CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1226 DE 03 DE NOVEMBRO DE 2026

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1226 | 03 de novembro de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Mercado do boi gordo fechou a semana com expectativa de romper a barreira dos R$ 400/@
Nas primeiras semanas de nov/26, movimento de alta deve ser sustentado pela oferta restrita de animais terminados, além da reativação dos embarques de carne bovina à China e pela recuperação da demanda doméstica, destacam os analistas. No PARANÁ: Boi: R$ 395,00. Vaca: R$ 365,00. Novilha: R$ 375,00. Escalas: seis dias. Boi China: PARANÁ: R$ 390,50/@ (à vista) e R$ 395,00/@ (prazo)
Na sexta-feira (30), a Agrifatto detectou avanços nos preços da arroba do boi gordo em 9 das 17 praças brasileiras monitoradas diariamente: SP, ES, GO, MA, MG, MT, PA, PR e TO. Nas demais regiões, as cotações não sofreram alteração. O boi gordo paulista (com ou sem padrão-exportação) subiu para R$ 395/@ (prazo), enquanto a média para as outras 16 praças acompanhadas pela Agrifatto alcançaram R$ 375,25/@. Segundo apuração da consultoria, em São Paulo, já são registrados negócios pontuais a R$ 400/@, acima da referência vigente, mas ainda sem volume suficiente para consolidar esse patamar. Pelo levantamento da Scot Consultoria, no interior paulista, o boi gordo está cotado em R$ 385 (prazo), o que representa um acréscimo e 6,4% em relação ao patamar registrado no início de outubro/26. Por sua vez, destaca a Scot, o “boi-China” vale R$ 390/@ em São Paulo, enquanto as fêmeas terminadas estão cotadas em R$ 360/@ (vaca) e R$ 375/@ (novilha), no prazo. Nesta parcial de outubro, a participação de fêmeas nos abates em plantas com SIF (Sistema de Inspeção Federal) ficou em 26,9%, aproximando-se, pela primeira vez em 2026, da média histórica de 26,6% para este mês, considerando os últimos cinco anos. “O movimento reforça os sinais de menor disponibilidade de animais”, observou a Agrifatto. O maior volume de lotes negociados não permitiu alongar as escalas de abate dos frigoríficos, que permaneceram em sete dias úteis, na média nacional. Pelo lado da demanda, diz a Agrifatto, o enfraquecimento das vendas de carne bovina nesta reta final do mês, devido ao esgotamento dos salários dos trabalhadores, dificulta o repasse dos custos pela indústria e limita avanços mais expressivos nos preços da arroba. O feriado de Finados, na segunda-feira (2/11), também pode motivar o aumento da demanda pela proteína, observam os analistas a Scot Consultoria. Em relação às exportações, parte das indústrias exportadoras brasileiras já realiza abates destinados ao atendimento da demanda chinesa, visando o preenchimento da cota de salvaguarda de 2027, embora essa operação ainda ocorra em ritmo lento. “A recuperação do consumo doméstico no início de novembro, aliada à intensificação das compras destinadas à China, será determinante para os próximos movimentos do mercado do boi gordo”, enfatizou a Agrifatto. Na B3, os contratos futuros do boi gordo encerraram o pregão de quinta-feira (29/10) com um leve recuo. O vencimento de novembro/26, por exemplo, fechou a sessão cotado a R$ 404,95/@ com ligeira desvalorização de 0,10% em relação ao dia anterior. Cotações do boi gordo desta sexta-feira (30/10), conforme levantamento da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 395,00. Boi China: R$ 395,00. Média: R$ 395,00. Vaca: R$ 365,00. Novilha: R$ 375,00. Escalas: seis dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 380,00. Boi China: R$ 380,00. Média: R$ 380,00. Vaca: R$ 360,00. Novilha: R$ 370,00. Escalas: sete dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 380,00. Boi China: R$ 380,00. Média: R$ 380,00. Vaca: R$ 360,00. Novilha: R$ 370,00. Escalas: sete dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 365,00. Boi China: R$ 365,00. Média: R$ 365,00. Vaca: R$ 345,00. Novilha: R$ 355,00. Escalas: oito dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 375,00. Boi China/Europa: R$ 375,00. Média: R$ 375,00. Vaca: R$ 355,00. Novilha: R$ 365,00. Escalas: sete dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 375,00. Boi China: R$ 375,00. Média: R$ 375,00. Vaca: R$ 350,00. Novilha: R$ 360,00. Escalas: sete dias. PARÁ: Boi comum: R$ 380,00. Boi China: R$ 380,00. Média: R$ 380,00. Vaca: R$ 355,00. Novilha: R$ 365,00. Escalas: sete dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 365,00. Vaca: R$ 340,00. Novilha: R$ 345,00. Escalas: oito dias. MARANHÃO: Boi: R$ 370,00. Vaca: R$ 345,00. Novilha: R$ 350,00. Escalas: sete dias. Preços brutos do “boi-China” nesta sexta-feira (30/10), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 386,00/@ (à vista) e R$ 390,00/@ (prazo). MINAS GERAIS: (Exceto região Sul): R$ 381,00/@ (à vista) e R$ 385,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 366,00/@ (à vista) e R$ 370,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 378,00/@ (à vista) e R$ 382,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 366,00/@ (à vista) e R$ 370,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 361,00/@ (à vista) e R$ 365,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 371,00/@ (à vista) R$ 375,00/@ (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 373,00/@ (à vista) e R$ 377,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 376,00/@ (à vista) e R$ 380,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 366,00/@ (à vista) e R$ 370,00/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
Média das escalas de abate segue em 7 dias
Na avaliação da consultoria Agrifatto, de maneira geral, o patamar atual das programações dos frigoríficos brasileiros é considerado “confortável”, com destaque para as praças de MT e MG
A média nacional das programações de abate das indústrias brasileiros encerrou a sexta-feira (30/10) em 7 dias úteis, sem variação com a sexta-feira anterior (23/10), segundo balanço divulgado pela Agrifatto aos seus assinantes. Na avaliação da consultoria, de maneira geral, o patamar das escalas de abate é considerado “confortável” nas praças brasileiras. Segundo os dados da Agrifatto, Paraná e Tocantins fecharam a semana com 6 dias de programação para abate, sem variação em ambos os Estados. Goiás e São Paulo também encerraram a sexta-feira com escalas de 6 dias úteis, com recuo de 1 dia. Rondônia e Minas Gerais finalizaram a semana com programação de abate em 7 e 9 dias úteis, respectivamente, com alta de 1 dia útil em MG e sem variação em RO. Pará e Mato Grosso do Sul fecharam a semana em 7 dias de programação de abate, com avanço semanal de 1 dia no PA e sem alteração no MS. Por fim, informa a Agrifatto, com programações longas e sem variação semanal, Mato Grosso fechou a 44ª semana do ano com 8 dias úteis de escala.
PORTAL DBO
Dólar, oferta baixa e exportação à China colocam boi no Brasil na rota de R$400/arroba
Uma retomada das compras da China, exportações fortes para os Estados Unidos, uma oferta mais baixa de animais para abates devido ao ciclo pecuário e mais recentemente uma valorização do dólar frente ao real colocaram o preço da arroba do boi gordo do Brasil mais perto de R$400, um patamar recorde, com impactos para consumidores de carne.
No Estado de São Paulo, referência de mercado para o maior produtor e exportador global de carne bovina, a arroba está cotada a cerca de R$390, com alta de mais de 20% no acumulado do ano, sendo um terço desses ganhos registrados em outubro, conforme dados do centro de estudos Cepea. Entre os fatores mais recentes de alta estão o interesse da China, que deverá voltar a importar carne do Brasil entre novembro e dezembro -- visando o preenchimento da cota com tarifa menor de 2027 --, além de um dólar que teve uma valorização de 9,15% na semana passada, após o mercado reagir ao resultado do segundo turno das eleições. "O principal motivo (da alta da arroba) é a valorização do câmbio, que aumenta a competitividade brasileira no mercado internacional e aumenta também o interesse da indústria em exportar para faturar em dólares. Com as exportações mais atrativas, o boi foi junto", disse a CEO da consultoria Agrifatto, Lygia Pimentel. O movimento cambial acontece justamente quando a China, maior importador, volta ao mercado brasileiro após a cota tarifária de 2026 ser esgotada por volta de meados do ano. Para 2027, os chineses vão dispor de 1,128 milhão de toneladas de carne brasileira, pagando uma tarifa de 12% --acima disso, a taxa sobe para 55%. "O mercado está numa expectativa construtiva dessa retomada das compras da China...", comentou o líder do setor de pecuária da consultoria Datagro, João Figueiredo. Ele observou que alguns negócios com frigoríficos exportadores já estão sendo registrados a patamares de R$400/arroba, conforme pesquisas para a elaboração do indicador de preços da consultoria, utilizado para liquidação de contratos da B3. Além da demanda externa, ele citou que algumas negociações a R$400 foram realizadas até mesmo por empresas com foco no mercado interno, que geralmente fica mais aquecido ao final do ano devido à temporada de festas. Contudo, ponderou que negociações do boi para produção de carne destinada ao mercado brasileiro teriam R$400 como um teto, já que tal valor começa a comprometer o consumo local. "Neste fim de ano pode sustentar um pouco ainda, mas já está flertando com as máximas...", disse, observando também que há preocupação com demanda doméstica em 2027, diante de medidas que o governo venha a tomar para um eventual ajuste fiscal. Para o pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, até a virada do ano, e até mesmo ao longo do primeiro semestre, não há muito espaço para a cotação do boi recuar, devido à oferta restrita, além da demanda chinesa e compras dos EUA. "A nossa carne realmente vem valorizada e isso reflete no boi", disse ele, que não acredita também em mudanças no consumo doméstico até o final do ano. "Então o preço não tem como recuar, dado esse cenário de muito equilíbrio entre oferta e demanda." Para o ano que vem, Carvalho avalia que a cadeia como um todo deverá ver suas margens apertadas. "A partir do consumidor, que vai ter que pagar mais caro pela carne bovina, se quiser comer carne bovina... Então há um ajuste ao longo da cadeia..., o próprio terminador, aquele que compra o bezerro, o boi magro para engordar, ele também encontra preços elevados...", disse o especialista, citando que o "spread" entre a compra do boi e a venda da carne é um dos menores desde 2023. Os analistas avaliam que isso se equilibra em algum momento. Pimentel, da Agrifatto, disse que essa margem menor para os frigoríficos em um primeiro momento, com a disparada do preço do boi, deve ser compensada adiante, com as exportações realizadas a um dólar mais elevado e na medida em que a China e os Estados Unidos elevem as compras, sustentando o preço na exportação. "Estamos ampliando as exportações em primeiro lugar para os Estados Unidos, que são o mercado que paga bem", disse ela, em referência ao segundo principal destino para a carne do Brasil.
REUTERS
SUÍNOS
Suinocultor paranaense recebe 15,6% menos que o custo de produção em setembro
Alta dos preços do milho e do farelo de soja, aliada à desvalorização do suíno vivo, reduz a margem dos produtores e agrava o cenário da atividade no Estado.
A suinocultura paranaense enfrenta um cenário de forte pressão sobre a rentabilidade. Em setembro de 2026, o custo médio de produção do suíno vivo chegou a R$ 6,13 por quilo, enquanto o produtor recebeu, em média, R$ 5,17 pelo quilo do animal. A diferença representa uma defasagem de 15,66% entre o valor de venda e o custo da atividade, conforme dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab). O quadro é resultado da combinação entre aumento dos principais insumos utilizados na alimentação dos animais e queda na remuneração recebida nas granjas. Na comparação com agosto, o custo de produção subiu 2,85%, passando de R$ 5,96 para R$ 6,13 por quilo. Em relação a setembro de 2025, quando estava em R$ 5,77, a elevação foi de 6,24%. O Índice de Custos de Produção de Suínos (ICPSuíno) também registrou aumento. O indicador encerrou setembro em 374,73 pontos, avanço de 3,19% sobre agosto, quando marcou 363,13 pontos. Na comparação anual, a alta foi de 4,35%. No acumulado de 2026, o índice apresenta elevação de 1,09%. Entre os componentes do custo, a nutrição animal teve o maior impacto. Em setembro, os gastos com alimentação aumentaram 4,20% em relação ao mês anterior. Também houve elevação nos custos de capital, de 2,47%, e de genética, de 0,23%. Na direção contrária, energia elétrica, calefação e cama registraram redução de 3,18%, enquanto transporte, sanidade e mão de obra permaneceram estáveis. A alimentação representou 71,45% do custo total de produção no Paraná, com desembolso de R$ 4,38 por quilo de suíno vivo. O valor ficou 4,04% acima dos R$ 4,21 registrados em agosto e 10,61% superior ao de setembro de 2025, quando alcançou R$ 3,96. Enquanto os custos aumentaram, o preço recebido pelo produtor apresentou trajetória de retração. Em setembro, o suíno vivo foi comercializado no Paraná por uma média de R$ 5,17 por quilo, queda de 2,60% em relação a agosto, quando o valor era de R$ 5,31. Na comparação com setembro de 2025, a desvalorização chegou a 27,79%, considerando que, naquele período, o preço médio estadual era de R$ 7,16 por quilo. Em relação à média de 2025, de R$ 7,03, a remuneração de setembro ficou 26,46% menor. A retração também aparece na comparação com o início deste ano. Em janeiro de 2026, o produtor paranaense recebia, em média, R$ 6,94 por quilo. Em setembro, o valor havia recuado para R$ 5,17, uma redução de 25,50%. O levantamento do Deral também aponta custos superiores nos outros dois principais estados produtores da Região Sul. Em setembro, produzir um quilo de suíno vivo custou R$ 6,55 em Santa Catarina e R$ 6,74 no Rio Grande do Sul. Os valores representaram aumentos mensais de 3,15% e 5,31%, respectivamente. A pressão sobre a atividade também está relacionada ao mercado de grãos. No atacado paranaense, a saca de 60 quilos de milho foi comercializada, em setembro, por R$ 66,43, alta de 2,9% em relação a agosto. Frente ao mesmo mês de 2025, quando custava R$ 61,13, o aumento foi de 8,7%. O farelo de soja apresentou valorização ainda mais expressiva. A tonelada alcançou R$ 2.171,40 em setembro, avanço de 10% sobre agosto, quando estava cotada a R$ 1.973,53. Na comparação anual, a alta chegou a 27,5%, considerando os R$ 1.703,03 registrados em setembro de 2025. A evolução dos preços dos insumos, combinada à desvalorização do suíno vivo, também comprometeu o poder de compra dos produtores. Em setembro de 2026, foram necessários 214 quilos de suíno para adquirir uma tonelada de milho. No mesmo período do ano passado, a quantidade exigida era de 142 quilos, uma piora de 50,7% na relação de troca. Para comprar uma tonelada de farelo de soja, a necessidade passou de 238 quilos de suíno, em setembro de 2025, para 420 quilos neste ano, deterioração de 76,5%. Também há dificuldades no escoamento de produtos processados. Ao mesmo tempo, a oferta de carne suína aumentou 6,4% no primeiro semestre de 2026, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O PRESENTE RURAL
FRANGOS
Frango/Cepea: Mercado segue sem impactos após novos focos de Newcastle em SC
Quedas nas cotações estão relacionadas ao enfraquecimento da demanda no final do mês
A confirmação de mais dois casos da doença de Newcastle em Santa Catarina e a manutenção das restrições comerciais por países importadores ainda não provocaram impactos no mercado brasileiro de produtos avícolas. Segundo o Cepea, as leves quedas nas cotações observadas nos últimos dias estão relacionadas principalmente ao enfraquecimento típico da demanda no final do mês. De acordo com pesquisadores do Cepea, não há aumento anormal da oferta de carne de frango da região Sul para o mercado paulista até o momento, cenário que difere do observado na ocasião da gripe aviária em 2025. Segundo o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), México e Malásia continuam mantendo a suspensão das importações de produtos avícolas de todo o Brasil, enquanto Arábia Saudita, China e Chile limitaram as restrições apenas a Santa Catarina. Agentes do setor consultados pelo Cepea avaliam que, caso as restrições se prolonguem ou novos mercados imponham embargos, o volume que deveria ser embarcado pode ser redirecionado a outros destinos. Contudo, se parte desse volume não encontrar novos compradores, pode ser direcionada ao mercado interno, o que pressionaria as cotações domésticas.
REUTERS
Ministério da Agricultura investiga seis suspeitas de síndromes respiratórias em aves
Quatro delas são nas proximidades dos estabelecimentos onde foram detectados focos da doença de Newcastle em Santa Catarina
Todas as suspeitas são em galinhas, mas o painel não informa se são criações comerciais ou de subsistência. Seis suspeitas de síndromes respiratórias em aves estão em investigação neste momento no país. Quatro delas são nas proximidades dos estabelecimentos onde foram detectados focos da doença de Newcastle em Santa Catarina, de acordo com o painel virtual do Ministério da Agricultura sobre os focos. Três investigações estão em curso em Nova Itaberaba (SC), município onde foi confirmado o primeiro foco de Newcastle em 18 de outubro, e outra em Quilombo (SC), cidade vizinha. Todas as suspeitas são em galinhas, mas o painel não informa se são criações comerciais ou de subsistência. Apenas focos em granjas comerciais geram restrições, por exemplo. O painel também não informa se as investigações são de doença de Newcastle ou outra síndrome, como influenza aviária. As outras duas suspeitas são em Jaraguá do Sul (SC) e São José do Belmonte (PE). As investigações são casos com coleta de amostras ainda sem resultado laboratorial conclusivo. Até agora, os três focos confirmados em Santa Catarina (em Nova Itaberaba, Nova Erechim e Coronel Freitas) foram em criações comerciais de perus. Em entrevista coletiva recentemente, o secretário-adjunto de Defesa Agropecuária, Allan Alvarenga, ressaltou que o número de investigações poderia aumentar após a identificação do primeiro foco por conta da maior "sensibilidade" no sistema sanitário e da intensificação das vistorias, mas que isso não significa, efetivamente, risco ou probabilidade maior de confirmação de novos casos.
VALOR ECONÔMICO
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Exportações do agro subiram 15% após início do acordo UE-Mercosul
Em cinco meses, Brasil exportou 17,74 milhões de toneladas de produtos agropecuários e agroindustriais para o bloco europeu. Exportações do complexo soja brasileiro cresceram 34% com acordo UE-Mercosul
Nos cinco primeiros meses de aplicação do acordo comercial provisório entre Mercosul e União Europeia, entre maio e setembro, as exportações do agronegócio brasileiro para o bloco europeu cresceram 14,8% na comparação com o mesmo período do ano passado, para US$ 12,21 bilhões. Os dados foram divulgados ontem pelo Ministério da Agricultura. O acordo provisório teve início em 1º de maio deste ano. Em cinco meses, o Brasil exportou 17,74 milhões de toneladas de produtos agropecuários e agroindustriais para o bloco, volume 8,1% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior. As exportações do complexo soja (grão, farelo e óleo) cresceram 34,2% em valor na mesma base de comparação, para US$ 4,19 bilhões, e permaneceram como o principal segmento das exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia. Em volume, os embarques do complexo soja para a UE aumentaram 20,5%. As exportações de soja em grãos registraram aumento de 49% em valor e de 35,1% em volume. Já as exportações de farelo de soja cresceram 22,5% em valor e 10,6% em volume. As exportações de produtos de origem animal aumentaram 55,5% em valor. Os embarques de carnes cresceram 103,5% em valor e 170% em volume, alcançando 272 mil toneladas. No setor cafeeiro, as vendas de café torrado cresceram 91,6% em valor, para US$ 770 mil, e em volume tiveram um aumento de 116,5%. As exportações de café solúvel aumentaram 19% em valor, para US$ 78,66 milhões, e um incremento de 38,2% em volume. Um dos segmentos que mais cresceram em valor exportado foi o de produtos apícolas, principalmente o mel, com alta de 367% no valor embarcado. O grupo de frutas, incluindo nozes e castanhas, teve um aumento de 15% no valor exportado. Algumas frutas ampliaram sua participação no mercado europeu. As exportações de abacate tiveram aumento de 421,2%, para US$ 19,87 milhões, enquanto o volume embarcado cresceu 433,7%. As exportações de manga cresceram 31,2% em valor e 23,6% em volume, enquanto as de maçã avançaram 28,8% em valor e 33,7% em volume. Além disso, os embarques de produtos florestais cresceram 23% em valor, e os produtos oleaginosos que não a soja avançaram 161% em valor.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar fecha no maior valor do ano e acumula alta de 9,15% na semana pós-eleição
O dólar fechou a sexta-feira com alta superior a 1% e próximo dos R$5,45, novamente empurrado pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelos receios com o futuro da política fiscal no Brasil.
A moeda norte-americana à vista encerrou a sessão com alta de 1,09%, a R$5,4460, maior cotação de fechamento registrada em 2026. O saldo da semana pós-segundo turno foi de valorização de 9,15% do dólar ante o real. Em outubro, o dólar à vista acumulou ganho de 5,27%. Às 17h12, o dólar futuro para dezembro -- que nesta sexta-feira passou a ser o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 1,06% na B3, aos R$5,4730. A primeira metade da sessão desta sexta-feira foi marcada pela disputa em torno da formação da Ptax de fim de mês. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa). Em função da disputa, é comum haver maior volatilidade na primeira metade da sessão, em especial nos horários próximos às janelas de coleta de valores pelo BC, às 10h, 11h, 12h e 13h. No início da tarde, o BC definiu a Ptax em R$5,4206 na compra e R$5,4212 na venda. Além do fator técnico que influenciou as cotações, o mercado seguiu sensível aos desdobramentos da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo, que surpreendeu o mercado e provocou a escalada do dólar ao longo da semana. Ao mesmo tempo em que aguardam indicações sobre quem comandará em 2027 as principais pastas, como o Ministério da Fazenda, os investidores esperam por detalhes sobre como será a política fiscal no novo governo. Durante a tarde da sexta-feira, investidores também elevaram a demanda por dólares em busca de proteção no fim de semana prolongado no Brasil, com feriado de Finados na segunda-feira. Às 15h52, o dólar à vista atingiu a cotação máxima intradia de R$5,4625 (+1,39%), para depois encerrar pouco abaixo dos R$5,45. O movimento no Brasil, marcado por fatores técnicos e pelos desdobramentos da eleição, colocou em segundo plano o exterior, onde o dólar também sustentou altas ante alguns pares do real, como o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso chileno.
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Ibovespa tem pior semana desde a pandemia com ajustes pós-eleição
O Ibovespa caiu pelo quinto pregão seguido na sexta-feira e cravou a maior queda semanal desde 2020, pressionado no período por uma forte reprecificação das ações na bolsa paulista após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou o dia com declínio de 0,75%, a 167.921,80 pontos, acumulando uma perda semanal de 18,12% - a maior desde o recuo de 18,88% na semana encerrada em 20 de março de 2020, na pandemia da Covid. No pior momento da sessão, o índice cedeu a 167.007,57 pontos. Na máxima, marcou 169.184,60 pontos. Em outubro, o Ibovespa caiu 9,88%, maior perda mensal desde junho de 2022. O volume financeiro somou R$43,47 bilhões, com o fim de semana prolongado pelo feriado na segunda-feira. "O ponto central é que o mercado tinha apostado numa troca de governo e numa virada fiscal... Com a reeleição do Lula, essa aposta foi desmontada de uma vez", afirmou o chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, Nicolas Gass. O Ibovespa renovou máximas no começo de outubro, superando os 209 mil pontos, após o senador Flávio Bolsonaro (PL) liderar o primeiro turno da eleição presidencial, o que alimentou apostas no mercado de uma mudança em Brasília. Mas o segundo turno teve um desfecho diferente, com Lula conquistando o quarto mandato. "Sem dúvidas, a continuidade do governo reduz a expectativa de mudança nas contas públicas, empurrando o juro longo para cima e dificulta cortes mais agressivos da Selic", afirmou Gass, chamando atenção também para a saída de capital externo das ações brasileiras no período. De acordo com os dados mais recentes disponibilizados pela B3, houve uma saída líquida de estrangeiros do mercado secundário de quase R$7,6 bilhões nos três primeiros pregões da semana. No mês, porém, o saldo segue positivo, em quase R$8,6 bilhões. No ano, alcança quase R$36 bilhões. No primeiro pregão após o primeiro turno, a bolsa registrou um fluxo positivo de R$10 bilhões. O cenário externo tampouco ajudou a atenuar a pressão vendedora no mercado brasileiro na sexta-feira, em meio a preocupações envolvendo os investimentos em inteligência artificial, após a divulgação dos balanços de nomes como Alphabet e Amazon.com nos últimos dias. Em Wall Street, o S&P 500 fechou em queda de 1,82%. A partir de terça-feira, a B3 muda os horários de negociação dos mercados de bolsa e de balcão em razão do término do horário de verão nos Estados Unidos (1/11/2026), além de Alemanha e Inglaterra (25/10/2026), e o pregão terá sua duração ampliada em uma hora, com o call de fechamento passando a ter início às 17h55 e fim às 18h.
REUTERS
Desemprego no Brasil recuou para 5,2% no 3º tri
A taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,2% no terceiro trimestre do ano, a mais baixa para o período desde o início da série em 2012, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística na sexta-feira, em dado que veio em linha com as expectativas de economistas.
No período, o rendimento real habitual ficou estável na comparação com o trimestre imediatamente anterior, em R$3.790, com alta de 3,6% na comparação anual. O Banco Central, que terá sua reunião de política monetária na próxima semana, tem destacado o aquecimento do mercado do trabalho, mesmo diante da moderação gradual da atividade econômica, mas apontado a desaceleração dos rendimentos médios, enfatizando a importância de avaliar os padrões de transmissão desse processo para os preços. O BC já promoveu cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto na taxa básica de juros, atualmente em 13,75%. Segundo pesquisa Focus do Banco Central, concluída antes do segundo turno da eleição presidencial, a expectativa de economistas era de novo corte de 0,25 ponto na reunião do Comitê de Política Monetária na semana que vem. Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último domingo, no entanto, o mercado de juros futuros passou a precificar a manutenção da Selic na próxima semana. No segundo trimestre do ano o desemprego foi de 5,4% e no terceiro trimestre do ano passado, de 5,6%. Economistas consultados em pesquisa da Reuters esperavam uma taxa de 5,2% para o terceiro trimestre. Segundo o IBGE, a população ocupada aumentou 0,6% no trimestre sobre os três meses anteriores, para 103,6 milhões, recorde da série, com destaque para um aumento de 2,8% das ocupações no setor de construção. Já o número de desocupados caiu 4%, para 5,6 milhões. O gerente da pesquisa, William Kratochwill, lembrou que o terceiro trimestre é tradicionalmente favorável para o emprego, diante do aumento da produção para atender à demanda de fim de ano, mas ponderou que este ano o ritmo de alta foi menor, o que pode estar associado às eleições. "O que pode ter ocorrido é que muitos tomadores de decisões podem ter postergado suas decisões de investimentos e contratação a espera do resultado das eleições", afirmou. "Temos que esperar para ver se chegamos ao limite da ocupação e o ritmo de contratações pode ser mais lento mesmo daqui para frente."
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