CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1095 DE 27 DE ABRIL DE 2026
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Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1095 | 27 de abril de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Preços do boi gordo em queda em várias praças
Entre o fim da tarde da quinta-feira (23/4) e o começo da sexta-feira, as negociações envolvendo boiadas gordas indicaram recuos nos preços do boi gordo em 10 das 17 praças monitoradas diariamente pela Agrifatto: SP, BA, GO, MG, MS, MT, PA, PR, RO e SC. Nas demais regiões acompanhadas pela consultoria (AC, AL, ES, MA, RJ, RS e TO), as cotações ficaram estáveis na sexta-feira. No PARANÁ: Boi: R$ 355,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00.Escalas: sete dias. Boi China: PARANÁ: R$ 356,50/@ (à vista) e R$ 361,00/@ (prazo)
Pelos dados da Scot, o boi gordo sem padrão-exportação vale agora R$ 363/@ em São Paulo, enquanto o “boi-China” é comercializado em R$368/@, valores brutos, no prazo. Entre as fêmeas, a Scot apurou na sexta-feira queda de R$ 3/@ nos preços da vaca gorda (agora valendo R$ 332/@) e da novilha terminada (R$ 342/@). Os números da Agrifatto mostram um boi gordo negociado em R$ 365/@, no prazo, em São Paulo, e um valor médio de R$ 344,90/@ nas outras 16 praças monitoradas. Do lado da demanda, relata a consultoria, o período pós-feriado trouxe negociações mais lentas ao longo desta semana, com parte dos frigoríficos brasileiros ausente das compras até quarta-feira (22/4). Já as indústrias mais ativas passaram a testar valores abaixo das referências, amparados por escalas de abate confortáveis – 8 dias, em média – e por um escoamento doméstico apenas regular nesta segunda quinzena de abril (quando fica escasso o dinheiro dos salários recebidos pela classe trabalhadora no início do mês). O engenheiro agrônomo Pedro Gonçalves, analista da Scot Consultoria, observa que, em abril/26, o Brasil deve atingir volume recorde para este mês de exportação de carne bovina in natura, caso o ritmo atual dos embarques seja mantido. Até a terceira semana do mês, foram 153,3 mil toneladas embarcadas, com um faturamento de US$ 942,1 milhões, destaca, referindo-se aos dados parciais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Em relatório semanal enviado aos assinantes (informativo “Boi & Companhia”, da Scot), Gonçalves escreve: “Estamos chegando à última semana de abril, e com ela, todos os questionamentos sobre para onde vão os preços pagos pelo boi gordo”. Ele completa: “em maio, serão diversos fatores acontecendo de forma simultânea: cotas chinesas na iminência de finalização, vigor das pastagens em queda e consequente maior oferta de bovinos, conflito no Oriente Médio, férias coletivas na indústria e convocação final da seleção brasileira”. “Brincadeiras à parte”, continua ele, o analista acredita que, em maio/26, pode ocorrer “movimentos bastante distintos de sustentação de preços e de enfraquecimento”. No mercado futuro, os preços do boi gordo encerraram o pregão da quinta-feira (23/4) da B3 em baixa, informou a Agrifatto. O principal destaque ficou para o contrato com vencimento em maio/26, que fechou a sessão cotado a R$ 343,65/@, com desvalorização de 1,5% em relação ao dia anterior.
Cotações do boi gordo da sexta-feira (24/4), conforme levantamento diário da Agrifatto:
SÃO PAULO: Boi comum: R$ 365,00. Boi China: R$ 365,00. Média: R$ 365,00. Vaca: R$ 335,00. Novilha: R$ 345,00. Escalas: sete dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: oito dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 355,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 355,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: sete dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 355,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 355,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: sete dias.
GOIÁS: Boi comum: R$ 345,00. Boi China/Europa: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: oito dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: sete dias. PARÁ: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: seis dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: dez dias. MARANHÃO: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. Preços brutos do “boi-China” nesta sexta-feira (24/4), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 363,50/@ (à vista) e R$ 368,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 343,00/@ (à vista) e R$ 347,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$355,50/@ (à vista) e R$ 360,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 348,50/@ (à vista) e R$ 353,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 350,50/@ (à vista) e R$ 355,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 355,50/@ (à vista) R$ 360,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 350,50/@ (à vista) e R$ 355,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 331,00/@ (à vista) e R$ 335,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 323,00/@ (à vista) e R$ 327,00/@ (prazo)
TOCANTINS: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
Noroeste do Paraná: alta para o boi e queda para as fêmeas
A oferta de bovinos cresceu na semana, trazendo queda para as cotações das fêmeas.
Desde o início de 2026, as cotações do boi gordo, da vaca e da novilha, continuaram em alta. Para esta semana, contudo, o cenário mudou. A oferta de bovinos aumentou no Noroeste do Paraná. O pecuarista quer vender o gado terminado, motivado pelo momento que parece ser a “crista da onda” do preço da arroba. A cotação das fêmeas já sentiu esse efeito, registrando queda na comparação semanal. Portanto, no mesmo período, a arroba do boi gordo valorizou 0,6%, ou R$2,00, negociada em R$351,50. Para a vaca gorda, houve queda de 0,9%, ou R$3,00/@, apregoada em R$317,00/@. Para a novilha, a cotação da arroba caiu 0,6%, ou R$3,00, negociada em R$338,00. O diferencial de base do boi gordo está em R$6,00/@, ou 1,7% menor na região Noroeste do Paraná em relação a São Paulo, onde a arroba está em R$357,50. Todos os preços são a prazo, descontados o Senar e o Funrural. No curto prazo, o viés é de estabilidade à queda.
SCOT CONSULTORIA
Preço do boi gordo começa a oscilar com aumento da oferta de outono
Em São Paulo, cotações das fêmeas caíram; para a reposição, o mercado segue firme. Pastagens começam a diminuir e a oferta maior de gado pressiona as cotações
Na última semana, o mercado pecuário começou a dar sinais de que ciclo de criação está entrando no outono, quando as pastagens começam a diminuir e a oferta maior de animais pressiona as cotações. O indicador do boi gordo Cepea/Esalq, baseado no Estado de São Paulo, fechou a sexta-feira (24/4) a R$ 362 a arroba, uma queda semanal de 0,84%. No acumulado de abril, o indicador ainda apresenta alta de 1,69%. Na sexta-feira, das 33 regiões monitoradas pela Scot Consultoria, 21 apresentaram estabilidade nos preços do boi gordo na comparação diária, enquanto 12 registraram quedas nos valores. Nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), a arroba do boi seguiu cotada a R$ 363. Na quinta-feira (23/4), a cotação nas referências do mercado paulista sofreu a primeira queda desde 9 de março. No Estado de São Paulo, as ofertas de fêmeas aumentaram e, com isso, os preços caíram R$ 3 por arroba. A novilha estava cotada a R$ 342 a arroba, e a vaca, a R$ 332 a arroba. Para a reposição, o mercado segue firme. O indicador Cepea/Esalq para o bezerro, baseado no Mato Grosso do Sul, encerrou a sexta-feira em R$ 3.389,87 por cabeça, uma alta de 0,41% em uma semana e de 2,91% no acumulado do mês. “Vemos uma demanda sustentada. O cenário está bastante comprador e sustenta as cotações”, explicou o analista Pedro Gonçalves, da Scot Consultoria. A consultoria Agrifatto destaca que o mercado físico do boi gordo iniciou a semana com vendas razoáveis no varejo, mas perdeu tração ao longo dos dias, refletindo a restrição orçamentária típica da segunda quinzena e limitando a demanda até o fim do mês. No atacado, o baixo giro e a reposição contida do varejo mantêm as distribuições enfraquecidas, com adiamentos de entrega, mesmo com estoques ajustados. Apesar da oferta moderada e ainda restrita, segundo a Agrifatto, o ambiente não sustenta preços, resultando em queda nas cotações da carne, tanto para consumo in natura quanto para a indústria de desossa.
GLOBO RURAL
SUÍNOS
Tensões globais afetam mercado de carne suína
Exportações brasileiras batem recorde
As tensões geopolíticas no Oriente Médio e questões sanitárias na Europa estão alterando a dinâmica global da indústria suína no início do ano, segundo relatório trimestral do Rabobank. De acordo com o banco, o conflito envolvendo o Irã deve gerar impactos indiretos que encarecem a cadeia produtiva no longo prazo. Ao mesmo tempo, um surto de peste suína na Espanha abriu espaço no mercado asiático, favorecendo exportações do Brasil e ampliando as vendas dos Estados Unidos para o Japão no primeiro trimestre. A divisão de análises do banco, RaboResearch, avalia que o setor enfrentará "efeitos de segunda e terceira ordem" decorrentes das tensões no Oriente Médio. O relatório aponta que um eventual fechamento do Estreito de Ormuz pode impactar a logística, com aumento dos fretes devido à alta nos preços do diesel e do gás natural, além de pressionar os custos de produção e reduzir margens de produtores e frigoríficos. O banco também indica possível retração no consumo, diante da inflação e da incerteza econômica. No cenário sanitário, o mercado foi afetado pelo registro de Peste Suína Africana na população de javalis da Espanha. O Japão suspendeu as importações de carne suína espanhola no fim de novembro de 2025, o que alterou o fluxo de comércio internacional.
Segundo o Rabobank, em janeiro de 2026, a queda nas importações japonesas de carne suína da Espanha foi de 10,4% na comparação anual, impacto atenuado pela utilização de estoques processados antes do embargo. A instituição projeta redução mais acentuada no segundo trimestre, com o esgotamento desses volumes. A ausência do produto espanhol abriu espaço para outros fornecedores no Japão. As exportações dos Estados Unidos cresceram 21% em relação ao ano anterior, ampliando a participação no mercado asiático. O Brasil também ampliou sua presença e registrou volumes recordes no primeiro trimestre, conforme o relatório do Rabobank. O país exportou 381 mil toneladas no período, com embarques para o Japão avançando 60% na comparação anual, totalizando 43 mil toneladas. Apesar do crescimento nas vendas ao Japão, as Filipinas permaneceram como principal destino da carne suína brasileira, com importações de 121 mil toneladas no trimestre.
RABOBANK
EMPRESAS
MBRF passa a produzir meio milhão de hambúrgueres por dia no Uruguai
Empresa brasileira acumula mais de 20 anos de atuação no Uruguai
Em um ato com a presença do presidente da República, Yamandú Orsi, na quinta-feira, 23 de abril, o frigorífico de origem brasileira MBRF inaugurou a expansão estrutural de sua unidade de Tacuarembó, no Uruguai, que possibilitou elevar a produção de hambúrgueres de 200 para 900 toneladas, o que equivalente a meio milhão de unidades por dia, informou o portal do jornal El Observador. Segundo relatou a reportagem, o investimento permitiu aumentar a capacidade diária de abate de 800 para 1.400 bovinos. Além disso, impulsionou o crescimento do quadro de funcionários, com a adição de 570 trabalhadores, chegando a 1.700 empregados diretos. Entre outras melhorias, diz o El Observador, foram ampliadas as câmaras de pré-resfriamento, cuja capacidade passou de 1.800 para 2.800 animais; foi incorporado um novo túnel de congelamento automático, que permitirá processar mais de 500 toneladas por dia; foi criada uma moderna planta de tratamento de efluentes; houve ampliação dos currais; e melhoria na capacidade dos serviços industriais. Segundo detalha a reportagem, a empresa brasileira acumula mais de 20 anos de atuação no Uruguai, gera emprego direto para 4.200 pessoas em todo o país e é o principal empregador de Tacuarembó. Em setembro de 2025, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou, sem restrições, o acordo de fusão entre a BRF e a Marfrig, que deu origem à MBRF, uma das maiores processadoras de alimentos do mundo, com faturamento anual de cerca de US$ 28 bilhões. A BRF, uma das maiores produtoras de frango, carne suína e processados, foi adquirida pela Marfrig, especializada em carne bovina. A MBRF, controlada majoritariamente pelo empresário Marcos Molina, opera em 117 países com marcas como Sadia, Perdigão e Bassi, entre outras, e tem produção anual estimada em 8 milhões de toneladas de alimentos.
EL OBSERVADOR
INTERNACIONAL
Carne bovina congelada sem osso, o motor do crescimento das exportações argentinas
Expansão da cota dos EUA isenta de tarifas – para 80.000 toneladas – explica bom desempenho do segmento de proteína desossada
No setor de exportação de carne bovina argentina, a proteína congelada e desossada está consolidando sua posição como o segmento mais dinâmico e o principal gerador de divisas para o país, destacou o portal do jornal Clarín, com base em relatório do Consórcio ABC, associação que reúne frigoríficos exportadores. Segundo dados do Consórcio ABC, foram exportadas 34 mil toneladas do produto em março/26, com faturamento de US$ 230 milhões, e um preço médio de US$ 6.675 por tonelada. “O crescimento foi significativo tanto na comparação mensal quanto na anual: as remessas aumentaram 22% em comparação com fevereiro e 43% em comparação com março de 2025”, observou o Clarín. No primeiro trimestre do ano, o segmento de carne congelada sem osso atingiu a marca de 93 mil toneladas exportadas, um aumento de 17% em relação ao mesmo período do ano passado. Em termos de valor, o salto foi ainda mais significativo: gerou receitas de quase US$ 603 milhões, representando um aumento de 53% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Segundo a reportagem do Clarín, as vendas externas de carne congelada e desossada da Argentina foram impulsionadas principalmente pelo aumento das vendas para os Estados Unidos, após a expansão da cota isenta de tarifas para 80.000 toneladas, e, em menor grau, pela demanda sustentada da China. Esse novo modelo de cota entrou em vigor em março/26 e está dividida em 20.000 toneladas por trimestre. No entanto, diz o Clarín, essa a cota do primeiro trimestre não pôde ser atingida plenamente devido a restrições de tempo.
JORNAL CLARÍN
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Governo propõe renegociar R$ 82 bi em dívidas de produtores
Pela proposta, agricultores de todo o país podem ser beneficiados pela repactuação
O Ministério da Fazenda propôs a renegociação de R$ 81,7 bilhões em dívidas de produtores rurais em texto alternativo para o atual projeto sobre o tema, que tramita na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. A proposta do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi entregue ao senador Renan Calheiros (MDBAL) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, na quinta-feira (23). Um projeto de lei ou uma medida provisória (MP) poderá ser editada, caso os senadores concordem com o texto. Depois, as linhas serão regulamentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A proposta do Executivo, à qual o Valor teve acesso, estima que mais de 100 mil operações serão impactadas pela matéria e que R$ 81,7 bilhões em dívidas de produtores rurais de todo o país poderão ser renegociadas. Um montante de R$ 37,46 bilhões seria dirigido a operações em situação de adimplência e prorrogadas e outros R$ 44,23 bilhões para operações em situação de inadimplência. Serão oferecidas duas linhas de crédito. Uma com recursos controlados, com taxa de juros variados de 6% ao ano a produtores do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), de 8% ao ano a produtores do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e 12% ao ano para os demais casos. Essa linha prevê que o produtor deverá dar uma entrada de 10% no caso das operações prorrogadas adimplentes e de 20% no caso das inadimplentes. Poderão ser enquadradas nessa modalidade dívidas prorrogadas adimplentes de até 30 de abril, ou as contratadas até 31 de dezembro de 2025 e que estejam inadimplentes entre 1º de julho de 2024 e 30 de abril deste ano. Uma segunda linha de crédito, com recursos e taxa de juros livres, será oferecida aos demais produtores que não se encaixarem na primeira modalidade, com juros controlados. No caso das operações com recursos dos Fundos Constitucionais e do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), a proposta da Fazenda prevê que as taxas serão as vigentes em cada Plano Safra contratado. A linha de renegociação proposta também não se acumula com as repactuações autorizadas recentemente, sobretudo as que utilizam recursos do Fundo Social. Segundo Renan, a proposta da Fazenda não inclui o uso de recursos - estimados em R$ 30 bilhões - do Fundo Social. Essa é uma das fontes de recursos indicadas em um projeto que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados no ano passado e está em tramitação no Senado. O Ministério da Fazenda é contra o texto, porque quer preservar os recursos do Fundo Social para outros projetos como o Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Segundo pessoas a par das negociações, o governo também sinalizou que pode lançar esse programa de renegociação de dívidas rurais por meio de medida provisória, o que aceleraria o início da vigência da renegociação das dívidas de crédito rural. Se essa alternativa for a escolhida pelo Palácio do Planalto, ela não prejudicaria o avanço do projeto de lei no Legislativo, uma vez que ele tornaria permanentes o que for lançado pelo governo. Contudo, o conteúdo do projeto teria que ser mudado para refletir o texto MP. A sugestão da Fazenda corresponde a quase metade do valor das dívidas que parlamentares representantes do setor querem renegociar, R$ 170 bilhões, com margem para negociação. De acordo com fontes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o setor deve insistir no uso de recursos do Fundo Social para viabilizar a medida. Agora, o gabinete de Renan analisará a proposta do ministério à luz daquilo que tem sido demandado pela FPA e voltará com um diagnóstico a Durigan na próxima terça-feira (28). Somente depois disso, provavelmente na primeira semana de maio, o projeto deve ser pautado para ser discutido na CAE, colegiado presidido pelo senador alagoano. Em 2025, uma MP já destinou R$ 12 bilhões para uma nova linha de crédito operada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a repactuação de dívidas.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
Dólar tem variação discreta, mas fecha abaixo dos R$5,00
O dólar fechou a sexta-feira próximo da estabilidade no Brasil, com uma leve variação negativa, mas suficiente para encerrar a semana abaixo dos R$5,00, em meio a esperanças renovadas de que Irã e Estados Unidos possam chegar a um acordo para encerrar a guerra.
O dólar à vista fechou em baixa de 0,10%, aos R$4,9995. Na semana, a divisa dos EUA acumulou alta de 0,32% e, no ano, queda de 8,92%. Às 17h07, o dólar futuro para maio -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 0,67% na B3, aos R$5,0050. No início do dia, o Banco Central ofertou US$1 bilhão à vista e, simultaneamente, 20.000 contratos de swap cambial reverso, no mesmo valor, em dois leilões simultâneos -- operação conhecida no mercado como “casadão”. Porém, a instituição não aceitou nenhuma proposta dos dealers de câmbio para nenhum dos leilões. Operações como essa geralmente são realizadas para injetar liquidez no mercado à vista, equilibrando o sistema. Como o BC não aceitou propostas, as cotações do dólar ganharam um pouco de força no mercado à vista, mas depois retornaram para perto da estabilidade. A expectativa de um desfecho para a guerra fez os rendimentos dos Treasuries se firmarem em baixa durante a tarde, enquanto o petróleo Brent reduziu os ganhos vistos mais cedo, ainda que seguisse acima dos US$105 o barril. Nos mercados globais de moedas, o dólar perdeu força ante boa parte das demais divisas, mas no Brasil a moeda norte-americana pouco se afastou da estabilidade até o fechamento. “Sinais de continuidade nas negociações entre EUA e Irã e a extensão do cessar-fogo ajudaram a reduzir o prêmio de risco geopolítico, enquanto a queda nos rendimentos de curto prazo dos Treasuries enfraqueceu o DXY (índice do dólar)”, pontuou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda
O Ibovespa fechou em queda na sexta-feira, com o cenário de incerteza no Oriente Médio endossando mais uma semana de correção na bolsa paulista, após recordes renovados em meados de abril.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,33%, a 190.745,02 pontos, acumulando um declínio de 2,55% na semana. Na máxima do dia, marcou 191.390,33 pontos. Na mínima, chegou a 189.962,93 pontos. O volume financeiro somou R$25,38 bilhões.
Tal desempenho distancia um pouco mais o Ibovespa da marca inédita dos 200 mil pontos, que chegou a avistar em meados do mês, quando superou pela primeira vez os 199 mil pontos na máxima do dia 14. A fraqueza recente na bolsa paulista é acompanhada por alguma saída de capital externo, embora o saldo no mês permaneça positivo, em R$11 bilhões, considerando dados até o dia 22. Até o dia 15, porém, a B3 registrava uma entrada líquida de R$14,6 bilhões em abril. Investidores permanecem atentos à guerra no Oriente Médio, com o barril do petróleo chegando ao patamar de US$107 na sexta-feira antes de reduzir o fôlego e fechar com acréscimo de 0,25%, a US$105,33, no caso do barril sob o contrato Brent. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, era esperado na capital paquistanesa, Islamabad, nesta sexta-feira, para discutir propostas para reiniciar as negociações de paz com os Estados Unidos, mas fontes paquistanesas disseram que ele não deveria se encontrar com os negociadores norte-americanos no local. Na expectativa de algum avanço, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, subiu 0,8%, apoiado principalmente por ações de empresas de tecnologia. De acordo com o advisor e sócio da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, além dos eventos no cenário externo, há também uma certa cautela para a decisão de política monetária do Banco Central no Brasil na próxima semana, com a maioria no mercado prevendo uma queda de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 14,75%.
REUTERS
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