CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1107 DE 14 DE MAIO DE 2026
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Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1107 | 14 de maio de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Boi gordo de SP perde R$ 5/@ em dois dias
Preços do animal sem padrão-exportação e de “boi-China” recuaram mais R$ 3/@ no mercado paulista, para R$ 350/@ e R$ 355/@, respectivamente, no prazo. No PARANÁ: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: sete dias. Boi China: PARANÁ: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo)
A sinalização da União Europeia (UE) de uma possível suspensão das compras de proteína animal do Brasil a partir de setembro/26 adicionou um componente extra de atenção ao mercado do boi gordo, relatam as consultorias que acompanham diariamente o setor pecuário brasileiro. Pelos dados apurados pela Scot Consultoria, os preços do boi gordo sem padrão-exportação e do “boi-China” voltaram a cair na quarta-feira (13/5) no interior de São Paulo, com baixa diária de R$ 3/@, fechando em R$ 350/@ e R$ 355/@, respectivamente (valores brutos, no prazo). Na terça-feira (12/5), a mesma Scot havia registrado queda diária de R$ 2/@ nos preços dos animais terminados no Estado de São Paulo. Ou seja, em apenas dois dias, os lotes de boiadas gordas sofrearam desvalorização de R$ 5/@ em SP. Por sua vez, na quarta-feira, as fêmeas sofreram desvalorização de R$ 2/@ na praça paulista, agora cotadas em R$ 320/@ (vaca gorda) e R$ 333/@ (novilha terminada), acrescentou a Scot. “A oferta de bovinos segue confortável e os frigoríficos têm comprado sem dificuldade, o que permite o alongamento das escalas de abate”, observara m os analistas da Scot, que fazem o monitoramento diário dos negócios em mais de 30 praças do País. Segundo a Agrifatto, que acompanha diariamente 17 praças brasileiras, a maioria dos frigoríficos intensificou a pressão de baixa. Houve leves recuos em praças de menor peso pecuário, como AL, BA, ES e RJ, ao passo que as regiões de MT, PA, TO e RO seguiram com preços firmes, relatou a Agrifatto.
Das 17 praças monitoradas pela consultoria, 5 registraram valorização nas cotações da arroba: MT, PA, RO, RS e TO. Em três delas – AL, BA e RJ –, os preços do boi gordo recuaram levemente; nas demais (SP, AC, ES, GO, MA, MG, MS, PR e SC), as cotações permaneceram estáveis. Em SP, pelos dados da Agrifatto, o boi gordo sem padrão exportação seguiu valendo R$ 350/@, enquanto o “boi-China está cotado em R$ 360/@ (valores a prazo). Na avaliação dos analistas da Agrifatto, a queda mais acentuada das temperaturas pode continuar estimulando uma oferta mais intensa de animais terminados nos próximos dias, reforçando ainda mais o viés baixista do mercado. No mercado futuro, os contratos do boi gordo interromperam a sequência de altas dos últimos dias e encerraram a sessão de terça-feira (12/5) da B3 em queda. O papel com vencimento em junho/26 fechou o pregão cotado a R$ 342,15/@, com desvalorização de 0,70% em relação ao fechamento anterior. O mercado chinês de importação de carne bovina instaurou um estado de paralisia comercial às vésperas da feira SIAL Shanghái 2026, programada para o período de 18 a 20 de maio, informa relatório enviado nesta quarta-feira (13/5) pela Agrifatto aos seus assinantes. Reconhecida como o principal evento asiático do setor de alimentos e bebidas, a exposição induziu uma letargia tática nos importadores, que suspenderam ativamente o fluxo de compras na expectativa de barganhar condições presencialmente e mapear o piso do mercado durante o encontro, ressalta a consultoria. Diante desse cenário, informa a Agrifatto, o valor do dianteiro bovino exportado pelo Brasil ao mercado chinês recuou 3,5% nesta semana, para algo entre US$ 6.700/t e US$ 6.800/t, em relação ao preço registrado na semana anterior. Cotações do boi gordo desta quarta-feira (13/5), conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO:Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 360,00. Média: R$ 355,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: oito dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: nove dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: sete dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 360,00. Média: R$ 355,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: sete dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China/Europa: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: nove dias. TOCANTINS: Boi comum: R $ 340,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: sete dias. PARÁ: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 330,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: nove dias. MARANHÃO: Boi: R$ 345,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: sete dias. Preços brutos do “boi-China” na quarta-feira (13/5), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 351,00/@ (à vista) e R$ 355,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 326,50/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$356,00/@ (à vista) e R$ 360,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 336,50/@ (à vista) e R$ 340,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 346,00/@ (à vista) R$ 350,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 331,50/@ (à vista) e R$ 335,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 313,50/@ (à vista) e R$ 317,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 339,50/@ (à vista) e R$ 343,00/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
UE enviará ao Brasil pedido de informações sobre carnes exportadas
A União Europeia enviará ao Brasil uma lista de informações adicionais a serem respondidas sobre questões sanitárias envolvendo a exportação de produtos de origem animal, após o bloco ter retirado o País da lista de fornecedores de produtos animais a partir de 3 de setembro. O Brasil terá cerca de duas semanas para devolver as informações para reanálise do bloco europeu, relatou o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua.
"A UE concordou em estratificar as questões por tipo de proteína, já que são estágios diferentes e formas de produção diferentes. Eles também enviarão uma lista de informações para que o Brasil dê garantias adicionais do cumprimento do regulamento de antimicrobianos", disse Rua ao Broadcast Agro, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. A questão foi acordada em reunião entre o embaixador do Brasil junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, e a Direção-Geral da Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia (DG Sante). "Houve compromisso por parte da UE em analisar o tema de maneira célere. Com análise baseada em ciência e racionalidade, teremos condição para que o Brasil volte à lista", acrescentou Rua. Na terça-feira, a UE publicou uma atualização da lista de países autorizados a exportar animais e produtos de origem animal para o bloco, excluindo o Brasil do grupo de nações que cumprem as exigências contra o uso de antimicrobianos na pecuária. A medida, validada pelos Estados-Membros, estabelece quais países poderão continuar acessando o mercado europeu a partir de 3 de setembro de 2026, com base no Regulamento (UE) 2019/6.
O Brasil precisará fornecer garantias sobre a não utilização dessas substâncias para fins de crescimento ou rendimento, segundo a decisão sanitária europeia. A decisão decorre do resultado da votação realizada no âmbito do Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia, que aprovou uma atualização dessa listagem. A medida abrange carnes, ovos, mel e animais. Agora, o governo brasileiro, que negociava o tema desde outubro do ano passado com a UE, busca reverter a medida antes que entre em vigor em 3 de setembro. O Brasil exporta cerca de US$ 1,8 bilhão por ano em proteínas à EU.
No Brasil, Rua se encontrou com a embaixadora da União Europeia (UE) no País, Marian Schuegraf, para tratar do tema na manhã desta quarta-feira. "Externamos a surpresa e o descontentamento com a forma que a medida foi feita e o nosso interesse em encontrar uma solução. A negociação avançou bem com o compromisso da UE com a análise célere", apontou. "Reforçamos o pedido de prioridade à reanálise do caso e que o Brasil merece ser tratado como bom parceiro comercial", relatou. As informações adicionais a serem solicitadas pelo bloco europeu são de cunho de sanidade animal e estão relacionadas à apresentação de provas pelo Brasil de rastreabilidade e segregação na produção destinada ao bloco europeu.
Não há prazo para reanálise do tema pela UE. Na análise do governo brasileiro, a revisão da medida não exige uma nova auditoria do bloco no sistema sanitário nacional, sendo restrita à troca de documentações.
ESTADÃO CONTEÚDO
CARNES
UE poderia bloquear carnes do Brasil a partir de setembro, no caso de descumprimento de regra
O Brasil não está incluído em uma lista de países autorizados a exportar carnes e outros produtos de origem animal para a União Europeia, em regra sanitária válida a partir de setembro que poderia barrar os produtos brasileiros, caso o país sul-americano não consiga provar que está cumprindo requisitos europeus.
Para a porta-voz para a área de saúde da Comissão Europeia, Eva Hrnčířová, a ausência do Brasil na lista significa que o país não poderá mais exportar à UE produtos (tanto animais vivos para produção de alimentos quanto produtos derivados), como bovinos, equinos, aves, ovos, aquicultura, mel e tripas, a partir de 3 de setembro de 2026, caso não se adeque. A ausência na lista tem relação com regras sobre o suposto uso de antimicrobianos para promover o crescimento ou aumentar a produção em animais, que não é permitido pela UE, esclareceu a porta-voz em uma mensagem encaminhada à Reuters. A União Europeia é um importante mercado para produtos como carne bovina e de frango do Brasil, o maior exportador global de ambas as proteínas. Para ser incluído na lista de países terceiros autorizados a exportar para a UE, o Brasil deve garantir o cumprimento de requisitos sobre o uso de antimicrobianos durante toda a vida útil dos animais. "Temos mantido contato próximo com as autoridades brasileiras sobre essa questão e continuaremos em contato para trabalhar em prol do cumprimento desses requisitos. Uma vez demonstrado o cumprimento, a UE poderá autorizar as exportações", disse a porta-voz. Associações de produtores de carne bovina, de frango e suína do Brasil reagiram na terça-feira, dizendo que não há neste momento qualquer suspensão para embarques à UE. "É importante enfatizar: o Brasil cumpre integralmente todos os requisitos da União Europeia, inclusive no que tange aos regulamentos sobre antimicrobianos. É o que o Brasil demonstrará às autoridades sanitárias europeias", afirmou a ABPA, que representa produtores de carne de frango e suína. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse ainda que o Brasil, por meio do Ministério da Agricultura, prestará todos os esclarecimentos necessários à União Europeia acerca das diretrizes técnicas relacionadas aos antimicrobianos, visando ao retorno do Brasil à lista de países autorizados. "Outro ponto que cabe esclarecer é que as exportações não estão suspensas. A lista de países em não conformidade, que ainda pende de publicação oficial, somente entrará em vigor a partir de 3 de setembro", afirmou a ABPA. Há previsão de missão europeia ao Brasil no segundo semestre para avanço e conclusão de processo técnico sobre o assunto.
REUTERS
Ministério diz que cobra retorno da UE sobre antimicrobianos desde outubro de 2025
Governo brasileiro já teria enviado informações sobre o tema às autoridades europeias
O Brasil aguarda desde outubro do ano passado um posicionamento da União Europeia (UE) sobre protocolos de uso de antimicrobianos, disse a jornalistas o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério de Agricultura e Pecuária, Luís Rua, na quarta-feira (13/5), nos bastidores do Congresso Abramilho, realizado em Brasília. Na terça-feira (12/5), a Comissão Europeia informou que retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco. Segundo Rua, o governo brasileiro já havia enviado informações sobre o tema às autoridades europeias. “Estamos cobrando desde outubro um posicionamento sobre se os protocolos brasileiros estão adequados. Por isso, fomos surpreendidos com a decisão de ontem. Fomos retirados mesmo tendo questionado várias vezes”, disse o secretário. Rua participou na quarta-feira de uma reunião com a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf. Foi realizada ainda outra reunião conduzida pelo embaixador do Brasil na União Europeia, Pedro Miguel, em Bruxelas. Rua disse ter pedido à embaixadora que leve à Comissão Europeia a preocupação do governo brasileiro com a decisão. Segundo ele, o tema é tratado como prioridade. “A gente quer ser tratado como um bom parceiro, como somos. Queremos que isso seja resolvido da maneira mais rápida possível, com celeridade, transparência e com base em questões técnicas”, declarou. Segundo Rua, autoridades brasileiras e europeias concordaram em discutir protocolos específicos para cada grupo de proteínas, tendo em vista que os setores estão em estágios diferentes. “Produtos diferentes devem ser tratados de maneira diferente. Cada um tem uma especificidade. São questões bastante técnicas. Até porque precisamos entender exatamente o que a União Europeia quer de exigências extras”, afirmou. Rua afirmou que parte das informações a serem apresentadas dependerá da elaboração de protocolos pelo setor privado, enquanto outra parte cabe ao governo, responsável por verificar e controlar esses procedimentos. De acordo com o secretário, o Brasil deverá enviar informações específicas para cada cadeia produtiva. A expectativa do governo é que a União Europeia analise os dados e permita o retorno do país à lista de exportadores habilitados, também de forma separada por proteína. A expectativa do governo é que a União Europeia analise os dados e permita o retorno do país à lista de exportadores habilitados, também de forma separada por proteína. O secretário ressaltou que o Brasil exporta proteínas animais para a União Europeia há cerca de 40 anos e cumpre as exigências sanitárias do bloco. Segundo ele, o país também embarca carnes e outros produtos de origem animal para centenas de destinos, o que reforça a posição brasileira como referência em sanidade e saúde animal. Rua lembrou que o Brasil tem uma política nacional de redução do uso de antimicrobianos, independentemente das exigências comerciais de outros países.
“O Brasil tem avançado nessa linha. Isso pode ser usado para mostrar que o país está avançando nessas políticas de diminuição do uso de antimicrobianos”, afirmou. Questionado sobre o uso de antibióticos promotores de crescimento, Rua disse que o atendimento depende das exigências de cada mercado importador. “Cada país nos dirá o que fazer, e o Brasil é um cumpridor”, disse.
VALOR ECONÔMICO
SUÍNOS
Brasil abre mercado para exportação de produtos de origem animal ao Canadá e Chile
Acordos envolvem embarques de pâncreas suíno para indústria farmacêutica canadense e embriões ovinos e caprinos para o mercado chileno.
O governo brasileiro concluiu novas negociações internacionais que ampliam o acesso de produtos de origem animal do país aos mercados do Canadá e do Chile. No mercado canadense, as autoridades sanitárias aprovaram a importação de pâncreas suíno brasileiro destinado à indústria farmacêutica. A autorização deve ampliar as possibilidades de agregação de valor à cadeia produtiva da suinocultura nacional. De acordo com dados do governo federal, as exportações agropecuárias brasileiras para o Canadá somaram mais de US$ 1,3 bilhão em 2025. Entre os principais produtos embarcados estão itens do complexo sucroalcooleiro, café e carnes. Já no Chile, o Brasil obteve autorização para exportar embriões ovinos e caprinos. O novo mercado amplia as oportunidades comerciais para os segmentos de genética animal.
As exportações agropecuárias brasileiras ao mercado chileno ultrapassaram US$ 2,2 bilhões em 2025, com destaque para carnes, produtos florestais e soja. Com os novos anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 612 aberturas de mercado desde o início de 2023. Segundo o governo federal, os resultados são fruto de atuação conjunta entre o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério das Relações Exteriores.
MAPA
EMPRESAS
JBS vê Brasil 'aderente' às exigências da UE para exportações de carne
JBS/Tomazoni: Estamos muito bem estruturados dentro e fora do Brasil para tirar vantagem do fim das cotas da China
O CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, disse na quarta-feira (13/5) que vê o Brasil “totalmente” aderente às exigências da União Europeia para exportar carnes ao bloco. A declaração foi feita durante teleconferência sobre os resultados da companhia no primeiro trimestre de 2026. Na terça-feira (12/5), a Comissão Europeia informou que retirou o Brasil da lista dos países autorizados a exportar produtos derivados de bovinos, equinos, aves, assim como da aquicultura, além de ovos e mel, com vigência da determinação a partir de 3 de setembro. “É algo muito novo. É importante lembrar que as exportações não foram suspensas, estamos confiantes que Brasil vai conseguir obter um acordo com a União Europeia”, disse Tomazoni a analistas. O executivo também comentou sobre notícias divulgadas na segunda-feira (11/5) pela imprensa internacional, de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspenderia temporariamente tarifas aplicadas às importações de carne bovina feitas pelo país, de diversas origens. Ontem, veículos americanos reportaram que Trump adiou a publicação de decretos com as medidas. “Se as tarifas forem reduzidas, seria um indicativo de maior receita com carne bovina para a Austrália, o Brasil e outras geografias”, afirmou Tomazoni, em referência aos países que exportam o produto para os Estados Unidos. O setor de carne bovina americano há anos enfrenta uma grave escassez de gado para abate, o que tem aumentado os custos dos frigoríficos em maior proporção do que a alta do preço da carne, levando à queda de lucro de algumas companhias e prejuízo de outras. No primeiro trimestre, o prejuízo operacional ajustado da unidade de negócios da JBS no país mais que dobrou (107,7%) em comparação ao mesmo período de 2025, chegando a US$ 329 milhões. Tomazoni disse que a companhia espera um aumento sazonal da demanda por carne bovina nos próximos trimestres, durante o verão do Hemisfério do Norte, quando os americanos costumam fazer churrasco com mais frequência e, por isso, consumir mais carne. Já a realização da Copa do Mundo de futebol no país, entre junho e julho, não deve gerar incremento significativo das vendas, segundo Wesley Batista Filho, diretor executivo da JBS nos Estados Unidos, que também participou da teleconferência. Tomazoni afirmou que a companhia está preparada para o momento em que as cotas de exportação de carne bovina para a China se esgotarem no Brasil e em outros países. A China estabeleceu uma cota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina para o Brasil, que poderá ser exportada sem uma tarifa adicional de 55%. O Brasil já usou cerca de 50% dessa cota e o setor estima que ela será totalmente preenchida em meados do ano. Em teleconferência sobre os resultados do primeiro trimestre de 2026, Tomazoni disse que com o preenchimento da cota, é possível que os preços do gado bovino diminuam já que a indústria frigorífica tenderá a reduzir o processamento na ausência de seu maior cliente externo. Além disso, ele também considera a possibilidade de aumento da oferta de animais prontos para abate provenientes de confinamentos, que contribuiriam para reduzir mais a cotação do boi gordo. Este cenário poderia levar a quedas também nos preços da carne e favorecer vendas no mercado doméstico, cuja demanda segue firme. “A demanda no Brasil por carne bovina e todo tipo de proteína continua muito forte”, disse Tomazoni a analistas. “Do nosso lado estamos muito bem estruturados dentro e fora do Brasil para tirar vantagem do impacto do fim das cotas da China”, acrescentou.
VALOR ECONÔMICO
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Como pecuaristas da Irlanda ajudaram a barrar a carne bovina do Brasil na UE?
Trecho do "Relatório sobre a Investigação no Brasil" relata suposta compra de antibióticos sem receita no país. Pressão irlandesa levou ao bloqueio das exportações de carne brasileira à UE.
A União Europeia decidiu retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina e outros produtos animais a partir de setembro de 2026. A medida ocorre após forte pressão de produtores irlandeses que denunciaram falhas no controle sanitário e no uso de antibióticos no país. Representantes da Associação dos Produtores Rurais da Irlanda (IFA) percorreram 3 mil quilômetros no Brasil e afirmaram ter comprado antibióticos potentes em lojas agropecuárias sem qualquer exigência de receita médica ou identificação da fazenda. Segundo eles, essa facilidade viola normas globais de saúde pública e cria o risco de resistência antimicrobiana, que é quando os remédios perdem o efeito contra bactérias. Em dezembro de 2025, as autoridades da Irlanda detectaram a presença de estradiol em um lote de 128 kg de carne brasileira. O estradiol é um hormônio usado para acelerar o crescimento dos animais, mas seu uso é estritamente proibido na União Europeia por preocupações com a saúde dos consumidores. Analistas e representantes do setor produtivo brasileiro acreditam que a barreira é, na verdade, um movimento protecionista. O setor agropecuário europeu sempre se opôs ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Ao levantar entraves sanitários, os produtores locais conseguem dificultar a entrada do produto brasileiro, que costuma chegar ao mercado europeu com preços mais competitivos. O governo brasileiro afirmou ter sido pego de surpresa e já trabalha para reverter o veto. Estão sendo preparados esclarecimentos técnicos sobre os sistemas de inspeção e rastreabilidade do gado nacional. Além disso, o Brasil proibiu recentemente diversos antibióticos usados como promotores de crescimento para se adequar às exigências europeias e reforçar a segurança do produto exportado. Segundo associações da indústria, o Brasil continua habilitado a enviar carne bovina para o mercado europeu até setembro de 2026. O objetivo das negociações atuais entre diplomacia brasileira e autoridades europeias é resolver as pendências técnicas antes desse prazo para evitar a interrupção real do comércio.
GAZETA DO POVO
Movimentação cresce 11% e garante melhor abril da história nos portos paranaenses
Somente em abril foram movimentadas mais de 6 milhões de toneladas, com crescimento puxado pelas exportações de soja, carnes e derivados de petróleo. O embarque de soja em grão aumentou 43%, os óleos vegetais 35% e os derivados de petróleo 33%.
Com mais de 6 milhões de toneladas movimentadas, a Portos do Paraná registrou o melhor mês de abril da história, com crescimento de 11% em relação a abril de 2025 – que movimentou 5,405 milhões de toneladas. O crescimento foi puxado pelas exportações de soja, carnes e derivados de petróleo. Somente em abril, o volume das exportações cresceu 16,06% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O embarque de soja em grão aumentou 43%, os óleos vegetais 35% e os derivados de petróleo 33%. As exportações de carne de frango congelada cresceram 10,5% em relação a abril de 2025. Considerando todas as proteínas animais, o crescimento foi de 8,7%, com mais de 1,1 milhão de toneladas embarcadas, principalmente para China, África do Sul, Japão e Emirados Árabes Unidos. No acumulado entre janeiro e abril, a soja segue em alta, com crescimento de 19%. Os óleos vegetais avançaram 33%, seguidos pelas exportações de cargas conteinerizadas, com aumento de 9%, e pelos derivados de petróleo, com alta de 2% na comparação com os quatro primeiros meses de 2025. Os embarques de carne de frango realizados em Paranaguá representam 47,5% de todas as exportações brasileiras do produto. Isso corresponde a mais de 834 mil toneladas enviadas para outros países. Em abril, as importações cresceram 2,7% em relação ao mesmo mês de 2025. As cargas gerais — movimentadas fora de contêineres — registraram alta de 254%. O desembarque de trigo apresentou crescimento de 50%, seguido pelos fertilizantes (18%) e pelos contêineres (14%). Já no acumulado dos quatro primeiros meses do ano, as importações apresentam retração de 5,8%. O resultado, porém, indica recuperação em relação aos meses de fevereiro e março, quando as movimentações de cargas vindas de outros países registraram índices ainda menores. A queda nas importações tem relação direta com o conflito no Oriente Médio. Apesar disso, a diversidade de cargas movimentadas pelos portos de Paranaguá e Antonina garantiu estabilidade ao saldo acumulado do quadrimestre, que atingiu 22,7 milhões de toneladas, volume em linha ao registrado no mesmo período de 2025.
A movimentação de cargas rolantes — como veículos, maquinários e equipamentos agrícolas — também contribuiu para manter o equilíbrio operacional. Somente em abril, mais de 15,5 mil unidades foram embarcadas ou desembarcadas. Entre janeiro e abril, a movimentação totalizou 42.657 unidades.
AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS
Comércio do Paraná cresce 4,9% no 1º trimestre
O desempenho paranaense no trimestre ficou acima da média nacional (2,4%) e superou o de estados tradicionalmente fortes no setor como Rio de Janeiro (2,9%), Minas Gerais (2,2%) e São Paulo (0%).
O comércio varejista do Paraná cresceu 4,9% no primeiro trimestre de 2026, em relação ao mesmo período do ano passado, ficando acima da média nacional (2,4%) e tendo o melhor desempenho da Região Sul. Os dados são relativos ao volume de vendas da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada na quarta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Santa Catarina e Rio Grande do Sul aparecem na lista com 4,4% e 0,4%, respectivamente. No mesmo intervalo de três meses, a receita nominal do varejo no Paraná também demonstrou vigor, com um avanço de 6,8%, ocupando também o primeiro lugar entre os vizinhos do Sul – a média nacional ficou em 4,2%. A força do setor no Paraná, e o destaque como líder regional, se reflete também no confronto direto com o ano anterior. Em março de 2026, o volume de vendas no comércio do Estado saltou 7,9% na comparação com o mesmo mês de 2025. É quase o dobro da média nacional, de 4%. Esse crescimento nas vendas impulsionou o faturamento das empresas paranaenses, resultando em um incremento de 10,2% na receita nominal para o período. No primeiro trimestre do ano, o avanço do comércio no Estado foi puxado pelo setor de artigos de uso pessoal e doméstico, com alta de 17,4% na comparação com igual período de 2025. Também tiveram contribuição importante para o resultado os artigos farmacêuticos (5,3%), móveis (5,1%) e hipermercados/supermercados (4,7%). O Paraná teve ainda um aumento de 4% entre fevereiro e março de 2026 no volume de vendas do comércio varejista ampliado, que inclui na conta setores de bens duráveis como veículos/peças, materiais de construção e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo. O desempenho foi o terceiro maior do País, atrás de Amazonas (8,4%) e Roraima (5,6%), e bem acima dos números do país: 0,3%.
AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS
ECONOMIA
Dólar tem maior alta em 5 meses após reportagem sobre ligações entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro
O dólar disparou durante a tarde e fechou a quarta-feira novamente acima dos R$5,00, após a publicação de uma reportagem do Intercept Brasil sobre ligações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro. Operadores e analistas avaliaram que a reportagem enfraquece a candidatura de Flávio, visto atualmente como o principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa eleitoral de outubro.
O dólar à vista fechou a sessão em alta de 2,27%, aos R$5,0059. Foi a maior alta percentual em um único dia desde 5 de dezembro do ano passado, quando a moeda norte-americana subiu 2,34%. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular baixa de 8,80% ante o real. Às 17h05, o dólar futuro para junho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 2,33% na B3, aos R$5,0280. A reportagem do Intercept Brasil disse que Flávio teria negociado com Vorcaro R$134 milhões para bancar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. Vorcaro, também preso, está no centro do escândalo da liquidação do Master, responsável por fraudes bilionárias. Ele negocia atualmente uma proposta de delação premiada que pode atingir parlamentares e outras autoridades. Após a publicação da reportagem, tanto o dólar quanto as taxas dos DIs renovaram máximas sequenciais, enquanto o Ibovespa despencou, em meio à percepção, entre operadores e analistas, de que o relato enfraquece a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Mais cedo, uma pesquisa Genial/Quaest já havia mostrado Lula numericamente à frente de Flávio na disputa presidencial de outubro. Lula tem 42% das intenções de voto no segundo turno, contra 41% de Flávio. Na prática, há empate técnico, já que a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais. No levantamento anterior, porém, Lula tinha 40% e Flávio somava 42%. Em simulação de primeiro turno, Lula aparece agora com 39% e Flávio Bolsonaro com 33%. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) estão empatados com 4%.
O noticiário político no Brasil, que fez o dólar disparar, acabou deixando em segundo plano o cenário externo na quarta-feira. A moeda norte-americana sustentou ganhos ante as divisas fortes, com investidores atentos à visita do presidente dos EUA, Donald Trump, à China, para negociações com o presidente Xi Jinping.
REUTERS
Ibovespa tem forte queda após notícia ligando Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro
Na visão de gestores, o principal impacto de curto prazo aparece sobre o câmbio e a curva de juros, o que acaba pressionando os ativos domésticos de forma mais ampla
O Ibovespa encerrou em forte queda na quarta-feira, em meio a uma deterioração generalizada dos ativos locais. A percepção de risco no mercado se intensificou após o site Intercept Brasil noticiar que o pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, negociou R$ 134 milhões com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — preso sob acusação de fraudes financeiras — para financiar um filme sobre a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nesse ambiente de aversão a risco, o índice recuou 1,80%, aos 177.098 pontos, próximo à mínima de 176.787 pontos, após atingir 180.513 pontos na máxima do dia. O volume financeiro do Ibovespa foi de R$ 29 bilhões, enquanto a B3 movimentou R$ 38,5 bilhões. Segundo gestores ouvidos pelo Valor sob condição de anonimato, o mercado tende a reagir mais à deterioração do cenário macroeconômico do que a um movimento imediato de fluxo ou realocação para a bolsa, já que investidores locais já estavam pouco posicionados no mercado acionário. Na visão deles, o principal impacto de curto prazo aparece sobre o câmbio e a curva de juros, o que acaba pressionando os ativos domésticos de forma mais ampla. No exterior, as bolsas americanas fecharam sem direção única, em meio a um forte desempenho das empresas de tecnologia, que compensou parcialmente o impacto de dados de inflação ao produtor (PPI, na sigla em inglês) acima do esperado nos Estados Unidos. O avanço do setor ajudou a sustentar os índices acionários, apesar do aumento das preocupações com inflação e juros. Em Wall Street, o Nasdaq subiu 1,20% e o S&P 500 avançou 0,58%, enquanto o Dow Jones cedeu 0,14%. A notícia de que Flávio Bolsonaro teria pedido a Daniel Vorcaro financiamento para a produção de um filme sobre seu pai provocou uma venda imediata de ativos locais. Além do episódio, a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, informou que o Banco Master pagou diretamente R$ 2,329 milhões à Entre Investimentos em 2025, segundo declarações de Imposto de Renda da instituição. A empresa entrou no radar após a reportagem do Intercept. Segundo o site, a Entre Investimentos teria sido utilizada para repasses de recursos entre Vorcaro e a produção do filme “Dark Horse”, previsto para ser lançado a menos de um mês do primeiro turno das eleições. “Um pouco de realização e algum recuo de posição devem acontecer. Mas o fator primordial por trás da movimentação mais intensa do mercado continua sendo o investidor estrangeiro”, argumenta um gestor, que diz não ver espaço para uma queda tão profunda do Ibovespa, dados os níveis de alocação locais. “Dito isso, o mercado já reagiu negativamente porque o tema deve começar a aparecer nas pesquisas”, acrescenta. Governo avalia que relação entre Flávio e Vorcaro pode ajudar Lula, mas não vê senador fora da disputa. Zema diz que áudio de Flávio para Vorcaro é 'imperdoável', e Caiado cobra senador Outro participante do mercado concorda que o efeito tende a ser limitado no horizonte mais longo, especialmente para investidores estrangeiros. “No fim, para o gringo, mais um governo Lula não muda nada”, afirma. Por outro lado, o papel ON da Vale subiu 1,26%, diante da resiliência do preço do minério de ferro, além da expectativa de que o encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, ajude a destravar acordos comerciais. Um gestor aponta a possibilidade de avanço nas negociações envolvendo chips e ferramentas de inteligência artificial, o que poderia impulsionar a demanda por minerais de forma mais ampla.
VALOR ECONÔMICO
Brasil tem fluxo cambial negativo de US$1,439 bilhão em maio até dia 8, diz BC
O Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$1,439 bilhão em maio até o dia 8, conforme dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central, em um período que corresponde ao acumulado da semana passada.
Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$2,185 bilhões em maio até o dia 8. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de maio até o dia 8 foi positivo em US$747 milhões. Os dados mais recentes do BC são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. No acumulado do ano, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$11,958 bilhões.
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Vendas no varejo do Brasil avançam em março pelo 3º mês e renovam recorde com valorização do real
As vendas no varejo brasileiro surpreenderam e cresceram em março pelo terceiro mês seguido, renovando ao final do primeiro trimestre o recorde da série histórica iniciada em 2000 com ajuda da valorização recente do real ante o dólar.
No mês, as vendas registraram alta de 0,5% em relação a fevereiro, depois de terem avançado 0,7% em fevereiro e 0,5% em janeiro, mostraram os dados divulgados na quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, as vendas tiveram ganho de 4,0%. Com isso, o setor encerra o primeiro trimestre com ganho de 1,2% na comparação com os três meses anteriores, melhor resultado desde o segundo trimestre de 2024 (+1,4%). As expectativas em pesquisa da Reuters eram de estabilidade na comparação mensal e de alta de 2,75% na base anual... “Há nesse começo de ano uma apreciação do real frente ao dólar, e muitas empresas aproveitam o dólar mais barato para importar e fazer estoques para depois vender e fazer promoções. Foi exatamente isso que ocorreu em março”, destacou Cristiano Santos, gerente da pesquisa no IBGE. A guerra no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo desde que começou em 28 de fevereiro, lançou uma sombra sobre o mês de março, afetando os preços de alimentos e de combustíveis e pesando no bolso dos consumidores. O mercado de trabalho robusto e medidas de estímulo ao consumo, entretanto, vêm dando algum suporte ao setor varejista, mesmo diante da taxa de juros elevada, o que ajuda a impulsionar o PIB neste começo de ano. Também colaborou a queda de 5,65% do dólar frente ao real no primeiro trimestre. "A apreciação da taxa de câmbio tem diminuído os custos de segmentos mais dependentes da variação do dólar e a ampliação de programas de crédito também vêm contribuindo para o crescimento do setor", disse Rafael Perez, economista da Suno Research. O setor do varejo "provavelmente apresentará contribuição relevante para o crescimento do PIB no 1º trimestre, o qual esperamos que avance 0,9%", disse André Valério, economista sênior do Inter. Entre as oito atividades pesquisadas na pesquisa do IBGE sobre o varejo, cinco tiveram resultados positivos em março, com destaque para Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (5,7%). Também mostraram crescimento das vendas Combustíveis e lubrificantes (2,9%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,9%); Livros, jornais, revistas e papelaria (0,7%); e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,1%). "Mesmo com o preço mais caro, a demanda não caiu no setor de combustíveis. Com preços mais altos, a receita aumentou e, mesmo descontada a inflação, o setor tem um desempenho positivo para o volume", explicou Santos. "Esse é o único efeito da guerra sobre o varejo." Móveis e eletrodomésticos (-0,9%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,4%) tiveram perdas -- o último segmento, a maior desde junho de 2024. A atividade de Tecidos, vestuário e calçados ficou estável. "Essa queda forte de hipermercados tem a ver com a inflação mais alta de produtos. A alimentação em domicílio está mais alta, e isso aparece nas vendas dos mercados e hipermercados", explicou Santos. "Há este ano também uma mudança de hábito, em que as pessoas estão aumentando seus gastos com bens de maior valor. As pessoas estão comprando mesmo com juros altos.” No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças; material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, o volume de vendas aumentou 0,3% em março sobre o mês anterior.
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Número de empregos formais cresce 5% e chega a 59 milhões em 2025
Norte e Nordeste lideram crescimento com alta de 10,1% em cada região. Salário médio cai 0,5% e fecha o ano em R$ 4.434,38
O Brasil registrou estoque de 59,9 milhões de em pregos formais em 2025, aumento de 5% em comparação com o ano anterior. O número representa alta de 2,8 milhões de vínculos em relação a 2024. A maior parte dos vínculos é de celetistas, que somam 46,1 milhões, seguido pelos estatutários (regime do setor público), com 12,6 milhões. O setor público teve uma variação superior ao mercado privado, com variação de 18,2% no setor municipal —a maior dentre entidades de diferentes naturezas jurídicas. A remuneração, no entanto, caiu, com variação de -0,5%. Em 2025, o salário médio foi de R$ 4.434,38, redução de R$ 23 em comparação com o ano de 2024. Por região, o crescimento foi maior no Norte e no Nordeste, com 3,8 milhões e 11,6 milhões de empregos em cada uma, respectivamente. O resultado representa um aumento de 10,1% no total de vínculos formais em ambas as regiões. Em números absolutos, o Sudeste continua sendo a maior região empregadora, com estoque de 28,4 milhões de vínculos formais —um aumento de 2,9% na comparação com 2024. O Amapá foi o estado com maior variação de empregos, com aumento de 20,5% no total de vínculos formais em comparação com 2024. O estado é seguido pelo Piauí, alta de 13,2%, Alagoas, com 13% a mais, e Paraíba, com acréscimo de 12,9%. Por setor, o aumento foi maior em serviços, com 2,4 milhões de vínculos, variação positiva de 7,2%. O setor é seguido pela construção civil, com aumento de 2,5%, comércio (1,7%) e agropecuária (1,6%). Todos registraram saldo positivo. Os dados também revelam mudanças no parâmetro de contratação no serviço público. Em 2025, 26% do total de servidores foram contratados sob contratos com tempo determinado. Eles somam, ao todo, 3 milhões de empregados sem vínculo permanente.
A maioria, segundo a Rais, está em cargos de docência. São 1 milhão de professores de nível médio sob contratos temporários.
FOLHA DE SÃO PAULO
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