CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1094 DE 24 DE ABRIL DE 2026
- prcarne
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Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1094 | 24 de abril de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Preços do boi gordo recuam, após semanas seguidas em alta
De acordo com a Scot Consultoria, o “boi-China” vale R$ 368/@ no mercado paulista, enquanto animal sem padrão-exportação é negociado por R$ 363/@. No PARANÁ: Boi: R$ 360,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: seis dias. Boi China: PARANÁ: R$ 356,50/@ (à vista) e R$ 361,00/@ (prazo)
Após um período longo em ritmo de alta, os preços do boi gordo recuaram na quinta-feira (23/4) em importantes regiões brasileiras, incluindo a praça de São Paulo. A Scot Consultoria, que acompanha diariamente o setor pecuário, detectou desvalorização de R$ 2/@ nas cotações do boi paulista, tanto para o animal sem padrão-exportação quanto para o “boi-China”, que agora valem R$ 363/@ e R$ 368/@, respectivamente (valores brutos, no prazo).
“A oferta de boiadas aumentou, reflexo de uma ponta vendedora mais atenta, precavida e aproveitando os bons preços vigentes”, informaram os analistas da Scot. Porém, observa a consultoria, no geral, a disponibilidade de animais prontos para abate não é abundante, pois muitos pecuaristas ainda aproveitam as boas condições das áreas de pastagens para segurar os lotes, à espera de preços mais elevados. Do lado comprador, disse a Scot, o período pós-feriado trouxe tranquilidade, com negociações mais compassadas. “Parte dos frigoríficos esteve fora das compras até quarta-feira (22/4), aguardando melhor definição do mercado, enquanto os mais ativos já tentavam negócios abaixo das referências, amparados por escalas mais confortáveis em relação às últimas semanas e um escoamento de carne no mercado doméstico apenas regular”, relatou a Scot, referindo-se ao mercado de São Paulo. Na avaliação da Scot, os recuos da quinta-feira ainda não definem uma tendência para o mercado, mas, com escalas mais alongadas e o período de fim de mês – quando as vendas de carne no mercado doméstico costumam ser mais fracas –, a ponta compradora tende a manter firme suas ofertas no curtíssimo prazo, dependendo da aceitação dos vendedores. Para a consultoria Agrifatto, as indústrias do País intensificam a pressão sobre os pecuaristas em meio à possibilidade de esgotamento da cota de importação da China – de 1,1 milhão de toneladas – a partir da virada do semestre. “Esse contexto reforça o quadro de cautela dos frigoríficos, com algumas plantas se afastando pontualmente das compras à espera de condições mais favoráveis”, afirmaram os analistas da Agrifatto. “Paralelamente, as recentes oscilações negativas dos contratos futuros na B3 intensificaram o ambiente de maior instabilidade, mantendo os agentes da cadeia em alerta”, completaram. Cotações do boi gordo da quinta-feira (23/4), conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 370,00. Boi China: R$ 370,00. Média: R$ 370,00. Vaca: R$ 335,00. Novilha: R$ 345,00. Escalas: seis dias.
MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: sete dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 360,00. Boi China: R$ 360,00. Média: R$ 360,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 360,00. Boi China: R$ 360,00. Média: R$ 360,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: sete dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 350,00. Boi China/Europa: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: sete dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: cinco dias. PARÁ: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: cinco dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: nove dias.
MARANHÃO: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias.
Preços brutos do “boi-China” na quinta-feira (23/4), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 363,50/@ (à vista) e R$ 368,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$358,50/@ (à vista) e R$ 363,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 352,50/@ (à vista) e R$ 357,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 350,50/@ (à vista) e R$ 355,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 355,50/@ (à vista) R$ 360,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 351,50/@ (à vista) e R$ 356,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 331,00/@ (à vista) e R$ 335,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 323,00/@ (à vista) e R$ 327,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
Boi/Cepea: Com avanço de 45% em dois anos, preço da carne no atacado atinge recorde
Os preços da carne bovina seguem firmes no mercado interno.
Segundo pesquisadores do Cepea, a combinação de oferta limitada de animais prontos para abate e de demanda externa aquecida tem resultado em avanços nos valores da proteína negociada no atacado da Grande São Paulo. Dados do Cepea mostram que, na parcial de abril (até o dia 20), a carcaça casada bovina – formada pelo traseiro, dianteiro e ponta de agulha – registra valorização de 4%, sendo negociada a R$ 25,41/kg, à vista, na segunda-feira, 20. Em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de março/26), a média da carcaça casada do boi da parcial deste mês, de R$ 25,05/kg, é recorde real da série histórica do Cepea (iniciada em 2001), sendo 11% maior que a de abril de 2025 e expressivos 44,8% superior à de abril de 2024.
CEPEA
SUÍNOS
Preços dos suínos vivos e da carne são os menores em quatro anos
Movimento é reflexo de uma demanda doméstica enfraquecida e da maior oferta
Em Santa Catarina, valores pagos pelos suínos são os menores desde abril de 2022
O mercado suinícola nacional registrou a terceira semana seguida de baixas nas cotações do animal vivo e dos cortes. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o movimento é reflexo de uma demanda doméstica enfraquecida e da maior oferta.
As desvalorizações mais intensas são observadas nas praças do Sul do País. Na quarta-feira (22/4), em Santa Catarina, o indicador Cepea/Esalq do suíno vivo apresentou a cotação de R$ 5,11, um recuo acumulado de 17,05% em abril. É o menor preço nominal registrado no mercado catarinense desde abril de 2022. Em relação à carne suína vendida no atacado da Região Metropolitana de São Paulo, o indicador do Cepea registrou a cotação de R$ 8,64 o quilo para a carcaça especial, o menor valor nominal desde junho de 2022. No acumulado do mês, a queda é de 10,37%. Por outro lado, as exportações da carne seguem em ritmo acelerado. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), na parcial de abril, os embarques diários atingiram média de 6,2 mil toneladas, a maior da história e 3,3% acima da de março. Contudo, as vendas externas geralmente representam apenas entre 25% e 30% da produção nacional. Segundo pesquisadores do Cepea, ainda que as exportações auxiliem na diminuição da oferta doméstica, no atual cenário de baixa demanda interna, o desempenho recorde das vendas externas deste mês não tem sido suficiente para reverter o movimento de desvalorização no mercado nacional.
GLOBO RURAL
GOVERNO
Brasil abre novos mercados nas Filipinas, em Cuba e na República da Coreia
O governo brasileiro concluiu negociações que permitirão a exportação de carne bovina resfriada, com e sem osso, para as Filipinas; de carne bovina com osso e carne suína com osso para Cuba; e de castanha-do-brasil, com e sem casca, castanha de baru e castanha de caju para a Coreia do Sul.
Nas Filipinas, a abertura de mercado para carne bovina resfriada, com e sem osso, amplia a presença brasileira em um mercado relevante do Sudeste Asiático e cria oportunidades para a cadeia da proteína animal, especialmente em segmentos que demandam cortes refrigerados. Com cerca de 115,8 milhões de habitantes, o país importou mais de US$ 1,8 bilhão em produtos agropecuários brasileiros em 2025. Em Cuba, foi autorizada a exportação de carne bovina com osso e carne suína com osso do Brasil. A medida amplia as possibilidades de fornecimento de proteína animal para um país de cerca de 11 milhões de habitantes e soma-se ao acordo de pre-listing firmado entre os dois países, que trouxe mais agilidade ao comércio desses produtos. Já para a Coreia do Sul, a abertura de mercado para castanha-do-brasil, com e sem casca, castanha de baru e castanha de caju diversifica a pauta exportadora. Os produtos da sociobiodiversidade brasileira são extraídos de forma sustentável e reconhecidos internacionalmente por seu valor nutricional. Com 51,7 milhões de habitantes, o país importou mais de US$ 2,4 bilhões em produtos agropecuários brasileiros em 2025. Com os novos anúncios, o agronegócio brasileiro alcança 600 aberturas de mercado desde o início de 2023.
MAPA
EMPRESAS
MBRF expande unidade de carne bovina no Uruguai com investimento de US$70 mi
A empresa de alimentos MBRF inaugurou na quinta-feira a expansão de seu complexo industrial de carne bovina em Tacuarembó, no norte do Uruguai, que recebeu investimento de US$70 milhões.
A unidade produzirá alimentos de maior valor agregado, em linha com a estratégia da companhia de ampliar sua atuação nesse segmento para atender à crescente demanda global por proteínas, afirmou a empresa. "Esse modelo industrial nos permite operar com maior escala, eficiência, segurança e padronização, ampliando a capacidade de atender, com qualidade e agilidade, múltiplos mercados e os clientes mais exigentes", disse o chairman da MBRF, Marcos Molina, em comunicado. A capacidade produtiva de produção de hambúrgueres passa de 200 para 900 toneladas por mês, o que representa cerca de 500 mil hambúrgueres por dia, um aumento de 350%, reforçando a posição da MBRF como a maior produtora global da categoria. Já o volume de abate cresce de 900 para 1.400 animais diários, um avanço de aproximadamente 40%, consolidando Tacuarembó como o complexo de maior capacidade de abate de bovinos no país. A expansão é acompanhada por melhorias na infraestrutura, como o aumento das câmaras de pré-resfriamento, e a implantação de um novo túnel de congelamento com capacidade para 21 mil caixas. "O Uruguai é um mercado estratégico para a companhia, reconhecido pela qualidade da produção, pela confiabilidade sanitária e pelo amplo acesso a mercados internacionais", disse o CEO da empresa, Miguel Gularte. A produção atenderá tanto o mercado uruguaio quanto o mercado externo, com embarques para uma ampla plataforma internacional, que inclui Estados Unidos, China, Japão, Coreia do Sul e União Europeia.
REUTERS
INTERNACIONAL
Exportações de carne do Uruguai: China perde espaço e outros mercados ganham força em 2026
Ao final do primeiro trimestre, em 2026 o USMCA (Acordo Estados Unidos–México–Canadá) – bloco no qual os Estados Unidos têm peso predominante e há participações menores de Canadá e México – é responsável por pouco mais de um terço das divisas que ingressaram no país com o total das exportações de carnes do Uruguai.
O pódio: USMCA, China e União Europeia. Concretamente, o USMCA responde por 36% das receitas, com US$ 292,9 milhões, apresentando um leve ajuste em relação ao que havia investido no mesmo período de 2025, com uma queda de 1,4%. Dentro desse bloco que lidera entre os mercados, os Estados Unidos investiram em carnes uruguaias US$ 265 milhões, enquanto o restante se divide em valores quase iguais entre México e Canadá. Na segunda posição do pódio aparece quem liderou durante muitos dos últimos anos, a China, com 28% de participação ao aportar US$ 230,9 milhões, e nesse caso houve um aumento de 9% no valor investido na comparação anual. Em terceiro lugar está outro bloco, a União Europeia (UE), com 17% de participação no montante global, totalizando US$ 141,4 milhões e um aumento de 11,2% em comparação com o acumulado até este ponto de 2025. Outros dois destinos a destacar, que completam o top cinco, são Israel (5% do valor total, US$ 42,1 milhões e crescimento de 5,6%) e o bloco Mercosul (3%, US$ 26,4 milhões e alta de 1,4%). O ano de 2025 terminou com a entrada recorde de US$ 3,25 bilhões em exportações de carnes (sendo US$ 2,711 bilhões referentes à carne bovina), com um aumento de 26% em relação a 2024; foram embarcadas 693.528 toneladas (peso de embarque), com queda anual de 0,6%; e o valor médio ficou em US$ 4.686 por tonelada, com uma melhora de 25,1% em comparação com 2024, com a seguinte participação dos três principais mercados (segundo o valor): USMCA 33%, China 29% e UE 21%. Considerando apenas a carne bovina (responsável por 84% da receita total), segundo o volume (peso de carcaça), o Uruguai exportou, no acumulado de 2026, 125.041 toneladas, com queda de 9,7%, informou o INAC, com o seguinte detalhamento dos principais destinos: USMCA 41% (53.306 toneladas / -6,6%). China 32% (41.703 toneladas / -6,7%). UE 9% (11.822 toneladas / -21,2%). Israel 4% (5.570 toneladas / -11,7%). Mercosul 2% (2.228 toneladas / -23,8%). Mantendo o foco na carne bovina, principal subcategoria com ampla diferença, no acumulado deste ano o Uruguai exportou 125.041 toneladas em peso de carcaça, gerando US$ 688,4 milhões, com um valor médio de US$ 5.506 por tonelada (uma melhora de 16,9% nesse preço em relação a 2025). Considerando o total de divisas geradas, até o momento em 2026, 83,6% correspondem às vendas de carne bovina, seguidas por miúdos com 5,2%; subprodutos primários para uso industrial com 3,4%; subprodutos residuais comestíveis com 2,8%; carne ovina com 2,3%; subprodutos industrializados com 1,1%; e carne equina com 0,9%. Considerando todas as carnes, no período de janeiro a março de 2026 o Uruguai exportou 164.215 toneladas (peso de embarque), gerando US$ 823,2 milhões, com um valor médio de US$ 5.013 por tonelada: o volume caiu 9%, a receita aumentou 4,6% e o valor médio avançou 14,9%.
EL OBSERVADOR
Importações de carne bovina da China sobem 33% no 1º tri/26
Países exportadores e compradores chineses antecipam negociações para garantir o abastecimento do mercado antes do esgotamento das cotas de salvaguarda
As importações de carne bovina da China – considerando todos os países fornecedores – atingiram de 870 mil toneladas no primeiro trimestre de 2026, o que representa um avanço anual de 33,4%, informou a Agrifatto, com base em dados do governo chinês. Na avaliação dos analistas da consultoria, o aumento das compras chinesas nos três primeiros meses do ano é uma resposta comercial direta à implementação das medidas de salvaguarda, aplicadas desde janeiro/26 e que estabeleceram cotas individuais aos principais fornecedores, com cobrança de tarifa de 55% após o esgotamento de cada uma delas. “Isso gerou uma urgência envolvendo exportadores e importadores chineses, que, para garantir o abastecimento antes do esgotamento das cotas, passaram a antecipar suas compras de carne bovina, especialmente do Brasil e da Austrália”, disse a Agrifatto. O preço médio pago pela proteína importada pelos chineses ficou em US$ 5,50/tonelada, um recuo de 0,33% no comparativo anual, acrescentou a consultoria.
AGRIFATTO
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Arroba do boi atinge R$ 350 no Oeste e exportação de fêmeas preocupa o setor
O preço da arroba do boi gordo atingiu patamares elevados na região Oeste do Paraná. Cotada a R$ 350, a valorização reflete um cenário de oferta restrita e demanda aquecida. No entanto, por trás desse movimento de alta, especialistas apontam um fator preocupante: a crescente exportação de animais vivos, especialmente fêmeas, que pode provocar um desequilíbrio significativo no mercado interno nos próximos anos.
O presidente da Padrão Beef e ex-presidente da Sociedade Rural do Oeste do Paraná, Lindonez Rizzotto, aponta a menor disponibilidade de animais para abate como resultado dos preços elevados da arroba. “A oferta está curta e a demanda segue firme. Isso sustenta essa arroba em níveis elevados, mas há fatores estruturais por trás disso”, explica. Entre esses fatores, a exportação de animais vivos ganhou protagonismo — prática que, até pouco tempo atrás, concentrava-se quase exclusivamente em machos. “Há três ou quatro anos, exportávamos basicamente machos. A saída de fêmeas é algo recente, intensificada no último ano, com destinos como a Turquia”, destaca. Essa mudança de perfil nas exportações preocupa o setor. As fêmeas são essenciais para a reposição do rebanho e a manutenção do ciclo produtivo. A retirada desses animais do País compromete a base da pecuária nacional e tende a reduzir ainda mais a oferta futura de bois para abate. O aumento no preço da arroba também está diretamente ligado ao ciclo pecuário, que se repete, em média, a cada quatro anos. Segundo Rizzotto, o setor vive atualmente uma fase de escassez, impulsionada pelo abate elevado de fêmeas registrado nos últimos anos. “Esse abate exagerado reduziu o número de matrizes. Agora, com a arroba valorizada, os produtores começam a reter fêmeas para recompor o rebanho. Isso deveria ajudar a equilibrar o mercado até o segundo semestre de 2027”, afirma.
No entanto, a continuidade da exportação de fêmeas pode comprometer esse reequilíbrio natural. “Essa prática desorganiza o ciclo pecuário. Mesmo com a retenção atual, não será suficiente para compensar as perdas”, destaca. Além de afetar a reposição do rebanho, a exportação de animais vivos traz outro ponto crítico: a redução da oferta de carne no mercado interno. Isso ocorre porque, ao exportar o animal vivo, o país deixa de agregar valor ao produto e de abastecer sua própria cadeia de consumo. “Estamos mandando matéria-prima embora. Isso impacta diretamente a disponibilidade de carne no Brasil e pressiona ainda mais os preços ao consumidor”, explica Rizzotto. Outro ponto levantado pelo presidente da Padrão Beef é a ausência de tributação efetiva sobre essas exportações, apesar da previsão legal. “Não está havendo cobrança de impostos. Ou seja, não há controle nem compensação econômica adequada para essa saída de animais”, critica. Apesar do cenário atual de ganhos para criadores e recriadores, o especialista faz uma ponderação: o momento positivo pode ser passageiro e esconder um problema maior no horizonte. “É uma falsa ilusão. Hoje o produtor está ganhando bem, mas isso pode gerar um colapso no mercado interno, especialmente a partir de 2027”, projeta. Rizzotto compara a situação brasileira com o que vem ocorrendo nos Estados Unidos, onde a redução do rebanho impactou diretamente a oferta de carne e elevou os preços. “Temos o maior rebanho do mundo, mas, se continuarmos exportando fêmeas nesse ritmo, podemos enfrentar o mesmo problema”, afirma. No curto prazo, a cotação em torno de R$ 350 no Oeste do Paraná reflete um mercado aquecido. No médio e longo prazo, porém, a manutenção dessa tendência dependerá de decisões estratégicas — tanto dos produtores quanto do poder público — para evitar um desequilíbrio mais profundo entre oferta e demanda no País.
O PARANÁ
ECONOMIA
Dólar volta a fechar acima de R$5,00 após cenário externo se deteriorar à tarde
Após sustentar baixas até o início da tarde, o dólar virou para o território positivo e se firmou em alta no Brasil, encerrando a quinta-feira acima dos R$5,00, em meio a notícias que colocam em dúvida um possível acordo de paz entre EUA e Irã.
O dólar à vista fechou o dia em alta de 0,62%, aos R$5,0046. Desde 10 de abril a moeda norte-americana não encerrava acima de R$5,00. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular queda de 8,82% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para maio -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,74% na B3, aos R$5,0095. Até o início da tarde o dólar oscilou em baixa ante o real, dando continuidade ao movimento mais recente de fortalecimento do real, ainda que o cenário no Oriente Médio seguisse nebuloso. À tarde, porém, a tendência mudou, em meio a declarações de autoridades dos dois lados da guerra. O presidente norte-americano, Donald Trump, disse que um acordo com o Irã só será feito quando for "apropriado e bom" para os EUA. Já o presidente do Irã disse na rede X que o "agressor" se arrependerá. Também durante a tarde, surgiram notícias sobre a ativação de defesas aéreas no Irã, apesar do cessar-fogo. Na esteira do noticiário, o dólar ganhou força, passando a subir ante a maior parte das demais divisas, incluindo o real. “No fim da tarde, a gente viu... o dólar ganhando força, muito por conta da questão da guerra. Existem ainda incertezas em relação a este assunto, não se sabe se o cessar-fogo vai continuar, se não vai continuar, se a gente vai ver um fim próximo da guerra ou não”, comentou Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank e especialista em câmbio. “E isso acaba trazendo volatilidade para a moeda.” No exterior, também sob a influência do noticiário sobre a guerra, às 17h09 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,21%, a 98,822. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$3,200 bilhões em abril até o dia 17. Desde que a guerra começou, no fim de fevereiro, já saíram do país US$9,550 bilhões líquidos.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com indefinição sobre guerra no Oriente Médio
O Ibovespa fechou em queda na quinta-feira, em meio ao ambiente avesso ao risco nos mercados globais, diante da persistência de incertezas sobre como e quando a guerra no Oriente Médio poderá ser resolvida.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,78%, a 191.378,43 pontos, após marcar 190.929,82 na mínima e 193.346,63 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$24,9 bilhões. A captura de dois navios pelo Irã na quarta-feira no Estreito de Ormuz mesmo depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que estava suspendendo os ataques por tempo indeterminado, reacendeu o alerta entre os investidores na quinta. Pela manhã, Trump disse que ordenou que a Marinha dos EUA dispare contra qualquer barco que colocar minas no Estreito de Ormuz. Nesse contexto, o Irã reforçou ainda mais o controle sobre o estreito, o que fez o preço do petróleo Brent ficar mais uma vez acima dos US$100 por barril e as bolsas dos EUA ficarem no vermelho, com o S&P 500 caindo 0,41%, para 7.108,40 pontos ao fim da sessão. "A bolsa brasileira apresentou forte correção, acompanhando os índices norte-americanos, que apresentaram uma grande virada no meio do pregão, após declarações por parte de Israel, que deram a entender que o cessar fogo está por um fio, as negociações não avançaram e os bombardeios podem ser retomados a qualquer momento", destacou Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.
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