CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1036 DE 28 DE JANEIRO DE 2026
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Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1036 | 28 de janeiro de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Expectativas de novas altas nos preços do boi
Com ofertas de boiadas restrita, exportações aquecidas e previsão de consumo interno de carne bovina mais forte, consultorias apostam em reajustes positivos nas cotações. No PARANÁ: Boi: R$ 315,00. Vaca: R$ 295,00. Novilha: R$ 305,00. Escalas: seis dias. Boi China: PARANÁ: R$ 326,00/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo).
O mercado físico do boi gordo iniciou a semana com um sinal de sustentação dos preços, reforçando a expectativa de novas altas na arroba, relatam os analistas da Agrifatto e da Scot Consultoria, que acompanham diariamente os negócios nas principais regiões pecuárias. Com escalas de abate curtas, em torno de sete dias, na média nacional, além de pastagens naturais com boa capacidade de sustentação e o suporte da demanda externa à indústria frigorífica, os preços do boi gordo permaneceram firmes nos dois primeiros dias desta semana, ressaltou a consultoria. Pelos dados da Scot Consultoria, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 319/@ na praça paulista, enquanto o “boi-China”, a vaca gorda e a novilha terminada são negociados por R$ 323/@, R$ 302/@ e R$ 312/@, respectivamente (preços brutos, no prazo). “A expectativa é de que, em fevereiro, o consumo doméstico de carne bovina melhore e contribua para ‘destravar’ o mercado”, reforçam os analistas da Scot, que não descartam altas pontuais nas cotações no curtíssimo prazo, antecipando esse movimento. Pela apuração da Scot, os negócios envolvendo boiadas gordas seguem ocorrendo em ritmo lento. “A menor oferta de boiadas continua, e não há informações de concessões dos vendedores em negociações abaixo das referências”, afirmam os analistas. Por outro lado, continua a Scot, a ponta compradora também atua com firmeza, não estende as escalas, mas também não permite que elas encurtem. Em contrapartida, diz a consultoria, os frigoríficos exportadores estão mais ativos e, pontualmente, pagam acima das referências, contribuindo para a sustentação do mercado. No mercado futuro, os contratos do boi gordo subiram na sessão de segunda-feira (26/1) da B3, repetindo o comportamento da última semana. O papel com vencimento em março de 2026, por exemplo, fechou o pregão cotado a R$ 329,05/@, com leve valorização de 0,40% em relação ao dia anterior. Cotações do boi gordo desta terça-feira (27/1), conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 320,00. Boi China: R$ 320,00. Média: R$ 320,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: sete dias.
MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 310,00. Boi China: R$ 310,00. Média: R$ 310,00. Vaca: R$ 290,00. Novilha: R$ 300,00. Escalas: oito dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 310,00. Boi China: R$ 310,00. Média: R$ 310,00. Vaca: R$ 290,00. Novilha: R$ 300,00. Escalas: sete dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 300,00. Boi China: R$ 300,00. Média: R$ 300,00. Vaca: R$ 280,00. Novilha: R$ 290,00. Escalas: sete dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 310,00. Boi China/Europa: R$ 310,00. Média: R$ 310,00. Vaca: R$ 290,00. Novilha: R$ 300,00. Escalas: oito dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 300,00. Boi China: R$ 300,00. Média: R$ 300,00. Vaca: R$ 275,00. Novilha: R$ 285,00. Escalas: oito dias. PARÁ: Boi comum: R$ 300,00. Boi China: R$ 300,00. Média: R$ 300,00. Vaca: R$ 275,00. Novilha: R$ 285,00. Escalas: seis dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 270,00. Vaca: R$ 255,00. Novilha: R$ 260,00. Escalas: dez dias. MARANHÃO: Boi: R$ 300,00. Vaca: R$ 270,00. Novilha: R$ 275,00. Escalas: oito dias. Preços brutos do “boi-China” nesta terça-feira (27/1), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 319,00/@ (à vista) e R$ 323,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 311,00/@ (à vista) e R$ 315,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 298,50/@ (à vista) e R$ 302,00/@ (prazo).
MATO GROSSO DO SUL: R$ 303,50/@ (à vista) e R$ 307,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 306,00/@ (à vista) e R$ 310,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 311,00/@ (à vista) R$ 315,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 306,00/@ (à vista) e R$ 310,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 276,50/@ (à vista) e R$ 280,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 306,00/@ (à vista) e R$ 310,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 296,50/@ (à vista) e R$ 300,00/@ (prazo)
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
Exportação de carne Angus certificada cresceu 260% e bateu recordes em 2025
Foram embarcadas 11,28 mil toneladas; dados foram apresentados nesta segunda-feira, em Porto Alegre. Cortes certificados exportados chegaram a valer US$ 8.505 a tonelada
O avanço brasileiro no segmento de carnes gourmet fez com que, em 2025, a raça Angus batesse recordes de produção e exportação de carne certificada. No ano passado, foram exportadas 11,28 mil toneladas, não apenas um aumento de 260% em relação a 2024, mas também um volume que supera as 10.993 toneladas que haviam sido embarcadas entre 2015 e 2023. Os dados foram apresentados pelo Programa Carne Angus Certificada nesta terça-feira (27/1), em Porto Alegre. Além do volume, o faturamento estimado pelas vendas externas aumentou cerca de 380% no ano passado, passando de US$ 19,5 milhões em 2024 para R$ 93,5 milhões em 2025. Segundo dados da Associação Brasileira de Angus, os cortes certificados exportados chegaram a valer US$ 8.505 a tonelada, 53,5% a mais do que o valor obtido pela carne padrão exportação (US$ 5,539/t), e 27,2% maior do que a média obtida em 2024 pelo produto Angus certificado (US$ 6.687/t). As vendas abrangem 35 países. O maior mercado foi a China, com 53% dos embarques, seguida de Israel (24%), e México (4%). “Tivemos uma demanda impressionante em 2025, e esperamos repetir esse desempenho em 2026”, afirma Wilson Brochmann, diretor do Programa Carne Certificada Angus. “Esperamos a abertura do mercado do Japão, o que deve gerar uma forte demanda por carne de qualidade superior”, comenta. O resultado recorde do Angus brasileiro no exterior deve-se, principalmente, às dificuldades de abastecimento enfrentadas por concorrentes brasileiros.
“Os países que compram carne de qualidade estão desabastecidos. Isso ocorre porque fornecedores tradicionais, como Austrália e Estados Unidos, sofreram grandes reduções de rebanhos. E só o Brasil tem capacidade para atender essa demanda de qualidade com oferta abundante”, destaca Maychel Borges, gerente nacional do Programa Carne Angus.
Para impulsionar a exportação crescente, a produção de carcaças Angus certificadas também aumentou no ano passado. O abate somou 612 mil animais, um recorde nos 23 anos de funcionamento do programa, que começou em 2003, o mais antigo em certificação de carne bovina no Brasil. O volume de bovinos abatidos no ano passado, que foi 20% maior do que em 2024, gerou 53 mil toneladas de cortes certificados, dos quais 78,7% foram destinados para o mercado brasileiro e 21,3% para exportação. O programa é desenvolvido em 60 frigoríficos de 30 empresas parceiras, localizados em 13 Estados.
GLOBO RURAL
SUÍNOS
Nova plataforma integra vigilância sanitária e análise de risco de doenças suínas
A plataforma integra e analisa dados sanitários de granjas de todo o País para apoiar a tomada de decisão e fortalecer a vigilância epidemiológica.
A Embrapa Suínos e Aves (SC) disponibiliza nesta semana a Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS), uma plataforma estratégica que integra e analisa dados sanitários de granjas de todo o País para apoiar a tomada de decisão, fortalecer a vigilância epidemiológica, biosseguridade, controle de doenças e ampliar a sustentabilidade da suinocultura brasileira.
De grande relevância no cenário mundial, a suinocultura se destaca pelos elevados padrões sanitários, pela produtividade e pelo compromisso com a sustentabilidade. Diante do desafio do monitoramento contínuo desses parâmetros, a Embrapa e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) se uniram para estruturar a ferramenta, que agrega dados sanitários estratégicos para a cadeia produtiva, a partir de parcerias com Laboratórios de Diagnóstico Veterinário (LDVs). Santa Catarina, estado que abriga a Unidade da Embrapa, é o maior produtor e exportador de suínos do Brasil. Em 2024, alcançou um recorde histórico, com 17,97 milhões de suínos abatidos, reforçando a importância de ações estruturadas para a sanidade dos rebanhos. Entre os principais desafios estão as Doenças do Complexo Respiratórios Suíno (PRDC), responsáveis por perdas significativas devido à redução de ganho de peso, condenação de carcaças, aumento da mortalidade e maior uso de antibióticos. O PRDC é uma enfermidade multifatorial, resultante da interação entre fatores não infecciosos e patógenos virais e bacterianos, como o vírus da influenza suína, o vírus da síndrome reprodutiva e respiratória dos suínos (PRRSV), o circovírus suíno tipo 2 (PCV2), Mycoplasma hyopneumoniae e outros agentes bacterianos. “Como o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores mundiais de carne suína, manter a saúde dos rebanhos é essencial”, afirma a pesquisadora Janice Zanella, líder da pesquisa. E conhecer e entender os dados e informações sanitárias, realizando análises preditivas e retrospectivas é parte da estratégia, o que torna a CISS um instrumento inovador.
A Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS) também materializa o conceito de Saúde Única ao integrar saúde animal, saúde humana e proteção ambiental. “Animais saudáveis reduzem o uso de antibióticos, a mortalidade, o impacto ambiental e, consequentemente, geram alimentos mais seguros”, destaca Zanella. Da mesma forma, o monitoramento de agentes zoonóticos, principalmente vírus emergentes, visa identificar precocemente a circulação de patógenos na interface humano–animal–ambiente, antecipar riscos de surtos e epidemias, orientar medidas de prevenção e controle, e proteger a saúde pública, a produção animal e a segurança ambiental dentro da abordagem de Saúde Única. Na prática, a Embrapa atua por meio da CISS em parceria com Laboratórios de Diagnóstico Veterinário (LDVs), que fornecem dados provenientes de milhares de amostras coletadas em granjas de todo o País. Essa cooperação é um pilar estratégico para o funcionamento da plataforma, pois possibilita a consolidação estruturada de resultados de diagnósticos laboratoriais, como testes de PCR, análises patológicas e outros exames de rotina relacionados a doenças endêmicas da suinocultura. Com isso, forma-se um banco de dados amplo e representativo da situação sanitária dos rebanhos suínos brasileiros. A integração contínua dessas informações permite identificar e acompanhar mudanças nos padrões sanitários ao longo do tempo, considerando variáveis como faixa etária, unidades da federação, tipo de amostra analisada, natureza do problema sanitário e sistema de produção. Inspirada no modelo do Swine Disease Reporting System (SDRS), da Universidade Estadual de Iowa, nos Estados Unidos, a CISS oferece análises dinâmicas e atualizadas para diferentes atores do setor.
Embrapa SUÍNOS E AVES
EMPRESAS
Coamo compra quatro instalações do fundo Pátria por R$ 136 milhões
Unidades eram arrendadas até então pela empresa Belagrícola. Unidades estarão em funcionamento para receber as safras de soja e milho 2025/26, informa a Coamo
A cooperativa Coamo anunciou na terça-feira (27/1) a aquisição de quatro instalações agrícolas do fundo Pátria, que eram arrendadas até então pela empresa Belagrícola nas cidades de Sabáudia (PR), Assaí (PR), Bela Vista do Paraíso (PR) e Cambé (PR). Em comunicado separado, o fundo informou que o valor que será recebido pelo negócio é de R$ 136 milhões. Do montante total, R$ 31,2 milhões serão pagos nesta data e o saldo restante de R$ 104,8 milhões ficará dividido em quatro parcelas iguais semestrais no valor de R$ 26,2 milhões cada, que serão corrigidas pela variação do CDI. A primeira parcela semestral será paga em 1º de setembro deste ano. A Coamo ressaltou que já iniciou a fase de transição e adequações operacionais e, em breve, as unidades estarão em funcionamento para receber as safras de soja e milho 2025/26 dos produtores da região. “Esta iniciativa da Coamo faz parte da sua estratégia de crescimento sustentável, fortalecimento operacional e atendimento aos produtores da região norte do Paraná”, afirmou a cooperativa em nota. O Pátria havia adquirido os imóveis em 2020, e, até a presente data, fez investimentos que totalizaram cerca de R$ 90,08 milhões. Com isso, segundo o fundo, o preço de venda é “aproximadamente 51,0% superior ao valor investido e aproximadamente 24,3% superior ao valor de laudo do imóvel em 2025”.
GLOBO RURAL
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Clima desafia soja e milho na safra 2025/26 no Paraná
Calor e chuvas irregulares marcam o avanço das principais lavouras no Paraná
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), 2026 começa com um cenário climático marcado por calor intenso, variação regional das temperaturas e ocorrência de chuvas irregulares, fatores que influenciaram diretamente o desenvolvimento das lavouras da safra 2025/26 em todo o estado. AS informações climáticas são baseadas nos dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Segundo o relatório, nos dias 20 e 21 de janeiro, as regiões Oeste, Sudoeste e Noroeste registraram elevação das temperaturas, enquanto o Leste e o Centro-sul tiveram maior nebulosidade e clima mais ameno. Entre os dias 22 e 24, o tempo permaneceu quente e relativamente estável, com sol entre nuvens e pouca chuva entre a Região Metropolitana de Curitiba e o litoral. Já no dia 25, o interior manteve temperaturas elevadas, com pancadas fracas e aumento do risco de incêndios florestais, enquanto no dia 26 o forte aquecimento favoreceu a ocorrência de chuvas típicas de verão no período da tarde. Nesse cenário, a soja da primeira safra apresenta 89% das áreas em boas condições, com predomínio das fases de frutificação, enchimento de grãos e início de maturação. Ainda conforme o boletim, apesar do bom desenvolvimento em diversas regiões, há contrastes climáticos significativos: enquanto a umidade do solo sustentou o crescimento em algumas áreas, a estiagem e as altas temperaturas provocaram estresse hídrico em outras, especialmente em solos mais leves, com possível redução do potencial produtivo. A colheita iniciou de forma pontual e deve se intensificar nas próximas semanas. Já o milho da primeira safra encontra-se majoritariamente nas fases finais de enchimento de grãos e maturação, apresentando bom aspecto geral das lavouras. Em algumas regiões, o ciclo foi alongado em função das condições climáticas, o que tem retardado o início da colheita, mas as perspectivas seguem positivas. O plantio do milho de segunda safra avança conforme a liberação das áreas e a disponibilidade de umidade no solo.
SEAB-PR/DERAL
INTERNACIONAL
Relatório dos EUA aponta oferta de gado ainda restrita e pouca retenção de novilhas em 2026
O mercado pecuário dos Estados Unidos deve continuar operando com oferta apertada de bovinos ao longo de 2026, segundo o mais recente relatório Cattle on Feed, divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos EUA).
Os dados indicam estoques reduzidos nos confinamentos e sinais de que a recomposição do rebanho ainda acontece de forma lenta e limitada. De acordo com o levantamento, em 1º de janeiro de 2026 havia 11,45 milhões de cabeças em confinamento nos Estados Unidos, uma queda superior a 3% em relação ao mesmo período de 2025. O relatório considera apenas feedlots com capacidade acima de mil animais, que representam mais de 80% de todo o gado confinado no país. A combinação entre baixo estoque interno de bovinos e a proibição das importações de gado vivo do México continua sendo o principal fator por trás da restrição de oferta. Desde o segundo semestre de 2024, o volume de animais em confinamento vem ficando abaixo dos níveis do ano anterior, e o dado de janeiro representa a maior queda anual observada nesse período. Outro ponto de destaque foi o número de animais colocados em confinamento (placements). Em dezembro de 2025, as entradas caíram mais de 5% em relação a dezembro de 2024, reforçando a percepção de que a base de reposição segue limitada. Por outro lado, o volume de animais abatidos (marketings) em dezembro cresceu 1,7% na comparação anual, sinalizando que, mesmo com menos oferta, os frigoríficos seguem operando próximos da capacidade. O relatório também mostra uma mudança geográfica relevante. Nebraska se mantém como o estado com maior número de bovinos em confinamento, enquanto o Texas aparece na segunda posição. Essa inversão ocorreu justamente em função da interrupção das importações de gado mexicano, que tradicionalmente abasteciam fortemente os confinamentos do sul dos EUA. Um dos indicadores mais observados pelo mercado é a proporção de novilhas no confinamento, já que esse dado sinaliza o ritmo de retenção para recomposição do rebanho. Em janeiro de 2026, as novilhas representavam 38,7% do total de animais confinados, percentual praticamente estável em relação a janeiro do ano anterior e apenas 0,6 ponto acima do nível de outubro. Na prática, isso indica que a retenção de fêmeas ainda é baixa, o que limita uma expansão mais acelerada do rebanho de corte nos próximos anos. O relatório lembra ainda que, ao longo de 2025, o abate de vacas de corte caiu em mais de 500 mil cabeças, o que abre espaço para uma leve recuperação no número total de matrizes. Mesmo assim, os analistas avaliam que o ciclo de expansão será mais lento do que em períodos anteriores da pecuária americana. Para o mercado internacional de carne bovina, esse cenário reforça a tendência de oferta restrita nos Estados Unidos, o maior consumidor mundial de carne bovina. Com produção limitada e demanda firme, os EUA tendem a seguir mais dependentes de importações e menos agressivos nas exportações. Na prática, isso sustenta preços elevados no mercado global e cria oportunidades para países exportadores como Brasil, Austrália e Uruguai, que disputam espaço principalmente em mercados como China, Japão e Coreia do Sul. O relatório do USDA, portanto, confirma o que muitos analistas já vinham sinalizando: a recomposição do rebanho americano será gradual, e a escassez de gado deve continuar sendo um fator estrutural do mercado de carne nos próximos anos.
DROVERS
Exportações de carne bovina da Argentina atingem US$ 3,8 bilhões em 2025
Em 2025, as exportações de carne bovina da Argentina alcançaram receita de US$ 3,81 bilhões, 28,1% acima do registrado em 2024, com a China representando quase 70% do volume total, informou o Instituto Argentino de Promoção da Carne Bovina (IPCVA).
Em volume, a Argentina exportou 704 mil toneladas no ano passado, 7,2% a menos do que em 2024. Desse montante, a China comprou 490,5 mil toneladas de carne bovina da Argentina em 2025, 12% abaixo do resultado do ano anterior e exatos 69,7% do total embarcado pelo país vizinho. No caso do Brasil, o mercado chinês respondeu por 48% dos embarques totais (de 3,5 milhões de toneladas) em 2025, comprando 1,68 milhão de toneladas, um recorde e avanço de 25% sobre 2024. O relatório do IPCVA destaca uma diversificação parcial dos destinos da carne bovina argentina, com crescimento das remessas para outros mercados. Israel consolidou sua posição em 2025 como o segundo destino mais importante em termos de volume, com 49.200 toneladas, o equivalente a 7% do total das remessas totais. Os Estados Unidos também apresentaram um desempenho sólido, com um aumento de quase 8.800 toneladas em 2025, acompanhado por avanços em outros destinos, como Holanda, Alemanha e Canadá. Em contrapartida, México e Chile registraram uma contração, representando, na soma dos dois países, uma queda anual de 9.000 toneladas.
IPCVA
Amsterdam proíbe publicidade de carne bovina
Amsterdam, a capital de um dos maiores países exportadores de carne bovina da Europa, votou pela proibição da publicidade de carne bovina, colocando a proteína no mesmo patamar da indústria de combustíveis fósseis em sua tentativa de combater as mudanças climáticas.
A informação é do portal australiano Beef Central. O conselho municipal de Amsterdam votou recentemente para proibir a publicidade de carne, embora os comerciantes ainda estejam autorizados a anunciar esses produtos dentro de suas lojas. Segundo a reportagem da Beef Central, “enquanto Amsterdam proíbe a publicidade de carne, a Europa torna-se cada vez mais dependente de importações, à medida que a produção local diminui e os preços sobem nas prateleiras dos supermercados”. A Holanda é, tradicionalmente, um dos maiores exportadores de carne bovina da Europa (ao lado da Irlanda), mas têm registrado o declínio mais acentuado na produção nos últimos anos. No acumulado de janeiro a setembro, as importações totais de carne bovina fresca/congelada da UE aumentaram 15% em relação ao ano anterior, alcançando 223.900 toneladas. O Reino Unido manteve-se como o maior fornecedor ao bloco, exportando 69.500 toneladas no período (queda de 1% em relação ao ano anterior). A maior parte do crescimento das importações de carne bovina da UE neste ano veio da América do Sul. O Brasil, relatou a Beef Central, aumentou os volumes em 26% (11.100 toneladas), enquanto Argentina e Uruguai registaram avanços de 21% (7.700 toneladas) e 32% (7.900 toneladas), respetivamente.
BEEF CENTRAL
ECONOMIA
Dólar fecha no menor valor desde maio de 2024 com influência externa e fluxo para a bolsa
O dólar fechou a terça-feira em forte baixa no Brasil, se reaproximando dos R$5,20, novamente sob influência da queda da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior e da busca de estrangeiros por ativos brasileiros, em especial ações da bolsa.
O dólar à vista fechou o dia com recuo de 1,38%, aos R$5,2074, no menor valor de fechamento desde os R$5,1539 de 28 de maio de 2024. No ano, a divisa acumula baixa de 5,13%. Às 17h12, o dólar futuro para fevereiro -- atualmente o mais negociado no Brasil -- cedia 1,48% na B3, aos R$5,2100. Já no início da sessão o dólar exibia perdas ante a maior parte das divisas globais, incluindo o iene, o euro e pares do real como o peso chileno e o peso mexicano. O câmbio no Brasil pegou carona nesta tendência e o dólar engatou baixas ante o real, em movimento intensificado após a abertura da bolsa de ações, às 10h. Com o Ibovespa renovando máximas históricas, superando os 183 mil pontos, o dólar despencou ante o real, com profissionais citando a influência dos estrangeiros no movimento. “A queda do dólar hoje é uma combinação de maior apetite a risco no exterior e uma rotação global (de investimentos), para fora dos EUA. O Ibovespa está subindo mais de 2%, o que aponta para muito capital entrando no país”, comentou à tarde João Duarte, especialista em câmbio da One Investimentos. Nas últimas semanas, o forte fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira tem sido apontado como um dos motivos para a baixa do dólar ante o real. No início da sessão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma espécie de prévia para a inflação oficial, subiu 0,20% em janeiro, desacelerando ante a taxa de 0,25% de dezembro. No acumulado de 12 meses, no entanto, a taxa foi para 4,50% em janeiro, ante 4,41% em dezembro. Os resultados ficaram em linha com as projeções de economistas ouvidos pela Reuters, que esperavam taxas de 0,21% em janeiro e 4,51% em 12 meses. Ainda assim, o mercado seguiu projetando manutenção da taxa básica Selic em 15% na decisão da quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
REUTERS
Ibovespa renova recorde e fecha acima dos 182 mil pontos com estrangeiros e IPCA-15
O Ibovespa encerrou a terça-feira em forte alta, atingindo novos recordes intradia e de fechamento, acima dos 182 mil pontos, em meio a continuidade de fluxos de investidores estrangeiros para a bolsa e após dados do IPCA-15 mostrarem uma desaceleração da alta de preços em janeiro.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 2,02%, a 182.325,08 pontos. O volume financeiro somava R$31,60 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
IPCA-15 sobe 0,20% em janeiro
A gasolina foi a principal influência para a alta do IPCA-15 em janeiro. O maior impacto negativo foi da energia elétrica residencial
Prévia da inflação oficial no país, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) subiu 0,20% em janeiro, após alta de 0,25% em dezembro de 2025, informou na terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa ficou acima dos 0,11% de janeiro do ano passado, mas abaixo dos 0,31% de janeiro de 2024. O resultado de janeiro ficou abaixo da mediana das 24 projeções de analistas de consultorias e instituições financeiras consultados pelo VALOR DATA, que estimavam alta de 0,23%. O intervalo das estimativas era de alta de 0,17% a 0,36%. No resultado acumulado em 12 meses, o IPCA-15 ficou em 4,50% em janeiro, ante 4,41% da variação registrada até dezembro, também em 12 meses. O resultado ficou abaixo da mediana das estimativas do VALOR DATA, que era de 4,52%, com intervalo entre 4,45% e 5,35%. A meta de inflação perseguida pelo Banco Central para 2026 é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para baixo ou para cima. A gasolina foi a principal influência para a alta do IPCA-15 em janeiro, com variação de 1,01% e impacto de 0,05 ponto percentual. O maior impacto negativo foi da energia elétrica residencial, que caiu 2,91%, com impacto negativo de 0,12 ponto percentual. Das nove classes de despesas usadas no cálculo, cinco tiveram aceleração na passagem entre dezembro de 2025 para janeiro desse ano: Alimentação e Bebidas, que passou de 0,13% em dezembro para 0,31% este mês; Artigos de Residência, de -0,64% em dezembro para +0,43% em janeiro; Saúde e Cuidados Pessoais, de -0,01% para +0,81%; Educação, de 0% para 0,05%; e Comunicação, de 0,01% para 0,73%. Por outro lado, quatro grupos registraram desaceleração da alta de preços. Habitação passou de +0,17% para -0,26%; Vestuário, de 0,69% para 0,28%; Transportes, de +0,69% para -0,13%; e Despesas Pessoais, de 0,46% para 0,28%. Individualmente, o IBGE destacou a queda de 8,92% das passagens aéreas, além do recuo de 2,91% da energia elétrica residencial. Os itens contribuíram para os recuos dos grupos de Transportes e Habitação, respectivamente. Em janeiro, a inflação se espalhou mais pelos itens que compõem o IPCA-15. O Índice de Difusão, que mede a proporção de bens e serviços que tiveram aumento de preços num período, subiu de 54,5% em dezembro para 63,5% em janeiro, segundo cálculos do VALOR DATA considerando todos os itens da cesta.
VALOR ECONÔMICO
Governo central deve ter superávit de R$ 12,6 bi em dezembro, apontam projeções do Ipea
Dados têm como base informações da execução orçamentária registradas no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi)
As contas do governo central, que reúnem Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, devem registrar superávit primário de R$ 12,6 bilhões em dezembro, segundo estimativas divulgadas, na terça-feira (27), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O resultado corresponde à diferença entre receitas e despesas, excluídas as despesas com a dívida pública. Os dados têm como base informações da execução orçamentária registradas no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi). O Resultado do Tesouro Nacional (RTN) referente a dezembro e ao ano de 2025 deve ser divulgado nesta quinta-feira (29). Já o acumulado do ano deve apresentar déficit primário de R$ 70,1 bilhões. O saldo negativo é superior ao registrado no mesmo período de 2024, quando o déficit havia sido de R$ 45,8 bilhões. Segundo o Ipea, a receita líquida do governo central alcançou, no último mês do ano passado, R$ 240,2 bilhões, ante os R$ 246,3 bilhões observados em dezembro de 2024, representando uma queda real de 2,5%. As despesas totalizaram R$ 227,6 bilhões, ante R$ 221,1 bilhões em igual mês de 2024, um crescimento real de 2,9%. Ainda segundo o estudo, as receitas sob gestão da Receita Federal do Brasil (RFB) registraram aumento real de R$ 14,2 bilhões (8,8%) em relação a igual período de comparação. O resultado é atribuído, em grande medida, ao aumento real na arrecadação de diversos tributos, com destaque para a elevação de 7,4% no Imposto de Renda, 27,2% no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e 12,4% na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A arrecadação líquida do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) também apresentou alta real, conforme o Instituto, de R$ 3,1 bilhões (3,6%), enquanto as receitas não geridas pela RFB tiveram redução real de R$ 17,2 bilhões (-30,5%). Quanto às despesas, o aumento observado em dezembro foi de R$ 6,4 bilhões em termos reais, impulsionado principalmente pelos gastos com benefícios previdenciários, pessoal e despesas discricionárias do Poder Executivo. No acumulado de 2025, a despesa total cresceu R$ 78,6 bilhões (3,3%), refletindo, entre outros fatores, a expansão dos gastos previdenciários, da complementação ao Fundeb, dos benefícios assistenciais e dos pagamentos de precatórios.
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