CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1032 DE 22 DE JANEIRO DE 2026
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Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1032 | 22 de janeiro de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Mercado do boi gordo segue travado
Em SP, já são 9 dias de estabilidade para o boi gordo sem padrão-exportação, 13 dias para o “boi-China”, 44 dias para a vaca gorda e 20 dias para a novilha terminada, segundo cálculos da Scot. No PARANÁ: Boi: R$ 315,00. Vaca: R$ 295,00. Novilha: R$ 305,00. Escalas: seis dias. Boi China: PARANÁ: R$ 328,00/@ (à vista) e R$ 332,00/@ (prazo)
Diante da retração nas vendas de carne bovina no mercado interno e do menor ritmo nas exportações observada na terceira semana de janeiro, os frigoríficos brasileiros passaram a adotar uma postura ainda mais conservadora, reduzindo o ritmo de compras e evitando fechamentos apressados, informou na quarta-feira (21/1) a Agrifatto. O mercado segue com baixa liquidez, com negociações pontuais e preços estáveis nas maiorias das praças acompanhadas pelas consultorias do setor. Segundo dados da Agrifatto, as escalas de abate das indústrias brasileiras estão curtas – em média, oito dias no cenário nacional. “Eventuais ajustes nas cotações da arroba ocorrem de forma localizada, sem impacto relevante sobre a média geral”, observou a Agrifatto. “Nas principais regiões produtoras, a movimentação segue lenta, configurando um ambiente travado, marcado por pouca oferta, poucos negócios e uma atuação seletiva da indústria”, disse. O mercado físico do boi gordo permanece relativamente equilibrado, sustentado mais pela cautela de compradores e vendedores do que por mudanças significativas nos fundamentos de oferta e demanda. Pelos dados da consultoria, das 17 praças monitoradas diariamente, apenas uma registrou valorização da arroba: RS. Três delas apresentaram ajustes negativos: BA, PR e RO. Nas demais regiões, as cotações ficaram estáveis. Segundo cálculos da Scot Consultoria, na praça paulista, já são 9 dias de estabilidade para o boi gordo sem padrão-exportação, 13 dias para o “boi China”, 44 dias para a vaca gorda e 20 dias para a novilha terminada. Assim, de acordo com a apuração da Scot, o boi gordo segue cotado em R$ 318/@, a vaca em R$ 302/@, a novilha em R$ 312/@ e o “boi-China” é negociado por R$ 322/@ (preços no prazo, valores brutos). Cotações do boi gordo desta quarta-feira (21/1), conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 320,00. Boi China: R$ 320,00. Média: R$ 320,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: sete dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 310,00. Boi China: R$ 310,00. Média: R$ 310,00. Vaca: R$ 290,00. Novilha: R$ 300,00. Escalas: oito dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 310,00. Boi China: R$ 310,00. Média: R$ 310,00. Vaca: R$ 290,00. Novilha: R$ 300,00. Escalas: sete dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 300,00. Boi China: R$ 300,00. Média: R$ 300,00. Vaca: R$ 280,00. Novilha: R$ 290,00. Escalas: sete dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 310,00. Boi China/Europa: R$ 310,00. Média: R$ 310,00. Vaca: R$ 290,00. Novilha: R$ 300,00. Escalas: oito dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 300,00. Boi China: R$ 300,00. Média: R$ 300,00. Vaca: R$ 275,00. Novilha: R$ 285,00. Escalas: oito dias. PARÁ: Boi comum: R$ 300,00. Boi China: R$ 300,00. Média: R$ 300,00. Vaca: R$ 275,00. Novilha: R$ 285,00. Escalas: seis dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 270,00. Vaca: R$ 255,00. Novilha: R$ 260,00. Escalas: dez dias. MARANHÃO: Boi: R$ 300,00. Vaca: R$ 270,00. Novilha: R$ 275,00. Escalas: oito dias. Preços brutos do “boi-China” nesta quarta-feira (21/1), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 318,00/@ (à vista) e R$ 322,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 311,00/@ (à vista) e R$ 315,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 298,50/@ (à vista) e R$ 302,00/@ (prazo).
MATO GROSSO DO SUL: R$ 303,50/@ (à vista) e R$ 307,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 306,00/@ (à vista) e R$ 310,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 308,00/@ (à vista) R$ 312,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 301,50/@ (à vista) e R$ 305,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 271,50/@ (à vista) e R$ 275,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 306,00/@ (à vista) e R$ 310,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 296,50/@ (à vista) e R$ 300,00/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
CARNES
Brasil aumenta exportações das carnes em 38% em cinco anos
Embarques de proteína bovina quase dobraram no período; acordo Mercosul-União Europeia pode diversificar destinos
O Brasil aumentou as exportações do complexo carne em 37,6% em cinco anos, com destaque para a proteína bovina, cujos embarques praticamente dobraram no período. Entre 2021 e 2025, as vendas externas subiram de 6,81 milhões de toneladas para 9,37 milhões de toneladas. Durante o período, as carnes bovina, suína e de aves mantiveram uma crescente ininterrupta: Aves: de 4,24 milhões de toneladas para 4,96 milhões de toneladas (+17%). Bovinos: de 1,56 milhão de toneladas para 3,09 milhões de toneladas (+98%). Suínos: de 1,01 milhão de toneladas para 1,32 milhão de toneladas (+30,7%). O que chama a atenção é o crescimento orgânico nos embarques das carnes de aves, que conta com um mercado com mais capilaridade em relação à proteína bovina. O acordo Mercosul-União Europeia sinaliza um avanço importante para as exportações de carnes do Brasil, o único país do bloco sul-americano a ser capaz de suprir a demanda europeia por proteína animal. O acordo vai impactar positivamente nas exportações, mas não podemos esperar que isso aconteça em 2026 ou 2027. Teremos um resultado bastante expressivo nessa relação com a União Europeia somente a partir do quinto ou sexto ano do acordo.
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SUÍNOS
Trabalhadores estrangeiros ampliam presença na indústria de suínos brasileira
O número de trabalhadores estrangeiros com vínculo formal em frigoríficos de abate de suínos no Brasil chegou a 19.521 pessoas até 31 de dezembro de 2024, o que representa 15,6% do total de empregos do setor.
Os dados fazem parte do Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab-Pr), com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Segundo o levantamento, a alta demanda por mão de obra mantém os frigoríficos como um dos principais destinos para trabalhadores imigrantes, consolidando o segmento como importante porta de entrada no mercado formal brasileiro. Entre os estrangeiros empregados na indústria suinícola, os venezuelanos representam 70,3% do total, somando 13.733 trabalhadores. Em seguida aparecem haitianos (4.732), paraguaios (423), argentinos (273) e cubanos (143). De acordo com o Deral, essa composição reflete as recentes ondas migratórias e o perfil de inserção dos imigrantes no mercado regional, principalmente em estados com forte presença da suinocultura. O estado de Santa Catarina lidera em número de estrangeiros empregados formalmente em frigoríficos de suínos, com 11.339 vínculos, o equivalente a 30,6% das vagas do setor. Na sequência, aparecem o Rio Grande do Sul, com 2.659 trabalhadores, e o Paraná, com 2.385. O boletim ressalta que essa concentração acompanha a relevância da Região Sul na cadeia produtiva suinícola nacional, responsável por grande parte da produção e do abate no país. No Paraná, os haitianos são o principal grupo entre os estrangeiros contratados, com 1.012 vínculos (42,2%), seguidos por venezuelanos (878), além de paraguaios, cubanos e senegaleses. Na atividade primária — a criação de suínos —, a presença de trabalhadores estrangeiros é mais reduzida. Em 2024, foram registrados 589 vínculos formais, o que representa 1,7% do total de empregos do segmento. A maior parte desse contingente é formada por paraguaios, venezuelanos e argentinos. O Paraná lidera as contratações, com 218 vínculos, correspondentes a 4% do quadro funcional estadual, seguido por Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Para o Deral, os números demonstram a importância regional da suinocultura e a necessidade constante de mão de obra para sustentar a produção.
De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), o aumento no número de estrangeiros empregados no setor está diretamente ligado às recentes ondas migratórias motivadas por crises geopolíticas e à capacidade de absorção do setor suinícola, que demanda profissionais em diversas etapas do processo produtivo. Os frigoríficos continuam sendo grandes polos de empregabilidade e integração econômica para imigrantes, contribuindo para o fortalecimento do setor e para a inclusão social de trabalhadores vindos de outros países.
PORTAL DO AGRONEGÓCIO
FRANGOS
Exportações brasileiras de frango devem avançar 4% em 2026
Alta prevista equivale a cerca de 250 mil toneladas em um cenário de maior demanda global
O Brasil deve manter o ritmo de crescimento na produção e nas exportações de carne de frango ao longo de 2026, impulsionado por custos de ração mais favoráveis e por uma demanda global maior. O cenário é considerado positivo para o setor, embora a biossegurança siga como o principal ponto de atenção. Entre os maiores produtores mundiais, a China deve liderar o crescimento em 2026, com alta estimada de 3,1%, segundo projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Na sequência aparecem Brasil, com expansão prevista de 1,6%, e Estados Unidos, com avanço de 1%. No comércio internacional, o Brasil se destaca entre os exportadores, com aumento projetado de 5,5%, o que representa cerca de 250 mil toneladas adicionais embarcadas. Outro destaque é a China no mercado exportador. O país deve alcançar cerca de 1,2 milhão de toneladas exportadas em 2026, volume que praticamente iguala o da Tailândia, quarta maior exportadora global. Há três anos, os embarques chineses giravam em torno de 500 mil toneladas. Esse avanço reflete ganhos de eficiência e competitividade da indústria chinesa, que tem o Japão e Hong Kong como principais destinos, além de ampliar sua presença em mercados emergentes da Ásia, da Europa e do Oriente Médio. Mesmo assim, o USDA projeta que a China também registre forte aumento nas importações, estimadas em 400 mil toneladas, o maior crescimento entre os principais importadores. Para o Brasil, as projeções indicam aumento de 2% na produção e de 4% nas exportações em 2026, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA. O setor deve ser favorecido por mais um ano de custos de ração controlados, apoiados pelo bom desempenho das safras de grãos. A soja e o milho da primeira safra apresentam resultados positivos, assim como as perspectivas para a safrinha. Com as importações globais de carne de frango estimadas em crescimento de 4,5% em 2026, o ambiente segue favorável para o comércio internacional. O principal desafio permanece sendo a biossegurança, especialmente no controle de eventuais casos de gripe aviária, fator considerado essencial para manter os mercados externos abertos e garantir o aproveitamento das oportunidades ao longo do ano.
AGRO ITAÚ BBA
GOVERNO
Brasil amplia mercados para produtos agropecuários no Vietnã e na Arábia Saudita
O governo brasileiro concluiu negociações sanitárias que permitirão a exportação de novos produtos agropecuários para o Vietnã e para a Arábia Saudita.
As autoridades sanitárias vietnamitas confirmaram o aceite para a exportação de gordura bovina do Brasil, o que amplia e diversifica oportunidades para a cadeia pecuária brasileira. Com cerca de 100 milhões de habitantes, o Vietnã é um dos principais destinos do agronegócio brasileiro, tendo importado mais de US$ 3,5 bilhões em produtos agropecuários nacionais em 2025, entre os quais se destacam milho, complexo soja, fibras e produtos têxteis. Na Arábia Saudita, as autoridades sanitárias confirmaram a abertura de mercado para heparina bovina, anticoagulante utilizado em procedimentos e terapias clínicas. O país, com cerca de 34 milhões de habitantes, importou mais de US$ 2,8 bilhões em produtos agropecuários brasileiros no ano passado, com destaque para milho e para produtos do complexo carnes e do complexo sucroalcooleiro. Com estes anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 527 novas oportunidades desde o início de 2023.
MAPA
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Cesta básica de alimentos: todas as capitais brasileiras apresentaram queda no preço no segundo semestre de 2025
Após seis meses de divulgação da Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preço da Cesta Básica de Alimentos, levantamento publicado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), foi observado que todas as 27 capitais das unidades federativas do Brasil apresentaram queda no valor do conjunto de itens alimentícios, com variações negativas entre -9,08% em Boa Vista (RR) e -1,56% em Belo Horizonte (MG).
Para o presidente da Conab, Edegar Pretto, o resultado desses últimos seis meses de 2025 demonstram que o Brasil está no caminho certo. “Estamos comemorando porque essa queda generalizada é fruto dos grandes investimentos que o Governo Federal vem fazendo no setor agropecuário brasileiro para aumentar a produção de alimentos para o consumo interno nacional. Um exemplo disso são os Planos Safra, tanto o empresarial quanto o da Agricultura Familiar, que retornou neste governo. Já são três anos que ambos têm valores recordes, não faltando recursos para o financiamento agrícola, e com juros subsidiados. E o efeito está aí: a maior safra da série histórica, o que possibilitou aumentar muito a produção de comida para a população no Brasil. A mão amiga do governo que auxilia o produtor também ajuda o consumidor, pois não deixa faltar nas prateleiras dos mercados alimentos com um preço mais acessível”, explicou. Campeã em queda de preço entre as capitais, Boa Vista (RR) teve a redução de -9,08% no valor da cesta básica de alimentos, no acumulado dos últimos seis meses do ano passado, com o preço passando de R$ 712,83 em julho/2025, para R$ 652,14 em dezembro/2025 - valor R$ 60,69 menor ao fim no ano. Logo atrás ficou Manaus (AM), com diminuição de -8,12% no preço, saindo de R$ 674,78 para R$ 620,42, ou seja, custo R$ 54,36 a menos no último mês do ano. Fechando o ranking, Fortaleza (CE) ocupa o terceiro lugar em queda do preço do conjunto de alimentos essenciais no aglomerado da segunda metade de 2025, queda de -7,90%, com cestas que custavam R$ 738,09 em julho e chegaram a R$ 677 em dezembro do ano anterior, isto é, R$ 61,09 mais barata. Na ponta contrária da tabela, estão Belo Horizonte (MG), Macapá (AP) e Campo Grande (MS) com quedas de -1,56%, -2,10% e -2,16%, respectivamente, no agrupado do período. Por regiões, Boa Vista (RR) lidera o cenário de baixa de preços não só nacionalmente, mas também no Norte, assim como Fortaleza (CE), ocupa não somente o terceiro lugar geral, mas também é campeã no Nordeste do país. Já no Centro-Oeste, Brasília (DF), é a recordista em declínio de preço da cesta, com variação de -7,65% nos últimos seis meses de 2025. No Sul, a capital mais bem colocada é Florianópolis (SC), que teve redução de -7,67% no valor do conjunto de produtos. Por fim, Vitória (ES) é a capital vencedora no Sudeste do país, com redução de -7,05% no preço da cesta básica de alimentos no compilado das pesquisas da última metade do ano passado.
CONAB/DIEESE
Recursos das CPR atingiram R$ 121 bilhões entre julho e dezembro de 2025
Os recursos captados por meio das Cédulas de Produto Rural (CPR), destinados ao custeio da safra 2025/2026, atingiram R$ 121,9 bilhões, um aumento de 30% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
As CPR consideradas nessa contabilização são apenas aquelas emitidas por produtores rurais em favor das instituições financeiras e que são contabilizadas no cumprimento das exigibilidades de aplicação das LCA’s e da poupança rural. Os dados são da edição 01/2026 do Boletim de Desempenho do Crédito Rural, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). No período observado, o crédito rural registrou crescimento nos recursos contratados.
O volume total de recursos contratados, sem considerar o Pronaf, entre julho e dezembro de 2025, atingiu R$ 284,08 bilhões, representando crescimento de 3% em relação aos R$ 275,18 bilhões contratados no mesmo período de 2024. Outro destaque foi o crescimento de 43% nos recursos contratados para industrialização, totalizando R$ 17,6 bilhões. A participação da CPR no total do crédito concedido evoluiu de 34%, para 45%.
OCEPAR
ECONOMIA
Dólar cai mais de 1% sob influência do exterior e do fluxo para a bolsa
O dólar fechou a quarta-feira em baixa firme ante o real, superior a 1%, em meio ao recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior e ao fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira.
O dólar à vista encerrou o dia em baixa de 1,10%, aos R$5,3209, na menor cotação de fechamento desde 4 de dezembro do ano passado, quando atingiu R$5,3103. Em 2026, a divisa acumula queda de 3,06%. Às 17h05, o dólar futuro para fevereiro -- atualmente o mais negociado no Brasil -- cedia 1,12% na B3, aos R$5,3320. No exterior, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender que o país passe a controlar a Groenlândia, hoje ligada à Dinamarca, mas abrandou a retórica ao descartar o uso da força para isso. "As pessoas pensaram que eu usaria a força, mas eu não preciso usar a força", disse Trump na reunião anual do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. "Eu não quero usar a força. Eu não usarei a força." O discurso de Trump fez o dólar recuperar um pouco de força ante as divisas fortes no exterior, como o euro e o franco suíço, após a aversão a ativos norte-americanos vista nos últimos dias. Em relação às moedas de países emergentes, o discurso mais brando de Trump na quarta-feira pesou sobre o dólar, que teve baixas firmes ante o real, o peso chileno, o peso mexicano e o rand sul-africano, entre outros. No Brasil, o forte fluxo de recursos estrangeiros para a bolsa de valores acentuou o viés negativo, conforme profissionais ouvidos pela Reuters. Durante a tarde, o Ibovespa superou os 170 mil pontos pela primeira vez na história. Durante a tarde, dados do Banco Central corroboraram a percepção recente de forte entrada de recursos no Brasil. O país registrou fluxo cambial total positivo de US$1,544 bilhão em janeiro até o dia 16, em movimento puxado pela via financeira, que acumula entradas líquidas de quase US$3 bilhões este ano, conforme o BC. Somente na última sexta-feira, dia 16, entraram no país pelo canal financeiro US$1,674 bilhão. Os agentes também estiveram atentos na quarta-feira à política. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cancelou a visita que faria na quinta-feira ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso em Brasília. O cancelamento levantou dúvidas sobre as articulações da direita para as eleições de outubro.
A possibilidade de Tarcísio ser candidato à Presidência diminuiu após Bolsonaro apoiar seu filho Flávio, senador pelo PL, no fim do ano passado. No entanto, Tarcísio segue como nome preferido da Faria Lima. Pela manhã, pesquisa da Atlas mostrou que Lula lidera com folga todos os cenários de primeiro turno para eleição e mantém a dianteira nas simulações de segundo turno. Sem efeitos diretos no câmbio, o Banco Central decretou pela manhã a liquidação extrajudicial da Will Financeira, controlada pelo Banco Master, também em liquidação.
REUTERS
Ibovespa dispara mais de 3%, renova máximas e encosta em 172 mil pontos com estrangeiros
O Ibovespa fechou em forte alta na quarta-feira, renovando máximas e encostando nos 172 mil pontos, em movimento puxado principalmente por fluxo estrangeiro, com ações blue chips como Itaú Unibanco e Vale renovando seus topos históricos.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 3,33%, a 171.816,67 pontos, novo recorde de fechamento, perto do topo da sessão, a 171.969,01, nova máxima intradia. Apenas nesta sessão, foram superadas pela primeira vez as marcas de 167 mil, 168 mil, 169 mil, 170 mil e 171 mil pontos. A mínima do pregão foi registrada na abertura, quando o Ibovespa marcou 166.277,91 pontos. O volume financeiro somou R$43,32 bilhões, bem acima da média do ano, de R$28,99 bilhões. De acordo com analistas e estrategistas, fatores globais seguem como protagonistas para o desempenho positivo do Ibovespa, com destaque para realocação de capital de mercados desenvolvidos, principalmente Estados Unidos, para emergentes. Esse movimento, que também se observou no ano passado, reflete uma busca por diversificação geográfica diante do aumento das tensões geopolíticas e preocupações em torno da política comercial dos Estados Unidos. Apenas em 2026, o Ibovespa já acumula alta de 6,64%. De acordo com dados da B3, no ano, a bolsa registra uma entrada líquida de estrangeiros de R$7,6 bilhões até o dia 19. Para estrategistas do JPMorgan, 2026 pode ser mais um ano com fortes fluxos de capital externo para as ações brasileiras. Além dos fatores externos, citam que o ciclo de afrouxamento monetário esperado no Brasil adiciona outra camada de otimismo. "Há uma grande dependência dessa valorização pelo fluxo estrangeiro significativo ingressando em nosso país", disse o assessor de investimentos Cristiano Henrique Luersen, sócio da Wiser Investimentos. Luersen reforçou que questões globais macro, em especial geopolíticas, têm promovido uma saída significativa de capital da Europa e dos EUA. "Esse movimento de saída para mercados emergentes começou e veio para ficar", acrescentou.
O Ibovespa acelerou a alta à tarde, acompanhando a melhora dos pregões em Wall Street, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuar abruptamente das ameaças de impor tarifas como alavanca para tomar a Groenlândia. Na sua plataforma Truth Social, Trump citou o arcabouço de um futuro acordo com relação à Groenlândia e à região do Ártico, acrescentando que, assim, não irá impor as tarifas que estavam programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro. Em Nova York, o S&P 500 fechou em alta de mais de 1%.
REUTERS
Brasil tem fluxo positivo de US$1,544 bi no ano puxado por entradas financeiras
O Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$1,544 bilhão em janeiro até o dia 16, em movimento puxado pela via financeira, que acumula entradas líquidas de quase US$3 bilhões este ano, informou na quarta-feira o Banco Central.
Os dados mais recentes são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Pelo canal financeiro, houve entradas líquidas de US$2,939 bilhões em janeiro até o dia 16. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de janeiro até o dia 16 foi negativo em US$1,395 bilhão. Na semana passada, de 12 a 16 de janeiro, o fluxo cambial total foi positivo em US$2,215 bilhões, sendo que a via financeira foi o destaque, com entrada líquida de US$2,524 bilhões. Somente na última sexta-feira, dia 16, entraram no país pelo canal financeiro US$1,674 bilhão. Este movimento ocorre em meio a relatos no mercado, nos últimos dias, de forte fluxo de investimentos para o Brasil, em especial para a bolsa, que segue sendo considerada atrativa pelos investidores estrangeiros. Na semana passada, a via comercial registrou saída líquida de US$309 milhões.
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