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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1106 DE 13 DE MAIO DE 2026

  • prcarne
  • 13 de mai.
  • 23 min de leitura

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 5 | nº 1106 | 13 de maio de 2026

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL 

 

Boi gordo recua R$ 2/@ no mercado paulista

Na terça-feira (12/5), a Scot Consultoria, que acompanha diariamente os negócios em mais de 30 praças pecuárias, identificou queda de R$ 2/@ nos preços do boi sem padrão-exportação e do “boi-China” negociados no mercado de São Paulo, que agora estão valendo R$ 353/@ e R$ 358/@, respectivamente (valores brutos, no prazo). No PARANÁ: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. Boi China: PARANÁ: R$ 349,00/@ (à vista) e R$ 353,00/@ (prazo)

 

Pelos dados da Agrifatto, no mercado paulista, o animal terminado “comum” está cotado em R$ 350/@, no prazo, e o “boi-China” é negociado por R$ 360/@, e a média da arroba nas outras 16 regiões monitoradas diariamente se estabilizou em R$ 339,45 (valores com pagamento a prazo). “Apesar da melhora nas vendas de carne no mercado interno em relação à semana passada e do bom desempenho das exportações, a oferta de gado segue crescente e o volume disponível tem atendido à demanda, sem excedentes”, relatou a Scot, referindo-se ao mercado de São Paulo. Com isso, as escalas de abate entre os frigoríficos paulistas avançaram para níveis confortáveis, para 10 dias úteis, acrescenta a consultoria. Segundo apuração da Agrifatto, o mercado físico do boi gordo iniciou a semana em ritmo cadenciado, com manutenção das referências nas principais praças. Nos Estados de Minas Gerais e de Goiás, diz a Agrifatto, a seca avançou com maior intensidade, resultando em perdas de qualidade das pastagens naturais. Em praças como Tocantins, Pará e Rondônia, as indicações firmes para o boi gordo seguem sustentando os atuais níveis de preço no curto prazo. Na avaliação da Agrifatto, os fundamentos do mercado permanecem praticamente inalterados.

“Frigoríficos com escalas mais confortáveis mantêm aquisições compassadas, sem necessidade imediata de recomposição e atentos a oportunidades em patamares mais baixos”, diz a consultoria, acrescentando que algumas unidades chegaram a ficar fora das compras no início da semana, avaliando estratégias para o curtíssimo prazo. Do lado doméstico, a possível remoção das tarifas de importação pelos EUA pode ajudar o Brasil a reduzir sua dependência do mercado chinês e ampliar as vendas para os norte-americanos, acrescenta a Agrifatto. Cotações do boi gordo conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 360,00. Média: R$ 355,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: oito dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: nove dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China/Europa: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: oito dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 335,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: sete dias. PARÁ: Boi comum: R$ 335,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: seis dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 325,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: nove dias. MARANHÃO: Boi: R$ 345,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: sete dias. PARANÁ: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. Preços brutos do “boi-China”, de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 356,00/@ (à vista) e R$ 360,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 329,50/@ (à vista) e R$ 333,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$356,00/@ (à vista) e R$ 360,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 338,50/@ (à vista) e R$ 342,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 351,00/@ (à vista) R$ 355,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 348,00/@ (à vista) e R$ 352,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 326,50/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 316,50/@ (à vista) e R$ 320,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 341,00/@ (à vista) e R$ 345,00/@ (prazo).

SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO

 

Receita com exportações brasileiras de carne bovina cresce 102% na 1ª semana de maio/26

Preço médio atingiu US$ 6.349,6/t, um avanço de 22,1% em relação ao valor médio de maio/25, de US$ 5.202,2/t.

 

Na primeira semana de maio/26 (5 dias úteis), as exportações brasileiras de carne bovina in natura (congelada, resfriada e congelada) atingiram 85,88 mil toneladas, com média diária de 17,17 mil toneladas, um acréscimo de 65,5% em relação à média diária registrada em maio de 2025, segundo dados apurados pelo Portal DBO, com base em informações disponíveis no site da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Trata-se de um volume recorde para uma primeira semana de maio, destacam os analistas da Agrifatto. Diante desse desempenho inicial, a consultoria prevê um total de exportações em maio/26 de 319 mil toneladas, ficando 46% acima do volume consolidado de maio/25. Em faturamento, os embarques da proteína somaram US$ 545,33 milhões nos primeiros 5 dias úteis de maio/26, com uma média de arrecadação de US$ 109,06 milhões por dia, um forte aumento de 102% em relação à receita média diária de maio/25, de US$ 54 milhões. O preço médio da carne bovina brasileira exportada ficou em US$ 6.349,6/tonelada, com avanço de 22,1% em relação à cotação média de maio do ano passado, de US$ 5.202,2/tonelada. As exportações brasileiras de carne bovina (in natura, industrializada e miúdos) atingiram 300,17 mil toneladas em abril/26, com alta de 6,78% sobre março/26 e avanço de 4,91% na comparação com abril de 2025, informa a Agrifatto, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Trata-se de um novo recorde para o mês de abril, superando o recorde de abril do ano passado. Sozinha, a exportação brasileira de carne in natura (resfriada, fresca e congelada) somou 251,944 mil toneladas, com acréscimo de 7,69% sobre março e aumento de 4,31% em comparação com abril/25.

PORTAL DBO

 

CARNES

 

UE poderia bloquear carnes do Brasil a partir de setembro, no caso de descumprimento de regra

O Brasil não está incluído em uma lista de países autorizados a exportar carnes e outros produtos de origem animal para a União Europeia, em regra sanitária válida a partir de setembro que poderia barrar os produtos brasileiros, caso o país sul-americano não consiga provar que está cumprindo requisitos europeus.

 

Para a porta-voz para a área de saúde da Comissão Europeia, Eva Hrnčířová, a ausência do Brasil na lista significa que o país não poderá mais exportar à UE produtos (tanto animais vivos para produção de alimentos quanto produtos derivados), como bovinos, equinos, aves, ovos, aquicultura, mel e tripas, a partir de 3 de setembro de 2026, caso não se adeque. A ausência na lista tem relação com regras sobre o suposto uso de antimicrobianos para promover o crescimento ou aumentar a produção em animais, que não é permitido pela UE, esclareceu a porta-voz em uma mensagem encaminhada à Reuters. A União Europeia é um importante mercado para produtos como carne bovina e de frango do Brasil, o maior exportador global de ambas as proteínas. Para ser incluído na lista de países terceiros autorizados a exportar para a UE, o Brasil deve garantir o cumprimento de requisitos sobre o uso de antimicrobianos durante toda a vida útil dos animais. "Temos mantido contato próximo com as autoridades brasileiras sobre essa questão e continuaremos em contato para trabalhar em prol do cumprimento desses requisitos. Uma vez demonstrado o cumprimento, a UE poderá autorizar as exportações", disse a porta-voz. Associações de produtores de carne bovina, de frango e suína do Brasil reagiram na terça-feira, dizendo que não há neste momento qualquer suspensão para embarques à UE. "É importante enfatizar: o Brasil cumpre integralmente todos os requisitos da União Europeia, inclusive no que tange aos regulamentos sobre antimicrobianos. É o que o Brasil demonstrará às autoridades sanitárias europeias", afirmou a ABPA, que representa produtores de carne de frango e suína. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse ainda que o Brasil, por meio do Ministério da Agricultura, prestará todos os esclarecimentos necessários à União Europeia acerca das diretrizes técnicas relacionadas aos antimicrobianos, visando ao retorno do Brasil à lista de países autorizados. "Outro ponto que cabe esclarecer é que as exportações não estão suspensas. A lista de países em não conformidade, que ainda pende de publicação oficial, somente entrará em vigor a partir de 3 de setembro", afirmou a ABPA. Há previsão de missão europeia ao Brasil no segundo semestre para avanço e conclusão de processo técnico sobre o assunto.

REUTERS

 

EMPRESAS

 

JBS registra lucro líquido de US$ 221 milhões no 1º trimestre de 2026, queda de 55% 

As vendas líquidas, em contrapartida, aumentaram 10,7%, chegando a US$ 21,609 bilhões no primeiro trimestre deste ano 

 

A JBS, uma das maiores companhias de alimentos e carnes do mundo, registrou lucro líquido de US$ 221 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 55% em comparação aos US$ 500 milhões contabilizados em igual intervalo de 2025, segundo comunicado de resultados divulgado na terça-feira (12/05). O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado pelo sistema IFRS (padrão internacional de reporte de dados financeiros) chegou a US$ 1,133 bilhão, o que representa um recuo de 26% em relação ao montante de US$ 1,528 bilhão apurado nos três primeiros meses do ano passado. As vendas líquidas, em contrapartida, aumentaram 10,7%, saindo de US$ 19,527 bilhões no intervalo de janeiro a março de 2025 para US$ 21,609 bilhões no primeiro trimestre deste ano. A queda do lucro líquido bem como do Ebitda ajustado foram atribuídas às operações de carne bovina da companhia nos Estados Unidos e aos resultados da Pilgrim’s. No caso da JBS Beef América do Norte, a empresa ampliou o prejuízo contabilizado no primeiro trimestre do ano passado. O prejuízo operacional ajustado mais do que dobrou (107,7%), de US$ 158 milhões há um ano para US$ 329 milhões no período compreendido nos três primeiros meses deste ano. A forte escassez de gado bovino no país tem sido apenas parcialmente compensada por altas dos preços da carne bovina ao consumidor final, levando empresas de carnes do país a registrarem prejuízo ou queda de lucro. No caso da Pilgrim’s, problemas climáticos e paradas temporárias de algumas plantas por algumas semanas do trimestre, para elevar a capacidade de processamento de alguns itens e fazer adaptações para produtos com demanda crescente no mercado doméstico americano, acabaram levando à queda do lucro, disse ao Valor o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni. “Vemos a redução do Ebitda em US$ 400 milhões com bastante tranquilidade. Nos Estados Unidos, é sabido que estamos no ciclo de baixa [oferta de gado bovino] e o spread entre o boi vivo e a carne não fecha, então a margem é negativa. No caso da Pilgrim’s, que responde por mais ou menos metade dos US$ 400 milhões, o resultado decorre de ações que foram planejadas”, disse Tomazoni, referindo-se às paralisações nas plantas. “Mas o negócio de suínos nos Estados Unidos foi bom e o da Austrália, muito bom”, continuou. Os principais geradores de receita e lucro no primeiro trimestre fora as operações de carne bovina e da Seara no Brasil, disse a companhia em release de resultados, apesar da alta do boi gordo no período. No primeiro caso, o Ebitda ajustado aumentou 27,9%, de US$ 131 milhões no primeiro trimestre do ano passado para US$ 168 milhões nos três primeiros meses deste ano. A receita líquida da JBS Brasil cresceu 19,5%, chegando a US$ 3,789 bilhões, enquanto o custo de vendas aumentou 21,2%, para US$ 3,273 bilhões.

VALOR ECONÔMICO

 

Lucro líquido da FriGol cresce 11 vezes no primeiro trimestre mesmo com redução de abates

Empresa firmou parcerias em Rondônia com a RioBeef e a DistriBoi

 

A FriGol, um dos quatro maiores frigoríficos do Brasil, registrou lucro líquido de R$ 11,1 milhões no primeiro trimestre de 2026, onze vezes superior ao valor de R$ 1 milhão contabilizado em igual período de 2025, de acordo com comunicado de resultados divulgado na terça-feira (12/5). O resultado positivo se deu mesmo com redução de 14% do número de animais abatidos no período, 14% menor do que no primeiro trimestre de 2025, 136.604 bovinos, em razão de “desafios do ciclo pecuário no Brasil”, segundo a empresa. Desde o segundo semestre do ano passado, a disponibilidade de animais prontos para abate vem ficando mais restrita, segundo empresas do setor. Esse fator, somado a uma maior demanda decorrente de importadores chineses preocupados em adquirir volumes dentro da cota estabelecida pelo país sem tarifação extra, contribuiu para altas dos preços do gado no trimestre. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 33,3 milhões nos três primeiros meses de 2026, avanço de 242% na comparação anual, com margem de 3,3%. A receita bruta alcançou R$ 1,05 bilhão no primeiro trimestre, aumento de 3,2% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a receita líquida atingiu R$ 999,2 milhões, 2,8% superior na mesma base de comparação. “Apesar da sazonalidade típica de nosso setor no primeiro trimestre, da volatilidade do mercado externo e da baixa oferta de gado – e, consequentemente, da alta do valor da arroba bovina –, tivemos crescimento em nossos indicadores, refletindo a solidez de nossa estratégia operacional e disciplina financeira”, disse no comunicado o presidente (CEO) da FriGol, Luciano Pascon. No primeiro trimestre, a participação do mercado interno na receita bruta aumentou para 54%, comparada a 49% um ano antes. Já o peso das exportações diminuiu, representando 46% da receita bruta no período, abaixo dos 51% do primeiro trimestre do ano passado. No mercado interno, a FriGol conseguiu aumentar em 13% o volume de produtos de alto valor agregado. Também ampliou sua presença em grandes atacarejos, como Assaí Atacadista e Atacadão. No Atacadão, a companhia abriu suas duas primeiras lojas do projeto Açougue Completo em São Paulo, no fim de março. No Assaí Atacadista, inaugurou mais seis açougues Frigol no Ceará e inaugura nesta semana mais duas lojas em Porto Velho (RO). No mercado externo, a China continuou sendo o principal destino da carne produzida pela companhia, gerando 64,8% das receitas externas. O volume exportado foi menor, segundo a empresa, em virtude da recente cota imposta ao Brasil pelas autoridades chinesas, o que foi parcialmente compensado pela valorização do produto. Depois da China, Israel se manteve como o segundo maior mercado externo da FriGol, com 10,3% das receitas, seguido de Hong Kong, com 4,3%, e da Europa, com 3,2%. As vendas para “outros mercados” aumentaram para 17,4% das receitas no primeiro trimestre, acima dos 13% contabilizados no mesmo período de 2025. Contribuiu para o crescimento a demanda por países do Sudeste Asiático, como Indonésia e Filipinas, que aumentou 255% no primeiro trimestre, na comparação anual. Dando continuidade à estratégia de diversificação, Pascon e o diretor de Exportação, Rogério Bonato, foram aos Estados Unidos e ao Canadá para diversos encontros voltados a estreitar o relacionamento com clientes e gerar oportunidades comerciais, disse a empresa em nota. A FriGol firmou parcerias no primeiro trimestre com as empresas RioBeef e a DistriBoi, em Rondônia, para prestação de serviços de industrialização em três plantas, duas localizadas em Ji-Paraná e uma em Rolim de Moura. Pelo acordo, a FriGol fica responsável pela compra dos animais e venda dos produtos, enquanto as empresas fazem o abate, a desossa e o processamento nas fábricas. Com as parcerias, a Frigol pode acessar uma base maior de fornecedores de gado no Estado, bem como de importadores, em especial no Canadá, Chile e Estados Unidos. Até então, a FriGol não tinha habilitação para exportar aos americanos, o que foi possível com a operação na planta de Rolim de Moura, já habilitada. O primeiro embarque da FriGol aos EUA aconteceu em abril, de acordo com a empresa. “A partir de abril, começamos a produzir no volume esperado nas três plantas, o que será visto no próximo balanço trimestral. Estamos muito otimistas”, disse Pascon na nota. “Mesmo em meio a todos os desafios do ano, projetamos um aumento significativo na produção e no faturamento, consolidando nossa posição entre os quatro maiores frigoríficos do Brasil”, acrescentou. Finanças A FriGol encerrou o trimestre com caixa de R$ 415,4 milhões, 80% superior ao do primeiro trimestre de 2025. A alavancagem ficou em 1,7x, considerando a relação dívida líquida/Ebitda. No primeiro trimestre, a empresa também realizou sua quarta emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), totalizando R$ 250 milhões. “Seguimos a estratégia de buscar uma estrutura de capital menos onerosa para financiar o crescimento da companhia de forma sustentável no longo prazo”, disse o diretor financeiro (CFO) da FriGol, Carlos Corrêa, no comunicado.

VALOR ECONÔMICO

 

INTERNACIONAL

 

Trump sinaliza medidas para aumentar importações de carne bovina nos EUA, mas assinatura é adiada

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiou a assinatura planejada para esta segunda-feira de ordens executivas que permitiriam o aumento das importações de carne bovina para os EUA e apoiariam a recomposição do rebanho bovino americano, em uma tentativa de enfrentar os altos preços da carne, informou o Wall Street Journal na segunda-feira.

 

A reportagem, que citou um funcionário da Casa Branca, contradiz uma declaração anterior da própria Casa Branca de que Trump assinaria as ordens na segunda-feira. A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a reportagem e não divulgou comunicados ou documentos explicativos sobre as medidas até o fim da noite de segunda-feira, algo que normalmente acontece após assinaturas de ordens executivas. O jornal informou que Trump planejava suspender temporariamente as cotas tarifárias para carne bovina, permitindo mais importações com tarifas reduzidas, além de orientar a agência federal de pequenas empresas (Small Business Administration) a ampliar os empréstimos para pecuaristas e reduzir proteções ambientais para lobos-cinzentos e lobos mexicanos que atacam rebanhos. As expectativas de aumento das importações de carne bovina do Brasil pressionaram os contratos futuros de gado nos EUA na segunda-feira, após Trump se reunir com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada. Os contratos futuros de boi gordo para junho na Bolsa Mercantil de Chicago (CME) recuperaram as perdas iniciais e encerraram ligeiramente em alta, enquanto os contratos de bezerros para agosto caíram 0,5%.

Embora os preços de ovos, leite e outros itens básicos de supermercado tenham caído desde que Trump assumiu o cargo em janeiro de 2025, os preços da carne bovina continuam subindo, tornando-se um símbolo da inflação persistente para os consumidores americanos justamente no início da temporada de churrascos de verão. Em outubro passado, Trump ordenou a quadruplicação das importações de carne bovina da Argentina e, um mês depois, removeu sua tarifa punitiva de 40% sobre carne bovina e café do Brasil. As medidas fizeram pouco para reverter os preços da carne bovina, que estavam 12,1% mais altos em abril em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Índice de Preços ao Consumidor do Departamento do Trabalho dos EUA. A carne bovina está mais de 16% mais cara do que quando Trump retornou ao cargo em janeiro de 2025. O rebanho bovino dos EUA caiu para o menor nível em 75 anos depois que pecuaristas reduziram seus rebanhos devido a uma seca persistente que destruiu pastagens e elevou os custos de alimentação. Os altos preços do gado também incentivaram os produtores a vender animais para abate em vez de mantê-los para reprodução. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projetou que o país importará um recorde de 2,6 bilhões de quilos de carne bovina neste ano, cerca de 6% acima de 2025 e 25% acima de 2024. A maior parte das importações consiste em aparas magras de carne bovina, misturadas à produção americana para fabricação de carne moída, explicou David Anderson, economista agrícola da Universidade Texas A&M. Segundo ele, mais importações podem ajudar redes de hambúrgueres a reduzir custos com ingredientes, mas não devem provocar uma queda significativa nos preços para os consumidores. “Já estávamos importando um volume recorde. Quanto mais isso realmente acrescentaria sobre o que já importávamos?”, disse Anderson. “Tenho dificuldade em enxergar um grande efeito nos preços. Seria difícil isso representar uma entrada massiva de oferta.” Bill Bullard, CEO do grupo de produtores R-CALF USA, afirmou que o aumento das importações também pode desestimular pecuaristas americanos a expandirem seus rebanhos. Segundo ele, confinadores menores poderiam até sair da atividade caso os preços caiam o suficiente. Os consumidores talvez não vejam benefícios, enquanto os pecuaristas enfrentam pressão crescente, afirmou Bullard. “Temos tido importações recordes nos últimos três anos e, ao mesmo tempo, os consumidores continuam pagando preços recordes pela carne bovina”, acrescentou.

REUTERS

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ

 

Brasil registra primeiras operações com cotas tarifárias do Acordo Mercosul–União Europeia

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) registrou as primeiras operações com utilização de cotas tarifárias previstas no Acordo Mercosul–União Europeia. Desde a entrada em vigor do acordo, em 1º de maio de 2026, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) já aprovou oito licenças de exportação e seis licenças de importação para produtos contemplados pelo mecanismo.

 

As licenças de exportação emitidas até 10 de maio correspondem a operações de carne bovina fresca, carne bovina congelada, carne de aves desossada, cachaça, entre outras. No caso da carne de aves desossada e da cachaça, as exportações ingressarão na União Europeia com tarifa zero dentro das cotas previstas no acordo. Já a carne bovina passa a contar com duas frentes de acesso preferencial ao mercado europeu. A chamada Cota Hilton, mecanismo histórico já existente antes do acordo, previa tarifa de 20% para cortes nobres brasileiros. Com a entrada em vigor do tratado, essa tarifa foi reduzida a zero. Além disso, o acordo criou uma cota de 99 mil toneladas compartilhada entre os países do Mercosul. Antes do acordo, as exportações fora da Cota Hilton estavam sujeitas à tarifa de 12,8% mais € 304,10 por 100 kg. Agora, passam a recolher tarifa intracota de 7,5%. No caso das importações, as seis licenças emitidas autorizam operações de chocolates, tomates e queijos originários da União Europeia. Para os queijos, já há redução tarifária inicial prevista no acordo, com a alíquota passando de 28% para 25,2% dentro da preferência negociada. Para produtos como tomate e chocolate, as reduções tarifárias ocorrerão de forma progressiva a partir de 2027, mantendo-se, neste primeiro ano de vigência (“ano zero”), as mesmas tarifas atualmente aplicadas. As operações foram viabilizadas pelas Portarias Secex nº 491 e nº 492, publicadas em 1º de maio, que regulamentaram os procedimentos operacionais para utilização das cotas tarifárias no comércio bilateral entre Mercosul e União Europeia. As normas, posteriormente alteradas pelas Portarias nº 494 e nº 495, estabeleceram critérios e regras para a administração das cotas. Desde 1º de maio, a maior parte do comércio entre os dois blocos passou a operar com redução ou eliminação tarifária, sem restrições quantitativas e sem necessidade de utilização de cotas. Por isso, mais de 5 mil linhas tarifárias, o equivalente a 54,3% do universo tarifário, já passaram a contar com tarifa zero para ingresso na União Europeia. No Mercosul, 1.152 linhas tarifárias, equivalentes a 11% do total, também já operam com tarifa zero para produtos europeus. Para usufruir dos benefícios tarifários previstos no acordo, basta aos operadores seguir os procedimentos ordinários de comércio exterior e comprovar a origem da mercadoria, conforme as regras negociadas entre as partes. No caso específico dos produtos sujeitos a cotas tarifárias — que representam parcela reduzida do comércio bilateral, cerca de 4% das exportações brasileiras e 0,3% das importações —, a utilização das preferências exige procedimentos específicos de licenciamento e certificação no âmbito do Portal Único Siscomex.

Toda a regulamentação necessária, bem como os ajustes operacionais e sistêmicos para implementação dessas operações, foi concluída a tempo da entrada em vigor do acordo. O sistema já opera plenamente para recepção, processamento e emissão das licenças vinculadas às cotas tarifárias previstas no tratado. O Portal Único Siscomex já opera plenamente para receber e processar os pedidos relacionados às cotas tarifárias do Acordo Mercosul–União Europeia, garantindo segurança operacional, previsibilidade e fluidez às operações de comércio exterior. No caso brasileiro, a operacionalização ocorre por meio do Portal Único Siscomex, onde importadores e exportadores registram os pedidos de licença vinculados às cotas previstas no acordo.

MDIC

 

Paraná envelhece rapidamente e busca soluções para falta de mão de obra

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), entre 2012 e 2025, o número de pessoas com 60 anos ou mais no Paraná aumentou 55,42%. E, segundo a projeção do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), a população de idosos no estado superará a de crianças e adolescentes já no próximo ano.

 

A força de trabalho jovem sempre foi um importante na engrenagem do desenvolvimento econômico de uma região. Mas, diante da tendência mundial de envelhecimento das populações e olhando especificamente para o cenário do Paraná, como é possível fechar a conta e manter o crescimento do estado? “A grande questão, e já há exemplos de economias envelhecidas que conseguiram isso, é manter o crescimento ao investir em produtividade, qualificação contínua e maior participação de trabalhadores mais velhos no mercado de trabalho”, afirma Patrícia Tendolini Oliveira, economista e coordenadora dos cursos de Negócios Internacionais e Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). “Além disso, a longevidade produtiva, que é a extensão da vida laboral com qualidade, pode compensar, em parte, a redução da população ativa”, reforça. Para entender como tratar a questão da mão de obra e do emprego no Paraná, Leonildo Pereira de Souza, diretor do Departamento de Estudos Populacionais e Sociais do Ipardes, dá um panorama de como esse envelhecimento tem ocorrido por aqui. “O estado tem a característica de ter mais idosos no Noroeste. Temos também Curitiba como uma cidade envelhecida, embora a região metropolitana seja mais jovem e, inclusive, a capital seja mais envelhecida do que a média do estado. E a gente tem visto um aumento no número da população acima dos 60 anos no litoral”, diz. Souza explica que, em cada uma dessas regiões, o envelhecimento da população ocorre de forma diferente. Segundo ele, por exemplo, o litoral tem se tornado o destino de muitas pessoas após a aposentadoria. Já no Noroeste, além do aumento da expectativa de vida, os mais jovens acabam migrando para cidades de médio porte em busca de emprego e desenvolvimento, mas mantendo a qualidade de vida. E, na capital, a região metropolitana é fundamental para oxigenar o setor. Nessa migração de curta distância, vários municípios acabam se beneficiando da mão de obra jovem que chega. E, naqueles que acabam perdendo sua população ativa para o trabalho, há empresas que adotam estratégias como a de buscar e levar funcionários diariamente às suas cidades, sendo uma tendência que deve se manter nos próximos anos. Já no caso do litoral, o investimento na chamada “economia prateada” pode funcionar bem para equilibrar as contas. Um fator que também auxiliará o Paraná neste ajuste de mão de obra é a força jovem vinda de outros países ou estados. Souza salienta, entretanto, que essa não deve ser a “salvação da lavoura”, mas poderá ser um pilar importante, se bem aproveitada. “Muitos municípios do Paraná são ganhadores líquidos em migração e outros não. Geralmente, as cidades médias são as que mais ganham. Então, aqui dentro do estado, isso acaba se equilibrando dessa forma”, explica ele, ao mostrar que, embora nossa percepção possa ser a de que há muitos estrangeiros trabalhando no estado hoje, ao se olhar para o universo de 12 milhões de habitantes, o impacto é pequeno. “Já na migração do Paraná com o resto do Brasil, o estado também é ganhador líquido. Chega a ser positivo, mas não suficiente para, sozinho, mudar a tendência da falta”, completa. E é aí que outra questão se apresenta: o aumento da produtividade. Tanto a economista Patrícia Tendolini Oliveira quanto Leonildo Pereira de Souza concordam que o avanço tecnológico, com a automação em alguns setores, e a escolaridade mais alta farão a diferença no futuro. “Estudos indicam que, na América Latina, o risco de substituição dos empregos por tecnologia é baixo. A perspectiva é de que haja ganhos de produtividade associados ao uso de tecnologia. Ou seja, a automação tende a complementar o trabalho humano e não simplesmente substituí-lo”, comenta Oliveira.

“Se a escolaridade melhorar, a gente pode ter um ganho de produtividade, que vai acabar diminuindo a necessidade de mão de obra. Por exemplo: a agroindústria, o campo, já é altamente automatizado e é o setor que mais cresce no Paraná. Ele já não precisa mais de tanta força humana, porque a produtividade aumentou e assim seguirá”, avalia Souza, reforçando que a educação, junto à tecnologia e aos serviços que vão se atualizando para agregar valor, principalmente aos idosos, deve ser levada em consideração nessa equação para o futuro econômico do estado. O envelhecimento populacional, para além dos impactos negativos, também pode ser encarado como uma importante oportunidade econômica. A economia prateada, que reúne atividades voltadas ao consumo e às necessidades da população idosa, mostra um horizonte promissor.

GAZETA DO POVO

 

ECONOMIA

 

Dólar fecha estável ante real enquanto segue impasse no Oriente Médio

O dólar voltou a oscilar em margens estreitas ante o real nesta terça-feira, até fechar perto da estabilidade, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha sustentado ganhos ante boa parte das demais divisas, em meio ao impasse entre Irã e EUA.  

 

O dólar à vista fechou com leve alta de 0,08%, aos R$4,8949. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular baixa de 10,82% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para junho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,12% na B3, aos R$4,9180. Após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar na véspera que o cessar-fogo entre os países "respira por aparelhos", uma autoridade do Irã disse nesta terça-feira que o país expandiu sua definição do Estreito de Ormuz para uma "vasta área operacional", muito mais ampla do que antes da guerra. O tráfego de navios pelo estreito, por onde circulam 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo, seguiu prejudicado. À tarde, Trump afirmou que terá uma longa conversa com o presidente chinês, Xi Jinping, sobre a guerra no Irã durante sua viagem à China, mas acrescentou que não acha que precisa da ajuda de Xi. Mais tarde, Trump disse que tem “muitas coisas” para discutir com Xi, mas “não diria que o Irã é uma delas”. Sem um desfecho visível para a guerra, o dólar sustentou ganhos ante boa parte das demais divisas, incluindo pares do real como o rand sul-africano, a rupia indiana e o peso mexicano. No Brasil, porém, a divisa alternou momentos de estabilidade e de leves altas, mas sempre se mantendo distante dos R$5,00. “A guerra veio, a guerra foi, e o dólar está abaixo de R$5,00”, comentou João Oliveira, head da mesa de operações do Banco Moneycorp. “As exportações e as entradas financeiras, para aproveitar a taxa de juros alta no Brasil, estão segurando as cotações”, acrescentou. Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA, índice oficial de inflação, subiu 0,67% no mês passado, desacelerando ante a taxa de 0,88% de março e contra projeção de 0,69% dos analistas consultados pela Reuters. Em 12 meses, o IPCA acumulou alta de 4,39%, ante 4,40% projetados. Mas a abertura do IPCA ainda demonstrou uma inflação pressionada em algumas métricas de serviços, o que coloca em dúvida o espaço do Banco Central para continuar o ciclo de cortes da taxa básica Selic ao longo do ano. Atualmente a Selic está em 14,50%.

REUTERS

 

Ibovespa fecha em queda com cena corporativa e inflação em foco

O Ibovespa fechou em queda na terça-feira, perdendo o patamar dos 180 mil pontos na mínima do dia, em sessão marcada por noticiário corporativo intenso e dados de inflação no Brasil e nos EUA, além de nova alta do preço do petróleo no mercado internacional.

 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,80%, a 180.342,33 pontos, após marcar 179.938,70 pontos no pior momento. Na máxima, marcou 181.896,57 pontos. O volume financeiro somou R$29,11 bilhões. O barril sob o contrato Brent fechou em alta de 3,42%, a US$107,77, diante do enfraquecimento nas expectativas sobre um acordo entre Estados Unidos e Irã, que permita a reabertura do Estreito de Ormuz, relevante rota da commodity. O avanço nas cotações da commodity desde o começo do conflito no Oriente Médio, no final de fevereiro, tem preocupado investidores por causa do efeito na inflação e seus reflexos em políticas de bancos centrais no mundo. Na visão do sócio e advisor da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz, há um medo de uma possível persistência da inflação no globo como um todo e como os BCs irão reagir a tal cenário. Nesta terça-feira, dados mostraram que o índice de preços ao consumidor nos EUA acelerou em abril, com a leitura em 12 meses registrando a maior alta em quase três anos, diante do avanço nos preços de combustíveis.

Wall Street fechou com o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, em queda de 0,16%. No Brasil, o IPCA em 12 meses mostrou alta de 4,39%, de 4,14% em março e projeção de 4,40%. A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. "Com os preços de petróleo elevados e na ausência de uma resolução do conflito no Oriente Médio, prevemos um período de inflação pressionada nos próximos meses", afirmaram economistas do Bradesco ao comentar o IPCA.

REUTERS

 

IPCA desacelera em abril, mas taxa em 12 meses avança em meio à cautela do BC

A inflação brasileira desacelerou em abril um pouco mais do que o esperado pelos analistas, mas foi ainda mais para acima no acumulado em 12 meses em meio à cautela do Banco Central.

 

Em abril, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,67%, de alta de 0,88% em março, mostraram os dados divulgados na terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou ligeiramente abaixo da expectativa em pesquisa de Reuters, de avanço mensal de 0,69%. O resultado levou a inflação acumulada em 12 meses a subir 4,39%, de 4,14% em março e projeção de 4,40%. A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O Banco Central decidiu no final de abril cortar a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,50% ao ano, e argumentou que precisará incorporar novas informações para definir a política monetária à frente, mencionando possibilidade de ajuste do ritmo e da extensão do ciclo de "calibração" da taxa e ressaltando o distanciamento da inflação corrente da meta. Por trás da cautela do BC estão as incertezas em relação à guerra no Oriente Médio e seus impactos sobre a inflação. Em abril, as principais influências vieram dos grupos alimentos e bebidas, com alta de 1,34%, de 1,56% em março, e saúde e cuidados pessoais, que subiu 1,16%, de 0,42% no mês anterior. A alimentação no domicílio avançou 1,64%, com altas da cenoura (26,63%), do leite longa vida (13,66%), da cebola (11,76%), do tomate (6,13%) e das carnes (1,59%). "Alguns alimentos, de forma geral, apresentam uma restrição de oferta, o que provoca um aumento no nível de preços. No caso do leite, com a chegada do clima mais seco, sazonal no período, há redução de pasto, necessitando da inclusão de ração para os animais, o que eleva os custos", explicou o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves. Em saúde, os produtos farmacêuticos tiveram alta de 1,77%, após autorização do reajuste de até 3,81% nos preços dos medicamentos a partir de 1° de abril. Por sua vez, o subitem com maior impacto individual no IPCA foi a gasolina, cuja alta de preços desacelerou a 1,86%, de 4,59% em março, mesmo em meio à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que mantém a passagem de navios com petróleo pelo Estreito de Ormuz prejudicada. Os combustíveis tiveram alta de 1,80% no mês, com óleo diesel subindo 4,46% e o etanol, 0,62%. O grupo Transportes avançou apenas 0,06% em abril, de 1,64% em março, diante ainda da queda de 14,45% no subitem passagem aérea. A inflação de serviços caiu a 0,04% em abril, de 0,53% em março, atingindo em 12 meses 5,75%. O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, teve em abril queda de 2 pontos percentuais, a 65%.

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