CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1192 DE 14 DE SETEMBRO DE 2026

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1192 | 14 de setembro de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Semana fechou com boi futuro acima de R$ 380/@
O mercado físico do boi gordo fechou a semana com poucos negócios, o que resultou em estabilidade nos preços da arroba na maioria das praças brasileiras, informam as consultorias que acompanham diariamente o setor pecuário. No PARANÁ: Boi: R$ 360,00. Vaca: R$ 335,00 Novilha: R$ 345,00 Escalas: cinco dias. Boi China: PARANÁ: R$ 353,00/@ (à vista) e R$ 357,00/@ (prazo).
Pelos dados da Scot Consultoria, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 345/@ em São Paulo, enquanto o “boi-China” está apregoado em R$ 350/@ (valores brutos, no prazo). Olhando para o mercado futuro, um novo patamar foi atingido este mês: pela primeira vez na história, os contratos do boi gordo superaram o patamar de R$ 380/@, destaca o zootecnista Rodrigo de Mundo, analista da Scot Consultoria. “O movimento reflete principalmente a expectativa de oferta mais restrita de bovinos terminados no último trimestre, em um período de entressafra, além das perspectivas de melhora da demanda externa”, relata Rodrigo. Na avaliação do analista, com o mercado futuro negociando com ágio superior a R$ 30/@ em relação ao físico – em alguns vencimentos –, o cenário abre uma oportunidade para o pecuarista. “Para quem terá boiadas prontas nos próximos meses e encontra boa margem nesses valores, o momento permite avaliar o travamento antecipado de parte da produção, reduzindo o risco de uma queda da arroba até a comercialização”, sugere ele, que pondera: “Isso não significa que o mercado físico necessariamente chegue aos mesmos patamares.” Para o curto prazo, prevê Rodrigo, “a tendência é de um mercado firme, mas é importante ficar atento ao escoamento da carne”. Em agosto/26, o volume exportado de carne bovina in natura atingiu 195,7 mil toneladas, com uma média diária de embarques de 9,3 mil toneladas, queda de 27,1% em relação ao volume embarcado no mesmo período de 2025. Apesar dessa queda de desempenho, de janeiro a agosto, o Brasil exportou 1,9 milhão de toneladas, volume 4,7% maior que no acumulado de 2025. O preço médio da tonelada embarcada ficou em US$ 6,2 mil em agosto/26, avanço de 10,1% na comparação feita ano a ano. No entanto, o faturamento, apesar da alta no preço da tonelada da carne, foi 19,7% menor do que em agosto de 2025 e somou US$1,2 bilhão, reflexo do menor volume embarcado. Cotações do boi gordo, conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: seis dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: nove dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: cinco dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: oito dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 345,00. Boi China/Europa: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: seis dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: seis dias. PARÁ: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: cinco dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 335,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: oito dias. MARANHÃO: Boi: R$ 345,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: sete. Preços brutos do “boi-China”, de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 341,00/@ (à vista) e R$ 345,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 331,50/@ (à vista) e R$ 335,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 343,00/@ (à vista) e R$ 347,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 334,50/@ (à vista) e R$ 338,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 341,00/@ (à vista) R$ 345,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 336,50/@ (à vista) e R$ 340,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 328,50/@ (à vista) e R$ 332,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 339,50/@ (à vista) e R$ 343,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 336,50/@ (à vista) e R$ 340,00/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
Confinamento: custo alimentar cai 9,38% no Centro-Oeste em ago/26, diz ICAP/Ponta Agro
Custo em agosto foi de R$ 11,89 por cabeça/dia, o segundo menor valor de toda a série histórica
Em agosto/26, a queda do custo alimentar não foi suficiente para garantir maior lucratividade no confinamento do Centro-Oeste. Segundo o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), o custo alimentar recuou 9,38%, para R$ 11,89 por cabeça/dia, segundo menor valor de toda a série histórica. O ICAP é calculado a partir de dados de confinamentos monitorados por tecnologias da consultoria Ponta Agro. Segundo a empresa, o maior tempo de cocho, que passou de 99 para 107 dias, e a menor produção, de 8,08 para 7,81 arrobas por animal, contribuíram para elevar o custo da arroba produzida no Centro-Oeste em 11,07%, para R$ 200,61, e reduzir a lucratividade em 13,63%, para R$ 983,18 por cabeça. “A queda foi puxada principalmente pela dieta de terminação, que recuou 8,45%, para R$ 1.022,62/t MS, maior alívio mensal de 2026 na região. Os proteicos ficaram 24,85% mais baratos na ponderação e o DDG atingiu o menor preço do ano. Com isso, pela primeira vez desde fevereiro, a dieta de terminação do Centro-Oeste ficou mais barata que a do Sudeste, onde o custo foi de R$ 1.046,27/t MS (-1,96%)”, detalha a análise. A redução do custo alimentar, porém, não se traduziu em maior lucratividade no Centro-Oeste: o lucro da arroba produzida recuou 13,63%, para R$ 983,18 por cabeça, influenciado pelo maior tempo de cocho, menor produção de arrobas e maior participação dos demais custos. No Sudeste, diz a Ponta Agro, o movimento foi inverso, com alta de 1,59%, para R$ 1.163,88 por cabeça, maior resultado desde abril. No Centro-Oeste, o custo da dieta encerrou agosto 9,77% abaixo da média do trimestre maio-julho, com forte contribuição dos proteicos e energéticos. Segundo a Ponta Agro, o avanço da safrinha ainda mantém importantes ingredientes abaixo da média recente, enquanto a maior participação de fontes proteicas de menor custo também favoreceu a composição da dieta. Energéticos: -4,99% Proteicos: -25,40%. Volumosos: +19,45%. Outros: -5,79%. Nos energéticos, o milho grão seco opera 11,9% abaixo da média trimestral, apesar da reação de preço registrada em agosto. Polpa cítrica (-9,3%) também contribuiu para o alívio. Entre os proteicos, o farelo de algodão está 36,7% abaixo da média, enquanto o maior peso do WDG — fonte proteica de menor custo — ajudou a intensificar a redução da categoria. Os volumosos seguiram na direção contrária, operando 19,45% acima da média trimestral, com destaque para silagem de milho (+10,9%), feno (+14,9%) e silagem de mombaça (+23,1%). Ainda assim, por serem componentes de menor custo relativo, a pressão não anulou a redução da dieta total. No Sudeste, o custo da dieta encerrou agosto 5,04% abaixo da média do trimestre maio-julho, com os volumosos exercendo a principal pressão de baixa. Energéticos também permaneceram abaixo da média, enquanto os proteicos apresentaram leve alta. Energéticos: -2,86%. Proteicos: +1,51%.
Volumosos: -12,53%. Outros: -19,85%. Nos energéticos, polpa cítrica (-6,1%) e sorgo grão seco (-5,3%) ajudaram a reduzir o custo da categoria, enquanto o milho ainda opera 16,8% acima da média trimestral. Entre os proteicos, caroço de algodão (+10,6%), farelo de amendoim (+13,3%) e DDG (+3,1%) exerceram pressão de alta. Nos volumosos, a queda de 12,53% está relacionada principalmente ao avanço do bagaço de cana no mix das dietas durante a safra canavieira. “Mesmo com seu preço unitário acima da média trimestral, o ingrediente segue como o volumoso mais barato e difundido na região, contribuindo para reduzir o custo ponderado da categoria”, relata o comunicado da Ponta Agro.
PORTAL DBO
Missão da China para avaliar frigoríficos chegou ao Brasil no domingo
Uma missão de autoridades sanitárias da China chega ao Brasil nos próximos dias para avaliar o sistema brasileiro de controle de produtos de origem animal. A auditoria começou no domingo (13), segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e deve passar por três frigoríficos brasileiros, apurou a CNN.
As unidades selecionadas são o frigorífico da JBS em Vilhena (RO), da Minerva em Rolim de Moura (RO) e da Marfrig em Promissão (SP). A avaliação terá caráter predominantemente técnico e deve servir para verificar, na prática, os controles adotados pelo Brasil. A missão ocorre em um momento de maior atenção das autoridades chinesas aos procedimentos sanitários brasileiros. Ao longo deste ano, a China suspendeu temporariamente a habilitação de diferentes frigoríficos após identificar resíduos em cargas destinadas ao país asiático. Em maio, três unidades, da JBS, Prima Foods e Frialto, foram suspensas após a identificação de resíduos de acetato de medroxiprogesterona, um hormônio sintético proibido no país asiático. A China também suspendeu, em abril, uma unidade da SulBeef, em Várzea Grande (MT), pelo mesmo tipo de ocorrência. No fim de maio, a China suspendeu ainda as importações da unidade da JBS em Vilhena (RO), após a identificação de progesterona em cargas exportadas pelo frigorífico. Com a medida, chegou a cinco o número de plantas brasileiras com restrições naquele momento. Segundo André de Paula, a expectativa brasileira é que o processo possa resultar tanto na reabilitação de unidades que foram temporariamente retiradas da lista de exportadores quanto na habilitação de novos estabelecimentos. “Esperamos reabilitar algumas plantas que foram temporariamente descredenciadas e habilitar novas plantas”, disse o ministro à CNN. De Paula citou inspeções feitas por Japão, Coreia do Sul e União Europeia para concluir que o país tem obtido resultados favoráveis nos processos sanitários. Ele pontuou ainda que a visita pode ampliar o cardápio de produtos oferecidos, como miúdos. Em maio a China reconheceu o Brasil como livre da febre aftosa sem vacinação, o que amplia as possibilidades para o mercado do gigante asiático. “Há perspectiva de anúncios muito positivos na área de miúdos. Estamos otimistas que essa auditoria seja, a exemplo das outras, coroada de êxito. Isso acentua que o Brasil hoje é referência no que diz respeito à sanidade animal.” O resultado da missão, porém, não deve ser confundido com uma retomada automática das exportações de todas as unidades avaliadas. Depois da inspeção, ainda há etapas técnicas e administrativas que precisam ser cumpridas pelas autoridades chinesas. Para o setor, a importância da auditoria vai além das três plantas que serão visitadas. Uma avaliação positiva reforçaria a confiança no sistema brasileiro e poderia ajudar a destravar processos de reabilitação e habilitação de estabelecimentos para o mercado chinês. A missão ocorre em um momento de mudança importante no comércio de carne bovina entre Brasil e China. Segundo a Secex o Brasil exportou 2,2 milhões de toneladas de carne bovina entre janeiro e agosto, alta de 5,3% na comparação com o mesmo período de 2025. A receita chegou a US$ 12,79 bilhões, crescimento de 21,7%. Apesar do resultado positivo no acumulado do ano, agosto marcou uma forte desaceleração. Os embarques totais somaram 233,5 mil toneladas, queda de 22,2% em relação ao mesmo mês de 2025. O principal fator foi a China. O país recebeu 18,9 mil toneladas de carne bovina brasileira em agosto, uma queda de 88,2% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado de janeiro a agosto, entretanto, os chineses continuam na liderança, com 899,2 mil toneladas e US$ 5,51 bilhões em compras. O mercado respondeu por 40,8% de toda a carne bovina brasileira exportada no período. A redução dos embarques está relacionada ao esgotamento da cota tarifária estabelecida pela China para a carne bovina brasileira. Com o limite atingido, o produto que excede a cota fica sujeito a uma tarifa adicional, o que reduz a competitividade da carne brasileira no mercado chinês.
CNN BRASIL
SUÍNOS
PR: preço da carne suína cai enquanto bovina fica mais cara
Abate de suínos cresce e preços recuam no varejo
O aumento da oferta de suínos no segundo trimestre de 2026 já começa a aparecer nos preços da carne no varejo. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram abatidos 15,6 milhões de animais no período, com produção de 1,49 milhão de toneladas de carne, enquanto no Paraná cortes como paleta e pernil acumulam queda superior a 20% em um ano. Segundo dados divulgados pelo IBGE, o volume de abates no segundo trimestre de 2026 ficou cerca de 500 mil cabeças e 70 mil toneladas de carne acima do registrado no mesmo período de 2025. O avanço na disponibilidade de animais vem influenciando o comportamento dos preços da carne suína no varejo. No Paraná, os efeitos já aparecem nas cotações dos principais cortes acompanhados pela pesquisa estadual. Segundo dados divulgados pelo Departamento de Economia Rural (Deral), na pesquisa de preços no varejo de agosto, a paleta e o pernil com osso acumulam quedas superiores a 20% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Os dois cortes foram comercializados, em média, por R$ 14,15 por quilo no Paraná. O cenário de maior oferta ocorre ao mesmo tempo em que a carne bovina registra valorização ao longo do ano. Com movimentos diferentes entre as duas proteínas, a diferença de preços tem aumentado e pode influenciar as escolhas dos consumidores. Alguns cortes bovinos estão atualmente 22% mais caros do que há um ano. Com isso, a carne suína ganha espaço como alternativa mais atrativa para o consumidor diante da diferença de preços entre as proteínas. O avanço dos abates, portanto, amplia a disponibilidade de carne suína no mercado e contribui para o cenário de preços mais baixos observado no varejo paranaense. Ao mesmo tempo, a valorização da carne bovina aumenta a distância entre os preços das duas proteínas. Para o consumidor, essa combinação torna a carne suína uma opção relativamente mais competitiva. O comportamento dos preços ao longo dos próximos períodos dependerá da relação entre a oferta de animais, a disponibilidade de carne e o comportamento da demanda. No cenário apresentado pelos dados de abates e preços, a maior oferta de suínos já se reflete nas cotações de alguns cortes.
AGROLINK
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
BNDES APROVA R$ 1,3 BI PARA COOPERATIVAS DO PARANÁ NO SEMESTRE
O crédito do banco de desenvolvimento disparou no Paraná e colocou as cooperativas no centro das atenções.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 1,3 bilhão em crédito para cooperativas de produção do Paraná no primeiro semestre de 2026. O montante integra um movimento mais amplo de expansão do crédito do banco no Estado, que somou R$ 13,2 bilhões em aprovações para todos os setores da economia paranaense — alta de 93% em relação aos R$ 6,84 bilhões do mesmo período de 2025. Entre os projetos financiados está o da Cooperativa Central Aurora Alimentos, que receberá R$ 50 milhões para adquirir uma nova central de refrigeração e construir um túnel de congelamento contínuo em Castro (PR). O investimento total da obra é de R$ 74,52 milhões e deve ampliar a capacidade da cooperativa de comercializar produtos de maior valor agregado.
Cooperativa | Projeto | Crédito BNDES | Investimento total |
Coamo | Planta de etanol em Campo Mourão (280 milhões de litros/ano e 186 mil t de DDG) | R$ 500 milhões | R$ 1,66 bilhão |
Cooperativa Central Aurora Alimentos | Central de refrigeração e túnel de congelamento em Castro | R$ 50 milhões | R$ 74,52 milhões |
Cocamar | Armazém de farelo de soja em Maringá (45 mil t) | R$ 25 milhões | R$ 51,56 milhões |
Copacol | Dois silos metálicos em Assis Chateaubriand | R$ 37 milhões | R$ 38,96 milhões |
Os números foram apresentados em um encontro na sede do Sistema Ocepar, em Curitiba, com a participação do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, que recebeu de representantes do cooperativismo paranaense um documento com demandas do setor.
Na ocasião, Mercadante defendeu o modelo cooperativista como caminho de crescimento para produtores de menor porte: “A cooperativa é um modelo de produção muito avançado. Porque o cooperativado é sócio e aporta capital. Ele corre riscos, ele acompanha o resultado. O produtor fiscaliza, pois quer ver qual é a sobra (lucro). […] Principalmente para os pequenos, muitas vezes a única forma de avançar é através da cooperativa.” O crédito às cooperativas é parte de um cenário de forte expansão do BNDES no Paraná como um todo. Veja como se distribuíram as aprovações do banco no Estado por setor:
Setor | Aprovações 1º semestre 2026 |
Infraestrutura | R$ 4,99 bilhões |
Agropecuária | R$ 4,05 bilhões |
Indústria | R$ 2,45 bilhões |
Comércio e serviços | R$ 1,73 bilhão |
As micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) paranaenses responderam por R$ 8,3 bilhões do total aprovado, um salto de 130% frente aos R$ 3,6 bilhões do mesmo período de 2025. Já os grandes projetos de infraestrutura concentraram parte relevante dos recursos: a EPR Iguaçu receberá R$ 9,2 bilhões para intervenções em 662 quilômetros de rodovias nas regiões Oeste e Sudoeste do Estado, enquanto a EPR Litoral Pioneiro terá R$ 6,3 bilhões para obras em uma rodovia usada por cerca de 42 milhões de passageiros por ano — projeto que deve gerar aproximadamente 550 empregos diretos e 1 mil indiretos. O movimento não se restringe ao Paraná. Na Região Sul como um todo, as aprovações do BNDES somaram R$ 36,67 bilhões no primeiro semestre, alta de 90,2% sobre os R$ 19,28 bilhões do mesmo período de 2025. A infraestrutura liderou com R$ 14,33 bilhões, seguida pela agropecuária, com R$ 12,57 bilhões, indústria (R$ 5,63 bilhões) e comércio e serviços (R$ 4,13 bilhões). As MPMEs da região concentraram R$ 26,79 bilhões das aprovações — avanço de 119% ante R$ 12,23 bilhões um ano antes —, enquanto os desembolsos efetivos do banco na Região Sul chegaram a R$ 24,43 bilhões, contra R$ 19,77 bilhões no primeiro semestre de 2025.
O PRESENTE RURAL
ECONOMIA
IPCA cai 0,32% em agosto, mais que o esperado
A queda de agosto foi mais intensa que a mediana das projeções de 32 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, de 0,28% de recuo
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,32% em agosto, após alta de 0,07% em julho, IPCA cai 0,32% em agosto, mais que o esperado segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é a maior deflação mensal em quatro anos, desde agosto de 2022 (-0,36%). Quando se considera apenas os meses de agosto, o ano de 2022 também é o marco de menor taxa. A maior influência para a queda no oitavo mês de 2026 foi da retração de 7,63% do preço da energia elétrica, o que representou -0,33 ponto percentual. Pelas contas do gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, o IPCA teria subido 0,01% em agosto se fosse retirada a influência da energia elétrica e o peso do produto fosse redistribuído para os demais. A queda de agosto foi mais intensa que a mediana das projeções de 32 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, de recuo de 0,28%. O resultado ficou dentro do intervalo das projeções, que eram de baixa entre 0,38% e 0,22%. No acumulado do ano, até agosto, o IPCA subiu 3,11%. Nos 12 meses até agosto, o IPCA aumentou 4,22%, abaixo dos 4,44% até julho. Pela mediana das projeções do Valor Data a taxa esperada era de 4,26%. As estimativas variavam entre 4,16% e 4,33%. O resultado dos 12 meses até agosto ficou abaixo do teto da meta inflacionária estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e perseguida pelo Banco Central (BC). A meta de inflação é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. Pelos novos parâmetros, da meta contínua de inflação, o IPCA ultrapassa o alvo se a inflação em 12 meses permanecer acima de 4,5% por seis leituras seguidas. Das nove classes de despesas usadas para cálculo do IPCA, alimentação e bebidas reduziram o ritmo de baixa (de -0,67% para -0,34%) enquanto subiram mais artigos de residência (de 0,07% para 0,64%) e despesas pessoais (de 0,22% para 1,30%). Houve mudança de rumo em vestuário (de -0,66% para 0,12%) e educação (de -0,03% para 0,47%), assim como em habitação (de 0,99% para -1,87%), transportes (de 0,05% para -0,86%) e comunicação (de 0,04% para -0,09%). Saúde e cuidados pessoais avançaram menos (de 0,40% para 0,23%). Os preços de habitação, transportes e alimentação tiveram um impacto de 0,53 ponto percentual negativo na taxa do IPCA de agosto. Por outro lado, o cigarro foi a principal pressão para cima, com alta de 19,59% e impacto de 0,11 ponto percentual. Os três grupos registraram deflação em agosto. Os preços de habitação caíram 1,87%, com influência de 0,29 ponto percentual negativo. O movimento reflete a queda de 7,63% da energia elétrica, a maior intensa para um mês de agosto desde o Plano Real. O item respondeu, individualmente, por 0,33 ponto percentual negativo do IPCA geral. Isso é reflexo da incorporação do bônus de Itaipu, que é uma espécie de crédito que considera a conta de comercialização de energia da usina hidrelétrica. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a distribuição de R$ 872 milhões a título de bônus de Itaipu para reduzir a conta de luz de consumidores residenciais. Os descontos foram aplicados nas faturas emitidas entre 1º e 31 de agosto. Em transportes, o recuo de 0,86% reflete as quedas de 13,17% nas passagens aéreas e 0,91% nos combustíveis, com baixa no etanol (-3,95%), óleo diesel (-0,80%) e gasolina (-0,59%). Em alimentação e bebidas, foi o terceiro mês seguido de deflação em alimentos. As principais quedas em agosto vieram de batata-inglesa (-19,89%), cenoura (-11,22%), cebola (-11,07%), tomate (-10,94%), ovo de galinha (-4,15%) e café moído (-1,86%). De acordo com o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, o clima favorável de agosto ajudou a produção de alimentos, com aumento de oferta e preços mais baixos para o consumidor. “O resultado geral do IPCA em agosto é uma composição. Houve queda de energia elétrica, recuo de alimentos importantes na cesta famílias e passagens aéreas e combustíveis vieram negativos [com recuo de preços]. Pelo outro lado, tivemos a alta do cigarro”, disse. O Índice de Difusão, que mede a proporção de bens e serviços que tiveram aumento de preços num período, passou de 49,6% em julho para 54,4% em agosto, segundo cálculos do Valor Data considerando todos os itens da cesta. Sem alimentos, um dos grupos considerados mais voláteis, o indicador passou de 51,7% em julho para 56% no mês passado.
VALOR ECONÔMICO
Dólar sobe com mercado em busca de proteção antes de novas revelações do caso Master
O dólar ganhou força ante o real durante a tarde e fechou a sexta-feira em alta, após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, dar 24 horas para que o ministro André Mendonça retire o sigilo de todos os documentos das investigações do caso Master.
O receio de que isso traga a público mais informações sobre o escândalo envolvendo o filme Dark Horse, atingindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), deu força ao dólar, com investidores fazendo "compras de proteção" antes do fim de semana. O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,47%, a R$5,1252. Na semana, a divisa acumulou baixa de 0,09% e, no ano, queda de 6,63%. Às 17h04, o dólar futuro para outubro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- subia 0,36% na B3, aos R$5,1460. Fachin acatou pedido da Procuradoria-Geral da República e determinou que Mendonça retire o sigilo de todos os documentos dos inquéritos do caso Master, deixando de fora apenas informações de diligências ainda em curso que, se tornadas públicas, podem prejudicar as investigações. No mercado, a percepção era de que o fim do sigilo pode atingir a popularidade de Flávio, hoje o principal oponente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa eleitoral pelo Planalto. Anteriormente, um áudio em que Flávio pede dinheiro a Daniel Vorcaro, ex-dono do banco Master, para supostamente financiar o filme Dark Horse já havia causado estragos na candidatura do senador. O filme conta a história do pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado. Na noite da sexta-feira, também será divulgada a nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial. "Tem pesquisa para sair, tem o fim de semana, e ninguém sabe o que vem por aí. Então os agentes do mercado se protegem um pouco", comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, ao justificar a busca por dólar antes do fim de semana. Outros dois profissionais ouvidos pela Reuters confirmaram que a possibilidade de Flávio ser impactado pela quebra de sigilo, além da expectativa antes da nova pesquisa eleitoral, trouxe cautela para os negócios. No exterior, o dia foi marcado pela divulgação dos números de inflação nos EUA e pelo recuo do petróleo Brent, ainda que o preço do barril seguisse próximo dos US$105.
REUTERS
Ibovespa recua na sessão com inflação nos EUA e caso Master no radar
O Ibovespa fechou em queda na sexta-feira, enfraquecido por dados de inflação nos Estados Unidos e notícias sobre as investigações envolvendo o Banco Master e o senador Flávio Bolsonaro.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,56%, a 187.206,89 pontos, após marcar 188.586,47 na máxima e 186.207,69 na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somava R$25,06 bilhões. Na semana, encurtada pelo feriado na segunda-feira, o Ibovespa acumulou uma alta de 1,11%, apoiado em fluxo de estrangeiros e pesquisas que mostraram uma disputa acirrada para a eleição presidencial em outubro. Dados mostrando aceleração da inflação nos Estados Unidos ampliaram as apostas de um aumento de juros na maior economia do mundo neste mês, o que referendou ajustes na B3 nesta sexta-feira. Excluindo alimentos e energia, o índice de preços ao consumidor norte-americano avançou 0,3%, ante acréscimo de 0,2% em julho e expectativa de elevação de 0,2%. Em contrapartida, no Brasil, o IBGE mostrou que o IPCA recuou 0,32% em agosto, a primeira deflação mensal em um ano, o que alimentou expectativas de que o Banco Central deve reduzir a taxa Selic para 13,75% na próxima semana. Brasília permaneceu no radar, após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirar os sigilos de parte dos inquéritos sobre o Banco Master, após um pedido neste sentido do presidente do Supremo, Edson Fachin. Os documentos mostraram que Mendonça abriu inquérito para investigar Flávio, candidato do PL à Presidência, em julho por supostos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no caso dos repasses feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse", a cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. À tarde, Fachin acatou pedido da Procuradoria-Geral da República e deu 24 horas para que Mendonça retire o sigilo de todos os documentos das investigações sobre o caso Master. E ressalvou que só devem ficar de fora da quebra de sigilo informações de diligências ainda em curso que, se tornadas públicas, podem prejudicar investigações. Na visão do chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, Gabriel Magno, as novas notícias envolvendo o Banco Master adicionaram um tom de cautela ao pregão. "O nome de Flávio estar conectado a estas investigações pode prejudicá-lo nas próximas pesquisas eleitorais, nas quais ele já vinha crescendo bem", avaliou. "Já vimos neste ano em outros momentos que a população está sensível com estes temas e, conforme as notícias saem, impactam bastante como o eleitor irá votar ao fim do primeiro turno e no segundo turno." O pregão fechou com agentes financeiros na expectativa de pesquisa Datafolha sobre o cenário eleitoral no país. Dados disponibilizados pela B3 ao longo da semana também reforçaram a percepção de retorno do capital externo para as ações brasileiras, com o saldo em setembro positivo em R$6,19 bilhões até o dia 9, com entrada líquida em todas as sessões do mês. No começo da semana, estrategistas elevaram a classificação do Brasil em seu portfólio de ações da América Latina para "overweight" ante "marketweight", avaliando que a desaceleração da atividade econômica e os menores riscos inflacionários podem abrir espaço para um ciclo de afrouxamento monetário mais intenso. "O impacto de uma política monetária mais branda deve levar os valuations das ações a níveis menos pressionados, superando os riscos de revisões negativas nos lucros, da desaceleração da demanda e, em certa medida, até mesmo das incertezas eleitorais", afirmaram em relatório a clientes, calculando a Selic em 11,25% no final de 2027, ante a previsão anterior de 12,75%. Na terça-feira, o Ibovespa chegou a superar os 189 mil pontos no melhor momento do dia pela primeira vez desde abril, mês marcado por recordes na bolsa paulista, quando o Ibovespa ensaiou atingir a marca inédita de 200 mil pontos.
REUTERS
IPCA: Inflação de serviços registra em agosto menor taxa desde janeiro de 2024
A inflação de serviços ficou em 0,03% em agosto, pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a menor taxa mensal desde janeiro de 2024 (0,02%).
Nos 12 meses até agosto, a inflação de serviços se situou em 5,47%, acima dos 4,22% do IPCA geral em igual período. No resultado de agosto, os principais impactos para baixo vieram de passagem aérea (-13,17%) e transporte por aplicativo (-4,57%). No caso do transporte por aplicativo, o resultado de agosto incorpora a variação tanto do mês quanto de julho. Segundo o gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, um erro no sistema do IBGE fez com que as variações regionais dos preços de julho repetissem as de junho. O problema só foi percebido após a divulgação do IPCA de julho. Posteriormente, portanto, o erro foi corrigido e os números desse item de agosto refletem o resultado acumulado de julho e agosto. “Não há revisão do índice de preços, mas os dados de agosto refletem o acumulado dos dois meses”, explicou. Por outro lado, os preços monitorados cederam 1,26% em agosto, após alta de 0,27% em julho. Nesse caso, a maior pressão para baixo veio de energia elétrica, com recuo de 7,63%. Também contribuíram para a deflação de monitorados em agosto a queda dos preços de gasolina (-0,59%) e de óleo diesel (-0,80%). Nos 12 meses até agosto, os preços monitorados acumulam alta de 4,42%. Os itens monitorados ou administrados são aqueles cujos preços são regulados por contratos ou por órgãos públicos e respondem menos à dinâmica de oferta e demanda da economia.
VALOR ECONÔMICO
POWERED BY
EDITORA NORBERTO STAVISKI LTDA
041 999368886 (whatsapp)


Comentários