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CLIPPING DO SINDICARNE NÂș 1045 DE 10 DE FEVEREIRO DE 2026

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Sindicato da IndĂșstria de Carnes e Derivados no Estado do ParanĂĄ

Ano 5 | nÂș 1045 | 10 de fevereiro de 2026

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL 

 

Depois de romper a barreira dos R$ 340/@, preço do “boi-China” sobe mais R$ 2/@

Na segunda-feira (9/2), o preço do boi gordo sem padrão-exportação subiu R$ 3/@ no mercado de São Paulo, para R$ 335/@, enquanto a cotação do “boi-China” registrou valorização de R$ 2/@, batendo R$ 342/@ (valores brutos, no prazo), segundo apuração da Scot Consultoria. No PARANÁ: Boi: R$ 340,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: cinco dias. No Paraná: Boi China: R$ 331,00/@ (à vista) e R$ 335,00/@ (prazo)

 

Pelos dados apurados pela Agrifatto, das 17 praças brasileiras monitoradas diariamente, o boi gordo subiu em uma delas na segunda-feira, no MaranhĂŁo. No restante das regiĂ”es, os preços ficaram estĂĄveis. Segundo destaca a Agrifatto, o mercado fĂ­sico do boi gordo mantĂ©m, desde meados de janeiro/26, um movimento consistente de valorização nos preços da arroba, sobretudo em SĂŁo Paulo, a praça de referĂȘncia no setor pecuĂĄrio. Na avaliação dos analistas da Agrifatto, depois de romper, na semana passada, a barreira dos R$ 340/@, a expectativa agora Ă© de que os preços do “boi-comum” e do “boi-China” abatidos em SĂŁo Paulo fiquem prĂłximos dos R$ 350/@ no curto prazo. “A sustentação do viĂ©s de alta estĂĄ diretamente ligada Ă  oferta restrita de animais terminados, o que tem dificultado o alongamento das escalas de abate para alĂ©m de 5 dias”, afirmam os analistas da consultoria. AlĂ©m disso, as condiçÔes climĂĄticas favorĂĄveis no campo, com a recuperação das pastagens apĂłs um perĂ­odo de chuvas generosas, tĂȘm permitido a retenção da boiadas nas fazendas, o que fortalece o poder de barganha dos produtores. Pelo lado da demanda, o consumo interno de carne bovina segue em ritmo bom, enquanto as exportaçÔes do produto in natura estĂŁo bastante aquecidas, puxadas pela forte demanda da China, Estados Unidos, entre outros. “Tais fatores tĂȘm pressionado a indĂșstria a conceder reajustes positivos na arroba, reforçando a tendĂȘncia de alta no mercado”, ressalta a Agrifatto. CotaçÔes do boi gordo desta segunda-feira (9/2), conforme levantamento diĂĄrio da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 340,00. MĂ©dia: R$ 340,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: seis dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 320,00. Boi China: R$ 320,00. MĂ©dia: R$ 320,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: cinco dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 320,00. Boi China: R$ 320,00. MĂ©dia: R$ 320,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: cinco dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 310,00. Boi China: R$ 310,00. MĂ©dia: R$ 310,00. Vaca: R$ 290,00. Novilha: R$ 300,00. Escalas: cinco dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 320,00. Boi China/Europa: R$ 320,00. MĂ©dia: R$ 320,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: cinco dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 310,00. Boi China: R$ 320,00. MĂ©dia: R$ 315,00. Vaca: R$ 285,00. Novilha: R$ 295,00. Escalas: quatro dias. PARÁ: Boi comum: R$ 310,00. Boi China: R$ 320,00. MĂ©dia: R$ 315,00. Vaca: R$ 285,00. Novilha: R$ 295,00. Escalas: quatro dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 290,00. Vaca: R$ 270,00. Novilha: R$ 275,00. Escalas: seis dias. MARANHÃO: Boi: R$ 310,00. Vaca: R$ 285,00. Novilha: R$ 285,00. Escalas: seis dias. Preços brutos do “boi-China” na segunda-feira (9/2), de acordo com levantamento diĂĄrio da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 338,00/@ (Ă  vista) e R$ 342,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto regiĂŁo Sul): R$ 318,50/@ (Ă  vista) e R$ 322,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$308,50/@ (Ă  vista) e R$ 312,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 318,50/@ (Ă  vista) e R$ 320,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 316,50/@ (Ă  vista) e R$ 320,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 313,50/@ (Ă  vista) R$ 317,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 312,50/@ (Ă  vista) e R$ 316,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 291,50/@ (Ă  vista) e R$ 295,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 311,50/@ (Ă  vista) e R$ 316,00/@ (prazo)

TOCANTINS: R$ 306,50/@ (à vista) e R$ 310,00/@ (prazo).

SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO

 

Carne Bovina in natura: Primeira semana de fevereiro tem exportaçÔes brasileiras de mais de 68 mil t

Mesmo com menor volume embarcado, preços mais firmes sustentam a receita externa no início de fevereiro.

 

As exportaçÔes brasileiras de carne bovina, com base nos nĂșmeros apresentados nesta segunda-feira (09) pela Secretaria de ComĂ©rcio Exterior (Secex), totalizaram 68.344,0 toneladas, enquanto em fevereiro de 2025 apresentou um total de 190.430,7 toneladas. Apesar da redução no volume absoluto, a mĂ©dia diĂĄria em toneladas foi mais elevada em 2026, com 13.668,8 toneladas, contra 9.521,5 toneladas no mĂȘs completo de fevereiro de 2025. O valor mĂ©dio por tonelada tambĂ©m apresentou incremento. Nos primeiros dias de 2026, o preço chegou a US$ 5.619 por tonelada, acima dos US$ 4.928 registrados na mĂ©dia de fevereiro de 2025. A receita alcançou US$ 384 milhĂ”es no mesmo intervalo, enquanto em todo o mĂȘs de fevereiro de 2025, o faturamento foi de US$ 938,4 milhĂ”es. Quando se observa o ritmo diĂĄrio, o inĂ­cio de 2026 registrou uma mĂ©dia de US$ 76,8 milhĂ”es por dia. JĂĄ ao longo de fevereiro de 2025, esse indicador ficou em US$ 46,9 milhĂ”es, evidenciando um avanço relevante no valor mĂ©dio negociado no perĂ­odo mais recente.

SECEX/MDIC

 

Boi China’ deverá resistir a salvaguardas do país asiático à carne

Para especialistas, produção do animal com caracterĂ­sticas especĂ­ficas para atender o paĂ­s asiĂĄtico Ă© um caminho sem volta. 'Boi China' jĂĄ Ă© visto por muitos clientes internacionais como “padrĂŁo” brasileiro para a carne exportada

 

A imposição de salvaguardas pela China Ă  carne bovina brasileira trouxe incertezas para a pecuĂĄria nacional, jĂĄ que o paĂ­s asiĂĄtico Ă© o principal comprador do produto — em 2025 foi destino de quase metade das exportaçÔes. Mas, independentemente dos impactos que essas restriçÔes possam causar, uma coisa Ă© certa: a produção do chamado “boi China”, animal com caracterĂ­sticas especĂ­ficas para atender Ă quele mercado, Ă© um caminho sem volta, segundo especialistas. Isso porque esse animal jĂĄ Ă© visto por muitos clientes internacionais como “padrĂŁo” brasileiro para a carne exportada. TambĂ©m hĂĄ ganhos ambientais. Entre os prĂ©-requisitos para ser considerado “boi China” estĂĄ o abate em atĂ© 30 meses e que o animal tenha atĂ© quatro dentes. O boi tambĂ©m deve vir de unidades que nĂŁo tenham registros de doença de “mal da vaca louca”, entre outros (ver quadro). Esses protocolos estabelecidos entre as autoridades brasileiras e chinesas, em 2004, visam a evitar principalmente casos dessa doença que atinge o sistema nervoso dos animais. Desde 2019, quando as exportaçÔes de carne bovina Ă  China começaram a crescer de forma mais acelerada, a pecuĂĄria brasileira passou por uma transformação para ampliar a produção do animal com essas caracterĂ­sticas e atender ao novo patamar da demanda chinesa. Os pecuaristas tiveram de investir em tecnologia para chegar a esse animal, mas tambĂ©m ganharam mais, jĂĄ que a arroba do “boi China” tem um prĂȘmio em relação Ă  do boi “convencional”, abatido aos 36 meses. A consultoria Athenagro, especializada em pecuĂĄria, calcula que, atualmente, o ‘boi China’ representa cerca de 75% da pecuĂĄria comercial brasileira, e a pecuĂĄria comercial, por sua vez, Ă© responsĂĄvel por 90% da carne que chega Ă  prateleira do consumidor aqui no Brasil ou lĂĄ fora. “A gente nĂŁo tem como fugir mais disso, temos uma pecuĂĄria nova. Muita gente reclama porque tem maior oferta de ‘boi China’ e estĂĄ diminuindo o prĂȘmio, mas a gente acelerou a engorda dos animais, aumentou a produtividade, e o pecuarista nĂŁo vai parar de fazer o boi nesse padrĂŁo tecnolĂłgico”, diz MaurĂ­cio Palma Nogueira, sĂłcio-diretor da Athenagro. AntĂŽnio Lobato, que cria 4 mil cabeças de gado entre duas fazendas em IgarapĂ©-AçĂș, no nordeste do ParĂĄ, Ă© um dos que nĂŁo irĂŁo voltar atrĂĄs. “O boi China trouxe uma melhora de preço grande, chegamos Ă  diferença de R$ 10 por arroba em relação ao gado convencional”, lembra. Na sexta-feira (6/2), o “boi China” estava cotado a R$ 317 por arroba em Paragominas (PA), segundo a Scot Consultoria. O valor era R$ 2 por arroba superior ao do gado convencional na regiĂŁo. Em SĂŁo Paulo, essa diferença estava em R$ 8 por arroba, com o “boi China” cotado a R$ 340 por arroba. “Eu jĂĄ abatia com 28 a 30 meses, mas os fazendeiros da minha regiĂŁo começaram a trabalhar muito para baixar a idade de abate”, conta AntĂŽnio Lobato A alternativa encontrada pelos pecuaristas, segundo ele, foi ampliar as estruturas de Terminação Intensiva a Pasto (TIP). Nesse sistema, os bovinos recebem uma dieta altamente concentrada com nutrientes, mesmo estando em pastagens. Na avaliação da consultoria Ponta Agro, uma das maiores vantagens da TIP, Ă© a redução da idade de abate, passando de 36 a 42 meses nos sistemas convencionais para 24 a 30 meses nos intensivos. Segundo a consultoria, essa redução significa uma “diferença muito considerĂĄvel em termos de lucratividade”. O pecuarista Lobato afirma que para ter essa estrutura Ă© preciso fazer alteraçÔes no layout da propriedade, ter cochos, maquinĂĄrio de transporte de ração e armazenagem. “Os valores de investimento mudam de acordo com o tamanho da fazenda, mas facilmente passam de R$ 1 milhĂŁo”, estima. Ele nĂŁo vĂȘ espaço para mudanças no sistema de produção do “boi China,” mesmo que a demanda do paĂ­s asiĂĄtico por carne diminua. “O boi do Brasil Ă© o mais barato do mundo. Se a China passar a comprar mais [carne] de outros lugares, outros paĂ­ses vĂŁo comprar do Brasil”, avalia Lobato.

Todas as mudanças na forma de produzir o gado — promovidas pela demanda chinesa — tambĂ©m levaram Ă  redução das emissĂ”es de diĂłxido de carbono pela pecuĂĄria, jĂĄ que os bois sĂŁo abatidos mais cedo. Segundo o Insper Agro Global, o boi abatido aos 36 meses emite, em mĂ©dia, 91,4 kg de CO2 equivalente por quilo de carne, enquanto o “boi China”, com 30 meses, tem emissĂŁo mĂ©dia de 5,8 kg de CO2 equivalente por quilo de carne. “Do ponto de vista ambiental, se o gado vive menos, ele vai fazer menos fermentação entĂ©rica no processo digestivo, reduzindo as emissĂ”es. VocĂȘ tem menos pressĂŁo sobre desmatamento tambĂ©m”, ressalta Gabriela Cruz, pesquisadora do Insper Agro Global.

GLOBO RURAL

 

SUÍNOS

 

IA Revoluciona o Setor Rural com RobĂŽs Alimentadores de SuĂ­nos

A utilização de InteligĂȘncia Artificial (IA) no universo rural nĂŁo para de surpreender, demonstrando um potencial vasto e em constante expansĂŁo.

 

Com o objetivo de aprimorar o desempenho das operaçÔes, aliviar a carga de trabalho dos agricultores e maximizar os resultados, tecnologias de ponta estĂŁo sendo aplicadas de forma eficaz no campo. Um exemplo notĂĄvel desta tendĂȘncia Ă© o robĂŽ alimentador de suĂ­nos, que serĂĄ exibido entre 9 e 13 de fevereiro no Show Rural Coopavel, um evento voltado Ă  inovação no setor agropecuĂĄrio. A empresa Roboagro, situada em Caxias do Sul, no estado do Rio Grande do Sul, foi responsĂĄvel por desenvolver o protĂłtipo do robĂŽ, que exemplifica o uso avançado de IA na nutrição animal. Segundo Gustavo Bernart, mĂ©dico veterinĂĄrio que atua na ĂĄrea de Fomento da Coopavel, essa tecnologia, embora existente hĂĄ alguns anos, passa por melhorias contĂ­nuas. InovaçÔes recentes incluem a instalação de cĂąmeras e sensores que monitoram a temperatura tanto dos animais quanto do ambiente, alĂ©m de calcular o peso de cada suĂ­no individualmente. Essa tecnologia Ă© coordenada via um aplicativo, permitindo aos proprietĂĄrios programar horĂĄrios e quantidades exatas de alimentação. Criadores vinculados Ă  Coopavel e localizados na regiĂŁo de atuação da cooperativa estĂŁo entre os que jĂĄ fazem uso dessa tecnologia, relatando resultados excepcionalmente positivos. Mauro Turchatto, gerente do FrigorĂ­fico de SuĂ­nos da Coopavel, destaca que uma das principais vantagens do robĂŽ Ă© a redução significativa da carga de trabalho dos produtores. Com o robĂŽ assumindo parte das funçÔes rotineiras, os criadores podem dedicar mais tempo Ă  gestĂŁo da propriedade e ao desenvolvimento de estratĂ©gias para aumentar a lucratividade. Especialistas da Roboagro explicam que o robĂŽ nĂŁo apenas minimiza as perdas de ração, mas tambĂ©m otimiza o tempo de operação e melhora a eficiĂȘncia da conversĂŁo alimentar. Esses fatores juntos promovem um melhor bem-estar para os animais. A empresa estabeleceu inĂșmeras parcerias, incluindo uma colaboração com a Embrapa SuĂ­nos e Aves, para expandir o uso desta inovadora tecnologia em vĂĄrias regiĂ”es do Brasil e em paĂ­ses da AmĂ©rica Latina, consolidando sua presença no mercado internacional. A incorporação da IA atravĂ©s desse robĂŽ no processo de alimentação animal destaca como a tecnologia pode impulsionar o setor agrĂ­cola ao otimizar recursos e melhorar as condiçÔes operacionais, trazendo benefĂ­cios tangĂ­veis tanto para os produtores quanto para os animais.

G1/PARANÁ

 

FRANGOS

 

Emirados Árabes lideram compras e impulsionam exportaçÔes brasileiras de frango

PaĂ­s do Golfo ampliou importaçÔes em 14%, ajudando a elevar embarques nacionais ao recorde de 459 mil toneladas no mĂȘs.

 

Os Emirados Árabes Unidos foram o principal destino das exportaçÔes de carne de frango processada e in natura do Brasil em janeiro. De acordo com os dados do perĂ­odo divulgados na Ășltima sexta-feira (06) pela Associação Brasileira de ProteĂ­na Animal (ABPA), o paĂ­s do Golfo importou 44,3 mil toneladas no primeiro mĂȘs do ano, em alta de 14% sobre o mesmo perĂ­odo de 2025. A África do Sul foi o segundo destino, ao importar 36,8 mil toneladas, em alta de 34%, e ArĂĄbia Saudita foi o terceiro, com compras que atingiram 33,5 mil toneladas (+5%). China, JapĂŁo, UniĂŁo Europeia, Filipinas, Coreia do Sul, Singapura e Chile completam o ranking dos dez maiores importadores de carne de frango em janeiro, perĂ­odo em que, no total, os embarques subiram 3,6% e atingiram 459 mil toneladas, recorde para o perĂ­odo. A nota da ABPA observou que o desempenho recorde em um perĂ­odo de demanda reduzida, como Ă© o caso de janeiro, indica perspectivas “otimistas” para as exportaçÔes no decorrer deste ano. Isto indica crescimento sustentado em diversos mercados importadores, especialmente nos Emirados Árabes, na África do Sul, nos paĂ­ses da UniĂŁo Europeia e em determinados mercados da Ásia com expressiva demanda. Os principais estados exportadores de carne de frango foram ParanĂĄ, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, SĂŁo Paulo e GoiĂĄs.

ABPA

 

Frango de corte e ovos movimentam mais de R$ 140 bilhÔes e reforçam peso da avicultura no agro brasileiro

Dados do VBP mostram crescimento do setor em 2025, impulsionado por ganhos de eficiĂȘncia produtiva, expansĂŁo do consumo interno e fortalecimento da competitividade nacional e internacional.

 

A avicultura brasileira encerra 2025 reafirmando sua posição como uma das cadeias mais relevantes, estruturadas e capilarizadas do agronegócio nacional. Dados do Valor Bruto da Produção (VBP), atualizados pelo Ministério da Agricultura e Pecuåria (Mapa) em 16 de janeiro de 2026, mostram que frango de corte e ovos somaram R$ 141,6 bilhÔes em faturamento no ano, consolidando a avicultura entre os principais motores econÎmicos do agro brasileiro.

Somente o frango de corte respondeu por R$ 112,4 bilhĂ”es em VBP em 2025, enquanto a produção de ovos alcançou R$ 29,2 bilhĂ”es. Na comparação com 2024, quando os valores haviam sido de R$ 106,6 bilhĂ”es e R$ 26,7 bilhĂ”es, respectivamente, o crescimento foi de 5,4% no frango de corte e de 9,3% nos ovos. Em termos absolutos, a avicultura adicionou cerca de R$ 8,2 bilhĂ”es ao VBP nacional em apenas um ano. Mesmo com esse avanço, a participação relativa da avicultura no VBP total do agro apresentou leve recuo. O frango de corte passou de 8,40% do VBP nacional em 2024 para 7,92% em 2025, enquanto os ovos recuaram de 2,11% para 2,06%. O movimento, no entanto, nĂŁo indica perda de relevĂąncia, mas reflete o crescimento mais acelerado de outras cadeias, especialmente soja, bovinocultura de corte e cafĂ©, que ampliaram significativamente sua fatia no total nacional. O frango de corte manteve em 2025 a condição de segunda proteĂ­na animal do Brasil em termos de faturamento. O VBP de R$ 112,4 bilhĂ”es coloca a atividade Ă  frente da bovinocultura de leite, da suinocultura e da produção de ovos, alĂ©m de consolidar o frango entre as seis maiores atividades agropecuĂĄrias do paĂ­s. Na comparação anual, o crescimento de 5,4% reflete uma cadeia madura, com expansĂŁo mais moderada, porĂ©m consistente. Diferentemente de culturas sujeitas a oscilaçÔes climĂĄticas mais severas, o frango de corte apresenta maior previsibilidade produtiva, sustentada por integração vertical, alto nĂ­vel tecnolĂłgico e ciclos curtos de produção. O desempenho tambĂ©m indica que o avanço do VBP do frango nĂŁo decorre apenas de preços, mas de ganhos de eficiĂȘncia produtiva, conversĂŁo alimentar, genĂ©tica e escala industrial. Trata-se de uma cadeia que cresce “por dentro”, com incrementos graduais de produtividade e organização. No recorte estadual, o ParanĂĄ segue como o grande motor da avicultura brasileira. Em 2025, o VBP do frango de corte no estado alcançou R$ 38,9 bilhĂ”es, frente a R$ 37,3 bilhĂ”es em 2024, crescimento de aproximadamente 4,5%. O valor representa cerca de 34,6% de todo o VBP nacional do frango, evidenciando a forte concentração produtiva. Santa Catarina mantĂ©m a segunda posição, com R$ 15,1 bilhĂ”es em 2025, crescimento de 5,6% em relação aos R$ 14,3 bilhĂ”es de 2024. O estado reforça seu papel estratĂ©gico nĂŁo apenas pela escala, mas pelo padrĂŁo sanitĂĄrio e pela forte presença no mercado externo. SĂŁo Paulo aparece na sequĂȘncia, com VBP de R$ 13,3 bilhĂ”es, crescimento de 5,4% sobre 2024. O Rio Grande do Sul registra um dos avanços percentuais mais expressivos entre os grandes produtores: de R$ 9,9 bilhĂ”es para R$ 10,8 bilhĂ”es, alta de quase 9%. GoiĂĄs fecha o grupo dos cinco maiores, com R$ 9,3 bilhĂ”es, crescimento tambĂ©m prĂłximo de 5,4%. Esse conjunto de estados responde pela maior parte do faturamento nacional da cadeia e reflete um modelo produtivo fortemente baseado em integração, logĂ­stica estruturada, indĂșstria frigorĂ­fica instalada e acesso a mercados. AlĂ©m dos lĂ­deres histĂłricos, a anĂĄlise do VBP revela crescimento consistente em estados como Minas Gerais e Mato Grosso. Minas alcançou R$ 8,35 bilhĂ”es em 2025, frente a R$ 7,98 bilhĂ”es em 2024, enquanto Mato Grosso superou R$ 3,5 bilhĂ”es. Esses movimentos indicam a interiorização gradual da avicultura, especialmente em regiĂ”es com forte produção de grĂŁos, que reduzem custos de ração e favorecem a competitividade. Mesmo estados com participação menor no ranking nacional apresentaram crescimento, o que reforça o carĂĄter disseminado da atividade no territĂłrio brasileiro.

O PRESENTE RURAL

 

EMPRESAS

 

GTF, que produz frangos, capta US$ 60 milhÔes e prepara nova fase de expansão

Empresa vai usar parte dos recursos na modernização de suas unidades de aves, o que permitirå elevar a fatia das exportaçÔes na receita. Vinicius Gonçalves: GTF estå se adaptando aos novos håbitos de consumo

 

A paranaense GTF, uma das seis maiores produtoras de frango do paĂ­s, concluiu sua primeira captação externa, de US$ 60 milhĂ”es (aproximadamente R$ 320 milhĂ”es), movimento que deve garantir Ă  companhia recursos para uma nova etapa de expansĂŁo no mercado externo, em um momento de avanço de concorrentes como MBRF e JBS, e para ampliar a oferta de produtos de maior valor agregado no mercado domĂ©stico. A captação, coordenada pelo Citi e feita por meio de uma operação sindicalizada que envolveu outros bancos da AmĂ©rica do Sul e Central, vai ajudar a GTF a investir em 2026 montante similar ao do ano passado, cerca de R$ 200 milhĂ”es, dando sequĂȘncia a um plano de expansĂŁo que mira faturamento de R$ 10 bilhĂ”es em sete anos. Para este ano, a projeção Ă© atingir cerca de R$ 4,7 bilhĂ”es, 9% acima do ano passado. No curto prazo, hĂĄ a meta de aumentar a participação das exportaçÔes na receita, de 20% a 25% hoje para 30% a 35% atĂ© o fim do ano ou começo do ano que vem, por meio de investimentos em modernização e mais automação de plantas, disse ao Valor o vice-presidente e diretor financeiro da GTF, Vinicius Gonçalves. Outro objetivo Ă© elevar a participação dos produtos como frango em pedaços, temperado, com peso padrĂŁo, na receita, para acompanhar mudanças de hĂĄbitos dos consumidores e trazer maiores margens ao negĂłcio.

“Historicamente fomos uma empresa que produziu muito volume com baixo valor agregado. Aos poucos, estamos migrando, sabemos que hoje famĂ­lias cada vez menores buscam mais praticidade, um produto com peso padrĂŁo. EntĂŁo esse tem sido o nosso grande foco”, disse Gonçalves. Entre 65% e 70% do que a GTF produz hoje fica no mercado interno, dos quais cerca de 30% sĂŁo de itens mais porcionados. O plano Ă© chegar a 50% em cerca de trĂȘs anos.

Uma parcela do dinheiro captado também irå para a cadeia produtiva de ovos e matrizes. Hå expectativa de aumentar o abate diårio das atuais 650 mil aves para perto de 1 milhão dentro de cinco anos. Os recursos também permitirão à empresa alongar o perfil da sua dívida, de dois para quatro anos na média. A GTF ainda usarå parte dos dólares para fortalecer seu caixa.

Empresa familiar fundada em 1992 em MaringĂĄ (PR), com foco no abate e comercialização de frangos, e ainda hoje administrada pelo fundador e sucessores, a GTF gradualmente verticalizou operaçÔes e cresceu por meio de aquisiçÔes. Em 2015, adquiriu a Lorenz, fabricante de produtos Ă  base de amido. Por meio da marca Canção, vende hoje mais de 38 mil toneladas de carne de frango, peixes e vegetais congelados por mĂȘs para o Brasil e mais de 100 paĂ­ses. A captação em dĂłlar nĂŁo foi a primeira incursĂŁo no mercado de capitais da companhia que, no passado, atravessou um processo de recuperação judicial, finalizado em 2020. Em 2022, fez sua primeira emissĂŁo de um Certificado de RecebĂ­veis do AgronegĂłcio (CRA), de R$ 83 milhĂ”es. Ano passado, captou R$ 375 milhĂ”es com um segundo CRA. ApĂłs obter margens Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 16% em 2025 e 20% em 2024, a GTF estima retornar a nĂ­veis histĂłricos, prĂłximos a 11%, em 2026. Isso porque, enquanto os custos com grĂŁos devem se manter perto da estabilidade sustentados por boas safras de soja e milho no Brasil, os preços do frango tendem a ficar pressionados pelo aumento dos plantĂ©is, decorrente da normalização da oferta de companhias de genĂ©tica avĂ­cola, segundo Gonçalves. AndrĂ© Cury, head do Citi Commercial Bank para a AmĂ©rica Latina, dĂĄ como certo que mais captaçÔes em dĂłlar por empresas do agronegĂłcio ocorram neste ano. “As exportadoras, principalmente, tĂȘm acesso a esse mercado, tĂȘm o interesse do investidor pelo instrumento utilizado, pela competitividade do agro brasileiro, pela profissionalização e governança das nossas empresas, pelo seu crescimento. Com certeza, teremos outras operaçÔes neste ano”, disse ao Valor.

VALOR ECONÔMICO

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ

 

Mercado de Trabalho/Cepea: AgronegĂłcio brasileiro atinge 28,58 mi de trabalhadores no 3Âș tri de 2025

Segundo pesquisadores do Cepea/CNA, no segmento de insumos, a população ocupada cresceu 1,5% na comparação entre anos. Quanto Ă s de base pecuĂĄria, o desempenho positivo se deveu aos crescimentos observados nas agroindĂșstrias de abate de animais e de laticĂ­nios.

 

O agronegĂłcio brasileiro empregou 28,58 milhĂ”es de pessoas no terceiro trimestre de 2025, aumento de 2,0% (ou de quase 569 mil pessoas) frente ao mesmo perĂ­odo de 2024, conforme indicam pesquisas realizadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e PecuĂĄria do Brasil). Este Ă© o maior contingente registrado para um trimestre, considerando-se toda a sĂ©rie histĂłrica do Cepea/CNA, iniciada em 2012. No mercado de trabalho brasileiro, a mesma comparação mostra avanço de 1,3%, equivalente a aproximadamente 1,37 milhĂŁo de trabalhadores. Diante disso, a participação do setor no total de ocupaçÔes do Brasil atingiu 26,35% no terceiro trimestre de 2025, acima dos 26,15% registrados no mesmo perĂ­odo do ano anterior. Segundo pesquisadores do Cepea/CNA, no segmento de insumos, a população ocupada cresceu 1,5% na comparação entre anos. Com exceção das indĂșstrias de raçÔes, todas as atividades do segmento registraram crescimento no perĂ­odo, com destaque para as indĂșstrias de fertilizantes, defensivos, medicamentos veterinĂĄrios e mĂĄquinas agrĂ­colas. O aumento no nĂșmero de trabalhadores dessas indĂșstrias ao longo do tempo reflete o fortalecimento econĂŽmico das atividades agropecuĂĄrias, cujo desenvolvimento gradual nos Ășltimos anos tem ampliado a demanda por insumos do agronegĂłcio. Para as atividades dentro da porteira, o contingente aumentou 0,7%, desempenho que se deve ao crescimento tanto na agricultura quanto na pecuĂĄria. Na agroindĂșstria, a comparação entre anos mostra o crescimento de 1%. De acordo com pesquisadores do Cepea/CNA, entre as agroindĂșstrias de base agrĂ­cola, contribuĂ­ram para o incremento no segmento as de vestuĂĄrio e acessĂłrios, de bebidas, de mĂłveis de madeira, indĂșstria do etanol. Quanto Ă s de base pecuĂĄria, o desempenho positivo se deveu aos crescimentos observados nas agroindĂșstrias de abate de animais e de laticĂ­nios. Quanto aos agrosserviços, a avanço entre o terceiro trimestre de 2025 e o mesmo perĂ­odo de 2024 foi de 4,5%. Esse resultado expressa tanto o cenĂĄrio econĂŽmico nacional quanto o aumento da relevĂąncia dos agrosserviços para a economia do Brasil. De forma geral, o crescimento das ocupaçÔes nesse segmento estĂĄ fortemente associado Ă  retomada das atividades agroindustriais, que abrangem desde o processamento de produtos agropecuĂĄrios atĂ© a fabricação de insumos – reflexo, em Ășltima instĂąncia, das transformaçÔes econĂŽmicas vivenciadas pelo agronegĂłcio. AlĂ©m disso, o bom desempenho da agropecuĂĄria, impulsionado por expectativas de safras recordes e pela manutenção de elevados nĂ­veis de abate, tem ampliado a necessidade de mĂŁo de obra nos agrosserviços que sustentam essas atividades, contribuindo para aquecer o mercado de trabalho.

CEPEA

 

ECONOMIA

 

DĂłlar fecha abaixo dos R$5,20 em sessĂŁo de fluxo de investimentos para emergentes

O recuo firme da moeda norte-americana no exterior conduziu a queda do dĂłlar ante o real na segunda-feira, para abaixo dos R$5,20, em mais uma sessĂŁo de forte fluxo de investimentos para paĂ­ses emergentes como o Brasil.

 

Em meio ao avanço de mais de 1% do Ibovespa, o dólar à vista fechou o dia com queda de 0,59%, aos R$5,1886 -- o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou aos R$5,1539. No ano, a divisa acumula agora baixa de 5,47%. Às 17h03, o dólar futuro para março -- atualmente o mais líquido no Brasil -- cedia 0,61% na B3, aos R$5,2105.

No exterior, o dĂłlar sustentou baixas firmes ante o iene, apĂłs a vitĂłria eleitoral da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi no fim de semana. AlĂ©m disso, cedeu ante o euro e a libra, com investidores Ă  espera pela divulgação ao longo da semana de dados de varejo, inflação e empregos nos Estados Unidos. O dia tambĂ©m foi de queda firme para o dĂłlar ante moedas de paĂ­ses emergentes, como o rand sul-africano, o peso mexicano e o peso chileno, restando ao real acompanhar a tendĂȘncia. “O dĂłlar opera em queda hoje sob predominĂąncia de fatores externos: a queda acentuada do DXY (Ă­ndice do dĂłlar) e a continuidade do movimento de rotação de fluxos globais em direção a mercados emergentes”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentĂĄrio escrito. “AlĂ©m disso, o ambiente internacional favorĂĄvel ao risco, marcado pela alta das bolsas nos EUA, na Europa e no JapĂŁo, tem dado suporte Ă s moedas emergentes de forma geral, com destaque para o real.” Em paralelo, o Tesouro anunciou pela manhĂŁ a emissĂŁo de tĂ­tulos em dĂłlares no mercado internacional, com um novo benchmark de dez anos, para 2036. AlĂ©m disso, foi realizada captação por meio de tĂ­tulos de 30 anos Global 2056. Conforme o serviço de informaçÔes financeiras IFR, o Brasil captou um total de US$4,5 bilhĂ”es, com US$3,5 bilhĂ”es pelo papel com vencimento para 2036 e US$1,0 bilhĂŁo com o tĂ­tulo para 2056. Como ocorre tradicionalmente, a expectativa Ă© de que essa nova emissĂŁo do Tesouro abra a janela para captaçÔes internacionais por parte de empresas, o que reforça, no mercado, a perspectiva de entrada de mais dĂłlares no paĂ­s, pontuou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “E contra o fluxo nĂŁo hĂĄ argumentos”, disse Rugik, que nĂŁo descarta a possibilidade de um dĂłlar ainda mais fraco no curto prazo, mais prĂłximo dos R$5,00. Pela manhĂŁ, o presidente do Banco Central, Gabriel GalĂ­polo, afirmou durante evento em SĂŁo Paulo que a palavra-chave deste momento do ciclo de polĂ­tica monetĂĄria Ă© “calibragem”, classificando o termo como “essencial”. Ao mesmo tempo, defendeu que a previsĂŁo de corte de juros nĂŁo representa uma "volta da vitĂłria". "A gente estĂĄ numa situação diferente do que estĂĄvamos naquele momento quando a gente concluiu a alta (dos juros) ... Mas tambĂ©m esta nĂŁo Ă© uma volta da vitĂłria, porque justamente a gente ainda tem dados que mostram uma resiliĂȘncia econĂŽmica, por isso que a gente estĂĄ falando de um ajuste", afirmou.

REUTERS

 

Ibovespa fecha acima dos 186 mil pela 1ÂȘ vez puxado por blue chips e com aval de NY

O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira, terminando o dia acima dos 186 mil pontos pela primeira vez, em movimento puxado pelas blue chips ItaĂș Unibanco, Vale e Petrobras, e endossado por Wall Street.

 

Índice de referĂȘncia do mercado acionĂĄrio brasileiro, o Ibovespa subiu 1,89%, a 186.407,8 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo marcado 186.460,08 pontos na mĂĄxima e 182.950,20 pontos na mĂ­nima do dia. O volume financeiro no pregĂŁo somava R$25 bilhĂ”es antes dos ajustes finais.

REUTERS

 

Focus: Mercado reduz projeção para alta do IPCA este ano pela 5ÂȘ semana seguida, a 3,97%

A projeção para a inflação em 2026 caiu pela quinta semana seguida na pesquisa Focus que o Banco Central divulgou na segunda-feira, com apenas pequenos ajustes em outras estimativas.

 

O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econÎmicos, apontou que a expectativa para a alta do IPCA este ano agora é de 3,97%, contra 3,99% na semana anterior. Para 2027, a conta segue em 3,80% por 14 semanas seguidas. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, sempre com margem de tolerùncia de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. A pesquisa semanal com uma centena de economistas não mostrou alteraçÔes na perspectiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), com 1,80% tanto para 2026 quanto para 2027. As contas para a Selic também não sofreram alteraçÔes, e a taxa båsica de juros continua sendo estimada em 12,25% ao final deste ano e em 10,50% no próximo. Com a Selic atualmente em 15%, a perspectiva para o primeiro corte segue sendo março, de 0,5 ponto percentual.

REUTERS

 

Índice global de alimentos cai pelo quinto mĂȘs seguido em janeiro, pressionado por lĂĄcteos, carnes e açĂșcar

O Índice de Preços de Alimentos da FAO registrou nova queda em janeiro de 2026, marcando o quinto recuo mensal consecutivo. O indicador fechou em 123,9 pontos, uma redução de 0,4% em relação a dezembro, refletindo principalmente a queda nas cotaçÔes internacionais de lĂĄcteos, carnes e açĂșcar.

 

Na comparação anual, o Ă­ndice ficou 0,6% abaixo do registrado em janeiro de 2025 e permanece 22,7% inferior ao pico histĂłrico alcançado em março de 2022, quando a guerra na UcrĂąnia e as restriçÔes comerciais impulsionaram fortemente os preços globais. As quedas nos preços de lĂĄcteos, carnes e açĂșcar superaram as altas observadas nos cereais e nos Ăłleos vegetais, garantindo o movimento de baixa no Ă­ndice geral. Carnes: recuo mensal, mas ainda acima do ano passado. O Índice de Preços da Carne da FAO ficou em 123,8 pontos em janeiro, queda de 0,4% frente a dezembro. Apesar disso, o indicador segue 6,1% acima do nĂ­vel observado no mesmo mĂȘs de 2025. A retração mensal foi puxada principalmente pela queda nos preços internacionais da carne suĂ­na. As cotaçÔes recuaram sobretudo na UniĂŁo Europeia, onde a demanda externa esteve mais fraca e a oferta permaneceu elevada, incluindo a liberação de estoques acumulados durante o perĂ­odo de fechamento temporĂĄrio de frigorĂ­ficos nas festas de fim de ano. No caso da carne ovina, os preços permaneceram relativamente estĂĄveis, mesmo com oferta apertada. A demanda sazonal perdeu força apĂłs compras intensas no final de 2025, o que limitou novas altas. A carne bovina tambĂ©m apresentou estabilidade nos preços internacionais. Um dos fatores determinantes foi a mudança no fluxo das exportaçÔes brasileiras apĂłs o esgotamento rĂĄpido da cota tarifĂĄria dos Estados Unidos. Com o fim da cota livre de tarifa, passou a valer a tarifa de 26,4% para volumes adicionais exportados ao mercado norte-americano. Diante desse cenĂĄrio, parte das exportaçÔes brasileiras foi redirecionada para outros destinos, especialmente a China. Importadores chineses anteciparam compras para garantir volumes antes da implementação da cota de salvaguarda para carne bovina anunciada pelo paĂ­s asiĂĄtico. Esse movimento ajudou a sustentar os preços e evitou uma pressĂŁo maior de baixa sobre o produto brasileiro. Na contramĂŁo das demais proteĂ­nas, os preços da carne de frango subiram no mercado internacional. A valorização foi impulsionada principalmente pelo Brasil, sustentada por forte demanda externa. O recuo do Ă­ndice geral reforça o cenĂĄrio de acomodação gradual dos preços internacionais de alimentos apĂłs o perĂ­odo de forte volatilidade iniciado em 2022. Ainda assim, o mercado segue sensĂ­vel a fatores como polĂ­ticas comerciais, restriçÔes tarifĂĄrias e movimentos estratĂ©gicos de grandes importadores. Para o setor de carnes, especialmente o brasileiro, o cenĂĄrio continua marcado por ajustes nos fluxos comerciais e pela necessidade de adaptação rĂĄpida Ă s mudanças nas regras de acesso aos principais mercados.

FAO

 

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