CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1227 DE 04 DE NOVEMBRO DE 2026

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1227 | 04 de novembro de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Boi gordo: Novembro começa com previsão de arroba chegar a R$ 400
No Paraná, o indicador com preço de referência da consultoria Datagro para o estado apontou ontem a cotação da arroba do boi gordo a R$ 389,94, queda de 0,9%; de R$ 351,27 para a vaca, alta de 1,50% e de R$ 385,00 para a novilha, alta de 0,83%.
Mesmo com uma terça-feira atípica, com parte da indústria ainda fechando preços após o feriado de Finados (2/11), a cotação do boi gordo subiu R$ 2/@ no mercado paulista, para R$ 387/@, no prazo, segundo dados apurados pela Scot Consultoria, que identificou um ágio de R$ 3/@ para o “boi-China”, que vale R$ 390/@. Negócios pontuais a R$ 400/@ chegaram a ser concretizados nas praças de São Paulo, mas ainda sem volume suficiente para consolidar esse patamar como referência, destaca as consultorias que acompanham diariamente as negociações no setor pecuário. Segundo observou a Agrifatto, na última semana, a cotação média do boi gordo registrou a nona semana seguida de alta e renovou o recorde nominal. “Mesmo com escalas de abate um pouco mais longas (7,1 dias na média do País), a oferta curta de boiadas prontas manteve a indústria pagando mais”, diz a consultoria. Com isso, continua a Agrifatto, o mercado entra em novembro/26 sustentado pela oferta restrita de animais terminados e pela dificuldade dos frigoríficos em ampliar suas programações de abate. Além disso, diz a consultoria, a perspectiva de recuperação do consumo doméstico de carne bovina, favorecida pela entrada da massa salarial, pelo pagamento do décimo terceiro e pelas confraternizações de fim de ano, reforçam a tendência de alta nas cotações físicas do boi gordo. “Soma-se a esse cenário o maior interesse dos exportadores pelo mercado chinês, que poderá intensificar a disputa pelo rebanho disponível”, relatou a Agrifatto. No Paraná a Agrifatto apontou Boi: R$ 395,00. Vaca: R$ 365,00. Novilha: R$ 375,00. Escalas: seis dias. Boi China: PARANÁ: R$ 390,50/@ (à vista) e R$ 395,00/@ (prazo). Cotações do boi gordo desta sexta-feira (30/10), conforme levantamento da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 395,00. Boi China: R$ 395,00. Média: R$ 395,00. Vaca: R$ 365,00. Novilha: R$ 375,00. Escalas: seis dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 380,00. Boi China: R$ 380,00. Média: R$ 380,00. Vaca: R$ 360,00. Novilha: R$ 370,00. Escalas: sete dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 380,00. Boi China: R$ 380,00. Média: R$ 380,00. Vaca: R$ 360,00. Novilha: R$ 370,00. Escalas: sete dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 365,00. Boi China: R$ 365,00. Média: R$ 365,00. Vaca: R$ 345,00. Novilha: R$ 355,00. Escalas: oito dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 375,00. Boi China/Europa: R$ 375,00. Média: R$ 375,00. Vaca: R$ 355,00. Novilha: R$ 365,00. Escalas: sete dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 375,00. Boi China: R$ 375,00. Média: R$ 375,00. Vaca: R$ 350,00. Novilha: R$ 360,00. Escalas: sete dias. PARÁ: Boi comum: R$ 380,00. Boi China: R$ 380,00. Média: R$ 380,00. Vaca: R$ 355,00. Novilha: R$ 365,00. Escalas: sete dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 365,00. Vaca: R$ 340,00. Novilha: R$ 345,00. Escalas: oito dias. MARANHÃO: Boi: R$ 370,00. Vaca: R$ 345,00. Novilha: R$ 350,00. Escalas: sete dias. Preços brutos do “boi-China” nesta sexta-feira (30/10), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 386,00/@ (à vista) e R$ 390,00/@ (prazo). MINAS GERAIS: (Exceto região Sul): R$ 381,00/@ (à vista) e R$ 385,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 366,00/@ (à vista) e R$ 370,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 378,00/@ (à vista) e R$ 382,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 366,00/@ (à vista) e R$ 370,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 361,00/@ (à vista) e R$ 365,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 371,00/@ (à vista) R$ 375,00/@ (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 373,00/@ (à vista) e R$ 377,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 376,00/@ (à vista) e R$ 380,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 366,00/@ (à vista) e R$ 370,00/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
Boi gordo encerrou outubro com alta de 7% e recorde histórico de preço por arroba
Indicador Cepea/Esalq registra maior valor nominal da série histórica em SP; em regiões de MT, valorização supera 8% no mês
O preço do boi gordo encerrou outubro com valorização acumulada de 7,03% em São Paulo, atingindo um novo recorde nominal de R$ 389,90 por arroba na sexta-feira (30). Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o indicador paulista avançou R$ 25,60 em relação ao fechamento de setembro, quando estava cotado a R$ 364,30. A valorização foi observada em diferentes regiões produtoras do país. Em Mato Grosso, as cotações do boi gordo acumularam altas superiores a 8% durante outubro nas regiões de Cáceres, Sorriso e Barra do Garças. Mesmo com a liquidez reduzida nas negociações da última sexta-feira, o mercado pecuário encerrou o mês com preços firmes em todo o Brasil, conforme levantamento do Cepea. A valorização do boi gordo também foi acompanhada pelo avanço dos preços da carne bovina no mercado atacadista. Na Grande São Paulo, a carcaça casada bovina atingiu R$ 26,19 por quilo à vista, estabelecendo um novo recorde nominal, segundo o Cepea. O valor representa uma alta acumulada de 5,6% em outubro, acompanhando o movimento de valorização registrado no mercado do boi gordo. Entre as regiões acompanhadas pelo Cepea, Cáceres, Sorriso e Barra do Garças, em Mato Grosso, se destacaram pelas valorizações superiores a 8% no acumulado de outubro. O avanço nessas localidades reforça a abrangência do movimento de alta observado no mercado pecuário brasileiro. Apesar da menor liquidez registrada no último dia útil do mês, outubro terminou com preços firmes nas regiões pesquisadas pelo Cepea, consolidando a valorização tanto da arroba do boi gordo quanto da carne bovina no atacado.
CEPEA/ESALQ
FRANGOS
Ministério da Agricultura identifica novo foco de Doença de Newcastle em granja em Santa Catarina
Local do quarto foco está em Nova Erechim, dentro da área de restrição
O Ministério da Agricultura informou na noite da terça-feira (3) que identificou um novo foco de Doença de Newscastle em uma granja em Nova Erechim, em Santa Catarina. A Pasta não informou quais animais nem quantos animais foram afetados. O local está dentro da área de restrição já estabelecida após a identificação de outros focos anteriormente. Esta foi a quarta detecção registrada desde a declaração do estado de emergência zoossanitária decorrente da identificação de focos de Newcastle. Os demais focos foram identificados nos municípios catarinenses de Nova Itaberaba, Coronel Freitas e em Nova Erechim. A nova identificação ocorreu durante as ações de vigilância realizadas na área de emergência. Segundo o ministério, o Serviço Veterinário Oficial “adotará as medidas previstas nos protocolos de resposta a emergências zoossanitárias, incluindo investigação epidemiológica, vigilância e contenção da doença”.
GLOBO RURAL
Focos de Newcastle em SC entram em vazio sanitário após eliminação de 47 mil aves
Cidasc concluiu o despovoamento, a limpeza e a desinfecção das granjas afetadas e mantém barreiras sanitárias na área de emergência.
Os três focos comerciais da doença de Newcastle identificados em Santa Catarina entraram em período de vazio sanitário após a conclusão dos procedimentos de despovoamento, limpeza e desinfecção das granjas afetadas. Segundo a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), cerca de 47 mil aves foram eliminadas nos estabelecimentos localizados em Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim. A Cidasc informou que as ações de contenção avançam agora para a fase final de vistorias na região. A companhia concluiu 100% das inspeções nas mais de 2.700 propriedades mapeadas na área de emergência sanitária. Nos 202 estabelecimentos avícolas comerciais situados nessa área, as vistorias também foram integralmente finalizadas. Com isso, as equipes concentram os trabalhos na conclusão da varredura de todo o raio de vigilância. O controle de trânsito permanece em operação, com quatro barreiras sanitárias para fiscalização e desinfecção de veículos. Ao todo, cerca de 68 profissionais participam da operação, entre veterinários, técnicos, assistentes e integrantes das forças de segurança. A companhia também informou que as ações de educação sanitária alcançaram milhares de estudantes e dezenas de estabelecimentos agropecuários na última semana. Segundo a Cidasc, esse trabalho continuará nas próximas semanas, em paralelo às medidas de vigilância e controle já adotadas na região. De acordo com a companhia, a manutenção das medidas de biosseguridade em toda a cadeia produtiva é tratada como ponto central para evitar novas ocorrências da doença. Com a entrada dos três focos comerciais em vazio sanitário, a operação segue concentrada na fase final de vistorias, no controle de trânsito e nas ações de biosseguridade na área de emergência sanitária em Santa Catarina.
ESTADÃO CONTEÚDO
INTERNACIONAL
Chuvas reduzem exportações de carne bovina da Austrália em outubro, mas vendas aos EUA seguem em alta
As exportações de carne bovina da Austrália somaram 128,8 mil toneladas em outubro de 2026, uma queda de 8% em relação ao mesmo mês do ano anterior e de 3% na comparação com setembro. O resultado reflete a redução da produção provocada pelas chuvas em regiões pecuárias e pela decisão de produtores de manter os animais nas propriedades por mais tempo.
Os dados foram divulgados pelo Departamento de Agricultura, Pesca e Florestas da Austrália (DAFF) e apresentados em reportagem do Beef Central, publicada em 3 de novembro de 2026. Segundo o levantamento, a atividade frigorífica permaneceu abaixo do esperado. Na penúltima semana de outubro, o abate nacional ficou pouco acima de 140 mil cabeças, o menor volume registrado em uma semana completa de produção desde o início do ano, desconsiderando períodos afetados por feriados. Apesar da desaceleração recente, as exportações australianas de carne bovina continuam superiores às registradas em 2025. Entre janeiro e outubro de 2026, o país embarcou aproximadamente 1,338 milhão de toneladas de carne bovina refrigerada e congelada, volume 71 mil toneladas acima do comercializado no mesmo período do ano anterior. O resultado positivo acumulado foi sustentado principalmente pelo forte desempenho da indústria frigorífica nos primeiros meses de 2026. Entretanto, a redução recente da produção coloca em dúvida o cumprimento das projeções divulgadas anteriormente pela Meat & Livestock Australia (MLA). Em setembro, a entidade havia estimado exportações recordes de 1,646 milhão de toneladas para 2026. Com o impacto das chuvas e a menor disponibilidade de animais para abate, o Beef Central avalia que um resultado pouco superior a 1,5 milhão de toneladas passou a ser mais provável. Em outubro, as exportações de carne bovina australiana para a China somaram 10.852 toneladas, volume inferior às 20,2 mil toneladas embarcadas no mesmo mês de 2025. Embora o resultado tenha superado setembro em aproximadamente 4 mil toneladas, as vendas continuam muito abaixo dos níveis anteriores à aplicação de uma tarifa adicional de 55%, em vigor desde meados de junho. No acumulado de janeiro a outubro, a China importou 173,8 mil toneladas de carne bovina australiana, contra 223 mil toneladas no mesmo período do ano anterior. Do volume exportado para o mercado chinês em 2026, aproximadamente 82% corresponderam à carne congelada. Segundo a reportagem, os embarques poderão apresentar uma recuperação expressiva em janeiro de 2027, quando terá início um novo período de cotas de importação. A Austrália terá uma cota de 206 mil toneladas sujeita às condições tarifárias preferenciais previstas para o próximo ano, o que poderá estimular a antecipação de embarques. Enquanto as vendas para a China diminuíram, os Estados Unidos mantiveram sua posição como principal mercado de exportação da carne bovina australiana. Em outubro, os embarques para o mercado americano alcançaram 42.981 toneladas, volume 3% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. No acumulado dos dez primeiros meses de 2026, as exportações para os Estados Unidos somaram 421.565 toneladas, aumento de aproximadamente 51,2 mil toneladas, ou 14%, em relação ao ano anterior. Segundo o Beef Central, esse foi o maior volume já registrado para o período de janeiro a outubro. O Japão importou 22.796 toneladas de carne bovina australiana em outubro, uma redução de 16% em relação a setembro e de 15% na comparação com outubro de 2025. Apesar da queda mensal, as exportações acumuladas para o mercado japonês ultrapassaram 226 mil toneladas entre janeiro e outubro, crescimento de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na Coreia do Sul, os embarques alcançaram 17.239 toneladas em outubro, volume ligeiramente inferior ao de setembro, mas praticamente estável na comparação anual. No acumulado de 2026, as exportações para o mercado sul-coreano totalizaram 223.916 toneladas, mais de 40 mil toneladas acima do registrado nos dez primeiros meses de 2025.
BEEF CENTRAL
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Embrapa lança plataforma que permite rastrear produção rural
Interface da Embrapa poderá ser conectada à plataforma AgroBrasil Mais Sustentável, e comprovar atendimento a requisitos ambientais e sanitários de compradores internacionais
Segundo Anderson Alves, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, a plataforma funciona como um “passaporte digital do produto”
Uma plataforma recém desenvolvida pela Embrapa permite rastrear a produção de soja, café e carne bovina, reunindo informações sobre a origem dos produtos e as condições de produção ao longo da cadeia. Batizada de Embrapa Trace, a ferramenta busca auxiliar produtores e empresas a comprovarem o atendimento a exigências ambientais e sanitárias de mercados internacionais, como a lei antidesmatamento da União Europeia (EUDR). O sistema reúne informações declaradas por produtores e agroindústrias e valida certificações já existentes para gerar um parecer único de conformidade. Disponível no formato de API (Interface de Programação de Aplicações), a tecnologia permite acompanhar diferentes etapas da produção, desde o cadastro da propriedade e das áreas produtivas até o transporte, a armazenagem e o processamento dos produtos. A plataforma está conectada a outras soluções da Embrapa, como o TerraClass, desenvolvido em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que fornece dados sobre a dinâmica da cobertura e do uso da terra na Amazônia e no Cerrado. Outra integração é com o ElegiAgro, sistema que cruza informações cadastrais, fundiárias e geoespaciais para avaliar a conformidade agroambiental das propriedades. Segundo Anderson Alves, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, a plataforma funciona como um “passaporte digital do produto”, ao integrar informações de rastreabilidade e sustentabilidade em um único parecer. Os relatórios podem ser acessados por QR Code e podem fornecer fundamentação técnica tanto para negociações comerciais como para eventuais contestações de barreiras às exportações, segundo Alves. A tecnologia será disponibilizada como parte da plataforma AgroBrasil Mais Sustentável (AB+S), do Ministério da Agricultura. Enquanto a plataforma da Pasta reúne informações sobre a adequação socioambiental das propriedades, o da Embrapa Trace permite acompanhar a rastreabilidade da produção. Para Eduardo Chikusa, chefe da Divisão de Comércio Internacional do Ministério das Relações Exteriores, a rastreabilidade atende exigências dos compradores internacionais. Segundo ele, a tecnologia funciona como “a ponte que conecta a sustentabilidade praticada no campo à confiança exigida pelos mercados globais”. De acordo com a Embrapa, mais cadeias produtivas do agro devem ser incorporadas à plataforma, incluindo cacau, madeira, borracha, frango de corte, suínos e pescados, como atum e tilápia de aquicultura. Um dos objetivos da ferramenta é auxiliar o setor agropecuário a cumprir a EUDR. A legislação exige que seis produtos agropecuários e seus derivados comercializados no bloco não estejam associados a áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. A partir de 30 de dezembro de 2026, grandes e médios exportadores brasileiros deverão comprovar a conformidade ambiental dos produtos por meio da geolocalização das áreas de produção, da documentação da cadeia de fornecedores e de uma avaliação do risco de desmatamento. Para micro e pequenos produtores, o prazo para adequação à legislação vai até 30 de junho de 2027. Os pesquisadores da empresa de pesquisa ressaltam que a ferramenta de rastreabilidade também pode atender a outras exigências internacionais, como as relacionadas ao controle de antimicrobianos na produção animal. Segundo a Embrapa, a integração de informações sobre origem, movimentação e processamento dos produtos amplia a capacidade de demonstrar o cumprimento dos requisitos exigidos pelos compradores internacionais.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar à vista fecha em alta com preocupações sobre agenda econômica do governo
O dólar fechou a terça-feira em alta no Brasil, em meio a um ambiente de cautela no mercado doméstico diante de preocupações com a agenda econômica do novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O dólar à vista encerrou o dia com elevação de 0,74%, a R$5,4863.
Na volta do feriado do Dia de Finados após uma semana turbulenta para os ativos domésticos por conta do resultado das eleições, o mercado local teve mais uma sessão de perdas. O mau humor foi alimentado por notícia publicada na coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, dizendo que o presidente Lula se encontraria com André Lara Resende, um dos criadores do Plano Real. O economista publicou recentemente um texto no qual defende um novo regime monetário que incluiria a redução programada e gradual da Selic para reduzir a dívida pública e ajustar as contas do governo sem grandes cortes de gastos. O plano do economista também propõe o uso de parte das reservas internacionais para conter pressões sobre o real. A informação gerou preocupação entre investidores, com analistas argumentando que a adoção de tais medidas poderia gerar efeito oposto ao esperado, pressionando ainda mais a inflação e impondo risco às reservas internacionais. O real teve um dos piores desempenhos entre uma cesta de moedas globais na terça, perdendo apenas para o peso mexicano. Durante a manhã da terça-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a proposta de Lara Resende tem "deficiências" e não está na mesa de discussão do governo, reforçando a defesa de um ajuste fiscal gradual. Durigan também afirmou que ainda não teve a oportunidade de conversar com Lula sobre novas indicações para o BC, mas afirmou que as nomeações de novos diretores serão feitas com "rigor técnico" e com "diferentes perfis". Os agentes também se posicionavam nesta sessão para a decisão de juros do Copom, na quarta-feira. A queda acentuada do mercado brasileiro após a reeleição de Lula turvou as perspectivas de crédito mais barato, deixando o Banco Central na posição de ponderar os riscos de inflação contra os custos de financiamento dolorosamente altos. A pesquisa Focus divulgada nesta manhã mostrou que os economistas consultados pelo Banco Central ainda esperam um corte de 0,25 ponto percentual da Selic na quarta-feira, mas elevaram a projeção para a taxa no final do ano para 13,50%, de 13,25% antes. "Apesar da alta do dólar, a bandeira amarela da energia elétrica contribui como pressão baixista. Além disso, a perda de fôlego da atividade também é um fator que poderá ser citado", disse José Faria Júnior, em relatório da Wagner Investimentos. No exterior, o dólar subiu ante a maioria das moedas.
REUTERS
Ibovespa cai pela 6ª sessão seguida e marca a menor pontuação desde janeiro
Índice foi pressionado pelas preocupações do mercado com a formação da equipe econômica do próximo governo, além da queda intensa das ações da Petrobras e da Vale
Pressionado pelas preocupações do mercado com a formação da equipe econômica do próximo governo, além da queda intensa das ações da Petrobras e da Vale, o Ibovespa adotou um movimento negativo desde o começo da manhã. No pior momento da sessão, o índice chegou a perder os 165 mil pontos, mas devolveu um pouco da queda ao longo do dia e encerrou em baixa de 1,42%, aos 165.529 pontos, no sexto pregão seguido de perdas. Ainda assim, a principal referência acionária local terminou a terça-feira na menor pontuação de encerramento desde 19 de janeiro deste ano, quando fechou aos 164.849 pontos. Diante do possível viés mais populista do governo, na avaliação do mercado, e da defasagem expressiva dos preços da petroleira, as ações da petroleira exibiram forte desvalorização, o que pesou sobre o índice. Assim, as PN da estatal cederam 3,79%, enquanto as ON recuaram 3,65%, em um dia em que as cotações do óleo bruto também terminaram em queda. Outras blue chips também cederam em bloco: as PN da Vale perderam 2,85%, enquanto as ordinárias do Bradesco lideraram as maiores desvalorizações entre os bancos, com queda de 2,02%. À espera de sinalizações do governo sobre o Ministério da Fazenda e sobre indicações para as cadeiras vagas na diretoria do Banco Central, o mercado reagiu mal à proposta do economista André Lara Resende de reduzir artificialmente a Selic, especialmente diante do endosso público ao documento feito por membros do PT. Houve rumor de que o economista apresentaria ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a proposta em uma reunião nesta semana, o que foi negado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao Valor. Ainda assim, para o chefe de análise da Eleven Financial Research, Fernando Siqueira, a proposta de Lara Resende de reduzir os juros para diminuir o déficit público gerou comparações com a Turquia, onde cortes forçados de juros a partir de 2021 foram acompanhados de alta da inflação e de forte desvalorização cambial, e acabaram sendo revertidos. "É provável que nos próximos dias esse assunto continue impactando o mercado e o noticiário", escreveu o profissional em sua página no LinkedIn. "Olhando para o que ocorreu na Turquia, não me espantaria se víssemos uma depreciação do real e um aumento da inflação implícita nos próximos dias. O volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 32,4 bilhões e de R$ 42,7 bilhões na B3. Já em Wall Street, os principais índices fecharam majoritariamente no positivo: o Nasdaq subiu 0,83%, o S&P 500 avançou 0,36%, enquanto o Dow Jones perdeu 0,38%.
VALOR ECONÔMICO
Mercado eleva projeções do IPCA e da Selic de 2026, 2027 e 2028, aponta Focus
Para o crescimento do PIB, os economistas e analistas reduziram as estimativas medianas para 2026, 2027 e 2028
A mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação oficial brasileira em 2026 subiu de 5,19% para 5,22%, de acordo com o relatório Focus, do Banco Central (BC), divulgado na terça-feira (3) com estimativas coletadas até sexta-feira (30). Para 2027, a mediana das expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aumentou de 4,34% para 4,76%, e, para 2028 avançou de 3,75% para 4%. O IPCA 12 meses suavizado teve elevação de 4,53% para 4,96%. A mediana das projeções para o crescimento da economia brasileira em 2026 recuou de 1,80% para 1,76%. Para 2027, a mediana das expectativas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 1,31% para 1,20% e, para 2028, cedeu de 1,81% para 1,80%. A mediana das projeções para o dólar no fim de 2026 subiu de R$ 5,05 para R$ 5,34. Para 2027, a mediana das expectativas para a moeda americana avançou de R$ 5,15 para R$ 5,40, e, para 2028, aumentou de R$ 5,20 para R$ 5,40.
VALOR ECONÔMICO
Indústria brasileira segue em queda em outubro e empresas citam perturbações em razão das eleições
A atividade industrial brasileira seguiu em deterioração em outubro, com produção e novos pedidos marcando fortes quedas, ainda que a um ritmo menor do que o verificado no mês anterior, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras divulgada na terça-feira.
O PMI da indústria, compilado pela S&P Global, avançou de 44,8 em setembro para 46,1 em outubro, ainda distante da marca neutra de 50,0 que separa contração de crescimento. A produção industrial caiu pelo sexto mês consecutivo, com quase 22% das empresas consultadas apontando redução, ao citar vendas menores, falta de investimento e perturbações às vésperas do segundo turno eleitoral. As eleições também foram apontadas como motivo de perturbações por trás da queda de novos negócios -- no 19º mês seguido de recuo do indicador --, ao lado de pressões inflacionárias, estoques elevados por parte de clientes e guerra no Oriente Médio. A diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, Pollyana de Lima, disse ver alguns sinais encorajadores para os meses à frente, com as empresas tendo mostrado o maior nível de confiança em nove meses e apontado esperança de uma demanda mais forte passada a eleição. “Ainda assim, as perspectivas continuaram desafiadoras", afirmou. "As pressões de custos diminuíram, mas permaneceram altas, enquanto os estoques elevados dos clientes pesaram sobre os pedidos. A forte queda nas novas encomendas indicou que uma recuperação da produção ainda pode levar algum tempo.” No mês, as empresas relataram reajustes de preços por parte de fornecedores e custos mais altos de energia associados à guerra no Oriente Médio. Os produtores brasileiros elevaram os preços de venda para repassar parte desses aumentos, e a inflação dos preços cobrados manteve o ritmo de setembro, igualando a menor taxa desde fevereiro.
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