top of page
Buscar

CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1062 DE 09 DE MARÇO DE 2026

  • prcarne
  • há 6 horas
  • 20 min de leitura

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 5 | nº 1062 | 09 de março de 2026

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL  


Estabilidade nos preços do boi gordo

Indústria atua com maior pressão sobre as cotações e reduz o ritmo de aquisições. No PARANÁ: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: quatro dias. Boi China: PARANÁ: R$ 351,50/@ (à vista) e R$ 355,00/@ (prazo)

 

Pelos dados da Scot Consultoria, o boi gordo sem padrão-exportação segue valendo R$ 352/@ no mercado de São Paulo, enquanto o “boi-China” está cotado em R$ 355/@ (valores brutos, no prazo). “Há muita especulação no mercado”, dizem os analistas da Scot, acrescentando que há relatos de negócios fechados abaixo das referências vigentes, principalmente envolvendo confinamentos. No entanto, afirma a consultoria, esses volumes ainda não são suficientes para estabelecer uma nova referência de preços. “Os compradores passaram a ofertar preços menores, mas a ponta vendedora segue firme, não cede, aguardando com calma o desenrolar da situação”, afirma a Scot, referindo-se sobretudo aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, que deixou os frigoríficos brasileiros na retranca, com parte da indústria reduzindo o ritmo dos abates para alongar as escalas e negociar com mais serenidade. Segundo a Agrifatto, a maior disponibilidade pontual de animais a valores mais competitivos também contribuiu para o alongamento das escalas de abate dos frigoríficos brasileiros, que atualmente atendem, em média nacional, entre 6 e 7 dias úteis. Ainda de acordo com análise da consultoria, atualmente, “observa-se uma clara disputa entre frigoríficos e pecuaristas: enquanto a indústria atua com maior pressão sobre os preços e reduz o ritmo de aquisições, os produtores, em posição relativamente confortável, demonstram resistência em aceitar valores menores”. Cotações do boi gordo, conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: cinco dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 335,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: cinco dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 335,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: quatro dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 335,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: cinco dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China/Europa: R$ 340,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: cinco dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 325,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: quatro dias. PARÁ: Boi comum: R$ 325,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: quatro dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 310,00. Vaca: R$ 290,00. Novilha: R$ 300,00. Escalas: sete dias. MARANHÃO: Boi: R$ 325,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 300,00. Escalas: cinco dias. Preços brutos do “boi-China” nesta quinta-feira (5/3), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 351,00/@ (à vista) e R$ 355,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 336,50/@ (à vista) e R$ 340,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$338,50/@ (à vista) e R$ 342,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 336,50/@ (à vista) e R$ 340,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 331,50/@ (à vista) e R$ 335,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 331,50/@ (à vista) R$ 335,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 326,50/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 312,00/@ (à vista) e R$ 315,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 319,00/@ (à vista) e R$ 322,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 326,50/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo).

SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO

 

Especulações sobre a guerra afetam preço do boi, diz setor

Pecuaristas reclama que análises divulgadas recentemente podem "desestruturar" a cadeia.

Mercado do boi gordo estava em alta desde o início do ano

 

O presidente da Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Cyro Penna, disse que “especulações” sobre os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre as exportações brasileiras já afetaram o mercado pecuário no país. “Confirmadas as expectativas positivas para 2026, o mercado do boi gordo subiu 9,1% de janeiro até o início de março, em função da maior concorrência pelo boi gordo, pela boa demanda interna e as exportações aquecidas. A guerra no Irã e notícias de que o país fecharia o estreito de Ormuz geraram muitas especulações que impactaram o mercado do boi gordo no Brasil”, afirmou Penna. Segundo ele, muitas informações divulgadas são “sem fundamento e com intuito de desestruturar o mercado frente a uma menor oferta de animais e redução nas escalas de abate”. Na sexta-feira (6/3), no entanto, a cotação do boi gordo se manteve estável na maior parte do país. Houve queda em apenas cinco praças: Três Lagoas (MS), Campo Grande (MS), Dourados (MS), Cuiabá (MT) e sudoeste de Mato Grosso. Durante a semana, uma entidade do setor relatou um potencial impacto da guerra em até 40% do volume de carne bovina exportada pelo Brasil, o que representa 1 milhão de toneladas e até US$ 6 bilhões. Segundo a entidade, esse é o percentual de carregamentos que passam ou têm como destino os países do Oriente Médio. A CNA contesta o dado. “O estreito de Ormuz é crítico para energia, mas representa parcela relativamente pequena do fluxo global de contêineres, estimado entre 2% e 3%. Em relação às exportações, a China é nosso maior cliente, representando quase 50% dos embarques, e a rota para lá não tem necessidade de passar por Ormuz, região do conflito”, apontou Penna. Ele disse também que outros mercados importadores, como Estados Unidos, Chile e México, também não são afetados pelo conflito no Irã e países vizinhos. “O Oriente Médio representou 6,8% da receita e 6,5% do volume exportado pelo Brasil em 2025. Se considerarmos apenas países geograficamente localizados perto do estreito de Ormuz, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, a participação cai para menos de 4%”, acrescentou. “Isso não quer dizer que países vão parar de comprar a carne brasileira e que não haverá redirecionamento das rotas comerciais”, apontou. Segundo ele, os desdobramentos das guerras e conflitos geram preocupações para todos os setores da economia, mas é necessário ter “cautela nas análises e divulgações de informações que possam causar prejuízos e danos estruturantes para a cadeia da carne bovina, em especial ao produtor rural”.

VALOR ECONÔMICO

 

SUÍNOS

 

Preço do suíno despenca 16,1% em fevereiro e mercado acompanha impactos de tensão no Oriente Médio

Queda expressiva nas cotações do suíno vivo em fevereiro reflete retração na demanda da indústria, enquanto exportadores monitoram possíveis impactos logísticos de tensões no Oriente Médio.

 

As cotações do suíno vivo registraram forte queda em fevereiro no mercado brasileiro, pressionadas principalmente pela retração da demanda da indústria no mercado independente. Levantamento do Cepea mostra que os preços recuaram de forma significativa nas principais praças acompanhadas. Na praça SP-5, que engloba os municípios de Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba, o animal foi negociado à média de R$ 6,91 por quilo em fevereiro, uma queda expressiva de 16,1% em relação a janeiro, quando o valor médio foi de R$ 8,24/kg. Na comparação anual, a desvalorização também foi significativa: o preço ficou 20% abaixo do registrado em fevereiro de 2025, quando o suíno vivo havia sido negociado a R$ 8,66/kg. Segundo pesquisadores do Cepea, o principal fator por trás da queda foi a redução na procura da indústria por lotes de animais no mercado independente. Esse movimento provocou um desequilíbrio entre oferta e demanda, ampliando a disponibilidade de animais no mercado e pressionando as cotações ao longo do mês. No sistema independente, onde produtores negociam diretamente com frigoríficos, a diminuição do interesse da indústria tende a ter impacto imediato sobre os preços pagos pelo animal vivo.

Com a entrada de março, agentes do setor passaram a acompanhar também fatores geopolíticos que podem afetar o comércio internacional de carnes. Segundo o Cepea, o conflito no Oriente Médio envolvendo principalmente o Irã tem gerado atenção no mercado, diante do risco de ampliação das tensões para outros países da região. Embora o Oriente Médio não seja um destino relevante para a carne suína brasileira, principalmente por questões religiosas, a preocupação está relacionada a eventuais impactos logísticos no comércio marítimo global.

Pesquisadores destacam que um eventual fechamento ou restrição de rotas estratégicas de transporte marítimo pode elevar os custos de fretes e seguros internacionais, cenário que preocupa especialmente os exportadores. Esse tipo de impacto logístico pode afetar a competitividade da proteína brasileira no mercado internacional e alterar as estratégias comerciais do setor. Enquanto o setor monitora os desdobramentos no cenário externo, o comportamento da demanda doméstica e das compras da indústria continuará sendo determinante para a evolução das cotações do suíno vivo no curto prazo. Caso a procure volte a ganhar ritmo nas próximas semanas, o mercado pode iniciar um processo de reacomodação dos preços após as fortes quedas registradas em fevereiro.

AGRIMIDIA

 

Embarques de carne suína crescem em fevereiro e Filipinas ampliam liderança entre destinos

Alta mensal é impulsionada pela demanda asiática; embarques para Filipinas avançam mais de 77% no mês.

 

As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 122,1 mil toneladas em fevereiro, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O volume é 6,7% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 114,4 mil toneladas. Em receita, o desempenho também foi positivo. Ao todo, as vendas internacionais do setor somaram US$ 284,1 milhões, valor 4,1% superior ao obtido em fevereiro de 2025, quando as exportações alcançaram US$ 272,9 milhões. No acumulado do primeiro bimestre do ano, as exportações brasileiras de carne suína chegaram a 238,4 mil toneladas, volume 8,1% maior em relação ao mesmo período de 2025, quando foram embarcadas 220,5 mil toneladas. Em receita, o crescimento acumulado chega a 8,5%, com US$ 554,4 milhões obtidos nos dois primeiros meses de 2026, contra US$ 510,9 milhões registrados no mesmo período do ano passado. Na análise por país-destino, as Filipinas ampliaram sua posição como principal mercado para a carne suína brasileira. Em fevereiro, o país importou 40,9 mil toneladas, volume 77,4% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado. Em seguida aparecem Japão, com 12,1 mil toneladas (+34,8%), China, com 11,1 mil toneladas (-43%), Chile, com 8,8 mil toneladas (+6%), e Hong Kong, com 8 mil toneladas (-40%). Também figuram entre os principais destinos Singapura, com 5,4 mil toneladas (-16,6%), Argentina, com 4,3 mil toneladas (-10,5%), Uruguai, com 4 mil toneladas (+8,7%), México, com 3,2 mil toneladas (+8%), e Geórgia, com 3,1 mil toneladas (+122%). A diversificação de destinos tem ampliado a segurança da pauta exportadora, reduzindo a dependência de mercados específicos e abrindo novas oportunidades comerciais. Principal exportador de carne suína, Santa Catarina embarcou 57 mil toneladas em fevereiro, número 7,7% menor em relação ao mesmo período do ano passado.  Em seguida estão o Rio Grande do Sul, com 29,7 mil toneladas (+24,1%), Paraná, com 20,6 mil toneladas (+15,3%), Mato Grosso, com 3,9 mil toneladas (+39,2%) e Minas Gerais, com 3,1 mil toneladas (+34,3%).

ABPA

 

FRANGOS

 

Frango/Cepea: Setor nacional se atenta ao conflito no Oriente Médio

O atual conflito no Oriente Médio – região que foi destino de quase 25% dos embarques brasileiros de carne de frango em 2025 – tem deixado agentes consultados pelo Cepea em alerta.

 

Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita são, respectivamente, o primeiro e o terceiro maiores destinos da carne de frango do Brasil. Dados da Secex mostram que, em 2025, foram escoadas mais de 877 mil toneladas da proteína para estes países. Agentes de mercado consultados pelo Cepea relataram que novos agendamentos de embarques para a região do Oriente Médio podem ser suspensos – ressalta-se que países vizinhos já foram atingidos pelo conflito, como o Catar, os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Líbano. Além disso, o Irã também anunciou o fechamento do estreito de Ormuz na segunda-feira, 2, importante rota marítima que viabiliza comércio com certos países da região da Península Arábica. Agentes consultados pelo Cepea avaliam realocar a carne para outros mercados, dado que os países afetados compram sobretudo o frango inteiro do Brasil. Porém, o comércio exterior também envolve questões logísticas, legais e fitossanitárias, o que dificulta essa alternativa. Caso, de fato, as exportações brasileiras da carne sejam bastante comprometidas pelo contexto e pelas consequências do conflito observado no Oriente Médio, a proteína pode ser destinada e comercializada no mercado interno. Agentes relatam que essa alternativa, contudo, traz novos desafios ao setor, já que exigiria algumas adaptações (como embalagens, etiquetas e afins).

CEPEA

 

Embarques de carne de frango crescem 5,3% em fevereiro

Alta em receita mensal chega a 8,6%; China reassume liderança nos embarques mensais

 

As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 493,2 mil toneladas em fevereiro, informou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número é o maior já registrado para o mês de fevereiro, superando em 5,3% o total embarcado no mesmo período do ano passado, com 468,4 mil toneladas. O saldo em dólares também é o maior já registrado para o mês de fevereiro. Ao todo, foram US$ 945,4 milhões, número 8,6% superior ao alcançado no mesmo período do ano passado, com US$ 870,4 milhões. No ano, a alta acumulada chega a 4,5%, com 952,3 mil toneladas embarcadas no primeiro bimestre deste ano, contra 911,4 mil toneladas no mesmo período do ano passado. Em receita, o crescimento comparativo é de 7,2%, com US$ 1,819 bilhão em 2026, contra US$ 1,696 bilhão nos dois primeiros meses de 2025. É o melhor desempenho já registrado no período, tanto em volume quanto em receita. Considerando os dados por país, a China reassumiu a liderança das exportações de carne de frango. Ao todo, foram 49,4 mil toneladas exportadas em fevereiro, número apenas 0,4% menor em relação ao registrado no segundo mês de 2025. Em seguida estão Emirados Árabes Unidos, com 44 mil toneladas (+13,4%), Japão, com 38,2 mil toneladas (+38%), Arábia Saudita, com 33,8 mil toneladas (+7,3%), África do Sul, com 31,3 mil toneladas (+27,6%), União Europeia, com 30,1 mil toneladas (+46,3%), Filipinas, com 30 mil toneladas (+29,2%), Coreia do Sul, com 18,5 mil toneladas (+2,4%), México, com 15,8 mil toneladas (-24,3%), e Singapura, com 15,4 mil toneladas (+20,1%). No levantamento por Estado, o Paraná seguiu na liderança, com 211 mil toneladas exportadas em fevereiro, número 13,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.  Em seguida estão Santa Catarina, com 104,6 mil toneladas (-1,9%), Rio Grande do Sul, com 61,1 mil toneladas (-12,47%), São Paulo, com 28,8 mil toneladas (+6,4%) e Goiás, com 24,5 mil toneladas (+19,36%). Com novo destino para a carne de frango, os exportadores de carne de frango celebraram o anúncio do Ministério da Agricultura e Pecuária sobre a conquista de acesso ao mercado das Ilhas Salomão para exportações do setor brasileiro. País com forte dependência de importações de alimentos e demanda crescente por proteína animal, as Ilhas Salomão possuem aproximadamente 830 mil habitantes e apresentam produção doméstica limitada de frango. Dados da Food and Agriculture Organization (FAO) indicam que a oferta interna do produto dobrou ao longo da última década, passando de cerca de 2 mil toneladas em 2010 para aproximadamente 4 mil toneladas, refletindo um setor em expansão, porém ainda dependente de importações para atender à demanda.  Em 2024, as importações de carne de frango somaram cerca de US$ 10,8 milhões, com fornecimento concentrado principalmente na Austrália e nos Estados Unidos.

ABPA

 

EMPRESAS

 

MBRF e JBS ampliaram aposta no Oriente Médio com aquisições e parcerias

Empresas buscam formas de garantir o abastecimento local em meio à guerra no Irã

Utilização de estoques e novas rotas logísticas são as principais alternativas em análise por frigoríficos brasileiros no Oriente Médio

 

Companhias como MBRF e JBS, que atuam no Oriente Médio, buscam formas de garantir o abastecimento local em meio à guerra no Irã, após grandes investimentos, aquisições e parcerias feitas na região. Utilização de estoques e novas rotas logísticas são as principais alternativas em análise. Com a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã nas últimas semanas, a MBRF já havia desenhado um plano de contingência e reforçado estoques de frango, tanto de produtos acabados quanto de carne in natura a ser processada em suas fábricas na região, disse uma fonte do setor ao Valor, sob condição de anonimato. O volume seria suficiente para garantir o abastecimento regional por mais de um mês. A companhia controlada por Marcos Molina tem hoje três unidades de carne de frango no Oriente Médio: uma em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e duas na Arábia Saudita, nas cidades de Dammam e Al Jubail. Tem ainda 11 centros de distribuição, que recebem e armazenam carne bovina importada que abastece a região, além de dois escritórios comerciais. Em todas as unidades, são cerca de 2 mil colaboradores. Em abril de 2025, antes da fusão com a Marfrig, a BRF Arabia Holding Company, em que a BRF tem parceria com a Halal Products Development Company (HPDC), anunciou a construção de uma fábrica de processados de frango em Jeddah, na Arábia Saudita, que absorverá US$ 160 milhões. Em outubro, já como MBRF, a companhia e a HPDC anunciaram a criação da Sadia Halal, unidade que reunirá fábricas da MBRF, suas empresas de distribuição no Catar, Kuwait e Omã e o negócio de exportações de aves, bovinos e processados a clientes na região. No momento, o foco da MBRF, segundo a fonte, não é redirecionar a outros países cargas que chegariam à região pelo Estreito de Ormuz, fechado em razão da guerra no Irã, mas abastecer as nações árabes. A estratégia é necessária inclusive porque suas fábricas precisam do frango exportado pelo Brasil para transformá-la em produtos processados. A alternativa com maior força, hoje, é acessar o Oriente Médio pelo estreito de Bab al-Mandab, entre o Iêmen e Djibouti, na África, e que dá acesso ao Mar Vermelho e à costa oeste da Arábia Saudita, onde a empresa tem fábricas. Dali, disse a fonte, as cargas poderiam ir por estradas a outros países. Mas outras possibilidades estão sendo estudadas, como acessar Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, pelo porto de Khorfakkan, que fica antes do estreito de Ormuz. O setor também considera usar o porto de Salalah, no sul de Omã, para então transportar cargas por via terrestre até Dubai, disse ao Valor, na quarta-feira o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin. De acordo com uma outra fonte do setor, MBRF e JBS também possuem estoques de carne bovina para processamento na região. No segmento de carne de frango, a JBS, por meio da Seara, vinha reforçando investimentos no Oriente Médio para fazer frente à demanda do mercado halal e aos movimentos da concorrência. O último, anunciado em fevereiro, foi a aquisição, por US$ 150 milhões, de 80% da holding recém-criada pela Oman Food Capital (OFC), braço de investimentos em alimentos da Oman Investment Authority (OIA). A transação envolveu a unidade de aves em fase de conclusão no norte de Omã e uma indústria de processamento de carnes bovina e cordeiro no sul do país, que deve começar a produzir em até seis meses, informou a JBS na época. A JBS também tem duas plantas na Arábia Saudita, em Jeddah, de frango e processados, e Damman, de carne bovina, linguiças e salsicha de frango e peito de aves. Em janeiro, anunciou a expansão da unidade de Jeddah, para dobrar a produção até o fim deste ano. A fábrica opera desde 2025 e exporta a países da região. Em todas as operações do Oriente Médio e norte da África, são cerca de 2 mil colaboradores. O Oriente Médio tem considerável relevância para os negócios das companhias. Em 2024, 14,2% das exportações da JBS foram para a África e Oriente Médio, segundo sua apresentação de resultados. Já a Sadia é líder de vendas na região que compreende a Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã, com 36,9% de participação. Procurada, a MBRF não comentou o assunto. A JBS não respondeu à reportagem.

VALOR ECONÔMICO

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ

 

Governo flexibiliza regras para garantir exportação de carne ao Oriente Médio

Ação emergencial pretende garantir fluxo de embarques e armazenagem de cargas que não serão enviadas. Medida atende principalmente exportadores de carnes de aves, dependente de exportações ao Oriente Médio

 

O Ministério da Agricultura atendeu a pedidos do setor exportador de carne de frango e autorizou a adoção de medidas emergenciais e temporárias na exportação de produtos de origem animal por conta do conflito armado no Oriente Médio. As ações incluem a extensão de validade dos certificados sanitários, a flexibilização para realocação interna de cargas que deixaram de ser embarcadas, a possibilidade de alteração documental para redirecionamento de exportações e permissão para armazenamento em contêineres refrigerados. O objetivo é minimizar os impactos no trânsito das cargas. As medidas viabilizam, por exemplo, o uso de rotas alternativas de transporte, por via marítima ou terrestre, uma das alternativas encontradas pelos frigoríficos brasileiros para não interromper o fluxo comercial à região, destino de 30% das vendas externas anuais das empresas do ramo no Brasil em 2025. O faturamento das exportações de 1,5 milhão de toneladas a países do Oriente Médio no ano passado foi de US$ 3,2 bilhões. Ofício circular dos departamentos de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) e de Serviços Técnicos (Dtec) da Secretaria de Defesa Agropecuária assinado na noite dessa sexta-feira (6/3) autoriza a adoção de cinco medidas “em caráter emergencial e momentâneo, enquanto perdurar o cenário logístico excepcional”. O pedido havia sido apresentado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) na terça-feira (3/3). Aproximadamente 200 mil contêineres são enviados por ano do Brasil para a região do Golfo. São de 250 a 300 contêineres por dia, segundo a entidade. A Pasta ampliou o prazo de validade dos documentos de trânsito das cargas, para 360 dias no caso dos certificados sanitários internacional (CSI) e nacional (CSN) e para 60 dias para a Declaração de Declaração de Produtos de Origem Animal (DCPOA). A autorização vale para documentos já emitidos e os que ainda serão e para cargas já embarcadas e em trânsito. No entanto, o ministério proibiu a revalidação de CSI no período. O documento deixa claro que a responsabilidade pela garantia das condições adequadas de conservação, localização, rastreabilidade, identificação e inviolabilidade são do detentor do produto. O ministério também autorizou que cargas já certificadas com CSI e que não puderam ser embarcadas possam ser redirecionadas para algum estabelecimento sob inspeção federal, sem a necessidade de emissão de um certificado nacional. A medida vale para itens que já estavam nos portos, aeroportos, postos de fronteira, aduanas especiais ou recintos especiais de despacho aduaneiro de exportação e que não seguiram o trânsito internacional. A expectativa é que essas cargas possam ser analisadas e certificadas para exportação para outros destinos. Para tanto, o ministério vai exigir toda documentação e garantias necessárias no momento do descarregamento. As cargas deverão ser mantidas lacradas e refrigeradas. No ofício, a Pasta justifica que as reinspeções oficiais nessas cargas poderiam exaurir as capacidades das equipes técnicas e que, em função do volume de carregamentos já certificados para trânsito internacional, a demanda por emissão de CSN poderia ultrapassar a capacidade operacional das unidades de vigilância. Também foi autorizada a armazenagem temporária em contêineres de produtos acabados, medida que já havia sido adotada em 2025 quando houve suspensão de mercados por conta do caso de gripe aviária no Brasil. A Pasta relata que se trata de uma “excepcionalidade” para o período de conflito. “Para que seja autorizado o uso de contêineres para estocagem de produtos acabados, as empresas deverão estabelecer controles auditáveis das cargas estocadas, assegurando a manutenção de frio e conservação, conforme o caso, as condições sanitárias dos recintos, a perfeita rastreabilidade dos produtos”, informa o ofício acessado pela reportagem.

O ministério também ampliou o prazo para a entrega da via original dos CSIs de 30 dias para 120 dias e a substituição desses certificados, com elevação do nível de exigência do destino, para os casos de redirecionamento de cargas. “A substituição somente poderá ser solicitada desde que todos os requisitos do país de destino com maior exigência possam ser integralmente atendidos e haja respaldo de todas as etapas de obtenção, abate e processamento, mediante comprovação documental disponível no estabelecimento ressalvando, ainda, os casos em que os países não aceitem esse procedimento”, diz o ofício. No ofício, o Ministério da Agricultura diz que as medidas poderão ser revogadas ou alteradas “a qualquer tempo, mediante atualização do cenário internacional”.

GLOBO RURAL

 

ECONOMIA

 

Dólar fecha dia abaixo dos R$5,25, mas acumula alta de 2% na primeira semana de guerra

Após oscilar acima dos R$5,30 em alguns momentos da manhã, o dólar se firmou em baixa no Brasil durante a tarde da sexta-feira, com exportadores aproveitando as cotações mais altas para vender moeda e com o enfraquecimento da divisa dos EUA também no exterior.

 

O dólar à vista fechou a sessão em queda de 0,88%, aos R$5,2414, mas ainda assim a primeira semana de guerra no Oriente Médio foi desastrosa para o real, com a moeda norte-americana acumulando alta de 2,08% no período. No ano, o dólar passou a acumular queda de 4,51%. Às 17h05, o dólar futuro para abril -- o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 0,55% na B3, aos R$5,2735. Pela manhã, investidores de todo o mundo em busca de segurança voltaram a vender ações e comprar dólares, penalizando ativos de maior risco como as divisas de países emergentes. Isso deu força ao dólar também no Brasil, que chegou a superar os R$5,30 em alguns momentos da manhã. No entanto, sempre que as cotações ultrapassavam este nível, participantes do mercado entravam nas operações vendendo moeda. “O dólar tentou acompanhar a valorização global em função da guerra e da alta do petróleo, mas apareceu fluxo, o exportador vendeu nos R$5,30”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “Nos R$5,30 o pessoal entra vendendo, e há desmonte de posição (no mercado futuro)”, acrescentou. A divulgação do relatório de empregos payroll de fevereiro nos EUA, no meio da manhã, também fez o dólar reduzir os ganhos no exterior, com reflexos no Brasil. Os dados revelaram o fechamento de 92.000 postos de trabalho, após criação revisada para baixo de 126.000 em janeiro. O número negativo surpreendeu os economistas, que esperavam uma abertura de 59.000 postos em fevereiro, conforme pesquisa da Reuters. Em reação, os rendimentos dos Treasuries cederam, com investidores precificando chances maiores de corte de juros no curto prazo nos EUA, e o dólar se enfraqueceu ante boa parte das demais divisas.

No Brasil, após atingir a cotação máxima de R$5,3215 (+0,64%) às 11h10, o dólar à vista marcou a mínima de R$5,2388 (-0,92%) às 16h59, um minuto antes do fechamento.

REUTERS

 

Ibovespa fecha em queda e tem pior semana desde 2022 com risco geopolítico maior

O Ibovespa fechou em queda na sexta-feira, com o ambiente externo ainda avesso a risco devido ao conflito no Oriente Médio, mas Petrobras evitou um declínio mais forte, com as PNs disparando, em pregão de forte alta do petróleo no exterior e repercussão dos resultados e perspectivas da estatal.

 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,61%, a 179.364,82 pontos, tendo marcado 178.556,49 na mínima e 181.091,01 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$32,58 bilhões. Com o desempenho após os ajustes finais de pregão, o Ibovespa acumulou uma queda de 4,99% na semana, a maior perda semanal desde o tombo de mesmo percentual da semana encerrada em 11 novembro de 2022. Acima disso, somente a perda de 5,36% da semana encerrada em 17 de junho de 2022. Na sexta-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, exigiu a "rendição incondicional" do Irã na guerra que começou no último sábado, quando EUA e Israel atacaram o país, que revidou. Desde então, não houve sinais de trégua e o comentário de Trump pouco ajuda nas negociações.

Poucas horas antes do comentário de Trump, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou na rede social X que "alguns países iniciaram esforços de mediação". Ele destacou que o país está comprometido com a paz duradoura na região, mas que o Irã não hesitará em defender a sua dignidade e a sua autoridade. A crise paralisou o transporte marítimo no Estreito de Ormuz, fluxo vital de petróleo e gás daquela região, o que fez preço da commodity disparar e tem alimentado preocupações com o efeito na inflação e seus reflexos em políticas monetárias no mundo, principalmente nos EUA. Na sexta-feira, o barril sob o contrato Brent fechou em alta de 8,5%, a US$92,69. Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, encerrou em queda de 1,33%, com números sobre o mercado de trabalho da maior economia do mundo - com fechamento de postos e aumento da taxa de desemprego - também no radar de agentes financeiros. A partir de segunda-feira, os horários de negociação dos mercados da B3 serão ajustados devido ao início do horário de verão nos EUA (08/03/2026), bem como na Alemanha e Inglaterra (29/03/2026). O call de fechamento do mercado de ações à vista ocorrerá das 16h55 às 17h.

REUTERS

 

Produção industrial no Brasil surpreende com maior alta em um ano e meio em janeiro

A produção industrial no Brasil registrou alta acima do esperado em janeiro, iniciando 2026 com o crescimento mais forte em cerca de um ano e meio depois de ter apresentado fraqueza ao longo do ano passado, embora o resultado ainda não seja visto como uma mudança de trajetória.

 

Em janeiro, a indústria teve alta de 1,8% sobre o mês anterior, resultado que ficou bem acima da expectativa em pesquisa da Reuters de ganho de 0,7% e marcou o maior avanço desde junho de 2024 (+4,4%). Os dados divulgados na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram ainda que, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve aumento de 0,2% na produção industrial, interrompendo três meses seguidos de queda, contra expectativa de retração de 0,7%. "O cenário para nós não muda: o saldo negativo permanece, temos excedentes de estoques, seguem os efeitos negativos da política monetária", disse André Macedo, gerente da pesquisa no IBGE. "O crescimento de 1,8% não pode ser considerado de forma isolada. Basta olhar para meses anteriores e se vê que não é uma mudança de trajetória da indústria." Segundo ele, o resultado de janeiro pode ser parcialmente explicado pelo comportamento do setor em dezembro, quando a produção teve queda de 1,9%, a mais forte desde março de 2021, devido a férias coletivas. "Com a retomada das atividades produtivas no início do ano, ocorre uma recuperação de parte dessa perda", disse ele. A indústria está 15,3% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011. De acordo com os dados do Produto Interno Bruto divulgados nesta semana, a indústria teve crescimento de 1,4% em 2025, enfraquecendo depois de ter avançado 3,1% em 2024, em um ano marcado principalmente pela política monetária restritiva. Com a taxa básica de juros Selic em 15%, a expectativa para 2026 é de cortes, começando na reunião de 17 e 18 de março, o que pode ajudar o setor industrial em meio a uma inflação mais baixa e a um mercado de trabalho forte. No entanto, a guerra no Oriente Médio agora afeta as perspectivas. Em janeiro, 19 das 25 atividades industriais pesquisadas tiveram resultados positivos na comparação com dezembro, um espalhamento que, segundo o IBGE, não era visto desde junho de 2024, quando 23 das atividades avançaram. As principais influências positivas foram dadas pelos setores de produtos químicos (6,2%), veículos automotores, reboques e carrocerias (6,3%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,0%). Entre os produtos químicos, os que mais impulsionaram o resultado foram adubos e fertilizantes, herbicidas e fungicidas, todos ligados ao setor agrícola, que tradicionalmente ganha impulso no início do ano. Entre os resultados negativos, destacam-se máquinas e equipamentos (-6,7%), influenciadas por bens de capital para fins industriais e para fins agrícolas. "Lembrando que o comportamento negativo do setor guarda relação com o movimento de aumento de taxas de juros”, explicou Macedo. Em relação às categorias econômicas, todas apresentaram altas em janeiro na comparação com o mês anterior -- bens de consumo duráveis (6,3%), bens de capital (2,0%), bens intermediários (1,7%) e bens de consumo semi e não duráveis (1,2%).

REUTERS

 

POWERED BY

EDITORA NORBERTO STAVISKI LTDA

041 99697 8868 (whatsapp)

 

 
 
 

Comentários


bottom of page