/@ (à vista) e R$ 327,00/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
Boi/Cepea: Abate recorde de fêmeas ajuda a explicar valorização de reposição
Dados do IBGE divulgados na quarta-feira, 18, mostram que, no acumulado de 2025, foram abatidas 13,5 milhões de vacas adultas e 6,5 milhões de novilhas no Brasil, volumes recordes e com fortes incrementos de 15,8% e de 23,5%, respectivamente, quando comparados aos de 2024.
Em termos absolutos, de 2024 para 2025, houve aumento de 3 milhões de cabeças abatidas de fêmeas, sendo 1,8 milhão referentes a vacas adultas e 1,2 milhão, a novilhas. Pesquisadores do Cepea indicam que esses dados ajudam a explicar o contínuo movimento de valorização dos animais de reposição. Levantamento do Centro de Pesquisas mostram que, em Mato Grosso do Sul (Indicador CEPEA/ESALQ), o bezerro nelore, de 8 a 12 meses, registra média de R$ 3.254,37 nesta parcial de março (até o dia 17), sendo 3% acima da de fevereiro/26 e 24,3% maior que a de março de 2025, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IGP-DI). Trata-se, também, da maior média mensal desde junho de 2021.
CEPEA
SUÍNOS
Foco de Peste Suína no Piauí leva a abate de 17 animais enquanto Nordeste discute erradicação da doença
Reunião em Recife avança Plano Brasil Livre de Peste Suína Clássica em paralelo a ações de contenção no campo.
Representantes dos serviços veterinários estaduais do Nordeste se reuniram em Recife para discutir o avanço do Plano Brasil Livre de Peste Suína Clássica. O Encontro reúne órgãos de defesa agropecuária para alinhar medidas de vigilância, controle e erradicação da doença na região. A Iniciativa tem como objetivo estruturar ações coordenadas entre os estados nordestinos. O alinhamento técnico ocorre porque a circulação do vírus em áreas específicas mantém restrições sanitárias e limita o acesso a mercados para a suinocultura regional. As discussões incluem padronização de protocolos, fortalecimento da vigilância e definição de estratégias para ampliar o controle sanitário. A coordenação regional reduz o risco de disseminação entre estados com fronteiras produtivas interligadas. No município de Pedro II, no Norte do Piauí, a Agência de Defesa Agropecuária do Estado (Adapi) realizou o abate sanitário de 17 suínos após a confirmação de um foco de peste suína clássica. A medida foi executada para interromper a transmissão do vírus na propriedade afetada. O protocolo foi adicionado após a confirmação da doença em 26 de fevereiro. As ações incluíram a eliminação dos animais expostos, desinfecção completa da área e descarte adequado das carcaças, conforme normas sanitárias. Após o foco, equipes técnicas intensificaram a vigilância em propriedades próximas para identificar possíveis novos casos, a estratégia prioriza detecção rápida porque a disseminação do vírus depende da movimentação de animais e da falha em medidas de biosseguridade. A doença não apresenta risco à saúde humana, porém gera impacto econômico direto da produção. O controle exige eliminação imediata dos animais infectados e restrições sanitárias nas áreas afetadas, o que afeta a atividade suinícola local.
A ocorrência do foco no Piauí reforça a necessidade de execução coordenada do plano regional. A continuidade de casos isolados mantém a pressão sobre os sistemas de defesa agropecuária e exige padronização das ações entre os estados.
GOVERNO DE PERNAMBUCO
CEPEA: Alta do milho derruba poder de compra do suinocultor pelo 6º mês seguido
Valorização de 4,6% do milho em março pressiona custos, enquanto preço do suíno vivo segue praticamente estável em São Paulo.
O poder de compra do suinocultor paulista frente ao milho caiu pelo sexto mês consecutivo em março, pressionado pela forte valorização do cereal, segundo levantamento do Cepea. Na parcial do mês (até o dia 17), os dados indicam que, embora o preço do suíno vivo tenha permanecido praticamente estável, o avanço mais intenso das cotações do milho reduziu a capacidade de compra dos produtores. De acordo com o Cepea, o milho negociado no mercado de lotes de Campinas (SP) atingiu média de R$ 70,96 por saca de 60 kg, representando alta de 4,6% em relação a fevereiro. Esse foi o avanço mensal mais expressivo desde março de 2025, refletindo um cenário de oferta restrita no mercado spot e demanda aquecida para formação de estoques. Na mesma comparação, o suíno vivo posto na indústria na praça SP-5 foi comercializado à média de R$ 6,94 por quilo, registrando leve alta de 0,5% frente a fevereiro. A valorização do animal, no entanto, foi insuficiente para acompanhar o ritmo de alta do milho, principal insumo da atividade, o que acabou pressionando a rentabilidade do produtor. Com esse cenário, o suinocultor paulista passou a adquirir menos milho com a venda do suíno vivo. Segundo o Cepea, com a comercialização de um quilo do animal, o produtor consegue comprar: 5,87 quilos de milho, volume 3,9% inferior ao registrado em fevereiro. Apesar da queda no comparativo mensal, a relação de troca ainda apresenta leve melhora de 2% na comparação anual, indicando que o cenário, embora pressionado, ainda é menos desfavorável do que no mesmo período de 2025. Pesquisadores do Cepea destacam que a valorização do milho está ligada principalmente à baixa disponibilidade no mercado à vista e ao aumento da demanda para formação de estoques. Além disso, o setor acompanha com atenção as incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio, que têm influenciado decisões estratégicas de compra e armazenamento de grãos. Diante do avanço dos custos com alimentação, o setor de suinocultura segue operando sob pressão, com atenção redobrada à evolução dos preços dos insumos e do suíno vivo. O comportamento do mercado de grãos e a demanda por carne suína serão determinantes para definir o equilíbrio econômico da atividade nos próximos meses.
CEPEA
EMPRESAS
Pamplona Alimentos lucra menos com custos mais altos e ambiente financeiro restritivo
Para 2026, companhia catarinense de carne suína planeja quase dobrar investimentos
A catarinense Pamplona Alimentos, de carne suína, registrou lucro líquido de R$ 56,3 milhões em 2025, 34,4% inferior aos R$ 85,88 milhões contabilizados no ano anterior, informou a companhia ao Valor. De acordo com a empresa, o resultado se deve à queda da rentabilidade operacional no período e ao “ambiente financeiro mais restritivo” observado no exercício.
A empresa com sede em Rio do Sul (SC) também reportou que seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) caiu 11,7% no ano passado, para R$ 164,7 milhões. O resultado reflete, principalmente, margens menores no mercado interno e externo em razão de custos mais altos de matérias-primas ao longo do ano. A margem Ebitda em 2025 recuou para 7,41%, em comparação a 8,84% um ano antes. A Pamplona Alimentos conseguiu ampliar sua receita líquida em 5,4% no ano passado, para R$ 2,22 bilhões. O incremento, conforme a companhia, reflete tanto o aumento das vendas no Brasil, de 2,89%, quanto no mercado externo, de 7,33%. A produção total chegou a aproximadamente 156 mil toneladas, considerando todas as linhas do portfólio. “O ano passado foi marcado pela continuidade da estratégia de diversificação de mercados e pelo avanço em eficiência operacional. Mesmo em um ambiente de custos pressionados, mantivemos a trajetória de crescimento da receita e ampliamos os investimentos em modernização e inovação”, afirmou em comunicado a diretora-presidente da Pamplona Alimentos, Irani Pamplona Peters. Apesar dos lucros menos expressivos em 2025 em relação a 2024 — quando o lucro líquido da companhia disparou — o plano é quase dobrar os investimentos em 2026, para mais de R$ 100 milhões, disse a executiva ao Valor. No ano passado, a empresa investiu R$ 52,1 milhões, 56,8% mais do que no exercício anterior, em modernização industrial, projetos de eficiência operacional e inovações tecnológicas voltadas à cadeia produtiva. “Em 2026, daremos continuidade ao plano de investimentos, com foco em eficiência operacional e evolução do portfólio. Estão previstas ampliação de linhas e modernizações de processos”, afirmou a diretora-presidente da Pamplona Alimentos. “Também avançamos na expansão das granjas próprias e em iniciativas de melhoramento genético”, acrescentou. A companhia enfatizou que a disciplina financeira e o fortalecimento da geração de caixa continuarão sendo aspectos centrais de sua estratégia para este ano. Em maio do ano passado, a Pamplona Alimentos havia anunciado investimento de R$ 144 milhões, destinados à atualização das plantas de Rio do Sul (SC) e Presidente Getúlio (SC), à fábrica de ração em Laurentino (SC) e a melhorias das granjas de suínos. Fundada em 1948 pelo casal Lauro e Ana Pamplona, a empresa conta hoje com duas plantas industriais próprias em Rio do Sul e Presidente Getúlio e uma fábrica de ração em Laurentino, além de uma unidade terceirizada em Chapecó, também em Santa Catarina. Possui ainda um centro de distribuição e outros nove centros logísticos espalhados pelo país. A operação abrange, além disso, oito granjas próprias e mais de 300 propriedades integradas, totalizando um rebanho superior a 555 mil suínos. Sob o comando da segunda geração da família — Irani Pamplona Peters, filha do casal, assumiu a presidência da companhia em 2009, enquanto seu irmão, Valdecir Pamplona, passou a liderar o conselho —, a Pamplona Alimentos desenvolveu ao longo das décadas um portfólio à base de carne suína que hoje abrange produtos frescos, defumados, curados, temperados e congelados. No mercado externo, onde começou a atuar em 1996, a empresa vende para mais de 20 países, dos quais se destacam Filipinas, China, Chile, Japão, México, Emirados Árabes, Argentina, Coréia do Sul, Cingapura e Canadá, de acordo com a executiva. Além de investimentos maiores, a empresa buscará um crescimento maior da receita líquida neste ano, superior a 5%, segundo a presidente. As exportações, responsáveis por metade da receita da empresa, devem crescer entre 3% e 5%. “O plano é manter o atual percentual de exportações na receita líquida total, com crescimento equilibrado entre os mercados interno e externo”, disse a executiva. “Até porque no Brasil temos uma marca consolidada de produtos com valor agregado para o consumidor final”, continuou. A diretora-presidente pontuou, ainda, que a combinação de eficiência operacional, verticalização, presença internacional e investimentos estruturais tornam a companhia mais capaz de atravessar ciclos do setor e sustentar crescimento no longo prazo.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
Febre aftosa acende alerta sanitário na Europa e reforça vigilância no Reino Unido
Febre Aftosa acende alerta sanitário após um foco na Grécia e quais medidas estão sendo tomadas no Reino Unido
O ressurgimento da Febre Aftosa na Europa voltou a mobilizar autoridades sanitárias e produtores. O alerta foi intensificado após a confirmação de um foco da doença em uma fazenda na ilha de Lesbos, na Grécia, marcando o primeiro registro local desde 1994 e o primeiro caso no país desde 2000. Dos 288 animais suspeitos — incluindo bovinos e ovinos — nove bovinos testaram positivo para a doença em uma propriedade próxima à cidade de Pelopi. Como medida imediata, toda a ilha foi declarada zona restrita, com proibição da movimentação de animais, reforçando os protocolos de contenção. O avanço da doença também preocupa em Chipre, onde o surto já atinge 38 propriedades. Mais de 15 mil animais foram abatidos, incluindo cerca de 14 mil ovinos e caprinos e aproximadamente 1.100 bovinos. Relatos indicam ainda resistência de produtores às medidas sanitárias, com episódios de confronto durante ações obrigatórias de inspeção e abate. Diante do cenário, o Reino Unido adotou novas restrições para proteger seu rebanho. Após já ter proibido importações provenientes de Chipre, o país ampliou as medidas para produtos originários da Grécia, incluindo: Animais vivos suscetíveis à doença. Carne fresca e produtos cárneos (salvo tratamento térmico adequado). Leite e derivados. Material genético. Subprodutos animais e insumos como feno e palha. O Department for Environment, Food & Rural Affairs destacou que as ações seguem critérios técnicos e científicos, buscando equilibrar proteção sanitária e manutenção do comércio seguro. A veterinária-chefe do país, Christine Middlemiss, reforçou que há planos robustos para evitar a entrada da doença, mas destacou a necessidade de vigilância contínua nas propriedades. A orientação oficial é para que produtores mantenham rigor absoluto nos protocolos sanitários e comuniquem imediatamente qualquer suspeita. A febre aftosa é uma doença de notificação obrigatória e de rápida disseminação, com impacto direto na produção pecuária e no comércio internacional.
PIG WORLD
EMPRESAS
MBRF vê cenário favorável para grãos do Brasil, mas amplia estoques diante de incertezas
A empresa de alimentos MBRF, uma das maiores compradoras de soja e milho do Brasil para a produção de ração aos seus produtores integrados de frangos e suínos, avalia que o cenário para safras brasileiras em 2026 segue favorável, mas ampliou seus estoques de grãos para lidar com surpresas climáticas e eventual alta de preço das matérias-primas relacionada à guerra no Irã.
"Aumentamos nossos estoques de grãos e de produtos... Estamos preparados com aumento de estoques... para em 2026 enfrentar possíveis aumentos por fatores climáticos e fator de guerra", disse o sócio controlador da MBRF, o empresário Marcos Molina. Molina, presidente do conselho de administração da MBRF, afirmou em teleconferência de resultados trimestrais que a empresa nunca "esteve tão bem-preparada" para iniciar um ano, que começou turbulento com a guerra no Golfo Pérsico. Ele citou também o cenário de menor oferta de boi no Brasil e nos Estados Unidos, mas ressaltou que a companhia aumentou sua capacidade e deverá usar confinamentos bovinos próprios para trabalhar "em níveis rentáveis". Por outro lado, afirmou ele, a empresa observa um aumento do consumo de proteínas tanto no Brasil como no mundo. "A proteína tem se destacado entre as commodities", observou. Mais cedo na teleconferência, o diretor vice-presidente de Finanças e de Relações com Investidores, José Ignácio Scoseria Rey, havia sinalizado um cenário positivo para a companhia em relação à oferta de milho e soja, importante fator para os custos. Ele afirmou que o Brasil deverá voltar a ter uma colheita de milho acima de 130 milhões de toneladas, similar à produção do ano passado, confiando nas condições climáticas para a segunda safra, que ainda está em plantio.
Com relação à soja, ele citou estimativa de uma produção recorde de cerca de 180 milhões de toneladas, com colheita já em estágio avançado. "De forma geral, o cenário de grãos está muito positivo", disse o executivo. Com relação a eventuais impactos do custo dos fertilizantes nitrogenados pela guerra no Irã, o diretor comentou que ele não é imediato para a produção de grãos no Brasil. Poderia haver algum problema se o conflito no Golfo Pérsico, por onde transitam importantes volumes de fertilizantes, acabar se estendendo. "Tem tempo para isso, o choque (de preço) nos fertilizantes não deverá impactar a produção no curto prazo", afirmou.
Sobre custos de petróleo e impactos no frete, ele disse que isso também dependerá da duração do conflito. O CEO da companhia, Miguel Gularte, reiterou na quinta-feira que a companhia se vê preparada, e até tem vantagens competitivas, para enfrentar os efeitos da guerra no Oriente Médio, onde estão alguns de seus mais importantes mercados no exterior.
Na véspera, ele afirmou a jornalistas que a companhia migrou seus estoques para o destino -- inicialmente por preocupações relacionadas à gripe aviária --, o que agora amplia a flexibilidade para lidar com questões logísticas no conflito. Gularte destacou também a expertise logística da companhia, que opera na região do Oriente Médio desde a década de 70, como outro trunfo para seguir abastecendo os países da região do Golfo Pérsico, em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz. Questionado sobre o indicador de alavancagem, que aumentou no último trimestre de 2025 para 3,35 vezes (dívida líquida/Ebitda ajustado), ante 2,47 no mesmo período de 2024, o vice-presidente de Finanças disse que ele foi impactado pelo "fator dólar", mas que a empresa tem como prioridade mantê-lo "sob controle" e tem instrumentos para isso. "E mesmo com juros, com queda mais tímida do que podíamos prever antes da guerra, a companhia tem todas as condições para gerar caixa e manter a alavancagem sob controle", declarou, lembrando que as sinergias da fusão da Marfrig com a BRF atuam como um "buffer" e devem somar cerca de R$600 milhões em 2026. Ele comentou ainda que a companhia, em caso de necessidade, tem condição de "temporizar" o capex. "Mas temos convicção de que o projeto que estamos desenvolvendo tem um retorno." O executivo disse ainda que os projetos de expansão, embora existam alguns sendo executados, devem reduzir a pressão sobre o investimento. "Mesmo com 'pipeline' de projetos ainda sendo executados, olhando para frente, esse capex deveria cair", disse, admitindo que o indicador, no quarto trimestre, foi um ponto fora da curva. No quarto trimestre, os investimentos consolidados totalizaram R$2,18 bilhões, dos quais R$591,2 milhões foram destinados às operações de carne bovina. Com os investimentos, a companhia prevê crescimento no volume de vendas da área de bovinos na América do Sul de 7% a 8%, com o "ramp-up" do aumento das capacidades de abate e desossa nas unidades da Argentina, Uruguai e Brasil. Já a operação "BRF" terá aumento de capacidade de 60 mil toneladas/ano em 2026, após um crescimento de 100 mil toneladas/ano em 2025, focada na categoria de processados.
REUTERS
MBRF diz que embarques para Oriente Médio seguem ocorrendo normalmente
Empresa conta com rede logística que a permite redirecionar cargas na região, segundo executivos. Potenciais impactos da guerra no Irã tendem a ser mitigados pela demanda de outros mercados
O diretor-presidente global da MBRF, Miguel Gularte, disse em teleconferência sobre os resultados do quarto trimestre e do ano de 2025, que não houve interrupção do fluxo de embarques de seus produtos para o Oriente Médio em função dos conflitos na região.
“Os embarques para essa região estão ativos e funcionando perfeitamente”, afirmou Gularte a analistas. O executivo lembrou que a companhia opera no Oriente Médio desde a década de 1970 e que, por isso, conta com uma rede logística que a permite redirecionar cargas inicialmente destinadas a portos com operações comprometidas para outros terminais em atividade na região, para então distribuir produtos internamente usando caminhões ou frete marítimo via feeder (navios menores). Tanto a demanda quanto os preços dos alimentos nos diversos países do Oriente Médio estão em “ascensão”, segundo Gularte, algo esperado em momentos de guerra, em que a população busca comprar mais comida e água para estocar em casa, por temor de desabastecimento. A MBRF já vinha reforçando seus estoques em países onde opera desde 2024. Com isso, a empresa tem estoques para suprir o Oriente Médio por um bom período. Potenciais impactos da guerra no Irã para a companhia tendem a ser mitigados pela demanda de outros mercados, disse na quinta-feira (19/03) durante teleconferência o diretor vice-presidente de Finanças, Relações com Investidores, Gestão e Tecnologia, José Ignácio Rey. Entre eles a própria China, cujos dados de consumo no feriado do Ano Novo Lunar sinalizam demanda aquecida, e que há pouco tempo liberou importações de carne de frango do Rio Grande do Sul, até então bloqueadas. Além disso, a companhia espera demanda adicional da Europa, que em novembro informou oficialmente a retomada do sistema de habilitação por indicação da autoridade sanitária nacional, o chamado pré-listing, para estabelecimentos de carne de aves e ovos do Brasil. A MBRF possui 11 plantas habilitadas para exportar para Europa e 15 para o Reino Unido - algumas habilitadas para ambas as áreas.
“Quando conflito no Oriente Médio pode impactar é o momento em que o fluxo de exportação está batendo recorde e o mercado internacional está muito ávido por carne de frango”, afirmou Rey a analistas.
VALOR ECONÔMICO
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Impactos do fim da escala 6×1 preocupam agro do Paraná e acendem alerta nacional
Mesmo com avanço tecnológico, setor aponta limites para compensar impactos do fim da escala 6"1 no campo.
A possível redução da jornada de trabalho no modelo 6x1, com carga semanal passando de 44 para 36 horas, acendeu um sinal de alerta no agronegócio do Paraná. Um estudo do Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) estima que a mudança pode gerar impacto anual de R$ 4,1 bilhões no setor, além de exigir a contratação de cerca de 107 mil trabalhadores para manter o atual nível de produção. O tema, ainda em discussão no país, mobiliza entidades do setor produtivo e levanta preocupações sobre competitividade, custos e oferta de alimentos. O presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, afirma que o estado do Paraná, por sua relevância nacional, funciona como um indicativo do que pode ocorrer em outras regiões. Segundo ele, a preocupação se estende a outras federações. “O Sistema Faep tem mantido contato com as federações dos demais estados, que também têm preocupação em relação à questão da possível redução da jornada 6x1”, afirma. O levantamento considera uma base de cerca de 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões, incluindo encargos. Com a redução da jornada, seria necessário recompor aproximadamente 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”. Cadeias como avicultura e suinocultura, que operam de forma contínua, tendem a ser mais impactadas, assim como setores dependentes de janelas curtas de colheita, como hortifruti, café e fumo. Para Meneguette, a principal consequência imediata é a elevação dos custos. Além da pressão financeira, o setor enfrenta um desafio estrutural: a escassez de mão de obra. De acordo com o estudo, a necessidade de 107 mil novos trabalhadores esbarra na realidade do mercado atual. O impacto, segundo o presidente da Faep, deve atingir produtores de todos os portes, ainda que de formas distintas. “Todos os produtores rurais serão impactados. O grande vai precisar contratar mais colaboradores diante de um mercado onde há escassez de mão de obra, enquanto os pequenos terão um gasto a mais no custo de produção, muitas vezes sem poder assumir”, explica. Embora alternativas como mecanização e automação sejam frequentemente apontadas como solução, Meneguette avalia que o cenário brasileiro ainda limita esse caminho.
GAZETA DO POVO
Paraná expande produção agropecuária entre 2018 e 2025, diz Ipardes
Um levantamento do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge), aponta que todas as principais culturas de grãos e da pecuária do Paraná tiveram saltos expressivos na produção nos últimos sete anos.
"Esse resultado é fruto de estímulos ao setor, crédito e ampliação da infraestrutura energética baseada em fontes renováveis, estradas novas e um porto mais eficiente. O Paraná precisava apostar naquilo que é competitivo. Temos as maiores cooperativas da América Latina e centenas de agroindústrias e produtores que dedicam seu trabalho na produção de alimentos. Esse crescimento ajudou o PIB do Paraná e gerou dividendos para milhares de famílias", afirma o governador Carlos Massa Ratinho Junior. O Paraná conseguiu criar bons ambientes de negócios nos últimos anos, desburocratizou licenças, instalou redes trifásicas no campo e estamos em pleno ciclo de novos investimentos com a formatação dos Fundo de Investimento Agrícola do Paraná. Com esses investimentos públicos, criamos as condições ideais para atração de investimentos privados e para posicionar o Paraná, que já exporta alimentos para mais de 190 territórios, um dos grandes supermercados do mundo. A soja, principal cultura do Paraná, saltou de 19.035.720 toneladas para 22.212.100 toneladas, patamar recorde de toda a série histórica. O aumento foi de 16,6% em sete anos. No milho (primeira e segunda safras, cujas produções acontecem entre setembro e dezembro e janeiro e março), o aumento foi ainda maior, saindo de 12.760.610 toneladas para 20.865.600 toneladas, aumento de 63,5%.
O plantio de feijão, que tem o Paraná como maior produtor nacional, saltou de 635.086 toneladas para 736.500 toneladas, chegando ao patamar de 860.843 toneladas em 2024, maior valor da série. O aumento foi de 15,9% entre 2018 e 2025. A arroz, que ajuda a completar o PF do brasileiro, teve produção ampliada de 137.328 toneladas para 148.700 toneladas, salto de 8,2%. Essa também foi a realidade em outros segmentos da produção agropecuária. A safra de aveia saltou de 175.114 toneladas em 2018 para 257.200 toneladas em 2025, aumento de 46,8%. A produção de batata variou de 813.173 toneladas para 864.900 toneladas, maior patamar da série, com salto de 6,3%. A cevada foi de 219.232 toneladas para 492.900 toneladas, variação superior a 100%, e a produção de centeio saiu de 4.455 toneladas para 6.500 toneladas. Na pecuária, cuja medição é trimestral, o Paraná ampliou a participação nacional em escala de milhões de unidades nos últimos sete anos. Na produção de frangos, o salto foi de 449 milhões de unidades no 4º trimestre 2018 para 588 milhões de unidades no 4º trimestre 2025, um aumento de 30%. O Paraná produz mais de 2 bilhões de frangos por ano e já tem cerca de 34% do mercado nacional. A produção de suínos saiu de 2,3 milhões de unidades para 3,1 milhões de unidades. O Paraná é o segundo maior produtor e encurtou a distância para Santa Catarina nos últimos anos. Em relação aos bovinos, a evolução foi de 387 mil unidades para 432 mil unidades. Na piscicultura o salto também é relevante: de 123 mil toneladas em 2018 para 273 mil toneladas em 2025. Na produção de leite o salto é igualmente relevante, saindo de 842 milhões de litros de leite no 4º trimestre 2018 para 1,1 bilhão de litros no 4º trimestre 2025.
GOVERNO DO PARANÁ
ECONOMIA
Dólar acompanha exterior e fecha em baixa em relação ao real
Depois de oscilar em alta ante o real na maior parte do dia, na esteira das decisões sobre juros do Brasil e dos EUA, o dólar virou para o negativo à tarde e fechou a quinta-feira em queda, em sintonia com a melhora dos mercados no exterior.
O dólar à vista fechou a sessão com baixa de 0,52%, aos R$5,2164, acompanhando o recuo firme da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, como o rand sul-africano e o peso mexicano. No ano, a divisa passou a registrar queda de 4,98%. Às 17h05, o dólar futuro para abril -- o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 0,57% na B3, aos R$5,2315. No início da sessão o dólar chegou a ultrapassar os R$5,30, acompanhando o avanço naquele momento das cotações no exterior e refletindo as decisões de política monetária da véspera, quando o Federal Reserve manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% e o Banco Central do Brasil cortou a Selic de 15% para 14,75%. No meio da tarde, porém, a moeda norte-americana perdeu força ante o real, também acompanhando a derrocada da divisa dos EUA no exterior, em paralelo à queda dos Treasuries e dos preços do petróleo. Assim, o dólar à vista despencou para a mínima de R$5,2024 (-0,79%) às 16h06. O movimento esteve em sintonia com a melhora dos demais ativos brasileiros, com o Ibovespa virando para o positivo e as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) migrando para o território negativo no meio da tarde. No exterior, o recuo da moeda norte-americana era forte neste fim de tarde, com o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda frente a uma cesta de seis divisas fortes -- caindo 0,97%, a 99,227. No início do dia, o Banco Central do Brasil vendeu, em dois leilões simultâneos, US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$1 bilhão de swap cambial reverso -- neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro. Ao fazer o chamado "casadão", o BC eleva a liquidez no mercado à vista em momentos de estresse como o atual, em meio à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
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Ibovespa reage e fecha em alta
No setor de proteínas, MINERVA ON desabou 10,7%, com executivos da maior exportadora de carne bovina da América do Sul afirmando que o primeiro trimestre do ano está sendo mais difícil, considerando as volatilidades dos mercados em meio à guerra no Irã e as pressões de custos, como aqueles gerados pela alta do petróleo para o transporte. Analistas do UBS BB destacaram que a perspectiva para os preços do gado no Brasil permanece volátil, e riscos podem surgir de como a dinâmica de margens evoluirá para os frigoríficos no país. Na véspera, a Minerva reportou Ebitda de R$1,17 bilhão no quarto trimestre, alta de 24,1%.
O Ibovespa fechou em alta na quinta-feira, revertendo as perdas registradas em boa parte da sessão e ultrapassando 181 mil pontos no melhor momento, com Hapvida entre os destaques positivos, disparando após sinalização de tendências mais positivas para o primeiro trimestre do ano. Em meio a uma série de resultados corporativos, investidores da bolsa paulista também repercutiram decisão do Banco Central de cortar a Selic a 14,75% ao ano na véspera, bem como continuaram acompanhando desdobramentos envolvendo conflito no Oriente Médio. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,35%, a 180.270,62 pontos, após marcar 176.295,71 na mínima do dia. Na máxima, chegou a 181.250,84 pontos. O volume financeiro somou R$38 bilhões. O barril sob o contrato Brent superou US$119 brevemente nesta quinta-feira, após o Irã atacar instalações de energia no Oriente Médio, mas desacelerou o movimento e terminou a US$108,65, em alta de 1,18%, o que corroborou a melhora do sentimento de investidores no pregão brasileiro. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC abriu um aguardado ciclo de corte de juros com redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, para 14,75%, mas defendeu cautela à frente, citando “forte aumento da incerteza” com o acirramento dos conflitos no Oriente Médio.
Também na quinta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que deixa o cargo e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o comando da pasta será assumido por Dario Durigan, atual secretário-executivo do ministério.
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