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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1126 DE 11 DE JUNHO DE 2026

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  • há 1 dia
  • 16 min de leitura

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 5 | nº 1126 | 11 de junho de 2026

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL 

 

Mercado do boi gordo equilibrado

Pelos dados da Agrifatto, o boi gordo sem padrão exportação vale R$ 345/@, enquanto o “boi-China” está cotado em R$ 355/@ (valores no prazo). No Paraná: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: sete dias. Boi China: PARANÁ: R$ 346,50/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo)

 

A disponibilidade de animais terminados continua enxuta, o que trava as negociações e limita o apetite de compra dos frigoríficos, informou a Agrifatto, que apurou estabilidade nos preços do boi gordo na quarta-feira (10/6) nas principais praças brasileiras. “As indústrias compram apenas o necessário para manter as escalas em torno de sete dias, em um cenário de volume negociado restrito e lotes ofertados de forma controlada”, acrescentou a consultoria. Os frigoríficos não demonstram maior disposição para ampliar as compras de boiadas gordas, preservando um cenário de equilíbrio no mercado, ressaltou a consultoria. Pelos dados da Agrifatto, que acompanha os negócios diários em 17 regiões brasileiras, o preço do boi gordo sem padrão exportação segue valendo R$ 345/@, enquanto o “boi-China” está cotado em R$ 355/@ (valores no prazo). Segundo levantamento da Scot Consultoria, que monitora diariamente mais de 30 praças no País, o boi gordo destinado ao mercado doméstico paulista é negociado por R$ 349/@, e boi padrão-China vale R$ 355/@ (preços brutos, com prazo).

Pela visão dos analistas da Scot, a oferta de bovinos está curta e a ponta compradora opera de maneira lenta, comprando apenas o necessário para suprir as escalas de abate. “O mercado está equilibrado, com oferta sem folga e menor apetite de compra”, ressaltou a consultoria. No mercado futuro da B3, os contratos futuros do boi gordo encerraram o pregão da terça-feira (9/6) em leve baixa pelo segundo dia consecutivo. O vencimento para agosto/26 liderou as perdas, fechando cotado a R$ 338/@, com recuo de 1% no comparativo diário. Entre os fatores de atenção, pesam o esgotamento da cota chinesa de importação, previsto para meados de junho/26, além da possibilidade de suspensão dos embarques de carne bovina para a União Europeia, a partir de 03 de setembro. Segundo apuração da Agrifatto, o mercado chinês de importação de carne bovina atravessa um período de indefinição. “Internamente, operadores asiáticos sinalizam potencial estabilização das cotações após semanas de pressão baixista, um movimento motivado pela recuperação financeira dos importadores”, diz a consultoria. Algumas negociações envolvendo fornecedores da América do Sul seguem em ritmo lento. “Frigoríficos uruguaios reportam paralisação nas vendas em virtude da preferência chinesa por absorver o produto já nacionalizado, enquanto exportadores chilenos descrevem um mercado travado”, relatou a Agrifatto. Nesse cenário, o mercado de importação do dianteiro bovino registrou baixa liquidez, sem novos negócios com a China. As negociações se limitaram às entregas previamente comercializadas, com preços oscilando entre US$ 6.400 e US$ 6.500/t, recuo semanal de 8,52%. Apesar das incertezas, disse a Agrifatto, o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina in natura segue positivo, com bons números na primeira semana de junho/26 e com recordes históricos nos meses anteriores do ano.

Cotações do boi gordo, conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: oito dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: oito dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: sete dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China/Europa: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: oito dias. TOCANTINS: Boi comum: R $ 335,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: oito dias. PARÁ: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: sete dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 340,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: nove dias. MARANHÃO: Boi: R$ 340,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: oito dias. Preços brutos do “boi-China”, de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 351,00/@ (à vista) e R$ 355,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 321,50/@ (à vista) e R$ 325,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 345,00/@ (à vista) e R$ 349,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 344,00/@ (à vista) e R$ 348,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 323,50/@ (à vista) e R$ 327,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 349,00/@ (à vista) R$ 353,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 336,50/@ (à vista) e R$ 340,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 313,50/@ (à vista) e R$ 317,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 332,50/@ (à vista) e R$ 336,00/@ (prazo).

AGRIFATTO/SCOT CONSULTORIA/DBO

 

Boi gordo acumula alta em junho com oferta limitada de animais, aponta Cepea

Pecuaristas negociam aos poucos em meio à expectativa de novas valorizações da arroba

 

O mercado do boi gordo acumula alta de 1,10% em junho no estado de São Paulo, impulsionado principalmente pela baixa oferta de animais terminados e por reajustes pontuais registrados em importantes praças pecuárias do país. O Indicador Cepea/Esalq fechou a terça-feira (10) cotado a R$ 353,55 por arroba. Segundo análise do Cepea, apesar de a liquidez ainda seguir moderada, o mercado apresentou melhora em relação ao início da semana. A restrição na oferta de animais prontos para abate continua sustentando os preços em diversas regiões.

Em Mato Grosso do Sul, a praça de Cassilândia registrou alta de até R$ 5 por arroba no boi gordo. As negociações ocorreram entre R$ 340 e R$ 350, enquanto as escalas de abate permaneceram curtas, variando entre dois e sete dias. Já em Cuiabá, no Mato Grosso, a oferta limitada também favoreceu reajustes pontuais de R$ 5 por arroba. Pecuaristas seguem comercializando os lotes de forma gradual, apostando em preços mais altos nas próximas semanas. As negociações na região variaram entre R$ 340 e R$ 350, com alguns lotes alcançando R$ 355. As escalas de abate giraram em torno de uma semana. Em Goiás, o mercado permaneceu firme, mas sem alterações significativas nos preços em relação à semana passada. Os negócios foram registrados entre R$ 320 e R$ 335 por arroba, com escalas de abate entre três e sete dias. No Rio Grande do Sul, o mercado ficou mais travado. A baixa oferta de animais, somada às chuvas em regiões produtoras, dificultou o andamento das negociações. Os preços permaneceram estáveis, na média de R$ 25 por quilo morto.

Em São Paulo, a maior parte dos negócios ocorreu entre R$ 350 e R$ 355 por arroba, embora lotes diferenciados tenham atingido até R$ 365. Segundo o Cepea, a quarta-feira costuma registrar maior liquidez no mercado pecuário, o que mantém o setor atento ao comportamento das negociações nos próximos dias.

CEPEA

 

SUÍNOS

 

Suíno vivo acumula queda de até 6,2% em junho enquanto carcaça sobe no atacado

Rio Grande do Sul registra a maior desvalorização entre os estados monitorados pelo Cepea; carcaça especial avança 1,2% no mês e amplia pressão sobre a indústria.

 

Os preços do suíno vivo seguem em trajetória de queda nas principais regiões produtoras do país neste início de junho, enquanto a carcaça suína apresenta valorização no mercado atacadista. O movimento amplia a diferença entre o desempenho do mercado de animais e o comportamento da carne. Segundo levantamento do Cepea/Esalq, o maior recuo foi registrado no Rio Grande do Sul, onde o suíno vivo foi negociado a R$ 4,80/kg em 8 de junho, acumulando desvalorização de 6,25% no mês. Também houve queda expressiva no Paraná, onde a cotação caiu para R$ 4,54/kg, retração de 3,81% em relação ao início de junho. Santa Catarina, principal estado produtor e exportador de carne suína do Brasil, foi a única praça a registrar alta diária no último levantamento. O indicador avançou 0,63% no dia, para R$ 4,76/kg. Ainda assim, acumula perda de 2,66% no mês. Em Minas Gerais, o preço do animal vivo foi cotado a R$ 5,53/kg, com queda mensal de 1,60%, enquanto em São Paulo a cotação atingiu R$ 5,25/kg, recuo de 0,94%. A comparação com os primeiros meses de 2026 mostra uma forte correção dos preços pagos ao produtor. No Paraná, por exemplo, o suíno vivo saiu de uma média mensal de R$ 7,78/kg em janeiro para R$ 4,54/kg em junho, queda de 41,6%. Em Santa Catarina, a cotação recuou de R$ 7,76/kg para R$ 4,76/kg no mesmo período, redução de 38,7%. No Rio Grande do Sul, a retração alcança 38,7%, passando de R$ 7,83/kg em janeiro para os atuais R$ 4,80/kg. Enquanto os preços do animal vivo recuam, a carcaça suína especial segue valorizada no atacado da Grande São Paulo. O indicador do Cepea fechou em R$ 8,73/kg em 8 de junho, alta de 0,23% no dia e de 1,16% no acumulado do mês. No início de junho, a carcaça era negociada a R$ 8,63/kg. Desde então, o mercado registrou sucessivas altas, mantendo os preços próximos dos maiores níveis observados neste mês. O comportamento oposto entre as cotações do suíno vivo e da carne sugere um mercado ainda sustentado pelo consumo no atacado, ao mesmo tempo em que a oferta de animais continua pressionando os preços recebidos pelos produtores. A diferença entre o desempenho da matéria-prima e da carne tende a melhorar as margens da indústria frigorífica, embora o setor siga atento ao ritmo da demanda doméstica e das exportações ao longo de junho.

O PRESENTE RURAL 

 

GOVERNO

 

Brasil formaliza abertura de 13 mercados para produtos agropecuários

Medida envolve itens como material genético bovino, sementes, castanha de caju, couro bovino e ovos férteis, após conclusão de protocolos sanitários

 

O Brasil formalizou na terça-feira (9) a abertura de 13 novos mercados para produtos agropecuários, segundo nota conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE). As habilitações foram concluídas após a definição de protocolos sanitários com os países compradores. No acumulado de 2026, o país soma 114 aberturas de mercado para itens do agronegócio. De acordo com os ministérios, a Argentina abriu seu mercado para sêmen de pacu-caranha do Brasil, enquanto a Bolívia autorizou a entrada de couro bovino salgado. El Salvador passou a permitir a importação de material genético bovino brasileiro. Na América Latina e no Caribe, Equador e República Dominicana liberaram o milho pipoca brasileiro. A Guiana aprovou sementes de coco, Honduras autorizou material genético bovino e mudas de cana-de-açúcar, a Nicarágua abriu mercado para sementes de pimenta habanero, o Paraguai para sementes de mamona e a Venezuela para sementes de maracujá. Na África, a Etiópia habilitou a importação de farinhas e gorduras de pescado, de ruminantes e de outros animais, além de hemoderivados para alimentação animal. A Nigéria autorizou ovos férteis. Já a União Econômica Euroasiática, bloco formado por Rússia, Belarus, Casaquistão, Quirguistão e Armênia, aprovou a exportação de castanha de caju brasileira. Segundo a nota oficial, as aberturas foram formalizadas após a conclusão dos requisitos sanitários entre o Brasil e os destinos envolvidos. Esse tipo de autorização é uma etapa necessária para viabilizar embarques regulares e ampliar o portfólio exportador por produto e por país. Os ministérios não detalharam, na nota divulgada nesta terça-feira (9), estimativas de volume, faturamento ou prazo para início efetivo dos embarques em cada mercado. Do ponto de vista técnico, a ampliação de destinos pode diversificar a inserção internacional de segmentos específicos do agro brasileiro. O efeito comercial sobre receita e fluxo de exportações, porém, dependerá da habilitação operacional de empresas, da demanda em cada país e da execução dos embarques, informações ainda não detalhadas pelas fontes oficiais.

MAPA

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ

 

Indústria paranaense cresce acima da média nacional em abril, aponta IBGE

Estado registrou alta mensal de 0,8% em relação a março, desempenho superior ao do Brasil. No comparativo com abril de 2025, o avanço foi de 1,1%, com destaque para os setores de papel e celulose, derivados de petróleo e alimentos.

 

A indústria paranaense voltou a registrar crescimento em abril de 2026, mantendo desempenho superior à média nacional. De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM Regional), divulgada nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de produção industrial do Estado aumentou 0,8% na comparação com março. No mesmo período, a indústria brasileira avançou 0,7%. O resultado reforça a trajetória positiva da atividade industrial paranaense, que também apresentou crescimento na comparação com abril do ano passado. Nesse recorte, o avanço foi de 1,1%, enquanto a média nacional registrou alta de 0,3%. Entre os segmentos com melhor desempenho no comparativo entre abril de 2026 e abril de 2025, o destaque foi para a fabricação de papel e celulose, cuja produção cresceu 6,5%. Na sequência aparecem as indústrias de produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com alta de 5,6%, e as fabricantes de produtos de borracha e material plástico, que avançaram 3,7%. Outro setor de peso para a economia paranaense que apresentou crescimento foi o de produtos alimentícios, com aumento de 2,8% no volume produzido em relação ao mesmo mês do ano anterior. Também registraram desempenho positivo as fábricas de veículos automotores e a indústria moveleira, ambos com expansão de 1% na comparação com abril de 2025. Diferentemente de estados cuja atividade industrial está fortemente concentrada na extração de petróleo, minério de ferro ou outros recursos naturais, o Paraná possui uma base produtiva predominantemente ligada à indústria de transformação. Esse perfil favorece a agregação de valor às matérias-primas produzidas no Estado, amplia os efeitos da atividade econômica sobre diferentes elos da cadeia produtiva e contribui para a geração de empregos mais qualificados em setores como alimentos, papel e celulose, automotivo, química e biocombustíveis. Não por acaso, a força da indústria de transformação paranaense também está diretamente relacionada ao desempenho do agronegócio estadual. Líder nacional na produção de proteína animal e um dos principais produtores de grãos do País, o Paraná conta com uma estrutura industrial capaz de processar grande parte dessa produção, transformando matérias-primas em produtos de maior valor agregado destinados tanto ao mercado interno quanto à exportação.

AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS

 

Ministério indica que não conseguirá R$ 670 bilhões para o Plano Safra 2026/27

Exigibilidades bancárias não deverão ser alteradas para o novo ciclo agrícola

Valor do Plano Safra será maior que o da temporada 2025/26, de R$ 594 bilhões para pequenos, médios e grandes produtores

 

O Ministério da Agricultura sinalizou aos integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) que não conseguirá alcançar os valores propostos pelo setor produtivo, de R$ 670 bilhões, para o Plano Safra 2026/27. Durante reunião com o ministro da Agricultura, André de Paula, os parlamentares ouviram que o valor será maior que o da temporada 2025/26, de R$ 594 bilhões para pequenos, médios e grandes produtores. Não foram adiantados números, mas técnicos da Pasta relataram que as exigibilidades bancárias não deverão ser alteradas para a safra 2026/27. Essa é uma demanda da FPA. Os R$ 670 bilhões foram sugeridos por entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e o Instituto Pensar Agropecuária (IPA). "O que ele [ministério] pôde adiantar do Plano Safra é que havia recebido uma devolutiva dos bancos quanto à demanda de equalização na última semana e que estavam trabalhando nesses números. E que [o valor total] ficará acima do que foi 2025/26, tentando chegar próximo do número apresentado pela CNA, pela OCB e pelo IPA. Que não vão chegar aos R$ 670 bilhões, acho improvável chegar nesse valor, mas vão tentar chegar próximo disso, acima do que foi essa última", disse o deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da FPA, em coletiva de imprensa. O lançamento do Plano Safra 2026/27 está previsto para 1º de julho. As discussões seguem em Brasília e não há números fechados. Como há um debate intenso sobre a renegociação de dívidas rurais neste momento, o Tesouro Nacional ainda não teria apresentado o orçamento disponível para equalização de juros na próxima temporada. O Banco Central também não apresentou as estimativas de recursos que as instituições financeiras terão que aplicar de acordo com o direcionamento dos depósitos à vista (31,5%), poupança rural (70%) e Letras de Crédito do Agronegócio (60%). "Perguntamos quanto às exigibilidades e disseram querem manter mais ou menos o que foi na última safra", completou Lupion. A FPA também alertou o ministro sobre a necessidade de encaminhar uma solução para as dívidas rurais e não deixar o assunto "contaminar" a discussão e a disponibilidade de recursos para o Plano Safra. A bancada tem defendido que o projeto de lei 5.122/2023, que trata da renegociação do passivo no campo, indicou fontes não fiscais, como o Fundo Social do Pré-Sal e outros fundos, que não fazem parte do funding atual do crédito rural. "Há uma contaminação total do assunto do Plano Safra. Não podemos misturar as coisas. Plano Safra é uma coisa, endividamento do produtor é outra. A gente precisa que o produtor tenha solucionado e saneado o endividamento para poder acessar o Plano Safra ", destacou Lupion. "São duas coisas diferentes e elas precisam ser calculadas separadamente, não existe misturar uma coisa com a outra e não adianta a gente ter um Plano Safra bom, se o produtor endividado sem garantia não conseguir acessar. Uma coisa não resolve a outra", completou. Em nota, o Ministério da Agricultura disse que, no âmbito do Plano Safra, foram apresentadas "informações preliminares" durante a reunião do ministro com a FPA nesta terça-feira sobre as propostas em discussão, "com foco na ampliação do acesso ao crédito, na manutenção de condições adequadas de financiamento e no fortalecimento dos instrumentos de apoio à produção".

GLOBO RURAL

 

ECONOMIA

 

Dólar fecha perto da estabilidade ante real com exterior no radar

O dólar encerrou a quarta-feira perto da estabilidade ante o real, em uma sessão sem gatilhos fortes para a moeda norte-americana, com investidores repercutindo dados de inflação nos Estados Unidos e o noticiário sobre a guerra no Oriente Médio.

 

O dólar à vista fechou o dia com variação negativa de 0,12%, aos R$5,1723. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 5,77% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para julho - atualmente o mais líquido no mercado brasileiro - cedia 0,15% na B3, aos R$5,1955. O câmbio no Brasil mostrou certa volatilidade até o início da tarde, com as cotações oscilando entre altas e baixas na esteira dos números de inflação nos EUA. O Ministério do Trabalho dos EUA informou que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 4,2% nos 12 meses até maio, após avançar 3,8% em abril na base anual. Na margem, o indicador subiu 0,5% em maio, ante 0,6% em abril. Os resultados ficaram em linha com as altas de 4,2% em base anual e de 0,5% em base mensal projetadas pelos economistas consultados pela Reuters. O núcleo do índice subiu 2,9% em maio na base anual, ante 2,8% em abril, e teve alta de 0,2% em maio ante abril - abaixo da estimativa mensal de 0,3% e inferior ao aumento de 0,4% em abril. No exterior, a divisa dos EUA tinha sinais mistos ante as demais, em meio ao noticiário sobre a guerra. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o Irã demorou demais para negociar um acordo e que agora “terá que pagar o preço”, enquanto Teerã afirmou que reavaliará o engajamento diplomático com Washington após ataques recíprocos durante a madrugada. No Brasil, destaque ainda para a nova pesquisa Genial/Quaest mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto. Lula tem 44% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio, ante 42% da pesquisa realizada em maio. Já o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro soma agora 38%, ante 41% no levantamento anterior. Na simulação de primeiro turno, Lula tem 39%, Flávio soma 29%, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 3% e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) atinge 2%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

REUTERS


Ibovespa fecha em queda com aumento de tensão geopolítica

O Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, quase perdendo o patamar de 168 mil pontos no pior momento, contaminado pela aversão a risco decorrente do aumento da tensão geopolítica, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar atacar o Irã "com muita força". 

 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,7%, a 168.619,26 pontos, renovando mínima desde janeiro. Na máxima do dia, marcou 169.812,46 pontos. No piso, registrou 168.070,99 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$26,1 bilhões. Trump afirmou na quarta-feira que os EUA atacarão o Irã "com muita força" se nenhum acordo de paz for alcançado. Washington, segundo o republicano, atua em resposta à derrubada de um helicóptero Apache pelo Irã no Estreito de Ormuz. "Vamos atacá-los, atacá-los com muita força", disse Trump a jornalistas na Casa Branca, afirmando que os EUA devem atacar o Irã na quarta-feira. Declarações de Trump de que as Forças Armadas dos EUA escoltaram secretamente navios que transportavam mais de 100 milhões de barris de petróleo para fora do Estreito de Ormuz, porém, ajudaram a atenuar a alta dos preços do petróleo. O barril da commodity sob o contrato Brent fechou em alta de 1,8%, a US$93,10. Dados de inflação nos EUA também ocuparam as atenções. O índice de preços ao consumidor norte-americano subiu 4,2% nos 12 meses até maio, em linha com o esperado, mas ainda a maior alta desde abril de 2023. Na comparação mensal, os preços aumentaram 0,5%. Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o núcleo do índice subiu 2,9% em maio em na base anual e 0,2% ante abril. De acordo com a economista Andressa Durão, do ASA, o dado de maio continua ilustrando o forte impacto da guerra na inflação cheia, enquanto a contaminação para os núcleos permanece contida. "Nossa visão para a política monetária do Fed (banco central dos EUA) permanece de taxa de juros parada ao longo do ano, com riscos cada vez mais inclinados para cima, diante dos riscos no radar e de uma inflação de serviços pressionada, mesmo sem efeitos da guerra", afirmou. Em Nova York, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, caiu 1,62%, pressionado ainda pelo setor de tecnologia. No Brasil, investidores também repercutiram nova pesquisa Genial/Quaest, que mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente do senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno da eleição presidencial de outubro. Estrategistas do Bank of America cortaram o Brasil para "marketweight" em seu portfólio de ações para América Latina, citando uma perspectiva mais desafiadora para as taxas de juros e expectativas mais fracas para os resultados corporativos. Mas, no relatório com data da véspera, também destacaram que a volatilidade relacionada às eleições está aumentando.

REUTERS

 

Brasil tem fluxo cambial positivo de US$2,588 bilhões em junho até dia 5, diz BC

O Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$2,588 bilhões em junho até dia 5, conforme dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central, em período correspondente à última semana.

 

Pelo canal financeiro, houve entradas líquidas de US$515 milhões em junho até dia 5. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de junho até dia 5 foi positivo em US$2,074 bilhões.

REUTERS

 

Comércio entre Brasil e EUA recua 14,3% no ano, com queda de exportações e importações, aponta Monitor da Amcham

Maio de 2026 registra o décimo mês consecutivo de queda das exportações para os EUA; cenário reforça importância de avanços nas negociações bilaterais em curso

 

O comércio entre Brasil e Estados Unidos segue em desaceleração em 2026, segundo a mais recente edição do Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham Brasil. Nos cinco primeiros meses do ano, a corrente de comércio bilateral somou US$ 29,5 bilhões, queda de 14,3% em relação ao mesmo período de 2025, refletindo a retração simultânea das exportações e importações. As exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 14,0 bilhões entre janeiro e maio, recuo de 16% em relação ao mesmo período do ano passado e o menor valor para o período desde 2022. As importações brasileiras de produtos norte-americanos também registraram queda, de 12,6%, somando US$ 15,5 bilhões. Como resultado, o déficit brasileiro no comércio bilateral aumentou 43,3%, alcançando US$ 1,5 bilhão. Entre os principais fatores que explicam a retração das exportações estão as quedas nas vendas de petróleo bruto, café não torrado, semiacabados de ferro ou aço e celulose. Do lado das importações, destacam-se as reduções nas compras de motores e máquinas, aeronaves e partes, e óleos brutos de petróleo. Em maio, as exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram US$ 3,1 bilhões, queda de 14,0% em relação ao mesmo mês de 2025, marcando o décimo mês consecutivo de retração. As importações recuaram 11,0%, registrando o sexto mês seguido de queda. “O comércio bilateral continua operando abaixo do seu potencial. Os resultados no acumulado de 2026 reforçam a importância de avançar nas negociações em curso para evitar novas tarifas e criar condições para a retomada do comércio entre Brasil e Estados Unidos”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. O levantamento mostra ainda que as vendas brasileiras para os Estados Unidos apresentaram desempenho significativamente inferior ao das exportações brasileiras para o mundo. Enquanto as exportações totais do Brasil cresceram 8,7% entre janeiro e maio, as vendas para o mercado norte-americano recuaram 16% no mesmo período. Os produtos sujeitos a sobretaxas adicionais registraram retração ainda mais intensa, de 22,6%. O cenário ocorre em meio aos relatórios divulgados no âmbito das investigações da Seção 301 conduzidas pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Caso sejam confirmadas as medidas propostas nesses relatórios, determinados produtos brasileiros poderão enfrentar tarifas adicionais de até 37,5%, reduzindo sua competitividade no mercado norte-americano em relação a concorrentes de outros países.

AMCHAM BRASIL

 

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