CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1183 DE 31 DE AGOSTO DE 2026
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Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1183 | 31 de agosto de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Boi gordo Com perda semanal em torno de R$ 5/@ em SP
Analistas apostam na recuperação gradual do consumo doméstico de carne bovina a partir da próxima semana, o que pode estimular a busca dos frigoríficos por lotes de boiadas gordas. . No PARANÁ: Boi: R$ 355,00 Vaca: R$ 330,00 Novilha: R$ 340,00 Escalas: cinco dias. Boi China: PARANÁ: R$ 360,50/@ (à vista) e R$ 365,00/@ (prazo)
Sob pressão baixista moderada, o mercado físico do boi gordo fechou a semana com leves quedas em importantes praças pecuárias, mas também houve alguns pequenos avanços na arroba, como é o caso das praças da Bahia, Espírito Santo e Rio Grande do Sul, apurou na sexta-feira (28/8) a equipe de analistas da Agrifatto. “O mercado chega, assim, ao fim de agosto ainda pressionado pela demanda enfraquecida, mas com oferta insuficiente para sustentar uma queda generalizada da arroba”, observa a consultoria, que acompanha diariamente os negócios em 17 regiões pecuárias do País. Segundo o zootecnista Felipe Fabbri, analista da Scot Consultoria, que monitora mais de 30 praças no País, a demanda interna mais morosa na segunda quinzena de agosto se uniu ao ritmo exportador menor e contaminou negativamente os preços da arroba ao longo desta semana. Assim, diz Fabbri, após uma segunda quinzena de julho e uma primeira quinzena de agosto com preços firmes, o mercado cedeu e os preços do boi, da vaca e da novilha caíram em São Paulo. “Porém, a oferta mais equilibrada não permitiu quedas mais fortes às cotações”, relata Fabbri. Pelos dados da Scot Consultoria, em relação ao fechamento da sexta-feira anterior (21/8), as cotações do boi gordo sem padrão-exportação e do “boi-China” recuaram 1,4% e 1,7% (ou R$ 5/@ e R$ 6/@), respectivamente, na sexta-feira (28/8), em São Paulo. Considerando a mesma base semanal de comparação e a mesma região, a cotação da vaca gorda caiu 0,9%, ou R$ 3/@, e o preço da novilha teve queda de 1,5%, ou de R$ 5/@. Segundo levantamento da Scot, o boi gordo destinado ao mercado interno paulista vale R$ 342/@, o “boi-China” é vendido por R$ 344/@, a vaca está cotada em R$ 322/@ e a novilha é negociada por R$ 332/@ (valores brutos, no prazo). Após três baixas consecutivas, os preços futuros do boi gordo subiram no pregão de quinta-feira (27/8) da B3. O contrato para entrega em setembro/26 fechou a sessão cotado a R$ 358,50/@, com valorização de 1,39% em relação ao fechamento anterior. Segundo apuração da Agrifatto, a comercialização de carne bovina no varejo seguiu em ritmo lento nas últimas semanas de agosto/26, reflexo da menor disponibilidade financeira do consumidor, que favoreceu a migração para proteínas mais acessíveis, como frango e carne suína. No entanto, reforçam os analistas da Agrifatto, a expectativa é de recuperação gradual a partir da próxima terça-feira, com a aproximação da entrada da massa salarial referente a agosto/26. Cotações do boi gordo conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: sete dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 335,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: cinco dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: sete dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 335,00. Boi China/Europa: R$ 335,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: seis dias. TOCANTINS: Boi comum: R $ 340,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: cinco dias. PARÁ: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: quatro dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 335,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: sete dias. MARANHÃO: Boi: R$ 340,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: seis dias. Preços brutos do “boi-China” na terça-feira (25/8), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 342,00/@ (à vista) e R$ 346,00/@ (prazo). MINAS GERAIS: (Exceto região Sul): R$ 339,00/@ (à vista) e R$ 343,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 326,00/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 339,00/@ (à vista) e R$ 343,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 331,00/@ (à vista) e R$ 335,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 345,50/@ (à vista) R$ 350,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 341,00/@ (à vista) e R$ 345,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 331,00/@ (à vista) e R$ 335,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 331,00/@ (à vista) e R$ 335,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 333,00/@ (à vista) e R$ 337/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
Brasil vê pouco espaço para reverter o bloqueio da UE
Governo deve manter canais de diálogo, mas avalia possível aplicação de medidas de reciprocidade ao bloco
Negociadores próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que está mais difícil reverter o bloqueio da União Europeia às exportações de proteínas animais e derivados do Brasil, prevista para entrar em vigor na próxima quinta-feira (3/9). A postura do governo é de manter canais de diálogo, mas já está no radar em Brasília uma possível aplicação de medidas de reciprocidade contra o bloco europeu. A partir do dia 3, as vendas de agroindústrias brasileiras ficarão suspensas por falta de comprovação no controle de não uso de antimicrobianos proibidos pelos europeus nas cadeias produtivas locais. A medida ocorre após uma decisão tomada em maio. O impacto potencial da suspensão das exportações de carnes de aves, bovina, ovos, mel e pescados é de quase US$ 2 bilhões em um ano. Fontes a par das tratativas afirmaram que o governo federal tem discutido a imposição de alguma barreira sanitária a lácteos e azeites europeus como retaliação pelo bloqueio às proteínas animais e derivados do Brasil no bloco. O Palácio do Planalto não confirmou esse movimento. Até recentemente, a avaliação no Palácio do Planalto e no Itamaraty era de que uma articulação política e diplomática pudesse surtir efeito e reverter o bloqueio, ao menos de forma parcial, tempestivamente. No fim de julho, Lula enviou uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para solicitar o retorno do Brasil à lista de exportadores. A informação foi confirmada pela Representação da UE em Brasília. Ainda não houve resposta. A expectativa na capital federal é a de que von der Leyen deve responder a carta de Lula nesta semana, assim que receber informações de uma missão europeia no Brasil. Fontes a par das negociações disseram acreditar que a iniciativa não deve ter efeito prático capaz de manter a normalidade nos embarques brasileiros, mas pode dar sinalizações sobre o que a UE pretende fazer nos próximos meses. O governo brasileiro considerou como um sinal positivo a vinda de uma missão técnica europeia para auditar os processos produtivos e de inspeção das cadeias de aves e mel. A avaliação é que há espaço para entendimento com os europeus e boa vontade para retirar as sanções ao Brasil. O desfecho, porém, depende da avaliação criteriosa sobre os novos procedimentos adotados na produção e na fiscalização dessas cadeias desde 1º de julho para atender às exigências do bloco. Entre negociadores e técnicos brasileiros, a previsão é que as exportações de carne de aves e de mel possam ser retomadas neste ano, possivelmente em novembro, quando está marcada a próxima reunião do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff, na sigla em inglês) da Comissão Europeia. Os auditores permanecem até sexta-feira (4) no Brasil, quando terão reunião com o Ministério da Agricultura. Na semana passada, a autoridade portuária do Porto de Le Havre, na França, divulgou nota informando que a importação de produtos de origem animal do Brasil seria “proibida” a partir do dia 3, independentemente da data de certificação sanitária da remessa. A medida vai além do que estava previsto nas comunicações oficiais feitas entre UE e Brasil. O Ministério da Agricultura autorizou a certificação até 2 de setembro. A emissão de licenças de exportação será interrompida no dia seguinte. A indústria alertou o governo, e a adidância brasileira em Bruxelas acionou a autoridade sanitária europeia (DG-Santé) para esclarecer as regras. A preocupação era com cargas que estarão no mar a caminho da Europa e que podem ser barradas no porto. Os franceses voltaram atrás e informaram que a entrada de cargas certificadas no prazo previsto será permitida. Exportadores encararam a posição como um “sinal de agressividade” dos franceses. O episódio alimentou nos empresários brasileiros a defesa de medidas de reciprocidade.
VALOR ECONÔMICO
Brasil ganha vantagem com ampliação das importações de carne nos EUA, diz ministério
A tarifa de importação aplicada atualmente é de 26,4%; para as 300 mil toneladas incluídas na nova cota, a taxa será de US$ 44 por tonelada. Nova cota será de 300 mil toneladas de aparas magras e recortes de carne bovina, utilizados na fabricação de carne moída
O Ministério da Agricultura informou, em nota divulgada na sexta-feira (28/8), que a vantagem econômica da decisão do governo dos Estados Unidos de ampliar temporariamente a importação de carne bovina "é significativa" e que o Brasil tem condições de "se beneficiar de grande parte dela". A decisão dos EUA, anunciada na noite de quarta-feira (26/8) pelo presidente americano Donal Trump, criou uma cota de 300 mil toneladas, em aparas magras e recortes de carne bovina, com taxa reduzida. O produto é utilizado pela indústria americana na fabricação de carne moída. A tarifa de importação aplicada atualmente é de 26,4%. Para as 300 mil toneladas incluídas na nova cota, a taxa será de US$ 44 por tonelada, informou o ministério na nota. A Pasta disse que "seguirá acompanhando a implementação da medida e seus impactos sobre o comércio internacional de carne bovina, em articulação com o setor produtivo e exportador brasileiro, visando identificar oportunidades e apoiar a ampliação da presença da carne bovina brasileira em mercados estratégicos". Segundo o Ministério da Agricultura, a medida contempla todos os países que não possuem cotas específicas perante os EUA, como é o caso do Brasil, Paraguai, Irlanda e outros. A decisão vale de 1º de setembro a 30 de novembro de 2026. O ministério salientou, na nota, que as autoridades dos EUA vão monitorar os preços de importação referentes a esse volume adicional anunciado. "Se as importações americanas, dentro da cota expandida, não estiverem sendo vendidas a um preço 25% abaixo do preço de mercado, os EUA poderão eliminar imediatamente qualquer parcela restante da cota ampliada".
VALOR ECONÔMICO
SUÍNOS
Produção elevada de suínos em 2026 deve limitar alta de preços
Mercado de carne suína caminha para um cenário de produção recorde, maior oferta deve limitar os tradicionais reajustes de preços inclusive no fim do ano.
Tradicionalmente no terceiro trimestre do ano as granjas de suínos produzem mais de olho na demanda crescente, e nos preços melhores, com as festas de fim de ano. Em 2026, porém, a grande oferta deve limitar o avanço das cotações. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que abate de suínos alcançou 15,58 milhões de cabeças no segundo trimestre de 2026. Alta de 3,2% em relação ao mesmo período de 2025 e um avanço de 2% frente aos primeiros três meses deste ano. Com base nesses dados, o Cepea (Centro de Estudos de Economia Aplicada) avalia que o pico de produção da suinocultura este ano seja registrado entre julho e setembro, o que pode limitar os avanços das cotações, inclusive no fim do ano. A crescente oferta de carne suína segue pressionando as cotações do animal e dos cortes para patamares historicamente baixos. Em julho, o preço do suíno vivo em São Paulo registrou o terceiro menor valor da série histórica do Cepea. O recuo acumulado entre janeiro e julho é de 43%. De acordo o pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho, a produção de suínos no Brasil vem em movimento crescente, estimulada por margens positivas e investimentos. "Entre 2023 e 2025 a margem foi bastante positiva para o produtor. Coincidiu com a boa precificação do suíno e, principalmente, pelo preço dos grãos em baixa. O produtor se sentiu estimulado a melhorar o rebanho - em termos de manejo, genética, nutrição, sanidade - e assim aumentar a oferta", diz Thiago em entrevista à CNN. As projeções da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) apontam para um crescimento de 5% na produção em 2026, com um total de 5,87 milhões de toneladas. As exportações devem crescer 5,9% esse ano, segundo a ABPA, para 1,6 milhão de toneladas embarcadas em 2026. "Estamos exportando bastante, batendo recordes mensais. Mas todo esse volume a mais de exportação não tem sido suficiente para equilibrar a formação de preço. E mesmo com a demanda interna, até de certo modo razoável, o aumento da produção e da oferta seguem como protagonistas", avalia Thiago Bernardino. Com isso a oferta no mercado doméstico deve ser de aproximadamente 4,270 milhões de toneladas em 2026, 4,6% a mais (CNN, 28/8/26)
BRASILAGRO
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
PIB do agronegócio é estimado em R$ 3,13 trilhões para 2026
Ramo agrícola tem previsão de queda de 13,7%. A pecuária deve crescer 2,8%
O PIB do agronegócio brasileiro é estimado em R$ 3,13 trilhões para 2026, mas o desempenho poderá ser distinto entre os ramos agrícola e pecuário. O ramo agrícola tem previsão de queda anual de 13,7%, enquanto a pecuária deve crescer 2,8%, segundo dados do CEPEA em conjunto com a CNA. Essas são algumas das informações apresentadas na 30ª edição do Radar Macroeconômico, elaborado pelo Departamento Econômico da FAESP. Juntos, os dois ramos devem representar 22,8% do PIB brasileiro, com estimativa de retração de 7,8% no ano. O ramo agrícola poderá alcançar R$ 1,88 trilhão, com queda prevista em todos os segmentos analisados. A maior retração deve ocorrer no segmento primário, estimada em 21%. Entre os principais fatores está a queda dos preços dos produtos agrícolas, que reduz o valor gerado pela produção. Já a pecuária poderá atingir R$ 1,25 trilhão. Dentro do ramo, a agroindústria deve avançar 7,9% e os agrosserviços, 7,6%. Entre as atividades pecuárias, a bovinocultura de corte é a única com previsão de aumento do valor da produção, apoiada pelo desempenho das exportações e pela demanda interna. O mercado de trabalho continua resiliente no trimestre encerrado em junho. A taxa de desocupação ficou em 5,4%, enquanto a população ocupada chegou a 103,1 milhões de pessoas. Desse total, 7,9 milhões trabalhavam no setor agropecuário. O rendimento médio habitual de todos os trabalhos foi de R$ 3.738, alta de 2,8% em relação ao mesmo período de 2025. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,44% em julho, retornando ao intervalo de tolerância da meta. No mês, o índice registrou alta de 0,07%, com o grupo Alimentação e bebidas apresentando a maior contribuição negativa para o resultado, com recuo de 0,67%. A alimentação no domicílio caiu 1,14%, com destaque para tubérculos, raízes e legumes, cujos preços recuaram 16,15%. A taxa básica de juros teve corte em agosto. A meta da taxa Selic foi reduzida para 14% ao ano, em um corte de 0,25 ponto percentual. Mesmo assim, o ambiente continua marcado por incertezas e riscos de alta dos preços, o que faz com que o ciclo de calibração dependa da evolução de novas informações e das perspectivas econômicas. As contas públicas permanecem como ponto de atenção. Em junho, o setor público registrou déficit primário de R$ 55,3 bilhões. Com a incorporação dos juros nominais, que somaram R$ 110,7 bilhões, o déficit nominal chegou a R$ 166 bilhões, evidenciando o impacto do custo financeiro da dívida sobre o resultado fiscal. A dívida bruta do governo geral alcançou 81,9% do PIB, enquanto a dívida líquida do setor público chegou a 68,5% do PIB. Por outro lado, o resultado externo apresentou melhora. O déficit em transações correntes caiu para US$ 2,3 bilhões em junho, ante US$ 5,2 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. O resultado foi favorecido pelo saldo positivo da balança comercial, que alcançou US$ 8,8 bilhões e ajudou a compensar parcialmente o déficit na conta de serviços.
CEPEA/CNA
ECONOMIA
Dólar fecha perto dos R$5,20 após discurso duro de Warsh sobre inflação nos EUA
O dólar fechou a sexta-feira em alta no Brasil após o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmar durante o simpósio de Jackson Hole que a instituição terá "trabalho a fazer" caso a inflação dos EUA siga acima da meta.
Após superar os R$5,23 durante a sessão, o dólar à vista encerrou o dia cotado a R$5,1961, com alta de 0,62%. Na semana, a divisa acumulou elevação de 1,06% e, no ano, queda de 5,34%. Às 17h11, o dólar futuro para setembro -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- subia 0,67% na B3, aos R$5,1995. Em seu discurso de estreia em Jackson Hole, Warsh afirmou no fim da manhã que o Fed “terá trabalho a fazer” se seus membros não estiverem confiantes de que a inflação subjacente dos EUA está voltando à meta de 2%. “Este é o meu critério: devemos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer. Esse é o nosso trabalho... nosso mandato... e nossa responsabilidade”, disse Warsh. Os comentários foram a senha para que os rendimentos dos Treasuries subissem, com os investidores globais elevando as apostas de que o Fed poderá elevar os juros em setembro. Nos mercados de moedas, isso se traduziu na alta do dólar ante boa parte das demais divisas, incluindo moedas pares do real como o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso chileno. Após marcar a menor cotação do dia de R$5,1581 (-0,12%) às 9h02, logo após a abertura da sessão, o dólar à vista atingiu o pico de R$5,2315 (+1,30%) às 13h18, já depois da fala de Warsh. O nível da taxa de juros nos EUA, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, impacta diretamente os fluxos de investimentos globais, incluindo para o Brasil, o que se reflete na taxa de câmbio. “A moeda americana se valoriza não só contra o real, mas praticamente em relação a todas as divisas do mundo. Isso porque se o Fed sobe juros e tem esse tom mais ‘hawkish’, a tendência é o fluxo de capital se concentrar na economia americana, valorizando o dólar”, resumiu Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital. A perspectiva de novos cortes da Selic, aliás, foi ampliada no início da tarde. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que seriam divulgados apenas às 14h30, vazaram bem antes disso e apontaram a criação de 58.568 vagas formais em julho. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam 112.000 novas vagas. Os números reforçaram no mercado a leitura de que o Banco Central cortará a Selic em setembro, podendo promover nova redução também em novembro. No exterior, às 17h08, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,57%, a 99,668.
REUTERS
Ibovespa amplia série de altas com ajuda da Petrobras, apesar de Warsh
O Ibovespa fechou com um acréscimo modesto na sexta-feira, mas assegurou a oitava alta seguida, com Petrobras novamente entre os suportes.
Após ultrapassar os 176 mil pontos nos primeiros negócios, o índice perdeu força com declarações do chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, de que o banco central dos Estados Unidos tem "trabalho a fazer” se a inflação na maior economia do mundo continuar acima de 2%. A principal referência do mercado acionário brasileiro acabou terminando o dia com elevação de 0,22%, a 175.526,53 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo marcado 176.420,61 pontos na máxima e 173.893,63 pontos na mínima da sessão. O volume financeiro somava R$19,47 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Brasil abre menos vagas formais de trabalho do que o esperado em julho, com menor saldo mensal do ano
O Brasil abriu 58.568 vagas formais de trabalho em julho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados na sexta-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego, no pior resultado para o mês da série iniciada em 2020.
O resultado do mês passado foi fruto de 2.262.888 admissões e 2.204.320 desligamentos e ficou bem abaixo da expectativa de economistas apontada em pesquisa da Reuters de criação líquida de 112.000 vagas. O saldo de julho foi o mais baixo do ano até agora e o menor para o mês em toda a série histórica do Novo Caged, que contabiliza dados a partir de 2020. No mesmo mês em 2025, foram criadas 133.932 vagas de trabalho. No acumulado do ano até o mês passado, foi registrado saldo positivo de 972.203 postos, o pior para o período desde 2020, quando houve fechamento de 1.398.484 vagas em meio à pandemia da Covid-19. Para o economista do ASA Leonardo Costa, os resultados reforçam que o mercado de trabalho está em um processo gradual de arrefecimento, apesar de ainda resiliente. Segundo ele, a avaliação da instituição é de que a atividade econômica seguirá em desaceleração ao longo de 2026. "A desaceleração tem sido mais visível em setores tradicionalmente mais sensíveis ao ciclo econômico, como indústria, comércio e construção civil, enquanto o setor de serviços segue sustentando a geração de empregos", afirmou. Quatro dos cinco grupamentos de atividades econômicas registraram saldos positivos de vagas no mês passado. O setor de serviços liderou a abertura, como de costume, com 24.098 postos, seguido por construção (12.691 postos), agropecuária (12.523 postos) e indústria (11.315). O comércio foi o único setor a registrar saldo negativo, com fechamento de 2.056 vagas. O ministro do Trabalho em exercício, Chico Mecena, atribuiu as sucessivas baixas dos números do comércio aos efeitos de juros altos, que, segundo ele, inibem o crédito a consumidores e o investimento de lojistas. Ele também destacou a migração da atividade do setor para os mercados virtuais. "Você tem um direcionamento cada vez mais (para) o crescimento das lojas online", afirmou. "É um reposicionamento momentâneo que o varejo vai ter que passar e não acredito que isso seja uma crise mais estrutural."
REUTERS
Inadimplência no Brasil sobe a 6,4% em julho e atinge maior nível da série histórica, mostra BC
A inadimplência no segmento de recursos livres subiu a 6,4% em julho no Brasil, contra 6,0% no mês anterior, e atingiu o maior nível da série histórica iniciada em março de 2011, informou o Banco Central na sexta-feira.
No mês, as concessões de empréstimos no Brasil recuaram 1,6% na comparação com o mês anterior, com o estoque total de crédito subindo 0,3% no período, a R$7,372 trilhões. As concessões de financiamentos com recursos livres, nos quais as condições dos empréstimos são livremente negociadas entre bancos e tomadores, recuaram 1,9% em relação ao mês anterior. Para as operações com recursos direcionados, que atendem a parâmetros estabelecidos pelo governo, houve alta de 1,0% no período. Já os juros cobrados pelas instituições financeiras no crédito livre ficaram em 47,7% ao ano, um recuo de 2,0 pontos percentuais em relação a junho. Nos recursos direcionados, houve queda de 0,1 ponto no mês, a 12,1% ao ano. O spread bancário, diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final cobrada do cliente, caiu para 33,8 pontos percentuais nos recursos livres, contra 35,7 pontos no mês anterior.
REUTERS
Índice de Preços ao Produtor cai 0,83% em julho e acumula alta de 3,09% em 2026, diz IBGE
Indicador conhecido pela variação de preços da indústria ou de "porta de fábrica" recuou pelo terceiro mês seguido, após quedas de 0,30% em maio e de 0,81% em junho
O Índice de Preços ao Produtor (IPP), conhecido como o indicador de inflação da indústria ou de “porta de fábrica”, por considerar os preços sem impostos e fretes, caiu 0,83% em julho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este foi o terceiro mês seguido de deflação na indústria, após quedas de 0,30% em maio e de 0,81% em junho. Com o recuo de 0,83% em julho, o IPP acumula alta de 3,09% em 2026. No resultado em 12 meses até julho, o aumento de preços é menor, de 1,94%. Onze das 24 atividades acompanhadas pelo IPP registraram queda de preços em julho. O IPP é formado por dois índices: o da indústria de transformação e o da indústria extrativa. A taxa na indústria de transformação passou de queda de -0,26% em junho para -0,67% em julho. O IPP da indústria extrativa caiu 4,38% em julho, depois de recuo de 11,85% em junho.
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