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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1064 DE 11 DE MARÇO DE 2026

  • prcarne
  • há 2 horas
  • 19 min de leitura

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 5 | nº 1064 | 11 de março de 2026

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL 

 

Boi gordo: conflito no Oriente Médio encerrou tendência de alta da arroba

Na terça-feira (10/3) a Agrifatto identificou redução nos preços da arroba em 5 das 17 praças monitoradas diariamente – em GO, MG, MS, MT e RO. Nas demais regiões, as cotações ficaram estáveis. No PARANÁ: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: seis dias. Boi China: PARANÁ: R$ 346,50/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo).

 

Pelos dados Scot Consultoria, no mercado paulista, os preços seguiram estáveis na terça-feira, com o boi gordo sem padrão cotado em R$ 347/@, enquanto o “boi-China” está valendo R$ 350/@ (valores brutos, no prazo). “Embora tanto o mercado interno quanto o externo mantenham bom ritmo, lideranças da pecuária avaliam que parte da indústria frigorífica tem utilizado o cenário internacional como argumento para tentar pressionar as cotações do animal terminado”, relatou a Agrifatto. Ainda assim, de acordo com levantamento da consultoria, as programações de abate das indústrias brasileiras permanecem curtas, com média nacional de atendimento entre 6 e 7 dias úteis. No curto prazo, prevê a consultoria, o mercado aponta para um viés de oscilação mista nos preços do boi gordo, com possibilidade de ajustes negativos moderados à medida que se avança para a segunda quinzena do mês, período tradicionalmente marcado por menor apelo de consumo, devido à queda de poder aquisitivo da população. No mercado futuro da B3, os contratos do boi gordo oscilaram entre quedas moderadas e altas pouco expressivas ao longo da semana passada e início desta, reforçando o clima de cautela. Na segunda-feira (9/3), os preços futuros do boi subiram pelo segundo dia consecutivo. O principal destaque foi o contrato com vencimento em abril de 2026, que encerrou cotado a R$ 344/@, com avanço de 1,78% em relação ao dia anterior.

Cotações do boi gordo da terça-feira (10/3), conforme levantamento diário da Agrifatto: 

SÃO PAULO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: sete dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: sete dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: sete dias.

GOIÁS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China/Europa: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: seis dias. TOCANTINS: Boi comum: R $ 325,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: cinco dias. PARÁ: Boi comum: R$ 325,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: cinco dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 305,00. Vaca: R$ 285,00. Novilha: R$ 295,00. Escalas: oito dias. MARANHÃO: Boi: R$ 325,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 300,00. Escalas: cinco dias. PARANÁ: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: seis dias.

Preços brutos do “boi-China” nesta terça-feira (10/3), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 346,50/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 334,50/@ (à vista) e R$ 338,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$336,50/@ (à vista) e R$ 340,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 334,50/@ (à vista) e R$ 338,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 333,50/@ (à vista) e R$ 337,00/@ (prazo).  PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 331,50/@ (à vista) R$ 335,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 326,50/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 312,00/@ (à vista) e R$ 315,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 319,00/@ (à vista) e R$ 322,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 326,50/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo).

SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO

 

CARNES

 

Exportações começam março com mais embarques de frango e suínos

Dados da Secex mostram aumento no ritmo diário de exportações de aves e suínos no início de março; pescado registra queda em volume, receita e preço.

 

As exportações brasileiras de proteínas animais iniciaram março de 2026 com movimentos diferentes entre os principais segmentos do setor. Os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram aumento no ritmo diário de embarques de carnes de aves e suínos. Os números consideram os cinco primeiros dias úteis de março de 2026 e são comparados com o desempenho registrado ao longo de todo o mês de março de 2025. Entre as proteínas analisadas, as carnes de aves continuam liderando com folga em volume e faturamento nas exportações brasileiras. A carne suína aparece na sequência com crescimento nas médias diárias de volume e receita. As exportações de carnes de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas somaram US$ 236,7 milhões nos cinco primeiros dias úteis de março de 2026. No mesmo período, o volume embarcado alcançou 132.314 toneladas. Durante todo o mês de março de 2025, o faturamento das exportações havia sido de US$ 785,8 milhões, com embarques totais de 438.408 toneladas. Na análise da média diária, o faturamento das exportações de aves chegou a US$ 47,3 milhões neste início de março. Em março de 2025, a média diária havia sido de US$ 41,3 milhões. O volume médio exportado por dia também mostra aumento. Nos cinco primeiros dias úteis de março de 2026, o Brasil embarcou em média 26.462 toneladas diárias de carnes de aves. No mês de março de 2025, a média diária havia sido de 23.074 toneladas. O preço médio, porém, apresentou pequena redução. A carne de aves foi exportada a US$ 1.789 por tonelada, contra US$ 1.792 por tonelada em março de 2025. A carne suína também apresentou desempenho positivo no começo de março. Nos cinco primeiros dias úteis de 2026, as exportações do produto alcançaram 34.010 toneladas. Em receita, as vendas externas somaram US$ 85,9 milhões no período analisado. No mês de março de 2025, o faturamento total havia sido de US$ 257,8 milhões. Na média diária, o faturamento das exportações de carne suína ficou em US$ 17,1 milhões nos primeiros dias úteis de março. Em março de 2025, a média havia sido de US$ 13,5 milhões. O volume médio exportado por dia de carne suína chegou a 6.802 toneladas. No mês de março do ano passado, a média diária foi de 5.401 toneladas. O preço médio da carne suína também apresentou leve valorização. O produto foi negociado a US$ 2.527 por tonelada, contra US$ 2.513 por tonelada em março de 2025.

SECEX/MDIC

 

SUÍNOS

 

Aberturas de mercado para o Brasil na Nova Zelândia e na Turquia, diz Mapa

Com esses anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 544 novas aberturas de mercado desde o início de 2023

 

O governo brasileiro concluiu negociações que permitirão ao Brasil exportar novos produtos agropecuários para a Nova Zelândia e para a Turquia. A autorização para exportação de carne suína termo processada e de bile ovina para a Nova Zelândia aumenta as possibilidades de exportação do Brasil para um mercado de alto poder aquisitivo. Em 2025, o Brasil exportou cerca de US$ 107 milhões em produtos agropecuários para a Nova Zelândia. Na Turquia, a autorização para a exportação de mel e produtos apícolas deverá ampliar as oportunidades para o setor brasileiro. O país importou mais de US$ 3,2 bilhões em produtos agropecuários brasileiros em 2025, com destaque para soja em grãos, algodão e café. Com esses anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 544 novas aberturas de mercado desde o início de 2023.

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA (MAPA)

 

Suíno vivo varia entre R$ 6,63 e R$ 6,94 nas principais praças do país

Levantamento do Cepea mostra diferenças nas cotações entre os estados produtores.

 

Os preços do suíno vivo apresentaram pequenas variações entre os principais estados produtores do país na segunda-feira (09), de acordo com dados do indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). Em Minas Gerais, o animal foi cotado a R$ 6,76 por quilo, sem variação no dia nem no acumulado do mês. No Paraná, o preço ficou em R$ 6,70/kg, com queda diária de 0,15% e alta de 1,67% no mês. No Rio Grande do Sul, a cotação atingiu R$ 6,78/kg, registrando alta de 0,15% no dia e acumulado mensal de 0,74%. Já em Santa Catarina, o valor permaneceu em R$ 6,63/kg, sem alteração diária e com avanço de 1,84% em março. Em São Paulo, o indicador apontou R$ 6,94/kg, com recuo diário de 0,14% e alta de 0,58% no acumulado do mês. Os valores consideram o suíno vivo nas condições posto ou a retirar, conforme a praça de referência, segundo o Cepea.

CEPEA/ESALQ

 

Suinocultura em debate: encontro da ABRAVES em Toledo reúne especialistas para discutir inovação, gestão e sanidade

Programação aborda desde cenários de mercado e comunicação do agro até riscos sanitários ligados aos javalis e o uso de inteligência artificial na produção animal.

 

O Paraná, responsável por 21,5% dos abates de suínos do Brasil, recebe nesta semana, em Toledo (PR), especialistas, pesquisadores e profissionais da cadeia produtiva para o XX Encontro Regional da ABRAVES-PR. O evento reúne lideranças da suinocultura para discutir temas que vão da sanidade e da gestão de pessoas ao avanço da inteligência artificial aplicada à produção animal. A vigésima edição do encontro, promovida pela Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos – Regional Paraná (ABRAVES-PR), acontece nos dias 11 e 12 de março de 2026 e tem como tema “Suinocultura: ciência que direciona, propósito que inspira e ações que transformam”. A programação reúne profissionais, pesquisadores e empresas para discutir tendências, desafios e tecnologias que impactam diretamente a produção. Entre os responsáveis pela programação científica, Everson Zotti destaca que o encontro foi estruturado para dialogar com as demandas mais atuais da atividade. “Vamos abordar temas como gestão de pessoas, inteligência artificial e sanidade. A proposta é levar conteúdos aplicáveis à rotina dos profissionais, mostrando como ferramentas digitais podem otimizar processos, melhorar a organização do tempo e aumentar a produtividade”, afirma.

A programação também reserva espaço para discutir o avanço da inteligência artificial no agronegócio, tema que tem ganhado relevância na produção animal. “Queremos aprofundar o debate sobre tecnologias e ferramentas de IA voltadas ao campo. Os palestrantes vão mostrar como essas soluções já estão transformando a forma de produzir e gerir no agro”, complementa Zotti. Para a presidente da ABRAVES-PR, Luciana Diniz, o encontro se consolida como um espaço de integração entre profissionais de diferentes regiões do país. “O Encontro Regional não se limita ao Paraná. Recebemos participantes de várias regionais, atraídos pela qualidade técnica da programação, pela troca de experiências e pelo networking que a ABRAVES proporciona em dois dias intensos de conhecimento”, destaca. Ao reunir especialistas, empresas e lideranças do setor, o XX Encontro Regional da ABRAVES-PR reforça o papel estratégico do Paraná no desenvolvimento da suinocultura brasileira e se consolida como um dos principais fóruns técnicos da área no país. O protagonismo do Estado ajuda a explicar a relevância do encontro. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2024 foram abatidos 12,4 milhões de suínos no Paraná, número que representa um crescimento de 79% na última década, acima da média nacional, de 55%.

Além da liderança na produção, o Estado também se destaca no mercado internacional de genética suína. Segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Paraná consolidou sua posição como o maior exportador brasileiro de suínos reprodutores de raça pura. Além da liderança na produção, o Estado também se destaca no mercado internacional de genética suína. Segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Paraná consolidou sua posição como o maior exportador brasileiro de suínos reprodutores de raça pura.

AGRIMÍDIA

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ

 

Exportações do Paraná para Dinamarca, Singapura, Noruega, Polônia e Japão dobram em 2026

No caso das vendas para a Ásia, o aumento foi sustentado principalmente pela carne de frango, petróleo e carne suína. Comércio com a Europa envolveu incremento das exportações de torneiras e válvulas e farelo de soja.

 

As exportações paranaenses para alguns mercados asiáticos e europeus cresceram de forma significativa neste ano. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), organizados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), as vendas estaduais para Japão, Singapura e Filipinas avançaram, respectivamente, 107%, 103% e 124% no 1º bimestre de 2026, em comparação a idêntico período de 2025. Ou seja, dobraram de tamanho. No caso das vendas para o mercado japonês, o aumento foi sustentado principalmente pela carne de frango, enquanto as exportações para Singapura e Filipinas apresentaram crescimento alicerçado no petróleo e na carne suína, respectivamente. Em trajetória similar à desses países asiáticos, as receitas geradas pelo comércio com a Noruega progrediram 176% no 1º bimestre, posicionando-se entre as taxas de crescimento das vendas estaduais para a Polônia (282%) e a Dinamarca (130%). Para a Noruega, o destaque é o incremento das exportações de torneiras e válvulas, e para a Polônia e a Dinamarca a ampliação do comércio envolve o farelo de soja. Juntos, os seis mercados passaram a responder por 10,1% das exportações totais do Paraná, muito acima da participação de 4,1% registrada nos dois primeiros meses de 2025. Segundo Jorge Callado, diretor-presidente do Ipardes, um dos diferenciais das exportações do Estado diz respeito à diversidade de mercados e produtos, o que as tornam menos dependentes de compradores específicos. “Nos meses de janeiro e fevereiro de 2026, as mercadorias paranaenses alcançaram 183 mercados, em transações que envolveram cerca de 3 mil itens diferentes”, afirma. De maneira geral, o Paraná alcançou US$ 3,1 bilhões em movimentação de vendas para outros países em 2026. Apenas em fevereiro foram US$ 1,7 bilhão. Os principais produtos exportados foram carne de frango (US$ 698 milhões), soja em grão (US$ 425 milhões), farelo de soja (US$ 191 milhões) e papel (US$ 137 milhões). Entre os principais produtos o maior aumento de vendas aconteceu cm óleo de soja bruto, com 98% (de US$ 55 milhões para US$ 110 milhões). OS principais destinos no primeiro bimestre foram China (US$ 581 milhões), Argentina (US$ 130 milhões), Índia (US$ 108 milhões), Emirados Árabes Unidos (US$ 106,8 milhões) e México (US$ 106,6 milhões). O comércio com a Índia também registrou crescimento expressivo em 2026, chegando a um aumento de 95%. A balança comercial está no patamar de US$ 434 milhões, que é a diferença entre US$ 3,1 bilhões de exportações e US$ 2,7 bilhões de importações.

AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS

 

ECONOMIA

 

Dólar fecha perto da estabilidade com temores de que Irã instale minas no Estreito de Ormuz

Após recuar para a faixa dos R$5,13 mais cedo na sessão, o dólar ganhou força na reta final das negociações do dia e fechou a terça-feira praticamente estável no Brasil, com investidores reagindo negativamente a notícias de que o Irã pode instalar minas no Estreito de Ormuz, por onde são transportados 20% do petróleo mundial.

 

O dólar à vista fechou com leve baixa de 0,14%, aos R$5,1582. No ano, a divisa passou a acumular queda de 6,03% ante o real. Às 17h28, o dólar futuro para abril -- o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 0,27% na B3, aos R$5,1850. Na segunda-feira, o dólar havia despencado ante o real após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter passado indicações de que a guerra de EUA e Israel contra o Irã poderia terminar em breve. Trump disse a parlamentares republicanos que a guerra "será concluída muito rapidamente" e, em entrevista à Fox News, afirmou que é possível que ele esteja disposto a conversar com o Irã. As declarações de Trump ainda ecoaram nos mercados nesta terça-feira, fazendo o petróleo recuar para perto dos US$83 o barril em Nova York durante o dia e o dólar ceder ante quase todas as divisas globais. No Brasil, o dólar à vista atingiu às 14h20 a cotação mínima intradia de R$5,1326 (-0,64%) -- valor já próximo das cotações verificadas na semana anterior à guerra. O otimismo quanto a um desfecho rápido da guerra também deu força ao Ibovespa -- principal índice de ações da bolsa brasileira -- e reduziu os prêmios na curva de DIs (Depósitos Interfinanceiros), em uma sessão de busca por ativos de maior risco. Durante a tarde, porém, o dólar recuperou força, após a CBS News noticiar que a inteligência dos EUA começou a observar indícios de que o Irã está tomando medidas para implantar minas no Estreito de Ormuz. Em meio à ameaça, Trump disse para o Irã remover quaisquer minas que possa ter colocado na região, alertando que, se isso não for feito, enfrentará consequências militares em nível nunca visto. Ao mesmo tempo, Trump disse que os EUA não têm relatos de que o Irã tenha de fato colocado minas no estreito. A possibilidade de aumento do conflito no Estreito de Ormuz -- uma passagem chave para o transporte global de petróleo e gás -- fez o dólar praticamente zerar as perdas no Brasil, com a moeda também ganhando força no exterior e o petróleo se afastando das mínimas do dia.

REUTERS

 

Ibovespa fecha em alta com trégua global na aversão a risco

O Ibovespa fechou em alta de mais de 1% na terça-feira, endossado pela trégua global na aversão a risco, com a percepção de que o conflito no Oriente Médio terá duração menor do que a esperada derrubando os preços do petróleo.

 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,4%, a 183.447 pontos, após marcar 180.692,83 na mínima e 185.323,62 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$31,3 bilhões. A bolsa paulista deu continuidade nesta sessão ao movimento mais positivo iniciado na véspera, que foi fomentado por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a guerra contra o Irã pode terminar em breve. Nem a afirmação da Guarda Revolucionária do Irã de que decidirá sobre fim da guerra e a ameaça de que irá interromper exportações regionais de petróleo se ataques continuarem evitaram a forte correção nos preços da commodity. O barril sob o contrato Brent, que chegou a superar US$119 brevemente na segunda-feira, fechou a terça-feira a US$87,80, em queda de 11%.

A disparada das cotações da commodity desde os primeiros ataques dos EUA e Israel contra o Irã em 28 de dezembro vinha adicionando preocupações sobre a inflação e seus reflexos nas políticas monetárias no mundo, em particular nos EUA. No exterior, o norte-americano S&P 500 perdeu força no final e fechou em baixa de 0,21%. De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz, a fala de Trump de que a guerra está próxima do fim amenizou temores sobre a duração do conflito, derrubando os preços do petróleo e reverberando em outros mercados. "O mercado interpretou tal feito como um bom sinal, o que ajudou a reduzir a volatilidade", afirmou, citando ainda notícia envolvendo o Estreito de Ormuz. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse nesta terça-feira que a Marinha norte-americana escoltou com sucesso um petroleiro pelo Estreito de Ormuz "para garantir que o petróleo continue fluindo para os mercados globais". Queiroz ressaltou, porém, que investidores continuam acompanhando os desdobramentos da situação no Oriente Médio e analisando as possibilidades de fato sobre o fim do conflito.

REUTERS

 

Faturamento do agro em 2025 atinge novo recorde; 2026 se inicia em meio a grandes incertezas

Pesquisas do Cepea mostram que o agronegócio do Brasil faturou US$ 169 bilhões em 2025, valor 3% maior que o do ano anterior.

 

Por mais um ano, o agronegócio nacional atingiu recorde no faturamento com as exportações de seus produtos. Esse cenário foi verificado mesmo diante das tarifações impostas pelos Estados Unidos, que são o terceiro maior destino do setor brasileiro. Pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, realizadas com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Secretaria de Comércio Exterior (sistema Siscomex), mostram que o Brasil faturou US$ 169 bilhões em 2025, valor 3% maior que o do ano anterior. O resultado se deve ao crescimento de 3,4% no volume escoado, tendo em vista que o preço médio anual caiu ligeiro 0,4%. Segundo pesquisadores do Cepea, os volumes escoados das carnes bovina e suína, celulose, soja em grão, algodão e milho cresceram em 2025 frente ao ano anterior. Quanto ao preço, aumentos foram verificados para as carnes bovinas e suína, o etanol, o café e o óleo de soja. Os principais destinos dos produtos do agronegócio brasileiro seguem sendo China (sobretudo complexo soja), União Europeia (especialmente florestais, café, frutas e suco de laranja) e Estados Unidos (principalmente madeira, suco de laranja, etanol, café, frutas, celulose e carne bovina). O ano de 2026 se inicia em meio a fortes incertezas. Enquanto produtores do Hemisfério Sul finalizam a colheita da safra de verão e intensificam a semeadura da nova safra, os do Hemisfério Horte estão fazendo o planejamento para o próximo ciclo produtivo e seguem atentos ao clima (o frio está bastante intenso em algumas importantes regiões produtoras de grãos) e, sobretudo, aos desdobramentos do atual conflito no Oriente Médio. Por ora, o conflito já tem resultado em fortes altas nos preços do petróleo e em dificuldades logísticas. O fechamento do Estreito de Ormuz preocupa, uma vez que a região é estratégica para o comércio global de energia e insumos agrícolas, já que por ali circulam 30% dos fertilizantes (principalmente de base nitrogenada) comercializados no mundo. O Cepea observa que muitas empresas brasileiras de fertilizantes estão atualmente afastadas do mercado, sem divulgar preços, aguardando os desdobramentos do conflito. O Irã, especificamente, se tornou em 2025 um grande demandante do milho do Brasil. Em 2025, o país foi o maior destino do milho nacional, recebendo 9 milhões de toneladas, praticamente o dobro do que no ano anterior (4,33 milhões de toneladas), segundo apontam dados da Secex. No entanto, como as exportações brasileiras de milho tendem a ser intensificadas apenas no segundo semestre, agentes, por ora, apenas acompanham os possíveis impactos para os próximos meses. Quanto ao frango, a região do Oriente Médio é um dos principais parceiros do setor avícola nacional na atualidade – em 2025, foi destino de quase 25% dos embarques brasileiros de carne de frango. Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita são, respectivamente, o primeiro e o terceiro maiores destinos da carne de frango do Brasil. Em 2025, foram escoadas mais de 877 mil toneladas da proteína para estes países, que, juntos, recebem mais de 12,6% de todo o volume de frango escoado.

CEPEA


Datafolha: parcela de brasileiros que vê piora da economia sobe para 46%

Índice de pessoas que citam deterioração da própria situação financeira e estão pessimistas com futuro cresceu. Percepção mais negativa contrasta com desemprego em nível mínimo histórico e queda da inflação

 

A percepção dos brasileiros em relação à situação econômica do país piorou nos últimos meses, revertendo parcialmente a melhora captada no levantamento feito no final de 2025, mostra pesquisa Datafolha. Também há mais entrevistados pessimistas sobre o futuro, inclusive sobre sua própria condição financeira, e prevendo elevação do desemprego, indicador que está nas mínimas históricas, e da inflação. O percentual daqueles que avaliam que a situação econômica do país piorou nos últimos meses subiu de 41% para 46% na comparação entre as pesquisas realizadas em dezembro do ano passado e em março deste ano. O número está em um patamar intermediário entre o melhor resultado da gestão do ministro Fernando Haddad na Fazenda —35% nas três pesquisas de 2023, durante o primeiro ano do governo Lula 3— e os 55% verificados em abril de 2025. O percentual dos que avaliam que a situação econômica do país melhorou caiu de 29% para 24%, na comparação entre as duas últimas pesquisas. O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios pelo Brasil, de 3 a 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. Os números mostram que a percepção negativa fica próxima dos 46% em todas as faixas de renda, exceto entre aqueles no grupo acima de dez salários-mínimos, no qual está em 69%. São 57% entre evangélicos (41% entre católicos), 65% entre empresários e 77% entre pessoas que pretendem votar em Flávio Bolsonaro (14% entre eleitores de Lula). Para 35% dos entrevistados, a economia vai piorar nos próximos meses. Na pesquisa feita em dezembro, essa era a expectativa de 21%. Na anterior, em julho do ano passado, esse índice chegou a 45%. A expectativa de melhora na questão econômica passou de 28% em julho, para 46% em dezembro e ficou em 30% na nova pesquisa. O otimismo é maior entre pessoas com renda de até dois salários-mínimos (33%) do que entre aquelas que estão no grupo acima de dez mínimos (11%); no Nordeste (36%) do que no Sudeste (25%); e entre pretos (32%) e pardos (31%) do que entre brancos (26%). Há diferença de dez pontos entre católicos (33%) e evangélicos (23%). O otimismo predomina entre potenciais eleitores de Lula (51% esperam melhora) e é baixo nos que pretendem votar em Flávio (apenas 14% dizem que a economia vai melhorar), Romeu Zema (16%) e Ratinho Junior (17%). O início do ano foi marcado pela confirmação de que a economia brasileira desacelerou e pelo início da guerra no Irã. Também foi um período de juros altos e aumento do endividamento das famílias e empresas. Por outro lado, houve melhora nos indicadores de renda e inflação. Os dados mostram ainda aumento da insatisfação e do pessimismo do brasileiro em relação à sua própria situação financeira. São 33% os que avaliam que a sua própria situação econômica piorou nos últimos meses —eram 26% em dezembro. O percentual dos que acham que melhorou caiu de 36% para 30% na mesma comparação. O percentual daqueles que estão pessimistas com o seu futuro passou de 22% em julho para 10% em dezembro, e agora subiu para 14%. Os otimistas, por outro lado, eram 45% em meados de 2025, percentual que subiu a 60% no final do ano passado e caiu para 51% na pesquisa atual. O levantamento também mostra que 48% dos entrevistados avaliam que o desemprego vai aumentar, ante 42% no levantamento anterior sobre o tema, que neste caso foi feito em junho do ano passado. O novo resultado é o maior patamar em termos nominais no atual mandato presidencial, embora esteja empatado na margem de erro com os 46% verificados em setembro de 2023 e março de 2024. Para 21%, o desemprego vai cair. Eram 22% em junho. Esse é o menor valor registrado no atual governo, empatado com o 21% de abril do ano passado.

FOLHA DE SP


Exportações brasileiras aos EUA caem 23% no 1º bimestre e atingem menor nível desde 2023

Segundo dados do Monitor do Comércio Brasil–EUA, da Amcham Brasil, as exportações para os EUA somaram US$ 4,9 bilhões no acumulado de janeiro e fevereiro de 2026

 

As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 23,2% no primeiro bimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Câmara Americana de Comércio no país (Amcham Brasil). De acordo com o levantamento, em números totais, as exportações para os EUA somaram US$ 4,9 bilhões no acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, que significam US$ 812 milhões a menos nas vendas de empresas brasileiras para o país norte-americano. Conforme destaca a Amcham Brasil, o resultado representa o menor valor para o primeiro bimestre desde 2023 e, segundo análise da entidade, reflete a combinação entre fatores conjunturais de mercado e o impacto das medidas tarifárias que seguiram afetando parte relevante da pauta exportadora brasileira até o fim de fevereiro. Ao observar apenas os dados de fevereiro contra o mesmo mês do ano passado, as exportações brasileiras para os EUA totalizaram US$ 2,5 bilhões, queda de 20,3%. A Amcham Brasil também lembra que as exportações brasileiras para o mercado americano acumulam sete meses consecutivos de retração. O movimento foi iniciado em agosto de 2025, quando houve a aplicação pelos EUA de sobretaxas de importação entre 40% e 50% para um amplo conjunto de produtos. Na visão da entidade, embora a queda em fevereiro tenha sido menos intensa do que em meses anteriores, o desempenho indica um início de ano marcado por pressões ainda relevantes sobre o comércio bilateral. “É importante destacar que as mudanças tarifárias anunciadas no fim de fevereiro — após decisão da Suprema Corte americana que levou ao fim das sobretaxas de 40% e 50% e à adoção de uma nova sobretaxa global de 10% — ainda não estão refletidas plenamente nas estatísticas bilaterais. Como essas medidas entraram em vigor apenas no fim do mês, seus efeitos deverão começar a aparecer no fluxo comercial a partir de março”, esclarece a Amcham Brasil. De acordo com a nota da entidade, a retração nas exportações em fevereiro foi influenciada principalmente pela forte queda nas vendas de petróleo bruto, que recuaram 80,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, além de combustíveis derivados de petróleo, que tiveram.  Segundo a Amcham Brasil, ambos os produtos estão isentos de sobretaxas e possuem peso relevante na pauta exportadora brasileira para os EUA. O café, que está isento de sobretaxas desde novembro, também apresentou queda significativa, de 40% na comparação anual. Já os produtos sujeitos a sobretaxas de 40% e 50% até o final de fevereiro registraram queda de 27,4% no mês, enquanto produtos afetados pelas tarifas da Seção 232, como itens de madeira, apresentaram retração ainda mais acentuada. Segundo o presidente da Amcham Brasil, Abraão Neto, considerando que os dados de fevereiro ainda não capturam os efeitos da redução das sobretaxas decorrente da decisão da Suprema Corte americana, será importante acompanhar, nos próximos meses, em que medida essa mudança contribuirá para melhorar o desempenho das exportações brasileiras e o fluxo do comércio bilateral. “Ao mesmo tempo, é fundamental que os governos dos dois países avancem em entendimentos para evitar novas restrições comerciais, especialmente no âmbito da investigação da Seção 301”, afirma o presidente da Amcham Brasil.

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