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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1109 DE 18 DE MAIO DE 2026

  • prcarne
  • há 17 horas
  • 26 min de leitura

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 5 | nº 1109 | 18 de maio de 2026

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL 

 

Em uma semana, preço do boi gordo recua R$ 7/@ em SP, para R$ 348/@

Mercado segue pressionado pelo aumento da oferta de boiadas e pela retração do consumo interno; notícias envolvendo China, EUA e UE geram clima de incertezas. No PARANÁ: Boi: R$ 345,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: oito dias. Boi China: PARANÁ: R$ 343,00/@ (à vista) e R$ 347,00/@ (prazo)

 

A semana encerrou com queda de R$ 2/@ nos preços dos lotes de boi gordo (com ou sem padrão-exportação) negociados no interior de São Paulo, apontou a Scot Consultoria.

Com isso, o animal enviado ao mercado interno paulista fechou a sexta-feira (15/5) valendo R$ 348/@, enquanto as cotações dos bovinos com perfil para atender o mercado chinês recuou para R$ 353/@ (valores brutos, no prazo), de acordo com os dados da Scot. Pelos números da consultoria, no prazo de uma semana, ambas as categorias acumularam forte retração de R$ 7/@ na praça de São Paulo.  Em outras importantes praças do País, os preços da arroba também registraram quedas expressivas. Na avaliação dos analistas da Scot, a pressão sobre o preço da arroba veio da combinação entre oferta mais robusta de boiadas gordas e demanda interna enfraquecida. “Parte dos frigoríficos já compôs suas escalas de abate e se retirou das compras, negociando apenas lotes a preços mais vantajosos e aguardando para assumir nova posição no mercado”, observa a Scot. Entre as indústrias que seguem ativas nas compras no mercado físico, a maior disponibilidade de negócios proporciona mais flexibilidade nas negociações e permite compras em condições mais favoráveis, acrescenta a consultoria.

De acordo com apuração da Agrifatto, durante essa semana, a pressão baixista também alcançou Estados que vinham mostrando maior resistência, como Mato Grosso, Tocantins, Pará e Rondônia. Em Goiás e Minas Gerais, onde esse movimento de baixa já havia sido mais intenso em abril/26, o mercado entrou em certa acomodação, ainda com negócios abaixo das referências médias, o que segue favorecendo a ponta compradora. As incertezas geradas no mercado internacional ao longo da semana contribuíram para o fortalecimento do viés de baixa da arroba, relata o zootecnista Felipe Fabbri, analista da Scot. “Em uma semana, o mercado internacional de carne bovina ganhou o noticiário”, ressalta ele, citando primeiramente a informação do Ministério do Comércio da China (MOFCOM, na sigla em inglês), anunciou que o Brasil preencheu 50% da cota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina prevista para este ano. “Quando atingir 100%, as exportações brasileiras serão tarifadas em 55%”, relembra Fabbri. O início de cobrança da alta tarifa chinesa obrigará o setor exportador a trabalhar com maior cautela no mercado, o que pode afetar as negociações envolvendo boiadas gordas. Além disso, relata Fabbri, no começo da semana, o jornal Wall Street Journal noticiou que, visando auxiliar no controle da inflação da carne bovina no país, o governo de Donald Trump planeja facilitar as importações de carne bovina nos EUA, zerando as tarifas de modo temporário. No entanto, o governo Trump recuou da decisão após pressão da cadeia de produção local, mas até agora não foi noticiado nada oficial sobre o assunto, o que trouxe ainda mais incertezas ao mercado. Por fim, a União Europeia (UE) publicou, na terça-feira (12/5), uma lista de países autorizados a continuar exportando carne para o bloco, por causa das regras de controle do uso de antibióticos na pecuária, que entrarão em vigor a partir de setembro, deixando o Brasil de fora. “A medida pode ser revertida até lá, mas ‘chateou’ o mercado”, diz Fabbri. As exportações brasileiras de carne bovina seguem em ritmo forte, destacou o analista da Scot. Abril/26 foi recorde para o mês e, em maio/26, o fluxo de exportação disparou. Na primeira semana de maio/26, os embarques diários somaram 17,2 mil toneladas de carne bovina in natura – 65,5% mais do que a média de maio de 2025.

Cotações do boi gordo da sexta-feira (15/5), conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: nove dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 325,00. Boi China: R$ 325,00. Média: R$ 325,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: nove dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: oito dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: oito dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 325,00. Boi China/Europa: R$ 325,00. Média: R$ 325,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: nove dias. TOCANTINS: Boi comum: R $ 340,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: sete dias. PARÁ: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 330,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: dez dias. MARANHÃO: Boi: R$ 345,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: oito dias. Preços brutos do “boi-China” na sexta-feira (15/5), de acordo com levantamento da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 349,00/@ (à vista) e R$ 353,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 326,50/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$353,00/@ (à vista) e R$ 357,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 331,50/@ (à vista) e R$ 335,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 346,00/@ (à vista) R$ 350,00/@ (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 331,50/@ (à vista) e R$ 335,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 313,50/@ (à vista) e R$ 317,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 341,00/@ (à vista) e R$ 345,00/@ (prazo).

SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO

 

FRANGOS

 

Frango/Cepea: Exportações apresentam recordes históricos

Volume exportado em abril também é o maior da série para este mês

 

Os embarques de carne de frango no primeiro quadrimestre de 2026 foram os mais elevados da história, considerando-se a série da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), que se iniciou em 1997. O volume exportado em abril também é o maior da série para este mês. O Brasil enviou 1,94 milhão de toneladas de carne de frango ao mercado externo entre janeiro e abril de 2026, superando o recorde verificado até então, de 1,93 milhão de toneladas no último quadrimestre de 2025. Em abril, especificamente, o setor embarcou 486,5 mil toneladas, queda de 3,5% frente ao observado em março, mas alta de 2,2% em relação ao mesmo período do ano passado, e o maior volume para abril da série da Secex. Segundo o Cepea, a combinação de demanda aquecida e oferta controlada em algumas regiões manteve os preços da carne de frango em alta por mais uma semana. Para a segunda metade de maio, agentes consultados pelo Cepea indicam que a alta nas cotações pode perder força, visto que o poder de compra da população tende a diminuir à medida que o fim do mês se aproxima. Outros agentes, contudo, acreditam ainda haver margem para leves ajustes positivos, levando-se em consideração as condições de oferta e demanda de cada região. 

REUTERS

 

EMPRESAS

 

Possível redução de tarifas para carne bovina nos EUA seria 'BEM-VINDA’, diz National Beef, da MBRF

Retorno do Brasil à lista de exportadores à UE parece ser questão de validação de processo, diz Gularte 

 

O diretor presidente da National Beef — unidade de negócios de carne bovina da MBRF na América do Norte —, Tim Klein, disse a analistas na sexta-feira (15/05) que a possibilidade de o governo americano reduzir tarifas de importação de carne bovina aplicadas a diversos países seria “bem-vinda”. Em teleconferência de resultados sobre o primeiro trimestre de 2026, Klein explicou que a medida ajudaria a empresa a elevar o percentual de carne magra de alguns produtos, como a carne moída, hoje vendida nos Estados Unidos a preços elevados em função da persistente escassez de gado bovino para abate no país. “Importar aparas magras [de carne] de outros países nos permite melhorar alguns dos produtos mais gordurosos e produzir um produto que é mais valioso para nós, que está em falta no momento para o consumidor [americano]. É por isso que os preços da carne moída estão onde estão, então recebemos bem [a possibilidade de redução das tarifas]”, afirmou Klein a analistas. “Não achamos que isso vá ter um grande impacto, mas seria uma boa medida”, continuou. No início da semana, a imprensa internacional reportou que o governo de Donald Trump planejava reduzir tarifas de importação de carne bovina de diversas origens, mas posteriormente informou que a administração havia adiado a medida. Klein comentou ainda que até o momento ele não observou sinais significativos de retenção de novilhas - ou seja, pecuaristas americanos mantendo novilhas nas fazendas visando a geração de bezerros, o que resultaria em gradual aumento do rebanho de animais prontos para abate. A partir do momento que a retenção começar a ocorrer de forma consistente, disse ele, ainda levarão cerca de três anos até os animais chegarem às plantas frigoríficas para abate. “Portanto, ao analisarmos a situação atual do ciclo bovino americano, estamos projetando até 2028 ou mais tarde”, disse Klein, referindo-se ao início da recomposição do rebanho. No Brasil, onde há perspectiva de redução de 2% a 4% do número de gado bovino abatido - e queda de produção de carne na mesma proporção -, a companhia espera equilibrar eventuais altas de preços com confinamentos próprios e vendas de produtos com marca, segundo o diretor presidente global, Miguel Gularte. Conforme o executivo, nos dois complexos industriais da empresa no Brasil, são produzidos itens de maior valor agregado, com marca, que correspondem a mais de 40% da produção de carne bovina da empresa no país. A MBRF também vem utilizando a equipe comercial que antes vendia apenas frango e suínos da BRF para impulsionar as vendas de carne bovina. Segundo Gularte, a BRF possui 340 mil clientes que hoje recebem também oferta de produtos bovinos. Gularte comentou, além disso, que os confinamentos próprios da MBRF, que abastecem parte da necessidade de animais para abate da companhia, estão abastecidos com gado adquirido “a preços convenientes”. A retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal à União Europeia (UE) possivelmente vem da necessidade de “validação de processo”, disse a jornalistas o diretor presidente global da MBRF, Miguel Gularte. “Tudo indica que é questão de validação de processo, porque o Brasil vai ter de demonstrar, por meio de uma documentação e certificação de processos, que os seus produtos não têm esse tipo de risco”, disse Gularte. Ao retirar o país da lista, a Comissão Europeia argumentou que o bloco proíbe o uso de antimicrobianos para promover crescimento e aumentar rendimento, assim como proíbe uso para animais de antimicrobianos usados por humanos. A suspensão das exportações, contudo, só terá efeito a partir de 3 de setembro. “Os antimicrobianos, que nada mais são que antibióticos, e não promotores de crescimento, são usados no Brasil da mesma forma que em outros países da América do Sul e no resto do mundo. O Brasil agora tem um dever de casa, até setembro, para fazer chegar essa documentação e ela ser certificada, e a expectativa é que cumprindo essa etapa, o Brasil volte a ingressar neste mercado”, afirmou Gularte. O recente retorno de embarques de aves do Brasil para a União Europeia, via pre-listing — sistema pelo qual o bloco reconhece o sistema sanitário brasileiro e autoriza governo local a habilitar plantas para exportar à região — contribuiu para o desempenho da MBRF no primeiro trimestre de 2026, segundo comunicado de resultados da empresa. Em março, a MBRF atingiu recorde nas exportações diretas de aves e suínos, aumentando em 43% os embarques para a Europa e em 18% para a Ásia, na comparação com o trimestre anterior. Cota chinesa Gularte também destacou, na entrevista com jornalistas, que a empresa pretende capitalizar o atendimento a consumidores chineses utilizando não apenas a cota estabelecida pela China, sem tarifa adicional, ao Brasil, mas também exportando ao país a partir das operações da empresa no Uruguai e na Argentina. O executivo observou que o volume que o Brasil pode deixar de exportar à China neste ano - considerando a diferença entre o que foi embarcado ao país no ano passado, cerca de 1,7 milhão de toneladas, e a cota deste ano, de 1,1 milhão de toneladas - é similar ao que o Brasil pode deixar de produzir, ao redor de 500 mil toneladas, tendo em vista a previsão de queda dos abates de gado bovino entre 3% e 4% em 2026, na comparação com 2025. A empresa também pode reforçar o atendimento à China por meio de suas plantas nos Estados Unidos. O mercado americano aguarda uma confirmação do governo chinês sobre a autorização para que plantas americanas que exportavam ao país voltem a embarcar carne para os chineses. “Certamente, se esse mercado estiver aberto para nós, isso terá um impacto significativo nos valores gerais de corte no futuro, à medida que essas plantas forem re-autorizadas [a exportar]”, afirmou na entrevista o diretor presidente da National Beef, Tim Klein.

VALOR ECONÔMICO

 

EVENTOS

 

Brasil terá recorde de empresas na Sial Xangai, maior feira de alimentos da Ásia

Evento começa na segunda-feira, com participação 20% maior de frigoríficos brasileiros 

 

O Brasil terá um número recorde de empresas participantes na Sial 2026 em Xangai na China, maior feira de alimentos e bebidas da Ásia e uma das maiores do mundo. Ao todo, 82 companhias exportadoras brasileiras desses setores estarão no evento que começa nesta segunda-feira (18/5). A expectativa é prospectar negócios de US$ 3,3 bilhões. O ministro da Agricultura, André de Paula, também estará na exposição, em sua primeira missão internacional desde que assumiu a pasta, no início do mês passado. Depois, seguirá para Pequim, capital do país, para reuniões com representantes do governo chinês para negociações de aberturas de mercado e tentativas de obter melhorias na relação comercial, como a flexibilização da cota de importação de carne bovina. A Sial China é um evento estratégico para promover os produtos brasileiros não só para os importadores chineses, mas para diversos clientes de toda a Ásia. A feira, realizada no Shanghai New International Expo Center, ocupa uma área de cerca 220 mil metros quadrados e conta com mais de cinco mil expositores de 75 países. As empresas brasileiras estarão distribuídas em cinco pavilhões. Na edição anterior, foram fechados US$ 265,2 milhões em negócios durante a feira, com expectativa de US$ 2,24 bilhões em negócios ao longo dos 12 meses seguintes. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) coordenará dois pavilhões na feira. Também haverá um pavilhão exclusivo para o Programa Cooperar para Exportar, de internacionalização de cooperativas da agricultura familiar. Nesta edição, vão participar 10 cooperativas de diversas regiões do país, que levarão ao mercado chinês produtos como cafés especiais, açaí, castanhas, mel, vinhos, polpas de frutas e alimentos da biodiversidade brasileira. “A China é um parceiro estratégico para o Brasil e esta missão representa mais um passo importante na diversificação e agregação de valor das exportações brasileiras. Estamos ampliando a presença de empresas brasileiras no mercado chinês, fortalecendo setores tradicionais e abrindo espaço para cooperativas, agricultura familiar e produtos de maior valor agregado. O número recorde de empresas na Sial demonstra a confiança do setor produtivo brasileiro no potencial desse mercado”, afirmou o presidente da ApexBrasil, Laudemir Muller. A China é o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. Participam desta edição os frigoríficos Astra, Barra Mansa, Beauvallet, Better Beef, Boi Brasil, BoiBras Foods, Cooperfrigu, Frialto, Frigoestrela, Frigol, Frigon, Frigosul, Iguatemi Foods, Intertrans, JBS, Masterboi, Mercúrio, Minerva Foods, Naturafrig, Plena, Prima Foods, Ramax Grupo, Rio Maria, RXM e Supremo.

VALOR ECONÔMICO

 

TECNOLOGIA

 

Drones e inteligência artificial indicam momento ideal para abate de bovinos

Sistema pode reduzir custos com ração e melhorar eficiência do manejo

 

A combinação entre drones e inteligência artificial (IA) pode solucionar o desafio de indicar o momento ideal para o abate de bovinos e elevar a eficiência da pecuária, além de reduzir custos e estresse dos animais. O sistema foi testado na Fazenda Campanário, no município de Laguna Carapã (MS), ao acompanhar um lote de 110 animais da raça Nelore em confinamento durante um intervalo de 112 dias. Por meio de visão computacional, a tecnologia permitiu identificar que os bovinos estavam prontos para o abate até uma semana antes do previsto pelos métodos tradicionais. Deste modo, a economia estimada com ração chegaria a R$ 15 mil apenas neste lote. Como a Fazenda Campanário possui cerca de 14,6 mil bovinos confinados, o ganho de eficiência poderia chegar aos R$ 2 milhões se o sistema fosse aplicado a todo o rebanho. O estudo foi desenvolvido pelo projeto Semear Digital, que tem parceria com a Embrapa Agricultura Digital, e publicado recentemente na revista científica Computers and Electronics in Agriculture (Computação e Eletrônica na Agricultura, em tradução livre).

“O animal ganha pouco peso no início, em sua fase de adaptação, depois entra em uma fase de ganho de peso acelerado e, no final, ocorre uma desaceleração, que deixa de ser vantajosa economicamente”, explica Everton Tetila, pesquisador do Semear Digital e professor da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Segundo Tetila, identificar esse ponto com precisão pode gerar ganhos expressivos para o produtor, especialmente em rebanhos de grande escala. “Em um lote numeroso, a diferença de apenas um dia pode ter impacto significativo na rentabilidade do sistema”, afirma. Apesar de experimental, a tecnologia despertou interesse na fazenda. Jefferson de Andrade Parra, gerente de pecuária na Fazenda Campanário, afirmou que a ideia pode gerar uma solução “fantástica”. “Saber o momento certo para o abate sem estressar os animais seria uma ótima solução, que poderia gerar economia de ração e outros insumos. Já havia visto drones serem usados para identificar animais, mas não para pesar”, comenta. Os métodos tradicionais chegam a passar uma semana ou mais sem medir o ritmo de ganho de peso do gado, além de exigirem manejo intensivo e causarem estresse aos animais. De acordo com Eduardo da Silva Alves, analista de rastreabilidade, os drones foram testados com voos em diferentes alturas para garantir o bem-estar dos animais. Os testes foram realizados com drones a 5, 10 e 15 metros de altura - esta última foi considerada a distância ideal para evitar o estresse dos bovinos. “Os animais nem percebiam que estavam sendo pesados. Atualmente, a pesagem ocorre apenas na entrada e na saída do confinamento, com base em uma estimativa prévia da duração do ritmo de engorda”, diz.

O modelo de pesagem tradicional também exige mais trabalho e expõe os animais a riscos de contusões. "A pesagem com balanças pode ter avarias frequentes", complementa Jayme Barbedo, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital. A pesagem de gado com uso de drones é um desafio tecnológico devido à movimentação constante em criação a pasto e à semelhança entre os animais. Por isso, o projeto desenvolveu novos modelos de visão computacional e focou em modelo de confinamento. O novo algoritmo de IA permitiu identificar os bois, além de recortar e segmentar automaticamente seus corpos para extrair medidas corporais como comprimento e largura com precisão. “A partir das imagens, o código desconsiderava animais deitados ou em ângulo desfavorável para fazer uma média mais precisa do ganho de peso de todo o lote”, esclarece Barbedo. Com base nesses dados, os pesquisadores acompanharam o crescimento do lote ao longo do tempo. “Fizemos voos periódicos desde a entrada do gado no confinamento até a fase final. A ideia foi modelar a relação entre medidas corporais e o ganho de peso, considerando variações não lineares ao longo do ciclo produtivo”, detalha Tetila. A mesma base de dados servirá para desenvolver modelos capazes de identificar o comportamento alimentar dos animais e detectar anomalias, como monta excessiva. Tais comportamentos ocorrem quando o nível de estresse, muitas vezes por disputa por alimento, fica maior entre os bovinos. “Em alguns casos, pode haver lesões, o que prejudica o desempenho. Identificar esses padrões é relevante para evitá-los”, completa. O projeto prevê expandir o sistema para outras raças e validar sua aplicação em escala comercial. “Nós pretendemos adaptar o modelo para outras raças além do Nelore, como Angus e Brahman, e avançar na validação para uso direto no confinamento”, prevê o pesquisador. Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que a tecnologia ainda está em fase de desenvolvimento. “Estamos próximos de um protótipo funcional, mas ainda é necessário um parceiro para transformar isso em um produto comercial”, finaliza Barbedo.

GLOBO RURAL

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ

 

DERAL: Paraná desponta como novo polo de etanol de milho com salto de 71% na produção

Já a produção de etanol à base de cana está estimada em 1,18 bilhão de litros, o que representa leve retração de 2,2% em relação ao último período

 

O Paraná desponta como novo polo de etanol de milho, segundo análise dos técnicos do Deral. Somando as produções oriundas da cana-de-açúcar e do milho, o Brasil deverá atingir 40,69 bilhões de litros de etanol, volume 8,5% superior ao registrado no ciclo anterior. O responsável por essa expansão é o etanol de milho, que já representa 28% da oferta total do País, um salto significativo frente aos 9% registrados na safra 2020/21. No Paraná, a produção de etanol à base de cana está estimada em 1,18 bilhão de litros, o que representa leve retração de 2,2% em relação ao último período. Já o etanol de milho deverá apresentar crescimento expressivo neste ciclo, com produção estimada em 31,54 milhões de litros, alta de 71,1% na comparação com o período anterior (18.436 milhões de litros). Embora o Estado ainda não possua um polo consolidado de produção de etanol de milho, há investimentos relevantes em andamento e a expectativa é de que, nos próximos anos, o Paraná passe a figurar entre os principais produtores nacionais. Outro destaque são os preços mais elevados do segmento leiteiro do Estado. O cenário é de valorização para o produtor. Na primeira semana de maio, o preço do litro de leite subiu 5,2%, chegando a R$ 2,56. Esse movimento se dá pelo período sazonal de captação reduzida e o maior custo com alimentação do rebanho, o que impulsiona os preços no mercado e melhora a margem para o produtor. A menor captação reduz a oferta do produto para as indústrias, o que eleva o preço. Contudo, o setor permanece em alerta devido à pressão das importações de lácteos, que cresceram 26,5% no primeiro trimestre de 2026, trazendo produtos com preços altamente competitivos para o mercado interno. A safra de milho no Paraná demonstra resiliência diante das recentes oscilações climáticas. Segundo o Deral, as geadas isoladas que chegaram com a onda de frio mais intensa no sul do Estado não afetaram as lavouras. Atualmente, 96% da área plantada segue em desenvolvimento e o risco de perdas é atenuado pela previsão de chuvas e temperaturas estáveis acima de 8°C para a segunda quinzena de maio. A avicultura brasileira redirecionou seus excedentes para mercados de alto valor agregado, como o Japão, que registrou alta de 122,9% no faturamento das compras. E embora o volume total exportado pelo Brasil tenha caído 5%, o faturamento cresceu 16,4%, totalizando US$ 53,942 milhões nos três primeiros meses do ano. Além do Japão, outros mercados como Chile, Emirados Árabes e Senegal apresentaram crescimento robusto tanto em volume quanto em receita. 

AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS 

 

Setor de serviços cresce no Paraná em março, aponta IBGE

Empresas do setor registraram aumento no volume de serviços prestados e na receita nominal em relação a fevereiro deste ano. Desempenho mensal neste ano também superou o registrado em março de 2025.

 

O setor de serviços do Paraná voltou a apresentar desempenho acima da média nacional em março de 2026. Dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada na sexta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o volume de serviços prestados no Estado cresceu 0,3% em relação a fevereiro, enquanto o Brasil registrou queda de 1,2% no mesmo período. Já a receita nominal das empresas paranaenses do setor avançou 0,7%, na contramão da retração nacional de 0,6%. O resultado coloca o Paraná entre os estados que mantiveram crescimento no setor em março, em um cenário de desaceleração nacional. Das 27 unidades da federação analisadas pelo IBGE, 13 registraram queda no volume de serviços na comparação com fevereiro. Entre as principais economias do País, São Paulo teve retração de 2,1%, Bahia de 1,6% e Rio Grande do Sul de 0,9%. Pernambuco apresentou queda ainda mais acentuada, de 3,9%. Na comparação com março de 2025, o desempenho do Paraná também foi positivo. O volume de serviços prestados no Estado cresceu 1,8%, enquanto a receita nominal avançou 8% no período. Nacionalmente, os indicadores ficaram em 3% e 8,5%, respectivamente. O levantamento do IBGE detalha ainda o desempenho dos principais segmentos do setor na comparação entre março de 2026 e março de 2025. Esse recorte é considerado mais adequado para análises setoriais porque reduz distorções sazonais típicas de determinados períodos do ano, como férias, feriados prolongados e datas comemorativas, além de o instituto não divulgar o detalhamento por segmento na comparação mensal com ajuste sazonal. Entre os segmentos com maior crescimento no volume de serviços prestados no Paraná, o destaque ficou para transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, com alta de 3,6%, seguido pelos serviços de informação e comunicação, que avançaram 2,6% em relação a março do ano passado. A receita nominal apresentou crescimento em todos os segmentos pesquisados pelo IBGE no Estado. O maior avanço foi novamente registrado pelos serviços de transportes, com alta de 10,4%, seguido por informação e comunicação (7%), serviços profissionais, administrativos e complementares (6%), serviços prestados às famílias (5,7%) e outros serviços (3%).

AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS 

 

Desembolsos de crédito para agricultura empresarial seguem em queda na safra 2025/26

Concessões para custeio, comercialização e investimentos caíram, enquanto para industrialização e por meio de Cédulas de Produto Rural (CPR) aumentaram

 

Os desembolsos de linhas de crédito rural voltadas à agricultura empresarial na parcial da safra 2025/26 - de julho do ano passado até o fim de abril deste ano - foram 5% menores do que no mesmo período da safra 2024/25, segundo boletim de desempenho do Plano Safra, divulgado pelo Ministério da Agricultura na sexta-feira (15/05). No mês passado, o ministério já havia reportado desembolsos mais baixos nesta safra em comparação à anterior. O montante chegou a R$ 391,2 bilhões, abaixo dos R$ 409,8 bilhões contabilizados no acumulado de dez meses da safra 2024/25. O ministério reportou quedas nos desembolsos de recursos para custeio (compra de insumos) da safra, comercialização (de produtos agrícolas) e investimentos, enquanto o crédito concedido para industrialização e por meio de Cédulas de Produto Rural (CPR) aumentou. As CPRs ganharam maior peso nas concessões desta safra, representando até o momento 43% de todo o crédito. O volume emprestado por meio do papel aumentou 10% na comparação anual, chegando a quase R$ 167 bilhões. Na safra 2024/25, as CPRs corresponderam a 37% do total liberado à agricultura empresarial, de acordo com o ministério. Segundo a Secretaria de Política Agrícola do Mapa, o crescimento da CPR reflete a migração dos produtores rurais e das tradings para instrumentos de mercado, em razão do elevado custo financeiro e das restrições ambientais associadas às linhas de crédito tradicionais. Para custeio, o volume desembolsado entre julho do ano passado e abril deste ano chega a R$ 125,6 bilhões, 14% menor do que no mesmo período do ciclo 2024/25. No caso das linhas para comercialização, o recuo foi de 29%, para R$ 41,6 bilhões. Para investimentos (linhas de longo prazo), o Ministério reportou redução de 22% nos desembolsos, que somaram R$ 28,6 bilhões. Em todas as linhas de investimentos, há redução superior a 20% dos recursos desembolsados. O crédito concedido pelo programa Moderfrota, de financiamento de máquinas agrícolas, foi 54% menor no acumulado da safra atual em comparação ao da anterior, somando R$ 3,6 bilhões. “A retração generalizada reflete a cautela do setor diante das taxas de juros elevadas, com perspectiva de queda da Selic (taxa básica de juros do Brasil, usada como referência para outras linhas de crédito) de aproximadamente 2 pontos percentuais até o fim de 2026”, disse o Ministério da Agricultura no boletim. “Adicionalmente, a conjuntura econômica do setor é reflexo das seguintes dimensões que pesam, negativamente, sobre a atividade agropecuária: instabilidade internacional, aumento na inadimplência, taxas de juros elevadas, custos de produção elevados, riscos climáticos e intempéries sucessivas, e instituições financeiras mais restritivas e seletivas para a concessão do crédito”, continuou o ministério. Contramão As concessões de crédito para industrialização de produtos agrícolas cresceram 66% em dez meses de safra, saindo de R$ 17,1 bilhões há um ano para R$ 28,4 bilhões nesta safra. “O resultado sinaliza expansão das cadeias agroindustriais e maior agregação de valor à produção agropecuária nacional, tendência alinhada à estratégia de modernização do setor”, disse o ministério, em nota. O total de crédito (custeio e investimentos) concedido a médios produtores por meio do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) cresceu 3%, para R$ 52,1 bilhões. Já para os grandes produtores, o montante total liberado diminuiu 17%, para R$ 172,1 bilhões. Nas linhas de crédito específicas para custeio, houve aumento dos desembolsos para os médios produtores, de 8%, chegando a R$ 47,8 bilhões liberados via Pronamp. Para os grandes produtores, os recursos foram 23% menores, somando R$ 77,8 bilhões. No boletim, o Ministério da Agricultura também reporta uma queda generalizada no número de contratos fechados, com exceção dos referentes a crédito para industrialização, que cresceram 18%, somando 1.081. Mesmo o número de contratos de CPR diminuiu, 19%, com 135.929 CPRs emitidas. Para a temporada 2026/27, que deve começar em julho, o ministério avalia que a projetada queda da taxa Selic, em aproximadamente dois pontos percentuais até o fim de 2026, deverá reduzir o custo do crédito rural e sustentar uma recuperação gradual das contratações de crédito, especialmente de programas que registraram as maiores retrações nesta safra.

VALOR ECONÔMICO

 

ECONOMIA

 

Dólar sobe aos R$5,0664 puxado pelo cenário político no Brasil e pelo exterior

O dólar fechou a sexta-feira em alta e novamente acima dos R$5,05, acompanhando o avanço quase generalizado da moeda norte-americana no exterior e repercutindo o cenário político brasileiro, de pressão para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

 

O dólar à vista subiu 1,59%, aos R$5,0664. Na semana, a moeda acumulou alta de 3,48% e, no ano, recuo de 7,70%. Às 17h05, o dólar futuro para junho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- avançava 1,53% na B3, aos R$5,0815. A moeda norte-americana sustentou ganhos ante a maior parte das demais divisas ao redor do mundo, em sintonia com o avanço firme dos rendimentos dos Treasuries, com os investidores elevando as apostas de que o Federal Reserve precisará subir juros para conter a inflação. Essa percepção é alimentada pela continuidade da guerra no Oriente Médio, que mantém o Estreito de Ormuz fechado ao transporte de petróleo e gás. Na sexta-feira, o preço do barril de petróleo Brent voltou a subir, após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que sua paciência com o Irã está se esgotando. O cenário turbulento fazia o dólar ter altas firmes ante moedas de países emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano -- mas o real era a divisa global mais pressionada, liderando as perdas da sessão. Isso porque, além do exterior, os investidores seguiam atentos aos desdobramentos do escândalo que liga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-dono do Master, Daniel Vorcaro. Na quarta-feira, uma reportagem do Intercept Brasil afirmou que Flávio pediu a Vorcaro R$134 milhões para bancar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.

Flávio Bolsonaro nega ter cometido qualquer irregularidade em sua relação com Vorcaro, alegando ter buscado recursos privados para um filme sobre a história do pai, sem oferecer qualquer vantagem em troca. No mercado, a percepção mais geral é de que a ligação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro eleva as chances de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reeleger em outubro. A continuidade do governo Lula, por sua vez, é vista como um fator negativo para o ajuste das contas públicas. Para piorar o cenário para a oposição, a Polícia Federal cumpriu na sexta-feira mandados de busca e apreensão, em caso relacionado à refinaria Refit, contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro -- também filiado ao PL e aliado de Flávio. No meio da tarde, com as mesas de operação já mais vazias, o site Intercept publicou nova reportagem sobre as relações da família Bolsonaro com Vorcaro. "Foi uma coisa atrás da outra esta semana. Pegou o (noticiário) local aqui, estressou, e agora lá fora", comentou o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo, ao justificar a alta firme do dólar na sexta-feira.

REUTERS 

 

Ibovespa fecha em queda com ruído político local

O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira, pressionado pela maior aversão a risco no exterior diante das preocupações com a inflação global, ao mesmo tempo em que os investidores seguiram de olho nos desdobramentos políticos domésticos.

 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,61%, a 177.283,83 pontos, chegando a 175.417,25 na mínima, depois de marcar 178.340,52 na máxima. O volume financeiro somou R$31,58 bilhões. Na semana, o índice acumulou 3,71% de queda. Em meio a pressões diversas, o Ibovespa, que chegou a registrar queda de mais de 1% pela manhã, reduziu as perdas ao longo da sessão, ajudado por ações como Petrobras, mas ainda assim fechou no vermelho. No exterior, a incerteza sobre um acordo de paz no Oriente Médio impulsionou os preços do petróleo, aumentando as preocupações sobre as pressões inflacionárias. Os contratos do petróleo tipo Brent fecharam em alta de 3,35%, a US$109,26. Dados fortes de inflação nos EUA divulgados ao longo desta semana trouxeram ainda mais pressão para os negócios, fazendo os operadores elevarem as apostas de que o Federal Reserve aumentará os juros este ano. Nesse contexto, o S&P 500 fechou em queda de 1,23%, a 7.408,5 pontos. Localmente, os agentes seguiram monitorando o noticiário político e eleitoral. Aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, esforçaram-se na quinta-feira para minimizar os laços do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso acusado de uma série de crimes. Para o gestor da Hike Capital, Ângelo Belitardo, o Ibovespa segue com uma tese construtiva no médio prazo, mas entrou em uma fase de maior seletividade. "Com Selic ainda alta, câmbio voltando a pressionar e juros futuros subindo, o investidor tende a privilegiar empresas com balanço sólido, geração de caixa previsível e setores essenciais, como energia elétrica, saneamento, concessões, logística, rodovias, infraestrutura básica e bancos bem capitalizados", disse Belitardo. "Já commodities alavancadas, varejo, construção e empresas dependentes de queda rápida dos juros exigem mais cautela", acrescentou o gestor da Hike Capital.

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Volume de serviços no Brasil é pressionado por transportes e tem em março maior queda desde o fim de 2024

O setor de serviços brasileiro encerrou o primeiro trimestre com uma queda muito maior do que a esperada no volume em março, a mais intensa desde o final de 2024, pressionado principalmente pelo setor de transportes.

 

O volume de serviços teve em março recuo de 1,2% na comparação com o mês anterior, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa foi a queda mais forte desde novembro de 2024 (-1,4%) e ainda marcou o pior resultado para o mês em cinco anos. Com isso o setor fechou o primeiro trimestre com queda de 0,7% frente aos três meses anteriores -- primeiro recuo trimestral desde os três primeiros meses de 2023. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, o volume apresentou alta de 3,0%. Os resultados foram bem piores do que as expectativas em pesquisa da Reuters, de recuo de 0,1% na comparação mensal e de alta de 4,5% na anual. O setor de serviços mostrou um desempenho fraco neste início de ano, com queda de 0,1% em janeiro e estagnação em fevereiro, chegando a um total de cinco meses seguidos sem crescimento. "Os dados mais recentes sugerem uma acomodação da atividade em patamares mais baixos, refletindo os efeitos defasados da política monetária restritiva, mas também uma moderação do forte crescimento observado no setor de serviços nos últimos cinco anos", avaliou Rafael Perez, economista da Suno Research. A taxa de juros ainda elevada segue como um peso, com a Selic atualmente em 14,5% ao ano. O mês de março foi marcado ainda pelo início da guerra no Oriente Médio, que vem elevando os preços do petróleo e já mostrou impactos na inflação nacional. No mês, o IPCA registrou a taxa mais alta em cerca de um ano, de 0,88%, sob pressão de transportes e alimentos. "Por ser a primeira leitura após o início do conflito no Irã, é cedo para se tirar conclusões, mas o recuo (dos serviços) parece ser efeito de realocação de consumo, dado o aumento nos preços dos combustíveis", disse André Valério, economista sênior do Inter. Houve queda em março em todas as cinco atividades de serviços investigadas, com destaque para a taxa negativa de 1,7% de transportes na comparação com o mês anterior. "O recuo no setor foi influenciado principalmente pela queda observada no transporte rodoviário de cargas e no transporte aéreo de passageiros”, explicou o analista da pesquisa Luiz Carlos de Almeida Junior. "Houve uma mudança de calendário da agricultura por climas extremos. Ao atrasar a colheita, você afeta a logística e o transporte de cargas", completou. "Há sinais de que as chuvas no Norte e Nordeste acima da média afetaram a colheita e até o começo do plantio." O volume de transporte de passageiros recuou 3,4% em março, segunda taxa negativa seguida, segundo o IBGE, enquanto o volume do transporte de cargas diminuiu 1,0%. Também tiveram quedas serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,1%); serviços de informação e comunicação (-0,9%); outros serviços (-2,0%); e serviços prestados às famílias (-1,5%). O índice de atividades turísticas, por sua vez, registrou retração de 4,0% em março, segundo resultado negativo seguido. Com isso, o segmento de turismo está 6,3% abaixo do ápice da sua série histórica, alcançado em dezembro de 2024.

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Valor das exportações do agro brasileiro bate recorde em abril

Receita de US$ 16,6 bilhões foi a maior já registrada para o mês; volume embarcado cresceu 9,5%

 

A soja em grãos manteve a liderança entre os produtos exportados pelo agronegócio brasileiro

As exportações brasileiras do agronegócio somaram US$ 16,65 bilhões em abril de 2026, resultado recorde para o mês desde o início da série histórica, em 1997, informa o Ministério da Agricultura (Mapa). O valor representa crescimento de 11,7% em relação a abril de 2025.

O resultado garantiu ao agro participação de 48,8% nas exportações totais do Brasil no período. No acumulado de janeiro a abril, as vendas externas do agronegócio alcançaram US$ 54,6 bilhões, também recorde para o quadrimestre. Em comparação com abril do ano passado, o volume exportado cresceu 9,5%, enquanto o preço médio registrou alta de 2,1%. As importações de produtos do agronegócio somaram US$ 1,62 bilhão, recuo de 3,6% na mesma comparação, resultando em superávit de US$ 15 bilhões para o setor no mês. Entre os principais destinos das exportações do agro brasileiro, a China permaneceu na liderança, com compras de US$ 6,6 bilhões em abril e participação próxima de 40% na pauta exportadora do setor. O resultado representa crescimento de 21,8% em relação ao mesmo mês de 2025.

A União Europeia ocupou a segunda posição, com US$ 2,36 bilhões e participação de 14%, crescimento de 8,7% em relação a abril de 2025. Os Estados Unidos aparecem na sequência, com US$ 1 bilhão exportado e 6% de participação, apesar do recuo de 16,8% na comparação anual. A soja em grãos manteve a liderança entre os produtos exportados pelo agronegócio brasileiro. As vendas externas alcançaram US$ 6,9 bilhões, alta de 18,8% em relação a abril de 2025. O volume exportado chegou a 16,7 milhões de toneladas, crescimento de 9,7% em relação ao mesmo período do ano anterior e recorde para meses de abril, em um cenário de safra recorde de soja em grãos no ciclo 2025/2026, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Além disso, a alta de 8,4% no preço médio contribuiu para elevar a receita exportada. A carne bovina in natura também registrou desempenho histórico, com exportações de US$ 1,6 bilhão, alta de 29,4%, e embarques de 252 mil toneladas, crescimento de 4,3% na comparação anual. Tanto o valor quanto o volume foram recordes para o mês de abril. A China permaneceu como principal destino da proteína brasileira, com US$ 877,4 milhões em compras, o equivalente a 55,8% das vendas brasileiras do produto no período.

Entre os segmentos de maior destaque nas exportações do agro em abril estão o complexo soja, com US$ 8,1 bilhões e alta de 20,4%; proteínas animais, com US$ 3 bilhões e crescimento de 18%; produtos florestais, com US$ 1,4 bilhão e avanço de 8,6%; e café, com US$ 1,2 bilhão, apesar do recuo de 12,1%. Também apresentaram crescimento relevante fibras e produtos têxteis, além do algodão, que registrou recorde em valor e volume exportado. Também registraram desempenho recorde a celulose, com US$ 854,7 milhões exportados e alta de 16%, e o farelo de soja, que alcançou 2,4 milhões de toneladas embarcadas, crescimento de 12,7%.

Produtos menos tradicionais ampliaram espaço na pauta exportadora brasileira. Entre os destaques do mês estão pimenta piper seca, rações para animais domésticos, óleo essencial de laranja, sebo bovino, abacate e manga, todos com resultados recordes em valor ou volume exportado. A fruticultura brasileira também apresentou expansão no comércio internacional, impulsionada pela abertura de novos mercados. Desde 2023, foram abertas 34 novas oportunidades de exportação para frutas brasileiras. Entre janeiro e abril de 2026, produtos como melões, limões, limas, melancias e mamões registraram recordes de exportação.

GLOBO RURAL 

 

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