CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1178 DE 24 DE AGOSTO DE 2026
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Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1178 | 24 de agosto de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Boi gordo: semana terminou estável
A semana terminou com estabilidade nos preços do boi gordo na maioria das praças brasileiras, informam as consultorias que acompanham diariamente o setor pecuário. No PARANÁ: Boi: R$ 360,00. Vaca: R$ 335,00. Novilha: R$ 345,00. Escalas: cinco dias.
Pelos dados da Scot Consultoria, no interior de São Paulo, o boi gordo sem padrão-exportação segue valendo R$ 347/@, enquanto o “boi-China” está cotado em 350/@ (valores brutos, no prazo). Durante as duas primeiras quinzenas, o mercado brasileiro do boi gordo vinha apresentando uma boa firmeza, mas passou a balançar a partir desta terceira semana, refletindo sobretudo o enfraquecimento na demanda interna pela carne bovina. “O poder de consumo do brasileiro é menor na segunda quinzena e ajuda a esfriar os negócios no atacado e varejo”, diz o engenheiro agrônomo Pedro Gonçalves, analista da Scot Consultoria. Ele completou: “Isso, somado a um ritmo de abate que não obteve novas quedas, levou a uma retração nos preços pagos pelos frigoríficos”. No entanto, apesar das baixas pontuais, as cotações do boi gordo ainda seguem em patamares altos, destacam os analistas. Isso decorre de uma série de fatores, entre eles a alta ociosidade nas indústrias que atendem a China, principal comprador da carne bovina brasileira e que reduziu as importações depois do quase esgotamento da cota de salvaguarda brasileira, de 1,1 milhão de toneladas. Além disso, diz Gonçalves, diante da entressafra de animais terminados a pasto, a oferta de bovinos segue limitada, o que levou ao equilíbrio do mercado e preços firmes. Analistas da Agrifatto observam que o menor ritmo das exportações brasileiras de carne bovina in natura e o escoamento fraco no mercado doméstico, acompanhado por nova rodada de baixas no atacado, ampliaram a pressão sobre os preços da matéria-prima (boiadas gordas). A consultoria ressalta que, embora as indústrias tenham ampliado momentaneamente o poder de negociação, a oferta restrita de boiadas terminadas continua limitando o espaço para novos recuos. Assim, apesar das baixas registradas em algumas regiões ao longo da semana encerrada em 21 de agosto, a disponibilidade de animais ainda não é suficiente para sustentar um movimento generalizado de queda da arroba, reforçaram os analistas da Agrifatto. No mercado futuro do boi gordo, porém, os contratos fecharam o pregão de quinta-feira (20/8) da B3 em queda. O papel para agosto/26 encerrou a sessão cotado a R$ 344,80/@, com recuo de 1,1% em relação ao fechamento anterior. Cotações do boi gordo, conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: oito dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: cinco dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 335,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: oito dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 335,00. Boi China/Europa: R$ 335,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: seis dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: cinco dias. PARÁ: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: quatro dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 335,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: sete dias. MARANHÃO: Boi: R$ 340,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: seis. Preços brutos do “boi-China” nesta quarta-feira (19/8), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 345,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). MINAS GERAIS: (Exceto região Sul): R$ 345,50/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 333,00/@ (à vista) e R$ 337,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 341,00/@ (à vista) e R$ 345,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 336,00/@ (à vista) e R$ 340,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 345,50/@ (à vista) R$ 350,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 341,00/@ (à vista) e R$ 345,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 333,00/@ (à vista) e R$ 337,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 329,00/@ (à vista) e R$ 333,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 336,00/@ (à vista) e R$ 340,00/@ (prazo). PARANÁ: R$ 357,50/@ (à vista) e R$ 362,00/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
Trump permitirá importação de carne moída “sem tarifa fora da cota”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na sexta-feira que permitirá a importação de até 300 mil toneladas métricas de carne moída “sem tarifa fora da cota” pelos próximos 90 dias, em um acordo que, segundo ele, permitirá que a carne seja vendida a um preço 25% inferior aos preços atuais de mercado.
REUTERS
Queda das exportações pesa menos que o esperado sobre o boi gordo
Alcides Torres Jr., da Scot Consultoria, diz que o mercado tem reagido melhor à queda dos embarques do que previam os mais pessimistas e vê cenário positivo para a arroba até o fim do ano
A redução das exportações brasileiras de carne bovina trouxe pressão e aumentou a cautela no mercado do boi gordo, mas, até agora, seus efeitos sobre os preços têm sido mais amenos do que parte do setor projetava. Mesmo com o menor ritmo dos embarques e a recente perda de fôlego do consumo doméstico, o mercado segue relativamente equilibrado. A avaliação é de Alcides Torres Jr., engenheiro agrônomo e diretor-proprietário da Scot Consultoria, de Bebedouro (SP). “Tinha os alarmistas e os pessimistas dizendo que a coisa ia desmontar, ia quebrar todo mundo, o preço ia cair, ia fechar frigorífico. Não aconteceu isso”, afirmou. Segundo Torres Jr., a redução dos embarques é evidente e deverá resultar em um desempenho exportador mais fraco, mas outros fatores ajudaram a amortecer seus efeitos sobre o mercado pecuário. “Estamos tendo algumas compensações com relação aos Estados Unidos e outros mercados. Os frigoríficos já tinham dado férias coletivas, então o mercado já tinha se ajustado. O consumo interno, apesar dessa pequena queda que a gente está tendo agora, continua firme”, explicou. Para o analista, substituir a demanda chinesa está longe de ser uma tarefa simples. Ainda assim, o comportamento do mercado até aqui ficou distante dos cenários mais negativos projetados anteriormente. “O que está acontecendo agora com relação a preço e ao comportamento de mercado está bem mais ameno do que os mais pessimistas imaginavam”, disse. “É um mercado equilibrado, vamos falar assim, para ficar no meio do caminho.” Para os próximos meses, a perspectiva traçada por Torres Jr. é mais favorável. Entre os fatores que podem contribuir para sustentar o mercado estão uma maior circulação de recursos na economia, o aumento sazonal do consumo no fim do ano e uma possível recuperação da demanda chinesa. “A expectativa é positiva. A gente imagina um mercado comprador”, afirmou. O analista espera que a China volte a comprar mais carne bovina brasileira dentro de um ou dois meses, movimento que, combinado ao fortalecimento sazonal da demanda doméstica, pode contribuir para a firmeza das cotações. “Mais para o final do ano ainda temos as bonificações de fim de ano e, é claro, imaginamos que a China volte a comprar daqui a um ou dois meses. Então, os cenários são positivos no que diz respeito à firmeza da cotação da arroba do boi gordo”, afirmou. “A expectativa é de que a exportação para os Estados Unidos aumente. Mesmo porque, para eles voltarem àquele nível de rebanho, vai levar algum tempo, se é que vão voltar”, afirmou. O analista também chamou atenção para os efeitos indiretos de uma maior demanda norte-americana dentro da própria América do Norte. Segundo ele, se os Estados Unidos ampliarem suas compras de carne do México, o mercado mexicano poderá, por sua vez, aumentar as aquisições do produto brasileiro. “Se os Estados Unidos voltam a comprar muito do México, o México passa a comprar muito da gente. Então, com relação à América do Norte, o cenário é positivo, pelo menos para este semestre”, concluiu.
PORTAL DBO
SUÍNOS
Preços baixos pressionam suinocultura independente em 2026
Oferta elevada de animais e demanda enfraquecida derrubam cotações do suíno vivo e ampliam dificuldades de produtores, segundo o Cepea
O mercado independente de suínos enfrenta um cenário de preços baixos em 2026. Até julho, produtores consultados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) relataram prejuízos e, em alguns casos, o encerramento das atividades. Segundo o Cepea, a pressão sobre as cotações ocorre em meio à combinação de demanda enfraquecida e oferta elevada de animais. Esse cenário também amplia a disponibilidade de carne suína no mercado e contribui para a queda nos preços pagos pelo suíno vivo. Em julho, a média de comercialização do animal vivo na região SP-5, que reúne Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba, ficou em R$ 5,18 por quilo. De acordo com o Centro de Pesquisas, esse foi o terceiro menor valor registrado em toda a série histórica acompanhada para a região, evidenciando a pressão enfrentada pelos produtores independentes.
Pesquisadores do Cepea apontam que a situação observada neste ano se aproxima daquela registrada em 2022, período também marcado por dificuldades no setor. Na comparação em valores reais, corrigidos pelo IGP-DI de julho de 2026, o pior momento do mercado em 2022 ocorreu em fevereiro. Naquele mês, o preço médio do suíno vivo na mesma região correspondeu a R$ 5,97 por quilo. O valor registrado em julho deste ano, portanto, ficou abaixo daquele patamar, reforçando o cenário de baixa remuneração enfrentado pela produção independente diante do excesso de oferta e do consumo enfraquecido.
CEPEA
FRANGOS
Frango/Cepea: Alta dos insumos reduz poder de compra do avicultor paulista
O poder de compra do avicultor paulista frente ao milho e ao farelo de soja está recuando em agosto pelo segundo mês consecutivo. Segundo o Cepea, o movimento resulta da combinação entre a desvalorização do frango vivo e a alta nos preços dos principais insumos utilizados na atividade.
De acordo com o Centro de Pesquisas, a oferta interna elevada de frango vivo no início deste mês pressionou as cotações. Com a acomodação desse excedente, porém, os valores foram se estabilizando. Do lado dos insumos, milho e farelo de soja se valorizaram. Segundo a Equipe de Grãos do Cepea, o avanço foi mais expressivo para o farelo, refletindo a maior disputa entre consumidores internos e externos e a valorização do dólar frente ao Real.
CEPEA
EMPRESAS
Custos mais altos derrubaram lucro das empresas do agro no 2° trimestre
Aumentos de frete marítimo e combustíveis decorrentes do conflito no Oriente Médio, juros elevados e novas dinâmicas comerciais pesaram nos resultados. Empresas de carnes que atuam nos EUA ainda sentem impacto da oferta restrita de gado no país
As expectativas do mercado eram negativas e se confirmaram. No segundo trimestre do ano, boa parte das empresas do agronegócio teve queda nos lucros, reflexo de um cenário de custos elevados nem sempre acompanhados de preços remuneradores. A guerra no Oriente Médio fez disparar os gastos de exportadores com fretes e, ao aumentar a pressão inflacionária, freou o ritmo de corte dos juros, elevando despesas com dívidas. Entre os frigoríficos, o alto custo do gado bovino nos Estados Unidos e a formação de estoques para lidar com novas dinâmicas comerciais também pesaram. Mas o terceiro trimestre tende a ser mais positivo, com a elevação de preços de vários produtos. Dados compilados pelo Valor Data mostram que, de 21 companhias do setor, 11 viram o lucro cair em relação ao segundo trimestre de 2025. Oito tiveram prejuízo e 13 marcaram recuo no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). “Um denominador comum foi o nível de alavancagem mais alto que, quando combinado com o alto patamar de juros, faz com que a geração de caixa fique comprimida”, observa Gustavo Troyano, analista do Itaú BBA. A Selic em níveis elevados também afeta o endividamento dos produtores rurais e suas compras de insumos, com impacto para empresas como a 3tentos, afirma Gabriel Barra, analista do Citi. Entre os frigoríficos, o preenchimento da cota de exportação de carne bovina para a China pesou sobre os resultados do segundo trimestre e deve seguir afetando os do terceiro trimestre. De abril a junho, a perspectiva de que a cota seria preenchida em julho fez algumas empresas utilizarem mais capital de giro para formar estoques de vendas a serem pagas no terceiro trimestre. Foi o caso da Minerva, que espera monetizar os estoques no segundo semestre. “Em geral essa indústria não trabalha com estoques, mas achei positivo, de forma tática”, diz a analista do Citi Renata Cabral. A ausência da China nas compras no terceiro trimestre deve ser sentida, ainda que grandes frigoríficos consigam diversificar mais as vendas que os de menor porte. Mas até empresas com baixa exposição à China, como a MBRF, poderá ser afetadas pela maior oferta e preços mais baixos no mercado interno da carne que iria para os chineses, segundo a analista do Citi. Quanto às operações de frango, a maior oferta nos Estados Unidos prejudicou o resultado da Pilgrim’s Pride, da JBS. A margem Ebitda encolheu 6,9 pontos, para 5,2%. Já a MBRF, sem operação de frango nos país, lidou com oferta mais equilibrada no Brasil. De forma similar à Minerva, a MBRF fez estoques para suprir o Oriente Médio, o que dificultou a redução da alavancagem, mas deve se reverter em receita no terceiro trimestre, disse o vice-presidente de finanças da empresa, José Ignacio Scoseria, em teleconferência. Nos diversos mercados internacionais, a demanda segue firme, impulsionada pelo aumento da renda e da ingestão de proteínas. Para o estrategista-chefe da Sincra, Gustavo Cruz, 2026 está sendo um ano difícil para o setor. “O agronegócio sofreu também por conta da guerra no Irã, que encareceu o diesel e o preço de fertilizantes”, afirma. Além de obrigar os brasileiros a enviarem cargas por rotas alternativas mais longas e caras, como o Canal de Suez, o conflito também encareceu o escoamento interno da safra brasileira em razão da alta do petróleo e do diesel. Troyano, do Itaú BBA, acredita em uma melhora gradual do cenário para as empresas do agro no terceiro trimestre. O El Niño ainda é um “problema do futuro” para os balanços, mas pode virar oportunidade, dependendo de onde a empresa estiver, diz ele. O fenômeno, previsto para ser o mais forte da história, terá seu pico entre o fim de 2026 e início de 2027. “Na nossa visão, 2026 como um todo ainda é um ano desafiador”, avalia Troyano.
VALOR ECONÔMICO
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Lucro da arroba produzida supera R$ 1,1 mil no confinamento do Centro-Oeste e do Sudeste
Queda do custo por arroba e aumento da produção elevaram a rentabilidade em julho. No Sudeste, apenas 47,9% das arrobas produzidas foram necessárias para pagar a alimentação do ciclo.
Julho terminou com melhora da rentabilidade do confinamento nas duas principais regiões produtoras analisadas pela consultoria Ponta Agro. A combinação entre redução do custo da arroba produzida, maior eficiência produtiva e, no Sudeste, recuperação do preço do boi gordo levou o lucro da arroba produzida para mais de R$ 1,1 mil por cabeça nas duas regiões. No Centro-Oeste, o custo da arroba produzida caiu 3,08%, para R$ 180,62, enquanto a cotação do boi físico recuou apenas 0,62%, para R$ 321,50. O resultado foi um lucro de R$ 1.138,30 por cabeça, alta de 8,08%. No Sudeste, o custo da arroba produzida diminuiu 3,13%, para R$ 193,05, ao mesmo tempo em que o boi gordo valorizou 3,77%, chegando a R$ 344 por arroba. A combinação elevou o lucro para R$ 1.145,71 por cabeça, avanço de 13,73%. Com a valorização do boi gordo, o Sudeste voltou a apresentar a maior lucratividade da arroba produzida no mercado físico. A vantagem, porém, foi pequena: apenas R$ 7,41 por cabeça em relação ao Centro-Oeste. A diferença muda quando a referência é o mercado de exportação, representado pelo boi China. Nesse caso, o Centro-Oeste registrou lucro de R$ 1.206,98 por cabeça, acima dos R$ 1.191,25 observados no Sudeste. Os números mostram que a rentabilidade do confinamento não depende exclusivamente da cotação da arroba. A quantidade de arrobas produzidas e o custo para obtê-las também determinam o resultado econômico da operação. O principal destaque de julho foi registrado no Sudeste. A Relação de Troca ICAP/Boi Gordo chegou a 29,97 dias de alimentação por arroba, superando o recorde anterior, de 29,18 dias, registrado em abril. Na prática, significa que uma arroba de boi gordo foi suficiente para pagar praticamente um mês de alimentação. O impacto fica mais claro quando se observa a produção total do ciclo. No Sudeste, o confinamento produziu, em média, 7,59 arrobas por animal em 109 dias. Para cobrir toda a alimentação desse período, foram necessárias apenas 3,64 arrobas. Assim, o custo alimentar consumiu 47,9% da produção, deixando 52,1% das arrobas produzidas para cobrir os demais custos e contribuir para a formação da margem. É o menor percentual registrado na série recalculada do indicador. Centro-Oeste também precisa de metade da produção para pagar o cocho. No Centro-Oeste, a relação de troca recuou de 25,06 para 24,50 dias. O movimento refletiu principalmente o aumento do Índice de Custo Alimentar (ICAP) e a relativa estabilidade da cotação da arroba. Mesmo assim, a alimentação representou exatamente metade da produção do ciclo. Das 8,08 arrobas produzidas por animal, 4,04 arrobas foram suficientes para cobrir o custo alimentar. A diferença em relação ao Sudeste está tanto no volume produzido quanto na parcela necessária para pagar o cocho. Enquanto no Sudeste 47,9% da produção foi destinada à alimentação, no Centro-Oeste essa participação chegou a 50%. Os resultados de julho mostram dois caminhos distintos para a melhora da rentabilidade. No Sudeste, o confinador se beneficiou simultaneamente da queda do custo alimentar e da valorização de 3,77% do boi gordo. No Centro-Oeste, a cotação praticamente não mudou, mas a redução do custo por arroba produzida ajudou a ampliar o resultado. Em ambos os casos, a eficiência produtiva teve papel decisivo. Quanto menor a quantidade de arrobas necessária para financiar a alimentação do ciclo, maior é a parcela da produção disponível para absorver custos de compra dos animais, sanidade, mão de obra, estrutura, despesas financeiras e demais componentes da operação. Os dados do ICAP mostram, portanto, que a margem do confinamento é determinada pela relação entre custo por arroba produzida, produtividade e preço de venda. Em julho, essa combinação levou a lucratividade a mais de R$ 1,1 mil por cabeça nas duas regiões, mesmo com comportamentos diferentes no mercado físico.
O PRESENTE RURAL
ECONOMIA
Dólar fecha em queda firme contra o real com exterior favorável e eleições
O dólar fechou a sexta-feira em queda firme contra o real, que liderou os ganhos entre as principais moedas, pegando carona no enfraquecimento da moeda norte-americana, ao mesmo tempo em que os agentes monitoraram o noticiário eleitoral. O dólar à vista fechou em queda de 1,00%, aos R$5,1417 na venda.
Às 17h40, o contrato de dólar futuro para setembro -- atualmente o mais negociado no Brasil -- caía 1,05% na B3, aos R$5,1515. Na semana, o dólar acumulou 1,53% de queda contra o real. A moeda norte-americana caiu no exterior para o menor nível em três meses, com o aumento das preocupações de que o plano do Tesouro dos Estados Unidos de expandir a recompra de títulos públicos de longo prazo possa pressionar ainda mais a divisa. Por volta das 17h40, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,07%, a 98,856. Nesse ambiente, o real e o peso chileno lideraram os ganhos da sessão entre as moedas mais líquidas, enquanto o euro atingiu o maior valor desde 14 de maio e a libra esterlina atingiu o maior nível desde 11 de fevereiro. Além do quadro cambial favorável no exterior, o cenário eleitoral doméstico deu ainda mais fôlego para o real.
Investidores aguardam a divulgação, no início da noite da sexta-feira, de uma nova pesquisa de intenções de voto do Datafolha sobre o cenário para as eleições presidenciais de outubro. Na última segunda-feira, levantamento BTG/Nexus mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seguem em empate técnico em um eventual segundo turno, embora o petista continue numericamente à frente. A perspectiva de uma disputa presidencial mais acirrada, com menor diferença de percentual de intenções de voto entre os principais candidatos, é bem-vista pelo mercado, que vê um risco fiscal maior em um eventual próximo mandato de Lula. "O mercado segue bastante sensível ao quadro fiscal, que, por sua vez, é uma derivada direta do desfecho eleitoral", disse Bruno Perri, economista-chefe e fundador da Forum Investimentos.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta com respaldo de bancos e assegura ganho semanal
O Ibovespa fechou em alta na sexta-feira, rondando os 172 mil pontos, com respaldo das ações dos bancos e assegurando desempenho semanal positivo.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 1,84%, a 171.014,62 pontos, acumulando alta de 2,44% na semana, de acordo com dados preliminares. No mês, ainda recua 3,92%. Na máxima do dia, chegou a 171.979,78 pontos. Na mínima, marcou 167.928,33 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$30,1 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Indústria vê déficit comercial bater recorde no 1º semestre
Defasagem tecnológica brasileira ajuda a explicar saldo negativo, com problemas que vão de remédios a carros elétricos
A indústria de transformação fechou o primeiro semestre do ano com déficit comercial de US$ 38,2 bilhões, o mais profundo da série histórica iniciada em 2000. De janeiro a junho de 2025 o saldo negativo foi de US$ 37 bilhões, agora o segundo mais acentuado da série. O resultado da indústria na primeira metade deste ano contrasta com o desempenho da balança comercial total do país. Puxada pela exportação de commodities, a balança total acumula saldo positivo de US$ 49 bilhões de janeiro e julho e deve ter em 2026 superávit superior ao projetado no início do ano. A indústria de transformação teve na primeira metade do ano a reação do ramo de aeronaves, cujas exportações, após sete anos, recuperaram o nível pré-pandemia. O desempenho levou o déficit comercial do segmento a quase um décimo do observado de janeiro a junho de 2025. Outros ramos industriais, porém, tiveram os mais agudos déficits para o primeiro semestre desde 2000, provocados principalmente por níveis históricos de importação. Entre eles, farmacêuticos, complexo eletrônico e os ramos de veículos, reboques e carrocerias, de produtos de borracha e plástico e de têxteis, vestuário e calçados, segundo dados do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Para Rafael Cagnin, economista-chefe do Iedi, os déficits comerciais em níveis históricos refletem a defasagem tecnológica brasileira em vários segmentos, favorecendo o aumento das importações, desde remédios até eletrônicos e carros eletrificados. Os dados do Iedi mostram que houve pelo menos um segmento com déficit comercial recorde em todos os quatro grupos da indústria classificada por intensidade tecnológica, desde a alta tecnologia até a média-baixa intensidade, passando pela média-alta e média tecnologias. Nos grupos menos intensos em tecnologia, aponta Cagnin, a questão é a competitividade da produção brasileira, que enfrenta importados fabricados em grande escala e em condições de melhor custo, caso de borrachas e plásticos e de têxteis, vestuário e calçados. O impacto das cotações de petróleo com a eclosão do conflito no Oriente Médio também fez diferença em algumas atividades. O déficit da balança da indústria de janeiro a junho deste ano resultou de US$ 94,7 bilhões em exportações, com alta de 7,1% ante igual período de 2025. Na mesma comparação, as importações cresceram a taxa um pouco menor, de 5,9%, mas sobre uma base maior, o que resultou em US$ 132,9 bilhões em compras externas. Apesar do aprofundamento do déficit comercial da indústria de transformação, Cagnin destaca aspectos positivos. Na alta tecnologia, pela primeira vez as exportações superaram o patamar do pré-pandemia, de 2019. Esse grupo fechou o primeiro semestre com US$ 4,4 bilhões em embarques, superior aos US$ 3,3 bilhões do ano passado e pouco acima dos US$ 4,3 bilhões de 2019, sempre de janeiro a junho. A recuperação deve-se muito à exportação de aeronaves, que alcançou US$ 2,8 bilhões no primeiro semestre do ano e cresceu 52,9% ante mesmos meses de 2025, desempenho que puxou a alta de 33,1% nos embarques do grupo da alta tecnologia. A alta da exportação foi acompanhada de redução de 52,5% na importação de aeronaves. A combinação resultou num saldo comercial ainda negativo, de US$ 0,6 bilhão, mas bem menor que o déficit de US$ 5,4 bilhões de 2025, sempre no primeiro semestre. Mesmo assim, observa Cagnin, o déficit comercial do grupo da indústria de alta intensidade tecnológica persiste em nível elevado.
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