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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 161 DE 01 DE JULHO DE 2022


Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 2 | nº 161 |01 de julho de 2022


NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL


BOVINOS


Boi-China sobe R$ 25/@ em 30 dias

Segundo analistas da IHS Markit, a recuperação nos preços do boi-China é motivada pelo forte crescimento da demanda por parte do país asiático, depois dos transtornos registrados em meses anteriores


A desvalorização do dólar frente ao real é outro atrativo para os exportadores brasileiros de carne bovina, já que o produto brasileiro fica ainda mais competitivo no mercado internacional, impulsionado as compras não só da China, mas também de outros importantes clientes da proteína nacional. “Com o câmbio favorável, os embarques brasileiros de carne bovina podem alcançar em torno de 160 mil toneladas em junho, fator este que deve ser replicado e superado ao longo do segundo semestre deste ano”, prevê a IHS. A retomada das atividades portuárias e a reabertura da economia chinesa após o longo período de severos lockdowns devem favorecer a entrada da carne brasileiro no gigante asiático, gerando dados positivos tanto para volumes quanto para faturamento do setor, acrescenta a consultoria. Na maior parte do País, a IHS Markit observou que não há avanços na intenção de confinamento para o segundo giro, mesmo com custos apresentando estabilidade e a relação de troca de boi gordo/bezerro em melhores patamares. “Produtores que apontaram a intenção em efetuar o segundo giro de confinamento adentram em um cenário de risco alto, porém com retornos mais significativos, haja visto que há prêmios remuneradores entre R$ 5 a R$ 20 sobre os referenciais futuros de agosto, setembro e outubro”, observa a IHS. No mês de julho, os preços do boi gordo tendem a ganhar força, refletindo a escassez ainda maior de animais gordos, prontos para abate. Assim, pode-se esperar novas altas na arroba em muitas das praças pecuárias brasileiras, porém, ainda sem fôlego para superar as máximas observadas neste ano de 2022. Nos últimos 30 dias, o preço do boi-China (abatido mais jovem, geralmente com idade abaixo de 30 meses, com até quatro dentes) subiu R$ 25/@ no mercado de São Paulo, saltando de R$ 305/@, em 30 de maio, para R$ 330/@, na quinta-feira, 30 de junho, segundo a Scot Consultoria, de Bebedouro, que acompanha diariamente o mercado pecuário. Na quinta-feira, o animal com padrão para clientes do mercado chinês avançou R$ 5/@ nas praças paulistas, chegando aos 330/@. O macho gordo e a vaca gorda destinados ao consumo doméstico (abatidos em São Paulo) registraram estabilidade na quinta, fechando o dia valendo os mesmos R$ 317/@ e R$ 287/@, respectivamente, da quarta-feira (29/6). A cotação da arroba do boi gordo que atende ao mercado interno subiu R$ 17,50/@ no acumulado de junho (para os R$ 317/@, referência que não era observada desde meados de abril/22). A novilha gorda, porém, sofreu reajuste diário de R$ 2/@ neste último dia do mês, subindo para R$ 304/@ (no prazo, valor bruto) em São Paulo, informa a Scot. Cotações: PR-Maringá: boi a R$ 310/@ (à vista) vaca a R$ 280/@ (à vista); SP-Noroeste: boi a R$ 320/@ (prazo) vaca a R$ 276/@ (prazo); MS-C. Grande: boi a R$ 305/@ (prazo) vaca a R$ 280/@ (prazo); MS-Três Lagoas: boi a R$ 300/@ (prazo) vaca a R$ 280/@ (prazo); MT-Cáceres: boi a R$ 295/@ (prazo) vaca a R$ 276/@ (prazo); MT-B. Garças: boi a R$ 290/@ (prazo) vaca a R$ 275/@ (prazo); MT-Cuiabá: boi a R$ 290/@ (à vista) vaca a R$ 277/@ (à vista); MT-Colíder: boi a R$ 285/@ (à vista); vaca a R$ 270/@ (à vista); GO-Goiânia: boi a R$ 305/@ (prazo) vaca R$ 285/@ (prazo); RS-Fronteira: boi a R$ 330/@ (à vista) vaca a R$ 300/@ (à vista); PA-Marabá: boi a R$ 292/@ (prazo) vaca a R$ 282/@ (prazo); PA-Paragominas: boi a R$ 292/@ (prazo) vaca a R$ 280/@ (prazo); TO-Araguaína: boi a R$ 290/@ (prazo) vaca a R$ 280/@ (prazo); TO-Gurupi: boi a R$ 280/@ (à vista) vaca a R$ 270/@ (à vista); RO-Cacoal: boi a R$ 265/@ (à vista) vaca a R$ 250/@ (à vista); MA-Açailândia: boi a R$ 285/@ (à vista) vaca a R$ 270/@ (à vista).

PORTAL DBO


Carne bovina: valor de arroba do boi gordo deve estabilizar em MT

Para o 2o semestre de 2022, as expectativas são de preços mais estáveis para a arroba do boi gordo mato-grossense, segundo a B3. Após um cenário de intensa pressão na arroba devido à maior oferta de bovinos em maio, o movimento das cotações tende a se inverter nos próximos meses com o período de entressafra


De acordo com a B3, são esperadas leves valorizações nos preços até novembro, quando se prevê o pico de R$ 303,29/@. Esse cenário se deve ao período final da entressafra do boi, em que se tem menores ofertas dos animais terminados. Por outro lado, a partir de então o indicador tende a diminuir para R$ 303,11/@ em dezembro, movimento pautado no aumento da oferta, devido ao período das águas. Por fim, um ponto de atenção se dá pelo lado da demanda, uma vez que, além das festividades anuais de final de ano, as eleições e a copa do mundo tendem a influenciar para um incremento no consumo da proteína, fator que pode impulsionar o preço.

Agência Safras


SUÍNOS


Preços estáveis para o mercado de suínos

O mês de junho se encerrou marcado por preços médios do suíno vivo em movimento de alta frente aos de maio. Por outro lado, na comparação anual, a média de junho ainda está inferior à do mesmo mês de 2021, em termos nominais.


A reação mensal dos preços, que vem sendo observada em todas as praças acompanhadas pelo Cepea, é resultado da menor oferta de suínos, sobretudo de animais gordos, e do aquecimento da demanda por carne suína. Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF ficou estável em R$ 129,00/R$ 138,00, enquanto a carcaça especial cedeu 1,05%/1,01%, custando R$ 9,40 o quilo/R$ 9,80 o quilo. Na cotação do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quarta-feira (29), houve leve queda de 0,14% em São Paulo, chegando em R$ 7,17/kg, e aumento de 0,48% no Rio Grande do Sul, atingindo R$ 6,23/kg. Ficaram estáveis os preços em Minas Gerais (R$ 7,26/kg), Paraná (R$ 6,48/kg), e em Santa Catarina (R$ 6,32/kg). Na quinta-feira (30), o encerramento do mês de junho para a suinocultura independente também foi marcado por preços estáveis ou leves altas.

Cepea/Esalq


Suinocultura independente: movimento de alta perde força

No Paraná, entre os dias 23/06/2022 a 29/06/2022, o indicador do preço do quilo vivo do Laboratório de Pesquisas Econômicas em Suinocultura (Lapesui) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) teve alta de 0,29%, fechando a semana em R$ 6,69/kg


Em São Paulo, segundo informações da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), o preço se manteve estável no valor de R$ 7,47/kg do animal vivo, com acordo entre frigoríficos e produtores. O presidente da entidade, Valdomiro Ferreira, aponta que "houve pressão por parte do mercado atacadista em relação aos preços de carcaças". Após três semanas com preço estável em R$ 7,30/kg, na quinta-feira (30) não houve acordo entre suinocultores e frigoríficos, sendo que o valor sugerido pela Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg) foi de R$ 7,50/kg. Conforme a Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), o valor do animal vivo comercializado no mercado independente teve leve melhora, saindo de R$ 6,71/kg vivo para R$ 6,74/kg vivo.

AGROLINK


Suínos/Cepea: Média sobe no comparativo mensal, mas segue menor no anual

Os preços médios do suíno vivo em junho (até o dia 29) apresentam movimento de alta frente aos de maio. Por outro lado, na comparação anual, a média de junho ainda está inferior à do mesmo mês de 2021, em termos nominais


A reação mensal dos preços, que vem sendo observada em todas as praças acompanhadas pelo Cepea, é resultado da menor oferta de suínos, sobretudo de animais gordos, e do aquecimento da demanda por carne suína. Neste último caso, ressalta-se que, tipicamente, as temperaturas mais baixas em junho incentivam o consumo de produtos suinícolas. Além disso, eventos festivos também reforçam a demanda pela proteína. O atual preço médio do animal vivo negociado na região SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba) é de R$ 6,49/kg, aumento de 4,5% em relação ao de maio, mas 8,8% abaixo do patamar do mesmo período do ano passado. No mercado de carnes, as valorizações foram mais comedidas. O preço médio da carcaça especial suína negociada no atacado da Grande São Paulo teve alta de 1,2% de maio para junho, com o produto comercializado a R$ 9,35/kg neste mês.

Cepea


FRANGOS


Frango fecha a quinta-feira com mudanças no congelado ou resfriado

Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave no atacado ficou estável em R$ 7,40/kg, assim como o frango na granja, custando R$ 6,00/kg

Na cotação do animal vivo, São Paulo ficou sem referência de preço, em Santa Catarina, a ave não mudou de preço, valendo R$ 4,26/kg, assim como no Paraná, custando R$ 5,56/kg. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quarta-feira (29), houve alta de 2,46% para a ave resfriada, alcançando R$ 7,91/kg, e de 0,91% para a congelada, fechando em R$ 7,79/kg.

Cepea/Esalq


CARNES


Exportações das carnes se aproximam de US$ 10 bi

Dados compilados pelo Ministério da Agricultura junto à SECEX/ME apontam que entre janeiro e maio deste ano as exportações brasileiras das carnes bovina, de frango e suína geraram receita cambial próxima de US$9,9 bilhões.


Considerando também o que vem sendo exportado em junho corrente, o total anual já supera os US$10 bilhões e pode, mantida a média atual, chegar aos US$12 bilhões. Embora tenha aumentado quase 10% no ano passado, a receita cambial do primeiro semestre de 2021 não foi muito além dos US$9 bilhões. Neste ano, até maio, o aumento é superior a 36% e foi alcançado graças à expansão de 56% na receita da carne bovina e de quase 33,5% na receita da carne de frango. O incremento poderia ter sido ainda maior não fosse a queda de quase 17,5% na receita da carne suína. Essa redução decorre de um retrocesso – entre 8% e 9% – tanto no volume como no preço da carne suína. Mas, novamente, o resultado negativo foi contrabalançado pelos aumentos de cerca de 25%-26% no volume e no preço da carne bovina e, também, pelos aumentos de 7,5% e 24% no volume e preço da carne de frango. A partir dos dados divulgados, a quase totalidade da receita cambial gerada pelas três carnes provém de produto in natura, sem maior agregação de valor. No caso, o produto in natura representa em torno de 96% da receita da carne de frango, 94% da receita da carne suína e 91% da receita da carne bovina.

PECUARIA.COM


LEGISLAÇÃO


O que é a Lei do Autocontrole, que o governo propõe

Um projeto de modernização da lei de defesa agropecuária brasileira, construído em cooperação do governo com o setor privado, está prestes a ser aprovado pelo Congresso Nacional. E tem o potencial de incrementar a geração de empregos num segmento que já é responsável por 27,6% do PIB


Pelo PL 1.293/2021, de iniciativa do Executivo, já aprovado na Câmara e na Comissão de Agricultura do Senado, as agroindústrias deverão seguir um programa de autocontrole da qualidade de seus produtos de origem animal e vegetal, como já acontece em boa parte dos países que competem com o agronegócio brasileiro. A fiscalização, o poder de polícia administrativa, continuará sendo atribuição dos auditores fiscais federais agropecuários, que não necessariamente vão dar expediente diuturno nas fábricas, mas farão auditagem dos processos para verificar se todas as exigências estão sendo cumpridas. “Hoje somos uma trava para o emprego no Brasil. Há casos de frigoríficos que precisam criar um novo turno, mas como temos de estar dentro do processo, internamente, não temos gente suficiente para atender a demanda”, sublinha a ex-ministra da Agricultura e deputada federal Tereza Cristina (PP-MS). Se aprovada, a lei deve desencadear a criação de 20 mil empregos represados somente nas cadeias de carne suína e de aves, em que o Brasil é 4º e o 1º exportador mundial, respectivamente. “Hoje precisamos de abates extras., e às vezes não tem fiscal para o abate extra. É como o mundo está fazendo, por meio de um sistema Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC). É cuidar do que eu produzo e submeter à análise do serviço veterinário oficial”, destaca Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Na tentativa de acompanhar o ritmo acelerado de crescimento do agronegócio, à primeira vista uma solução simples poderia ser a criação contínua de novas vagas de fiscais agropecuários federais no serviço público, colocando um fiscal em cada linha de produção ou abate. Apesar de haver defasagem no número de fiscais – o secretário de Defesa Agropecuária José Guilherme Leal defende “reposição urgente”, visto que hoje são 2.400 e há vinte anos eram 4.040, – aumentar indefinidamente o número de agentes vai na contramão da gestão de defesa agropecuária adotada por nossos principais concorrentes internacionais. Nem é o recomendado pelo próprio Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou que o Ministério da Agricultura avaliasse “a conveniência de realização de inspeção federal periódica, sem exigir a presença permanente de fiscais federais agropecuários nos estabelecimentos (...) atribuindo a profissional contratado pelas empresas fiscalizadas a responsabilidade pela garantia da qualidade dos produtos de origem animal e do tratamento adequado dos animais, mas mantendo o controle ministerial por meio de auditorias e supervisões periódicas, baseadas em matriz de riscos higiênico-sanitários de acordo com padrões técnicos a serem definidos”. “É o TCU que está dizendo, e sabe por quê? Para proteger o dinheiro do consumidor, para que a gente tenha otimização dos recursos públicos dos nossos auditores. Para que ir todo dia numa planta que nunca tem erro? Vai cuidar de quem tem erro, e quem nunca tem erro você vai analisar uma vez a cada semana, uma vez a cada dez dias, e assim por diante”, sublinha Santin, da ABPA. Atualmente, segundo Santin, esse apoio ao serviço federal já existe e envolve 12 mil auxiliares técnicos de inspeção, pagos pelas empresas e que “estão lá, seguindo ordens do fiscal agropecuário”. O projeto cria, também, o Programa de Incentivo à Conformidade em Defesa Agropecuária, que vai exigir dos estabelecimentos o compartilhamento em tempo real de dados operacionais e de qualidade com a fiscalização agropecuária. Como contrapartida, as empresas que aderirem terão incentivos como uma maior agilidade nas operações de exportação e importação; prioridade na tramitação de processos administrativos; acesso automático às informações de tramitação de processos e dispensa de aprovação prévia de alguns procedimentos, como reforma e ampliação. "Produção de remédio não tem fiscal o dia inteiro em cada planta. E tem falta de segurança? Se eu tomar um remédio errado, posso morrer, não é? - Ricardo Santin, da ABPA. Após anos de debates entre representantes públicos e privados, a saída escolhida foi espelhar o sistema de defesa agropecuário de outros grandes players da produção agropecuária – países da Europa, EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Por lá, já não se pratica o modelo “cartorial” de inspeção, que coloca um fiscal em cada linha de abate. Em vez disso, adota-se a abordagem de análise e gerenciamento de riscos, em que o agente privado estabelece seus processos de garantia de qualidade, faz os registros e controles de todas as etapas, e o fiscal federal atua em cima desses dados, checando informações laboratoriais, realizando auditoria e visitas periódicas às plantas para atestar a conformidade. Para Santin, da ABPA, o sistema digital de fiscalização dificultará desvios, como os investigados na operação Carne Fraca. "Controla mais as fraudes, porque elas não acontecem sozinhas, acontecem na empresa e alguém que fechou o olho. Com o relatório, um hub laboratorial, algoritmo e fiscalização digital, a Inteligência Artificial vai apontar um desvio que está começando a aumentar. E dará o alerta: fiscal, vai lá fiscalizar essa planta". Reginaldo Minaré, diretor técnico adjunto da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), realça que a proposta não surgiu "de forma estranha ao corpo técnico do Ministério da Agricultura". "O próprio ministério amadureceu esse pensamento. É uma metodologia que certamente trará mais agilidade para o poder público, liberará mais servidores, mais fiscais para trabalhar com essas auditorias", pondera. Aprovado em caráter terminativo pela Comissão de Agricultura do Senado, o PL 1.293/2021 iria direto para sanção do presidente Jair Bolsonaro, mas um grupo de dez senadores de oposição apresentou requerimento para votação em plenário, que ainda não tem data marcada.

GAZETA DO POVO


NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ


Paraná reduz em 700 mil toneladas a produção de milho

De acordo com a Previsão Subjetiva de Safra, a produção de milho foi reajustada para 15,4 milhões de toneladas, 700 mil a menos que a estimativa de maio. Porém, ela será 170% superior ao colhido na safra anterior, muito afetada pelas condições climáticas adversas


O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, fechou junho com estimativa de redução na produção de milho da segunda safra 2021/22. A projeção agora é que serão produzidos pouco mais de 36,2 milhões de toneladas contra 36,8 milhões de toneladas previstas em maio. Ainda assim, se trata de uma safra recorde. A área de plantio é de quase 10,9 milhões de hectares. O chefe do Departamento de Economia Rural, Marcelo Garrido, destacou os bons crescimentos projetados para alguns produtos, em relação à safra anterior, particularmente as culturas de milho e de feijão. A Previsão Subjetiva de Safras (PSS), apresentada na quinta-feira (30) pelos técnicos do órgão, aponta que a produção de milho nesta segunda safra deve ficar em torno de 15,4 milhões de toneladas. É uma redução de 700 mil toneladas em relação à projeção inicial de 16,1 milhões de toneladas. “A estimativa desse ajuste na produção em relação a maio está também ligada a fatores climáticos pontuais e a doenças na lavoura, especialmente a cigarrinha”, afirmou o analista de milho no Deral, Edmar Gervásio. Segundo ele, foram plantados 2,7 milhões de hectares neste ciclo no Paraná, o que representa 8% a mais que na segunda safra anterior, e a colheita está apenas começando, com 6% de área efetivada. “De modo geral, é ótima safra, com recuperação de estoques, que estavam afetados pelos problemas dos ciclos anteriores, e um alento para regiões que consomem mais milho.” O feijão de segunda safra paranaense deve ter a colheita encerrada nos próximos dias. A tendência é que se confirme o aumento expressivo de 95% na produção, em comparação com a segunda safra do período 2020/21, chegando a 557 mil toneladas. A PSS de junho mantém a expectativa de que sejam plantados em torno de 1,17 milhão de hectares de trigo no Estado, com previsão de se colher 3,9 milhões de toneladas. Se for confirmada, a produção será 20% superior à da safra anterior, ainda que a área plantada seja 5% inferior. A colheita já teve início mais ao Sul do Estado, mas ainda representa menos de 0,1% da área total. “No geral, a safra ainda deve demorar a ganhar volume, pois não há áreas significativas em enchimento de grãos ou maturação”, disse o agrônomo Carlos Hugo Godinho, analista da cultura no Deral. Segundo ele, as lavouras mais adiantadas estão em floração, representando 7% do total. “Essas áreas ficam mais no Norte do Estado, onde não há previsão de geadas para os próximos dias”, ponderou.

AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS


Sistema Ocepar faz análise das medidas do plano safra 2022/23

A equipe da Gerência de Desenvolvimento Técnico da Ocepar (Getec) fez uma análise das medidas do Plano Safra 2022/23 anunciadas pelo governo federal na tarde da quarta-feira (29/06), em Brasília (DF). O documento traz uma síntese dos principais pontos e mostra os aspectos positivos, além dos itens que ainda podem ser aprimorados para melhor atendimento das necessidades dos produtores rurais e cooperativas


Para o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, “as medidas foram recebidas pelo setor como positivas, diante do momento em que vivenciamos. Realizamos um trabalho conjunto com o Sistema OCB para que as medidas atendessem a expectativa das cooperativas. Destaco o aumento de R$ 89,66 bilhões nos recursos em relação à safra anterior e a política de juros, especialmente para pequenos e médios produtores e a subvenção do prêmio para o seguro rural. Nossa atenção volta-se para os investimentos. Vamos estudar mais detalhadamente o plano e fazer as reivindicações necessárias, caso necessite de ajustes”, lembrou. Pontos de destaque - No documento, a Getec indicou como pontos de destaque: • Montante de recursos: Aumento de R$ 89,66 bilhões em relação ao Plano Safra anterior, passando de R$ 251,22 bilhões para R$ 340,88 bilhões. • Taxa de juros: As taxas de juros no presente Plano Safra favorecem os pequenos e médios produtores. • Seguro Rural: Aumento dos recursos para subvenção ao prêmio do Seguro Rural para R$ 2 bilhões. • Inovação: Financiamento de investimento relacionado a sistemas de conectividade no campo; financiamento de softwares e licenças para gestão, monitoramento ou automação das atividades produtivas; financiamento de sistemas para geração e distribuição de energia produzida a partir de fontes renováveis. • Pesca e aquicultura: Maior inserção da pesca no crédito rural; fortalecimento do apoio à comercialização de produtos da pesca e da aquicultura; financiamento para comercialização de produtos da pesca comercial por captura e da aquicultura; limite de crédito de até R$ 65.000.000,00 por beneficiário; prazo de reembolso de até 240 dias. • Sustentabilidade: Fortalecimento dos sistemas de produção ambientalmente sustentáveis; alinhamento do Programa ABC e do Pronaf ao Plano ABC+; incentivo à utilização de energia de fontes renováveis. Pontos de atenção - Entre os pontos de atenção estão: • Juros Livres: Aumento da participação dos recursos com taxas de juros livres no atual Plano Safra. Na safra 2022/23, 43% dos recursos disponibilizados foram com taxas de juros livres, contra 34% na safra anterior. • Investimento: Aumento significativo das taxas de juros para os programas de investimentos. • PCA: Estabelecimento de limites para financiamento no Programa de Construção e Ampliação de Armazéns, o que não era praticado no plano anterior. • Proagro: Aumento significativo dos prêmios do Proagro. • Pronaf: Manutenção do limite da renda bruta de enquadramento de R$ 500 mil. • Taxas de juros: No geral, as taxas de juros de todas as linhas de crédito rural para a safra 2022/2023 aumentaram na média em 3 pontos percentuais com relação à safra anterior. Sendo destaques os seguintes programas: Moderfrota, Procap-Agro e Prodecoop, com aumento de 4 3,5 e 3,5 pontos percentuais, respectivamente. Demais produtores e cooperativas, nas linhas de custeio e comercialização, também tiveram aumento de 4,50 pontos percentuais.

OCEPAR


Plano Safra: Paraná comemora volume de recursos, mas elevação dos juros preocupa

Entidades ligadas ao agronegócio no estado receberam bem o novo programa de crédito, apesar de haver taxas de dois dígitos em algumas linhas de financiamento


O novo Plano Safra foi bem recebido por entidades ligadas à agropecuária no Paraná. No entanto, ressaltaram preocupação com a atual taxa Selic em 13,25% ao ano e com algumas linhas de financiamento com taxas de juros acima de dois dígitos. O estado foi um dos que mais sofreram com a crise hídrica no ciclo 2021/22. A divulgação do novo plano agrícola e pecuário era muito aguardada por produtores e entidades para dar celeridade ao planejamento da próxima safra. Diante dos números apresentados pelo governo na última quarta-feira (29), a Federação da Agricultura do Paraná (FAEP avaliou positivamente o volume de recursos disponibilizados para este ano-safra. Porém, destacou preocupação com as taxas que podem ser aplicadas sobre recursos contratados a juros livres. “A gente tem a Selic a 13,25% ao ano, uma taxa de juros bastante alta. Quando o produtor rural for procurar recurso no banco, recurso livre, logicamente vai ser um percentual maior que esse. Fica uma safra bastante cara, vai ser uma safra bastante desafiadora para o produtor rural paranaense, principalmente”, acredita o técnico do departamento econômico do Sistema Faep, Luiz Eliezer Ferreira. A Aprosoja-PR classifica como preocupante o ajuste do Plano Safra 2022/23 sobre os juros controlados, que acabou colocando o produtor na operacionalização de crédito do mercado livre. “Esperava que esse percentual de juro controlado aumentasse. O agro fica muito volátil nessa questão do mercado. Muitos dos agricultores vão acabar não tendo acesso a esse recurso controlado, vão para o mercado livre e serão explorados. Eu, por exemplo, tenho operações a 18% ao ano”, conta o vice-presidente da entidade, João Batista Cunha Júnior. A elevação dos juros sobre o crédito rural era esperada pelo setor, diante do atual cenário econômico do país. Em financiamento para custeio e comercialização, as taxas variam de 5% a 12% ao ano. Em investimento, de 7% a 12,5% ao ano. “A gente esperava um aumento da taxa de juros, mas não que ultrapassasse os dois dígitos. Moderagro, Inovagro, Moderfrota, todas acima de 10% ao ano. Isso nos surpreendeu”, afirma Ferreira. Na safra 2021/22, o Paraná liderou as contratações de crédito rural, atingindo R$ 36 bilhões. O volume de quase R$ 341 bilhões disponibilizado agora é superior ao montante solicitado ao governo federal pelo estado, de R$ 333 bilhões. O novo plano agrícola, que começa a valer a partir de sexta (1°) foi considerado bom – dentro do possível -, pelo Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral). “A expectativa do setor, de uma forma geral, é boa. Os juros controlados, é claro, são uma parte muito importante principalmente para o Paraná, que conta aí com a maioria dos produtores sendo médios e pequenos”, afirma o chefe do Deral, Marcelo Garrido.

CANAL RURAL


Autorizado, novo porto em Paranaguá aguarda licença ambiental para iniciar obras

Projeto do Porto Guará, que será construído com investimento privado em Paranaguá


O Ministério da Infraestrutura autorizou na quarta-feira (29) a construção de seis novos terminais marítimos de uso privado (TUPs) em quatro estados brasileiros. Entre eles está o Porto Guará, que será construído em Paranaguá, no Litoral do Paraná. O início das obras depende agora da licença ambiental, já solicitada ao Ibama. O investimento total no Porto Guará é estimado em R$ 5,6 bilhões. A movimentação prevista é de 26,5 milhões de toneladas ao ano. Na primeira fase deverão ser investidos aproximadamente R$ 1,9 bilhão, conforme informa Xênia Arnt, diretora da Companhia Porto Guará. À frente do projeto estão os grupos Novo Oriente Participações e FAR. O projeto tem como consultor técnico uma autoridade na área portuária, Luiz Henrique Tessuti Dividino, que foi superintendente do Porto de Paranaguá por seis anos, de 2011 a 2017, e tem mais de 30 anos de experiência no setor. A fase inicial prevê a implantação de terminais graneleiros conectados a cais de atracação do tipo píer, para movimentação de granéis sólidos para exportação - soja, farelos, milho e açúcar, e granéis sólidos para importação - trigo, malte, cevada e fertilizantes. A previsão é de que a primeira fase esteja concluída e inicie as operações entre 2025 e 2026. “Será um terminal portuário multicargas, ofertando operações de granéis sólidos e líquidos, que ocorrerão em fases, na medida em que o Porto de Paranaguá atinja o limite da sua capacidade operacional”, informa a diretora. “Será um porto complementar ao porto de Paranaguá”, acrescenta. Todo o complexo foi planejado para ser executado em quatro fases, segundo a diretora. Ela não detalhou as demais etapas. Os projetos do novo porto já vêm sendo trabalhados desde 2015 e preveem o atendimento da logística do agronegócio, principalmente para atender os mercados asiáticos, que já anunciaram a necessidade de importar 30% a mais de grãos até 2030. “Este volume adicional significa algo como toda a soja exportada em 2020, pelos Portos de Paranaguá e Santos juntos”, exemplifica Arnt. Ela esclarece que para atender este volume não bastam reformas. “Precisamos prover capacidade operacional em grande escala. Se não observarmos esta oportunidade, as cargas podem ser redirecionadas para Santos e Santa Catarina, impondo maiores custos logísticos para os produtores paranaenses”, sinaliza. O grande diferencial do Porto Guará será atender navios de maior porte e com operações que trarão maior velocidade no carregamento de navios e maior agilidade na descarga de vagões e caminhões. Projeto como complexo logístico rodoferroviário integrado a um complexo portuário, o Guará será a menor distância entre o mar e a terra. Ficará a mil metros da ferrovia e a 1.400 metros da rodovia. A área total do terreno, onde será construído o porto, tem 2 milhões de metros quadrados. Desse total, 40% terão que ser preservados. A área operacional ocupará 1,2 milhão de metros quadrados. Serão disponibilizados mais de 21 km de ferrovias permanentes, formando a maior pera ferroviária (pátio em formato circular que possibilita o transbordo da carga sem a necessidade de manobras e desmembramento do trem) dos portos brasileiros. O projeto poderá elevar a capacidade dos portos do Paraná para mais de 80 milhões de toneladas ano, permitindo o crescimento contínuo do corredor do agronegócio paranaense, resgatando cargas hoje direcionadas a portos vizinhos. Os outros terminais que tiveram seus projetos autorizados pelo Ministério da Infraestrutura serão construídos nos portos de Ponta de Pedras (PA), Santos (SP), Santarém (PA) e Manaus (AM). O investimento total previsto é de R$ 10,5 bilhões.

GAZETA DO POVO

ECONOMIA/INDICADORES


Dólar tem maior avanço mensal desde março de 2020 com temores de recessão e riscos locais

O dólar encerrou esta quinta-feira em alta contra o real, registrando em junho seu maior avanço mensal desde o início da pandemia de Covid-19, resultado que ajudou a moeda norte-americana a marcar forte ganho trimestral, em meio a temores globais de recessão e incertezas fiscais domésticas


A divisa norte-americana negociada no mercado interbancário fechou a sessão em alta de 0,77%, a 5,2311 reais. Em junho, o dólar saltou 10,03%, seu melhor mês desde março de 2020 (+15,92%), quando os mercados globais sentiram o choque inicial da pandemia de Covid-19. No segundo trimestre, o ganho acumulado da moeda norte-americana contra a brasileira foi de 9,83%. Isso não compensa a baixa de 14,55% vista no período de janeiro a março, mas reduz as perdas do dólar no acumulado de 2022 para 6,14%. A divisa está 13,53% acima da mínima para encerramento deste ano, de 4,6075, atingida no início de abril. "A aversão a risco é global, não vale só para o real. Existe esse medo generalizado de uma recessão global, e, quando isso acontece, o investidor fica mais propenso a ir para ativos seguros", como o dólar, disse à Reuters Michelle Hwang, estrategista de câmbio e juros do BNP Paribas. Os receios econômicos têm sido alimentados principalmente pelo posicionamento agressivo dos principais bancos centrais, que indicaram repetidas vezes que seguirão firmes no aperto da política monetária à medida que buscam domar a inflação, mesmo que isso tenha impacto negativo sobre o crescimento. Daqui para a frente, incertezas fiscais nacionais devem ditar o comportamento do dólar, em meio à tramitação no Congresso de uma PEC que estabelece um estado de emergência para ampliar auxílios sociais já existentes e criar um novo benefício destinado a transportadores autônomos, com custo total estimado em 38,75 bilhões de reais. "O que o mercado teme... não é o impacto previsto, e sim entender o quanto 'a porta ficou aberta' para prorrogações ou até aumentos adicionais de gastos mais para frente, principalmente levando em conta que teremos eleições no fim do ano, fato que deve começar a reger os ânimos do mercado a partir do recesso parlamentar do meio deste ano", disse em nota Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos.

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Ibovespa tem pior mês desde tombo com pandemia em 2020 por preocupação com recessão global

O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, afetado pelas preocupações com o ritmo do crescimento econômico global, que também foram determinantes para que junho registrasse a pior performance mensal desde março de 2020


Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,08%, a 98.541,95 pontos, tendo tocado 97.758 pontos no pior momento, nova mínima intradia desde 4 de novembro de 2020. O volume financeiro somou 27,5 bilhões de reais. No mês, o Ibovespa caiu 11,5%, maior queda percentual desde março de 2020, quando foi duramente afetado pelo alastramento da pandemia pelo Brasil. O desempenho trimestral também foi o pior desde o começo de 2020, com perda de 17,88%. Em 2022, cai 5,99%. Na visão do sócio e estrategista da Meta Asset Management, Alexandre Póvoa, os bancos centrais dos países desenvolvidos estão nitidamente atrás da curva em relação à inflação, o que tem afetado prognósticos de investidores sobre a atividade econômica. "A sensação de descontrole fez com que os investidores, antevendo um aperto monetário mais forte, começassem a projetar um cenário de recessão mundial, ou até pior, a estagflação", acrescentou o gestor. A economista-chefe da Claritas, Marcela Rocha, disse que, além da preocupação adicional com o comportamento dos preços nesse mês, a sinalização dos BCs de que estão dispostos atuar para conseguir arrefecer a inflação o mais rápido possível levou inevitavelmente a uma discussão sobre qual será o tamanho da desaceleração da atividade econômica. "E esse cenário de juro alto, inflação persistente e recessão não é um cenário benéfico para emergentes, afinal é um cenário de propensão menor a risco e maior dificuldade de atração de investimentos dada toda a incerteza", afirmou. Para Póvoa, o mercado ainda está sob intensa neblina, dado que os BCs mundiais não estão seguros nem em relação ao ritmo e nem em relação ao final do processo de aperto monetário. "Sem essa visibilidade, dificilmente as bolsas se recuperarão." No Brasil, ele avalia que a bolsa vive o "pior dos mundos", com ações de commodities sofrendo pelo receio de deterioração de atividade e as de mercado doméstico sendo penalizadas pelo estresse na curva de juros em razão de riscos fiscais. O governo lançar mão de medidas fiscais, na visão de Póvoa, "claramente com fins eleitoreiros", afetou o mercado de DI e NTN-Bs, aumentando a transferência de dinheiro de fundos de ações e multimercados a produtos de renda fixa. "E os resgates obrigam os gestores a vender, amassando ainda mais as cotações." Rocha também destacou que o componente de incerteza fiscal afetou os ativos brasileiros nesse mês. "A mensagem (do governo com as últimas medidas propostas) é que houve novamente um enfraquecimento da âncora fiscal...e esse enfraquecimento ocorre próximo à eleição, o que indica que novos furos no teto de gastos não podem ser descartados", afirmou. Para Póvoa, uma boa notícia em relação ao Brasil é que já há uma maior clareza sobre até que ponto o BC irá na taxa Selic, algo entre 13,5% e 14%, ficando nesse nível por muito tempo. "Além disso, tem muita barganha já na bolsa. O problema é saber quem vai comprar. O investidor local só quer saber de renda fixa e o estrangeiro está completamente avesso a risco. Enquanto isso, sofremos todos."

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Desemprego no Brasil vai abaixo de 10% pela 1ª vez desde início de 2016, mas rendimento ainda sofre

A taxa de desemprego no Brasil caiu mais do que o esperado no trimestre até maio e foi abaixo de 10% pela primeira vez desde o início de 2016, com o país registrando o maior número de pessoas ocupadas da série histórica, mas ainda com fortes perdas de rendimento


A taxa de desemprego brasileira atingiu 9,8% no trimestre até maio, ante 11,2% nos três meses imediatamente anteriores, encerrados em fevereiro. O dado da Pnad Contínua divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira é o mais baixo desde a taxa de 9,6% vista nos três meses até janeiro de 2016 --também última vez em que ficou em apenas um dígito. A leitura ainda é a menor para trimestres encerrados em maio desde 2015 (8,3%) e ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de 10,2%. Nos três meses até abril, a taxa havia sido de 10,5%. Depois de a taxa de desemprego no Brasil ter chegado perto de 15% com as medidas de restrição contra a Covid-19, o mercado de trabalho vem apresentando recuperação, principalmente depois de o setor de serviços ter se favorecido com a vacinação. Nos três meses até maio, o Brasil tinha 97,516 milhões de ocupados --o maior contingente da série histórica, iniciada em 2012--, o que representa uma alta de 2,4% sobre o trimestre até fevereiro e de 10,6% ante o mesmo período de 2021. Já o total de desempregados caiu 11,5% sobre os três meses imediatamente anteriores, a 10,631 milhões. Ante o trimestre até maio de 2021 a queda foi de 30,2%. "Foi um crescimento expressivo e não isolado da população ocupada. Trata-se de um processo de recuperação das perdas que ocorreram em 2020, com gradativa recuperação ao longo de 2021", explicou a coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy. "No início de 2022, houve uma certa estabilidade da população ocupada, que retoma agora sua expansão em diversas atividades econômicas", completou. Os trabalhadores com carteira assinada no setor privado aumentaram 2,8% no trimestre até maio sobre o período imediatamente anterior, enquanto os que não tinham carteira cresceram 4,3%. Já a taxa de informalidade foi de 40,1% da população ocupada, contra 40,2% no trimestre anterior e 39,5% no mesmo trimestre de 2021, de acordo com o IBGE. Mas apesar da melhora do mercado de trabalho, isso não está se traduzindo em melhora do rendimento, com os trabalhadores sofrendo ainda com a inflação elevada. Nos três meses até maio, o rendimento real do trabalhador foi de 2.613 reais, estabilidade frente ao trimestre imediatamente anterior e queda de 7,2% sobre o mesmo período de 2021. "Essa queda do rendimento é puxada, inclusive, por segmentos da ocupação formais, como o setor público e o empregador. Até mesmo dentre os trabalhadores formalizados há um processo de retração", disse Beringuy, explicando que isso pode ser efeito da própria inflação, mas também da estrutura de rendimento atual dos trabalhadores, com um peso maior de trabalhadores com rendimentos menores.

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Emprego: agricultura demite 22 mil no trimestre encerrado em maio, segundo IBGE

Setor foi o único a registrar fechamento de vagas no período, de acordo com Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua


A agricultura foi o único setor que registrou fechamento de vagas no trimestre encerrado em maio, com 22 mil demissões em relação ao trimestre terminado em fevereiro, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados nesta quinta-feira (30) pelo IBGE. Na passagem do trimestre terminado em fevereiro para o trimestre encerrado em maio houve geração de vagas nas atividades: comércio (281 mil ocupados), indústria (312 mil), construção (210 mil), informação, comunicação e atividades financeiras (311 mil), administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (466 mil), serviços domésticos (111 mil), outros serviços (182 mil ocupados), alojamento e alimentação (186 mil) e transporte (224 mil). Em relação ao patamar de um ano antes, houve ganhos em todas as atividades. A agricultura admitiu 110 mil trabalhadores, e a administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais contratou 580 mil trabalhadores a mais. A construção contratou 866 mil, o comércio absorveu 2,475 milhões. Alojamento e alimentação abriram 1,144 milhão de vagas, e serviços domésticos ganharam 990 mil trabalhadores. A indústria contratou 1,253 milhão de funcionários, enquanto o setor de informação, comunicação e atividades financeiras absorveu 449 mil. Transporte ganhou 629 mil vagas, e outros serviços admitiram 878 mil pessoas.

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Credit Suisse piora projeção de crescimento do Brasil em 2023 e alerta para riscos fiscais

O Credit Suisse reduziu seu prognóstico para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2023 a 0,2%, de 0,9% anteriormente, e chamou a atenção para os riscos fiscais do país e seu possível impacto sobre a inflação e os custos dos empréstimos


O banco suíço manteve a estimativa de crescimento econômico de 2022 inalterada em 1,4%, mas espera que a atividade desacelere ao longo do ano após um primeiro trimestre positivo, devido à redução das economias das famílias, menor impacto da reabertura pós-pandemia e efeitos defasados da elevação dos juros básicos. "Para o ano que vem, esperamos que as condições financeiras globais mais apertadas, devido à pressão inflacionária mais persistente, afetem negativamente o crescimento econômico doméstico, principalmente por meio de redução da demanda e da necessidade de manter uma política monetária doméstica restritiva por um período prolongado", avaliou o Credit Suisse em relatório assinado por Solange Srour, Lucas Vilela e Rafael Castilho. Segundo o banco, os riscos para o crescimento do PIB brasileiro estão inclinados para baixo, já que a atividade da economia global pode surpreender negativamente, enquanto a aversão a risco no mercado doméstico corre o risco de piorar com a chegada das eleições presidenciais. A frente fiscal também traz ameaças. "A combinação de juros reais superiores ao crescimento econômico, déficits primários recorrentes do governo central e dívida bruta elevada colocou a dívida pública do país no que vemos como um caminho insustentável a médio prazo", alertou o Credit Suisse. Piora a perspectiva o fato de que os favoritos na corrida pelo Planalto --o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual presidente Jair Bolsonaro (PL)-- devem buscar aumentos de gastos caso sejam eleitos, disse o banco. O Credit Suisse avaliou que o processo de desinflação no país provavelmente levará mais tempo sem uma retomada forte do processo de consolidação fiscal. O banco privado vê a inflação medida pelo IPCA superando os tetos das metas oficiais tanto neste ano quanto no próximo, projetando taxas de 7,6% e 5,9%, respectivamente. Os limites superiores dos objetivos perseguidos pelo Banco Central são de 5,0% para 2022 e 4,75% para 2023. Sem o avanço do processo de consolidação das contas públicas, o Brasil pode entrar num "ciclo vicioso de prêmio de risco elevado aumentando os juros neutros", o que por sua vez retroalimenta o risco fiscal, disse o Credit Suisse. O banco espera que o BC suba a taxa Selic em 0,50 ponto percentual em agosto, a 13,75%, e mantenha esse patamar até o segundo semestre de 2023, antes de encerrar o ano que vem em 10,75%.

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