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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 50 DE 20 DE JANEIRO DE 2022


Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 2 | nº 50| 20 de janeiro de 2022



NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL


BOVINOS


Boi gordo: ritmo de negócios segue lento

Com demanda interna enfraquecida, frigoríficos direcionam esforços ao atendimento do mercado externo


Os negócios no mercado brasileiro do boi gordo continuaram em ritmo lento na quarta-feira, 19 de janeiro, refletindo o baixo escoamento da carne bovina no atacado/varejo, além da menor oferta se animais terminados e o avanço nas escalas de abate dos frigoríficos. Com isso, as cotações do boi gordo seguem estáveis na maioria absoluta das praças brasileiras, informam a Scot Consultoria e a IHS Markit, empresas que acompanham diariamente o setor pecuário. No interior de São Paulo, o boi gordo está cotado em R$ 337/@, enquanto a vaca e a novilha prontas para abate são negociadas por R$ 308/@ e R$ 326/@ (preços brutos e a prazo), aponta a Scot Consultoria. Os negócios com o “boi-China” estão firmes e são fechados por até R$ 345/@, em São Paulo. Segundo a IHS Markit, as atuais condições de mercado devem resultar em estabilidade dos preços da arroba até pelo menos o final deste mês. No momento, com o mercado doméstico ainda patinando, as indústrias frigoríficas direcionam o foco para as exportações, ressaltam os analistas. No mercado atacadista de carne bovina, as vendas foram classificadas como fracas no final de semana, informa a Agrifatto. O cenário atual, diz a consultoria, segue marcado pelo baixo consumo de cortes bovinos, comportamento natural para a segunda quinzena do mês, quando há um maior esgotamento do salário mensal recebido pelos trabalhadores. Por enquanto, informa a Agrifatto, a carcaça casada bovina permanece cotada em R$ 20,50/kg, sustentada pela baixa oferta de animais. Porém, caso o escoamento não passe por melhoras, reajustes negativos devem aparecer, prevê a consultoria. Cotações: PR-Maringá: boi a R$ 315/@ (à vista) vaca a R$ 291/@ (à vista); SP-Noroeste: boi a R$ 340/@ (prazo) vaca a R$ 310/@ (prazo); MS-C. Grande: boi a R$ 317/@ (prazo) vaca a R$ 305/@ (prazo); MT-Cuiabá: boi a R$ 318/@ (à vista) vaca a R$ 300/@ (à vista); GO-Goiânia: boi a R$ 320/@ (prazo) vaca R$ 310/@ (prazo); RS-Fronteira: boi a R$ 340/@ (à vista) vaca a R$ 320/@ (à vista); PA-Paragominas: boi a R$ 294/@ (prazo) vaca a R$ 286/@ (prazo); TO-Araguaína: boi a R$ 296/@ (prazo) vaca a R$ 285/@ (prazo); RO-Cacoal: boi a R$ 297/@ (à vista) vaca a R$ 286/@ (à vista); MA-Açailândia: boi a R$ 296/@ (à vista) vaca a R$ 275/@ (à vista).

PORTAL DBO


SUÍNOS


Suínos: mais quedas na quarta-feira

Na cotação do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à terça-feira (18), houve queda de 2,99% no Rio Grande do Sul, chegando em R$ 4,55/kg, recuo de 2,83% no Paraná, atingindo R$ 4,46/kg, desvalorização de 2,34% em São Paulo, alcançando R$ 5,42/kg, baixa de 1,32% em Santa Catarina, custando R$ 4,50/kg, e de 1,08% em Minas Gerais, fechando em R$ 5,49


Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF ficou estável, valendo R$ 90,00/R$ 100,00, assim como a carcaça especial, custando R$ 7,50 o quilo/R$ 7,90 o quilo.

Cepea/Esalq


Preço do suíno recua 30% em um ano no RS; conta não está fechando para o produtor, diz associação

Estado enfrenta cenário de oferta elevada de suínos, mas com preços ao consumidor a níveis baixos


O setor de suínos vem sofrendo com a desvalorização observada nos últimos meses. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o valor do quilo que há um ano era de R$ 7,74 agora chega a R$ 5,49, redução de cerca de 30%, conforme destaca o Presidente da Associação dos Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul, Valdecir Folador. “Esse é um cenário que foi construído pela quebra na safra de soja e milho no estado. Além disso, temos uma oferta muito elevada e os preços a nível do consumidor estão baixos. A conta não está fechando para o produtor”, afirma. Ainda segundo Folador, mesmo com o consumo interno em bom nível, o ritmo da produção de carne suína registrou forte crescimento, com aumento de oferta de 40% nos últimos cinco anos.

CANAL RURAL


Suinocultura brasileira pede socorro, diz presidente de entidade

De acordo com Losivanio Lorenzi, Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos, suinocultores estão pagando para trabalhar


Em algumas praças acompanhadas pelo Cepea, a saca de 60 quilos de milho já vem sendo negociada acima de R$ 100, como é caso de Campos Novos, Santa Catarina. De acordo com pesquisadores do Cepea, os produtores do cereal seguem limitando o volume ofertado. Com isso, compradores, especialmente suinocultores e avicultores, têm voltado ao spot, na tentativa de recompor os estoques, mas têm tido dificuldade para realizar novas aquisições. Estimativas sobre a produção brasileira foram divulgadas na semana passada e confirmaram as perdas da safra verão brasileira na temporada 2021/22. Lembrando que o milho é o principal componente da ração de suínos e aves, que representa a maior parte na formação do custo de produção dos animais. Na quarta-feira (19), Losivanio Luiz de Lorenzi, Presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), escreveu um artigo afirmando que os “Suinocultores pedem socorro”. No artigo, Losivanio Lorenzi diz que a suinocultura brasileira vive um momento ímpar, exportando cada vez mais, batendo recordes em volume produzido e sendo uma grande oportunidade para o consumidor adquirir a carne suína, já que tem um dos preços mais acessíveis de proteína animal do mercado. Na contramão deste cenário, no entanto, ele afirma que o “produtor está amargando uma das maiores crises da história da atividade”. “No ano passado, a partir do final do primeiro trimestre, o preço do suíno começou a baixar e o cenário só foi agravando até o final do ano, fazendo com que o produtor perdesse por suíno entregue de 100 quilos, o valor de R$ 110 por animal”. Segundo o presidente da entidade, a situação só tem piorado desde o início deste de 2022, “já que os produtores independentes estão comercializando o suíno a R$ 4,50 o kg com o custo de produção na casa dos R$ 8. Isso significa um prejuízo de R$ 350 por animal comercializado”, complementa. “Ninguém mais sustenta uma atividade pagando caro para trabalhar. O pior de tudo é não vermos a curto e médio prazo uma solução para este grave problema porque a produção continua em expansão no campo. Para piorar temos a seca que atingiu alguns estados do País e também nossos vizinhos como Argentina e Paraguai. Ela tem deixado inúmeras perdas em lavouras como milho e soja. Para se ter uma ideia do tamanho do prejuízo, em 2020 comprávamos com 1 kg de suíno com 5.100 kg de milho. Em 2021 esse volume caiu para 4.070 kg e agora a relação de troca está em 2.540 kg”, explica. O Presidente da entidade conta que esteve com a ministra da agricultura, na semana passada, onde entregou uma série de medidas para ajudar os suinocultores. “Sabemos das dificuldades financeiras que atravessa o país devido a pandemia, onde vários setores tiveram a ajuda do governo. Mas para nós suinocultores até agora não foi concedido qualquer auxílio. Esperamos que essa realidade mude o quanto antes, caso contrário será uma catástrofe financeira não só para as propriedades que estarão parando a produção, mas para economia de inúmeros municípios catarinenses, do estado e do nosso país”.

CANAL RURAL


FRANGOS


Frango: quarta-feira com cotações estáveis

Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave na granja ficou estável em R$ 4,90/kg, assim como a ave no atacado, valendo R$ 5,50/kg

No caso do animal vivo, o Paraná ficou estável em R$ 5,10/kg, enquanto São Paulo e Santa Catarina ficaram sem referência de preço nesta quarta-feira (19). Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à terça-feira (18), tanto a ave congelada quanto a resfriada ficaram estáveis, valendo, respectivamente, R$ 6.05/kg e R$ 5,88/kg.

Cepea/Esalq

EMPRESAS


Coopavel tem maior faturamento da história e anuncia mudança no modelo de gestão

A Cooperativa Coopavel, de Cascavel, faturou R$ 4,94 bilhões em 2021. O resultado é 42% maior que 2020 e o melhor dos seus 51 anos de fundação. O número foi divulgado na quarta-feira (19) durante a Assembleia Geral Ordinária. Na mesma assembleia, foi anunciada a mudança no modelo de gestão da cooperativa


A nova diretoria, eleita para o período de 2022 ao fim de 2025, será a última de um modelo de gestão iniciado em 1970 no qual os cargos executivos são ocupados por cooperados. A futura composição da diretoria terá um presidente executivo e quatro diretores (todos esses serão profissionais contratados), um conselho fiscal e um conselho administrativo (estes formados por cooperados). Os detalhes da transição ainda serão definidos, conforme informou a cooperativa. “É hora de trilhar um novo caminho para o futuro, que começa com uma ampla reforma estatutária. Toda transição é desafiadora e cria oportunidades que queremos compartilhar. Estamos elaborando um plano com clareza e transparência. Um plano estratégico inspirado no melhor da governança empresarial”, destacou Dilvo Grolli, presidente da Coopavel, que está no cargo há 25 anos e foi reeleito para a gestão 2022/2025. Sobre o faturamento recorde, Grolli diz que é o reflexo do planejamento estratégico. “Estamos preparando a Coopavel já há três anos, com bases bastante sólidas, para chegar ao fim de 2025 com faturamento de R$ 10 bilhões e iniciar então uma nova era na história da cooperativa”, afirma o presidente.

GAZETA DO POVO


Marfrig: ômicron não afeta abates

Em nota a Money Times, a maior processadora mundial de hambúrguer e um dos principais players de carne in natura, aproveitou para reforçar as unidades com protocolos mais rígidos depois do surgimento da variante ômicron


A Marfrig diz que “aumentou a busca ativa através de questionário epidemiológico em 5% de toda a área produtiva (semanalmente e aleatoriamente) e promove o afastamento daqueles que testaram positivo ou com sintomas gripais, além de gestantes, pessoas com doenças crônicas e acima de 60 anos”. A testagem também está sendo feita em todos os colaboradores, além da manutenção dos protocolos clássicos, desde o início da crise sanitária mundial, como sanitização dos ambientes diariamente, menos fluxo de funcionários nos refeitórios com intervalos diferentes, distanciamento, exigência de máscaras e pontos de aspersão de álcool em gel.

Money Times


PlantPlus, da Marfrig, conclui aquisições na América do Norte

Compras da Sol Cuisine e da Hillary's foram fechadas por US$ 140 milhões


A Marfrig informou ontem (19/1) ao mercado que a PlantPlus, uma joint venture de proteínas à base de plantas que ela tem com a ADM, concluiu a compra da canadense Sol Cuisine e da americana Drink Eat Well, conhecida como Hillary's. As aquisições, fechadas por US$ 140 milhões, foram anunciadas simultaneamente no início de novembro. Dona de 70% da PlantPlus, a Marfrig vai colocar US$ 100 milhões de seu caixa para bancar as compras, enquanto a ADM contribuiu com o restante, segundo apuração feita pelo Pipeline à época. Em comunicado aos acionistas, a Marfrig disse na quarta-feira que as aquisições aumentarão seu portfólio de produtos e sua capacidade para aprimorar as operações da PlantPlus Foods na América do Norte. A Sol Cuisine é uma produtora de proteína vegetal que conta com uma plataforma de distribuição nos mercados do Canadá, Estados Unidos e México. A Hilary's, por sua vez, produz alimentos à base de plantas e vegetais, livres de alérgenos, sem utilização de trigo, glúten, soja, laticínios, ovos, milho ou nozes. Seu portfólio oferece itens como hambúrgueres e salsichas à base de plantas, que são distribuídos nos EUA.

VALOR ECONÔMICO


JBS emite primeira 'senior note' com vencimento em 30 anos

Conselho de administração aprovou duas emissões, que totalizam US$ 1,5 bilhão

A JBS na noite de ontem (19/1) informou que as suas subsidiárias JBS USA Lux e a JBS USA Food Company precificaram hoje suas "senior notes" no mercado internacional, que serão lançadas em duas séries e totalizam US$ 1,5 bilhão. Mais cedo, a companhia havia informado que seu conselho de administração aprovou a emissão de maneira unânime. A primeira tranche, com vencimento em 2029, será de US$ 600 milhões, com valor de face de US$ 98,37, yield de 3,26% ao ano e cupom de 3% ao ano. A outra série será de US$ 900 milhões, com valor de face de US$ 99,97, yield de 4,38% ao ano e cupom anual de 4,37%. O papel terá vencimento em 2052, o que faz dessa a primeira emissão da JBS com prazo de 30 anos. Segundo a companhia, os recursos captados na operação serão utilizados para financiar o resgate antecipado das senior notes emitidas pela JBS USA Food, com remuneração de 5,75% e vencimento em 2028. O saldo remanescente deverá ser utilizado para “outros propósitos corporativos". A conclusão da operação deverá ocorrer em 2 de fevereiro. Ainda de acordo com a ata enviada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a emissão será destinada ao mercado internacional, para investidores institucionais residentes e domiciliados nos Estados Unidos.

VALOR ECONÔMICO


MEIO AMBIENTE


Redução do rebanho não é opção para diminuir emissões de metano, diz secretário de Inovação do Mapa

Compromisso firmado pelo Brasil e outros cem países durante a COP26, a redução de emissões de metano no setor agropecuário ganhou reforço. Nesta semana, o Fundo Verde do Clima (GCF, na sigla em inglês) apresentou projeto para buscar reduzir as emissões de metano da pecuária das Américas, em iniciativa que será financiada com recursos da ordem de US$ 100 milhões, informou o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na quarta-feira (19)


O anúncio foi realizado durante a cerimônia virtual de posse do Diretor-Geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), o argentino Manuel Otero, do qual a Ministra Tereza Cristina participou enquanto Presidente da Junta Interamericana de Agricultura (JIA). Desde junho do ano passado, o fundo credenciou o IICA para implementar projetos financiados pela sua carteira de créditos, o que permite ao organismo acesso a recursos que apoiem iniciativas de adaptação e resiliência climática da agricultura e da ruralidade nos países das Américas. “Esta parceria entre o Fundo Verde do Clima e o IICA é de extrema importância, pois se vislumbra o financiamento e recursos para o aprimoramento da pesquisa e outras tecnologias de inovação, as quais entendemos que é o caminho a ser trilhado. A redução do rebanho não é uma opção, o que se acredita é que com muita tecnologia e inovação nós vamos conseguir reduzir, e já há estudos para isso, a emissão de metano”, disse o secretário de Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Irrigação do Mapa, Fernando Camargo. A adesão ao compromisso global de redução de 30% nas emissões é voluntária e o Brasil já desenvolve várias ações que podem contribuir para esta meta. O secretário reforçou a criação de gado em sistemas integrados permitindo que as emissões da pecuária sejam absorvidas pela lavoura e pela floresta que coexistem no sistema produtivo. Essa é uma das tecnologias do Plano ABC+, que promove práticas para uma agropecuária de baixa emissão de carbono com meta de redução de mais de 1 bilhão de toneladas até 2030. Entre as estratégias que já são utilizadas para reduzir a emissão de metano na pecuária brasileira estão o melhoramento genético de pastagens para desenvolver alimentos mais digestíveis para os animais e o melhoramento genético dos animais, permitindo o abate precoce e, assim, a redução da emissão desses gases. Também está em estudo a utilização de aditivos que podem ser agregados na alimentação animal, com substâncias como algas, taninos e óleos essenciais. “Então, esse é o melhor dos mundos: ter um animal geneticamente menos emissor, com uma boa alimentação e num sistema de criação em que se consegue fazer a remoção das emissões”, finalizou Camargo. O IICA informou que o primeiro passo da iniciativa, que vai contribuir para o desenvolvimento de processos produtivos mais eficientes e abrirá oportunidades tanto para o setor público quanto privado de apresentar seus projetos no continente americano, será a realização de estudos de viabilidade, a partir de um aporte inicial de US$ 1,5 milhão do GCF. O GCF, sediado na Coreia do Sul, é um fundo criado pela Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, com uma carteira de US$ 20 milhões. A missão é ajudar países em desenvolvimento a elaborar práticas e tecnologias de adaptação às mudanças climáticas e à mitigação de seus efeitos.

CARNETEC


INTERNACIONAL


Preços altos da carne nos EUA: lucro da indústria ou crise de capacidade?

O governo Biden está mirando um pequeno grupo de frigoríficos pelos altos preços de carne bovina, suína e de aves que, segundo a administração, estão pressionando os consumidores e alimentando a inflação, com argumentos de que estão abusando de seu poder de mercado


A indústria de frigoríficos dos Estados Unidos é dominada por algumas empresas globais que dizem que os preços refletem um aumento na demanda, suprimentos limitados pela pandemia e aumento dos custos de mão de obra e transporte. Essas companhias negam as alegações do governo de especulação durante a pandemia. Economistas agrícolas dizem que a demanda por carne estimulada pela pandemia expôs uma escassez de capacidade de abate, especialmente em carne bovina, um problema da cadeia de oferta semelhante ao de outras indústrias. “Acho que provavelmente há alguma verdade em ambos os lados”, disse David Anderson, economista de gado da Universidade A&M do Texas, sobre a batalha da Casa Branca com os processadores de carne. “Os consumidores estão comprando carne bovina. Nossas exportações estão crescendo”, disse ele. “O que estamos vendo com os preços, eu diria como economista, é exatamente o que devemos ver devido a esse gargalo. E os problemas de capacidade não serão resolvidos da noite para o dia”. Os pecuaristas estão frustrados com as opções limitadas para vender seus rebanhos, disse ele, acrescentando: “Não acho que seja uma coisa ruim que o governo esteja analisando essas coisas”. No centro do problema, assim como nos problemas de cadeia de oferta, está a demanda extraordinariamente forte do consumidor por carne, especialmente carne bovina. Os americanos se recolheram durante a pandemia e esbanjaram em guloseimas consumíveis em vez de viagens ou entretenimento, e os chineses trocaram importações australianas por carne bovina dos EUA alimentada com grãos, em meio a uma disputa diplomática. Esse salto colidiu com um sistema de processamento de carne dos EUA já sobrecarregado até seus limites por décadas de busca por eficiência e lucro máximos, deixando apenas quatro empresas para dominar o mercado de carne bovina. Os preços de varejo da carne bovina subiram 30% desde o início de 2020, antes do início dos lockdowns pandêmicos, para um pico de 7,90 dólares por libra em outubro, antes de caírem levemente em novembro e dezembro, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA. O presidente Joe Biden anunciou medidas para aumentar a concorrência no processamento de carne bovina, suína e de aves para conter o que ele argumenta ser “exploração” de consumidores e agricultores. O plano de ação do governo inclui 1 bilhão de dólares para subsídios e empréstimos para novas plantas de processamento independentes, 100 milhões de dólares para treinamento de trabalhadores, novas regras de rotulagem e formas de agricultores relatarem práticas anticompetitivas.

Reuters


NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ


PR pede ao governo federal mais ações para produtores prejudicados pela crise hídrica

O governo do Paraná, por meio da Seab e juntamente com a Ocepar, Fetaep e Faep, enviou um ofício à ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, na terça-feira (18/01), solicitando o apoio da pasta na implementação de medidas de auxílio aos produtores rurais e cooperativas atingidos pelo longo período de estiagem que atinge o Estado


Na semana passada, a Ministra esteve em Cascavel, no oeste paranaense, conferindo as perdas que estão sendo contabilizadas nas lavouras de grãos devido à falta de chuvas. Na oportunidade, um levantamento recente feito pela Seab foi entregue à Tereza Cristina, estimando prejuízo prévio de R$ 25,6 bilhões na safra de grãos do Paraná em 2021/22. A região Oeste é a mais atingida pela quebra de safra no Estado, com redução prevista de 71% na colheita de soja, de 65% na de milho e de 60% na primeira safra de feijão, podendo somar R$ 8,1 bilhões de prejuízo. A queda, porém, abrange todas as regiões, com perda média estimada de 39% na lavoura de soja, 36% no milho e 30% no feijão. No documento enviado à ministra na terça, as entidades paranaenses destacam que o governo do Estado, por meio da Seab e do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), está trabalhando com a Ocepar, Faep e Fetaep para implementar soluções e superar os desafios impostos pela seca e a estiagem, dentro dos limites institucionais e financeiros disponíveis para o enfrentamento da calamidade que se instalou no Estado. Mas, para fazer frente ao quadro, propõem a implantação imediata de várias medidas, ligadas especialmente ao crédito e seguro rural, solicitando apoio do Mapa para que sejam efetivadas, entre elas: Criar linha emergencial de crédito, destinada ao financiamento de custeio emergencial para produtores do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e Pronamp (Programa Nacional de Apoio Ao Médio Produtor Rural), que fizeram a comunicação de perdas no âmbito do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) ou tenham acionado o seguro agrícola para as culturas de batata, feijão, milho, soja e demais que não tenham sido indenizadas. Criar linha de crédito emergencial para produtores que utilizaram recursos próprios, ou seja, não acessam o crédito rural, com vistas a permitir a liquidação de duplicatas rurais e Cédulas do Produtor Rural (CPRs) e outras. Criar linha de crédito para as cooperativas agropecuárias que financiaram o custeio dos seus cooperados com a linha de financiamento de insumos. Também, a abertura de linha de crédito para giro (com repasse aos cooperados) de longo prazo (5 anos), com juros pré-fixados e subsidiados, para o produtor poder quitar seus débitos de curto prazo e não ficar inadimplente. Criar linha de crédito para retenção de matrizes (pecuária de leite e suinocultura). Postergar parcelas de financiamentos de investimentos com vencimento em 2022 e 2023 para o final do contrato (corretivos, máquinas e implementos e integração). Negociar com o Banco Central do Brasil a adoção de medidas junto aos agentes de Proagro, entre eles bancos e peritos, com vistas a reduzir o prazo de 45 para 15 dias úteis, após o recebimento do relatório final de comprovação de perdas, para a análise e o julgamento do pedido de cobertura. Reduzir de cinco para três dias úteis, após a decisão do agente de Proagro, o prazo de comunicação ao beneficiário sobre o resultado do pedido de cobertura, considerando que a janela de plantio de feijão e milho segunda safra é exíguo. Realizar alinhamento urgente com as seguradoras sobre a metodologia de vistoria das áreas. Distribuir sementes para os agricultores que foram atingidos e não tem recursos para comprar insumos para uma nova safra.

SEAB-Pr


ECONOMIA/INDICADORES


Dólar fecha no menor patamar em dois meses com exterior e fala de Lula

Ex-presidente defendeu o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, com quem pode dividir a chapa na eleição deste ano


A recuperação parcial dos ativos de risco em relação ao pregão da véspera acabou intensificada, no mercado de câmbio brasileiro, por comentários tidos como moderados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Diante desse quadro, o dólar comercial registrou queda firme e voltou a operar em patamares não vistos desde meados de novembro. No fim do dia, a moeda americana foi negociada a R$ 5,4654, queda de 1,70%. Este é o menor nível de fechamento desde 12 de novembro, quando o dólar fechou cotado a R$ 5,4579. Em entrevista a blogs de esquerda, Lula defendeu o nome do ex-governador Geraldo Alckmin, que recentemente deixou o PSDB e é cotado para ser seu vice na eleição deste ano. "Espero que o Alckmin esteja junto, seja vice ou não, porque me parece que ele se decidiu a fazer oposição definitiva não apenas a Bolsonaro, mas ao 'dorismo' aqui em São Paulo. O PSDB não é o PSDB social-democrata do Mário Covas, do Fernando Henrique Cardoso, do José Serra no período constituinte, no tempo do Franco Montoro", afirmou o petista. O comentário do petista em relação a uma parceria com Alckmin para a eleição "pode ser visto com um sinal moderado de Lula e, portanto, positivo para ativos", analisa um profissional de banco estrangeiro. Na avaliação de um gestor brasileiro, existe também uma mudança do quadro técnico em curso. "Fluxo de estrangeiros comprando juros e câmbio. Os fundos locais estão muito vendidos em Brasil, e saindo fora", ponderou. Lá fora, a moeda americana reverte parte dos ganhos registrados na véspera, em uma nova flutuação de humor dos investidores em relação ao caminho da política monetária do Federal Reserve. No fim do pregão brasileiro, o dólar caía 1,21% frente ao rand sul-africano, 0,85% contra o rublo russo e 0,74% frente à lira turca.

VALOR ECONÔMICO


Ibovespa tem dia de recuperação com alívio nos juros globais

Bolsa encerrou o pregão com ganhos de 1,26%, aos 108.013,47 pontos


O alívio observado nos rendimentos dos Treasuries, que vinham escalando nos últimos dias com as perspectivas de uma retirada mais rápida de estímulos monetários pelo Federal Reserve (Fed), foi refletido na curva local de juros e abriu espaço para um novo dia de recuperação do Ibovespa. Ademais, a busca de investidores globais por ações cíclicas e de "value", características importantes do mercado local, vem sustentando a entrada de um importante fluxo estrangeiro para os papéis brasileiros. Assim, após ter sido negociado em alta durante todo o dia, o Ibovespa encerrou o pregão com ganhos de 1,26%, aos 108.013,47 pontos. O volume negociado dentro do índice hoje foi de R$ 22,10 bilhões. Após um dia de estresse elevado nos mercados de Nova York, quando os investidores chegaram a precificar uma alta superior a 25 pontos-base na próxima reunião do Fed, a reversão parcial dessas apostas abriu espaço para um alívio nos mercados de juros globais. No Brasil, o cenário no mercado de renda fixa não foi diferente e as companhias mais sensíveis às variações nas taxas de juros, que vinham acumulando perdas importantes em 2022, foram as principais beneficiadas. A bolsa brasileira tem experimentado um fluxo importante de compras no mercado local. Segundo dados da B3, nos primeiros 11 pregões de 2022, os estrangeiros ingressaram com R$ 12,562 bilhões em recursos na B3 no mercado secundário. Analistas ainda apontam que a sinalização do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ex-governador Geraldo Alckmin também pode ter contribuído para uma melhora no apetite dos agentes por ativos de risco. Segundo gestores ouvidos pelo Valor, em condição de anonimato, o mercado ainda deve dar o benefício da dúvida ao ex-presidente Lula em algum momento nos próximos meses, mas "ainda parece muito cedo para isso".

VALOR ECONÔMICO


Atividade econômica cresce 1,8% em novembro, diz FGV

No trimestre, houve baixa de 0,3% frente aos três meses anteriores. A agropecuária teve queda de 15,9%,


A atividade econômica cresceu 1,8% no Brasil em novembro de 2021, frente a outubro, indica o Monitor do PIB (Produto Interno Bruto), calculado pelo FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas). Foi a primeira alta após dois meses de variações negativas, conforme os dados divulgados na quarta-feira (19). O monitor também traz recorte trimestral. Nesse caso, a atividade econômica ficou no vermelho, com baixa de 0,3% até novembro, em relação aos três meses imediatamente anteriores. "Na comparação mensal, houve uma reversão, porque a taxa vinha caindo. Já o número do trimestre indica que, mesmo com o crescimento em novembro, tivemos uma série de problemas anteriores", afirma o economista Claudio Considera, pesquisador associado do FGV Ibre. O Monitor do PIB busca antecipar o ritmo da atividade econômica no Brasil mês a mês. O resultado oficial do PIB é calculado a cada três meses pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Pela ótica da oferta, o setor de serviços, o principal da economia nacional, cresceu 1,5% em novembro, ante outubro, indicou o monitor da FGV. A indústria, por sua vez, subiu 0,5%. No sentido contrário, a agropecuária teve queda de 15,9%, após crescimento de 23,7% no mês anterior. Pelo lado da demanda, o consumo das famílias avançou 0,4% em novembro. Houve alta de 19,2% nos investimentos produtivos na economia, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo, que havia caído 15,6% em outubro. O consumo do governo (0,7%) e as exportações (3,4%) também ficaram no azul. Já as importações recuaram 0,1% no mês. Segundo o monitor, a atividade econômica registrou crescimento de 4,4% no período de 12 meses até novembro. Conforme Considera, a expectativa é de que o PIB encerre o ano de 2021 com uma alta na faixa de 4,5%, muito influenciada pela base de comparação fraca — em 2020, a queda foi de 3,9%. "É possível que o PIB também tenha algum crescimento no quarto trimestre de 2021, mas não algo para ser amplamente festejado", pondera o pesquisador. Em novembro de 2021, o monitor ainda apontou crescimento de 2,2% na atividade frente a igual mês do ano anterior. Em relação ao trimestre encerrado em novembro de 2020, houve alta de 1,3%. "A economia está praticamente estagnada", diz Considera. Em meio ao cenário de dificuldades, o mercado financeiro prevê baixo desempenho econômico em 2022. A projeção é de elevação de apenas 0,29% no PIB deste ano, conforme a edição mais recente do boletim semanal Focus, divulgada na segunda-feira (17) pelo BC (Banco Central). Há, inclusive, casas de análise que apostam em um recuo do PIB em 2022.

FOLHA DE SÃO PAULO


Contas do governo devem fechar no vermelho em R$ 106,2 bilhões este ano, projeta IFI

Rombo nas contas do governo deve ser maior do que o do ano passado, estimado em R$ 38,2 bilhões; PEC dos Precatórios e menor crescimento da economia devem piorar quadro fiscal, segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado


Após encerrar o ano passado com um rombo estimado em R$ 38,2 bilhões, as contas do governo devem fechar 2022 no negativo com um déficit primário de R$ 106,2 bilhões em 2022. Ambas as projeções constam no Relatório de Acompanhamento Fiscal de janeiro, publicado nesta quarta-feira, 19, pela Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado. O órgão aponta que a aprovação da PEC dos Precatórios abriu espaço para mais gastos, levando à piora da situação das contas públicas em um ano em que o arrefecimento da atividade deve impactar também as receitas. “Essencialmente, a piora no resultado primário prevista para 2022 decorre do aumento nas despesas possibilitado pela promulgação das Emendas Constitucionais nº 113 e nº 1148, de 2021, que promoveram modificações na regra do teto de gastos e limitaram a despesa anual da União com o pagamento de precatórios, e da redução no ritmo de crescimento das receitas primárias em decorrência da desaceleração na atividade econômica e da piora relativa nos termos de troca na comparação com 2021”, destaca o documento. A IFI lembra que o Orçamento de 2022 foi aprovado com uma previsão de déficit primário de R$ 79,4 bilhões (ou seja, as despesas vão superar as receitas nesse valor, sem levar em conta os gastos com os juros da dívida). “O Orçamento já nasceu com pressões por ajustes”, avalia o relatório. “No Executivo, há um excesso de despesas em relação ao teto de gastos no valor de R$ 1,8 bilhão, o qual deverá ser corrigido apenas em 2023. Nos demais Poderes, os gastos não acompanharam a elevação dos limites e deverão sofrer reajustes no decorrer do ano. Além disso, parte dos pleitos enviados pelo Executivo ao Relator-Geral do Orçamento não foram atendidos, o que também deve gerar aumento nos gastos previstos para 2022”, detalha o texto. O órgão alerta ainda para o risco associado à criação ou ampliação de novas despesas permanentes, como o reajuste ao funcionalismo – em meio ao movimento disseminado de insatisfação dos servidores federais. O resultado do nominal do setor público também deve piorar em 2022, sobretudo pelo aumento dos gastos com juros decorrente do ciclo de alta da Selic e dos maiores prêmios pedidos pelos compradores de títulos do Tesouro. “Tudo indica que a despesa de juros, como proporção do PIB Produto Interno Bruto, seguirá em elevação nos próximos meses, podendo até reverter a atual trajetória favorável de redução do déficit nominal do setor público”, completa a instituição. A IFI destaca ainda que os dados de atividade no último trimestre do ano passado reforçam um quadro de menor crescimento do PIB para 2022. “Apesar do avanço da vacinação, o aumento recente de casos de covid-19 ocasionado pela variante Ômicron gera incertezas adicionais em relação ao desempenho do PIB deste ano”, lembra a instituição. Apesar das projeções para o IPCA neste ano continuarem ligeiramente acima do teto da meta (de 5%), a IFI considera que a elevação expressiva da taxa real de juros, a diminuição dos preços de energia e a reversão parcial dos preços de commodities são fatores que devem contribuir para o processo de desinflação ao longo de 2022.

O ESTADO DE SÃO PAULO


Investimento estrangeiro no Brasil dobra, mas fica abaixo do nível pré-Covid

País atrai US$ 58 bi do exterior em 2021, aponta relatório da Unctad


Após um 2020 de forte queda na economia internacional, o IED (Investimento Estrangeiro Direto) global teve uma forte recuperação em 2021, mas a retomada se deu de forma desigual, e o Brasil ainda não voltou ao nível pré-pandemia, segundo a Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento). De acordo com o monitor da Unctad publicado na quarta-feira (19), os fluxos globais de investimento estrangeiro direto tiveram forte recuperação em 2021, ao subir 77%, para cerca de US$ 1,65 trilhão (R$ 9,07 trilhões), superando o nível pré-Covid. No caso do Brasil, o IED mais que dobrou no ano passado, para US$ 58 bilhões (R$ 318,8 bilhões), mas vindo de um patamar bastante baixo em 2020 (US$ 28 bilhões ou R$ 153,9 bilhões), segundo a agência da ONU. O relatório também ressalta que as entradas de investimento estrangeiro no país se recuperaram, mas permaneceram um pouco abaixo do nível pré-pandemia. As economias desenvolvidas tiveram o maior aumento de longe, com o IED atingindo cerca de US$ 777 bilhões (R$ 4,27 trilhões) em 2021 –três vezes o nível de 2020, mostra o relatório. Os investimentos nos Estados Unidos mais do que dobraram, influenciados por um aumento nas fusões e aquisições. Já nas economias em desenvolvimento, os fluxos do IED aumentaram 30%, para quase US$ 870 bilhões (R$ 4,78 trilhões), com uma aceleração do crescimento no Leste e no Sudeste Asiático (20%), uma recuperação para níveis próximos aos de antes da pandemia na América Latina e no Caribe, e um aumento na Ásia Ocidental. "A recuperação dos fluxos de investimento para os países em desenvolvimento é encorajadora, mas a estagnação de novos investimentos em países menos desenvolvidos e em setores da indústria importantes para as cadeias produtivas —como eletricidade, alimentos ou saúde— é motivo de preocupação", disse a Secretária-Geral da Unctad, Rebeca Grynspan. O relatório também diz que a confiança dos investidores é crescente no setor de infraestrutura, apoiada por condições favoráveis de financiamento a longo prazo, pacotes de estímulos de recuperação e programas de investimento no exterior. Os financiamentos internacionais de projetos aumentaram 53% em número e 91% em valor, com avanços consideráveis na maioria dos países ricos, na Ásia e na América Latina e Caribe. O relatório não discute os desafios para o investimento em 2022, mas analistas apontam um cenário de turbulência, com a eleição em outubro, os desdobramentos da nova variante do coronavírus e seus impactos na economia global.

FOLHA DE SÃO PAULO


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