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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1225 DE 30 DE OUTUBRO DE 2026

prcarne
há 18 horas
17 min de leitura

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 5 | nº 1225 | 30 de outubro de 2026

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL  


Boi gordo: com virada do mês, viés de alta da arroba tende a ganhar força

Mercado interno da carne segue travado, mas o pagamento dos salários a partir da primeira de novembro deve estimular as vendas domésticas, forçando a reposição das escalas de abate, avalia a Agrifatto. No PARANÁ: Boi: R$ 390,00. Vaca: R$ 360,00. Novilha: R$ 370,00. Escalas: seis dias. Boi China: PARANÁ: R$ 389,00/@ (à vista) e R$ 393,00/@ (prazo) 

Com alguns negócios pipocando entre R$ 390/@ e R$ 400/@ em São Paulo, o mercado físico do boi gordo segue mantendo a tendência de alta nas principais praças brasileiras, refletindo sobretudo a oferta restrita de lotes terminados e a estratégia dos pecuaristas em segurar os animais no campo à espera de novas valorizações. “Há relatos de negócios em R$ 395/@, acima das referências vigentes, embora esses patamares ainda não sejam praticados o suficiente para serem referência”, ressalta boletim da Scot Consultoria enviado aos seus assinantes. Pelo lado da oferta, destaca a Scot, a participação de fêmeas no abate sob SIF (Serviço de Inspeção Federal) caiu para 26,9% nesta parcial de outubro/26, aproximando-se, pela primeira vez no ano, da média dos últimos cinco anos para o mês (26,6%). Pelo lado da demanda, continua a consultoria, as indústrias frigoríficas relataram dificuldade em repassar preços ao restante da cadeia da carne, pois o escoamento da proteína perdeu ritmo nesta reta final do mês diante do esgotamento dos salários recebidos no início de outubro/26. Porém, com a virada do mês, o repasse pode se concretizar com mais força, observa a Scot. Na avaliação da Agrifatto, a expectativa de recuperação das vendas domésticas a partir da primeira semana de novembro/26, devido ao pagamento dos salários, tende a favorecer o escoamento da carne e ampliar a necessidade de reposição das escalas de abate. No mercado externo, diz a Scot, parte das indústrias já começou os abates para atender à demanda chinesa, mas o movimento ainda é tímido. Além disso, a valorização recente do dólar favorece a competitividade das exportações brasileiras de carne bovina e amplia a capacidade de pagamento dos frigoríficos exportadores – a maior parte do parque industrial de São Paulo. Assim, prevê a Scot, embora a fraca oferta de boiadas gordas continue favorecendo os pecuaristas, a dificuldade de repassar a alta da arroba para a carne bovina deve reduzir o ritmo de altas no curtíssimo prazo. Na B3, os contratos futuros do boi gordo encerraram o pregão de quarta-feira (28/10) em alta pelo quarto pregão consecutivo, com novembro e dezembro cotados a R$ 405,60/@ e R$ 403,80/@, destaca a Agrifatto. Segundo a consultoria, os prêmios os preços futuros sobre o mercado físico refletem a expectativa de oferta ajustada nos próximos meses, podendo estimular novas reivindicações dos pecuaristas. No entanto, dizem os analistas da Agrifatto, a consolidação do movimento de alta dependerá da recuperação do consumo interno, do desempenho das exportações e da capacidade de absorção dos reajustes pela indústria. Cotações do boi gordo: conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 390,00. Boi China: R$ 390,00. Média: R$ 390,00. Vaca: R$ 360,00. Novilha: R$ 370,00. Escalas: cinco dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 370,00. Boi China: R$ 370,00. Média: R$ 370,00. Vaca: R$ 345,00. Novilha: R$ 355,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 375,00. Boi China: R$ 375,00. Média: R$ 375,00. Vaca: R$ 350,00. Novilha: R$ 360,00. Escalas: cinco dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 355,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 355,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: sete dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 370,00. Boi China/Europa: R$ 370,00. Média: R$ 370,00. Vaca: R$ 345,00. Novilha: R$ 355,00. Escalas: seis dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 365,00. Boi China: R$ 365,00. Média: R$ 365,00. Vaca: R$ 340,00. Novilha: R$ 350,00. Escalas: seis dias. PARÁ: Boi comum: R$ 370,00. Boi China: R$ 370,00. Média: R$ 370,00. Vaca: R$ 345,00. Novilha: R$ 355,00. Escalas: cinco dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 360,00. Vaca: R$ 335,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: sete dias. MARANHÃO: Boi: R$ 360,00. Vaca: R$ 335,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: seis dias. Preços brutos do “boi-China” nesta terça-feira (20/10), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 381,00/@ (à vista) e R$ 385,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 371,00/@ (à vista) e R$ 375,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 374,00/@ (à vista) e R$ 378,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 363,00/@ (à vista) e R$ 367,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 368,00/@ (à vista) R$ 372,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 358,00/@ (à vista) e R$ 362,00/@ (prazo)PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 366,00/@ (à vista) e R$ 372,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 356,00/@ (à vista) e R$ 360,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 371,00/@ (à vista) e R$ 375,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 361,00/@ (à vista) e R$ 365,00/@ (prazo).

SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO 

 

China eleva rigor contra resíduos em produtos do agro importados

Adido agrícola do Brasil em Pequim sugere maior controle das exportações; falta de rastreabilidade total na carne bovina afeta cadeia

 

Rigor em inspeção de cargas tem o intuito de limitar o risco às exportações ao principal cliente do Brasil em diversos segmentos, como soja e carne bovina — Foto: Globo Rural

A China está cada vez mais rigorosa no controle de resíduos de agrotóxicos e medicamentos veterinários em produtos agropecuários importados. Com a recorrência de notificações e bloqueios de cargas de diversos fornecedores no mundo, o adido agrícola do Brasil em Pequim enviou um alerta ao Ministério da Agricultura brasileiro neste mês solicitando mais rigor no monitoramento antes do embarque. O intuito é limitar o risco às exportações ao principal cliente do Brasil em diversos segmentos, como soja e carne bovina. “Nesse ambiente, uma única detecção de substância proibida ou de resíduo acima do LMR [limite máximo de resíduos] chinês pode resultar em devolução ou destruição do lote e em suspensão da habilitação”, diz o documento assinado pelo adido Leandro Diamantino Feijó, ao qual o Valor teve acesso. Ele sugere que insumos proibidos na China sejam excluídos da cadeia produtiva do Brasil. Segundo fontes do setor, essa possibilidade está descartada por ora. Uma pessoa a par do tema diz que o alerta do adido não foi enviado para criar pânico, mas para melhorar o monitoramento. As informações estão em um documento datado de outubro, mas com referência a atualizações da Lista de Medicamentos Veterinários Proibidos e de Uso Descontinuado e da Lista de Agrotóxicos Proibidos e de Uso Restrito, feita pelo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais chinês, em agosto. Segundo duas fontes, representantes do setor agropecuário já debateram o tema com o Ministério da Agricultura. Uma das medidas sugeridas pelo adido é que as informações sejam repassadas às áreas responsáveis pelo controle sanitário no Ministério da Agricultura e às entidades de exportadores. Ele propõe “excluir da cadeia as substâncias proibidas na China e cumprir a dosagem e o período de carência dos medicamentos veterinários para atender aos LMRs chineses”. Há ainda a recomendação para que os exportadores de produtos de origem vegetal verifiquem os limites máximos de resíduos e as proibições ou restrições da lista, considerando eventuais diferenças entre os insumos autorizados no Brasil e os vedados pela China. Isso porque, segundo Feijó, o reforço nas medidas chinesas de controle levou à elevação de recusas de alimentos importados pela Administração Geral de Aduanas da China (GACC, na sigla em inglês) devido aos resíduos, do Brasil e de outros fornecedores. “Não houve detecções entre 2020 e 2023. Foram 22 lotes em 2024, concentrados em quatro declarações de três estabelecimentos, 13 em 2025 e 5 no primeiro semestre de 2026, quase todos de produtos de origem animal. Cerca de dois terços das detecções decorreram de extrapolação de LMR de substâncias de uso autorizado, sobretudo o fluazuron em carne bovina (24 lotes)”, diz o adido, sobre a recusa de cargas brasileiras. Dados do GACC mostram que, no acumulado de 2026 até agosto, os exportadores brasileiros de carne bovina receberam 320 notificações da China por algum tipo de inconformidade nas cargas, seja por resíduo, temperatura ou rotulagem. No mesmo período do ano anterior, foram 167 notificações. De acordo com os dados, 82 violações no período avaliado em 2026 ocorreram em Mato Grosso. O CEO da NeoAgro Consultoria, Luciano Vacari, afirma que o fluazuron se consolidou como um insumo veterinário amplamente usado na pecuária brasileira, reconhecido pela eficácia no controle de parasitas e por atender aos requisitos de segurança, sanidade e eficiência exigidos em escala global. “No entanto, algo mudou nesse cenário. Relatos recorrentes vindos da China sobre a presença de resíduos de fluazuron na carne bovina exportada pelo Brasil têm acendido um alerta vermelho no setor”, diz o especialista. Para ele, o problema só ocorre porque o Brasil carece de um modelo de rastreabilidade individual implantado de forma efetiva. “Sem esse instrumento, torna-se impossível identificar com precisão o animal que deu origem ao resíduo”, afirma Vacari. A questão não se restringe à cadeia de carnes. Em novembro de 2025 a China cancelou a importação de uma carga de 69 mil toneladas de soja do Brasil e suspendeu as compras de soja de cinco unidades, de quatro empresas diferentes, após uma suposta contaminação por 10 toneladas de trigo tratado com agrotóxicos. O Brasil não tem autorização para exportar trigo à China, e os agrotóxicos usados são proibidos no país asiático. Procurados pelo Valor, o Ministério da Agricultura e o adido agrícola do Brasil na China não responderam a pedidos de comentários. A embaixada chinesa no Brasil não retornou. O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) não se pronunciou. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) preferiu não comentar, pois não foi comunicada oficialmente sobre o assunto.

GLOBO RURAL

 

SUÍNOS

 

Suínos/Cepea: Cotações do vivo oscilam, enquanto vendas fracas pressionam carcaça

Menor liquidez da carne também limitou as altas do suíno vivo

 

Após uma sequência de valorizações, o mercado de suíno vivo apresentou oscilações de preços entre as regiões acompanhadas pelo Cepea nestes últimos dias. De acordo com pesquisadores do Cepea, as cotações da carcaça suína negociada no atacado da Grande São Paulo, por sua vez, registraram a primeira queda semanal desde o início do mês passado. Segundo o Centro de Pesquisas, a menor liquidez da carne também limitou as altas do suíno vivo em algumas regiões. Quanto aos cortes, o Cepea ressalta que os valores do pernil e do lombo avançaram nos últimos dias, com a procura aquecida, impulsionada pela proximidade das festas de fim de ano.

CEPEA

 

EUA têm menor abate desde 1963

Carcaças mais pesadas amenizam a queda na produção, mas essa compensação perde força; cenário favorece exportadores brasileiros

 

O abate de bovinos nos Estados Unidos atingiu o menor volume para o período de janeiro a setembro desde 1963, ampliando a atenção sobre a necessidade americana de importar carne. Para o Brasil, o cenário representa uma oportunidade de abastecimento, mas o resultado dependerá da competitividade dos frigoríficos e dos preços negociados com os compradores.

Segundo dados do USDA, os americanos abateram 20,70 milhões de bovinos nos nove primeiros meses de 2026, queda de 7,2% sobre igual período de 2025. A produção de carne recuou menos: caiu 4,9%, para 8,35 milhões de toneladas, o menor volume para o intervalo desde 2015. A diferença se explica pelas carcaças mais pesadas, que permitem obter mais carne por animal e compensam parte da redução no número de cabeças abatidas. O peso médio das carcaças no levantamento sob inspeção federal chegou a 406 quilos entre janeiro e setembro, aproximadamente 27 arrobas e 10 quilos acima do registrado um ano antes. Segundo a Terra, trata-se de um recorde da série. Essa vantagem, porém, está diminuindo. Em março, as carcaças estavam 13,6 quilos mais pesadas do que no mesmo mês de 2025. Em setembro, a diferença caiu para apenas 4,5 quilos, a menor do ano. Na prática, os frigoríficos americanos continuam obtendo mais carne por cabeça do que no ano passado, mas essa ajuda perdeu intensidade. Se o abate permanecer reduzido e a diferença de peso continuar encolhendo, haverá menos capacidade de compensar a falta de animais. A redução é mais intensa entre as fêmeas. Nas unidades sob inspeção federal, o abate de novilhas caiu 11,4% no acumulado de janeiro a setembro, enquanto o de vacas de corte recuou 14%. Entre os bois, a queda foi de 5,4%. A participação das novilhas no abate chegou a 33,9% em agosto, a menor desde junho de 2020. Em setembro, ficou em 34,7%. Para a Terra Investimentos, o movimento sinaliza retenção de fêmeas. Isso é compatível com a preservação de animais para reprodução, embora a queda nos abates, isoladamente, não confirme uma recomposição consolidada do rebanho. O comportamento também varia entre os segmentos. Enquanto o abate de vacas de corte diminuiu, o de vacas leiteiras aumentou 3,9%, mostrando que as decisões de descarte não seguem a mesma direção em toda a pecuária americana.

USDA

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ

 

Atividade econômica paranaense cresce mais do que a brasileira em 2026

Índice de Atividade Econômica do Paraná cresceu mais do que a média nacional entre janeiro de agosto de 2026. Segundo dados do Banco Central, levantados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), a atividade econômica paranaense avançou 1,82% nos primeiros oito meses deste ano, em comparação a igual período de 2025. Nesse mesmo intervalo, a atividade econômica nacional evoluiu 1,55%.

 

O maior dinamismo da atividade econômica do Paraná foi observado também no resultado específico do mês de agosto, com variação de 1,56% no Estado, acima da taxa de 1,21% que foi registrada pelo Brasil. Em ambos os casos, os percentuais mensais referem-se à comparação com agosto de 2025. Já em relação a julho de 2026, nos resultados ajustados sazonalmente, os aumentos da atividade econômica em agosto alcançaram 0,49%, no Paraná, e 0,34%, no Brasil.

“O Paraná tem um ambiente de negócios sólido, que influencia nos resultados econômicos do Estado, que tem um desempenho na economia melhor que o do País”, afirmou o diretor-presidente do Ipardes, Jorge Callado. Ele ressaltou o crescimento dos números da economia do Estado, mesmo diante de contextos desfavoráveis nos cenários nacional e mundial. “O ambiente internacional vem sendo marcado pela elevação das barreiras tarifárias e pelos conflitos bélicos, enquanto a economia brasileira sofre com os desequilíbrios fiscais e as altas taxas de juros, por exemplo”, completou.

AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS

 

Paraná confirma quebra na safra de inverno devido ao clima

Produtividade do trigo caiu 18% devido aos efeitos do El Niño, diz Deral; qualidade do cereal também foi afetada pelas chuvas

 

A queda na produção das culturas de inverno no Paraná foi confirmada na quinta-feira (29/10), em boletim divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral). Os dados indicam uma colheita de 2,84 milhões de toneladas de grãos no Estado, incluindo aveia, canola, centeio, cevada, trigo e triticale. O volume é 28% inferior às 3,9 milhões de toneladas registradas em 2025 - quando, em comparação, apenas a cultura do trigo respondeu por 2,88 milhões de toneladas. A redução apontada nas estimativas de produção dos grãos de inverno já era esperada, conforme Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo do Deral. O recuo se deve às intempéries durante a colheita, um risco previsto desde a fase de formação do fenômeno El Niño no primeiro semestre do ano. No caso do trigo, o rendimento inicial projetado em 54 sacas por hectare foi reajustado para 44 sacas/ha - ou 2,6 mil kg/ha. Conforme a análise conjuntural do Deral, a redução de 18% na produtividade estimada, aliada ao decréscimo de 12% na área dedicada à cultura, resultou em uma produção esperada de 1,9 milhão de toneladas. O montante é 34% inferior ao obtido em 2025 (2,88 milhões de toneladas). Além da menor quantidade, a qualidade inferior do cereal também piora as restrições de oferta para a indústria moageira. “O risco relativo às intempéries durante a colheita confirmou-se com o excesso de precipitação pluviométrica verificado na maioria das regiões do Estado, afetando principalmente os cultivos tardios”, explica Godinho. Atualmente, 88% da área estimada foi colhida. Conforme o Deral, a cultura da cevada também apresenta perdas expressivas. Em razão do ganho de área verificado neste ciclo (+23%), estimava-se produção recorde, acima das 500 mil toneladas colhidas em 2025. Contudo, a estimativa atual projeta uma colheita de 492 mil toneladas, representando uma retração de 2% em relação à safra anterior. Até o momento, 54% da área plantada já foi colhida, com registros de perdas qualitativas nos grãos menos expressivas que as de trigo. Os demais cereais acompanhados pelo Deral (aveia, centeio e triticale) também registraram perdas de produtividade e redução de área, resultando no encolhimento da oferta no Estado. “A canola figurou como a única exceção positiva entre as culturas de inverno, visto que a ampliação significativa da área cultivada compensou os prejuízos de produtividade, duplicando o volume ofertado no Paraná”, informa o boletim.

GLOBO RURAL

 

ECONOMIA

 

Dólar sobe a R$5,3875 influenciado por exterior e preocupações com novo governo Lula

O dólar fechou a quinta-feira em alta no Brasil, apoiado pelo avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior e pelas preocupações em torno do novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

O dólar à vista encerrou com elevação de 0,76%, a R$5,3875. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 1,85%. Às 17h04, o dólar futuro para novembro subia 0,86% na B3, aos R$5,3950. Os Estados Unidos divulgaram pela manhã que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 3,4% no terceiro trimestre do ano, acima da projeção de 3,2% de economistas ouvidos pela Reuters, enquanto os gastos do consumidor em setembro avançaram 0,5%. Já o núcleo do índice de inflação PCE, bastante acompanhado pelo Federal Reserve para a formulação da política monetária, subiu 0,3% em setembro, em linha com o esperado. O PCE cheio avançou 0,5% no mês passado. Após os números, o dólar acelerou ganhos ante divisas como o peso mexicano, o peso chileno, o rand sul-africano e o real. No caso da divisa brasileira, as cotações também encontraram suporte no atual cenário pós-eleitoral, de dúvidas sobre o próximo mandato de Lula. Ao mesmo tempo em que aguardavam indicações sobre quem ocupará em 2027 as principais pastas, como o Ministério da Fazenda, os agentes esperavam por detalhes sobre como será a política fiscal do novo governo. O controle das contas públicas segue como a principal preocupação dos investidores. “As preocupações com o fiscal, com a nova equipe econômica, que o Lula parece não ter pressa em anunciar, tudo isso traz um movimento de proteção”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, ao justificar o avanço da moeda norte-americana. “E lá fora o dólar também sobe ante as outras divisas de emergentes.” “Acompanhando essa tensão local e a busca natural por proteção de patrimônio, o dólar comercial registrou uma forte valorização frente ao real”, reforçou Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad. Segundo ela, o avanço do dólar “evidencia um movimento de saída de risco, refletindo não apenas as preocupações com o futuro das contas públicas no Brasil, mas também a influência direta de um cenário macroeconômico global que aponta para um aperto monetário prolongado”. Ainda em relação ao noticiário político, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência da República, chegou na quarta-feira aos EUA após fugir do Brasil. Investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Flávio se declarou em carta “legítimo presidente eleito” e, posteriormente, “líder do Brasil”. Os partidos da base de apoio de Flávio, no entanto, reconheceram a eleição de Lula. No mercado, um dos receios é de que a presença de Flávio nos EUA eleve os atritos do país com o Brasil, o que poderia afetar a economia e, no limite, o câmbio.

REUTERS

 

Ibovespa fecha abaixo de 170 mil pontos com Bradesco entre pressões

O Ibovespa engatou a quarta queda seguida e fechou abaixo de 170 mil pontos na quinta-feira, com Bradesco entre as maiores pressões de baixa, em meio a relatórios de analistas com tom mais negativo sobre o banco, assim como Ambev, após o resultado trimestral. 

 

Dados de inflação nos Estados Unidos também ocuparam as atenções, enquanto investidores seguem na expectativa de novidades sobre os planos para a economia, principalmente a questão fiscal, a partir do ano que vem, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,85%, a 169.555,23 pontos, de acordo com dados preliminares. Na mínima, chegou a 168.765,35 pontos. Na máxima, a 171.402,97 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$35,45 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS


Dívida pública federal sobe 0,97% em setembro, para R$9,383 trilhões, diz Tesouro

A dívida pública federal do Brasil teve variação positiva de 0,97% em setembro ante agosto, para R$9,383 trilhões, informou o Tesouro Nacional na quinta-feira, com o endividamento sob pressão dos gastos do governo com juros.

 

No período, a dívida pública mobiliária federal interna somou R$9,037 trilhões, com variação positiva de 1,04%, enquanto a dívida pública federal externa atingiu R$345,41 bilhões, com recuo de 0,82% no mês. A elevação da dívida pública interna no mês foi fruto de uma apropriação de juros de R$89,29 bilhões e uma emissão líquida de títulos no valor de R$3,78 bilhões. O Tesouro destacou que foi observada no mês de setembro maior aversão ao risco diante do aperto monetário nos Estados Unidos, da elevação de taxas de juros de títulos públicos em economias avançadas e do conflito no Oriente Médio. Parte inferior do formulário

O mês imediatamente anterior às eleições presidenciais no Brasil apresentou queda nos juros futuros, com o Tesouro destacando corte na taxa Selic e sinais de desaceleração da atividade. Segundo as informações da pasta, o custo médio do estoque da dívida pública federal acumulado em 12 meses teve uma alta no mês passado, indo de 12,59% ao ano em agosto para 12,63% ao ano. O custo médio das novas emissões de títulos da dívida interna teve leve recuo, passando de 13,96% ao ano em agosto para 13,89% no mês passado. Em relação à composição da dívida pública federal, a participação dos títulos indexados à Selic, mais buscados por investidores em momentos de volatilidade no mercado, recuou a 51,6% do total, contra 52,7% em agosto. O plano de financiamento do Tesouro prevê que esses papéis responderão por 49% a 53% do estoque neste ano, após o governo ter elevado esse alvo diante de um cenário de incerteza e volatilidade com a guerra no Irã. No período, o colchão de liquidez da dívida pública somou R$1,273 trilhão, suficiente para cobrir 7,71 meses de vencimentos de títulos, nível considerado confortável pelo governo. Em relação ao perfil de vencimentos da dívida pública, o Tesouro informou que o prazo médio do estoque ficou estável em 4,10 anos. Sobre o mês de outubro, o Tesouro disse que “o mercado de juros apresentou forte alta diante da reprecificação de expectativas e do ajuste de posições após o resultado eleitoral”. No mês, o mercado chegou a apresentar ganhos expressivos no valor de ativos após o senador Flávio Bolsonaro (PL) liderar o primeiro turno das eleições presidenciais. O cenário se inverteu após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno no domingo, com forte queda da bolsa brasileira e altas do dólar e dos juros futuros nesta semana. Para dar liquidez ao mercado no momento de estresse, o Tesouro recomprou R$31,6 bilhões em títulos prefixados e indexados à inflação nesta semana. Em entrevista à imprensa, o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Helano Dias, afirmou que o órgão segue monitorando o mercado de títulos e está pronto para atuar a qualquer momento, caso seja observado algum tipo de disfuncionalidade.

REUTERS

 

Dívida bruta brasileira atinge 82,93% do PIB em setembro, maior nível em mais de cinco anos

A dívida bruta do Brasil ficou em 82,93% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, ligeiramente acima do patamar de 82,87% registrado em agosto, alcançando o maior nível em mais de cinco anos, conforme dados do Banco Central divulgados na quinta-feira.

 

O desempenho reflete pressão de gastos do governo com juros sobre o endividamento, enquanto um resgate líquido de títulos pelo Tesouro Nacional e o crescimento da atividade econômica ajudaram a compensar esse movimento de deterioração. O patamar de setembro da dívida pública bruta é o mais alto desde março de 2021, quando estava em 85,10% do PIB em meio a pesados desembolsos do governo em ações de enfrentamento à pandemia de Covid-19. A dívida líquida do setor público, por sua vez, foi a 70,0% em setembro, de 69,3% no mês anterior. Parte superior do formulário

Parte inferior do formulário

No mês passado, o setor público registrou um déficit primário de R$5,5 bilhões, saldo pior do que o superávit de R$0,5 bilhão esperado por economistas, segundo pesquisa da Reuters. Os dados do BC mostram que o governo central teve superávit de R$3,469 bilhões, enquanto Estados e municípios registraram déficit primário de R$5,573 bilhões e as estatais tiveram saldo negativo de R$3,393 bilhões.

REUTERS

 

Endividamento das famílias brasileiras marca novo recorde a despeito de medidas do governo, mostra BC

O endividamento das famílias brasileiras como proporção da renda acumulada em 12 meses subiu para um recorde de 50,1% em agosto, enquanto o comprometimento da renda com o serviço da dívida também atingiu o maior nível da história, de 29,0%, mostraram dados do Banco Central na quinta-feira.

 

Os números, que tratam do endividamento bancário, evidenciam a crescente pressão sobre as finanças das famílias em meio aos elevados custos dos empréstimos e ao rápido crescimento de modalidades de crédito mais caras, incluindo cartão de crédito e empréstimos sem garantia. O movimento se dá a despeito de dois programas de renegociação de dívidas lançados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que utilizaram garantias do Tesouro para apoiar o refinanciamento de débitos. Lula, que conquistou a reeleição no último domingo, também prometeu durante a campanha realizar um leilão para comprar dos bancos dívidas de consumidores com desconto, enquanto o Banco Central afirmou que prepara novas medidas para conter a concessão predatória de crédito. Excluindo o crédito imobiliário, o endividamento das famílias subiu para 31,0% em agosto, enquanto o comprometimento da renda com o serviço da dívida avançou para um recorde de 26,7%. Dados separados do Banco Central sobre o desempenho do crédito bancário em setembro mostraram que a taxa de inadimplência no segmento de crédito livre para famílias e empresas -- no qual as instituições financeiras têm liberdade para definir as taxas de juros -- permaneceu no nível recorde de 6,6% no mês, mesmo nível de agosto. A inadimplência nesse segmento subiu 1 ponto percentual no acumulado do ano. O estoque de crédito no Brasil cresceu 0,4% em setembro ante o mês anterior, para R$7,4 trilhões, enquanto a expansão do crédito em 12 meses desacelerou para 8,6%, ante 9,4% até agosto. O spread bancário, diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final cobrada do cliente, no crédito livre foi de 35,5 pontos percentuais em setembro, de 34,7 pontos percentuais em agosto. Em meio a uma política monetária restritiva, o Banco Central projetou em setembro que o estoque de crédito no Brasil crescerá 9,1% neste ano, desacelerando ante uma expansão de 10,4% em 2025. O Banco Central se reúne na próxima semana para sua próxima decisão sobre os juros, após cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual que levaram a taxa básica Selic a 13,75%.

REUTERS

 

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