CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1038 DE 30 DE JANEIRO DE 2026
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Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1038 | 30 de janeiro de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Mercado do boi gordo consolida movimento de alta de preços
Cotações da arroba ganharam impulso ao longo desta semana e atingiram o patamar de R$ 330 na praça de São Paulo. Além de SP, a Agrifatto apurou valorização do boi gordo em outras quatro praças: ES, PA, PR e SC. No PARANÁ: Boi: R$ 330,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: seis dias. Boi China: PARANÁ: R$ 326,00/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo)
Na quinta-feira (29/1), o boi gordo voltou a subir na praça de São Paulo, repetindo o movimento de quarta-feira (28/1), informou a Agrifatto, que acompanha diariamente as negociações em 17 regiões brasileiras. Pela apuração da consultoria, o animal sem padrão-exportação e “boi-China” são negociados pelo mesmo patamar – agora ambos valem R$ 330/@, uma valorização de R$ 5/@ sobre a cotação do dia anterior (ou de R$ 10/@ considerando como base os preços vigentes na terça-feira, 27). Na quinta-feira, a Scot Consultoria também detectou aumento nas cotações do boi gordo paulista, embora trabalhe com um método de captação de preços diferente ao utilizado pela equipe da Agrifatto. Pelos números da Scot, os valores do boi gordo (sem padrão-exportação) e do “boi China” subiram R$ 5/@ em São Paulo, para R$ 325/@ e R$ 330/@, respectivamente (no prazo). Além de SP, a Agrifatto apurou valorização do boi gordo em outras quatro praças: ES, PA, PR e SC. Nas demais regiões, os preços ficaram estáveis. No mercado futuro da B3, os contratos do boi gordo encerraram o pregão de quarta-feira (28/1) em alta pelo terceiro dia consecutivo.
O contrato de curtíssimo prazo (com vencimento em janeiro/26) foi negociado a R$ 324,55/@, com acréscimo de 0,48% em relação ao ajuste anterior. A Agrifatto aponta quatro fatores que explicam a atual sustentação dos preços do boi gordo e a esperada continuidade da tendência de alta: a oferta curta de animais terminados, as escalas de abate enxutas, as exportações em ritmo acelerado e um mercado interno de carnes em processo de reação com a chegada da primeira quinzena de fevereiro, período tradicionalmente mais favorável ao consumo. Além disso, diz a consultoria, as boas condições das pastagens naturais oferecem mais tranquilidade ao pecuarista, fortalecendo seu poder de negociação. “Não por acaso, os contratos do boi na B3 já sinalizam valores ainda mais elevados para os próximos meses”, destaca a Agrifatto.
Cotações do boi gordo da quinta-feira (29/1), conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: seis dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 315,00. Boi China: R$ 315,00. Média: R$ 315,00. Vaca: R$ 295,00. Novilha: R$ 305,00. Escalas: cinco dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 315,00. Boi China: R$ 315,00. Média: R$ 315,00. Vaca: R$ 295,00. Novilha: R$ 305,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 305,00. Boi China: R$ 305,00. Média: R$ 305,00. Vaca: R$ 285,00. Novilha: R$ 295,00. Escalas: sete dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 315,00. Boi China/Europa: R$ 315,00. Média: R$ 315,00. Vaca: R$ 295,00. Novilha: R$ 305,00. Escalas: cinco dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 305,00. Boi China: R$ 305,00. Média: R$ 305,00. Vaca: R$ 280,00. Novilha: R$ 290,00. Escalas: cinco dias. PARÁ: Boi comum: R$ 310,00. Boi China: R$ 310,00. Média: R$ 310,00. Vaca: R$ 285,00. Novilha: R$ 290,00. Escalas: quatro dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 275,00. Vaca: R$ 260,00. Novilha: R$ 265,00. Escalas: oito dias. MARANHÃO: Boi: R$ 300,00. Vaca: R$ 275,00. Novilha: R$ 280,00. Escalas: sete dias. Preços brutos do “boi-China” nesta quinta-feira (29/1), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 326,00/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 311,00/@ (à vista) e R$ 315,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$301,50/@ (à vista) e R$ 305,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 306,00/@ (à vista) e R$ 310,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 306,00/@ (à vista) e R$ 310,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 311,00/@ (à vista) R$ 315,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 306,00/@ (à vista) e R$ 310,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 281,50/@ (à vista) e R$ 285,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 306,00/@ (à vista) e R$ 310,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 301,50/@ (à vista) e R$ 305,00/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
Boi/Cepea: Negócios e preços encerram janeiro firmes; tendência segue de alta
O mercado pecuário encerra janeiro com negócios e preços firmes, aponta o Cepea. Em algumas regiões acompanhadas pelo Centro de Pesquisas, reajustes nas cotações são realizados, impulsionados pela oferta restrita de animais.
Diante da necessidade de completar as escalas, compradores acabam pagando os valores pedidos por vendedores. No estado de São Paulo, levantamentos do Cepea mostram que os negócios têm ocorrido majoritariamente entre R$ 325 e R$ 330. Para a carne com osso no atacado da Grande SP, ainda conforme o Centro de Pesquisas, os preços dos cortes que vinham em alta se enfraqueceram, refletindo o menor poder de compra dos consumidores em período de pagamento de tributos (IPVA, por exemplo) e fim do mês.
CEPEA
Indonésia habilita mais 14 frigoríficos brasileiros para exportar carne bovina
Número total de unidades autorizadas a vender para o mercado indonésio saltou para 52.
Notícia foi bem recebida em meio às preocupações dos empresários com a cota para carne bovina adotada pela China em 2026
A Indonésia habilitou na quinta-feira (29/1) mais 14 frigoríficos brasileiros para exportar carne bovina para lá. A informação foi confirmada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua. Em setembro de 2025, o país asiático já havia habilitado 17 plantas. Agora, o número total de unidades autorizadas a vender carne bovina para a Indonésia saltou para 52. "Passamos, em seis meses, de 21 para 52 plantas habilitadas", afirmou Rua à reportagem. A notícia já era aguardada pelo setor frigorífico brasileiro e foi bem recebida em meio às preocupações dos empresários com a cota adotada pela China em 2026, que limitará as exportações em 1,1 milhão de toneladas ao maior parceiro comercial do Brasil. As unidades habilitadas foram auditadas em missão da Indonésia em dezembro de 2025. Os estabelecimentos autorizados agora foram da Frigol, em São Félix do Xingu (PA), Frigorífico Pantanal, em Várzea Grande (MT), Cooperfrigu, em Gurupi (TO), Primafoods, em Araguari (MG), Mercúrio, em Castanhal (PA), Zancheta, em Bauru (SP), Fisacre, em Rio Branco (AC), Minerva, em Barretos (SP), Fribal, em Imperatriz (MA), Distriboi, em Ji-Paraná (RO), e três plantas da JBS, em Andradina (SP), Anastácio (MS) e Campo Grande (MS).
Os 52 frigoríficos habilitados para a Indonésia estão distribuídos pelas cinco regiões do país. Até então, não havia autorização para planta do Nordeste, mas houve aval para a unidade da Fribal, no Maranhão. Em outubro do ano passado, mais de 30 empresários brasileiros do setor de carne bovina estiveram em missão em Jacarta, capital da Indonésia, para tentar ampliar as relações comerciais com o país do sudeste asiático. O Brasil tem uma cota de 188 mil toneladas para exportar para a Indonésia. Até 2023, o número era limitado a 20 mil toneladas. As exportações brasileiras para lá atendem às normas de certificação halal, em conformidade com a lei islâmica para atender exigência para o consumo muçulmano. Essa ampliação e a habilitação de novas plantas começou a surtir efeito nos negócios. Em 2023, as exportações brasileiras de carne bovina para a Indonésia foram de apenas 2,7 mil toneladas e US$ 13,9 milhões em negócios. A quantidade embarcada saltou para 42,9 mil toneladas em 2025, com faturamento de US$ 153,9 milhões, de acordo com dados do Agrostat do Ministério da Agricultura. O mercado indonésio para a carne bovina brasileira foi aberto apenas em 2019. No ano passado, houve ampliação, com autorização para exportação de cortes com osso, miúdos bovinos, produtos cárneos e preparados de carne.
GLOBO RURAL
SUÍNOS
Suínos/Cepea: Quedas chegam a 20% no mês; carne brasileira é a mais competitiva do mundo
Iniciada há cerca de três semanas, a tendência de queda nos preços persiste no mercado suinícola nacional, conforme aponta o Cepea.
Segundo levantamento do Centro de Pesquisas, em um mês, as desvalorizações no mercado independente (spot) chegam aos 20%. Com isso, pesquisadores explicam que muitos produtores têm negociado o suíno vivo a valores muito próximos – ou até abaixo – dos observados para a produção integrada. Ressaltam que, historicamente, as cotações do animal no mercado independente operam acima das de produção integrada, devido aos maiores custos. Quanto à carne suína, dados compilados da UN Comtrade, da Organização das Nações Unidas (ONU), e analisados pelo Cepea mostram que a proteína brasileira foi a mais competitiva no mercado internacional em 2025, quando considerado o valor em dólar por quilo exportado. Atual terceiro maior exportador mundial, o Brasil registrou valor médio de US$ 2,57/quilo, enquanto os Estados Unidos e a União Europeia (respectivamente o primeiro e segundo maiores exportadores globais) tiveram ambos média de US$ 3,18/kg.
CEPEA
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Paraná fecha 2025 como 4º maior empregador do Brasil
Foram 80.665 novas vagas com carteira assinada criadas no Estado ano passado, o que equivale a 43,3% de todos os empregos formais abertos no último ano no Sul, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados na quinta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
O Paraná fechou o ano de 2025 como o maior empregador da região Sul e o quarto maior do Brasil, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados na quinta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Foram 80.665 novas vagas com carteira assinada criadas no Estado no ano passado, o que equivale a 43,3% de todos os empregos formais abertos no último ano no Sul. São Paulo atingiu saldo de 311.228 postos, Rio de Janeiro abriu 100.920 vagas e a Bahia 94.380. Na região Sul, foram 186.126 novas vagas, com saldo de 59.184 novos empregos em Santa Catarina e 46.277 no Rio Grande Sul. O Brasil terminou o ano com saldo de 1.279.498 postos de trabalho. O saldo positivo do Paraná é resultado da diferença entre as 2.037.949 admissões e 1.957.284 desligamentos feitos no período. Com o resultado positivo, o Paraná terminou 2025 com um estoque de 3.299.272 pessoas trabalhando com carteira assinada. Com exceção de dezembro, quando há retração no mercado de trabalho em todos os estados por causa das movimentações de fim de ano, o Estado teve saldo positivo na geração de emprego em todos os meses de 2025. Foram 16.490 vagas em janeiro, 38.980 em fevereiro – o maior saldo do ano –, 6.261 em março, 16.582 em abril, 6.727 em maio, 9.453 em junho, 8.490 em julho, 6.442 em agosto, 12.277 em setembro, 8.784 em outubro, 1.266 em novembro e -51.087 em dezembro.
Todos os setores da economia tiveram saldo positivo nas contratações no ano passado, com destaque para o de Serviços, que respondeu por quase 60% de todas as vagas criadas em 2025. Foram 48.278 novos postos no setor, alavancados principalmente no segmento de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, que atingiu saldo de 21.865 no ano. Na sequência, está o Comércio, que abriu 14.401 novas vagas no ano, seguido de perto pela Indústria, que teve saldo de 13.831 postos formais. Os setores da construção e da Agropecuária também tiveram saldo positivo, com 2.150 e 1.985 vagas respectivamente.
AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS
Boletim do Deral aponta que safra 2026 ganha volume e consolida cenário positivo no Paraná
Principal destaque é a safra de verão robusta, puxada pela soja, que deve ultrapassar 22 milhões de toneladas, o que reforça a expectativa de uma produção total de 25,9 milhões de toneladas. Departamento de Economia Rural também divulga o Boletim Conjuntural semanal, mostrando cenário de pressão sobre os preços no agronegócio paranaense.
A Previsão Subjetiva de Safra (PSS) do mês de janeiro, feita pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), confirma um dos cenários agrícolas mais expressivos dos últimos anos no Paraná. O principal destaque do documento é a safra de verão robusta, puxada pela soja, que deve ultrapassar 22 milhões de toneladas, reforçando a expectativa de uma produção total de 25,9 milhões de toneladas nas lavouras de verão. Mesmo com ritmo de colheita mais lento, em função das chuvas, as condições gerais das lavouras seguem favoráveis e a projeção é otimista para o ciclo 2025/26. A safra de verão se confirma como o grande motor da agricultura paranaense neste início de ano. Os dados da PSS mostram estabilidade em relação ao levantamento anterior, e o bom desenvolvimento das lavouras, aliado a uma área expressiva cultivada, sustenta a expectativa de um volume superior ao registrado na safra passada. A soja mantém papel central no desempenho da safra. Com área próxima de 5,8 milhões de hectares, a produção projetada supera 22 milhões de toneladas, consolidando mais uma colheita histórica. Até o final de janeiro, cerca de 5% da área havia sido colhida, um ritmo abaixo do observado em anos anteriores, reflexo das chuvas frequentes. Ainda assim, as lavouras apresentam bom padrão vegetativo, e as precipitações previstas são consideradas decisivas para confirmar os rendimentos esperados. O milho de primeira safra apresenta boas perspectivas produtivas, mesmo ocupando área menor que a soja. A expectativa é de aumento na produção total, ainda que os rendimentos não atinjam os recordes observados no ciclo anterior. Já o milho de segunda safra começa a ser semeado dentro do calendário recomendado, com avanço do plantio principalmente nas regiões Oeste e Sudoeste, à medida que soja é colhida. O desempenho dessa etapa será fundamental para o resultado da safra estadual. Em janeiro de 2026, os preços de varejo dos ovos para consumo no Paraná apresentaram forte retração nos preços, com queda média de 14,6% em relação a janeiro de 2025 e de 17,5% frente a dezembro. A redução foi mais intensa no ovo extra (-25,2%), seguida pelo ovo grande (-15,8%), enquanto o ovo médio registrou recuo mais discreto (-2,7%). Esse movimento contrastou com a alta observada nos preços médios das carnes bovina, suína e de frango, reforçando a maior competitividade do ovo como fonte de proteína animal. Para fevereiro, projeta-se elevação dos preços, em função do padrão sazonal, do retorno das compras institucionais e da menor produção nacional no período. O mercado de leite manteve, no início de 2026, a trajetória de queda observada ao longo de 2025 no Paraná, influenciada pela oferta elevada e pelos custos de produção ainda altos. O preço médio do leite posto na indústria deve se situar em torno de R$ 2,15 por litro - 22,1% abaixo do registrado em janeiro de 2025. No varejo, o litro do leite UHT foi vendido, em média, a R$ 3,75 em janeiro, com redução mensal de 3,1% e queda anual de 23,2%. O aumento das importações de leite em pó no final de 2025 contribuiu para a manutenção da pressão sobre os preços internos.
AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS
ECONOMIA
Dólar fecha abaixo dos R$5,20 após decisões sobre juros no Brasil e nos EUA
Em uma sessão de volatilidade alta, o dólar fechou a quinta-feira em queda ante o real, abaixo dos R$5,20, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, no dia seguinte às decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos.
O dólar à vista fechou com recuo de 0,27%, aos R$5,1941, no menor valor de fechamento desde os R$5,1539 de 28 de maio 2024. Às 17h09, o dólar futuro para fevereiro -- atualmente o mais negociado no Brasil -- cedia 0,02% na B3, aos R$5,1965. No início da sessão o dólar emplacou baixas ante boa parte das moedas de emergentes, como o real do Brasil, o peso do Chile e o peso do México, em mais um dia de fluxo de investimentos para estes países. O movimento no Brasil ocorreu ainda que, na noite de quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tenha indicado a intenção de começar a cortar juros em março, após ter mantido a Selic em 15%. "Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros", disse o BC em comunicado. "O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta." Nos EUA, a taxa de referência foi mantida na faixa de 3,50% a 3,75% pelo Federal Reserve na tarde de quarta-feira, mas a instituição deu poucas pistas sobre quando haverá espaço para mais cortes. Nas últimas semanas, o forte fluxo de investimentos estrangeiros para mercados emergentes como o Brasil -- com destaque para a bolsa -- vem pesando sobre as cotações do dólar. Durante a tarde o dólar voltou a perder força ante as divisas de emergentes, o que fez a moeda norte-americana voltar a cair no Brasil, para abaixo dos R$5,20 -- ainda que o Ibovespa seguisse pressionado. Com o movimento da quinta-feira, o dólar acumulou queda de 5,37% ante o real em 2026. Ao avaliar a depreciação recente do dólar, o economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, Gino Olivares, lembrou que isso se deve principalmente a uma maior percepção de risco em relação aos Estados Unidos, e não à perspectiva de corte de juros pelo Federal Reserve.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com exterior negativo
O Ibovespa encerrou a quinta-feira em queda, apagando os fortes ganhos registrados pela manhã que levaram a uma nova máxima histórica, pressionado pelo humor negativo que tomou os mercados acionários de Nova York.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,84%, a 183.313,75 pontos. Na mínima, marcou 181.566,56 pontos e, na máxima, 186.449,75 - recorde intradia. O volume financeiro somou R$38,75 bilhões. Ao longo da manhã desta quinta-feira, a bolsa brasileira chegou a subir mais 1%, impulsionada pela leitura positiva do comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgado ontem à noite. Na ocasião, o BC decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, como esperado pelo mercado, e fez a indicação de que poderá fazer um corte de juros em março, mas enfatizou que manterá "a restrição adequada" para levar a inflação à meta de 3%. "O comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", disse o BC em comunicado. Contudo, o bom humor do mercado doméstico sucumbiu no início da tarde após a abertura das bolsas de Wall Street. Por lá, os índices tiveram quedas firmes, pressionados por uma perda de 11% nas ações da Microsoft, após divulgação de números trimestrais, enquanto os agentes ainda avaliavam a decisão do Federal Reserve, divulgada na quarta-feira. "A sessão de hoje [do Ibovespa] foi um bom retrato de 'digestão' pós-superquarta", destacou Jose Áureo Viana, sócio da Blue3 Investimentos. O profissional acrescentou que o recorde intradiário da bolsa brasileira "teve muito de reprecificação local [juros futuros e prêmio] e a virada teve muito de correlação com o risk-off no exterior", além de realização de lucros, tendo em vista o forte do mês. Na agenda doméstica, um dos destaques foram os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostraram que o Brasil fechou 618.164 vagas formais de trabalho em dezembro, mas terminou 2025 com saldo positivo acumulado de 1.279.498 vagas. Economistas ouvidos em pesquisa da Reuters esperavam fechamento líquido de 478.000 vagas. Pela manhã, outro ponto de atenção foi a entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao portal Metrópoles, em que ele afirmou que "com certeza" deixará o governo em fevereiro.
REUTERS
Estoque de crédito no Brasil sobe 10,2% em 2025, desempenho mais forte que o esperado pelo BC
O estoque total de crédito no Brasil cresceu 10,2% em 2025 na comparação com o ano anterior, a R$7,123 trilhões, informou o Banco Central na quinta-feira, em desempenho significativamente mais forte do que o projetado pela autarquia em dezembro.
Em um ano marcado por atividade econômica resiliente apesar do nível elevado dos juros, houve uma expansão mais intensa que o esperado no crédito às famílias, que cresceu 11,6% -- a projeção do BC apontava para uma alta de 10,4%. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem apostado em uma sustentação da atividade por meio de novas medidas de crédito, como um programa para facilitar empréstimos a trabalhadores privados com desconto em folha. O crescimento do crédito no país é registrado em meio a uma política monetária restritiva implementada pelo BC para controlar a inflação, tendo colocado a taxa Selic em 15% ao ano, maior nível em quase duas décadas. No caso das empresas, o estoque de crédito fechou 2025 com alta de 8,1%, ligeiramente acima da projeção de 8,0% feita pela autoridade monetária em dezembro. Em dezembro, as novas concessões de empréstimos no Brasil subiram 20,8% na comparação com o mês anterior, acumulando em 2025 alta de 9,1%, segundo o BC. As concessões de financiamentos com recursos livres, nos quais as condições dos empréstimos são livremente negociadas entre bancos e tomadores, avançaram 20,2% em relação ao mês anterior, com ganho de 9,0% em 2025. Para as operações com recursos direcionados, que atendem a parâmetros estabelecidos pelo governo, houve aumento de 26,4% no mês e de 9,4% no ano. No último mês de 2025, a inadimplência no segmento de recursos livres ficou em 5,4%, contra 5,3% no mês anterior. Já os juros cobrados pelas instituições financeiras no crédito livre ficaram em 47,2% ao ano, uma queda de 0,1 ponto percentual em relação ao mês anterior. Nos recursos direcionados, houve alta de 0,3 ponto nos juros médios no mês, a 11,4%. O spread bancário, diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final cobrada do cliente, caiu para 33,6 pontos percentuais nos recursos livres em dezembro, contra 33,8 pontos no mês anterior.
REUTERS
Governo central tem déficit de R$13 bi em 2025 e cumpre meta com gastos fora da conta
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou nesta quinta-feira ter alcançado um resultado fiscal em 2025 compatível com a meta de déficit zero estipulada para o ano, após excluir da conta R$48,7 bilhões em gastos que não serão contabilizados na apuração do resultado.
Dados do Tesouro Nacional mostram que o governo central fechou o ano com um déficit de R$13,008 bilhões, ou 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), saldo que exclui despesas com precatórios, ressarcimentos a aposentados e algumas despesas de saúde, educação e defesa.
Desse modo, o resultado após as deduções cumpre a meta de déficit primário zero, que tem uma tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB. O rombo total do ano, no entanto, é de R$61,691 bilhões, equivalente a 0,48% do PIB. Esse é o valor que, de forma efetiva, impacta negativamente a dívida pública do país. Há duas semanas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, antecipou o resultado agora oficializado. O déficit total do governo central, composto por Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, foi maior no ano passado do que o observado em 2024, quando o saldo negativo ficou em R$42,924 bilhões. Os números dizem respeito à diferença entre receitas e despesas do governo, sem contar o gasto com juros da dívida pública. As despesas totais de 2025 tiveram alta real de 3,4%, a R$2,394 trilhões. Já a receita líquida do governo, que desconta transferências a Estados e municípios, subiu 2,8% em termos reais sobre 2024, a R$2,333 trilhões. Em entrevista à imprensa, o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, disse que os resultados fiscais da atual gestão, ainda que precisem melhorar, mostram rombos menores que os observados em governos anteriores, que eram "declaradamente fiscalistas". "O processo de recuperação fiscal está acontecendo, e com crescimento econômico robusto para nosso padrão histórico", disse. Ele reconheceu, no entanto, que pode ser necessário um debate sobre revisão de parâmetros do arcabouço fiscal para intensificar o ritmo de recuperação das contas públicas a depender do nível dos juros no país, que elevam o custo da dívida pública. Segundo ele, essa discussão poderia passar por eventuais mudanças no teto de crescimento real de 2,5% ao ano dos gastos federais ou na trava que limita a alta das despesas a 70% do desempenho da arrecadação. Os ganhos de receitas em 2025 foram impulsionados por uma arrecadação adicional de R$43,6 bilhões de Imposto de Renda (+5,2%), R$15,4 bilhões de Imposto sobre Operações Financeiras (+21,3%), recentemente elevado pelo governo, e R$9,0 bilhões de Imposto de Importação (+10,9%).
No sentido contrário, houve redução de 57,9% nos ganhos com concessões e permissões do governo (-R$10,0 bilhões), além de uma queda de 34,3% nas receitas de dividendos e participações (-R$26,3 bilhões). No caso da arrecadação com exploração de recursos naturais, houve alta de 11,7% (+R$14,8 bilhões). O Tesouro informou ainda que o empoçamento -- recursos que haviam sido liberados para ministérios, mas terminaram o ano em caixa -- ficou em R$8 bilhões, contra R$12,5 bilhões observados no fechamento de 2024. Em relação ao mês de dezembro, o governo central registrou um superávit primário de R$22,107 bilhões, saldo menor que os R$24,106 bilhões de superávit em dezembro de 2024. Para 2026, Ceron afirmou que o governo espera entregar um resultado fiscal mais próximo da meta estabelecida para o ano do que o observado em 2025. Em entrevista à imprensa, Ceron afirmou que “o grande objetivo da política fiscal” neste ano é alcançar um superávit nas contas públicas. O alvo fiscal para 2026 é de superávit primário de 0,25% do PIB, com tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB.
REUTERS
Brasil criou 1,2 milhão de vagas formais no ano passado, pior saldo desde 2020, aponta Caged
Ao longo de 2025, houve 26,59 milhões contratações e 25,3 milhões de desligamentos. Ministro do Trabalho atribui resultado à taxa de juros; desemprego está na mínima histórica
Em 2025, o Brasil teve o pior resultado na geração de empregos formais desde 2020, com a criação de 1,2 milhão de novos postos entre janeiro e dezembro, de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados nesta quinta-feira (29).
Ao longo de 2025, houve 26,59 milhões contratações e 25,3 milhões de desligamentos, com número de celetistas indo de 47,1 milhões para 48,4 milhões. O aumento no total de vagas formais é de 2,71%, percentual menor do que os registrados em 2023 (3,3%) e 2024 (3,69%).
O resultado de dezembro também mostrou uma piora na comparação com 2024, com saldo negativo de 618 mil postos de trabalho formais. O número representa uma queda de 1,26% na comparação com o último ano. No acumulado do ano, todos os principais agrupamentos de atividades econômicas tiveram aumento nas contratações. O maior crescimento foi de serviços, com 758 mil postos formais, um aumento de 3,29%. O segundo setor com maior saldo foi de comércio, com 247 mil novos postos formais. Por estado, no acumulado de janeiro a dezembro, as maiores altas foram no Amapá, onde houve aumento de 8,4% no total de postos de trabalho formais, na Paraíba, onde houve aumento de 6%, e em Piauí, com 5,81%. O pior resultado foi no Espírito Santo, onde houve um aumento de apenas 1,52%. O ministro Luiz Marinho, de Trabalho e Emprego, atribuiu o resultado menor em dezembro à alta da taxa de juros. Nesta quarta (28), o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu manter a Selic em 15%, percentual que permanece inalterado desde a metade de 2025. Segundo o ministro, a política monetária tem afetado investimentos e a desaceleração do ritmo de crescimento da economia. Ele afirma que, se houver demora na redução dos juros, ainda haverá um tempo para que isso seja sentido pelo mercado, o que comprometeria o resultado do restante do ano. "Procurei dialogar com o Banco Central, mostrando o que a gente conseguia interpretar das atas e que poderia levar a um processo de desaceleração do ritmo [da economia]. Enxergava, insistia que iríamos ter processo de diminuição de velocidade. É o que o BC esperava e trabalhou para diminuir, dada a sua responsabilidade de cumprimento nas metas. Mas isso reflete em queimar orçamento para pagar juros." O ministro disse ainda que o tarifaço do presidente americano Donald Trump, que chegou a sobretaxar importações brasileiras em 50%, gerou impactos menores do que a Selic elevada, devido à abertura de mercado do Brasil para outros países. O setor de indústria, que foi um dos mais afetados pela política de Trump, teve a criação de 144 mil empregos formais. "O impacto do tarifaço foi amenizado pela política do governo para abrir novos mercados. Isso deu uma minimizada muito grande", disse Marinho. O resultado negativo na formalidade surge apesar de o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrar que o Brasil vem seguindo uma tendência de renovar a mínima histórica do desemprego. No trimestre até novembro do ano passado, a taxa de desocupação foi a 5,2%, menor percentual desde 2012, início da série histórica.
FOLHA DE SP
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