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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 240 DE 24 DE OUTUBRO DE 2022


Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 2 | nº 240 |24 de outubro de 2022



NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL


BOVINOS


Semana terminou com baixa nos preços do boi gordo

Pessimismo em relação aos negócios com a China coloca os frigoríficos em compasso de espera, afetando negativamente as cotações da arroba em todo o País


Segundo a IHS, o setor vem sendo impactado por novos rumores relacionados à retração das exportações brasileiras de carne bovina à China. Na sexta-feira, o mercado físico de boiada gorda voltou a registrar forte pressão baixista por parte dos compradores. Recentemente, cresceram os relatos de unidades brasileiras de abate optando por paralisar suas as operações temporariamente, temendo impactos na dinâmica de escoamento da produção em função do menor apetite chinês. “Frigoríficos exportadores relataram que os compradores chineses estão barganhando valores menores no quilo da proteína bovina, ao mesmo tempo que limitam as aquisições de novos contratos”, informa a IHS. Neste contexto, o valor do boi-China cedeu em algumas praças brasileiras, contaminando as demais regiões pecuárias do País. “Como grande parte das indústrias frigoríficas exportadoras estão munidas de uma boa cobertura de oferta de animais oriundos de boiteis ou de parceria com grandes confinamentos (fechadas por meio de contratos de boi a termo), a estratégia é diminuir o ritmo das compras de boiada e focar em dar vasão aos estoques de carne”, relata a IHS. Unidades de abate temem um choque de demanda diante de uma saída repentina dos chineses das compras, já que o consumo doméstico ainda ensaia recuperação, acrescenta a consultoria. No interior paulista, houve comprador de gado sinalizando o preço de R$ 275/@ no boi-China, mas sem efetivação neste patamar. Segundo a Scot Consultoria, mesmo ainda pressionadas, as cotações para o boi, vaca e novilha gordos trabalharam estáveis na sexta-feira, no mercado paulista. Boi, vaca e novilha gordos foram cotados em R$ 280,00/@, R$ 265,00/@ e R$ 272,00/@, respectivamente, preços brutos e a prazo. Bovinos destinados à exportação foram cotados em R$ 285,00/@. No MT e RO, os preços também cederam pela saída de muitos compradores dos negócios. Nas demais praças, o dia foi de observar o “efeito-China” e não sinalizar valor, diz a IHS. Na B3, a pressão baixista também vem se agravando. Apesar das expectativas positivas em relação à melhora do consumo interno, o setor passa a adotar maior cautela de olho na posição adotada pelos compradores chineses. Em relação ao mercado atacadista, os preços dos principais cortes bovinos se mantiveram inalterados nesta sexta-feira, apesar da lentidão de negócios. Cotações: PR-Maringá: boi a R$ 281/@ (à vista) vaca a R$ 261/@ (à vista); SP-Noroeste: boi a R$ 283/@ (prazo) vaca a R$ 263/@ (prazo); MS-C. Grande: boi a R$ 263/@ (prazo) vaca a R$ 251/@ (prazo); MS-Três Lagoas: boi a R$ 261/@ (prazo) vaca a R$ 243/@ (prazo); MT-Cáceres: boi a R$ 252/@ (prazo) vaca a R$ 238/@ (prazo); MT-B. Garças: boi a R$ 251/@ (prazo) vaca a R$ 242/@ (prazo); MT-Cuiabá: boi a R$ 256/@ (à vista) vaca a R$ 240/@ (à vista); MT-Colíder: boi a R$ 254/@ (à vista) vaca a R$ 245/@ (à vista); GO-Goiânia: boi a R$ 262/@ (prazo) vaca R$ 248/@ (prazo); RS-Fronteira: boi a R$ 285/@ (à vista) vaca a R$ 255/@ (à vista); PA-Marabá: boi a R$ 256/@ (prazo) vaca a R$ 251/@ (prazo); PA-Paragominas: boi a R$ 266/@ (prazo) vaca a R$ 2561/@ (prazo); TO-Araguaína: boi a R$ 263/@ (prazo) vaca a R$ 256/@ (prazo); TO-Gurupi: boi a R$ 261/@ (à vista) vaca a R$ 251/@ (à vista); RO-Cacoal: boi a R$ 247/@ (à vista) vaca a R$ 238/@ (à vista); MA-Açailândia: boi a R$ 259/@ (à vista) vaca a R$ 241/@ (à vista).

PORTAL DBO


SUÍNOS


Suínos: cotações estáveis. Vivo se destaca no PR e sobe 1,17%

Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF ficou estável em R$ 141,00/R$ 145,00, assim como a carcaça especial, valendo R$ 10,40/R$ 10,70 o quilo


Na cotação do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quinta-feira (20), houve alta somente no Paraná, na ordem de 1,17%, chegando a R$ 6,94/kg. Ficaram estáveis os preços em Minas Gerais (R$ 7,55/kg), Rio Grande do Sul (R$ 6,66/kg), Santa Catarina (R$ 6,57/kg), e São Paulo (R$ 7,52/kg).

Cepea/Esalq


FRANGOS


Preços do frango registram recuos

Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave na granja ficou estável em R$ 5,50/kg, enquanto o frango no atacado cedeu 1,33%, valendo em R$ 7,40/kg


Na cotação do animal vivo, São Paulo ficou sem referência de preço. Em Santa Catarina, o preço ficou inalterado, valendo R$ 4,20/kg, enquanto no Paraná foi observada queda de 0,76%, atingindo R$ 5,19/kg. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quinta-feira (20), a ave congelada sofreu perda de 0,37% no preço, descendo para R$ 8,04/kg, enquanto o frango resfriado recuou 0,62%, fechando em R$ 8,03/kg.

Cepea/Esalq


Frango/Cepea: Poder de compra do avicultor tem novo recuo

De setembro para a parcial de outubro, os preços do frango vivo têm registrado queda


Segundo pesquisadores do Cepea, a pressão vem do aumento da oferta de animais. Por outro lado, os valores dos principais insumos da cadeia avícola, o milho e o farelo de soja, apresentam estabilidade e avanços, respectivamente. Nesse contexto, o poder de compra do avicultor frente a esses insumos vem recuando em outubro – trata-se do segundo mês seguido de piora na relação de troca ao avicultor.

Cepea


CARNES


Setores avícola e suinícola projetam quase US$ 900 mi após Sial Paris

Após cinco dias de agendas lotadas com encontros de negócios, degustações, promoção de imagem setorial e prospecções de novas exportações, a ação organizada pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil) na Sial Paris, terminou positiva em negócios fechados e projetados, informou a ABPA na sexta-feira (21)


Encerrada na quarta-feira (19), a ação setorial realizada durante uma das maiores feiras de alimentos do mundo gerou centenas de milhões de dólares em negócios para o setor e o país, a partir das ações estratégicas respaldadas pelas marcas internacionais Brazilian Chicken, Brazilian Pork, Brazilian Egg, Brazilian Breeders e Brazilian Duck. Apenas durante os dias do evento, as 23 agroindústrias integradas ao espaço exclusivo da ABPA&ApexBrasil na Sial fecharam US$ 182 milhões em negócios, segundo levantamentos feitos junto aos exportadores. Os negócios projetados para os próximos 12 meses são ainda mais expressivos, devendo alcançar US$ 833 milhões, de acordo com as empresas participantes. Mais de 3,5 mil importadores e potenciais clientes visitaram o espaço nos cinco dias de evento, 37% deles são novos contatos. Os associados da ABPA estiveram em peso na Sial Paris. Ao todo, 23 agroindústrias confirmaram participação no espaço da ABPA: Bello Alimentos, C Vale, Copacol, GTFoods, SSA, Zanchetta, Somave, Avenorte, Jaguafrangos, Avivar, Vibra, Villa Germânia, Vossko, Lar, Coasul, Rivelli Alimentos, Netto Alimentos, Dália Alimentos, Alibem, Ecofrigo Bugio, Frimesa, Pif Paf e Saudali. Fora da área da entidade, outras associadas marcaram presença. Foi o caso da Aurora Coop, da BRF, da Frigoestrela, da Pamplona Alimentos e da Seara Alimentos, que participaram com áreas próprias ou por meio de parcerias.

ABPA


INTERNACIONAL


Argentina: consumo de carne é o menor da história

Informe recente da Bolsa de Comércio de Rosário (BCR) apontou que o consumo de carne bovina foi de 47,8 quilos por habitante na Argentina em 2021, o menor desde 1920. No ano 2000, a média havia sido de 64,9 quilos de carne bovina consumidos por cada argentino


Naquele ano, a carne de boi representava 65% da carne consumida no país; em 2021, ficou em 44%. Com a inflação engolindo a renda e dificultando a compra do produto, a população do país vizinho tem que recorrer a outros tipos de carne: o consumo de carne de frango passou de 27% para 41% entre 2000 e 2021, e o de carne suína, de 8% para 15%. “Por muito tempo, a demanda por carne bovina na Argentina caracterizou-se por ter uma baixa elasticidade em relação à renda. Em outras palavras, a população não mudava muito seu consumo de carne quando sua renda diminuía. Assim, ao contrário de outros consumos alimentares, como o de produtos lácteos, o de carne bovina era independentemente do nível dos salários médios”, apontou o relatório da BCR. Entretanto, na última década, essa relação se estreitou. “O consumo de carne caiu à medida que caía o poder de compra real da média salarial do país. De fato, se a correlação entre essas duas variáveis for medida retroativamente, 77% da variação do consumo de carne bovina desde 2010 é explicada por variações nos salários reais”, destacou a análise. Um estudo do Centro de Economia Política Argentina (Cepa) destacou que a diminuição do consumo de carne bovina, devido à substituição por outros tipos de carne, é um dos motivos para que de um ano para cá a inflação do produto tenha ficado abaixo da inflação geral no país, que foi de 83% em setembro no acumulado em 12 meses. Mas, embora a variação da carne bovina tenha sido menor, ainda ficou num patamar bem elevado: 67,6% em 12 meses.

PECUARIA.COM.BR


EMPRESAS


RPF Group alega dívida de R$ 539 mi e pede recuperação judiciaL EM LONDRINA

Empresa diz que prejuízo é resultado da crise no segmento da suinocultura e da guerra na Ucrânia; produtor cobra R$ 3 milhões na Justiça


Empresa com forte influência econômica na região de Londrina – e que atua no segmento agroindustrial -, a RPF Group entrou na semana passada com um pedido de recuperação judicial. Na quinta-feira (20), a 10ª Vara Cível de Londrina determinou a análise da documentação para se averiguar a real situação da empresa. O grupo alega que acumula um endividamento de R$ 539 milhões, fora as dívidas que estão sub judice. A empresa mantém uma planta industrial em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) e tem um escritório sede na zona sul de Londrina, além de unidades em outras cidades paranaenses. Na petição protocolada no poder judiciário, e que a reportagem teve acesso, a empresa justifica os problemas financeiros pela crise no segmento da suinocultura, o que gerou aumento no custo dos insumos, a pandemia da Covid-19 e mais recentemente a guerra na Ucrânia, que reduziu as importações de carne suína pelos países e ainda majorou os preços dos produtos usados na produção agrícola. “A margem bruta da operação foi de 16,46% em 2020 (antes da pandemia), caiu para 5,08% em 2021 e veio decaindo mês a mês em 2022”, argumentou. O grupo, que tem mais de 20 anos de existência levando em conta o atual quadro de sócios, ainda afirmou que as operações se tornaram negativas nos últimos quatro meses. Somente em dívidas junto às instituições financeiras são R$ 201 milhões com apenas uma empresa do grupo. São mais de 700 credores que não estaria conseguindo negociar de forma extrajudicial. O desequilíbrio financeiro da empresa acontece pouco mais de um ano após ampliar os negócios e reposicionar a marca, mudando de Frigorifico Rainha da Paz para RPF Group, período em que, inclusive, passou ser um dos principais patrocinadores do LEC (Londrina Esporte Clube). A empresa conta com rede de negócios “Foods”, que engloba a proteína suína e derivados; “Solutions”, que inclui a produção de insumos de nutrição animal e graxaria; e Agro, com o fornecimento de insumos, vacinas, medicamentos e animais. Recentemente, a organização contratou uma consultoria para orientá-la em uma reestruturação financeira. A RPF Group afirma à Justiça que caso a recuperação não seja aceita, corre o risco de falir, o que geraria a demissão de mais de 1.300 trabalhadores e os credores ficariam sem nenhuma possibilidade de receber. “A RPF Group possui plena capacidade de superação e recuperação financeira, dada sua solidez e relevância no mercado nacional”, defendeu no documento. O prazo para apresentar um plano de recuperação judicial é de sessenta dias, a partir da decisão - caso ocorra – de determinar o processamento do pedido. A empresa informou que não irá se manifestar.

FOLHA DE LONDRINA


O que a Minerva viu na Austrália para dobrar a aposta

Negócio de cordeiro gera margens mais altas e há demanda crescente no Oriente Médio, diz o CEO Fernando Galletti de Queiroz


Por muitos anos, a brasileira Minerva Foods defendeu a estratégia de concentrar a operação industrial na América do Sul, região do mundo mais competitiva para a produção de carne bovina, o que a distinguia das concorrentes JBS e Marfrig — ambas fizeram incursões bilionárias nos Estados Unidos e Europa. De 2021 para cá, no entanto, o approach mudou. A América do Sul continua sendo a plataforma prioritária para a produção de carne bovina — a Minerva é a maior exportadora da região —, mas o negócio dos Vilela de Queiroz está cada vez mais interessado em investir do outro lado do mundo. Depois de estrear na Austrália no ano passado, com a aquisição de dois abatedouros de cordeiro no oeste do país, a Minerva deu a sua maior tacada no país dos cangurus. Por R$ 1,3 bilhão, comprou a Australian Lamb Company (ALB), a maior indústria de cordeiros do país. O que explica o interesse pela Austrália? Com a aquisição, a Minerva se tornou a maior frigorífico de cordeiros da Austrália — o país da Oceania é também o maior player global nessa proteína —, agregando 15% de market share (capacidade de abate de 4,8 milhões de cabeças ao ano) e receita anualizada de R$ 3 bilhões. O negócio foi feito em sociedade com os sauditas da Salic — os brasileiros detêm 65% de uma joint venture criada no ano passado para investir na Austrália —, o que por si só é um indicativo do interesse estratégico do Oriente Médio na importação de carne de cordeiro. De acordo com Galletti de Queiroz, a pandemia mudou a dinâmica no comércio de cordeiro. Por razões sanitárias, o Oriente Médio passou a importar mais carne ao nvés de comprar os animais vivos como costumava fazer. A própria Salic, aliás, cria cordeiros na Austrália. A experiência da Minerva na trading de proteínas também despertou o interesse do grupo para entrar na produção. "Por ser de nicho, é um negócio de boas margens", acrescentou Edison Ticle, o diretor financeiro e de relações com investidores da companhia. Atualmente, ALB opera com uma margem Ebitda próxima de 13%, enquanto a Minerva fez perto de 9% no primeiro semestre. A transação também saiu a um múltiplo (EV/Ebitda) próximo aos da Minerva, de 4,8 vezes, o que deve ajudar a criar valor com o M&A, acrescentou Ticle. No sell side, os primeiros relatórios avaliaram o negócio de forma positiva. Thiago Duarte e Henrique Bustolin, do BTG Pactual, escreveram que a aquisição terá um impacto pequeno sobre o endividamento da companhia. "Mesmo sem considerar o Ebitda da ALC, o índice de alavancagem do Minerva deve aumentar apenas 0,3 e fechar o ano em um nível confortável de 2,3 vezes (ou 2,2 vezes ao incorporar os números da ALC, o que ainda permitiria um payout alto de 50%". disseram os analistas. Em bolsa, a companhia dos Vilela de Queiroz está avaliada em R$ 8,6 bilhões.

VALOR ECONÔMICO


NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ


Exportações do Paraná caem 21% em setembro

O Paraná fechou o mês de setembro com redução nas exportações, com o total de US$ 1,8 bilhão vendido para fora do país. Porém, o estado segue em alta no acumulado dos nove primeiros meses de 2022


A queda no mês passado foi de 21% em relação a agosto. Porém, setembro teve alta de 7,8% em comparação com o mesmo mês do ano passado. Já as importações aumentaram 4% em setembro em comparação a agosto, com US$ 2,2 bilhões movimentados. No comparativo com setembro de 2021, o Paraná aumentou 51% as aquisições de outros países. No acumulado dos nove primeiros meses, o Paraná soma US$ 17 bilhões em importações, alta de 38% em relação ao mesmo período de 2021. Com isso, o saldo da balança comercial estadual ficou negativa em US$ 349,2 milhões mês passado. O economista Evânio Felippe, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), enfatiza, que mesmo com a queda nas exportações em setembro, os valores dos produtos paranaenses vendidos lá fora seguem crescendo. “Esse resultado é reflexo da inflação dos preços no mercado internacional. 2022 é um ano atípico porque o preço das commodities no exterior subiram demais. Já vinham em valorização no período pandêmico e o conflito entre Rússia e Ucrânia acentuou este cenário”, completa. Se por um lado valoriza o preço dos produtos exportados, esse cenário econômico também encarece insumos e matérias-primas trazidas de fora. "Isso pressiona ainda mais os custos de produção aqui", complementa o economista.

GAZETA DO POVO


Exportação de granéis pelo Porto de Paranaguá deve crescer 53,7% no último trimestre

As exportações de granéis pelo Porto de Paranaguá devem crescer 53,7% neste último trimestre do ano em comparação com o mesmo período do ano passado


Os embarques de soja (em grão e em farelo), milho e açúcar devem totalizar 6.602.000 de toneladas de outubro até dezembro. Em 2021, no mesmo período, foram 4.294.259 toneladas. A informação é da Portos do Paraná, empresa que administra o Porto de Paranaguá. “A diferença está, principalmente, nos volumes esperados para os embarques de milho”, comenta o Diretor de Operações da Portos do Paraná, Luiz Teixeira da Silva Júnior. Segundo ele, o produto tem chegado em grandes volumes e a tendência é que assim siga até o final do ano. O analista da Safras & Mercado, Paulo Molinari, explica que está havendo uma grande demanda pelo milho produzido no Paraná pelos países europeus que perderam boa parte de suas safras por conta de problemas climáticos. “Praticamente toda a Europa teve quebra de safra”, diz ele. Segundo o analista, a exportação maior de milho pelo Estado parece ser uma retomada do fluxo normal de escoamento. “Estamos embarcando mais milho este ano em comparação com 2021 pelo fato de no ano passado ter ocorrido uma forte quebra da safrinha aqui no Paraná, o que reduziu os volumes de exportação na época”, comenta. De acordo com Molinari, neste ano o Estado tem milho suficiente para atender a demanda interna até janeiro e também exportar. O milho exportado pelo Porto de Paranaguá tem como principais destinos Irã, Egito e Japão. O farelo de soja vai, principalmente, para Holanda, Alemanha e Coreia do Sul. Os principais países de destino da soja são China, Coreia do Sul e Irã. E do açúcar, Canadá, Argélia e Irã. De acordo com informações do porto, devem ser embarcadas neste último trimestre do ano 2.609.000 toneladas de milho, 1.865.000 toneladas de farelo de soja, 1.128.000 toneladas de soja em grão e mais 1 milhão de toneladas de açúcar a granel. Para comparação, de outubro a dezembro do ano passado, foram carregadas 124.604 toneladas de milho; 1.018.014 toneladas de farelo de soja; 1.412.521 toneladas de soja em grão; e 1.153.948 toneladas de açúcar a granel.

GAZETA DO POVO


Excesso de chuva ameaça lavoura de trigo do Paraná

Colheita de trigo está atrasada no Paraná pelo excesso de chuva


As chuvas intermitentes que têm atingido o Paraná estão prejudicando a agricultura, em especial a lavoura de trigo. O produto está em fase de colheita e cerca de 12% das lavouras estão em condições ruins, de acordo com o último boletim de safra, divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura, na quinta-feira (20). O boletim anterior, do dia 13, mostrava que 7% das lavouras estavam afetadas. Com o mau tempo, o produto não pode ser colhido. Para garantir qualidade, o ideal é que o trigo seja colhido seco. Além disso, o excesso de umidade no solo impede a entrada das colheitadeiras nas áreas de lavouras. Até agora, apenas 54% da área plantada foram colhidos. No ano passado, nessa mesma época do ano, a colheita já avançava para 78%. “Nos próximos cinco dias deve haver uma recuperação dessa defasagem, já que há previsão de tempo seco e os produtores devem aproveitar para agilizar a colheita”, informa o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Godinho. Segundo ele, o excesso de umidade pode resultar em perda de produção e de qualidade do trigo. “Podemos ter uma safra mais restrita em produtos que atendam as finalidades mais nobres da indústria de panificação e de massas”, observa. Essa situação pode impactar financeiramente os produtores, já que a remuneração pelo produto de qualidade inferior é menor. O Paraná tem 1,18 milhão de hectares plantados com trigo e a previsão é colher 3,8 milhões de toneladas nesta safra. O estado é o segundo maior produtor nacional, ficando atrás do Rio Grande do Sul. São basicamente os dois estados que produzem todo o trigo nacional. Apesar de ser o segundo em produção, o Paraná é o líder em parque moageiro, concentrando a maior parte das indústrias do setor de todo o país. Por isso, o trigo produzido aqui é, em grande parte, usado pelas próprias indústrias paranaenses. O trigo do Paraná também abastece as indústrias do estado de São Paulo.

GAZETA DO POVO


ECONOMIA/INDICADORES


Dólar vai abaixo de R$ 5,15 com expectativa de Fed mais brando

O dólar fechou em queda de mais de 1% na sexta-feira, abaixo de 5,15 reais, abatido por movimento global de procura por risco em meio a esperanças de desaceleração do ritmo de aperto monetário do banco central dos Estados Unidos


A moeda norte-americana à vista fechou em baixa de 1,29%, a 5,1496 reais na venda, maior depreciação diária desde o tombo de 4,025% registrado no último dia 3 e menor patamar para encerramento desde 22 de setembro (5,1157 reais). Na semana, o dólar acumulou queda de 3,27%. Na B3, onde os negócios vão além das 17h (horário de Brasília) o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 1,33%, a 5,1550 reais. Oferecendo apoio adicional à moeda brasileira nesta sessão, o dólar registrava amplas perdas no exterior, com seu índice frente a uma cesta de pares fortes caindo quase 1% nesta tarde, em linha com queda nos rendimentos dos títulos soberanos dos Estados Unidos e disparada dos principais índices de Wall Street. Investidores encontraram algum conforto em reportagem do Wall Street Journal de que o banco central dos EUA começará a debater planos de desacelerar seu ritmo de aperto monetário em dezembro, depois de um provável quarto aumento consecutivo de 0,75 ponto percentual nos juros em seu encontro de novembro. Corroborou essa expectativa a fala da presidente do Federal Reserve de San Francisco, Mary Daly, que disse nesta sexta-feira que é hora de o BC norte-americano começar a falar em diminuir o ritmo das altas nos custos dos empréstimos. O Bank of America disse em relatório de sexta-feira que, se há um lado positivo para os mercados de câmbio de países emergentes em meio a um cenário externo ainda adverso, diante de temores de aperto monetário e recessão, "seria a sensação de que as autoridades de mercados emergentes estão fazendo um trabalho melhor ao coordenar suas políticas fiscais e monetárias", notando a rapidez dos BCs emergentes em aumentar os juros. O dólar cai 7,6% frente ao real até agora em 2022, com a divisa brasileira.

REUTERS


Ibovespa sobe e tem melhor semana desde novembro de 2020 com exterior

O Ibovespa fechou em alta na sexta-feira, renovando máximas desde abril e flertando com os 120 mil pontos, endossado por Wall Street, com Petrobras renovando máximas na esteira do avanço do petróleo


O último pregão da semana também teve uma bateria de notícias corporativas para agentes financeiros repercutirem, entre elas o resultado de Assaí, que abriu a temporada de balanços do terceiro trimestre do Ibovespa. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 2,36%, a 119.933,49 pontos, de acordo com dados preliminares. Na máxima do dia, chegou a 120.751,55 pontos. O volume financeiro somava 34,8 bilhões de reais, em sessão ainda marcada pelo vencimento de contratos de opções sobre ações. Na semana, avançou 7,01%, melhor desempenho semanal desde novembro de 2020.

REUTERS


IFI reduz otimismo de superávit no ano com arrecadação menor

Nova estimativa aposta em saldo positivo de R$ 51 bilhões, e não mais de R$ 71 bilhões


A queda na estimativa para a arrecadação federal levou a Instituição Fiscal Independente (IFI) a revisar para baixo sua projeção de o superávit primário do governo central deste ano, a principal medida de fluxo das contas públicas. Segundo o Relatório de Acompanhamento Fiscal da IFI de outubro, o superávit primário do governo central deve acabar em R$ 50,9 bilhões em 2022. A projeção anterior era de superávit de R$ 71,2 bilhões. Já a receita líquida do governo central (que inclui Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência), no cenário apresentado ontem, alcançaria R$ 1,863 trilhão no fim do ano. Isso representa R$ 30 bilhões a menos do que era calculado anteriormente. “As receitas primárias seguem com forte crescimento, mas os dados na margem [na comparação com setembro do ano passado] indicam leve queda do subgrupo das receitas administradas [pela Receita Federal], o que pode representar uma reversão na tendência recente”, disse a IFI ao Valor Fiscal, órgão de monitoramento da política fiscal ligado ao Senado. Apesar da revisão para baixo, a estimativa da instituição para o resultado primário ainda é melhor do que a projeção do governo federal. O Ministério da Economia prevê superávit de R$ 13,5 bilhões. Mas o secretário do Tesouro Nacional, Paulo Valle, afirmou no fim do mês passado que o resultado deve ficar pouco acima dos R$ 40 bilhões. A última vez em que o governo central registrou superávit foi em 2013. No acumulado de 12 meses até agosto, o indicador estava positivo em R$ 74,1 bilhões. Já para setembro a projeção da IFI, baseada em números do portal Siga Brasil, é que o governo central terá resultado primário positivo de R$ 11,3 bilhões. Caso o número se confirme, o superávit acumulado nos nove primeiros meses do ano alcançará R$ 33,5 bilhões. Mesmo com a estimativa menor para o resultado primário anual, a IFI revisou também para baixo a projeção para a dívida bruta do governo geral (DBGG) no fim deste ano. Considerada por diversos economistas a principal medida de estoque do endividamento público, a DBGG deve acabar 2022 em 77,3% do Produto Interno Bruto, contra 78,1% projetados anteriormente. Para 2023, por sua vez, a IFI apresentou dois cenários para o indicador. No cenário base, a DBGG encerraria o ano que vem em 79,2% do PIB. No alternativo, terminaria em 80,7%. O cenário-base leva em conta, por exemplo, um déficit primário do governo central menor para 2023, de R$ 4,5 bilhões. Já o cenário alternativo calcula, entre outras diferenças, déficit primário de R$ 103 bilhões. Esse déficit maior seria consequência da prorrogação para 2023 da “desoneração de impostos federais sobre combustíveis” e da manutenção do Auxílio Brasil em R$ 600. A IFI ainda afirmou que a “desaceleração da atividade” e a própria continuidade do benefício em R$ 600 “representam riscos para as contas no próximo ano”.

VALOR ECONÔMICO


Indústria do Brasil encolhe produção e fica na contramão do mundo no primeiro semestre de 2022

Parque brasileiro registrou queda de 2% no período, enquanto as plantas industriais do planeta avançavam 0,1%; resultado deixou o país na 100ª posição de ranking da ONU com 113 postos


No primeiro semestre deste ano, enquanto a indústria de transformação mundial crescia 0,1%, o desempenho do parque fabril brasileiro teve uma perda de 2% sobre o mesmo período de 2021. Os dados são de levantamento feito pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) que se baseia em informações da UNIDO, a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial. Na comparação do primeiro semestre de 2022 com o primeiro semestre de 2021, o desempenho da indústria de transformação brasileira foi pior que o da Argentina (5,9%) e Rússia (0,5%). Os líderes do ranking de produção foram Filipinas (33,7%), Trinidad e Tobago (25%), Quirguistão (24%), Arábia Saudita (21,3%) e Mauritânia (20,4%). Na direção oposta, o Brasil só se saiu melhor que o Japão (-2,1%), Luxemburgo (-2,1%), Camarões (-2,3%), Sri Lanka (-2,9%), Malta (-3,2%), Mongólia (-4,2%), Brunei (-5,1%), Macau (-5,3%), Nova Zelândia (-5,7%), Bielorrússia (-6,1%), Argélia (-6,4%), Geórgia (-10%) e Irlanda (-10,1%). Em um momento em que os impactos negativos da pandemia de covid-19 parecem estar se dissipando globalmente, o Brasil enfrenta perda de competitividade internacional. O processo é derivado de entraves estruturais, falta de modernização tecnológica e encarecimento de custos de produção, por exemplo. Além disso, a demanda doméstica tem sido prejudicada pela inflação resistente, pela desvalorização do real e pela migração de recursos do consumo de bens industriais para os serviços, segundo o autor do estudo, Rafael Cagnin, economista-chefe do Iedi. “Tem perspectiva de melhora”, afirmou Cagnin. “As sinalizações que a gente tem da produção industrial é que não está deslanchando o processo de crescimento, mas, aparentemente, a fase de quedas sucessivas ficou para trás.” Por outro lado, as taxas de juros elevadas, os sinais de desaceleração da economia global e os desafios fiscais do País ainda impedem uma projeção muito otimista para 2023. A indústria de transformação mundial registrou desaceleração no ritmo de crescimento. Passou de uma alta de 3,7% no primeiro trimestre de 2022 para uma elevação de 3,1% no segundo trimestre, ambos em comparação ao mesmo período do ano anterior. O parque brasileiro melhorou seu desempenho e saiu de uma queda de 4,5% no primeiro trimestre para um avanço de 0,6% no segundo trimestre. “Não se verificou perda de ritmo, mas os dados da UNIDO deixam claro que, mesmo assim, estamos muito aquém do desempenho industrial mundial”, frisou o estudo do Iedi. O instituto lembra que, a despeito da melhora, a alta brasileira no segundo trimestre é quase um quinto do crescimento obtido pelo setor industrial na média global. “Nossa defasagem só aumenta quando comparamos com o desempenho industrial de países mais parecidos com o Brasil. Os países industrializados de renda média, grupo ao qual pertencemos, registraram expansão de 4% em sua produção industrial no segundo trimestre de 2022, ou seja, quase sete vezes maior que o resultado brasileiro”, apontou o Iedi. No agregado da América Latina, a indústria cresceu 4,9% no segundo trimestre. Na média dos países industrializados de alta renda o aumento foi de 2,4%, enquanto a indústria da China avançou 2,3%.

O ESTADO DE SÃO PAULO


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