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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1197 DE 21 DE SETEMBRO DE 2026

prcarne
há 1 dia
17 min de leitura

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 5 | nº 1197 | 21 de setembro de 2026


NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL 

 

Mercado do boi gordo segue firme

Preços da arroba fecham a semana com estabilidade, sustentados pela oferta reduzida de boiadas e pela estratégia dos pecuaristas em segurar os lotes no campo à espera de novas valorizações. No PARANÁ: Boi: R$ 360,00. Vaca: R$ 335,00. Novilha: R$ 345,00. Escalas: cinco dias. Boi China: PARANÁ: R$ 358,00/@ (à vista) e R$ 362,00/@ (prazo)

 

No decorrer da semana passada, os preços físicos do boi gordo ficaram firmes, com valorizações importantes em algumas praças brasileiras, como em São Paulo, onde arroba acumulou valorização de R$ 5/@ em apenas dois dias (quarta e quinta-feira), batendo R$ 350/@ – com ágio de R$ 5/@ para o animal-China, segundo dados apurados pela Scot Consultoria. Porém, o brilho maior do setor ocorreu na bolsa paulista B3, cujos contratos para os meses finais deste ano ultrapassaram a casa dos R$ 380/@, ou seja, apontam para uma premiação de R$ 30/@ para aqueles pecuaristas que optarem por mecanismos de trava de preços futuros (hedge). Segundo o zootecnista Felipe Fabbri, analista da Scot, a boa expectativa no mercado físico do boi gordo está atrelada a um cenário de oferta comedida. Além disso, o confinamento de bovinos deverá diminuir 14,4% em agosto/26, na comparação feita com o mesmo mês do ano passado, aponta Fabbri, citando dados levantados pela equipe do Cepea. De acordo com o analista, o mercado também segue apoiado em fundamentos altistas para a demanda doméstica por carne bovina, suportado pela entrada da verba do fundo eleitoral, a geração de empregos temporários em setores como o de serviços, além do décimo terceiro salário e bonificações. Na avaliação dos analistas da Agrifatto, ao longo da semana, os pecuaristas mantiveram as vendas ajustadas às necessidades de caixa e resistiram às propostas abaixo das referências. A consultoria também cita a baixa disponibilidade de fêmeas, que permaneceu ainda mais limitada durante a semana (em relação à oferta de machos), favorecendo a valorização das categorias e o estreitamento do ágio entre elas. Na exportação, diz Fabbri, a expectativa é de que a China, em algum momento de outubro/26, retome as compras para compor o abastecimento de 2027, somando-se a embarques aos Estados Unidos, com a recém cota para a carne magra sem tarifas. “É esperar para ver se o mercado físico – assim como o mercado futuro –, também irá para o ‘alto e avante’”, diz o analista da Scot, deixando evidente um certo grau de otimismo. Cotações do boi gordo desta sexta-feira (18/9), conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: seis dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: nove dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: cinco dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: oito dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 345,00. Boi China/Europa: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: seis dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: seis dias. PARÁ: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: cinco dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 335,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: oito dias. MARANHÃO: Boi: R$ 345,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: sete dias. Preços brutos do “boi-China” nesta sexta-feira (18/9), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 351,00/@ (à vista) e R$ 355,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 331,50/@ (à vista) e R$ 335,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 348,00/@ (à vista) e R$ 352,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 338,50/@ (à vista) e R$ 342,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 341,00/@ (à vista) e R$ 345,00/@ (prazo).  PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 346,00/@ (à vista) R$ 350,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 338,50/@ (à vista) e R$ 342,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 334,50/@ (à vista) e R$ 338,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 341,00/@ (à vista) e R$ 345,00/@ (prazo).

SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO

 

União Europeia oficializa retirada de couros e peles bovinas do EUDR

Norma publicada no dia 17 no Jornal Oficial da União Europeia retira oficialmente do escopo do Regulamento Europeu contra o Desmatamento (EUDR) couros e peles bovinas (códigos 4101, 4104 e 4107), abrangendo o produto em todos os estágios. 

 

A regra entrou em vigor no dia18, informou em comunicado o Centro da Indústria de Curtumes do Brasil (CICB). A medida consta do Regulamento Delegado (UE) 2026/2102, de 13 de julho de 2026, que altera a lista de produtos abrangidos pelo EUDR. O CICB afirmou que a exclusão do couro do EUDR foi uma pauta trabalhada pelo Centro, pelo projeto Brazilian Leather e por associados. “O couro do Brasil participou de inúmeras ações, articulações e projetos para este fim nos últimos anos e recebe a oficialização da retirada do regulamento como um marco para o setor”, destacou.

ESTADÃO

 

SUÍNOS

 

Produção de carne suína cresce acima das exportações e mantém pressão sobre preços

Embarques aumentaram 7,5% até agosto, mas não absorveram o aumento da oferta. USDA prevê alta de 8,4% na produção brasileira em 2026 e de 1,9% em 2027.

 

As exportações brasileiras de carne suína mantiveram desempenho positivo em 2026, mas o crescimento dos embarques ainda não foi suficiente para retirar o excesso de oferta do mercado interno. Segundo o Agro Mensal de setembro, da Consultoria Agro do Itaú BBA, os embarques cresceram 7,5% no acumulado até agosto, enquanto a expansão da produção mantém os preços da carne e do suíno vivo sob pressão. Em agosto, o Brasil exportou 115 mil toneladas de carne suína in natura, volume praticamente estável em relação aos dois meses anteriores, mas 6,9% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. Apesar do avanço anual, o ritmo das vendas externas não acompanhou o crescimento da disponibilidade doméstica. O resultado mantém o mercado em busca de um ponto de equilíbrio. Com mais carne disponível internamente, a demanda externa precisaria crescer de forma mais consistente para reduzir os excedentes e abrir espaço para uma recuperação das margens dos produtores. Para o Itaú BBA, uma redução da produção poderia contribuir para diminuir os excedentes e melhorar a rentabilidade da atividade. Até o momento, porém, não há sinais claros de que esse ajuste esteja em andamento. A questão ganha peso diante dos investimentos previstos para ampliar a capacidade produtiva nos próximos anos. Com mais capacidade de produção, o mercado dependerá de crescimento adicional da demanda para absorver os volumes, principalmente no exterior. A perspectiva indica que o desempenho das exportações terá papel cada vez mais relevante para o equilíbrio da cadeia. O crescimento dos embarques observado até agosto é positivo, mas ainda não compensou o aumento da oferta brasileira. No curto prazo, a demanda interna pode oferecer algum alívio às cotações. Os preços elevados da carne bovina e, em menor intensidade, do frango em relação à carne suína podem favorecer a procura pelo produto. A sazonalidade também pode ajudar. O consumo de proteínas costuma ganhar força no fim do ano, período em que a demanda doméstica pode contribuir para reduzir parte da oferta disponível e dar suporte aos preços. O Itaú BBA, porém, avalia que esses fatores não devem provocar uma recuperação acentuada das cotações. Com os preços em níveis baixos e a oferta em expansão, a expectativa é de melhora gradual, sem correção expressiva dos desequilíbrios atuais. As projeções do escritório do USDA no Brasil reforçam a perspectiva de continuidade da expansão produtiva. A estimativa é de crescimento de 8,4% da produção brasileira de carne suína em 2026 e de mais 1,9% em 2027. Com esse avanço, a produção deve chegar a 5,25 milhões de toneladas no próximo ano. No comércio exterior, o USDA projeta exportações de 1,8 milhão de toneladas em 2026, alta de 5% em relação a 2025. Para 2027, a previsão é de crescimento adicional de 2,8%. Os números indicam que as exportações devem continuar avançando, mas também que a cadeia precisará de expansão sustentada da demanda para acompanhar o aumento da capacidade produtiva. Sem esse crescimento, o excesso de oferta tende a continuar limitando a recuperação dos preços e das margens.

O PRESENTE RURAL

 

FRANGOS

 

Frango/Cepea: Maior demanda pela carne impulsiona cotação do vivo

Os preços do frango vivo comercializado no estado de São Paulo têm apresentado forte reação neste mês. Segundo o Cepea, o avanço está atrelado à aquisição mais ativa de lotes extras de animais por parte da indústria para atender ao incremento da demanda pela carne na ponta final.

 

De acordo com agentes consultados pelo Centro de Pesquisas, inclusive, a primeira quinzena de setembro foi uma das mais positivas dos últimos meses em termos de incremento no volume de vendas e nas cotações.

CEPEA

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ

 

Exportação em alta estimula investimento em portos do Sul

Operadoras como TCP e Rocha expandem estruturas em Paranaguá, enquanto Coamo e Yara terão novo terminal em Itapoá. Perspectivas promissoras para os embarques do setor dão base a planos de investimentos vultosos, embora ainda existam gargalos a superar

As estruturas de logística portuária da região Sul passam por um grande processo de expansão em meio ao crescimento nos volumes de exportação do agronegócio, sobretudo carnes e derivados de soja. Perspectivas promissoras para os embarques do setor dão base a planos de investimentos vultosos, embora ainda existam gargalos a superar. É o caso do terminal de contêineres de Paranaguá, no Paraná, que é líder em volume e capacidade na região Sul. A TCP é a administradora do terminal, que é o terceiro maior de contêineres do país. Desde março de 2018, a empresa integra o portfólio da China Merchants Port Holding Company (CMPort), investidora e operadora de portos públicos da China. A administradora prevê investir R$ 400 milhões no terminal de contêineres paranaense entre 2027 e 2028, com foco na compra de equipamentos portuários, tomadas e eletrificação de processos. “É quase uma preparação para a expansão futura da TCP. Um ciclo maior de investimento virá de 2028 a 2030”, afirma Romauro Santos Filho, diretor de desenvolvimento corporativo da TCP. Segundo o executivo, o plano é realizar um aporte de R$ 1,5 bilhão para atingir, em 2030, um aumento de 40% na capacidade do terminal, que hoje é de 1,8 milhão de TEUs (unidade de medida equivalente a um contêiner de 20 pés). O projeto está em fase final de avaliação da autoridade portuária e ainda passará por outras validações, como da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). “É um projeto que temos buscado para antecipar uma demanda futura”, diz. Segundo ele, estudos de mercado contratados pela empresa mostram que há tendência de crescimento “mais robusto” nas exportações de áreas de carnes, congelados, madeira, papel e celulose. Nos últimos oito anos, a movimentação de cargas do terminal cresceu, em média, 10% ao ano. As carnes e congelados representam 46% do total das exportações da TCP. Por isso, investimentos mais recentes, de R$ 500 milhões, já realizados, foram destinados à ampliação do número de tomadas para dar suporte aos contêineres refrigerados. A quantidade de tomadas saiu de 3,2 mil para 5,3 mil, e a previsão é chegar a cerca de 6 mil até o fim de 2027. “Aproximadamente um em cada três contêineres de carnes e congelados exportados pelo Brasil passa pelo terminal”, afirma o diretor da TCP. Em sua estratégia de expansão, a empresa também está atenta às limitações de capacidade observadas em outros complexos portuários brasileiros. Segundo Santos Filho, a TCP opera atualmente com ocupação inferior a 80%, enquanto terminais em Santa Catarina e no porto de Santos (SP) chegam a operar com taxas superiores a 90%. Para ele, a falta de capacidade pode se tornar um dos principais gargalos para o transporte marítimo de cargas no país, com impactos sobre a programação de navios e a formação de filas. Na avaliação de Darlan De David, diretor-presidente da empresa de logística portuária Rocha, o posicionamento do Brasil no mundo como grande exportador de alimentos, por si só, já torna importante o investimento em terminais. “No caso de Paranaguá, embora cresça menos que [os portos do] Arco Norte, ele continua sendo, junto com Santos, um dos dois maiores portos que escoam o agronegócio brasileiro. Essa demanda crescente faz com que invistamos em infraestrutura portuária para atender o agronegócio”, afirma David. A Rocha atua na operação, movimentação e armazenagem de cargas nos portos de Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC), Rio Grande (RS), Santana (AP) e Itaqui (MA). Em agosto, a companhia fez o carregamento do primeiro navio no novo Cais Oeste, no porto de Paranaguá. O terminal, que entrou em operação em julho, recebeu R$ 300 milhões em investimentos da companhia. “No ano passado, fechamos em 5,7 milhões de toneladas, só nas exportações de grãos em Paranaguá. Neste ano, estamos acrescentando mais 2 milhões de toneladas de capacidade de exportação”, afirma David, considerando as operações no cais leste e no cais oeste. Segundo ele, em 2026, a Rocha se tornou o operador logístico com a maior capacidade para exportação de grãos em Paranaguá. Além disso, depois de 13 anos, a empresa retomou as operações em São Francisco do Sul (SC), o que amplia as opções na importação de produtos para o agronegócio e para o mercado siderúrgico. Nesse cenário, a expectativa da Rocha é que a receita cresça 1,5% neste ano, para R$ 880 milhões. “O faturamento previsto é fruto de um crescimento de 16% no segmento de grãos, em contraponto a uma queda de 21% no faturamento do segmento de fertilizantes”, afirma o presidente. A Coamo Agroindustrial, maior cooperativa agrícola do país, também investe para escoar seus produtos além do porto de Paranaguá. Em parceria com a norueguesa Yara Fertilizantes, a Coamo planeja construir um terminal portuário em Itapoá (SC), que receberá investimento de R$ 3 bilhões. As obras devem começar em 2030, segundo o cronograma atual. “Começamos com os pedidos de licenciamento há cinco anos e acabamos de conseguir a licença prévia, que é a mais difícil, neste mês”, relata ao Valor o presidente executivo da cooperativa, Airton Galinari. Acreditamos que a licença de instalação venha com mais dois anos, que é quando, de fato, a gente pode fincar as estacas e iniciar a obra”, projeta.

GLOBO RURAL

 

Agroindústria teve recuo de 2,9% em julho

Indicador da FGV Agro mostra retração na maioria dos segmentos em relação a 2025. Indústria de alimentos de origem vegetal teve queda de 3,8% no período

 

A produção da agroindústria registrou contração de 2,9% em julho de 2026, em relação ao mesmo mês do ano passado, acompanhando a queda da atividade da indústria brasileira como um todo. O dado é do Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), elaborado pelo Centro de Estudos do Agronegócio da FGV (FGV Agro). O número é decorrência dos juros altos e do esgotamento do modelo de crescimento puxado pelo consumo das famílias, segundo o FGV Agro. A retração foi generalizada entre os diferentes segmentos agroindustriais, com poucas exceções. O pior desempenho foi registrado no ramo de produtos não alimentícios, que apresentaram uma queda conjunta de 4,5%. O segmento que puxou essa queda foi o de insumos agropecuários, cuja atividade registrou recuo de 20,8%. É uma indústria que vem sofrendo tanto com a restrição de crédito e de liquidez por parte dos produtores rurais como por dificuldades na obtenção e custos de insumos. Na comparação anual, os destaques foram as quedas na produção de insumos intermediários para fe4rtilizantes, adubos e fertilizantes, defensivos e tratores e máquinas agrícolas. Outra agroindústria que registrou retração foi a de produtos têxteis, cuja produção caiu 6,7% no mês. Nesse ramo, houve queda na produção de fibras, na tecelagem, na fabricação de tecidos de malha, de artefatos têxteis, de vestuário, de artigos de malha, de curtimento de couro e de calçados. Houve ainda queda de 0,1% entre as indústrias de produtos florestais, com menor fabricação de produtos de madeira e embalagens, ofuscando a alta do setor de papel e celulose. O desempenho do segmento de não alimentícios só não foi pior devido às performances das produções de biocombustíveis e de fumo, que cresceram 6,1% e 23,6%, respectivamente. As indústrias de biocombustíveis estão com produção aquecida com a maior safra de cana-de-açúcar e novas usinas de etanol de milho. O segmento de produtos alimentícios e bebidas, por sua vez, registrou uma queda agregada de 1,6% em julho, puxada pela menor produção de alimentos em geral (baixa de 2,6%), enquanto a produção de bebidas teve um aumento de 5%. A indústria de alimentos de origem vegetal foi a que teve o pior desempenho nesse setor, com queda de 3,8%, puxada pela redução na moagem de trigo e pela menor fabricação de açúcar refinado, já que a safra de cana-de-açúcar está mais voltada para a produção de etanol. Já a produção de alimentos como conservas e sucos, óleos e gorduras, arroz e café registraram expansão. As indústrias de alimento de origem animal tiveram retração de 1,7%, resultado da queda na produção de carne bovina e de pescados. Segundo o FGV Agro, o setor de carne bovina já deve ter começado a sentir em julho os impactos do preenchimento da cota chinesa de importação de 1,106 milhão de toneladas, que entraram no país sem a tarifa adicional de 55%. A China é o principal destino de exportação da carne brasileira. Já no segmento de bebidas, houve alta na produção tanto de bebidas alcoólicas com não alcoólicas, de 6,8% e 3,3% respectivamente. A despeito da retração generalizada na comparação anual, o FGV Agro observou que o desempenho da agroindústria em julho foi melhor do que no mês anterior. Mesmo considerando os ajustes sazonais, a atividade do setor cresceu 0,4% na comparação mensal. Mas, no acumulado do ano, a agroindústria já recuou 0,8%.

VALOR ECONÔMICO

 

ECONOMIA

 

Dólar fecha sessão sem gatilhos perto da estabilidade

O dólar fechou a sexta-feira próximo da estabilidade no Brasil, em paralelo à perda de força da moeda norte-americana ante outras divisas durante a tarde, em uma sessão sem gatilhos fortes para as cotações.

 

O dólar à vista encerrou a sessão com variação positiva de 0,11%, a R$5,1451. Na semana, a divisa acumulou alta de 0,39% e, no ano, baixa de 6,27%. Às 17h05, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- subia 0,36% na B3, aos R$5,1585. Na sexta-feira os investidores digeriram nova pesquisa do Datafolha mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 44% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os percentuais são os mesmos da pesquisa da semana anterior e indicam empate técnico, já que a margem de erro é de 2 pontos percentuais. No meio da manhã, o Banco Central vendeu US$1 bilhão em leilão de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) para 2 de abril de 2027. Com a operação, o BC deu liquidez ao mercado à vista em um momento de fluxo de saída de dólares do país, antes das eleições de outubro. Os dados mais recentes do BC mostram que em setembro até o dia 11 já saíram do Brasil US$5,987 bilhões líquidos, sendo que cerca de 90% foram pelo canal financeiro -- que reflete operações em carteira e remessas de lucros, entre outras. No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o BC vendeu 50.000 contratos de swap para rolagem do vencimento de 1º de outubro. No exterior o dólar sustentou ganhos ante boa parte das demais divisas durante a manhã, mas ao longo da tarde a moeda perdeu força, em movimento percebido também no Brasil. Às 17h08, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,06%, a 100,190.

REUTERS

 

Ibovespa fecha em queda e acumula primeira perda semanal desde agosto

O Ibovespa fechou com queda modesta na sexta-feira, acumulando a primeira perda semanal desde meados de agosto, com investidores ajustando apostas. No setor de proteínas, MINERVA ON avançou 4,46%, em sessão de recuperação após quatro quedas seguidas, período em que acumulou declínio de 7,75%. No setor, MBRF ON subiu 1,08%.

 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,41%, a 185.229,17 pontos, na sessão, acumulando um declínio de 1,06% na semana. No dia, alcançou 185.991,47 pontos na máxima. Na mínima, marcou 184.460,91. O volume financeiro somou R$38,37 bilhões, influenciado ainda pelo vencimento de opções sobre ações na bolsa paulista. Com o cenário eleitoral seguindo sob os holofotes, investidores também voltaram as atenções para eventos como o primeiro aumento de juros nos Estados Unidos desde 2023 e o corte na taxa Selic no Brasil nos últimos dias. Na visão do economista e CEO da Corano Capital, Bruno Corano, o investidor está recalibrando preços diante de fatores como mais incerteza eleitoral, preocupação fiscal, juros globais menos favoráveis. Na cena política, nova pesquisa publicada na noite de quinta-feira reforçou o quadro disputado na corrida presidencial no país. De acordo com o Datafolha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno na eleição presidencial de outubro, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) soma 44%. Os percentuais são os mesmos da semana passada e mantêm os candidatos em empate técnico, dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais, mostrou a pesquisa divulgada na noite de quinta-feira. Nessa semana, também trouxe desconforto quanto às perspectivas fiscais o anúncio do reajuste do Bolsa Família na véspera. No exterior, último pregão da semana registrou alta nos rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos, o que corroborou a fraqueza na bolsa paulista, enquanto o S&P 500 subiu 0,17%. Dados da B3 mostraram saída líquida de estrangeiros das ações brasileiras no último dia 16, reduzindo o saldo positivo acumulado em setembro para R$6,287 bilhões, de R$7,251 bilhões até o dia 15.

REUTERS

 

Segunda prévia sinaliza IGP-M de setembro próximo a 1,5%, diz André Braz, da FGV

Após cair 0,36% na segunda prévia de agosto, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 1,47% na segunda prévia de setembro, informou na sexta-feira (18) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Foi a maior taxa desde abril (2,64%). 

 

O desempenho foi impulsionado por aumentos de preços no atacado e no varejo, disse André Braz, economista da fundação. Para o técnico, a segunda prévia sinaliza um resultado próximo a 1,5% para o indicador completo do mês. Em agosto, o IGP-M caiu 0,22%. A variação de preços no atacado, 60% do indicador, foi o “carro-chefe” da edição de setembro do índice, comandando o aumento de preços, completou. Da segunda prévia de agosto para igual medição em setembro, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa o setor atacadista, saiu de uma queda de 0,50% para um avanço de 1,95%. Contribuíram para tal movimento os aumentos de preços nas principais commodities usadas para cálculo do indicador. É o caso de soja em grão (6,80%), minério de ferro (3,09%), carne bovina (4,92%), farelo de soja (10,08%) e milho em grão (4,37%). “Produtos agrícolas e industriais igualmente avançaram [de preço]”, resumiu ele. “O IP está com pressão [inflacionária] bem espalhada”, notou. Outro segmento que impulsionou a segunda prévia de setembro foi o varejo, 30% do indicador. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) saiu de uma queda de 0,49% para uma alta de 0,47% entre a segunda prévia de agosto e igual prévia em setembro. Isso porque não se tem mais efeito de energia elétrica mais barata, fenômeno observado em agosto causado pelo “bônus de Itaipu”, comentou. Esse é um desconto automático, aplicado na conta de luz, que devolve aos consumidores excedentes financeiros gerados por operação da usina hidrelétrica binacional de Itaipu. Assim, a tarifa de energia elétrica residencial saiu de uma queda de 8% para uma alta de 8,68% da segunda prévia de agosto para igual prévia em setembro. Também contribuíram para o IPC maior altas de preços em condomínio residencial (1,70%), tomate (13,22%) e cigarros (7,80%), acrescentou. Como as influências que estão empurrando para cima a segunda prévia não devem sumir até o fim do mês, o especialista não descartou continuidade de aumentos de preços no período – contribuindo, assim, com a elevação do IGP-M de setembro. “Daqui até o fechamento, a taxa não deve mudar muito. O IGP deve fechar em torno de 1,5% como antecipa a segunda prévia”, afirmou.

VALOR ECONÔMICO

 

Governo vê dívida pública perto de 90% do PIB em 2029 e acima disso se perseguir piso da meta

Estimativas foram enviadas como informação complementar à proposta de Orçamento de 2027. Governo atribui piora ao cenário de juros mais altos e diz manter compromisso com busca de superávit

 

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revisou suas projeções de dívida pública e agora vê o indicador perto dos 90% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2029, ou até acima desse patamar caso o resultado das contas fique no piso inferior da meta fiscal nos próximos anos. As novas estimativas constam nas informações complementares do PLOA (Projeto de lei Orçamentária Anual) de 2027, encaminhadas ao Congresso na sexta-feira (18). O documento reúne demonstrativos, planilhas e dados que dão suporte à peça orçamentária. Pelos cálculos do Tesouro Nacional, o próximo mandato de presidente da República também será marcado pela alta no endividamento, ainda que menos intensa do que o observado na atual gestão. Segundo as projeções, a DBGG (dívida bruta do governo geral), um dos principais indicadores de solvência de um país, deve subir seis pontos percentuais nos próximos quatro anos, chegando a 89,7% do PIB em 2030. Um ano antes, o endividamento já encosta nos 90% do PIB, com uma estimativa de 89,6% do PIB. O atual mandato de Lula deve se encerrar com uma expansão de 12 pontos percentuais na dívida bruta, que fechará o ano em 83,7% do PIB, segundo as novas previsões. A equipe econômica atribui a piora dos últimos anos à regularização de despesas represadas no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como as sentenças judiciais (precatórios), e à alta na taxa básica de juros, a Selic, que afeta diretamente a remuneração de metade dos títulos de dívida emitidos pelo governo. O cenário projetado pelo Tesouro é mais desfavorável que o traçado pelo órgão no fim de junho, no RPF (O Relatórios de Projeções Fiscais). Naquela ocasião, a previsão era que a DBGG alcançasse o pico de 87,9% do PIB em 2029. Procurado, o Ministério da Fazenda disse que a revisão se deve à incorporação de taxas de juros mais altas ao cenário para os próximos anos. "Não houve alteração relevante nas hipóteses fiscais. Em particular, a mudança não decorre de aumento das despesas primárias nem de qualquer flexibilização do compromisso fiscal do governo federal", afirmou.

FOLHA DE SP

 

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