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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1158 DE 27 DE JULHO DE 2026

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Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 5 | nº 1158 | 27 de julho de 2026

 

 NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL

 

Frigoríficos continuam em dificuldade para alongar escalas de abate

O mercado físico do boi gordo foi marcado por um ritmo “truncado” na sexta-feira (24), com poucos negócios concretizados ao longo do dia. No PARANÁ: Boi: R$ 345,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. Boi China: PARANÁ: R$ 338,00/@ (à vista) e R$ 342,00/@ (prazo)

O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias pontuou que o cenário ainda é de dificuldade em relação a oferta de animais terminados, com escalas de abate encurtadas. “Os frigoríficos ainda operam com menor capacidade de abate ao longo do mês, contando com redução de turnos de abate e até mesmo férias coletivas. O mercado segue atento ao ritmo de exportação, com o relatório semanal do Secex ocupando papel central para interpretar se há ou não redução das exportações brasileiras de carne bovina”, disse. Preços médios do boi gordo: São Paulo: R$ 343,33. Goiás: R$ 326,25. Minas Gerais: R$ 320,29. Mato Grosso do Sul: R$ 332,05. Mato Grosso: R$ 321,76. O mercado atacadista apresenta preços em predominante acomodação para a carne bovina. “O ambiente de negócios ainda sugere por espaço limitado para altas ainda mais consistentes, dada a dificuldade da indústria de repassar os preços adiante, consequência do baixo poder de compra da população brasileira”, aponta Iglesias. Segundo ele, vale lembrar que as proteínas concorrentes, como a de frango e suína, ainda contam com maior competitividade em relação à carne bovina. Quarto traseiro: R$ 26,50 por quilo. Quarto dianteiro: R$ 20 por quilo. Ponta de agulha: R$ 19,00 por quilo. Cotações do boi gordo, conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 345,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 325,00. Boi China: R$ 325,00. Média: R$ 325,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 340,00. Boi China: R$ 340,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: cinco dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 320,00. Boi China: R$ 320,00. Média: R$ 320,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: sete dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 325,00. Boi China/Europa: R$ 325,00. Média: R$ 325,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: seis dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 325,00. Boi China: R$ 325,00. Média: R$ 325,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: quatro dias. PARÁ: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 310,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: quatro dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 320,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: seis dias. MARANHÃO: Boi: R$ 330,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: seis dias. Preços brutos do “boi-China” nesta quinta-feira (23/7), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 331,00/@ (à vista) e R$ 335,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 321,50/@ (à vista) e R$ 325,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$ 319,50/@ (à vista) e R$ 323,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 333,00/@ (à vista) e R$ 337,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 318,50/@ (à vista) e R$ 3222,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 326,50/@ (à vista) R$ 330,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 318,50/@ (à vista) e R$ 322,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 316,50/@ (à vista) e R$ 320,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 316,50/@ (à vista) e R$ 320,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 318,50/@ (à vista) e R$ 322,00/@ (prazo).

SAFRAS NEWS/SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO

 

Brasil atinge 80% da cota de carne para a China e está prestes a ser taxado em 55%

Tarifa vale para produtos exportados após país chegar a 1,1 milhão de toneladas. Pequim tem afirmado que a diversificação de fornecedores é parte de estratégia de segurança alimentar

 

O Ministério do Comércio da China afirmou que o Brasil atingiu na semana passada a marca de 80% da cota de carne bovina imposta por Pequim neste ano como medida de salvaguarda.

A expectativa de empresas e organizações do setor é que o percentual seja maior e que a cota esteja até mesmo virtualmente esgotada, uma vez que os cálculos de Pequim não levam em consideração a carga já embarcada que ainda não chegou aos portos chineses. Questionado sobre o tema, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, destacou as trocas comerciais totais entre os países. "A China está disposta a manter comunicação com todas as partes envolvidas, incluindo o Brasil, para ampliar uma cooperação econômica e comercial saudável e estável", declarou. No final de dezembro, Pequim impôs uma medida de salvaguarda determinando que países que ultrapassassem a cota estabelecida pelo país asiático para a carne bovina seriam taxados em 55%. A determinação, que passou a valer em janeiro, terá duração de três anos. O Brasil será taxado caso exceda 1,1 milhão de toneladas em 2026. Para se ter uma ideia, a China respondeu por 48% do volume total exportado pelo Brasil em 2025, com 1,68 milhão de toneladas e US$ 8,9 bilhões. O Brasil atingiu metade da cota em maio, quando o governo Lula já tentava negociar saídas. Como mostrou a Folha, a gestão tenta negociar com as autoridades chinesas para que redistribuam as cotas não utilizadas por outros países, mas até agora o pedido tem sido negado. A divulgação dos dados ocorreu dias antes da conversa do petista com o líder do regime chinês, Xi Jinping. Os mandatários falaram por telefone na noite deste domingo (26), tratando principalmente de questões comerciais, como o acordo entre China e Mercosul. Os relatos do Planalto e da mídia estatal chinesa não indicam se a salvaguarda para a carne bovina foi um dos tópicos da conversa. A China tem salientado com frequência que a diversificação de fornecedores é parte de sua estratégia para garantir a segurança alimentar, o que tem acendido o alerta no governo brasileiro e no setor agropecuário. Prestes a encarar o fechamento do país asiático para a carne bovina brasileira, o governo saiu atrás de compradores alternativos. O nome que aparece primeiro é o dos Estados Unidos, onde a queda do rebanho e a demanda firme obrigam o país a buscar carne fora para se abastecer.

FOLHA DE SP

 

SUÍNOS

 

Dia do Suinocultor celebra protagonismo de quem impulsiona setor de R$ 63,1 bilhões

Em 2025, Brasil produziu 5,592 milhões de toneladas de carne suína e exportou 1,510 milhão de toneladas para 94 países. Celebrado na sexta-feira, 24 de julho, o Dia Nacional do Suinocultor destacou o protagonismo dos produtores que, diariamente, sustentam a evolução de uma das cadeias mais competitivas do agronegócio brasileiro.

 

Em 2025, a produção brasileira de carne suína alcançou 5,592 milhões de toneladas, consolidando o país como o quarto maior produtor mundial. O Valor Bruto da Produção (VBP) do setor chegou a R$ 63,1 bilhões, movimentando economias regionais, gerando renda e impulsionando uma ampla cadeia formada por produtores de grãos, empresas de genética, nutrição e saúde animal, transportadores, cooperativas, agroindústrias e outros segmentos. A presença internacional também ganhou força. No ano passado, o Brasil exportou 1,510 milhão de toneladas de carne suína para 94 países, gerando receita cambial de US$ 3,6 bilhões. Com esse desempenho, o país manteve-se como o terceiro maior exportador mundial. Do total produzido, 27,01% foram destinados ao mercado externo. Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro permaneceu como o principal destino da produção nacional. O consumo per capita atingiu 19,1 quilos por habitante em 2025, refletindo a crescente presença da carne suína na mesa dos brasileiros e a ampliação da variedade de cortes e produtos disponíveis no varejo e na alimentação fora do lar. Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), esses resultados começam dentro das propriedades rurais. São os suinocultores que transformam avanços em genética, nutrição, manejo, sanidade, biosseguridade, bem-estar animal e sustentabilidade em ganhos efetivos de produtividade, qualidade e segurança dos alimentos.

Presentes em diferentes modelos de produção, sejam integrados, cooperados ou independentes, os suinocultores também desempenham papel decisivo na geração de oportunidades no interior do país. A atividade fortalece municípios, mantém renda nas comunidades e estimula investimentos em tecnologia, infraestrutura e qualificação profissional.

ABPA

 

FRANGOS

 

Frango/Cepea: Poder de compra frente ao farelo recua 16% em um ano

O poder de compra do avicultor paulista frente aos dois principais insumos da atividade – farelo de soja e milho – recuou na parcial deste mês, tanto na comparação com junho de 2026 quanto com julho de 2025. 

 

No comparativo anual, o poder de compra do produtor de frango está 16% e 12% menor, respectivamente, frente ao farelo de soja e ao milho. Segundo pesquisadores do Cepea, a procura pela carne diminuiu na ponta final do mercado neste mês, influenciada pelo período de férias escolares. Consequentemente, a demanda pelo animal vivo também se reduziu.

Quanto aos insumos, os preços do milho e do farelo de soja comercializados no mercado de lotes de Campinas (SP) avançaram entre junho e julho. De acordo com a Equipe de Grãos do Cepea, a menor oferta nos dois mercados tem sustentado as cotações.

CEPEA 

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ

 

Terminal de Contêineres de Paranaguá bate recorde no semestre com impulso de carnes

Embarques nos seis primeiros meses do ano cresceram 10% na comparação anual

Terminal de Contêineres de Paranaguá bateu recorde na movimentação de unidades refrigeradas (reefer)

 

A TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá (PR), movimentou 835 mil contêineres de 20 pés (TEUs) no primeiro semestre de 2026, recorde para o período e volume 4% superior aos 803 mil TEUs registrados no mesmo intervalo do ano passado, informou a companhia em nota. Segundo a TCP, o resultado foi impulsionado pelo avanço das exportações e importações de contêineres cheios, em especial de carnes e congelados.

Os embarques (exportações) nos seis primeiros meses do ano cresceram 10% na comparação anual, passando de 3,816 milhões para 4,180 milhões de toneladas. Já os desembarques (importações), avançaram 9%, de 1,503 milhão para 1,635 milhão de toneladas. Do total embarcado, cerca de metade ou 2,031 milhões de toneladas foram de carnes e congelados, alta de 16% em relação ao mesmo período do ano passado. Os embarques de papel e celulose também cresceram, 9%. A TCP destacou a movimentação recorde de contêineres refrigerados (reefer) no primeiro semestre. Foram 76 mil contêineres, 10% acima das 69 mil unidades do mesmo período de 2025. O desempenho, conforme a TCP, foi impulsionado pelos embarques de frango, que aumentaram 18% no período, passando de 1,115 milhão para 1,314 milhão de toneladas. Os de carne bovina ficaram estáveis, com 364 mil toneladas exportadas. Segundo a companhia, o terminal concentrou 47% das exportações brasileiras de carne de frango e 23% dos embarques nacionais de carne bovina no primeiro semestre. “Com avanços em infraestrutura, serviços customizados, atendimento especializado e o maior portfólio de serviços marítimos do país, o Terminal encerra o primeiro semestre com o melhor desempenho de sua história”, disse em comunicado o gerente comercial da TCP, Fabio Mattos.

A TCP detém o maior pátio para armazenagem de contêineres refrigerados do Brasil, chegando a um total de 5.500 tomadas neste mês. Novos investimentos já estão planejados e o Terminal deve ter mais de 6.000 tomadas até o fim de 2027, de acordo com o comunicado.

GLOBO RURAL

 

ECONOMIA

 

Dólar fechou a sexta-feira estável e acumulou queda de 0,58% na semana

O dólar fechou a sexta-feira perto da estabilidade ante o real, em uma sessão em que as novas tarifas comerciais dos EUA e o conflito no Oriente Médio estiveram no centro das atenções

 

O dólar à vista encerrou o dia com variação negativa de 0,06%, aos R$5,0814. Na semana, a moeda norte-americana acumulou queda de 0,58% e, no ano, baixa de 7,43%. Às 17h04, o dólar futuro para agosto -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- cedia 0,01% na B3, aos R$5,0905. O governo norte-americano decidiu impor a partir da sexta-feira tarifas de 10% a 12,5% sobre produtos de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil, por alegações de fiscalização frouxa do trabalho forçado. No caso do Brasil, o percentual será de 12,5%, juntando-se a outra tarifa aplicada pelos EUA, de 25%, que passou a incidir sobre um conjunto de produtos brasileiros em 22 de julho em função de práticas comerciais supostamente desleais do país. Os investidores também seguiam atentos ao Oriente Médio, onde o tráfego de petroleiros permanece prejudicado. Além de fechar o Estreito de Ormuz, o Irã transportou comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica, conselheiros militares e equipamentos para o Iêmen neste mês, informou a Reuters, buscando fortalecer a capacidade de seus aliados houthis de ameaçar a navegação no Mar Vermelho. Já os EUA atacaram com mísseis o Irã de norte a sul, depois que o presidente Donald Trump prometeu uma “punição militar severa” a Teerã e aos houthis. Na área diplomática, a Reuters informou que o Paquistão está explorando um caminho para a retomada das negociações paralisadas entre EUA e Irã sobre o fim da guerra, na sequência de uma iniciativa lançada pela China. A notícia favoreceu a queda do petróleo, com investidores realizando os lucros recentes. O petróleo Brent, que na véspera superou os US$100 o barril com o acirramento do conflito, passou por ajustes de baixa nesta sexta-feira, voltando a ser negociado na faixa dos US$96. Neste cenário nebuloso, com as tarifas e o Oriente Médio no radar, o dólar sustentou baixas leves ante o peso mexicano e o peso chileno, entre outras divisas de emergentes.

REUTERS

 

Ibovespa fechou em queda firme pressionado por blue chips

O Ibovespa encerrou a sexta-feira em queda de mais de 1%, pressionado pelas perdas em ações de peso do índice, como bancos e Petrobras, após uma sessão de forte recuo do petróleo no exterior.

 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 1,44%, a 174.185,17 pontos, de acordo com dados preliminares. Na mínima, chegou a 174.118,37 pontos. Na máxima do dia, atingiu a 176.719,62 pontos. Na semana, o índice acumulou alta de 0,27%. O volume financeiro no pregão somava R$14,98 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

 

Novas tarifas dos EUA alcançam 23,1% das exportações brasileiras, diz MDIC

As novas tarifas dos Estados Unidos atingirão 23,1% das exportações brasileiras para o país, segundo estimativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

 

Do total, 16,5% das exportações chegarão a uma sobretaxa de 37,5%, somando a aplicação da tarifa de 25%, anunciada na semana passada, à nova taxa de 12,5%, apresentada pelos norte-americanos nesta quinta-feira. Apenas 1,9% das exportações terão apenas a sobretaxa de 25%, enquanto 4,7% estarão sujeitas à tarifa de 12,5%.

REUTERS

 

Planejamento altera projeção para Selic média de 2026 de 14,16% para 13,96% 

Ministério manteve sua estimativa para a taxa de câmbio médio em R$ 5,16 e reduziu a projeção para o preço do barril de petróleo de US$ 91,25 para US$ 79,16

 

O Ministério do Orçamento e Planejamento atualizou na sexta-feira (24) as suas projeções para uma série de indicadores econômicos referentes a 2026. Os números fazem parte do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas relativo ao terceiro bimestre. A projeção para a Selic média de 2026 passou de 13,96% para 14,16%. A estimativa para a taxa de câmbio médio, por sua vez, continuou em R$ 5,16. Já a projeção para o preço do barril de petróleo variou de US$ 91,25 para US$ 79,16. Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a grade de parâmetros do relatório foi fechada antes do "solavanco" que o barril de petróleo teve no mercado internacional, devido ao recrudescimento do conflito no Oriente Médio. O brent voltou a ultrapassar US$ 100 nesta semana.

VALOR ECONÔMICO

 

Aumento do risco do crédito rural eleva spread bancário em 2026/27

Diferença entre taxas de captação e de empréstimo vai a 3,56%, e gasto do Tesouro com subsídio a juros, a R$ 18 bilhões. Aumento do risco do crédito rural eleva spread bancário em 2026/27

 

O spread bancário das 26 instituições financeiras que vão emprestar dinheiro das linhas equalizadas (com subsídio do Tesouro Nacional) de crédito rural do Plano Safra 2026/27 será de 3,56%, uma taxa superior à do ciclo 2025/26, que foi de 3,13%. As linhas subsidiadas da temporada atual somam R$ 141,9 bilhões. A equipe econômica do governo preferiu não forçar uma redução nos spreads porque bancos e cooperativas de crédito já estão mais avessos ao risco por causa do aumento da inadimplência e porque as perspectivas financeiras e climáticas são negativas para esta safra. A regra do leilão dos limites equalizáveis permitiu a manutenção dos tetos da safra 2025/26, e com isso não houve redução. Já a captação de dinheiro pelos bancos no mercado para irrigar as linhas de crédito deve ficar mais barata com a redução da Selic — a taxa básica de juros da economia estava em 15% ao ano em julho de 2025 e hoje é de 14,25%. O gasto do Tesouro com a subvenção de juros, que foi de R$ 13,5 bilhões em 2025/26, será de R$ 18,2 bilhões em 2026/27. A despesa cobre o spread, que é a diferença entre o custo de captação dos agentes financeiros, mais o Custo Administrativo e Tributário (CAT), e as taxas que bancos e cooperativas cobram do produtor rural — que caíram. Os spreads começaram a cair na safra 2020/21, quando estavam em 4,93%, em média, e chegaram a 3,03% em 2023/24. Em 2024/25, os spreads subiram para 3,18%, e depois tiveram um pequeno recuo em 2025/26, para 3,13%. Na safra 2026/27, o spread médio das linhas para médios e grandes produtores ficou em 3,08%; no ciclo passado, ele foi de 2,78%. Nas linhas para a agricultura familiar, o CAT será de 4,1%, um custo superior ao do ciclo passado, de 3,71%. “A elevação do spread se deve ao aumento do risco no agro. Os bancos não podem incluir isso no custo de capital, que é uma medida geral e objetiva, mas podem elevar o spread para compensar”, disse Rogério Boueri, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ele disse que o movimento deve aumentar marginalmente o gasto do Tesouro Nacional com equalização de juros. Na visão de Boueri, a equipe econômica percebeu que as instituições financeiras estavam com dificuldades para oferecer os recursos por causa do aumento do risco e, assim, optou por não forçar a queda do spread neste ano. Os índices continuaram nos intervalos mínimos e máximos da safra passada, na faixa entre 0,58% e 10,9%. O respiro veio da diminuição dos custos das fontes captadas pelas instituições financeiras para as linhas equalizadas: recursos próprios, poupança rural, Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) — esta, exclusiva do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A maior parte das linhas tem como base a Taxa Média da Selic (TMS) e vai de 87% a 100% do índice. As LCAs serão a principal fonte de recursos das linhas equalizadas, com R$ 73,3 bilhões. Os recursos serão ofertados em 14 instituições financeiras. Quinze agentes usarão R$ 33,6 bilhões de recursos próprios nas linhas com equalização, e apenas cinco (Banco do Brasil, Credicoamo, Cresol, Sicoob e Sicredi) vão oferecer R$ 31,7 bilhões da Poupança Rural. O BNDES usará ainda R$ 3,1 bilhões do FAT.

VALOR ECONÔMICO


Novas tensões no Oriente Médio dificultam exportações do agro

Exportadores de itens como carne de frango buscam rotas alternativas para levar seus produtos à região e devem passar a gastar mais com frete marítimo. Novas tensões no Oriente Médio dificultam exportações do agro

 

A nova escalada de conflitos no Oriente Médio, com ameaças ao fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz, que dá acesso ao Golfo Pérsico, e pelo Estreito de Bab el-Mandeb, que dá acesso ao Mar Vermelho via Oceano Índico, pode dificultar as exportações de produtos agropecuários ao Oriente Médio e elevar o custo logístico. O recente aumento das tensões já provocou a paralisação de um navio de soja que se aproximavam da região, e frigoríficos devem reforçar a aposta por rotas alternativas, como o Canal de Suez, apurou o Valor. Exportadores vinham recorrendo a caminhos alternativos ao Estreito de Ormuz, como o Estreito de Bab el-Mandeb, paralevar seus produtos à Arábia Saudita e a outros destinos da região. Desde março, após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, a navegação em Ormuz, entre Irã e Emirados Árabes, caiu expressivamente, e na última semana, o fluxo diminuiu ainda mais. Agora, os houthis — iemenitas aliados do Irã — ameaçam os navios que cruzam o Estreito de Bab el-Mandeb. Na semana passada, um navio com soja do Brasil que se encaminhava ao Oriente Médio teve que interromper a rota para esperar o desenrolar dos acontecimentos geopolíticos, relatou um trader ao Valor. Exportadoras de frango monitoram a situação no estreito de Bab el-Mandeb e em rotas marítimas da região para continuar abastecendo o Oriente Médio, diz o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin. A região é o principal destino do frango brasileiro. Uma opção seria aumentar o fluxo de desembarques por Omã, mais especificamente pelos portos de Salalah, no sul do país, e Sohar, no Norte, já próximo da costa dos Emirados Árabes, levando as cargas a partir desses portos por rodovias até o destino. Uma alternativa é o porto de Khorfakkan, nos Emirados, logo antes do Estreito de Ormuz. Para chegar à Arábia Saudita, as companhias podem intensificar o uso da rota do Mar Mediterrâneo, passando pelo Canal de Suez para chegar aos portos sauditas de Jeddah e King Abdullah, no Mar Vermelho. Empresas brasileiras que exportam à região passaram a usar mais essa rota desde o início do conflito, afirma Santin. A Aurora, terceira maior exportadora de carne de frango do Brasil, atrás de MBRF e JBS, vem usando portos na Arábia Saudita como alternativa ao de Jebel Ali, que era acessado por Ormuz antes do conflito. As cargas da empresa desembarcam no porto saudita de Jeddah, de onde seguem por estradas até os Emirados Árabes e outros países, segundo o diretor de logística da cooperativa, Ricardo Souza. Também recorrem ao porto de Khorfakkan, nos Emirados, e ao porto de Salalah, em Omã.

Ainda que não tenha detectado interrupção no fluxo por Bab al-Mandeb até agora, o executivo diz que um eventual bloqueio do estreito pode estressar mais as rotas locais. “Haveria uma demanda ainda maior pelos portos fora da Arábia Saudita, que já estão lotados. Isso geraria um caos. A única passagem [para os portos do Mar Vermelho] seria via Mediterrâneo, pelo Canal de Suez, mais longa, e seria necessário entender a possibilidade de rotação dos navios por lá”, afirmou Souza. “O impacto [da escalada do conflito] ainda não está sendo sentido porque já faz um tempo que as companhias estão tentando desviar dando a volta inteira na África, e já precificaram isso nos seus valores, mas [Bab el-Mandeb] ainda não está fechado”, disse Olivier Girard, da Macroinfra Consultores. “Se se concretizar, vai ter um impacto muito grande no comércio mundial.” Portos como os de Khorfakkan e Jeddah não estão preparados para atender toda a demanda para desembarque de contêineres, de acordo com o executivo da Aurora. Em Jeddah, há longas filas de caminhões para entrar no porto. Há ainda a dificuldade de encontrar caminhões, já que empresas passaram a usar mais rodovias para transportar os produtos, disse. Contêineres com frango brasileiro rumo ao Oriente Médio estão demorando mais que o dobro do tempo em relação à antes do conflito, em média 80 dias, segundo Souza. Há navios que vão até Khorfakkan, nos Emirados, não conseguem descarregar e voltam para o porto de Salalah, em Omã, disse ele. O custo logístico triplicou. As tensões da última semana já fizeram armadores criarem tarifas de emergência para cargas em trânsito, como foi o caso da Maersk e da CMA CGM. A Maersk até suspendeu o agendamento de navios a vários países do Oriente Médio, além de rotas terrestres. E os custos podem subir mais. Segundo Girard, da Macroinfra, a escalada das tensões pode elevar em 30% a 40% os custos do frete marítimo nas principais rotas entre Europa e Ásia, e um acréscimo de 19 dias na rota. O custo do transporte de cargas à Arábia Saudita pode subir 10% a 20%, disse. Leandro Gilio, professor do Insper, vê três fatores que encarecem a logística: troca de rotas, insegurança, que aumenta o custo do seguro, e a alta dos combustíveis. No caso dos embarques de carne resfriada e congelada, o custo é ainda maior do que o dos grãos. “E pior: é um tipo de produto que não pode sofrer grandes atrasos. Qualquer problema logístico pode até prejudicar a qualidade do produto”, diz.

A elevação no custo do frete é absorvida, geralmente, pelo importador. Mas Gilio observou que, na maioria, trata-se de produtos com baixo valor por tonelada. “Qualquer aumento desse custo acaba afetando a margem e a própria demanda desses produtos.” O cenário afeta outras cadeias. O algodão, que ia para a Turquia via Mediterrâneo e depois seguia pelo Mar Vermelho até Paquistão e Bangladesh, terá de achar outra rota. O caminho, diz Girard, deverá será pelo sul da África.

VALOR ECONÔMICO

 

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