CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1063 DE 10 DE MARÇO DE 2026
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Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1063 | 10 de março de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Boi gordo: semana começa com queda de R$ 5/@ nos preços
Animal sem padrão-exportação é negociado agora por R$ 347/@ em São Paulo, enquanto “boi-China” cai para R$ 350/@ (valores no prazo), informa a Scot Consultoria. No PARANÁ: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: quatro dias. Boi China: PARANÁ: R$ 348,50/@ (à vista) e R$ 352,00/@ (prazo)
A semana começou com queda de R$ 5/@ nas cotações do boi gordo sem padrão-exportação e do “boi-China” negociados na praça de São Paulo, apurou na segunda-feira (9/3) a Scot Consultoria. Agora, as duas categorias valem R$ 347/@ e R$ 350/@, respectivamente, no prazo (valores brutos). A novilha gorda registrou recuo diário de R$ 2/@, para R$ 335/@, enquanto a vaca permanece cotada em R$ 325/@, acrescentou a Scot. Segundo a Agrifatto, que também acompanha diariamente as movimentações nas principais praças brasileira, a incerteza gerada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio levou os compradores a uma postura bastante cautelosa. “Parte da indústria reduziu o ritmo dos abates para alongar as escalas, pressionando os preços de balcão e diminuindo o volume de negócios”, relata a consultoria. Lideranças da pecuária brasileira apontam que o conflito tem sido usado para forçar a desvalorização da arroba, diz a Agrifatto. “O cenário atual é de forte especulação”, destacam os analistas da Agrifatto, acrescentando que, na segunda-feira, foram observados “negócios pontuais abaixo das referências, principalmente envolvendo animais de confinamento, mas o volume transacionado ainda é insuficiente para consolidar novos patamares de preços do boi gordo nas principais regiões brasileiras”. De acordo com levantamento da consultoria, as escalas de abate dos frigoríficos brasileiros permanecem curtas, com uma média nacional de atendimento entre 5 e 6 dias úteis. Cotações do boi gordo da segunda-feira (9/3), conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00.
Escalas: cinco dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 335,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: cinco dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 335,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: quatro dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 335,00. Boi China: R$ 335,00.Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: cinco dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China/Europa: R$ 340,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: cinco dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 325,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: quatro dias. PARÁ: Boi comum: R$ 325,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: quatro dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 310,00. Vaca: R$ 290,00. Novilha: R$ 300,00. Escalas: sete dias. MARANHÃO: Boi: R$ 325,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 300,00. Escalas: cinco dias.
Preços brutos do “boi-China” nesta segunda-feira (9/3), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 346,60/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 334,50/@ (à vista) e R$ 338,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$336,50/@ (à vista) e R$ 340,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 334,50/@ (à vista) e R$ 338,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 333,50/@ (à vista) e R$ 337,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 331,50/@ (à vista) R$ 335,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 326,50/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 312,00/@ (à vista) e R$ 315,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 319,00/@ (à vista) e R$ 322,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 326,50/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
Exportações de carne bovina começam março em alta
Segundo a Secex houve aumento na média diária de receita, no volume e no preço da carne bovina in natura nos primeiros dias de março de 2026.
As exportações brasileiras de carne bovina iniciaram março de 2026 com desempenho positivo, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Nos primeiros cinco dias úteis do mês, o Brasil embarcou 59.986 toneladas de carne in natura. Em receita, os embarques somaram US$341,1 milhões. O valor representa o faturamento obtido apenas nos cinco primeiros dias úteis do mês. Em março de 2025, as exportações de carne bovina totalizaram US$1.054.811,1 milhões ao longo de todo o mês. Nos cinco primeiros dias úteis de março de 2026, a média diária de receita foi de US$ 68,2 milhões. No mesmo período de referência, considerando o mês completo de março de 2025, a média diária registrada foi de US$55,5 milhões. Além do aumento na receita, o volume exportado também demonstra crescimento. Nos cinco primeiros dias úteis de março de 2026, o Brasil embarcou 59.986 toneladas de carne bovina in natura. Já no mês de março de 2025, o total embarcado foi de 215.249 toneladas ao longo de todo o período. Na média diária, o Brasil exportou 11.997 toneladas nos primeiros dias úteis de março de 2026. Em março de 2025, a média diária registrada foi de 11.328 toneladas. Segundo a Secex houve valorização do preço da carne bovina no mercado internacional. Nos primeiros cinco dias úteis de março de 2026, o preço médio da carne exportada foi de US$5.687 por tonelada. Em março de 2025, o valor médio registrado havia sido de US$4.900 por tonelada.
SECEX/MDIC
Abates de bovinos em unidades com SIF recuam quase 10% em fev/26
Destaque ficou por conta das fêmeas que, mesmo com alta mensal de 5,83%, apresentaram recuo anual de 8,11%, totalizando 943,99 mil cabeças
Os abates de bovinos em frigoríficos brasileiros com Serviço de Inspeção Federal (SIF) atingiram 2,11 milhões de cabeças em fevereiro/26, o que significa queda de 9,33% em relação ao mês anterior e recuo de 9,11% na comparação com o resultado obtido em fevereiro/25, informa a Agrifatto em relatório enviado nesta segunda-feira (9/3) aos seus assinantes. Segundo a consultoria, o destaque do mês ficou por conta das fêmeas que, mesmo com alta mensal de 5,83% nos abates, apresentaram recuo anual de 8,11%, totalizando 943,99 mil cabeças. O abate de fêmeas é um dos principais termômetros para avaliação do comportamento do ciclo pecuário de preços. A desaceleração no ritmo de matanças de vacas e novilhas é um sinal de que o setor de criação segue em recuperação no Brasil, estimulado pelo forte avanço os preços do bezerro. Em relação aos machos, no mês passado, foram enviados aos ganchos dos frigoríficos com SIF 1,17 milhão de cabeças, uma retração mensal de 16,30% e uma baixa anual de 9,89%. De acordo com a Agrifatto, a média dos abates de fêmeas em fevereiro nos últimos cinco anos foi de 794,32 mil cabeças – portanto, os números de fevereiro de 2026 ficaram 18,84% acima desse resultado. No entanto, em fevereiro de 2025, o volume havia superado a média histórica em 29,33%. “Apesar do patamar ainda elevado, o ritmo de expansão perdeu intensidade de forma relevante”, observam os analistas da Agrifatto, referindo-se ao resultado do mês passado. A consultoria lembra que, sazonalmente, fevereiro registra menor disponibilidade de animais terminados, uma vez que a reposição de lotes e o ritmo de engorda ainda estão em transição após o período seco e as festas de fim de ano. “Soma-se a isso a recuperação gradual das pastagens com as chuvas de verão, processo que favorece a retenção de animais no campo”, acrescenta a Agrifatto. Regionalmente, Rio Grande do Sul (-18,88%), Pará (-16,48%) e Maranhão (-15,49%) foram os Estados que mais contribuíram para a queda do volume total dos abates, informa a consultoria. Para março/26, a expectativa é de manutenção de um ritmo mais moderado nos abates, com tendência de estabilidade, acompanhando a menor disponibilidade imediata de animais prontos, prevê a Agrifatto.
PORTAL DBO
SUÍNOS
Custos de ração baixos e carne bovina cara podem favorecer suinocultura em 2026
O economista Alexandre Mendonça de Barros, um dos principais especialistas em agronegócio do Brasil, avaliou que o cenário para a suinocultura em 2026 tende a ser favorável, principalmente devido à perspectiva de custos mais baixos para alimentação animal e à valorização da carne bovina no mercado.
Segundo o economista, a boa safra brasileira de grãos deve contribuir para manter os preços de milho e farelo de soja em patamares estáveis ou até mais baixos, o que reduz os custos de produção das proteínas animais. “Estamos vendo uma safra bastante forte no Brasil. Com os preços internacionais estáveis e o real mais valorizado frente ao dólar, isso ajuda a reduzir um pouco mais o custo. Ele ressalta, no entanto, que há sempre riscos climáticos na safrinha, especialmente em regiões como Goiás, Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia, onde o plantio está mais atrasado. Já em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná, a expectativa é de boa produção, especialmente de milho, somada a uma safra considerada excepcional de soja. Outro fator importante destacado por Mendonça de Barros é o cenário internacional da carne bovina. A redução do rebanho nos Estados Unidos e o menor ritmo de abates no Brasil, após anos de volumes elevados, têm pressionado os preços da proteína bovina para cima. De acordo com estudos mencionados pelo economista, há uma correlação crescente entre os preços da carne bovina e da carne suína no Brasil — algo que não era observado com tanta força há poucos anos. “Estamos percebendo que quando a carne bovina sobe de preço, a carne suína acompanha. O consumidor está usando a carne suína como substituto quando a bovina fica mais cara”, afirmou. Ele também atribui parte desse movimento a estratégias de marketing do setor, que vêm aproximando os cortes suínos dos cortes tradicionais da carne bovina. “A estratégia de trabalhar cortes como picanha suína ou filé mignon suíno está caindo no gosto do brasileiro”, comentou. Outro ponto destacado pelo economista é o forte dinamismo no consumo de proteínas animais no Brasil. Ele cita, por exemplo, o crescimento expressivo na produção de leite no último ano, estimado em cerca de 10%, totalmente absorvido pelo mercado interno. O consumo de carne suína per capita também avançou, enquanto a carne bovina manteve demanda mesmo com preços mais elevados. Apesar do cenário positivo, o economista alerta para o risco de pressão sobre os preços caso a produção de carne suína continue crescendo em ritmo elevado. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a produção brasileira de carne suína aumentou mais de 4% no último ano, volume considerado expressivo. “Se o ritmo de crescimento continuar o mesmo, podemos ter pressão de oferta e queda de preços, como vimos no início deste ano”, disse. Para ele, o desempenho do setor em 2026 dependerá, em grande parte, da capacidade de equilibrar a expansão produtiva com a absorção do mercado.
“Se a expansão da produção for mais contida, vejo espaço para boas margens novamente. Depois de dois anos excepcionais, 2024 e 2025, 2026 tem tudo para ser um ano razoável para a suinocultura”, avaliou. O especialista também mencionou possíveis impactos geopolíticos no comércio global de alimentos. Conflitos no Oriente Médio, por exemplo, podem gerar dificuldades logísticas no curto prazo, com atrasos em embarques e aumento no custo de fretes e seguros marítimos. Além disso, a elevação do preço do petróleo pode encarecer ainda mais o transporte e os fertilizantes, especialmente os nitrogenados. No entanto, ele avalia que, no médio prazo, os mercados tendem a se reorganizar. “O mundo precisa se alimentar. Com o tempo, os fluxos comerciais encontram novos caminhos”, concluiu. Diante desse cenário, Mendonça de Barros recomenda atenção especial ao momento da compra de insumos e à estratégia de expansão produtiva. “Com a entrada da safra, os preços de grãos devem estar muito favoráveis para o suinocultor. É uma boa oportunidade para travar custos. Ao mesmo tempo, é importante cautela na expansão da produção para não pressionar demais a oferta”, orientou. A avaliação do economista reforça que, apesar dos desafios macroeconômicos e logísticos, a suinocultura brasileira segue inserida em um contexto global de forte demanda por proteína animal.
AGRIMÍDIA
FRANGOS
Serviço Veterinário Oficial finaliza visitas nas propriedades da região do foco de gripe aviária em aves silvestres
Região do entorno da Reserva do Taim, em Santa Vitória do Palmar, foi totalmente vistoriado.
As visitas em propriedades rurais com criação de aves de subsistência na região da Reserva do Taim, em Santa Vitória do Palmar, foram finalizadas na sexta-feira (6/3) pelas equipes da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). A medida foi adotada após a confirmação do foco de gripe aviária em aves silvestres, da espécie Coscoroba coscoroba (cisne-coscoroba), na Lagoa da Mangueira, dentro da Reserva do Taim. Ao todo, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS) visitou 40 propriedades com aves domésticas no entorno do foco, além da vistoria em granjas comerciais na regional de Pelotas e criatórios de aves ornamentais, em Santa Vitória do Palmar, para verificação de medidas de biosseguridade. “O objetivo dessa ação é monitorar a criação de aves nas áreas próximas e detectar de forma ágil qualquer indício suspeito, reduzindo o risco de disseminação da doença. As visitas também têm caráter orientativo, levando informações aos produtores e reforçando a necessidade de observar possíveis sinais da enfermidade nas aves e comunicar imediatamente o Serviço Veterinário Oficial diante de qualquer suspeita”, enfatizou o diretor do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA) da Seapi, Fernando Groff.
SEAPI - RS
Argentina confirma novo foco de gripe aviária em granja comercial
Este é o segundo foco em granja comercial notificado pelo país em menos de um mês
Animal infectado estava em um estabelecimento em Bolívar, província de Buenos Aires
O Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa) confirmou no último sábado (7/3) um novo foco de gripe aviária em granja comercial no país. O animal infectado estava em um estabelecimento em Bolívar, província de Buenos Aires. Este é o segundo foco em granja comercial notificado pelo Senasa em menos de um mês. No final de fevereiro, o órgão sanitário detectou a presença do vírus em uma granja no município de Ranchos, que também é província de Buenos Aires. Em nota, o Senasa disse que após esse novo caso, ativou as medidas previstas dentro do seu plano de contingência, como o isolamento do perímetro num raio 3 km ao redor do surto e uma zona de vigilância de 7 km ao seu redor. Dentro desse raio, as equipes realizarão ações de contenção, biossegurança, restrição de movimentação, monitoramento e rastreamento epidemiológico. O objetivo é verificar outras unidades de produção na área e possíveis contaminações com o surto detectado.
GLOBO RURAL
INTERNACIONAL
Índice de preços dos alimentos da FAO registra primeira alta após cinco meses de queda
A valorização foi impulsionada principalmente pela alta nos preços internacionais da carne bovina e da carne ovina, enquanto as cotações de carne suína e de frango apresentaram apenas aumentos marginais.
O Índice de Preços dos Alimentos da FAO (FAO Food Price Index – FFPI) voltou a subir em fevereiro de 2026, marcando a primeira alta após cinco meses consecutivos de recuo. O avanço foi impulsionado principalmente pelo aumento nas cotações internacionais de cereais, carnes e óleos vegetais, que mais do que compensaram as quedas observadas nos preços de laticínios e açúcar. O índice atingiu 125,3 pontos em fevereiro, uma elevação de 1,1 ponto (0,9%) em relação ao valor revisado de janeiro. Apesar dessa recuperação mensal, o indicador ainda está 1,0% abaixo do nível registrado no mesmo mês de 2025 e permanece 21,8% abaixo do pico histórico alcançado em março de 2022, durante o período de forte pressão nos preços globais de alimentos. A alta interrompe a sequência de quedas observada desde o segundo semestre de 2025 e indica uma mudança momentânea na tendência recente do mercado internacional de alimentos. Dentro do índice geral, o Índice de Preços da Carne da FAO também apresentou avanço em fevereiro. O indicador alcançou 126,2 pontos, registrando aumento de 0,8% em relação a janeiro e ficando 8,0% acima do nível observado no mesmo mês do ano passado. A valorização foi impulsionada principalmente pela alta nos preços internacionais da carne bovina e da carne ovina, enquanto as cotações de carne suína e de frango apresentaram apenas aumentos marginais. No caso da carne bovina, os preços foram sustentados por forte demanda global, especialmente de China e Estados Unidos, que ampliaram as compras no mercado internacional. Esse movimento ajudou a manter firmes as cotações de exportação em importantes países fornecedores. Entre os principais exportadores beneficiados por esse cenário estão Austrália e Brasil, dois dos maiores players no comércio global de carne bovina.
O relatório também destaca a valorização da carne ovina, cujos preços atingiram novo recorde histórico no mercado internacional. Esse movimento foi impulsionado principalmente pela oferta limitada de carne exportável da Oceania, região que concentra grande parte das exportações globais desse produto. Com menor disponibilidade e demanda internacional consistente, os preços registraram forte valorização. As outras proteínas também registraram variações positivas, mas de forma mais moderada. No caso da carne suína, os preços internacionais tiveram leve alta. Nos Estados Unidos, as cotações foram sustentadas por forte demanda externa, enquanto no Brasil os preços de exportação recuaram ligeiramente devido à oferta abundante de produto no mercado internacional. Na União Europeia, os preços se estabilizaram após a normalização do mercado, que no mês anterior havia sido pressionado por um acúmulo temporário de abates relacionado ao período de festas. Já a carne de frango apresentou apenas uma leve alta nas cotações. A demanda de importação permaneceu firme em diversos mercados, mas a oferta elevada nos principais países produtores limitou pressões mais fortes de alta. O relatório da FAO reforça que a carne bovina segue com demanda internacional sólida, especialmente em grandes mercados consumidores. Esse cenário tem contribuído para manter as cotações firmes no comércio global, beneficiando países exportadores relevantes como Brasil e Austrália. Mesmo com o índice geral de alimentos ainda distante dos níveis recordes observados em 2022, a evolução recente indica que alguns mercados específicos, como o da carne bovina, continuam sustentados por fundamentos positivos de oferta e demanda no comércio internacional.
FAO
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Crédito rural cresce 7% no Plano Safra 2025/2026 e totaliza R$ 354,4 bilhões contratados até fevereiro
CPR dispara 39% e industrialização avança 56%, enquanto linhas tradicionais de custeio e investimento recuam na comparação com a safra anterior
O crédito rural empresarial registrou desempenho positivo nos primeiros oito meses do Plano Safra 2025/2026. Os recursos totais contratados entre julho de 2025 e fevereiro de 2026 somaram R$ 354,4 bilhões, um crescimento de 7% em relação aos R$ 330,8 bilhões do mesmo período da safra 2024/2025. Os dados constam no divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com base em informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central. Os recursos efetivamente concedidos, ou seja, aqueles cujas operações já contratadas também tiveram liberação na conta do produtor, totalizaram R$ 342,9 bilhões, com crescimento de 4%. O saldo positivo foi impulsionado principalmente pela expansão expressiva das Cédulas de Produto Rural (CPR) e pelo avanço da industrialização, que compensaram retrações nas linhas tradicionais de custeio e investimento. O grande destaque positivo do período foi o desempenho das Cédulas de Produto Rural (CPR) emitidas por produtores rurais em favor de instituições financeiras. As contratações via CPR chegaram a R$ 163,4 bilhões, com crescimento de 39% em relação à safra anterior. Como os recursos captados por esse instrumento se destinam majoritariamente ao custeio da safra, ao somar CPR e custeio tradicional o volume total destinado a essa finalidade alcança R$ 269,8 bilhões, alta de 12% em relação à safra 2024/2025. A industrialização também se destacou, com expansão de 56% nas contratações, que atingiram R$ 22,2 bilhões, o maior crescimento entre todas as finalidades. Nas concessões, o segmento avançou 51%, chegando a R$ 21,5 bilhões. Na contramão, as linhas tradicionais registraram queda. O custeio contratado recuou 13%, para R$ 106,4 bilhões, enquanto os recursos concedidos caíram 16%, totalizando R$ 103,4 bilhões.
O investimento apresentou retração ainda mais acentuada: queda de 20% nas contratações, que somaram R$ 39,5 bilhões, e de 33% nas concessões, que chegaram a R$ 33,0 bilhões. A comercialização também recuou, com queda de 15% nas contratações (R$ 22,9 bilhões) e de 19% nas concessões (R$ 21,8 bilhões). De acordo com a Secretaria de Política Agrícola do Mapa, o boletim indica que o panorama relativo dos investimentos se manteve inalterado, com retração de 20%, refletindo a cautela do setor diante das atuais taxas de juros, dentro de uma perspectiva de redução da taxa Selic em cerca de dois pontos percentuais até o fim de 2026.
Os principais programas de investimento acumularam recuos em relação à safra 2024/2025. O Moderfrota liderou as quedas, com retração de 49%, passando de R$ 6,85 bilhões para R$ 3,48 bilhões. O Proirriga registrou redução de 48%, enquanto o Inovagro recuou 33%. O Pronamp, voltado ao médio produtor, teve queda de 34%, passando de R$ 5,49 bilhões para R$ 3,65 bilhões. O Prodecoop foi o programa com menor variação negativa, com redução de 3%. As fontes controladas totalizaram R$ 98,8 bilhões, com incremento de R$ 6,5 bilhões em relação a janeiro de 2026. O dado mais expressivo foi o crescimento das Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) na modalidade controlada, que avançaram 4.038% e atingiram R$ 25,7 bilhões, reflexo de mudanças regulatórias que ampliaram o uso desse instrumento. Os recursos obrigatórios avançaram 5%, alcançando R$ 36,0 bilhões. Em sentido contrário, a poupança rural controlada caiu 26%, totalizando R$ 10,6 bilhões, enquanto os fundos constitucionais recuaram 7%, chegando a R$ 13,1 bilhões. Nas fontes não controladas, o total alcançou R$ 80,7 bilhões, com redução de 24%. A LCA livre recuou 36%, para R$ 41,1 bilhões, enquanto a poupança rural livre cresceu 28%, alcançando R$ 35,2 bilhões. O Bndes Livre registrou queda de 18%, somando R$ 3,8 bilhões. Do total de R$ 113,4 bilhões programados em recursos equalizáveis no Plano Safra 2025/2026, foram concedidos até fevereiro R$ 44,1 bilhões, o equivalente a 39% do total. Assim, ainda restam 61% disponíveis para contratação até o fim do plano. No custeio equalizado, R$ 27,7 bilhões foram concedidos dos R$ 63,0 bilhões programados, restando 56% de saldo. No investimento, R$ 16,2 bilhões dos R$ 49,5 bilhões previstos foram liberados, com saldo de 67%. Na comercialização, apenas R$ 279 milhões foram concedidos dos R$ 845 milhões programados, também com saldo de 67%. Entre as principais instituições financeiras no crédito equalizado de investimento, o Banco do Brasil lidera com R$ 6,3 bilhões (35% do programado executado), seguido pelo Bndes, com R$ 5,5 bilhões (31%). No custeio, o Banco do Brasil também ocupa o primeiro lugar, com R$ 10,9 bilhões (63% de execução), seguido por Sicoob (R$ 5,4 bilhões, 57%) e Sicredi (R$ 4,9 bilhões, 30%). A Cresol executou 100% do crédito equalizado de custeio programado.
Há ainda R$ 15,1 bilhões contratados, mas ainda não concedidos, sendo R$ 7,0 bilhões em financiamentos sem vínculo, R$ 1,2 bilhão no Pronamp, R$ 800 milhões no PCA, R$ 500 milhões no Funcafé e R$ 500 milhões no Moderfrota.
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA (MAPA)
ECONOMIA
Dólar desaba e cai a R$ 5,16 e euro fecha abaixo de R$ 6 após comentários de Trump sobre guerra
Presidente dos EUA indicou que o conflito com o Irã poderia terminar logo
O dólar à vista encerrou a sessão da segunda-feira em queda forte, próxima de 1,5%, depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicar que o conflito com o Irã pode terminar logo. “[A guerra] está praticamente concluída”, afirmou Trump, acrescentando que os EUA estão muito à frente do prazo estipulado para o embate, de quatro a cinco semanas. Pela manhã, o dólar já registrava desvalorização frente ao real e contra moedas de mercados emergentes e divisas mais sensíveis a preços de commodities. A alta do petróleo vinha dando suporte a essa classe de ativos, que se beneficiou ainda mais da sinalização de Trump de que os conflitos podem não escalar. Não só o dólar recuou, mas também o euro, que fechou abaixo de R$ 6,00 pela primeira vez em mais de um ano. Diante disso, no fechamento do mercado à vista, o dólar comercial registrou desvalorização de 1,52%, cotado a R$ 5,1643, depois de ter encostado na mínima de R$ 5,1525 minutos mais cedo, e batido na máxima de R$ 5,2854 pela manhã. Já o euro comercial caiu 1,45%, a R$ 5,9963, menor patamar desde dia 21 de fevereiro de 2025, quando encerrou a R$ 5,9950. Perto do fechamento, o real estava entre as cinco moedas com melhor desempenho frente ao dólar, na relação das 33 mais líquidas, ao lado de pares como o rand sul-africano, florim húngaro, peso mexicano e rublo russo. Já o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,11%, aos 98,881 pontos. Ainda pela manhã, a moeda americana passou a recuar contra o real, acompanhando o movimento observado em outros mercados emergentes. Na parte da tarde, perto do fechamento, comentários de Donald Trump sobre ter em vista o fim da guerra deram espaço para uma queda ainda mais acentuada da moeda americana. Mais cedo, o diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, disse em nota que a casa mantém a visão construtiva para a divisa brasileira. “O real e outras moedas de mercados emergentes vêm sendo favorecidos por ganhos nos termos de troca desde o fim da pandemia, em um contexto de preços elevados de commodities e melhora das contas externas de diversos países exportadores”, apontou. “Na nossa avaliação, o comportamento recente do real reflete cada vez mais o reconhecimento de que parcela relevante da apreciação da moeda nos últimos meses está associada a essa melhora dos termos de troca, e não apenas ao diferencial de juros em relação às economias avançadas.” No curto prazo, porém, Oliveira lembrou que o aumento das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã tende a gerar maior volatilidade nos mercados globais e nas moedas emergentes. Na mesma linha que o diretor do Pine, o estrategista-chefe de moedas do BMO Capital Markets, Mark McCormick, indicou em nota que os mercados emergentes estão cada vez mais sendo marcados por uma combinação de termos de troca e posicionamento. “Este último reflete exposição excessivamente concentrada [em inglês chamada de ‘crowded’] em trades de ‘carry’ populares, como o real, florim húngaro, rand sul-africano e rúpia da Indonésia.” Para o estrategista, o risco dessas moedas estaria em um aprofundamento nas tensões geopolíticas, em especial se estas se estenderem a portos, rotas marítimas ou infraestrutura crítica, o que provavelmente marcaria a próxima fase de ajuste no câmbio de mercados emergentes. Ainda segundo McCormick, o atual cenário se parece com o de 2022, no início da guerra da Ucrânia, quando o desempenho das moedas foi impulsionado por um choque nos termos de troca, favorecendo exportadores de petróleo em relação aos importadores. Apesar do indicado acima, o estrategista diz que há prêmio significativo em algumas moedas como o real e o peso mexicano. “Acreditamos que esse prêmio de risco eventualmente criará oportunidades melhores de compra, particularmente no real e no peso mexicano, que ainda oferecem uma combinação atrativa de crescimento e carry, especialmente em comparação com outros pares da América Latina”, diz.
VALOR ECONÔMICO
Ibovespa fecha em alta com fala de Trump
O Ibovespa fechou em alta na segunda-feira, ganhando fôlego à tarde, em meio a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o país está muito à frente do prazo inicial estimado de quatro a cinco semanas na guerra contra o Irã e que acredita que o conflito está "praticamente concluído".
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,06%, a 181.264,63 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 181.952,23 na máxima e 177.636,63 na mínima do dia. O volume financeiro somava R$32,86 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
FOCUS: Estimativas do mercado para inflação e PIB ficam estáveis
As previsões do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos em 2026 – a expansão da economia e o índice de inflação - ficaram estáveis na edição da segunda-feira (9) do Boletim Focus. A pesquisa com instituições financeiras é divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC).
A estimativa para o crescimento da economia brasileira este ano permaneceu em 1,82%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,8%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2%, para os dois anos. Nesta edição do Boletim Focus, a previsão da cotação do dólar está em R$ 5,41 para o fim deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,50. A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerada a inflação oficial do país – permaneceu em 3,91% para este ano. Para 2027, a projeção da inflação passou de 3,79% para 3,8%. Para 2028 e 2029, as previsões são de 3,5%, para ambos os anos. A estimativa para a variação de preços em 2026 se mantém dentro do intervalo da meta que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%. Em janeiro, a alta dos preços da conta de luz e da gasolina fez a inflação oficial do mês fechar em 0,33%, mesmo patamar de dezembro. De acordo com o IBGE, o resultado levou o IPCA a acumular alta de 4,44% em 2025. A inflação de fevereiro será divulgada na próxima quinta-feira (12) pelo instituto. Apesar do recuo da inflação e do dólar, o colegiado não interferiu nos juros pela quinta vez seguida, na última reunião, no fim de janeiro. A taxa está no maior nível desde julho de 2006, quando se situou em 15,25% ao ano. Em ata, o Copom confirmou que começará a reduzir os juros na reunião de março, caso a inflação se mantenha sob controle e não haja surpresas no cenário econômico. Ainda assim, os juros serão mantidos em níveis restritivos. A estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica foi elevada nesta edição do Boletim Focus – de 12% ao ano para 12,13% ao ano, até o final de 2026. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 9,5% ao ano.
Agência Brasil
Faturamento da indústria sobe 2,3% em janeiro, mas está abaixo de 2025
Pressionada pelos juros altos e pela desaceleração da economia, a indústria de transformação brasileira faturou 2,3% a mais em janeiro de 2026 na comparação com dezembro de 2025.
Os números foram divulgados na segunda-feira (9) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que publicou a pesquisa Indicadores Industriais. Outros indicadores da atividade industrial apresentaram comportamento semelhante. As horas trabalhadas na produção aumentaram 0,5% entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, mas continuam em trajetória de queda iniciada no segundo semestre do ano passado. Em relação a janeiro de 2025, o indicador recuou 2,6%. O emprego na indústria de transformação também registrou leve recuperação no início do ano. O número de trabalhadores aumentou 0,5% em janeiro, interrompendo uma sequência de quatro meses consecutivos de retração. Mesmo assim, o nível de emprego permanece 0,2% abaixo do observado no mesmo mês de 2025. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) permaneceu praticamente estável, com leve crescimento de 0,2 ponto percentual. O indicador passou de 77,4% em dezembro de 2025 para 77,6% em janeiro de 2026, nível ainda 1 ponto percentual inferior ao registrado em janeiro do ano passado. Em nota, a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko, destacou que os fatores que levaram ao enfraquecimento da indústria ao longo de 2025, como os juros e o crescimento menor da demanda, continuam limitando a recuperação do setor. “Os elementos que levaram ao desaquecimento da indústria de transformação em 2025 permanecem penalizando o setor, que são, sobretudo, os juros elevados, o alto custo do crédito e a desaceleração da demanda, além da forte entrada de bens de consumo importados”, afirma. A entidade também avalia que a eventual redução da taxa básica de juros deve ter efeito limitado no curto prazo. No comunicado, a CNI informou que espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) inicie o ciclo de corte dos juros na reunião deste mês. “No entanto, o patamar da Selic ainda vai continuar bastante elevado, restringindo a atividade econômica, especialmente da indústria de transformação”, acrescentou Nocko na nota. Entre os indicadores ligados ao mercado de trabalho, a massa salarial real da indústria avançou 1% em janeiro frente a dezembro, indicando início de recuperação após desempenho predominantemente negativo na segunda metade de 2025. Na comparação com janeiro do ano passado, houve alta de 0,4%. No entanto, o rendimento médio real dos trabalhadores da indústria de transformação ficou praticamente estável na passagem de dezembro para janeiro, com leve variação negativa de 0,1%. Em relação a janeiro de 2025, o rendimento médio apresentou crescimento de 0,7%.
Agência Brasil
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