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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1165 DE 05 DE AGOSTO DE 2026

  • prcarne
  • há 2 dias
  • 13 min de leitura

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 5 | nº 1165 | 05 de agosto de 2026

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL 

 

BOI GORDO: altas nas cotações no MA, PA, RO e TO 

Ao contrário da fraca movimentação observada na semana passada, as vendas de carne bovina no varejo de São Paulo iniciaram esta semana em ritmo normal, sustentadas pelo retorno às aulas, pela entrada da massa salarial de julho no quinto dia útil e pela proximidade do Dia dos Pais, em 9 de agosto, relata a Agrifatto. No PARANÁ: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: seis dias. Boi China: PARANÁ: R$ 350,00/@ (à vista) e R$ 355,00/@ (prazo)

 

Na terça-feira (4/8), a Agrifatto detectou valorização nos preços do boi gordo em 4 das 17 praças brasileiras acompanhadas diariamente: MA, PA, RO e TO. Nas demais regiões monitoradas pela consultoria, os preços da arroba ficaram estáveis, incluindo a praça de São Paulo, onde o boi gordo com ou sem padrão-China segue valendo R$ 350/@, no prazo, mantendo viés de alta. “As praças de SP e PR continuam registrando negócios pontuais com boi gordo entre R$ 355/@ e R$ 360/@, enquanto as novilhas alcançaram até R$ 350/@”, informam os analistas da Agrifatto. Em MG, PA e TO, diz a consultoria, também foram observadas operações com boi gordo a R$ 345/@, igualmente acima das referências médias regionais. No entanto, segundo a Agrifatto, por envolverem pequenos volumes de venda e estarem concentradas em frigoríficos de menor porte, voltados quase exclusivamente ao mercado doméstico, essas negociações nas praças citadas acima (SP, PR, MG, PA e TO) ainda não possuem representatividade suficiente para influenciar as referências de mercado. Segundo levantamento da Scot Consultoria, as cotações da vaca e novilha terminadas subiram R$ 2/@ na terça-feira, em São Paulo, para R$ 322/@ e R$ 337/@, respectivamente (no prazo).

Por sua vez, o boi gordo paulista destinado ao mercado interno segue em R$ 348/@, enquanto o “boi-China” está em R$ 350/@. Segundo a Agrifatto, o movimento de alta no mercado brasileiro do boi gordo segue sustentado pela oferta restrita de animais terminados, pela dificuldade da indústria em alongar as escalas de abate, que permanecem, na média nacional, entre cinco e seis dias úteis, e pelo fortalecimento da demanda doméstica de carne bovina com a entrada da primeira quinzena de agosto. No mercado futuro da B3, os contratos do boi gordo fecharam o pregão de segunda-feira (3/8) em baixa pelo segundo dia consecutivo.

O destaque ficou com o contrato de agosto/26, que encerrou cotado a R$340,95/@, com desvalorização de 1,97% em relação ao encerramento da sessão anterior. Cotações do boi gordo, conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: seis dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 335,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: sete dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: sete dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 335,00. Boi China/Europa: R$ 335,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: seis dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 335,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: quatro dias. PARÁ: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: quatro dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 325,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: seis dias. MARANHÃO: Boi: R$ 335,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: sete. Preços brutos do “boi-China” na quinta-feira (30/7), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 334,00/@ (à vista) e R$ 338,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 326,50/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 341,00/@ (à vista) e R$ 345,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 329,50/@ (à vista) e R$ 333,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 331,00/@ (à vista) R$ 335,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 331,00/@ (à vista) e R$ 335,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 324,50/@ (à vista) e R$ 328,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 321,50/@ (à vista) e R$ 325,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 323,50/@ (à vista) e R$ 327,00/@ (prazo).

SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO

 

SUÍNOS

 

O desafio não é produzir, é defender o que o Brasil produz

Palestra no 4º Congresso de Suinocultores do Paraná mostrou que competitividade brasileira vai muito além do custo de produção e alerta para a necessidade de valorizar patrimônio sanitário, tecnologia e imagem do país diante de um mercado internacional cada vez mais disputado.

 

A competitividade da suinocultura brasileira costuma ser explicada por fatores conhecidos: abundância de grãos, disponibilidade de água, clima favorável e um sistema produtivo tecnificado. Embora todos esses elementos sejam determinantes, eles não são suficientes para explicar por que o Brasil se consolidou entre os principais produtores e exportadores mundiais de proteína animal. Em um mundo marcado por conflitos geopolíticos, barreiras comerciais, mudanças no consumo, crises sanitárias e crescente disputa por mercados, o maior patrimônio do setor talvez seja outro: a capacidade de produzir com regularidade, sanidade e credibilidade. Sula Leite, gerente técnica da área internacional da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), durante a palestra no 4º Congresso de Suinocultores do Paraná: “Somos muito bons em produzir suínos, mas ainda somos muito ruins em defender a imagem daquilo que produzimos”. “Precisamos lembrar constantemente quem nós somos dentro da produção mundial de proteína animal. Muitas vezes sofremos da chamada síndrome do vira-lata e deixamos de reconhecer a qualidade do que produzimos. O Brasil construiu uma produção diferenciada, competitiva e respeitada internacionalmente. Quem visita granjas e frigoríficos em outros países percebe que não perdemos para ninguém”. Segundo ela, essa dificuldade de comunicar os próprios diferenciais acaba abrindo espaço para interpretações equivocadas e, em alguns casos, favorece o surgimento de barreiras que extrapolam o campo sanitário. “Nem toda barreira apresentada como sanitária é, de fato, sanitária. Em muitos casos ela atende interesses comerciais. O problema é quando nós mesmos deixamos espaço para que essas restrições sejam criadas. Por isso precisamos defender nossa produção, nosso sistema e tudo aquilo que nos tornou referência internacional.” “Não existe acesso a mercados sem sanidade. É ela que constrói credibilidade internacional. Muitas vezes ouvimos críticas dizendo que alguns procedimentos de biosseguridade são exagerados, mas é justamente esse cuidado que nos colocou em uma posição diferenciada no mundo”.  “Nosso status sanitário virou algo tão comum para nós que, às vezes, esquecemos o quanto ele é extraordinário”, disse. Na avaliação de Sula, o produtor não pode mais enxergar sua atividade apenas a partir da realidade da propriedade rural. Questões sanitárias, econômicas e políticas ocorridas em qualquer parte do planeta têm potencial para alterar custos, demanda e oportunidades comerciais. “A porteira não isola ninguém do que acontece no mundo. O problema da China não é apenas da China. O que acontece com os bovinos, com os suínos, com as aves ou com qualquer grande mercado acaba repercutindo em toda a cadeia de proteínas. Somos uma cadeia longa, extremamente integrada e vulnerável às mudanças globais.” “A vida mostra continuamente que tudo é cíclico. Quantas previsões foram feitas e acabaram mudando completamente por causa de acontecimentos que ninguém imaginava? Por isso tenho muito cuidado quando falamos em projeções. Precisamos trabalhar com planejamento, mas também com capacidade de adaptação.” Segundo a especialista, a combinação entre disponibilidade de grãos, recursos naturais, tecnologia, conhecimento técnico e organização da cadeia continuará colocando o país em posição privilegiada diante da crescente demanda mundial por alimentos.

“Os desafios continuarão existindo porque eles acompanham o tamanho da nossa produção. O importante é não baixar a cabeça diante deles. Precisamos continuar trabalhando, preservar aquilo que construímos e lembrar que produzir alimentos com qualidade é, antes de tudo, uma responsabilidade com o consumidor e com o futuro da própria atividade.”

O PRESENTE RURAL

 

GOVERNO

 

Ministro diz que é 'inaceitável' ausência do Brasil da lista de exportadores de carne à União Europeia

Indústrias dizem "ter esperança" de que país poderá manter vendas de carne bovina à EU. UE retirou o Brasil da lista de nações aptas a exportar produtos de origem animal ao bloco alegando que o país não conseguiu comprovar que segue as regras sobre o uso de antimicrobianos

 

O governo federal trabalha para reverter a barreira imposta pela União Europeia à entrada de produtos de origem animal do Brasil e busca garantir a permanência do país na lista de fornecedores do bloco, disse o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. Em conversa com a imprensa durante o Congresso do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS), em São Paulo, nesta terça-feira (4/8), ele afirmou que “o governo está disposto a trabalhar tanto do ponto de vista técnico, quanto do ponto de vista diplomático e político” para reverter a decisão da UE. Ele acrescentou que representantes brasileiros já realizaram reuniões com a Comissão Europeia. A União Europeia excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos derivados de animais a partir de 3 de setembro, alegando que o país não comprovou o cumprimento das exigências do bloco em todo o ciclo de vida dos animais. A Europa proíbe o uso em animais de antimicrobianos como promotores de crescimento e de medicamentos destinados ao uso humano. O governo vem tentando negociar com o bloco um prazo de transição para entregar o controle completo do ciclo de vida dos bovinos. Também estuda proibir o uso dos insumos de forma geral no país - regra hoje mais restritiva para os exportadores que enviam carne aos europeus - como sinalização do cumprimento futuro das exigências para a UE. De acordo com o ministro, “é inaceitável para o Brasil estar fora da lista”. Ele afirmou que exigências como as relacionadas ao uso de antimicrobianos podem demandar um período de adaptação dos produtores, mas disse que o Brasil continua reconhecido como fornecedor do bloco. “Nós fornecemos para eles há muito tempo, há décadas, e para muitos mercados que são tão ou mais exigentes do que o mercado europeu”, disse. Além disso, de Paula afirmou que o governo trabalha para evitar que as restrições afetem a cadeia produtiva e apontou para uma possível fase de transição. Segundo ele, há expectativa de que essas cadeias estejam habilitadas a continuar fornecendo produtos ao mercado europeu já no início de setembro. Paralelamente às negociações com o bloco europeu, o ministro destacou que o governo busca diversificar os mercados compradores e citou a missão técnica da Coreia do Sul, prevista para agosto. “Por mais importante que seja qualquer mercado, precisamos ter essa capacidade de sobreviver sem ele”, disse. De Paula também destacou que o Brasil exporta para 180 países e territórios e já abriu 664 mercados. Segundo o ministro, a presença brasileira em diferentes destinos demonstra a qualidade, a competitividade e a eficiência do sistema sanitário nacional.

GLOBO RURAL

 

Ministro diz que Brasil trabalha para manter em primeiro momento exportação de aves à UE

O governo brasileiro trabalha, em um primeiro momento, para o Brasil seguir exportando pelo menos carne de aves para a Europa, após a União Europeia ter excluído proteínas de origem animal brasileiras dos produtos autorizados a entrar no bloco a partir de 3 de setembro.

 

"Trabalhamos em um primeiro momento para que os efeitos não possam chegar às cadeias cujo ciclo é menor, e, portanto, tem todas as condições para que já no início de setembro esteja habilitado para seguir fornecendo o nosso produto...", disse o ministro da Agricultura, André de Paula, durante evento do setor de aves em São Paulo. Além da carne de frango, outros produtos de origem animal, como carne bovina, ficaram de fora da lista de produtos autorizados pela União Europeia, devido a regras sobre o uso de antimicrobianos, que não são permitidos pela UE. No caso dos bovinos, o ciclo de criação é mais longo que o de frango, que é de pouco menos de dois meses. Paula afirmou ainda que o governo brasileiro trabalha para listar todos os produtos, classificando a proibição como "inaceitável". "Estar na lista significa o reconhecimento de que o nosso sistema é eficiente... fornecemos para eles há décadas e para muitos mercados tão ou mais exigentes que o mercado europeu", afirmou a jornalistas.

O Brasil é o maior exportador global de carnes de frango e bovina. O ministro disse também que há processos para a abertura de novos mercados, como a carne bovina para a Coreia do Sul. Ele afirmou estar confiante de que o país asiático abrirá seu mercado ao Brasil, após recente encontro do presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília. O governo brasileiro também quer ampliar vendas de carne suína para a Coreia do Sul, que hoje compra apenas o produto com origem em Santa Catarina. "Estamos trabalhando para ampliar para o Rio Grande do Sul."

REUTERS

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ

 

Inadimplência no crédito rural deve seguir elevada até 2027, dizem analistas

Em junho deste ano, indicador ficou em 7,5% entre produtores pessoas físicas, pouco abaixo dos 7,6% do mês anterior, conforme dados do Banco Central. Desde o recorde de 7,7% em fevereiro deste ano, a inadimplência entre produtores pessoas físicas oscilou para 7,2% em março, 7,5% em abril e 7,6% em maio

 

Os níveis de inadimplência do crédito rural no sistema financeiro ficaram em 7,5% entre as pessoas físicas e em 0,8% entre as empresas do agronegócio em junho. No primeiro caso, houve ligeira queda em relação a maio, quando o indicador foi de 7,6%. No segundo, estabilidade. Especialistas, porém, ainda não consideram haver melhora no cenário de endividamento do campo e acreditam na manutenção desses percentuais em patamares altos até o próximo ano. Os índices de inadimplência registrados em junho de 2026 representam avanços de 0,9 ponto percentual e 0,2 ponto percentual, para pessoas físicas e jurídicas, respectivamente, neste ano. Em 12 meses, o incremento é ainda mais expressivo. Os dados consideram operações de crédito rural com recursos direcionados dos depósitos à vista e da poupança rural. A inadimplência dos produtores rurais pessoas físicas nas instituições financeiras estava em 0,8% em junho de 2023. Em três safras, o índice cresceu mais de nove vezes. Passou para 1,6% na metade de 2024, para 3,5% em 2025 e para 7,5% agora. O pico foi em fevereiro de 2026, quando chegou a 7,7%, segundo dados do Banco Central. A inadimplência nas operações a taxas reguladas para pessoas físicas ficou em 3,3% em junho, mesmo patamar de maio. Nos financiamentos a juros de mercado houve recuo, de 13,5% para 13%. Desde o recorde de 7,7% em fevereiro deste ano, a inadimplência entre produtores pessoas físicas oscilou para 7,2% em março, 7,5% em abril e 7,6% em maio. O percentual de operações inadimplentes é mais equilibrado entre as pessoas jurídicas. Há três anos, estava em 0,4% e dobrou no período. O pico, perto de 6%, foi entre junho de 2019 e outubro de 2020. De janeiro a março deste ano ficou em 0,7% e desde abril está em 0,8%. Para David Télio, diretor de Novas Estruturas Financeiras da TerraMagna e especialista em crédito para o agronegócio, a inadimplência se mantém alta devido à baixa rentabilidade dos produtores e aos juros altos. Ele acredita na estabilização desses percentuais devido à diminuição da alavancagem no campo, com possível redução dos níveis a partir do próximo ano. “A expectativa é de redução dos níveis de inadimplência a partir de 2027 até 2030, com melhora na rentabilidade e equilíbrio sobre os investimentos”, afirmou ao Valor. Ele disse que o cenário vai impactar a aquisição de insumos na safra 2026/27 e resultar em uma provável redução de área plantada, mesmo com o acesso dos produtores a financiamentos junto a distribuidores e via mercado de capitais. O saldo “problemático” da carteira ativa de crédito rural ficou em R$ 197,1 bilhões em junho, próximo de 22,5% do total. São R$ 20,9 bilhões em operações atrasadas, R$ 31,6 bilhões em prorrogadas, R$ 106,4 bilhões em financiamentos renegociados ou R$ 38,1 bilhões inadimplentes. Outros R$ 681,8 bilhões de financiamentos estão em curso normal. Em maio, o saldo problemático de R$ 202,4 bilhões, sobre uma base sem problemas também mais alta, de R$ 688,3 bilhões. O saldo total da carteira ativa de crédito rural saiu de R$ 890,6 bilhões em maio para R$ 897 bilhões em junho de 2026. Nos últimos meses, houve um crescimento das operações em atraso, aquelas não pagas entre 15 e 90 dias após o vencimento. Como mostrou o Valor em maio, representantes de bancos e cooperativas de crédito já relatavam um aumento desse movimento diante da expectativa dos produtores com a aprovação de alguma medida de socorro aos endividados. Em março, a carteira de operações em atraso estava em R$ 14,6 bilhões. Passou para R$ 15 bilhões em abril, R$ 18,3 bilhões em maio e quase R$ 21 bilhões em junho. As carteiras inadimplentes (com atrasos acima de 90 dias) e renegociada ficaram estáveis. Houve recuo no saldo dos financiamentos prorrogados, de R$ 38,4 bilhões para R$ 31,6 bilhões. Consultor jurídico do agronegócio e ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, José Carlos Vaz observou que os dados não incluem as dívidas privadas, fora dos bancos, e ainda não capturaram o efeito da Medida Provisória 1.376/2026, que autorizou a renegociação de débitos nas instituições financeiras em julho.

VALOR ECONÔMICO

 

ECONOMIA

 

Dólar fecha em alta ante real antes de anúncio de sanção dos EUA a embaixadora brasileira

O dólar fechou a terça-feira com alta ante o real, refletindo o temor de novas sanções dos Estados Unidos ao Brasil, além da expectativa de novos cortes da taxa básica Selic. O avanço das cotações no Brasil foi sustentado ainda pela queda do petróleo Brent no exterior, já que o país é exportador da commodity

 

O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,84%, aos R$5,1304. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,53%. Com o mercado à vista já fechado, o Departamento de Estado dos EUA anunciou que o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, chefe da missão brasileira nos EUA, foi cancelado. Às 17h32, já após essa notícia, o dólar futuro para setembro -- atualmente o mais líquido -- subia 0,62% na B3, aos R$5,1570. No início do dia o dólar chegou a operar em queda ante o real, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante divisas emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano, em meio à expectativa de que EUA e Irã possam chegar a um acordo de paz. No entanto, o dólar ganhou força gradativamente ante o real pela manhã e, durante a tarde, acelerou com a notícia de que o Brasil esperava pelo anúncio de novas sanções diplomáticas dos EUA. A notícia foi dada pelo site da Exame. As novas sanções seriam uma reação dos EUA após o governo brasileiro ter negado vistos para duas autoridades norte-americanas que viriam ao país para, na visão do Planalto, interferir nas eleições de outubro. Durante o dia, profissionais ouvidos pela Reuters também citaram, como justificativa para o dólar forte, a expectativa de que o Banco Central anuncie novo corte de 25 pontos-base da taxa Selic na quarta-feira, para 14,00% ao ano, podendo promover outra redução de 25 pontos-base em setembro. Essa possibilidade foi reforçada pela manhã por dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrando que a produção industrial caiu 1,8% em junho ante maio, mais que a retração de 0,8% projetada por economistas ouvidos pela Reuters. Na comparação com junho de 2025, houve alta de 1,7%, também abaixo da projeção de 3,0%.

REUTERS

 

Ibovespa fecha em queda com Itaú e Petrobras após superar 180 mil pontos

O Ibovespa fechou com um declínio modesto na terça-feira, após superar os 180 mil pontos, pressionado principalmente por Itaú Unibanco, antes da divulgação do balanço do segundo trimestre, e Petrobras, com novo declínio do preço do petróleo no exterior

 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,15%, a 177.732,99 pontos, de acordo com dados preliminares, chegando a 180.679,47 na máxima e marcando 177.580,77 na mínima do dia.  

REUTERS

 

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