CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1111 DE 20 DE MAIO DE 2026
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Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1111 | 20 de maio de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Boi gordo: pressão de baixa continua ativa
Segundo levantamento da Agrifatto, entre as 17 praças monitoradas diariamente, os preços da arroba recuaram em três delas: BA, ES e TO. No PARANÁ: Boi: R$ 345,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: oito dias. Boi China: PARANÁ: R$ 342,00/@ (à vista) e R$ 346,00/@ (prazo)
O mercado do boi gordo iniciou esta terça-feira (19/5) com poucos negócios, com uma parcela relevante dos frigoríficos fora das compras, ainda avaliando como irá se posicionar no mercado, informou a Scot Consultoria, referindo-se ao mercado de São Paulo. “As escalas de abate estão mais confortáveis, o que possibilita esse comportamento da indústria”, disse a Scot. Pelos dados da consultoria, no mercado paulista, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 348/@, o “boi-China” está valendo R$ 353/@, a vaca gorda é vendida por R$ 318/@ e a novilha terminada está apregoada em R$ 333/@ (valores brutos, no prazo).
Segundo levantamento da Agrifatto, entre as 17 praças monitoradas diariamente, os preços do boi gordo recuaram em 3 delas na terça-feira – nas regiões da Bahia, Espírito Santo e de Tocantins. Nas demais praças brasileiras, as cotações ficaram estáveis. O animal destinado ao mercado interno de São Paulo está cotado em R$ 350/@, enquanto o bovino com padrão-China vale R$ 355/@ (valores no prazo). Na média das outras 16 praças acompanhadas pela consultoria, a média da arroba recuou para R$ 337,15/@. “Apesar do crescimento da oferta de animais terminados, o mercado iniciou a semana em ritmo cauteloso, com os frigoríficos brasileiros menos ativos nas negociações e pecuaristas enfrentando maior dificuldade para sustentar as cotações em um ambiente de liquidez limitada”, observou a Agrifatto. De acordo com os analistas da Agrifatto, o avanço da safra de boi a pasto resultou na maior oferta de animais terminados e, consequentemente, possibilitou escalas de abate mais confortáveis entre os frigoríficos brasileiros, que hoje atendem, em média, a nove dias, na média nacional.
Além disso, o enfraquecimento no consumo doméstico de carne bovina a partir desta segunda quinzena do mês intensificou a pressão baixista sobre o mercado físico. Os analistas da Agrifatto dizem que, diante da atual conjuntura de mercado, não se descartam novos ajustes negativos nos preços da arroba até o fim do mês. No mercado futuro do boi gordo, os preços ficaram praticamente estáveis no pregão da segunda-feira (18/5), em relação ao fechamento de sexta-feira (15/5). O contrato com vencimento em julho/26 fechou a sessão de ontem negociado a R$ 338,20/@, com leve valorização de 0,16% em relação ao fechamento anterior.
Cotações do boi gordo da terça-feira (19/5), conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: nove dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 325,00. Boi China: R$ 325,00. Média: R$ 325,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: nove dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: oito dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: oito dias.
GOIÁS: Boi comum: R$ 325,00. Boi China/Europa: R$ 325,00. Média: R$ 325,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: nove dias. TOCANTINS: Boi comum: R $ 335,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: oito dias. PARÁ: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: sete dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 330,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: dez dias. MARANHÃO: Boi: R$ 345,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: oito dias. Preços brutos do “boi-China” na terça-feira (19/5), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 349,00/@ (à vista) e R$ 353,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 326,50/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$351,00/@ (à vista) e R$ 355,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 326,50/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 346,00/@ (à vista) R$ 350,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 328,50/@ (à vista) e R$ 332,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 313,50/@ (à vista) e R$ 317,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 336,50/@ (à vista) e R$ 340,00/@ (prazo)
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
ABRAFRIGO: Exportações de carne bovina aceleram em abril, mas proximidade do fim da quota chinesa preocupa
As exportações de carne e derivados de bovinos no mês de abril alcançaram valor mensal recorde para ano de 2026, com receitas de US$ 1,743 bilhão e crescimento de 28% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em volume, foram embarcadas 319,23 mil toneladas, crescimento de 4% no mesmo período comparativo.
Os dados, compilados pela ABRAFRIGO com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), mostram que o avanço dos preços internacionais segue impulsionando o desempenho do setor em ritmo superior ao crescimento físico dos embarques, refletindo movimentos de valorização da arroba do boi gordo e de valorização cambial. No acumulado do primeiro quadrimestre, as exportações totais alcançaram US$ 6,083 bilhões, crescendo 31% sobre o mesmo período do ano anterior, enquanto o volume total embarcado somou 1,146 milhão de toneladas (+9%). A carne bovina in natura, que representa 91% das exportações totais do setor, totalizaram US$ 5,552 bilhões entre janeiro e abril de 2026, resultado 35% superior ao do mesmo período de 2025, enquanto o volume embarcado foi de 952,74 mil toneladas (aumento de 15,43%). A China ampliou ainda mais sua liderança como principal destino das exportações brasileiras. Entre janeiro e abril, os chineses importaram 461.185 toneladas, avanço de 19,4%, sobre os resultados de 2025, enquanto as receitas cresceram 42,9%, alcançando US$ 2,693 bilhões. O país respondeu por 44,3% de toda a receita das exportações brasileiras do setor, frente a 40,6% em 2025. Considerando apenas as vendas de carne bovina in natura, a participação da China subiu para 48,5% de janeiro a abril de 2026, ante 45,85% do mesmo período do ano anterior. Estima-se que, até abril de 2026, o Brasil tenha comercializado o equivalente a aproximadamente 70% da sua quota de 1,106 milhão de toneladas, estabelecida em função de medidas de salvaguardas aplicadas pelo governo chinês às importações do produto. Restariam, dessa forma, em torno de 330 mil toneladas a serem exportadas livres da tarifa extraquota de 55%, o que significa algo como pouco mais de 2 meses de exportações brasileiras para a China, ou seja, maio e junho, em se mantendo a tendência de exportações dos últimos meses, conforme se pode observar no gráfico abaixo, o que tem gerado dúvidas e preocupações em toda a cadeia produtiva da carne bovina brasileira. As vendas de carne bovina in natura para os Estados Unidos, segundo maior mercado de exportação, cresceram 14,7% de janeiro a abril de 2026, em comparação ao mesmo período do ano anterior, somando US$ 814,57 milhões. O volume embarcado para aquele mercado cresceu 14,24% no mesmo período, totalizando 135,64 mil toneladas. Considerando toda a cesta de produtos e derivados bovinos, as vendas para os Estados Unidos alcançaram US$ 1,007 bilhão no primeiro quadrimestre de 2026 (+16,7%). O Chile teve uma das expansões mais consistentes entre os grandes mercados. As compras avançaram 24,1% em volume e 35% em faturamento, totalizando US$ 286,1 milhões. Já a Rússia voltou a ganhar relevância com o quarto lugar nas exportações brasileiras, com crescimento de 46,9% nos embarques (40.245 toneladas) e de 61,7% na receita, chegando a US$ 178,4 milhões. Na Europa, o destaque ficou com os Países Baixos, que consolidaram a 5a posição entre os maiores importadores, como importante porta de entrada da carne brasileira no continente. As exportações para o mercado holandês dispararam 319,7% em volume (28.883 toneladas) e 123,5% em faturamento, alcançando US$ 148,3 milhões. O país saltou da sétima para a quinta posição no ranking de compradores da carne bovina brasileira. O Oriente Médio também manteve trajetória positiva. O Egito ampliou as compras em 53% em valor, para US$ 130,4 milhões, enquanto os Emirados Árabes elevaram os desembolsos em 53,5%, atingindo US$ 92 milhões. No Sudeste Asiático, a Indonésia chamou atenção pelo crescimento explosivo: alta de 788,9% em volume (de 1.687 toneladas para 15.000 toneladas) e de 412,5% na receita, alcançando US$ 41 milhões. Na direção oposta, a Argélia registrou a maior retração entre os principais mercados. O faturamento das exportações caiu 59,4%, para US$ 54 milhões, reduzindo a relevância do país no ranking dos importadores. Também houve recuos em mercados tradicionais como Arábia Saudita, Reino Unido, Singapura e Espanha. O Extremo Oriente manteve ampla liderança como principal destino da proteína bovina brasileira. As exportações para a região somaram US$ 2,86 bilhões, alta de 43%, impulsionadas sobretudo pela demanda chinesa. O Sudeste Asiático também ganhou relevância, com crescimento de 33% na receita, enquanto a Europa Ocidental avançou 42%, beneficiada pela forte expansão das vendas aos Países Baixos. No total, 112 países aumentaram suas aquisições enquanto outros 52 reduziram suas compras do produto brasileiro.
ABRAFRIGO
CARNES
Abates de bovinos, suínos e frangos cresceram no primeiro trimestre
Aumentos foram na comparação anual; em relação ao quarto trimestre de 2025, houve recuos
No caso dos bovinos, o abate somou 10,29 milhões de cabeças no país no primeiro trimestre de 2026, aumento de 3,3% em comparação igual período de 2025. Os abates de bovinos, suínos e frangos no Brasil aumentaram no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. Já em comparação ao trimestre anterior, os três segmentos registraram recuos. As informações são das “Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro, e da Produção de Ovos de Galinha”, divulgadas na terça-feira (19/5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No caso dos bovinos, o abate somou 10,29 milhões de cabeças no país no primeiro trimestre de 2026, aumento de 3,3% em comparação igual período de 2025. Em relação ao quarto trimestre de 2025, houve queda de 6,8%. O abate de bovinos resultou em 2,63 milhões de toneladas de carcaças, um crescimento de 5,1% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e redução de 10,2% em relação ao quarto trimestre de 2025. A aquisição de couro, por sua vez, ficou estável no primeiro trimestre de 2026, ante igual período de 2025, para 10,76 milhões de peças inteiras de couro. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, esse número indica queda de 3,3% do volume recebido pelos curtumes. Os dados vêm de instalações que efetuam curtimento de pelo menos 5.000 unidades inteiras de couro cru bovino por ano. Segundo o IBGE, o abate de suínos cresceu 5,5% no Brasil no primeiro trimestre de 2026, ante igual período de 2025, para 15,27 milhões de cabeças. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, houve recuo de 0,1%. O peso acumulado das carcaças de suínos chegou a 1,37 milhão de toneladas no terceiro trimestre, com aumento de 2,6% em relação a igual período de 2025 e redução de 3% ante o quarto trimestre de 2025.
O abate de frangos no Brasil somou 1,71 bilhão de frangos no primeiro trimestre de 2026, o que representou aumento de 3,7% em relação a igual período de 2025. Frente ao quarto trimestre, houve redução de 0,4%. O peso acumulado das carcaças foi de 3,73 milhões de toneladas no segundo trimestre, com aumento de 7% em relação a igual período de 2025 e de 2,3% ante o quarto trimestre.
GLOBO RURAL
Exportações de proteínas animais avançam em maio
Dados da Secex mostram ritmo forte nos embarques de aves e carne suína, enquanto pescado registra desempenho mais moderado.
Segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), até a segunda semana de maio de 2026, os embarques de carnes de aves e miudezas comestíveis frescas, refrigeradas ou congeladas somaram 238,3 mil toneladas. A receita acumulada alcançou US$ 450,4 milhões no período, com média diária de US$ 45 milhões. O volume médio exportado diariamente pelo setor avícola ficou em 23,8 mil toneladas por dia útil. O preço médio pago pela proteína brasileira chegou a US$ 1.889 por tonelada, mantendo a carne de frango entre os produtos mais competitivos do mercado internacional. A carne suína também apresentou desempenho consistente nas exportações brasileiras ao longo da primeira metade de maio. Segundo os números da Secex, o setor embarcou 55,5 mil toneladas até a segunda semana do mês. A receita acumulada com os embarques de carne suína fresca, refrigerada ou congelada atingiu US$ 138,4 milhões. A média diária de faturamento ficou em US$ 13,8 milhões, enquanto o volume médio exportado alcançou 5,5 mil toneladas por dia útil. O preço médio da carne suína exportada pelo Brasil ficou em US$ 2.491 por tonelada. Entre as proteínas analisadas pela Secex, o pescado inteiro vivo, morto ou refrigerado registrou menor participação nos embarques brasileiros durante maio. Até a segunda semana do mês, o setor exportou 419,7 toneladas. A receita obtida com os embarques de pescado somou US$ 2,15 milhões no período. A média diária de faturamento ficou em US$ 215 mil, enquanto o volume médio embarcado alcançou 42 toneladas por dia útil. Mesmo com participação reduzida em comparação às carnes de aves e suína, o pescado apresentou preço médio mais elevado por tonelada. O valor médio negociado chegou a US$ 5.122 por tonelada.
SECEX/MDIC
SUÍNOS
Sistema FAEP avalia modelo de incentivo à suinocultura do MS
FAEP estuda modelo de incentivo sustentável à suinocultura do MS
Suinocultores do Mato Grosso do Sul (MS) podem obter incentivos financeiros com base no cumprimento de protocolos de sustentabilidade, produção, biossegurança e bem-estar animal. A bonificação acontece por meio do programa Leitão Vida, executado pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do MS (Semadesc). Detalhes foram apresentados na reunião da Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP, na segunda-feira (18), com o objetivo de analisar a possibilidade de implementação de iniciativa similar no Paraná. “Nosso Estado é destaque na produção de suínos, com cerca de 1 milhão de matrizes. É necessário pensarmos em políticas que valorizem o suinocultor, que o incentivem a elevar os padrões de produção e que disponibilizem recursos para investir em infraestrutura e inovação”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. Atualmente, o Paraná é vice-líder na produção de suínos no Brasil, com 12,9 milhões de animais abatidos em 2025, equivalente a 21% dos abates no país. Deborah de Geus, presidente da Comissão Técnica de Suinocultura do Sistema FAEP, diz que a reunião abriu portas para estudar a viabilidade técnica e prática do modelo sul-mato-grossense e entender como ele contribui para o desenvolvimento rural. “Vemos que o produtor utiliza essa verba para melhorar a própria atividade. Assim ele consegue se desenvolver e conquistar melhores resultados”, pontua. Para participar do programa, o suinocultor precisa cumprir uma série de requisitos classificados em seis pilares: sustentabilidade social, sustentabilidade econômica, sustentabilidade ambiental, biossegurança, bem-estar animal e produção. De modo geral, quanto mais critérios o produtor preencher, maior será a bonificação que ele receberá por cada animal abatido. A verificação do cumprimento dos protocolos é feita por meio de auditorias nas propriedades rurais. O procedimento fica sob responsabilidade da Associação Sul-mato-grossense de Suinocultores (Asumas), que emite os atestados de nível de qualificação. “O auditor faz a visita in loco, entra na granja, sempre respeitando o ciclo de visitas. O produtor acompanha a auditoria, e o responsável técnico também pode participar”, explica Renato Leandro Spera, presidente da Asumas. Lucas Ingold, diretor executivo da associação, diz que o incentivo tem o intuito de elevar o patamar da atividade pecuária no Estado. “Os produtores têm se empenhado em aprimorar seu status sanitário, governança e requisitos ambientais”, relata. Rômulo Gouveia, representante da Semadesc, celebra os frutos da ampla adesão ao Leitão Vida. “O programa está aí há 30 anos, provando que os produtores estão, de fato, sempre buscando implementar melhorias”, afirma.
FAEP
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Na China, ministro da Agricultura vai discutir cota de carne
André de Paula cumpre agenda com autoridades chinesas em sua primeira viagem internacional desde que assumiu o ministério: tratativas para a abertura de mercado para miúdos de suínos
Em sua primeira viagem internacional como ministro da Agricultura, André de Paula está na China, maior parceiro comercial do agro brasileiro, nesta semana. Ele terá reuniões em Pequim com autoridades sanitárias e do comércio chinês e tentará a flexibilização da cota de importação de carne bovina, para que o Brasil possa utilizar volumes não preenchidos por outros fornecedores, como Estados Unidos e Uruguai. A pauta inclui ainda tratativas para a abertura de mercado para miúdos de suínos, item mais avançado na negociação com os chineses neste momento. O Brasil pleiteia também concessões para miúdos e carne bovina com osso e do cálculo biliar — as pedras de vesículas dos animais que têm alto valor agregado e são cobiçadas pela medicina tradicional local. Também estão na mesa de negociação os reconhecimentos de todo o Brasil como zona livre de aftosa sem vacinação e de risco insignificante para o mal da vaca louca. O governo tenta ainda o aval chinês para a regionalização das medidas de embargo para a gripe aviária. Ao Valor, em Xangai, onde participou da inauguração do estande da Associação Brasileira das da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) na Sial, o ministro disse que espera passar uma mensagem ao governo chinês de continuidade nas negociações. “Não estamos em um novo governo, essa é uma passagem que tem a marca da continuidade”. O Brasil deve apresentar uma lista de quase 40 frigoríficos para pleitear novas habilitações. São empresas de carnes bovina, suína e de aves que já cumprem os requisitos técnicos do protocolo sanitário com a China e aguardam aval para iniciar embarques. O ministro acredita na possibilidade de novas habilitações ainda em 2026, apesar do cenário incerto e limitado por conta da cota para a carne bovina. Ele quer ampliar as habilitações para pequenos e médios frigoríficos e tentar o aval para a primeira planta do Nordeste, única região do país sem unidades autorizadas a comercializar carne bovina com os chineses. “Eu entendo que esse critério de prestigiar regiões que têm uma participação ainda discreta, pequena, faz diferença. Tenho a expectativa de que a gente possa avançar nesse sentido, prestigiando não apenas os grandes, com um olhar diferenciado para essa questão da regionalidade”, afirmou. “Todas as vezes em que uma planta é habilitada, é quase como uma marca temporal. A história passa a ser contada como antes e depois da habilitação”, completou o ministro. O Brasil tem 146 unidades habilitadas para exportação de carnes à China. Dessas, 67 são de carne bovina, 19 de carne suína e 59 de produtos avícolas, além de uma planta nordestina autorizada a exportar carne de cavalo, burro ou mula. Em 2024, os chineses habilitaram 38 frigoríficos brasileiros. A autorização mais recente, de novembro de 2025, foi para um entreposto de produtos avícolas da Aurora Alimentos em Santa Catarina. A cota para importação de carne bovina brasileira é de 1,1 milhão de toneladas em 2026, e mais de 50% já havia sido preenchida com os volumes que chegaram ao país até março. Em 2025, o Brasil vendeu quase 1,7 milhão de toneladas da proteína aos chineses. O pedido é para que Pequim possa redirecionar volumes de outros países que não sejam utilizados, estimado em 500 mil toneladas.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar à vista fecha em alta de 0,86%, a R$5,0416 na venda
O dólar fechou a terça-feira novamente em alta e próximo dos R$5,05, impulsionado pelo avanço da moeda norte-americana no exterior e pelo cenário político brasileiro, após nova pesquisa eleitoral mostrar queda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial.
Em novo episódio do escândalo do banco Master, Flávio Bolsonaro confirmou no início da tarde que se reuniu com o ex-dono da instituição, Daniel Vorcaro, em 2025, após o banqueiro ter sido preso pela primeira vez. dólar à vista fechou em alta de 0,86%, aos R$5,0416. No ano, a divisa passou a acumular queda de 8,15% ante o real. Às 17h04, o dólar futuro para junho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 1,01% na B3, aos R$5,0580. A sessão foi marcada pelo avanço do dólar em todo o mundo, influenciado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, mesmo depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, adiou um ataque militar planejado para a terça-feira. Trump afirmou que há “uma chance muito boa” de um acordo com o país na área nuclear, mas nesta terça-feira disse que os EUA podem precisar atacar o Irã novamente. O avanço no Brasil foi amplificado novamente pelo cenário político. Uma nova pesquisa Atlas/Bloomberg apontou pela manhã que as intenções de voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno da disputa pelo Planalto subiram de 46,6% para 47%, enquanto o percentual de Flávio Bolsonaro caiu de 39,7% para 34,3%. Nas simulações de segundo turno, Lula avançou de 47,8% para 48,9%, enquanto o senador caiu de 47,8% para 41,8%. A queda de Flávio Bolsonaro ocorre na esteira da publicação de reportagem do Intercept Brasil informando que o senador pediu R$134 milhões a Vorcaro para financiar um filme sobre a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado. A pesquisa Atlas ouviu 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 de maio. A primeira reportagem sobre a relação entre Flávio e Vorcaro foi publicada pelo Intercept Brasil na tarde do dia 13. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos. No início da tarde da terça-feira, Flávio admitiu que se reuniu pessoalmente com Vorcaro em São Paulo, após o banqueiro ter tido sua primeira prisão preventiva substituída pelo uso de tornozeleira, no final de 2025. "Quando surgem notícias que fortalecem a perspectiva de reeleição do presidente Lula, há um aumento na percepção de riscos fiscais para os ativos brasileiros e, consequentemente, uma maior exigência de prêmios de risco pelos investidores, movimento que tende a pressionar negativamente a moeda brasileira", disse pela manhã Leonel de Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da Stonex, em comentário escrito.
REUTERS
Ibovespa recua com exterior desfavorável e pesquisa eleitoral no radar
O sinal negativo prevalecia na bolsa paulista na terça-feira, com o Ibovespa chegando a trabalhar em níveis de janeiro, em meio a um ambiente externo desfavorável para o mercado brasileiro e com nova pesquisa eleitoral também no radar.
Por volta de 11h25, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caía 1,05%, a 175.122,46 pontos, mas chegou a 173.543,76 no pior momento, mínima intradia desde 22 de janeiro. O volume financeiro somava R$6,27 bilhões. Em abril, o Ibovespa superou pela primeira vez os 199 mil pontos durante o pregão do dia 14, alimentando expectativas de que romperia a marca inédita dos 200 mil pontos. Mas o fôlego arrefeceu, minado principalmente pela saída de estrangeiros da bolsa. De acordo com dados da B3, até o dia 15, o saldo de capital externo estava negativo em R$9,6 bilhões, excluindo ofertas de ações (follow-ons e IPOs). Abril ainda fechou com saldo positivo de quase R$3,2 bilhões - mas até o dia 15 eram R$14,6 bilhões. No ano, a bolsa ainda registra uma entrada líquida de R$46,9 bilhões. O Ibovespa, que chegou a acumular uma valorização de mais de 23% até meados de abril (considerando dados de fechamento), agora soma uma alta de menos de 9%. Embora uma parte da correção ditada pelo fluxo estrangeiro reflita uma rotação para ações de tecnologia no exterior, em movimento alinhado com outros emergentes, estrategistas também têm citado efeito da perspectiva de um ciclo de corte de juros mais lento do que anteriormente esperado no mercado. O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, disse nesta terça-feira que a autoridade monetária pretende manter os juros básicos em nível restritivo até que esteja convencida de que a inflação no país caminha em direção à meta de 3%. Os preços do petróleo recuavam nesta sessão, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter suspendido um ataque contra o Irã para permitir negociações para pôr fim à guerra no Oriente Médio. Mas o novo patamar das cotações da commodity tem alimentado preocupações com a inflação no mundo, incluindo o Brasil, mesmo com medidas recentes do governo para amenizar o impacto. O cenário eleitoral no país também é acompanhado e nesta sessão destacava a pesquisa Atlas/Bloomberg mostrando que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu terreno na disputa presidencial, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu vantagem. A maior parte do período da pesquisa, de 13 a 18 de maio, ocorreu após a publicação de reportagem sobre relações de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
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BC pretende manter Selic restritiva até inflação caminhar para a meta, diz diretor David
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, disse nesta terça-feira que a autoridade monetária pretende manter os juros básicos em nível restritivo até que esteja convencida de que a inflação no país caminha em direção à meta de 3%.
Em evento promovido pelo Santander, David voltou a afirmar que o BC se preocupa com a desancoragem das expectativas de mercado para períodos mais longos, especialmente 2028, que tendem a ser menos sensíveis a choques momentâneos. "O que mais nos preocupou foi o fato de as expectativas de inflação para 2028 subirem... o que dificulta nosso trabalho", afirmou. O mercado espera que a inflação fique em 3,65% ao fim de 2028, segundo o boletim Focus, acima do centro da meta de 3%, que tem uma tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. O BC cortou a Selic em 0,25 ponto percentual em abril, a 14,50%, em movimento que tem chamado de "calibração", com David reforçando que a autarquia terminará o ciclo de com juros ainda em nível restritivo. De acordo com o diretor, o conflito no Irã pegou o Brasil em uma situação melhor do que outros pares, com o país tendendo a ter um crescimento econômico maior do que o esperado por ser superavitário no comércio de petróleo. Ele ponderou, no entanto, que esse deve ser um crescimento mais restritivo do que em outros momentos porque deve se observar uma renda disponível menor das famílias diante do aumento de preços de alimentos e combustíveis. O diretor acrescentou que o nível de incerteza, ampliado com o início do conflito, impede o BC de indicar o que fará com a taxa Selic nas próximas reuniões. Para David, a atividade econômica no Brasil, que vinha rodando acima de seu potencial, agora está em patamar neutro --que tende a não pressionar a inflação.
O diretor afirmou que o conflito no Oriente Médio mudou preços relativos no mundo e isso pode ser transmitido para os índices de inflação. Ele defendeu que o BC não reaja a dados únicos ou mudanças pontuais de preços. "O Banco Central não vai atacar qualquer mudança nos preços que possa ocorrer devido ao conflito, mas também não vai tolerar que isso se transforme em inflação no futuro", disse. O diretor afirmou que as avaliações do BC são feitas com cautela e serenidade diante do elevado nível de incerteza no ambiente, ressaltando que a política monetária está funcionando. David disse ainda que o novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas do governo, traz mais uma camada de incerteza porque pode gerar efeitos distintos -- pessoas gastando mais após "limparem" seus nomes e pessoas com menos renda disponível porque vão gastar para quitar seus débitos. Na apresentação, ele tratou dos desafios enfrentados pelo BC nos últimos anos, citando a irrigação de recursos na economia com uma série de iniciativas, como o aumento do nível de crédito, a política de ganhos reais de salário-mínimo, o pagamento de precatórios represados e o maior nível de bancarização. David também citou preocupação apresentada por agentes de mercado de que o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda poderia pressionar a inflação e dificultar o trabalho do BC.
"Apesar das condições monetárias restritivas, vimos o Brasil crescer acima das expectativas ano após ano até o ano passado", disse o diretor.
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