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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1229 DE 06 DE NOVEMBRO DE 2026

prcarne
há 5 minutos
21 min de leitura

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 5 | nº 1229 | 06 de novembro de 2026

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL 

 

Preço da novilha gorda tem forte alta em SP e boi terminado segue firme nas praças brasileiras

No Paraná, o indicador com preço de referência da consultoria Datagro para o estado apontou ontem (5/11) a cotação da arroba do boi gordo a R$ 390,97, alta de 0,54%; de R$ 351,77 para a vaca, alta de 0,09% e de R$ 381,67 para a novilha, queda de 0,03%.

 

“Boi-China” atingiu R$ 400/@ no PR e subiu em MG, MS, GO e RO, apontou a Scot Consultoria. Na quinta-feira (5/11), o preço de referência do “boi-China” alcançou R$ 400/@ (prazo) na praça do Paraná, atualmente a região com a arroba mais cara do Brasil, de acordo com dados da Scot Consultoria. A consultoria também apurou valorização diária nas praças de Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Rondônia, com acréscimo de R$ 2/@ sobre os preços do dia anterior. No mercado paulista, principal referência, houve poucos negócios, resultando em estabilidade nas cotações dos animais terminados, observa a Scot. Com isso, em São Paulo, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 387/@, enquanto “boi-China” está valendo em R$ 390/@ (valores brutos, no prazo), segundo a consultoria. Na mesma praça, a vaca gorda é negociada por R$ 360/@ e os lotes de novilha saem por R$ 382/@, acrescenta a Scot. “Há negócios pontuais acima das cotações indicadas, mas sem volume suficiente para se tornarem referência de mercado”, destacam os analistas da consultoria de Bebedouro (SP).

Segundo dados parciais do Serviço de Inspeção Federal (SIF), atualizados até 5/11, a participação de fêmeas no abate de outubro está em 27,2%, o que justifica a oferta curta da categoria e a firmeza na cotação das fêmeas. Em geral, ressalta a Scot, a oferta de boiadas está enxuta, com a ponta vendedora segurando os lotes em busca de melhores preços. Do lado da indústria, diz a consultoria, as compras se limitam ao necessário para manter as escalas de abate, que atendem, em média, a cinco dias em São Paulo. Cotações do boi gordo, conforme levantamento da Agrifatto: PARANÁ: Boi: R$ 395,00. Vaca: R$ 365,00. Novilha: R$ 375,00. Escalas: seis dias. SÃO PAULO: Boi comum: R$ 395,00. Boi China: R$ 395,00. Média: R$ 395,00. Vaca: R$ 365,00. Novilha: R$ 375,00. Escalas: seis dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 380,00. Boi China: R$ 380,00. Média: R$ 380,00. Vaca: R$ 360,00. Novilha: R$ 370,00. Escalas: sete dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 380,00. Boi China: R$ 380,00. Média: R$ 380,00. Vaca: R$ 360,00. Novilha: R$ 370,00. Escalas: sete dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 365,00. Boi China: R$ 365,00. Média: R$ 365,00. Vaca: R$ 345,00. Novilha: R$ 355,00. Escalas: oito dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 375,00. Boi China/Europa: R$ 375,00. Média: R$ 375,00. Vaca: R$ 355,00. Novilha: R$ 365,00. Escalas: sete dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 375,00. Boi China: R$ 375,00. Média: R$ 375,00. Vaca: R$ 350,00. Novilha: R$ 360,00. Escalas: sete dias. PARÁ: Boi comum: R$ 380,00. Boi China: R$ 380,00. Média: R$ 380,00. Vaca: R$ 355,00. Novilha: R$ 365,00. Escalas: sete dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 365,00. Vaca: R$ 340,00. Novilha: R$ 345,00. Escalas: oito dias. MARANHÃO: Boi: R$ 370,00. Vaca: R$ 345,00. Novilha: R$ 350,00. Escalas: sete dias. Preços brutos do “boi-China” na quinta-feira (5/11), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 386,00/@ (à vista) e R$ 390,00/@ (prazo). MINAS GERAIS: (Exceto região Sul): R$ 383,00/@ (à vista) e R$ 387,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 366,00/@ (à vista) e R$ 370,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 383,00/@ (à vista) e R$ 387,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 373,00/@ (à vista) e R$ 377,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 376,00/@ (à vista) R$ 380,00/@ (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 376,00/@ (à vista) e R$ 380,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 363,00/@ (à vista) e R$ 367,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 376,00/@ (à vista) e R$ 380,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 371,00/@ (à vista) e R$ 375,00/@ (prazo). PARANÁ: R$ 395,00/@ (à vista) e R$ 400,00/@ (prazo).

SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO

 

Mercado interno deve limitar alta de preços na pecuária bovina, diz Rabobank

O preço do boi gordo tende a se manter elevado em 2027, mas não deve se consolidar acima dos R$ 400 a arroba. Foi o que afirmou, na quarta-feira (4/11), o analista de mercado de proteínas do banco holandês Rabobank, Wagner Yanagizawa.

 

A principal razão é o comportamento do consumidor nacional. Enquanto a redução da oferta deve dar suporte ao mercado, os preços elevados estimulam a migração para opções mais baratas, como o frango e o suíno, limitando a valorização do produto bovino. A previsão do Rabobank é de uma retração de 6,2% no consumo doméstico de carne bovina em 2027. O volume deve cair de 33,4 quilos para 31,4 quilos em média por habitante ao ano. “O mercado futuro indica uma arroba acima dos R$ 400, o que é plausível. Deve ter picos de preço, mas, na média do ano, deve ficar abaixo disso, por causa do consumo local”, disse ele, durante evento de apresentação das projeções do banco para o agronegócio brasileiro. Ele explicou que a oferta de animais para abate será a principal variável do mercado nos próximos meses. A expectativa do Rabobank é de uma redução de 3% na produção, de 11,3 milhões para 11 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC). Pecuaristas estão renovando o estoque de fêmeas e há escassez de bezerros para reposição. “O El Niño é um ponto de atenção, por causa do período de engorda do gado. Se houver um veranico, pode ter limitação de oferta no primeiro trimestre”, disse o analista. O Rabobank projeta um crescimento de 1,5% nas exportações brasileiras de carne bovina, de 4,43 milhões para 4,5 milhões de toneladas. Yanagizawa avaliou que o Brasil está em uma condição favorável no mercado internacional, porque consegue oferecer produto competitivo e com segurança. Ele disse também que uma eventual abertura de mercados como Japão e Coreia do Sul pode trazer uma compensação ao embargo da União Europeia. “Devemos ter oportunidades no sudeste da Ásia, onde a tendência é de aumento de consumo”, acrescentou, destacando que a redução da oferta também em nível global deve favorecer as vendas externas de carne bovina do Brasil. Ele destacou que a reabertura da cota de exportação para a China ajuda a valorizar a carne bovina e o boi gordo. Mas, se o comportamento dos exportadores for semelhante ao de 2026, o movimento dos preços também pode se repetir: altas no começo e no fim do ano e baixa entre um período e outro. Yanagizawa lembrou, no entanto, que há uma discussão dentro do setor e do governo sobre a possibilidade de o atendimento da cota ser escalonada ao longo dos meses, para evitar rupturas no mercado. A consequência seria uma curva de preços mais estável. “Considerando que essa cota vai até 2028, a estratégia do governo chinês pode ser redução de tarifa ou aumento de cota. Estamos apostando em um aumento, o que, para o Brasil, seria 33 mil toneladas adicionais. É incipiente, mas em linha com o que estamos vendo”, disse.

GLOBO RURAL

 

Boi/Cepea: Outubro é marcado por preços recordes para a arroba

Valores foram influenciados pela restrição na disponibilidade de animais terminados e pela demanda. As cotações do boi gordo subiram de forma expressiva em outubro e atingiram recordes reais da série histórica do Cepea, iniciada em 1994.

 

Pesquisadores do Centro de Pesquisas apontam que os valores foram influenciados pela restrição na disponibilidade de animais terminados e pela demanda consistente por carne bovina, combinação que ampliou a disputa entre frigoríficos pela aquisição de matéria-prima.

Em 30 de outubro, o Indicador do boi gordo CEPEA/ESALQ, referente ao estado de São Paulo, foi de R$ 389,90, à vista, forte avanço de 7,03% no acumulado do mês. Nesta primeira semana de novembro, o Indicador opera na casa dos R$ 390. Estes valores são recordes reais da série histórica do Cepea – os dados foram deflacionados pelo IGP-DI de setembro/26. Vale lembrar que o recorde anterior, de R$ 385,26, havia sido registrado em 11 de novembro de 2020. A média de outubro do Indicador foi de R$ 379,55, também recorde real da série do Cepea, com elevações de 7,5% frente à de setembro/26 e de 17,75% na comparação com outubro/25 – considerando-se os valores deflacionados pelo IGP-DI de setembro/26. Pesquisadores do Cepea indicam que, para os próximos meses, o comportamento do mercado deve depender principalmente da evolução da oferta de animais terminados, da capacidade de repasse dos reajustes ao longo da cadeia e da sustentação das demandas interna e externa por carne bovina.

CEPEA

 

SUÍNOS

 

Suínos/Cepea: Valorização do animal vivo chega a superar os 30%

Impulso veio da combinação de demanda aquecida e menor oferta de animais

 

Os preços do suíno vivo avançaram de forma expressiva entre setembro e outubro – as altas nos valores chegaram a superar os 30%. Segundo pesquisadores do Cepea, o impulso veio da combinação de demanda aquecida e menor oferta de animais para abate. Levantamento do Centro de Pesquisas mostra que, em SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), a valorização do animal vivo foi de 29,8% de setembro para outubro – trata-se do avanço mensal mais intenso, em termos reais (IGP-DI set/26), desde agosto de 2012. Além disso, a procura pela carne suína se manteve firme durante a maior parte de outubro, o que também resultou em acréscimos expressivos nos preços da maioria dos cortes, apontam pesquisadores do Cepea.

CEPEA

 

Queda de 4,8% no preço médio limita receita das exportações de carne suína

Embarques brasileiros cresceram 6,5% até setembro, mas maior oferta internacional, retração das compras chinesas e concorrência entre fornecedores limitaram o faturamento, que avançou apenas 1,4%.

 

O Brasil ampliou em 6,5% o volume de carne suína exportado entre janeiro e setembro de 2026, mas o aumento dos embarques teve efeito limitado sobre a receita. No período, foram comercializadas 1.162.453 toneladas, ante 1.091.329 toneladas nos nove primeiros meses de 2025. O faturamento chegou a US$ 2,707 bilhões, crescimento de apenas 1,4% sobre os US$ 2,669 bilhões do ano anterior. A diferença entre o avanço físico e o financeiro está relacionada à desvalorização do produto no mercado internacional. O preço médio da tonelada exportada caiu 4,8%, passando a US$ 2.328,36. Na prática, o Brasil vendeu mais carne suína, mas recebeu menos por unidade comercializada, o que limitou o crescimento da receita cambial.

Os dados do Agrostat Brasil, sistema de estatísticas de comércio exterior do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), constam no Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab). O levantamento considera produtos in natura e processados. O comportamento do mercado em setembro reforçou essa diferença. Naquele mês, as exportações brasileiras somaram 132.443 toneladas, recuo de 10,6% em relação às 148.157 toneladas embarcadas em setembro de 2025. A receita foi de US$ 286,966 milhões, queda de 21,5% na comparação anual. Além da redução no volume, o preço médio também pressionou o resultado mensal. A tonelada foi comercializada por US$ 2.162,96, valor 12,2% inferior aos US$ 2.464,63 registrados um ano antes. A combinação dos dois movimentos explica a retração mais acentuada no faturamento do que na quantidade exportada. A movimentação dos mercados compradores revela diferenças importantes entre os destinos da carne suína brasileira. As Filipinas permaneceram na liderança, com 271.590 toneladas importadas entre janeiro e setembro e receita de US$ 595,061 milhões. O volume representou crescimento de 1,3% em relação ao mesmo período de 2025. O principal destaque, entretanto, foi o Japão. O país ampliou em 69% as compras de carne suína brasileira, alcançando 143.071 toneladas e movimentando US$ 480,668 milhões. O avanço colocou o mercado japonês na segunda posição entre os principais destinos da proteína nacional. A China, que historicamente figura entre os grandes compradores, ocupou a terceira colocação, com 99.921 toneladas e US$ 216,398 milhões. O volume representou uma retração de 24,2%, indicando redução da demanda chinesa pelo produto brasileiro na comparação anual. O Chile aparece na quarta posição, com 96.356 toneladas e faturamento de US$ 211,933 milhões, crescimento de 5,3%. Hong Kong completa os cinco principais destinos, com 68.883 toneladas e US$ 146,730 milhões, mas registrou queda de 17,5%. O grupo dos dez maiores compradores inclui ainda Argentina, México, Singapura, Vietnã e Uruguai. A distribuição das vendas entre diferentes mercados reduz a dependência de um único destino, embora as variações nas compras de países com participação expressiva, como China e Japão, tenham peso sobre o resultado comercial. O desempenho paranaense também evidencia o efeito da queda dos preços internacionais sobre a receita. Terceiro maior exportador nacional de carne suína, o Estado embarcou 186.360 toneladas entre janeiro e setembro, aumento de 7,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Apesar do crescimento no volume, a receita cambial recuou 6%, totalizando US$ 417,738 milhões. Segundo o levantamento, a redução foi acompanhada por uma queda de 6% no preço médio da tonelada exportada. Os produtos in natura representaram 88,8% dos embarques paranaenses, demonstrando a predominância dessa categoria na pauta estadual. No ranking nacional, Santa Catarina manteve a liderança, com 506.538 toneladas, crescimento de 0,6%. O Rio Grande do Sul ficou na segunda posição, com 289.623 toneladas, avanço de 16,2%. Depois do Paraná aparecem Mato Grosso, com 36.064 toneladas, e Minas Gerais, com 33.806 toneladas. Ambos registraram crescimento de 28,9% no volume exportado, além de avanços expressivos no faturamento. A carne suína in natura continua concentrando a maior parte das exportações brasileiras. Segundo o levantamento, essa categoria movimentou US$ 2,530 bilhões entre janeiro e setembro, crescimento de 0,4% na comparação anual. O preço médio foi de US$ 2.451,37 por tonelada, queda de 4,2%. As miudezas suínas e os produtos industrializados também integram a pauta exportadora, embora com participação menor. O levantamento informa 121.881 toneladas de miudezas e 8.536 toneladas de industrializados no período. A predominância de produtos in natura mantém o desempenho das exportações diretamente relacionado às condições de comercialização da carne e dos cortes no mercado internacional. A redução dos preços médios, mesmo com crescimento dos embarques, ajuda a explicar por que o faturamento brasileiro avançou em ritmo bem inferior ao volume comercializado. Em setembro, a retração simultânea das quantidades embarcadas e dos preços médios aprofundou a queda da receita mensal. No acumulado do ano, entretanto, o aumento dos volumes foi suficiente para manter o faturamento acima do registrado em 2025.

O PRESENTE RURAL

 

FRANGOS

 

Malásia reduz embargo por Newcastle apenas para Santa Catarina

Apenas o Uruguai mantém suspensão a todo o território brasileiro neste momento. A China, principal cliente do setor, adotou o embargo focado nas empresas catarinenses desde a confirmação do primeiro foco

 

A Malásia reduziu as restrições às exportações de carnes de aves e produtos avícolas brasileiros. O país decidiu regionalizar o embargo apenas ao Estado de Santa Catarina, onde quatro focos da Doença de Newcastle foram identificados desde 18 de outubro. Antes, os malaios haviam bloqueado as vendas de todo o Brasil. Como México também havia regionalizado o impacto das restrições, apenas o Uruguai mantém embargo a todo o território brasileiro neste momento. O setor exportador e representantes do Ministério da Agricultura têm vai conversado com autoridades uruguaias para que façam o mesmo movimento. A China, principal cliente do setor, adotou o embargo focado nas empresas catarinenses desde a confirmação do primeiro foco. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, afirmou à reportagem que a regionalização do embargo pelos principais importadores é um marco para o país, resultado da atuação coordenada do governo e do setor com os importadores. "Há confiança no sistema do Brasil e no setor para continuar a ser o maior provedor de carne de frango do mundo. Hoje falta só Uruguai [regionalizar]", disse durante evento da Globo Rural em São Paulo. Ele informou que o diretor de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Marcos Vinícius de Santana, conversou com autoridades do Uruguai durante a 28ª Conferência da Comissão Regional da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) para as Américas, realizada nesta semana em Assunção, no Paraguai. Segundo Santin, o Uruguai manifestou informalmente que se recebesse respostas satisfatórias aos questionamentos sobre o caso enviados ao Brasil também regionalizariam. "Esse é um grande marco porque em menos de 30 dias o Brasil não terá nenhum país fechado para o país inteiro. Hoje só tem um, demonstrando a confiança no setor e nas empresas", completou. Santin reforçou a importância do trabalho feito pelas adidâncias agrícolas na transmissão das informações sobre os casos registrados até agora. Ele ressaltou que o Brasil "não tem a doença" de Newcastle em si, mas que os exames laboratoriais detectaram a presença de um traço do vírus de pombo em perus. Nos focos registrados até agora, as aves não têm sintomas, por exemplo. "Isso precisava ser levado diretamente aos importadores e o foi. Muito rapidamente o Ministério da Agricultura e o Ministério das Relações Exteriores levaram essas informações e temos o resultado disso hoje", completou. Santin ressaltou que a regionalização das restrições à avicultura brasileira ajudou a reduzir as perdas em função dos casos de doença de Newcastle em Santa Catarina. Segundo ele, o foco registrado em Anta Gorda (RS) em 2024 gerou perda de produção de 163 mil toneladas, o equivalente a US$ 300 milhões. Neste ano, o cálculo até momento aponta perda de 21 mil toneladas, em um valor de US$ 50 milhões. Em nota, o Ministério da Agricultura afirmou que houve "avanços nas tratativas com o Uruguai para o reconhecimento da regionalização sanitária". Segundo a Pasta, foram encaminhadas "informações técnicas atualizadas sobre o controle do surto e aguarda uma resposta".

As delegações presentes na reunião no Paraguai e a representação da OMSA elogiaram a postura brasileira, relatou o ministério. "Para elas, o caso é um exemplo claro de zoneamento e regionalização bem aplicados e de confiança entre parceiros comerciais", aponta o comunicado. O Brasil se ofereceu para compartilhar com a OMSA a experiência e o conhecimento científico obtidos, contribuindo para aperfeiçoar as normas internacionais, completou.

GLOBO RURAL

 

EMPRESAS

 

Política de cotas da China retém 400 mil toneladas e desafia exportação de carne bovina

Imposta por Pequim desde o início do mês, alíquota adicional no imposto de importação é mais um degrau protecionista do gigante asiático. Da euforia à apreensão. Em três anos, os horizontes da Astra Foods se modificaram completamente.

 

Em março de 2023, a única planta industrial da empresa familiar, localizada em Cruzeiro do Oeste, cidade a 28 quilômetros a oeste de Umuarama, viveu um momento de forte otimismo, impulsionado pelo reconhecimento do status sanitário do Paraná como área livre da febre aftosa e por um anúncio histórico. O frigorífico passaria a ser o primeiro e único frigorífico do estado a ter autorização para exportar para a China e para a Indonésia já naquela reabertura comercial. As portas abertas pela segunda maior economia do mundo funcionaram como um convite à expansão. Na ocasião, o CEO da empresa, Jeremias Junior, projetou um crescimento de quase 40% no faturamento daquele ano, para mais de R$ 1,5 bilhão, com um salto de pouco menos de um quarto para 60% na fatia internacional da operação. Em 2025, o frigorífico informou que abateu 9,2 mil cabeças a mais que no ano anterior - 220,9 mil, no total.

No último dia do ano passado, veio a ducha de água fria, quando o governo chinês informou ao mundo que protegeria os frigoríficos locais do excesso de carne estrangeira no mercado e limitaria a compra de carne bovina até 2028, estipulando tetos anuais por país para a aplicação da alíquota básica de imposto, de 12%. O excedente do teto, informaram as autoridades chinesas, seria sobretaxado em mais 55%. O segundo degrau da salvaguarda já está em vigor. A cota anual de 1,1 milhão de toneladas com alíquota convencional estipulada aos exportadores brasileiros foi atingida no dia 29 de setembro. "Sabíamos que a cota não duraria o ano inteiro. Na verdade, com o aumento generalizado das produções para a China, nós antevimos o final da cota ainda em agosto. Por isso, paramos de exportar para a China no fim de junho para evitar a possibilidade de termos mercadoria chegando lá com 55% extra de tarifas”, informou o gerente de exportações da Astra, Diogo Oliveira, referindo-se aos 45 dias de intervalo entre o embarque e o desembarque entre os dois países. O país asiático compra 48% de tudo o que o Brasil exporta do produto. De acordo com a Scot Consultoria, em setembro, o volume embarcado foi 35% menor em comparação com o mesmo mês do ano passado. A retração do mercado chinês foi de 94%. Sem o apetite do principal parceiro e com uma conjuntura de escassez em outro mercado importante, parte do fluxo seguiu para a América do Norte. Em setembro, os Estados Unidos absorveram quase um quarto do volume exportado, o melhor da história na relação bilateral. Foram mais de 44 mil toneladas de bovina in natura e 389% de crescimento no volume, incluindo a carne processada. “O último semestre de 2026 está sendo muito difícil para todos os frigoríficos, todos acabaram por forçar férias coletivas e controlar os abates, a arroba não retraiu, como se esperava mesmo sem o mercado chinês, que é o principal comprador estrangeiro que o Brasil tem. Para agravar o quadro, a União Europeia também suspendeu as importações de carne bovina brasileira”, lembrou o gerente da Astra, acrescentando outro revés neste setembro difícil, quando os europeus suspenderam as compras por acusar o Brasil de um controle insuficiente e falta de envio de informações comprobatórias de conformidade sobre o uso de antimicrobianos (proibidos na Europa como promotores de crescimento ou de uso humano na pecuária). “Vemos que o mesmo acontecerá em 2027 e 2028, pois a cota chinesa também estará em vigência. Vai ser um desafio controlar as contas. Aqui no Astra, estamos com redução de abate em 20% desde agosto e por consequência um encolhimento do quadro de colaboradores em nível semelhante. É ruim para todos”, afirma Oliveira. Ele pondera que a carne bovina brasileira alocada na China opera predominantemente em um nicho industrial e altamente sensível a preço, competindo diretamente com o búfalo indiano — uma categoria mercadológica bem abaixo dos cortes fornecidos por concorrentes como Austrália, Argentina e Uruguai. Essa inserção em margens estreitas torna o produto brasileiro incapaz de absorver qualquer elevação tributária. “A arroba segue batendo recordes históricos, mas não temos mais força comercial para escoar uma produção demasiada. Estar sobrecarregando o mercado doméstico, mesmo com preços muito acima do normal. A carne bovina não trabalha com contratos, todas as vendas são feitas na modalidade chamada “spot”, que seria vendas individuais, de acordo com disponibilidade. A oscilação diária dos custos faz com que preços mudem de hora em hora, tornando impossível um compromisso de entrega de longo prazo”, explica.

FOLHA DE LONDRINA

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ

 

Indústria e comércio contestam fim da escala 6×1 no STF

CNI estima aumento de 11,1% no custo do trabalho formal na indústria, equivalente a R$ 88 bilhões

 

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) ingressaram, nesta quarta-feira (4), com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar o fim da escala de trabalho 6×1. Na ação, a CNI argumenta que a Emenda Constitucional 141 de 2026, promulgada no mês passado pelo Congresso Nacional, viola princípios como a segurança jurídica, a livre iniciativa econômica e a autonomia das negociações coletivas de trabalho. A entidade também aponta possíveis impactos da mudança sobre acordos e convenções coletivas que ainda estão em vigor e foram estabelecidos entre empresas e trabalhadores. “As convenções e acordos coletivos de trabalho vigentes devem manter plenos efeitos até o término regular de seus prazos de vigência ou até que sobrevenha nova pactuação coletiva autônoma”, afirma a CNI. Em relação aos custos, a confederação estima que a redução da jornada, combinada com a ampliação do descanso semanal sem diminuição dos salários, elevará em 11,1% o custo do trabalho formal na indústria. O impacto financeiro estimado é de R$ 88 bilhões. A CNI também destaca que diversos segmentos industriais operam de forma ininterrupta e dependem de negociações coletivas para estabelecer os regimes de trabalho e descanso. “A viabilidade dessas plantas fabris sempre dependeu tanto da negociação coletiva de regimes compensatórios com ciclos plurimensais ou anuais quanto da previsão legal de regimes diferenciados de trabalho e repouso cumulativo”, acrescentou a entidade. Já a CNC pretende adiar para outubro de 2027 o início da redução da jornada de trabalho. Pela regra aprovada, a nova jornada está prevista para entrar em vigor em 15 de dezembro deste ano. O fim da escala 6×1 foi aprovado pelo Congresso Nacional no mês passado. A mudança estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, com jornada máxima de cinco dias de trabalho e dois de folga, sem redução salarial. A proposta também prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com um período de transição de 14 meses. A aprovação contou com votos de parlamentares da base governista e da oposição. O texto já havia passado pela Câmara dos Deputados. A mudança foi comemorada por entidades representativas dos trabalhadores, que apontam a possibilidade de ampliar o tempo disponível para a convivência familiar, os estudos e outras atividades.

Uma pesquisa realizada pela Nexus em fevereiro deste ano mostrou que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, informou que o decreto que regulamentará a mudança deverá ser publicado na próxima segunda-feira (9). O documento estabelecerá diretrizes para a organização das jornadas e deverá garantir pelo menos oito folgas mensais aos trabalhadores. Segundo o ministro, a regulamentação busca coordenar a adoção dos diferentes regimes de trabalho nos setores econômicos, preservando os direitos dos empregados e o funcionamento das empresas.

AGÊNCIA BRASIL

 

ECONOMIA

 

Dólar fecha em alta ante real com pressão externa

O dólar encerrou a quinta-feira em alta contra o real, refletindo o ambiente de maior aversão ao risco que tomou conta dos mercados globais, somado à cautela dos investidores locais em relação aos rumos da política econômica no novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,67%, a R$5,4876. Às 17h40, o dólar futuro para dezembro subia 0,60% na B3, aos R$5,5190. O mau humor externo partiu do mercado acionário dos Estados Unidos, onde ações ligadas a inteligência artificial registraram quedas expressivas diante de temores de um maior escrutínio sobre a expansão do setor com a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos EUA, além do avanço do petróleo no pregão desta quinta-feira. Ao final do dia, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,09%, a 101,560.

"Com receio de perdas maiores, investidores passaram a reduzir posições em ativos de risco, incluindo moedas de países emergentes, e buscar proteção no dólar. No Brasil, esse movimento ganhou força porque o mercado também está preocupado com a situação fiscal do país", disse Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos. Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com autoridades e conselheiros para debater agenda econômica e pediu que seus ministros afunilem medidas para serem validadas apenas após viagem do petista ao exterior, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan. O encontro aconteceu um dia após o Banco Central interromper o ciclo de cortes de juros, mantendo a Selic em 13,75% ao ano, e em meio às incertezas sobre o futuro da equipe econômica e da política fiscal de Lula depois de sua reeleição, o que tem provocado turbulência em indicadores e cobranças de agentes do mercado e economistas. Durigan reafirmou que o plano de Lula pressupõe compromisso com a sustentabilidade das contas públicas, melhora progressiva de resultados primários e possíveis ajustes em regras fiscais. Ele ponderou que medidas específicas não foram discutidas no encontro. Ainda na agenda doméstica, mas em segundo plano, os agentes também avaliaram dados econômicos. Pela manhã, foi divulgado que a produção industrial no Brasil teve queda de 0,8% em setembro em comparação com o mês anterior.

REUTERS

 

Ibovespa fecha em queda pressionado por exterior, com balanços e Selic no radar

O Ibovespa fechou em queda na quinta-feira, sem conseguir sustentar os ganhos da primeira etapa do pregão, quando encostou nos 169 mil pontos, em meio a fortes perdas em Wall Street, principalmente de ações de empresas ligadas a chips e data centers.

 

Investidores também repercutiram uma bateria de resultados corporativos, bem como a decisão do Banco Central de manter a Selic em 13,75% ao ano, tendo ainda no radar reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com autoridades e conselheiros para debater agenda econômica. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,58%, a 166.595,71 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 168.994,33 na máxima e atingir 166.249,09 na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somava R$31,16 bilhões.

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Produção industrial no Brasil recua 0,8% em setembro, diz IBGE

A indústria brasileira marcou o segundo mês seguido de retração da produção em setembro, com queda maior do que a esperada por economistas, em meio a um processo de arrefecimento da economia.

 

A produção industrial teve em setembro queda de 0,8% em comparação com o mês anterior, de acordo com dados divulgados na quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O setor apresenta comportamento predominantemente negativo desde maio deste ano, sendo que o único mês em que não apresentou retração na comparação mensal foi julho, quando a produção ficou estável. A expectativa em pesquisa da Reuters com analistas era de retração de 0,2% no dado mensal. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, houve recuo de 2,5% na produção industrial, contra expectativa de queda de 1,7%. A indústria brasileira vem mostrando perda de dinamismo em linha com o arrefecimento da economia no segundo semestre. A política monetária ainda restritiva pesa sobre o setor, apesar do mercado de trabalho resiliente. Na véspera, o Banco Central manteve a Selic em 13,75% ao ano e, prevendo inflação mais alta nos próximos anos, deixou em aberto o que fará à frente ao citar uma ampliação das incertezas e um cenário desafiador para a política monetária. Em setembro, as influências negativas mais importantes para o desempenho da indústria foram dadas por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-4,2%) e produtos alimentícios (-1,7%). Por outro lado, o crescimento de 1,7% nas indústrias extrativas exerceu a principal influência positiva, interrompendo quatro meses consecutivos de perdas. Entre as grandes categorias econômicas, a produção de bens de capital caiu 1,9%, enquanto a de bens de consumo semi e não duráveis recuou 1,2% e a de bens intermediários teve queda de 0,7%. Os bens de consumo duráveis registraram alta de 0,7% na produção.

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Contração de serviços do Brasil se aprofunda em outubro com queda de novos trabalhos, mostra PMI

A contração do setor de serviços do Brasil se aprofundou em outubro em meio à queda mais intensa dos novos trabalhos em cinco anos e meio, com a confiança perdendo força e empregos sendo cortados pelo segundo mês seguido, mostrou a pesquisa PMI (Índice de Gerentes de Compras) divulgada na quinta-feira (5).

 

Em outubro, o PMI de serviços do Brasil, compilado pela S&P Global, caiu a 44,5, de 49,2 em setembro, no recuo mais forte da produção desde abril de 2021. A marca de 50 separa crescimento de contração. Com a atividade industrial ainda em retração em outubro, embora em um ritmo mais fraco do que no mês anterior, o PMI Composto do Brasil caiu a 44,4 em outubro, de 47,4 em setembro, marcando a retração mais acentuada em mais de seis anos.

"Os dados até agora apontam para uma contração do PIB no quarto trimestre", destacou Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence. O mês de outubro foi marcado por uma queda na entrada de pedidos no setor de serviços pelo segundo mês consecutivo, e as vendas recuaram em um ritmo não observado em mais de cinco anos. Os prestadores de serviços atribuíram a contração às tendências desfavoráveis da demanda, às pressões inflacionárias, às greves dos Correios, ao cancelamento de projetos e à eleição presidencial. Esse cenário pesou sobre o nível de confiança do setor, que ficou abaixo de sua média histórica em outubro, embora as projeções de crescimento tenham permanecido positivas. Algumas empresas esperam uma melhora das condições econômicas após a eleição, mas várias preveem um ano difícil à frente devido à intensa concorrência por novos negócios, às políticas públicas e ao aumento do endividamento. A demanda fraca também afetou o mercado de trabalho, e a capacidade ociosa levou as empresas de serviços a cortar mais vagas de trabalho. Por outro lado, as taxas de inflação tanto de insumos como de preços cobrados diminuíram, embora as pressões de preços tenham permanecido historicamente fortes. Os participantes da pesquisa relataram preços mais altos de itens como produtos químicos, componentes eletrônicos, energia, alimentos, metais, têxteis, pneus e madeira, com cerca de 36% dos prestadores de serviços sinalizando aumento das despesas totais. Enquanto isso, os preços cobrados aumentaram no ritmo mais fraco desde meados de 2025, mas ainda acima da tendência histórica de longo prazo. Embora as empresas tenham afirmado que repassaram parte dos custos adicionais aos clientes, menos de 12% elevaram seus preços. Diversas empresas sugeriram que o enfraquecimento da demanda limitou seu poder de precificação.

"Se essa tendência continuar, o Banco Central pode encontrar espaço para reduzir a taxa de juros, o que pode dar suporte ao investimento e ao empréstimo", disse De Lima.

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