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Ausência das indústrias das compras de gado gordo consolidou pressão baixista



Os primeiros dias de outubro foram marcados por uma forte queda nos preços da arroba. A ausência de muitas unidades de abate nas compras de gado intensificou a pressão baixista em função da fraca procura. A dificuldade em dar maior vasão ao estoque de carne bovina nas câmaras frias e a falta de um aceno por parte da China quanto a volta das negociações com o Brasil repercutiu negativamente no mercado físico de boiada gorda em mais uma semana.

Em muitos estados, sobretudo aqueles que tem uma maior representatividade das vendas externas em sua dinâmica de escoamento da proteína, os frigoríficos limitaram ao máximo realizar novas compras de gado. Há também indústrias que dispõem de escalas preenchidas até o final do mês, já que houve adiamento dos abates de setembro que se aglutinou com a chegada de lotes oriundos de confinamentos próprios (boitéis). Por sua vez, o foco agora é dar vazão à produção e avaliar a consistência da demanda agregada, para só depois traçar a estratégia de compra de gado.

Neste contexto, a ponta vendedora virou refém de um cenário caótico. Há pecuaristas que afirmam já ter animais com mais de 140 dias no cocho e precisa dar saída ao lote. Os elevados custos com nutrição animal não permitem retesar lotes quando esses atingem o peso ideal para abate. Em alguns casos, outros pecuaristas entregam os animais antes mesmo de alcançarem esse ponto devido à baixa disponibilidade e altos preços de alguns tipos de ração.

Em relação as vendas externas, apesar da suspensão temporária da China às exportações de carne bovina brasileira, os embarques nacionais atingiram o maior volume mensal deste ano em setembro, visto que os processos de embarques não foram interrompidos. Segundo dados da Secex, o Brasil exportou um total de 211,73 mil toneladas de carne bovina, desempenho 27,5% superior a setembro de 2020. No acumulado do ano de 2021 (jan-set), as exportações totais passaram para o azul em volume, com crescimento de 2,1% sobre o mesmo período de 2020, atingindo 1,49 milhão de toneladas.

A China foi responsável por 59% da movimentação total da carne bovina brasileira, alcançando, em 2021, até setembro, compras de 882,92 mil toneladas, 5,3% acima de período análogo de 2020. O segundo lugar vai para os EUA, que quase dobraram as compras da proteína brasileira em 2021 (jan-set), somando 77,35 mil toneladas, 90,5% maior que 2020. Nos bastidores do mercado, a expectativa é de que o embargo chinês deva ser retirado ainda nesta sexta-feira (08), com o término do feriado e redução dos estoques internos no país asiático.


Fonte: A notícia tem como fonte a IHS Markit

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