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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 92 DE 23 DE MARÇO DE 2022


Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 2 | nº 92| 23 de março de 2022


NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL


BOVINOS


Indústrias frigoríficas reduzem em R$ 3/@ preços do boi gordo em SP

De acordo com informações apuradas pela Scot Consultoria, o macho terminado direcionado ao mercado doméstico paulista recuou para R$ 337/@ (a prazo)


O preço do boi gordo direcionado ao mercado interno recuou R$ 3/@ no interior de São Paulo na terça-feira (22/3), para R$ 337/@ (valor bruto, a prazo), segundo apuração dos analistas da Scot Consultoria. A cotação das novilhas também registrou queda diária, de R$ 2/@, atingindo R$ 330/@ (valor bruto, a prazo) na região paulista. O valor da vaca apresentou estabilidade, negociada em R$ 298/@ (preço bruto, a prazo). Porém, o chamado boi-China continua com preços firmes, na casa dos R$ 350/@ em São Paulo. Na bolsa B3, o movimento de queda continuou a penalizar os contratos mais longos do boi gordo. Na segunda-feira (21/3), o vencimento para maio/22 fechou em R$ 329,65/@, registrando a quinta sessão consecutiva de desvalorização, informa a Agrifatto. Levantamento da terça-feira da IHS Markit aponta estabilidade nos preços do boi na maioria absoluta das praças brasileiras. Na avaliação da consultoria, a ausência dos compradores no mercado de boiada gorda é fundamentada pela formação de escalas de abate aparentemente mais confortáveis – pelo menos suficientes para atender os compromissos da semana. Segundo os analistas, neste momento, o mercado doméstico de carne bovina não mostra fôlego suficiente para absorver maiores repasses dos custos operacionais dos frigoríficos, que subiram após recente onda de valorizações na arroba do boi gordo. Na visão da IHS, tanto para o consumo doméstico quanto para as exportações, o volume de negócios deve continuar com baixa liquidez no mercado físico, pelo menos até o final deste mês. Cotações: PR-Maringá: boi a R$ 310/@ (à vista) vaca a R$ 290/@ (à vista); SP-Noroeste: boi a R$ 352/@ (prazo) vaca a R$ 300/@ (prazo); MS-Dourados: boi a R$ 310/@ (à vista) vaca a R$ 290/@ (à vista); MS-C. Grande: boi a R$ 312/@ (prazo) vaca a R$ 287/@ (prazo); MT-Cáceres: boi a R$ 312/@ (prazo) vaca a R$ 290/@ (prazo); MT-Tangará: boi a R$ 312/@ (prazo) vaca a R$ 291/@ (prazo); MT-Cuiabá: boi a R$ 310/@ (à vista) vaca a R$ 294/@ (à vista); MT-Colíder: boi a R$ 308/@ (à vista) vaca a R$ 290/@ (à vista); GO-Goiânia: boi a R$ 315/@ (prazo) vaca R$ 295/@ (prazo); RS-Fronteira: boi a R$ 330/@ (à vista) vaca a R$ 310/@ (à vista); PA-Marabá: boi a R$ 291/@ (prazo) vaca a R$ 275/@ (prazo); PA-Paragominas: boi a R$ 296/@ (prazo) vaca a R$ 287/@ (prazo); TO-Araguaína: boi a R$ 295/@ (prazo) vaca a R$ 282/@ (prazo); TO-Gurupi: boi a R$ 295/@ (à vista) vaca a R$ 276/@ (à vista); RO-Cacoal: boi a R$ 294/@ (à vista) vaca a R$ 280/@ (à vista); MA-Açailândia: boi a R$ 283/@ (à vista) vaca a R$ 264/@ (à vista).

PORTAL DBO


Carne bovina: exportações brasileiras perdem força na 3ª semana de março

Mesmo com a queda de ritmo, os embarques de carne in natura superam em 36,6% o volume registrado em igual período de 2021, informou a Agrifatto, com base nos dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior


Na terceira semana de março, as exportações brasileiras de carne bovina in natura alcançaram 36,81 mil toneladas (média de 7,36 mil toneladas/dia), com recuo de 30% sobre o volume registrado na semana anterior (53,63 mil toneladas) e aumento de 26,2% em relação ao resultado registrado na terceira semana de março de 2021 (29,15 mil toneladas), informou a consultoria Agrifatto, com base nos dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Nos 13 dias úteis do mês corrente foram embarcadas 121,02 mil toneladas da proteína, o que significa um acréscimo de 36,6% na comparação com o volume embarcado nas três semanas de 2021, de 88,77 mil toneladas. “No entanto, como houve uma queda no ritmo dos embarques na terceira semana de março/22 (sobre a segunda semana do mesmo mês), reajustamos nossa projeção para algo em torno de 185 mil toneladas embarcadas no período mensal”, relata o economista Yago Travagini, analista da Agrifatto (na projeção anterior, realizada na segunda semana de março/22, a consultoria acreditava em embarques totais acima de 200 mil toneladas). O preço médio mensal da tonelada ficou em US$ 5,89 mil na terceira semana de março/22, ligeiramente acima do valor registrado na semana anterior, de US$ 5,85 mil/tonelada, e aumento de 28,6% sobre a cotação registrada na terceira semana de março/21, de US$ 4,58/tonelada. No acumulado das três semanas deste mês, as vendas externas de carne bovina in natura em geraram receita de US$ 713,28 milhões, um acréscimo de 15,6 % sobre o montante registrado em todo o mês de março/21.

AGRIFATTO


SUÍNOS


Suínos: cotações com queda forte na terça-feira

Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF cedeu 7,34%/6,03%, custando R$ 101,00/R$ 109,00, enquanto a carcaça especial baixou 2,41%/2,33%, valendo R$ 8,10 o quilo/R$ 8,40 o quilo


Na cotação do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à segunda-feira (21), o preço ficou estável somente em Minas Gerais, valendo R$ 6,07/kg. Houve queda de 4,08% em Santa Catarina, atingindo R$ 5,17/kg, recuo de 3,95% no Paraná, alcançando R$ 5,11/kg, baixa de 3,30% em São Paulo, custando R$ 5,86/kg, e de 1,13% no Rio Grande do Sul, fechando em R$ 5,24/kg.

Cepea/Esalq


FRANGOS


Frango: terça-feira com preços estáveis no PR e SC

Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave no atacado subiu 3,47%, chegando em R$ 7,45/kg, enquanto o frango na granja valorizou 4,84%, valendo R$ 6,50/kg

Na cotação do animal vivo, São Paulo ficou sem referência de preço, enquanto Santa Catarina ficou estável em R$ 4,03/kg, e também no Paraná, fixado em R$5,27/kg. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à segunda-feira (21), o frango congelado ficou estável em R$ 7,39/kg, enquanto a ave congelada teve recuo de 0,56%, fechando em R$ 7,16/kg.

Cepea/Esalq


CARNES


Com preço nas alturas, carne brasileira encarece também frango e ovos

Cortes bovinos, valorizados no varejo, ajudam a puxar para cima também proteínas mais baratas


Os preços da carne bovina permanecem nas alturas no Brasil e continuam a puxar para cima proteínas mais baratas, como frango e ovo, que voltou a bateu recorde nas gôndolas dias atrás. A carne suína até ganhou espaço no prato dos brasileiros, mas menos do que o que os produtores previam. Como a oferta da proteína do porco atende à demanda com folga, os valores cobrados estão mais baixos. Um quilo de carne bovina custava, em média, R$ 51,55 no varejo paulista na quarta-feira passada, depois de cair um centavo em uma semana, informa a Scot Consultoria. Em relação ao pico de meados de dezembro, o valor caiu 7%, mas, em comparação com março do ano passado, a alta chega a 26%. O motivo está claro: a carne bovina atingiu patamares proibitivos para boa parte da população brasileira, que ainda sofre com uma elevada taxa de desemprego e um aumento generalizado dos custos de vida. Estudo recente do banco de dados Numbeo organizado pela plataforma de descontos Cuponation mostrou que o município de São Paulo ocupa o terceiro lugar entre as cidades com a carne bovina mais cara na América do Sul. Quando o levantamento foi divulgado, no começo de março, o quilo foi estimado em R$ 45,03 pela plataforma, atrás apenas dos R$ 49,75, em média, cobrados em Santiago, no Chile, e dos R$ 45,88 de Montevidéu, no Uruguai. A pesquisa considerou dados de 26 cidades sul-americanas. Florianópolis apareceu em quarto lugar, com R$ 43,54, e o Rio de Janeiro, em quinto (R$ 43,42), seguidas por Porto Alegre (R$ 42,89), Brasília (R$ 42,49) e Campinas (R$ 42,23). No atacado, a indústria brasileira de carne bovina tentou elevar os preços na última semana, para melhorar suas margens operacionais em meio a alta dos custos. “Vemos ajustes pontuais, uma vez que a comercialização para a ponta varejista está em passos lentos”, diz Jéssica Olivier, analista da Scot Consultoria. A proteína vendida no atacado subiu 0,1% na semana, para R$ 33,03, e está 9,3% abaixo em relação a dezembro, mas 14,5% acima no comparativo anual. A arroba do boi, por sua vez, avançou 11,5% nos últimos 12 meses e chegou a R$ 335 na quarta-feira. Na comparação com dezembro, a arroba está 7,4% mais cara. Segundo a consultoria Safras & Mercado, o quilo da carne de frango tem sido vendido no atacado, em média, a R$ 7 neste mês, aumento de 0,7% em comparação com dezembro e de 16,3% em relação a março do ano passado. Os ovos também avançam, principalmente com a chegada a Quaresma, período em que parte da população cristã abdica do consumo de carne vermelha. O tipo branco teve média de R$ 145,38 na semana passada, um recorde, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. O suíno, por outro lado, não está se beneficiando da alta do boi. A carcaça é negociada, em média, a R$ 8,75 o quilo, 8,6% menos do que em dezembro e 5% abaixo do observado em março de 2021, segundo a Safras. O levantamento da Safras indica que o quilo da ave viva vale R$ 5,50, aproximadamente 8,3% mais do que em dezembro e 24% superior ao preço em março do ano passado. Já o suíno é negociado a R$ 5,42 o quilo, queda de 10% no acumulado de 2022 e de 11,6% no comparativo anual. Em relatório divulgado na semana passada, o Itaú BBA chamou a atenção para a piora nas margens para os produtores de frangos e suínos desde fevereiro. “Diante do cenário doméstico desfavorável, os repasses necessários não são triviais. Porém, a carne de frango está defasada em relação ao dianteiro bovino e tem o apelo de ser o quilo de carne mais barato”, disse o banco. Para o suinocultor, não há previsão de alívio. “As exportações não estão indo bem neste ano, e o mercado interno também não está avançando o suficiente para escoar o excedente”, afirma Fernando Iglesias, analista da Safras.

VALOR ECONÔMICO


EMPRESAS


JBS espera manter o embalo após forte crescimento em 2021

Demanda por proteínas continua aquecida, principalmente nos EUA


Depois de viver em 2021 o melhor ano de sua história, em boa medida graças aos resultados expressivos obtidos nos Estados Unidos, a JBS espera manter o ritmo em 2022. A demanda aquecida por proteínas animais, sobretudo em outros países em que a companhia atua ou para os quais exporta, tende a ser o motor desse avanço, como foi no ano passado, disse o CEO global Gilberto Tomazoni em teleconferência com analistas na manhã de ontem. Em 2021, a companhia liderada por Tomazoni enfrentou — e venceu — desafios como a dificuldade em atrair mão de obra nos Estados Unidos, a baixa disponibilidade de gado no Brasil e na Austrália, os custos de produção elevados e o embargo temporário da China à carne bovina do Brasil, que durou três meses. Mas entregou uma receita líquida de R$ 350,7 bilhões, 29,8% mais que em 2020, lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 45,7 bilhões, 54,5% maior, e lucro líquido de R$ 20,5 bilhões, mais que o triplo do obtido no ano anterior. A empresa aproveitou o momento para retornar R$ 18 bilhões aos acionistas — R$ 7,4 bilhões em dividendos distribuídos e R$ 10,6 bilhões em recompra de ações. Tomazoni reiterou que a JBS trabalha para maximizar os ganhos dos investidores e, nesse sentido, afirmou que a companhia não desistiu de listar suas ações nos Estados Unidos. “Nunca deixou de ser uma prioridade. Mas precisamos, e vamos, fazer no momento certo”, disse. A operação em território americano foi fundamental para o resultado da companhia em 2021. O Ebitda ajustado da JBS USA Beef ficou em US$ 4,888 bilhões, um aumento de 104,8%, enquanto na JBS USA Pork somou US$ 766 milhões, cerca de 26% mais no comparativo anual. Na Pilgrim’s Pride, o indicador avançou 63,6%, para US$ 1,289 bilhão. Segundo o CEO da JBS USA, André Nogueira, a demanda pelas três proteínas (bovina, suína e de frango) dos Estados Unidos segue aquecida, tanto no mercado interno quanto para exportação. “A Ásia mantém uma demanda fortíssima”, comentou. Para os próximos meses, Nogueira vê como um dos principais desafios a baixa disponibilidade de animais. Ele lembrou que os negócios na Austrália, que estão sob seu guarda-chuva, continuam pressionados por essa escassez. A expectativa é que a oferta comece a aumentar apenas no segundo semestre. Além disso, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta uma queda na oferta de bovinos e suínos nos EUA neste ano. Os custos também estão no radar de Wesley Batista Filho, CEO da JBS América do Sul e da Seara. Os preços do milho e do farelo de soja estão, em média, 56% maiores do que em igual período do ano passado. “Começamos com uma perspectiva de safrinha [de milho] bem melhor, plantada em uma janela de menos risco, com cenário de umidade menor. Por outro lado, [a guerra na] Ucrânia traz pressão ao mercado de grãos. Os custos devem pressionar mais na metade do ano, até a entrada da safrinha [de milho]”, disse.

VALOR ECONÔMICO


INTERNACIONAL


França permite que algumas granjas asfixiem aves para conter gripe aviária

A França autorizou alguns agricultores a matar suas aves por asfixia para impedir uma rápida propagação da gripe aviária que dificultou os serviços veterinários de lidar com o abate em massa, disse o ministro da Agricultura francês, Julien Denormandie, na terça-feira


A prática, permitida apenas por causa de uma recuperação dos surtos na parte ocidental do país, que abriga cerca de 25% do rebanho de aves do país, foi criticada por sindicatos agrícolas e ativistas do bem-estar animal que dizem ser cruel e inaceitável. “Preferimos outras soluções, mas (parar a ventilação para causar asfixia) pode ser autorizada em alguns casos quando se considera que é a única solução para evitar situações em que há animais morrendo durante várias horas ou vários dias”, disse Denormandie em resposta a uma pergunta. Depois que uma onda de casos no sudoeste da França levou ao abate de cerca de 4 milhões de aves, a França está tentando conter surtos que se espalharam rapidamente no mês passado na região de Pays de la Loire, uma importante zona de aves mais acima na costa Atlântica da França. Em apenas algumas semanas, o vírus também levou ao abate de quase cinco milhões de aves em Vendéia e departamentos vizinhos, disse Denormandie após uma reunião com sindicatos agrícolas e autoridades locais. Um total de 975 surtos de gripe aviária altamente patogênica foram encontrados em granjas avícolas até 22 de março desde que o primeiro surto em uma granja foi descoberto em 26 de novembro do ano passado, mostram dados do Ministério da Fazenda. A gripe aviária é muitas vezes transmitida por aves selvagens migratórias. A cepa H5N1 extremamente agressiva e altamente contagiosa vem se espalhando rapidamente na Europa nos últimos meses, provocando abates massivos em vários países, principalmente na Itália. Na França, as aves são mais frequentemente abatidas por eutanásia, usando unidades de gás especiais que garantem que os animais não sofram.

REUTERS


Nebraska, nos Estados Unidos, relata gripe aviária altamente letal em granja comercial de frangos

O estado norte-americano de Nebraska informou nesta terça-feira um surto de gripe aviária altamente letal em um rebanho de 570.000 galinhas criadas para carne. Milhões de frangos de corte dos EUA criados para carne, galinhas poedeiras e perus foram infectados com gripe aviária desde fevereiro ou abatidos para evitar a propagação da doença.

REUTERS


NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ


Colheita da soja no Paraná atinge 75% da área; Deral estima produtividade

Departamento aponta que 55% das lavouras estão em boas condições, 29% em situação média e 16% ruins


O Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (SEAB), indicou que a colheita da safra de soja 2021/22 atingiu 75% da área plantada no Paraná. A área neste ciclo deve ficar em 5,644 milhões de hectares, contra 5,590 milhões na safra 2020/21, um incremento de 1%. O quadro de desenvolvimento das lavouras de soja do estado aponta que 55% das lavouras estão em boas condições, 29% em situação média e 16% ruins, com 14% das lavouras frutificação e 86% em maturação. No dia 14 de março, a colheita atingia 68% da área e 50% das lavouras tinham boas condições, 32% estavam medianas e 18% ruins, na fase de frutificação (18%) e maturação (82%). O Deral estimou que a produção da safra de soja em 2021/22 deve chegar a 11,635 milhões de toneladas, contra 19,8 milhões de toneladas da safra anterior (2020/21), com uma baixa de 41%. A produtividade média foi estimada em 2.062 quilos por hectare (34,3 sacas) em 2021/22, abaixo dos 3.543 quilos (59 sacas) registrados na safra 2020/21.

SEAB-PR


Estímulo à navegação entre portos nacionais deve reduzir custos do frete

Transporte de cargas entre terminais brasileiros poderia reduzir entre 30% e 40% os preços do frete rodoviário, contribuindo para desafogar transporte


Em janeiro, o governo federal sancionou o Projeto de Lei 4.199/2020, que institui o Programa de Estímulo ao Transporte por Cabotagem, também conhecido como “BR do Mar”. A medida foi comemorada pelo setor produtivo, que vislumbra uma oportunidade de reduzir os custos de transporte, com o uso dessa modalidade logística, até então limitada por questões regulatórias. Em 2021, de acordo com a Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq), a navegação de cabotagem movimentou 288,3 milhões de toneladas, em sua maioria petróleo e derivados. Até o momento, os produtos do agronegócio praticamente não utilizam esse sistema. Mas esse cenário pode mudar em breve. “Um exemplo de cadeia que poderia se beneficiar com a navegação de cabotagem é a pecuária [ovinos e caprinos] da região do Nordeste, que depende de milho de outros Estados, como Mato Grosso e Goiás, como insumos à produção animal. O trajeto por caminhão é longo, o que resulta no aumento do tempo e de custo de transporte, inviabilizando o preço do grão. Estimamos uma redução de 30% a 40% no custo de frete – desse mesmo trajeto. Isto é, partindo do Mato Grosso e integrando os modos rodoviários [BR-163] e aquaviários [rio Tapajós e cabotagem] até o litoral nordestino”, avalia a assessora técnica da Comissão Nacional de Logística e Infra- estrutura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Elisangela Pereira Lopes. “O transporte aquaviário demanda mais tempo se comparado ao caminhão, mas para commodities, que não são produtos perecíveis, isso não deve ser considerado um problema. Por exemplo, uma embarcação de 6 mil toneladas de grãos tem a capacidade de retirar 150 caminhões das estradas. O custo [do transporte rodoviário] além de elevado para longas distâncias, emite maior volume de gases poluentes, ocasiona acidentes e depende de gastos públicos para corrigir os desgastes ocasionados pelo excesso de veículos nas estradas”, explica Elisangela. De acordo com uma simulação do Observatório Nacional de Transporte e Logística (ONTL), para transportar um volume de 777,3 mil toneladas entre o Porto de Suape, em Pernambuco, e o Porto de Santos, no Estado de São Paulo, são necessários 13 navios Panamax com capacidade de 60 mil toneladas cada um, a um custo médio de R$ 88,7 milhões. Se esta mesma carga for transportada por caminhões por via rodoviária, seriam necessários 20.456 caminhões bitrem, com capacidade de 38 toneladas cada um e o custo saltaria para mais de R$ 384 milhões. “Sem dúvida, o trigo produzido na região Sul também poderia ser beneficiado [pela navegação de cabotagem]. O cereal que vem de Argentina usando a navegação de longo curso costuma ser mais barato que o grão saindo do Paraná de caminhão e chegando no Nordeste”, complementa a assessora técnica da CNA. Na avaliação do Gerente de Assuntos Estratégicos da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), João Arthur Mohr, a cadeia de proteína animal deve ser uma das principais beneficiadas pela medida. Considerando que o Paraná é o maior produtor e exportador de frango, tem o segundo maior rebanho de suínos do país e é o segundo principal produtor nacional de leite, isso terá um grande impacto. “A navegação de cabotagem é muito focada na navegação de contêineres, então a parte de alimentos em si deve ser beneficiada, além da proteína animal, os produtos de proteína vegetal das nossas agroindústrias e também peças e veículos automotivos”, elenca. “Antes dessa lei não havia interesse das empresas de navegação em fazer esse trabalho de cabotagem por conta da série de restrições, como apenas navios de bandeira nacional e ter tripulação brasileira, entre outras. A BR do Mar vai contribuir muito para que os investidores se voltem para esse tipo de navegação”, observa o consultor de logística do Sistema FAEP/SENAR-PR, Nilson Hanke Camargo. “É mais um passo a favor da redução do custo logístico brasileiro. Na prática isso vai fazer com que tenhamos uma oferta maior de navios e de empresas, com isso teremos maior competição e menores preços”, complementa Mohr, da Fiep.

CNA/FAEP/FIEP


ECONOMIA/INDICADORES


Dólar fecha em queda de 0,57%, a R$4,9153 na venda

O dólar caiu pela quinta sessão consecutiva nesta terça-feira, fechando no menor patamar em nove meses, diante de manutenção de fluxos estrangeiros para o Brasil, que tem sido visto como oportunidade de investimento em meio ao alto patamar do juro alto e à disparada dos preços das commodities


A divisa norte-americana à vista recuou 0,57%, a 4,9153 reais, menor patamar para fechamento desde 24 de junho de 2021 (4,9062). Com esse desempenho o dólar registrou seu quinto recuo diário seguido --a maior sequência do tipo desde uma série de sete baixas finda em 22 de abril de 2021--, acumulando queda de 4,71% no período. Até agora no ano, a desvalorização da moeda norte-americana é de 11,80%. Na B3, às 17:04 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,47%, a 4,9325 reais. "O Brasil se beneficia de uma confluência de fatores: quase nenhuma exposição direta à Rússia em termos de troca, altos preços de commodities impulsionando termos de troca positivos, Selic perto de seu pico e exposição substancial a commodities", disseram em relatório estrategistas do Bank of America (BofA). "À medida que a Rússia e a Ucrânia perdem seu status de produtores globais dominantes, a principal beneficiária com exportações semelhantes parece ser a América Latina." Por aqui, "o alto diferencial de juros (do Brasil em relação a economias avançadas), com oportunidade no 'carry trade'", é combustível adicional para o real, escreveram analistas da Levante Investimentos, referindo-se a estratégias que buscam lucrar com moedas que oferecem rendimentos elevados. O BofA, que espera que a Selic chegue a 13,25% neste ano, ante patamar atual de 11,75%, ressaltou que o ciclo de aperto monetário do Brasil foi bem adiantado em relação ao de outros bancos centrais importantes, incluindo o Federal Reserve, que elevou os juros em 0,25 ponto percentual na semana passada pela primeira vez desde 2018. No relatório, o BofA afirmou que, historicamente, "países e setores ligados a commodities tendem a se sair bem no primeiro ano de aumentos de juros pelo Fed", destacando a boa performance do Ibovespa no início de ciclos anteriores de aperto nos EUA. A entrada de agentes estrangeiros na bolsa brasileira também pode ser fator de impulso para o real, já que significa, em teoria, maior direcionamento de dinheiro para o mercado local.

REUTERS


Ibovespa sobe aos 117 mil pontos com Wall Street e ata do BC

O principal índice da bolsa brasileira registrou a quinta alta consecutiva nesta terça-feira, com impulso do setor financeiro e ações ligadas ao consumo doméstico em meio a humor favorável ao risco nos mercados globais


A ata da última reunião de política monetária do Banco Central também movimentou a sessão.

De acordo com dados preliminares, o Ibovespa avançou 0,87%, a 117.160,47 pontos. A última vez que o índice havia fechado acima dos 117 mil pontos foi em 6 de setembro. O volume da sessão foi de 24,8 bilhões de reais.

REUTERS


Ipea revisa as projeções do PIB Agropecuário para 2022

Estimativa de crescimento do setor passou de 2,8% para 1%


O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou na terça-feira (22/3), a revisão da estimativa para o valor adicionado (VA) do setor agropecuário de 2022 de crescimento de 2,8% para uma alta de 1,0%. O principal motivo para o ajuste foi a nova estimativa do Levantamento Sistemático de Produção Agrícola (LSPA) de queda de 8,8% da produção de soja. A revisão do valor adicionado da produção vegetal passou de um crescimento de 2,6% para uma queda de 0,3%. Já para a produção animal, a estimativa de crescimento, que era de 3,6%, foi revista para 3,0%. O VA para a produção vegetal vem sustentado por um cenário oposto ao encontrado em 2021, tanto para a elevada queda na produção de soja quanto pelas estimativas de crescimento de outras culturas de grande peso, como milho, cana-de-açúcar, café e algodão. No caso da soja, lavoura de maior peso na produção vegetal, os estados do Sul do país, além de São Paulo e Mato Grosso do Sul, sofreram com forte estiagem no início do ano durante o período crítico de desenvolvimento reprodutivo das plantas. A produtividade estimada para a cultura de soja nesses estados foi fortemente reduzida, com destaque para as produções dos estados do Rio Grande do Sul e Paraná, apresentando quedas de 35,8% e 40,7%, respectivamente. Por outro lado, outras culturas importantes para a produção vegetal devem compensar essa queda. O IBGE estima crescimento de 23,9% na produção de milho, impulsionada por uma alta de 33,8% na segunda safra, recuperando-se da quebra observada no ano passado. Outra cultura que deve ser destaque é a cana-de-açúcar, que teve estimativa de crescimento de 20,6%. No caso do café, por se tratar do ano positivo de sua bienalidade, a alta de 13,4% não é surpreendente, mas é significativa diante das geadas observadas no ano anterior e que impactaram o desenvolvimento das plantas. Já para a produção animal, o Grupo de Conjuntura do Ipea espera uma contribuição positiva dos segmentos de bovinos, suínos e aves. Após dois anos de queda, a expectativa é de que, com uma oferta maior de animais prontos para o abate, a produção de bovinos apresente crescimento de 3,8% no ano. No mesmo sentido, as produções de suínos e aves devem crescer 4,5% e 3,0%, respectivamente. Essas taxas representam uma desaceleração do crescimento em relação ao ano passado, quando esses segmentos cresceram 9,1% e 6%, respectivamente. Um dos motivos que devem contribuir para essa desaceleração do crescimento entre 2021 e 2022 é a redução da demanda chinesa, com a normalização de seu rebanho suíno após a ocorrência da Peste Suína Africana (PSA).

IPEA


Marcos Montes tem a preferência de ministra para assumir Agricultura

Atual secretário-executivo da Pasta já presidiu a bancada ruralista; Tereza Cristina deixará o cargo para disputar as eleições


A Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou ontem que espera que o secretário-executivo da Pasta, Marcos Montes, continue o trabalho no lugar dela, a partir da semana que vem. A sucessão deverá ser confirmada em breve. A Ministra deixará o cargo para concorrer nas eleições de outubro - possivelmente como candidata ao Senado por Mato Grosso do Sul. Ela ficará na Pasta até o dia 31 de março e, em abril, retomará seu mandato de deputada federal. UIR "Espero muito que ele [Marcos Montes] continue os meus passos", disse a Ministra em reunião de despedida com parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e entidades do setor agropecuário. Montes também tem o apoio dos representantes do agronegócio e da bancada ruralista. A escolha de Marcos Montes para assumir o ministério ainda não está definida, mas fontes do setor garantem que ele já tem o aval do Presidente Jair Bolsonaro, que teria atendido ao pedido de Tereza Cristina. Segundo o deputado Pedro Lupion (PP-PR), Bolsonaro garantiu ao setor que o substituto de Tereza Cristina será "alguém muito competente, que ela já teria indicado". O presidente teria dito, afirma Lupion, que o mandato de Montes seria "tampão", já que, caso Bolsonaro seja reeleito, a tendência é que ele volte a indicar Tereza Cristina para comandar o ministério. Tereza Cristina e Marcos Montes são ex-presidentes da FPA. Foi a bancada que indicou o nome da ministra a Bolsonaro, em 2018.

VALOR ECONÔMICO


Produção agroindustrial iniciou o ano ainda fraca

Índice calculado pelo FGV Agro subiu 0,3% em janeiro ante dezembro, mas caiu 4,1% em relação a janeiro de 2021


Após a estagnação observada em 2021, o Índice de Produção Agroindustrial Brasileira (PIMAgro) calculado pelo Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) iniciou 2022 ainda com resultados relativamente fracos. Em janeiro, houve leve alta, de 0,3%, em relação a dezembro, mas ante janeiro do ano passado o indicador registrou queda de 4,1%. O PIMAgro é baseado em dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) do IBGE e nas variações do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR), da taxa de câmbio e do Índice de confiança do Empresário da Indústria de Transformação (ICI) da FGV. “O crescimento mensal (com ajuste sazonal) foi o terceiro consecutivo. Porém, mesmo com essas altas, a produção agroindustrial se encontra 3,5% abaixo do patamar verificado no período pré-pandemia (fevereiro/2000”, disse o FGV Agro. A alta sobre dezembro foi definida pelo crescimento observado no grupo de produtos não-alimentícios (0,9%), uma vez que no formado por alimentos e bebidas houve queda de 0,2%. No primeiro, o destaque foi o crescimento dos biocombustíveis (9,7%); no segundo, a maior variação negativa foi a das bebidas não-alcoólicas (5,6%). “Os motivos que afetaram fortemente a agroindústria em 2021 permanecem nesse início de ano. De modo geral, há impactos pelos dois lados do mercado: no da oferta, pesa a desorganização das cadeias produtivas, que vem dificultando o acesso às matérias primas e elevando os custos de produção; no da demanda, o poder de compra da população continua sendo corroído pela elevada inflação, o mercado de trabalho ainda não dá fortes sinais de recuperação e o crédito se mantém caro por conta das elevadas taxas de juros”, avaliou o FGV Agro.

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