CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1091 DE 20 DE ABRIL DE 2026
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Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1091 | 20 de abril de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Boi gordo fechou a 1ª metade de abril com valorização de R$ 10,30/@ em SP
Cotação paulista saltou de R$ 355,97/@, em 31 de maio, para 366,27/@, em 15 de abril (indicador Datagro); no período, foram 7 renovações de recorde nominal de preço. No PARANÁ: Boi: R$ 360,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: seis dias. Boli China: PARANÁ: R$ 355,50/@ (à vista) e R$ 360,00/@ (prazo)
Segundo o analista Raphael Galo, colunista do boletim Boi & Companhia, da Scot Consultoria, o mês de abril finalizou a primeira quinzena – foram 10 dias úteis – com surpreendente valorização de R$ 10,30/@ (ou +2,9%) no preço físico do boi gordo negociado em São Paulo, saltando de R$ 355,97/@, em 31/5, para 366,27/@, em 15/4 (indicador Datagro). Dentro do período de 10 dias úteis foram registradas sete renovações de recorde nominal nos preços da arroba paulista. Segundo apuração do zootecnista Felipe Fabbri, analista da Scot, no interior de São Paulo, o boi gordo sem padrão-exportação fechou a sexta-feira (17/4) apregoado em R$ 365/@, enquanto o “boi-China” segue cotado em R$ 370/@. “Mantemos nossa visão de um mercado, ao menos para o restante do mês, comprador e com poucos sinais de desaceleração”, prevê Fabbri, acrescentando: “A oferta de boiadas está mais comedida e os dados parciais de exportação para abril indicam ritmo forte e a possibilidade de, mais uma vez, recorde mensal”. Fabbri lembra que, durante a semana, o mercado brasileiro do boi gordo conviveu com alguns fundamentos de baixa, mas, mesmo assim, os preços físicos da arroba seguiram firmes, diferentemente do mercado futuro, que acabou recuando, “contaminado” pelo noticiário negativo ao setor. O analista cita, primeiramente, comentários no Encontro de Confinamento e Recriadores, da Scot Consultoria, de que a cota chinesa (medida de salvaguarda) deve ser preenchida até a primeira quinzena de maio/26. Na sequência, diz Fabbri, houve atualização das projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, em inglês) para a produção global de carnes. Para o mercado brasileiro, o USDA elevou a estimativa de abates e de oferta de carne bovina em relação às projeções de dezembro/25, além de também ajustar positivamente a projeção de exportação. Além disso, afirma o analista, o mercado recebeu notícias de que, diante da atual dificuldade de compras de boiadas gordas, algumas unidades frigoríficas em Mato Grosso optaram pelas férias coletivas, com a possibilidade de outras plantas ao redor do Brasil seguirem o movimento. Soma-se a isso a notícia da suspensão temporária dos embarques à China de um frigorífico de Mato Grosso, condicionada a questões sanitárias, relata Fabbri. “Juntos, estes fatos mexeram com o ânimo no mercado futuro”, diz o analista. Segundo dados levantados por Raphael Galo, no início de abril, o mercado futuro indicava um ágio em relação ao mercado “spot” (físico) de R$ 8,92/@. No entanto, calcula Galo, esses ganhos foram rapidamente corroídos e se transformaram em deságio de -R$ 3,72/@ no fechamento da primeira quinzena. Cotações do boi gordo conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 370,00. Boi China: R$ 370,00. Média: R$ 370,00. Vaca: R$ 335,00. Novilha: R$ 345,00. Escalas: seis dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 360,00. Boi China: R$ 360,00. Média: R$ 360,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas seis dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 360,00. Boi China: R$ 360,00. Média: R$ 360,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: seis dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 350,00. Boi China/Europa: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. TOCANTINS: Boi comum: R $ 345,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: quatro dias. PARÁ: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: três dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 325,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: oito dias. MARANHÃO: Boi: R$ 345,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. Preços brutos do “boi-China” na terça-feira (14/4), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 365,50/@ (à vista) e R$ 370,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 350,50/@ (à vista) e R$ 355,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$360,50/@ (à vista) e R$ 365,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 355,50/@ (à vista) e R$ 360,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 355,50/@ (à vista) e R$ 360,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 350,50/@ (à vista) R$ 355,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 348,50/@ (à vista) e R$ 353,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 333,00/@ (à vista) e R$ 337,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 321,00/@ (à vista) e R$ 325,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
Brasil exportará miúdos bovinos ao Vietnã
Brasil soma 592 aberturas de mercado
O governo brasileiro concluiu negociações com o Vietnã que autorizam a exportação de miúdos bovinos, como coração, fígado e rins, para o mercado asiático. A medida amplia o acesso da cadeia pecuária nacional a um dos principais destinos do agronegócio brasileiro. De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a abertura comercial reforça a relação com o quarto maior importador de produtos do setor e contribui para o melhor aproveitamento da produção bovina. O Vietnã importou mais de US$ 3,5 bilhões em produtos agropecuários do Brasil em 2025, com destaque para milho, complexo soja, fibras e itens têxteis. Com a nova autorização, o Brasil alcança 592 aberturas de mercado desde o início da atual gestão, resultado atribuído à atuação conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE) na ampliação do comércio internacional do agronegócio.
AGROLINK
Reposição: preços de todas as categorias registram alta
Descompasso entre oferta e demanda mantém as cotações em alta, informa Stéfany Souza, analista da Scot Consultoria
O mercado de reposição de São Paulo seguiu travado ao longo desta semana, conforme relatado por compradores, devido ao alto preço praticado nos balcões de negociação, informa a zootecnista Stéfany Souza, analista da Scot Consultoria. Ainda assim, diz ela, a semana foi marcada por valorizações em todas as categorias, embora em ritmo leve. “O ritmo das negociações é reflexo do descompasso entre oferta e demanda”, observa a analista da Scot, acrescentando que “esse movimento não se restringe à praça paulista, sendo observado também em outros estados, com destaque para o bezerro de desmama, que atingiu patamares elevados nos últimos dias”. Entre os machos Nelore, na comparação semanal, o boi magro subiu 0,5%, o garrote teve alta de 0,6%, o bezerro de ano avançou 0,9% e o bezerro de desmama registrou acréscimo de 0,7%. Entre as fêmeas Nelore, na mesma comparação, a vaca magra, a novilha, a bezerra de ano e a bezerra de desmama tiveram acréscimo de 0,4%, 0,7%, 0,5% e 1,3%, respectivamente. Segundo Stéfany, ao longo desta semana, o ágio entre o bezerro de desmama e o boi gordo recuou 4,2% em relação ao quadro registrado em março/26, refletindo a alta de 3% da arroba do bovino terminado frente ao avanço de 1,7% do animal de 8-10 meses. No entanto, na comparação anual, o indicador registra alta de 44,1%, atingindo atualmente 39,8%. Na comparação mensal, a relação de troca segue favorável para todas as categorias de reposição, destaca Stéfany. Na comparação mês a mês, o boi magro e o garrote tiveram queda na cotação de 2,4% e 0,2%, respectivamente, enquanto os bezerros de ano e de desmama subiram 1,8% e 1,7%, na sequência. Por sua vez, considerando a mesma base de comparação, a arroba do boi gordo subiu 3% em São Paulo. Dessa forma, calcula a analista, no período, o poder de compra do recriador e do invernista melhorou 5,2% para o boi magro, 3,1% para o garrote, 1,1% para o bezerro de ano e 1,2% para o bezerro de desmama. De acordo com os dados da Scot, atualmente, são necessárias 13,4@ de boi gordo para a compra de um boi magro, 12@ para a aquisição de um garrote, 10,2@ para levar um bezerro de ano e 9,1@ para fechar um lote de bezerro de desmama. No curto prazo, prevê Stéfany, o mercado paulista de reposição deve permanecer valorizado, com maior dificuldade para negociações, porém com cenário de firmeza.
PORTAL DBO
SUÍNOS
Exportações brasileiras para UE podem aumentar em US$1 bi já este ano com entrada em vigor de acordo com Mercosul, diz Apex
O governo brasileiro estima que as exportações brasileiras para a União Europeia podem crescer US$1 bilhão já este ano com a entrada em vigor do acordo comercial entre a UE e o Mercosul, disse na sexta-feira o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir André Müller.
O acordo entrará em vigor provisoriamente a partir de primeiro de maio, e 543 produtos terão as tarifas retiradas imediatamente, explicou Müller após encontro de empresários brasileiros e espanhóis com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Barcelona. "Só com os 543 produtos que vão sair imediatamente a desgravação, com a tarifa imediatamente indo para zero, pode dar um ganho de US$1 bilhão já este ano, que se somariam aos já U$50 bilhões de exportação que o Brasil já tem (para a União Europeia)", afirmou. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou também após o encontro que produtos como milho, etanol, arroz e proteínas suína e de aves começam a ter imediatamente cotas com tarifa zero, o que beneficia diretamente o Brasil, grande exportador desses produtos. "Precisamos estar com o setor privado devidamente informado para que esse comércio se expanda", disse Rosa.
REUTERS
FRANGOS
Frango/Cepea: Competitividade frente ao boi é a maior desde 2022
Os preços do frango resfriado estão em alta neste mês na Grande São Paulo. Enquanto as cotações da carne bovina também sobem, a carcaça suína registra forte baixa, gerando movimentos distintos entre as concorrentes.
Nesse cenário, o frango resfriado atinge seu patamar mais competitivo frente à carne bovina em quatro anos. Em relação à proteína suinícola, por outro lado, a carne de frango está no pior momento também desde 2022. Na primeira quinzena de abril, o preço do frango resfriado negociado na Grande São Paulo avançou fortes 6,6% frente a março, com média de R$ 7,18/kg. De acordo com pesquisadores do Cepea, esse movimento está relacionado aos reajustes dos fretes, visto que o conflito no Oriente Médio elevou as cotações dos combustíveis em boa parte do País. Além disso, a demanda pela proteína aumentou no período, devido ao recebimento de salários por parte da população.
CEPEA
EMPRESAS
Frimesa lança produtos premium que inovam em proteína suína e versatilidade culinária na
Com foco em inovação e diversificação, a Frimesa, uma das maiores cooperativas de alimentos do Brasil, escolheu a vitrine da ExpoApras 2026 – um dos principais eventos do setor supermercadista no Brasil – para apresentar novos itens do portfólio de proteínas animal. A aposta foram os lançamentos das linhas premium Fogo & Sabor e os novos hamburgueres da marca, que chegam às gôndolas de todo o país a partir de junho.
Entre as novidades, estiveram as novas linguiças saborizadas e a Manta de Linguiça Toscana, da marca Fogo & Sabor, que são voltadas aos entusiastas do churrasco e valorizam a inovação e a experimentação de novos cortes e temperos. Versátil, a manta permite aplicações que vão da grelha a air fryer até o preparo de recheios e ragus. Pioneira no formato de linguiça frescal, a nova Chistorra da Frimesa é um diferencial exclusivo no mercado nacional. Já a versão Chimichurri insere na categoria de embutidos a herança dos sabores platinos, amplamente apreciados no Brasil. Já a linha de hambúrgueres de 120g, nos sabores Toscana, Defumado e Pernil, com assinatura Frimesa, foi projetada para o consumidor que deseja replicar a experiência das hamburguerias artesanais em casa. Ambas as linhas foram desenvolvidas para o segmento premium, posicionando-os junto aos produtos gourmet já consolidados no varejo. Com as inovações, a Frimesa visa suprir a demanda do consumidor que busca valor agregado e qualidade superior. Rodrigo Fossalussa, superintendente comercial da Frimesa, explica que o lançamento das linhas marca uma fase estratégica de evolução e consolidação do portfólio da Frimesa, alinhado ao novo posicionamento de marca e identidade visual. “O momento exige não apenas inovação, mas sofisticação técnica para demonstrar ao mercado porque somos a maior especialista em carne suína do Brasil. Estamos elevando a percepção de valor da proteína suína”, afirma. O estande da Frimesa na ExpoApras contou com uma estrutura de 296m² e explorou o conceito “A Casa da Família Frimesa”, convidando o varejista a degustar os novos produtos, além dos itens tradicionais já consolidados no mercado. O evento também foi uma oportunidade para apresentar a nova identidade visual, lançada em março deste ano junto ao rebranding, que tem como um dos pilares a família. O tema é explorado na campanha de comunicação veiculada a partir de abril e se faz presente também no estande da cooperativa na ExpoApras. “Estamos chegando com presença física em São Paulo, mas as raízes da Frimesa estão no Paraná. Fazer parte da ExpoApras reforça o nosso compromisso com o varejo regional e nacional e o quanto valorizamos esse mercado que tanto nos abraça”, comenta Fossalussa.
OCEPAR
INTERNACIONAL
A expansão global do sorotipo SAT1 da febre aftosa acende alerta
Relatos recentes sobre o surgimento e a disseminação do vírus da febre aftosa (FMDV), sorotipo SAT1, estão evidenciando uma mudança preocupante no cenário global dessa doença.
Os relatórios de monitoramento global de doenças suínas, financiados pelo Swine Health Information Center e liderados pela Dra. Sol Perez, da Universidade de Minnesota, destacaram os novos países afetados em publicações mensais. “Para o FMDV, a imunidade é específica por sorotipo, o que significa que a infecção ou vacinação contra um determinado sorotipo não confere proteção contra outro sorotipo”, afirma Perez em um artigo do SHIC. Historicamente, o SAT1 era mantido em áreas endêmicas da África Oriental e Austral. No entanto, em 2025, esse sorotipo demonstrou uma “expansão preocupante” para além de sua área geográfica tradicional, com detecções confirmadas de dois subtipos circulando simultaneamente no Oeste da Ásia e no Norte da África. O aumento da circulação do SAT1 representa um risco crescente para regiões que antes não eram afetadas, incluindo o sudeste da Europa e potencialmente outras áreas. À medida que esse sorotipo amplia sua distribuição geográfica, surgem novos caminhos para sua introdução em diferentes regiões e países, aumentando a probabilidade de disseminação transfronteiriça, observa Perez. A principal preocupação das autoridades de saúde animal é que a imunidade ao FMDV é específica para cada sorotipo. Os programas atuais de vacinação em muitas regiões afetadas são voltados para os sorotipos O, A e Asia-1. Como essas vacinas não oferecem proteção cruzada contra o SAT1, as populações de animais permanecem, na prática, suscetíveis, indicam as pesquisas. Esse “espaço ecológico” permitiu que o SAT1 se espalhasse rapidamente em populações que antes eram consideradas protegidas. A expansão do SAT1 provavelmente está relacionada a diversos fatores, segundo Perez. A movimentação de animais, especialmente o trânsito informal transfronteiriço de pequenos ruminantes, que podem carregar infecções subclínicas, é um dos principais motores.
As pressões ambientais, como seca e mudanças no uso da terra, aumentaram o contato entre reservatórios silvestres e rebanhos domésticos. As limitações das vacinas, com a ausência de estoques específicos para o SAT1 e falhas na vigilância, dificultaram respostas rápidas. Embora os Estados Unidos permaneçam livres de febre aftosa, a expansão do SAT1 para novas regiões do mundo aumenta a complexidade do risco global, afirma Perez. O surgimento de dois subtipos circulando simultaneamente (topótipos SAT1/I e SAT1/III) cria mais caminhos para a entrada do vírus no país, seja por viagens internacionais, produtos de origem animal contaminados ou materiais contaminados. “Esses desenvolvimentos globais reforçam a necessidade de fortalecer os sistemas de detecção precoce e vigilância, manter medidas rigorosas de biossegurança ao longo das cadeias produtivas de animais e garantir que as estratégias de preparo vacinal sejam suficientemente flexíveis para incorporar sorotipos emergentes como o SAT1”, afirma Perez. Para a indústria suína dos Estados Unidos, isso serve como um alerta importante para manter medidas rigorosas de biossegurança e apoiar esforços globais de monitoramento a fim de evitar um surto no país.
DROVERS
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Agroindústria teve retração de 1,9% no mês de fevereiro
Indústria do segmento não-alimentício puxou para baixo desempenho geral das agroindústrias, segundo o PIMAgro
A produção da agroindústria brasileira teve retração em fevereiro, após dois meses de crescimento, em decorrência da forte queda no segmento não alimentício. O Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), elaborado pelo Centro de Estudos do Agronegócio (FGV Agro), recuou 1,9% no mês na comparação com fevereiro do ano passado. Segundo o FGV Agro, o resultado negativo não era esperado. O desempenho em fevereiro levou a uma queda de 0,7% no acumulado do bimestre - ainda antes da guerra no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro. Mas, embora a produção da agroindústria tenha caído no início do ano, o resultado foi melhor do que o da indústria de transformação, cuja produção teve baixa de 2,2%. O grupo das agroindústrias não alimentícias registrou retração de 5,5%, puxada pelo desempenho da indústria de insumos, que caiu 11,5%. Esse segmento foi afetado pela redução na fabricação de intermediários para fertilizantes, adubos, defensivos, tratores e máquinas. O FGV Agro ressaltou que a expectativa é de novas contrações na produção, como consequência dos impactos do conflito no Oriente Médio, que elevou os preços de vários insumos. Também houve queda da produção no segmento de têxteis em fevereiro passado, com redução de 11,1%, dada a menor fabricação de fibras, tecidos, vestuários, calçados e couro. O único segmento não alimentício que teve produção maior em fevereiro foi o de biocombustíveis, com alta de 33,5%. Já no segmento das agroindústrias alimentícias e de bebidas, a produção teve aumento de 0,9% em fevereiro. Mas, diferentemente dos meses anteriores, a indústria que puxou a alta foi a de bebidas, com incremento de 6,2%, enquanto a de alimentos caiu 0,3%. A produção da indústria de bebidas alcoólicas subiu 8,9%, e a de bebidas não alcoólicas teve um aumento de 3,3%. Nas indústrias de alimentos, houve baixa de 1,6% no segmento de origem animal, devido à queda da produção de carne bovina e de pescados. Já o segmento de alimentos de origem vegetal subiu 2,7%, com alta na produção de conservas e sucos, óleos e gorduras, arroz, na moagem de trigo e no refino de açúcar.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
Dólar fecha em R$4,9836, no menor valor do ano, após Irã reabrir Estreito de Ormuz
O anúncio de que o Irã vai reabrir o Estreito de Ormuz pesou sobre o dólar na sexta-feira no Brasil, com a moeda norte-americana encerrando o dia no território negativo, renovando a menor cotação do ano.
O dólar à vista encerrou o dia em leve queda de 0,20%, aos R$4,9836, menor valor de fechamento desde 27 de março de 2024, quando atingiu R$4,9805. Na semana, a divisa acumulou baixa de 0,53% e, no ano, recuo de 9,21%. Às 17h09, o dólar futuro para maio DOLc1 -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 0,22% na B3, aos R$4,9960. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse pela manhã que a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está completamente liberada durante o restante do período de cessar-fogo entre Israel e Hezbollah, no Líbano. Trump, por sua vez, afirmou que os EUA manterão seu bloqueio naval contra o Irã até que um acordo seja finalizado, mas disse acreditar que isso “será feito muito rapidamente”. Segundo ele, representantes dos dois países podem voltar a se reunir no fim de semana. Uma autoridade iraniana disse à Reuters que ainda há diferenças significativas entre os dois países quanto a questões nucleares. A expectativa de um acordo entre os países e, em especial, o anúncio de reabertura de Ormuz fizeram o dólar ceder ante as demais divisas, incluindo o real, com investidores desmontando posições defensivas na moeda norte-americana. “O dólar recuou com força na sessão e chegou a renovar a mínima do ano, refletindo um movimento global de redução de prêmio de risco após a reabertura do Estreito de Ormuz”, resumiu Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad. Às 14h11, o dólar à vista marcou a máxima de R$4,9933 (estável), para depois encerrar a sessão em leve baixa. No exterior, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- se mantinha em leve queda neste fim de tarde, mas acima da marca de 98, após ter oscilado abaixo disso durante boa parte do dia. Em relatório a clientes distribuído pela manhã, o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, pontuou que o índice do dólar está com "tendência de baixa de longo prazo e ameaçando perder a região de 98, fato que beneficiaria ainda mais a moeda brasileira".
REUTERS
Ibovespa destoa do exterior e recua pressionado por Petrobras
O Ibovespa fechou em queda na sexta-feira, sem conseguir acompanhar o viés otimista desencadeado por expectativas de um fim próximo para a guerra no Irã, uma vez que o tombo dos preços do petróleo derrubou as ações da Petrobras e de outras petrolíferas negociadas na B3.
As cotações da commodity desabaram após o Irã anunciar a reabertura do Estreito de Ormuz, rota para um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, que estava praticamente fechada desde o começo da guerra no final de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,55%, a 195.733,51 pontos, no terceiro pregão seguido no vermelho e encerrando a semana com declínio de 0,81%. No melhor momento do dia, pela manhã, avançou a 198.665,65 pontos. Na mínima, à tarde, registrou 195.367,90 pontos. O índice Small Caps, que não tem os papéis da Petrobras na sua composição, fechou em alta de 0,93%. O volume financeiro no pregão somou R$44,73 bilhões, em dia também marcado pelo vencimento de opções sobre ações na bolsa paulista. O barril do petróleo sob o contrato Brent fechou em queda de 9,07%, a US$90,38, determinada principalmente pela declaração do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, de que a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está completamente liberada após acordo de cessar-fogo firmado no Líbano. De acordo com o responsável pela mesa de ações e sócio do BTG Pactual, Jerson Zanlorenzi, houve um "fortíssimo" movimento de descompressão de risco no mercado internacional, decorrente principalmente do movimento dos preços do petróleo. Zanlorenzi acrescentou que a forte queda da commodity naturalmente gera uma melhora do otimismo internacional, principalmente em relação a risco institucional e preço de combustíveis e matéria-prima energética e, consequentemente, inflação. Dados da B3 sobre a movimentação de investidores estrangeiros mostram uma entrada líquida de R$14,6 bilhões em abril até o dia 15, com o saldo no ano positivo em R$68 bilhões. No começo da semana, apoiado por esse fluxo, o Ibovespa renovou recordes e testou os 199 mil pontos pela primeira vez.
REUTERS
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