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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 492 DE 01 DE NOVEMBRO DE 2023


Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 3 | nº 492|01 de novembro de 2023


NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL


BOVINOS

Boi gordo sem viés de baixa, mas também não sobe

Ambiente de forte acomodação nas cotações da arroba, marcado pela ausência de negócios nas principais regiões pecuárias


Repetindo o comportamento visto no primeiro dia desta semana, a terça-feira (31/10) foi de poucos negócios no mercado físico do boi gordo, informou a S&P Global Commodity Insights. “As escalas de abate entre as unidades brasileiras pouco avançaram”, afirmam os analistas, acrescentando: a maioria das programações das indústrias atende entre 5 e 7 dias, suficientes para os compromissos de curto prazo. Neste momento, as indústrias brasileiras seguem ainda bastante preocupadas com o ritmo lento das vendas de carne bovina no atacado/varejo e, por isso, não arriscam negociações (envolvendo lotes de animais gordos) com preços acima dos patamares vigentes. Do lado de dentro das porteiras, muitos pecuaristas continuam segurando os lotes de boiadas prontas, em uma tentativa de barganhar preços melhores neste período final de entressafra. Na B3, os preços dos contratos futuros do boi gordo estão mais fracos, efeito de movimentos de liquidação de posições depois das altas acumuladas nas semanas anteriores, informa a S&P Global. Pelos dados apurados pela Scot Consultoria, nas praças paulistas, as indústrias frigoríficas operam com escalas de abate para mais de cinco dias, quadro que resultou em cotações estáveis nesta terça-feira. Com isso, o boi gordo “comum” segue valendo R$ 235/@, enquanto a vaca e a novilha gordas são negociadas por R$ 218/@ e R$ 227/@, respectivamente (preços brutos e a prazo). O “boi-China” está cotado em R$ 240/@, valor bruto, no prazo – com ágio de R$ 5/@ sobre o animal “comum”, de acordo com a Scot. Cotações: PR-Maringá: boi a R$ 227/@ (à vista) vaca a R$ 202/@ (à vista); SP-Noroeste: boi a R$ 231/@ (prazo) vaca a R$ 217/@ (prazo); MS-Dourados: boi a R$ 225/@ (à vista) vaca a R$ 205/@ (à vista); MS-C. Grande: boi a R$ 227/@ (prazo) vaca a R$ 207/@ (prazo); MT-Cáceres: boi a R$ 202/@ (prazo); vaca a R$ 187/@ (prazo); MT-Cuiabá: boi a R$ 202/@ (à vista) vaca a R$ 187/@ (à vista); MT-Colíder: boi a R$ 197/@ (à vista) vaca a R$ 185/@ (à vista); GO-Goiânia: boi a R$ 222/@ (prazo) vaca R$ 207/@ (prazo); RS-Fronteira: boi a R$ 210/@ (à vista) vaca a R$ 180/@ (à vista); PA-Marabá: boi a R$ 214/@ (prazo) vaca a R$ 197/@ (prazo); PA-Paragominas: boi a R$ 222/@ (prazo) vaca a R$ 209/@ (prazo); TO-Araguaína: boi a R$ 222/@ (prazo) vaca a R$ 207/@ (prazo); RO-Cacoal: boi a R$ 205/@ (à vista) vaca a R$ 190/@ (à vista); MA-Açailândia: boi a R$ 212/@ (à vista) vaca a R$ 195/@ (à vista).

S&P Global/Scot Consultoria/Portal DBO


SUÍNOS


Mercado do suíno seguiu com estabilidade na 3ª feira

A Scot Consultoria informou que o valor da carcaça suína especial apresentou estabilidade em São Paulo e está cotado em R$ 9,40/kg. Os valores para o suíno CIF também seguiram com estabilidade e estão cotados em R$ 122,00/@


A cotação do animal vivo em Minas Gerais está em R$ 6,47/kg e seguiu com estabilidade, conforme foi divulgado pelo Cepea/Esalq referente às informações da última segunda-feira (30). Já no Paraná ficou precificado em R$ 6,09/kg e teve queda de 0,98%. O preço do animal vivo em São Paulo está em R$ 6,51/kg, queda de 0,91%. Em Santa Catarina, o preço do animal vivo também seguiu estável e está em R$ 6,03/kg. No Rio Grande do Sul, o preço do suíno apresentou queda de 0,65% e está cotado em torno de R $ 6,13/kg.

Cepea/Esalq


Brasil tem o menor custo de produção de suínos entre 17 países

Com custo da alimentação animal e salários menores, a suinocultura brasileira manteve a liderança em custos mesmo com os aumentos sofridos pelo setor

O Brasil mantém a liderança mundial, entre 17 países, no valor do custo de produção em dólares por quilo vivo de suíno. O País participa com os dados dos estados de Mato Grosso e Santa Catarina. Em Mato Grosso, o custo de produção em 2022 ficou em US$ 1,13 por quilo vivo de suíno, enquanto em Santa Catarina ficou em US$ 1,28. Apesar dos aumentos de 10% e 12% nos dois estados, respectivamente, em comparação a 2021, os valores ainda são menores que nos Estados Unidos (US$ 1,42 por quilo vivo), Dinamarca (US$ 1,49), Espanha (US$ 1,66), Holanda (US$ 1,74) e Alemanha (US$ 1,83). A média dos países que fazem parte da rede InterPIG é de US$ 1,72 por quilo vivo. Os custos mundiais da produção de suínos aumentaram significativamente em 2022. Os dados são do Grupo para Comparação dos Custos de Produção na Suinocultura (rede InterPIG), que reúne instituições de 17 países produtores de carne suína, incluindo o Brasil, que é representado pela Embrapa. Os números foram apresentados este ano durante a reunião do grupo. Por outro lado, os menores preços recebidos pelo quilo vivo também são do Brasil, com US$ 1,06, em Mato Grosso, e US$ 1,10, em Santa Catarina, enquanto a média, por exemplo, nos Estados Unidos é de US$ 1,58 por quilo vivo. “O principal objetivo desta divulgação é trazer informações para os agentes da cadeia produtiva no Brasil sobre o grau de competitividade dos seus principais concorrentes”, relata o pesquisador da área de socioeconomia da Embrapa Suínos e Aves (SC) Marcelo Miele. O pesquisador explica que o aumento generalizado dos custos de produção em 2022 ocorreu sobretudo em função dos preços do milho e do farelo de soja. Os insumos da ração animal foram impactados tanto por eventos climáticos quanto geopolíticos como a guerra na Ucrânia, que encareceu os fertilizantes e reduziu a oferta global de grãos. “Além disso, também se destaca a inflação global nos preços (energia elétrica, vacinas e medicamentos e construções), na remuneração da mão de obra e seu impacto nas taxas de juros”, completa Miele. O quadro geral em 2023 foi de queda no preço da ração e de estabilidade dos demais preços, porém em patamares elevados, exceto por um certo alívio na energia elétrica e pelo aumento nos salários. Os preços recebidos pelo quilo do suíno vivo também apresentam tendência de recomposição na maioria dos países. Por isso, o pesquisador aponta para uma perspectiva de ampliação das oportunidades para as exportações brasileiras, no próximo ano. “Hoje [essas exportações] ocupam a quarta posição no mercado internacional de carne suína, mas podem assumir a terceira colocação se os embarques do Brasil ultrapassarem os do Canadá. Caso isso se reflita nos preços recebidos pelos produtores, haverá impacto positivo nas margens de lucro”, analisa o cientista.

EMBRAPA


FRANGOS


Frango no atacado paulista tem ganho de 1,74%

Na terça-feira (31), o preço do frango no atacado no estado de São Paulo registrou valorização de 1,74% e o valor está em R$ 7,00 por kg. A Scot Consultoria informou ainda que a cotação para o frango na granja na praça paulista não teve reajuste e seguiu em R$ 5,00 por kg


A cotação do frango vivo no Paraná apresentou estabilidade e está em R$ 4,47/kg. Em São Paulo, a cotação do frango vivo está sem referência. A cotação do frango vivo em Santa Catarina teve baixa de 0,23% e está em R$ 4,27/kg, conforme divulgado pelo Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina). No último levantamento realizado pelo Cepea da segunda-feira (30), o preço do frango congelado permaneceu estável e está em R$ 7,14/kg. Já a cotação do frango resfriado também seguiu com estabilidade, sendo negociado em R$ 7,22/kg.

Cepea/Esalq



República Dominicana habilita 7 unidades de suínos e 4 de bovinos da JBS

A JBS recebeu habilitação da República Dominicana para exportar carne suína produzida em sete plantas da Seara e carne bovina de quatro unidades da Friboi, informou a empresa em comunicado na terça-feira (31)


As fábricas habilitadas a exportar carne bovina estão em Rondônia: São Miguel do Guaporé, Pimenta Bueno, Porto Velho e Vilhena. As unidades de suínos estão localizadas em Seara (SC), São Miguel do Oeste (SC), Itapiranga (SC), Seberi (RS), Caxias do Sul (RS), Três Passos (RS) e Carambeí (PR). A JBS disse que a República Dominicana importa 140 mil toneladas de carne suína por ano. A República Dominicana abriu o mercado para as carnes bovina e suína brasileiras em agosto, quando sete plantas brasileiras foram habilitadas a exportar para o país.

CARNETEC


GOVERNO


Ministério da Agricultura pode ficar sem verba extra para seguro rural em 2023

Governo adiou reunião que deveria analisar suplementação de R$ 500 milhões para o caixa do benefício. Técnicos avaliam que não haverá tempo hábil para a execução do orçamento do seguro até 31 de dezembro

A reunião da Junta de Execução Orçamentária (JEO) que vai analisar a suplementação de R$ 500 milhões para o caixa do seguro rural será realizada apenas no dia 21 de novembro. O adiamento do encontro, esperado anteriormente para esta segunda-feira (30/10), pode frustrar os planos do Ministério da Agricultura e inviabilizar a aplicação da verba extra ainda em 2023. A avaliação de técnicos ouvidos pela reportagem é que não haverá tempo hábil para a execução desse orçamento até 31 de dezembro. Com base na experiência de anos anteriores, eles afirmam que, mesmo se a suplementação for aprovada no fim de novembro, ainda vai demorar alguns dias até o dinheiro ser disponibilizado efetivamente para pagar as subvenções. Com isso, o prazo ficará curto para atender a demanda de produtores e seguradoras, além de haver um "descasamento" com o período de contratação das apólices no campo. O Ministério da Agricultura queria mais tempo para poder abrir o sistema e recepcionar as propostas de apólices das empresas seguradoras. O orçamento inicial do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) era de R$ 1,06 bilhão. O recurso caiu para R$ 933 milhões após dois cortes e poderá chegar a R$ 1,4 bilhão, valor recorde, se a suplementação for aprovada pela JEO. "Ainda aguardamos a aprovação da suplementação do seguro rural pelo governo, não temos informações deles de quando deve ocorrer essa aprovação. Necessitamos da abertura do sistema para inserirmos as solicitações de subvenções das propostas. Se isto ocorrer agora, mesmo antes da aprovação, não teremos problema em realizarmos a aplicação desses recursos", disse Joaquim César Neto, presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). A abertura prévia do sistema, no entanto, ainda é incerta. Na equipe que cuida do PSR em Brasília, existe o receio de que a suplementação pode não ocorrer. Com isso, as apólices recepcionadas sem garantia de caixa teriam que ser canceladas, o que poderia configurar um "calote" às seguradoras e produtores. O Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, tem negociado com o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a análise da suplementação. Recentemente, ele ressaltou que já existe a garantia da fonte de onde sairão os recursos para o aporte extra no PSR. "Está na pauta, inclusive com fonte de recurso garantido. Então, a suplementação vai acontecer", disse Fávaro na semana passada após evento na CNA, em Brasília.

GLOBO RURAL


NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ


Plantio de soja no Paraná atinge 69% da área; chuvas limitam trabalhos ao sul, diz Deral

O plantio de soja do Paraná atingiu 69% da área estimada para a cultura na safra 2023/24, avanço de 11 pontos percentuais em relação à semana anterior, apesar de chuvas intensas no Estado nos últimos dias, que têm dificultado os trabalhos em algumas áreas, de acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral) publicados na terça-feira


O plantio continua adiantado em relação a 2022 nesta época (67%), após ter avançado bem no início dos trabalhos, diante das condições climáticas de El Niño que tendem a trazer mais chuvas para o Sul do Brasil. Mas, até a semana passada, os dados de semeadura mostravam um ritmo mais forte na comparação anual, com as precipitações mostrando-se agora excessivas em partes do Estado. Em algumas áreas ao sul do Paraná, há reportes de dificuldades para semear a oleaginosa devido à elevada umidade, disse o Deral, enquanto campos no Centro-Oeste, como em Mato Grosso, sofrem com a irregularidade de chuva. Na última semana, no Paraná, foram registrados acumulados de chuvas próximos de 200 milímetros em alguns municípios, disse o Deral. No Sudoeste, o prolongado período de solo úmido está dificultando os trabalhos no campo, "oferecendo poucas oportunidades para os produtores realizarem o plantio da soja", o que está pontualmente atrasando o avanço da área plantada, com possível impacto na segunda safra, disse o Deral. "Porém, mesmo com a alta umidade do solo, os produtores estão realizando o plantio de soja, e alguns municípios devem concluí-lo durante esta semana", disse o boletim, sobre a região sudoeste. No Sul do Paraná, o plantio da safra 2023/2024 está sofrendo atrasos devido às condições climáticas, "com o plantio de soja sendo o mais afetado, apesar de ainda estar apresentando desenvolvimento razoável". "Continuam ocorrendo relatos de podridão de raiz e mortalidade de plantas na cultura. Embora em termos percentuais não sejam significativos, esses problemas estão se tornando mais frequentes", disse o Deral. A última estimativa do Deral para a safra de soja do Paraná 2023/24 aponta para 21,9 milhões de toneladas, o que seria perto de recorde. O departamento informou também que o plantio da primeira safra de milho no Paraná havia atingido 93%, apenas dois pontos percentuais acima da semana passada. No caso do trigo, produtores do Paraná já colheram 89% da safra, alta de cinco pontos percentuais ante a semana anterior. Na semana passada, o Deral reduziu a previsão de safra de trigo do Paraná para 3,855 milhões de toneladas, ante 4,16 mi t na previsão de setembro, em meio a chuvas no Estado.

REUTERS


ECONOMIA/INDICADORES


Dólar à vista fecha em baixa de 0,15%, a R$5,0405 na venda

O dólar à vista fechou a terça-feira em leve baixa ante o real, na contramão do movimento visto no exterior, em um dia marcado pela disputa entre investidores pela formação da taxa de câmbio de fim de mês


O dólar à vista fechou o dia cotado a 5,0405 reais na venda, em baixa de 0,15%. Em outubro, a moeda norte-americana acumulou alta de 0,26%. Na B3, às 17:04 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,24%, a 5,0570 reais. Pela manhã, os negócios foram marcados por maior volatilidade, em meio à disputa de investidores pela formação da Ptax do fim de outubro. A Ptax é uma taxa de câmbio calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista e que serve de referência para a liquidação de contratos futuros. Definida a Ptax no início da tarde, os investidores se voltaram principalmente para o noticiário em torno da área fiscal brasileira.

REUTERS


Ibovespa fecha em alta com apoio da Vale, mas recua em outubro

O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, com ajustes após duas quedas seguidas, tendo as ações de GPA e Ambev entre os destaques positivos após os respectivos balanços trimestrais, enquanto a queda dos papéis da Petrobras e de bancos minou uma recuperação mais forte


Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,56%, a 113.161,23 pontos, de acordo com dados preliminares, após acumular um declínio de quase 2% nos dois pregões anteriores. Na máxima do dia, chegou a 113.597,32 pontos. Na mínima, a 112.098,12 pontos. Em outubro, o Ibovespa acumulou queda de 2,92%. O volume financeiro nesta terça-feira somava 16,6 bilhões de reais antes dos ajustes finais.

REUTERS


Taxa de desemprego do Brasil cai a 7,7% no 3° tri, mais baixa para o período desde 2014

O desemprego no Brasil voltou a recuar no terceiro trimestre do ano, chegando ao patamar mais baixo desde 2014 para o período, em dados que evidenciam a resiliência do mercado de trabalho na véspera de decisão do Banco Central sobre os juros


O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou na terça-feira que a taxa de desocupação chegou a 7,7% no período de julho a setembro, frente a 8,0% nos três meses encerrados em junho. Foi o resultado mais baixo para terceiros trimestres desde 2014 (6,9%) e o menor para qualquer trimestre desde fevereiro de 2015 (7,5%). No mesmo período de 2022, o desemprego estava em 8,7%. O resultado do terceiro trimestre veio em linha com a mediana das previsões em pesquisa da Reuters, de que a taxa ficaria em 7,7% por cento no período. Entre julho e setembro, o número de desempregados caiu 3,8% frente ao trimestre anterior, a 8,316 milhões de pessoas, representando baixa de 12,1% em relação ao mesmo período do ano passado. A população ocupada subiu 0,9% em relação ao segundo trimestre do ano, a 99,838 milhões, patamar recorde na série histórica da Pnad, iniciada em 2012. Ante o período de julho a setembro de 2022, houve alta de 0,6%. Segundo a coordenadora do IBGE Adriana Beringuy, a expansão da população ocupada para patamar recorde foi alavancada principalmente pelas atividades de serviços, que tinham sido muito afetadas na pandemia. No terceiro trimestre, o rendimento real habitual foi estimado em 2.982 reais, crescimento de 1,7% em relação ao trimestre encerrado em junho e de 4,2% frente ao mesmo período do ano passado. O Comitê de Política Monetária (Copom) provavelmente cortará os juros básicos em meio ponto percentual, a 12,25%, quando encerrar sua reunião de dois dias na quarta-feira, mantendo um ritmo cauteloso de afrouxamento monetário diante ainda do agravamento de riscos externos, previram economistas consultados pela Reuters. Os trabalhadores com carteira assinada no setor privado totalizaram 37,361 milhões nos três meses findos em setembro, alta de 1,6% em relação ao trimestre anterior e de 3,0% ante o mesmo período do ano passado. Já o número de empregados sem carteira no setor privado subiu 1,2% no trimestre, a 13,263 milhões, variação positiva de 0,4% frente a um ano antes. A taxa de informalidade chegou a 39,1% do total de ocupados, um pouco abaixo dos 39,2% do trimestre anterior. "A informalidade foi uma realidade na pandemia, era uma forma de conseguir renda. Após o avanço da vacinação, normalização de matérias primas e suprimentos, e quando a vida vai se normalizando, as atividades mais formais voltam a contratar", disse Beringuy. "A informalidade não deixou de ser importante, mas ela deixou de ser a única forma de acessar o mercado de trabalho."

REUTERS


Brasil foi o segundo país que mais atraiu investimento externo

Fluxo global de IED caiu 30% em relação ao primeiro semestre do ano passado

O Brasil foi o segundo país que mais atraiu Investimento Estrangeiro Direto (IED) no primeiro semestre deste ano, só atrás dos Estados Unidos. O resultado é ainda mais significativo considerando o cenário de enormes incertezas globalmente. Em 2022, o Brasil tinha sido o quinto país a mais acolher IED, com US$ 86 bilhões, só superado pelos EUA, China, Singapura e Hong Kong. Agora, entre janeiro e junho deste ano, o fluxo de IED para a economia brasileira alcançou US$ 34 bilhões, comparado a US$ 35 bilhões no semestre anterior, mas -32,6% comparado a janeiro-junho de 2022. O país sobe na classificação em meio à degringolada do fluxo global de IED, que alcançou US$ 727 bilhões entre janeiro e junho, ou 30% abaixo do volume registrado no mesmo período do ano passado. Os dados são da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Entre o primeiro e o segundo trimestre, o volume de IED para a economia brasileira declinou, na esteira do que vem acontecendo globalmente. De toda maneira, o Brasil está entre os países que mais receberam anúncios de projetos novos, ao lado dos Estados Unidos, Índia, Mauritânia e Reino Unido. Uma parte desses projetos é para energia renovável, como aconteceu no caso da Mauritânia. Ao mesmo tempo, o Brasil aparece entre os emergentes como um dos países que mais ampliou IED no exterior, com US$ 21 bilhões no primeiro semestre comparado a US$ 3 bilhões no segundo semestre do ano passado. Os Estados Unidos continuaram a ser o país a mais atrair investimento estrangeiro direto, com US$ 190 bilhões no primeiro semestre. O Brasil vem em segundo, e em terceiro ficam o Canadá e o México, e só então vem a China. É que o fluxo de IED para a China desacelerou em 2023, com queda de 32% comparado ao segundo semestre de 2022, ilustrando o gradual desengajamento de muitas firmas na segunda maior economia do mundo. Por outro lado, os EUA, a China e o Japão continuam a ser as maiores fontes de investimentos estrangeiros diretos no mundo. Globalmente, as atividades de fusão e aquisição continuaram a tendência de queda, em meio ao ambiente económico mais frágil, impactado por preços altos, taxas de juros mais elevadas e as incertezas geopolíticas. Recentemente, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), destacou que o aumento de IED em alguns países, especialmente no Brasil, no ano passado, ocorreu pelo crescimento de todos os componentes do IED, especialmente o reinvestimento de lucros; e pelo aumento do fluxo no setor de serviços. Essa dinâmica está em consonância com a recuperação pós-pandemia e não é claro se se manterá em níveis semelhantes em 2023. Em 2022, o montante de anúncios de projetos de IED na América Latina e o Caribe cresceu 93%, totalizando cerca de US$ 100 bilhões. Pela primeira vez desde 2010, o setor de hidrocarbonetos (carvão, petróleo e gás) liderou os anúncios, com 24% do total, seguido pelo setor automotivo (13%) e energias renováveis (11%). Para a Cepal, a transição energética é um dos setores impulsionadores do crescimento econômico, que pode se tornar um motor para a transformação produtiva da região. A porcentagem da capacidade instalada de energia renovável na América Latina e no Caribe é superior à média mundial, e a matriz de geração elétrica é uma das mais limpas do mundo, diz a entidade. Para a Cepal, o desafio de atrair e reter investimento estrangeiro direto que contribua efetivamente para o desenvolvimento produtivo sustentável e inclusivo da região é mais atual do que nunca. Avalia que existem novas oportunidades em uma era de reconfiguração das cadeias globais de valor e de realocação geográfica da produção diante de uma globalização em mudança.

VALOR ECONÔMICO


FGV Agro: mercado de trabalho do agro encolheu 3,9% de 2016 para cá

A agropecuária perdeu 889,2 mil ocupações (-9,6%), queda puxada tanto pela agricultura (-9,7%, ou -583,3 mil) quanto pela pecuária (-9,5%, ou -306 mil)


O mercado de trabalho no agronegócio, levando-se em conta, conjuntamente, a agropecuária e a agroindústria, encolheu entre 2016 e 2023, com a perda de 558 mil postos de trabalho, ou contração de 3,9%, apontou estudo divulgado na segunda-feira pela FGV Agro. No segundo trimestre de 2016, havia 14,34 milhões de pessoas ocupadas, e, em igual período de 2023, 13,78 milhões. A agropecuária perdeu 889,2 mil ocupações (-9,6%), queda puxada tanto pela agricultura (-9,7%, ou -583,3 mil) quanto pela pecuária (-9,5%, ou -306 mil). Já a agroindústria, aponta a FGV Agro, gerou 331,2 mil postos de trabalho (alta de 6,5%), o que não foi, porém, suficiente para compensar a queda registrada pela agropecuária. A geração de vagas na agroindústria foi derivada tanto do segmento de produtos alimentícios e bebidas (+18,2% ou +294,2 mil) quanto do segmento de produtos não-alimentícios (+1,1% ou +37,1 mil). Apesar da contração, a FGV Agro avalia que houve aumento da qualidade dos postos de trabalho, pois a queda da população ocupada no período foi causada, exclusivamente, pela redução nos postos informais de trabalho, na base de -10,3%, ou -924,3 mil. “As vagas formais, por sua vez, registraram expansão, de 6,8%, o que corresponde a 366,3 mil novos postos de trabalho”, cita, no estudo, acrescentando que, no segundo trimestre de 2023, o agro atingiu o maior número de pessoas ocupadas em vagas formais (5,7 milhões) e a maior taxa de formalidade (41,5%) para o segundo trimestre, considerando toda a série histórica disponível, iniciada em 2016. “Ou seja, o mercado de trabalho no universo agro ficou menor ao longo do tempo, porém, com maior qualidade, uma vez que os profissionais formalizados possuem maiores direitos trabalhistas, maior estabilidade e melhores remunerações”, comenta. O aumento da qualidade do mercado de trabalho do agro foi puxado, principalmente, pela agropecuária: aumento de 176 mil (ou 9,4%) em vagas formais, enquanto as informais foram reduzidas em 1,1 milhão (ou -14,5%). Com isso, na agropecuária, é o maior número de ocupações formais (2 milhões) e a maior taxa de formalidade (24,6%) para o segundo trimestre de toda série histórica (iniciada em 2016). Na agroindústria, as vagas informais (8,6%) cresceram em uma maior proporção do que as formais (5,5%). Isso ocorreu tanto no segmento de produtos alimentícios e bebidas (39,3% e 13,8%, respectivamente), quanto no de produtos não-alimentícios (2,3% e 0,3%, na mesma ordem). Porém, por causa do maior peso dos formais nessa atividade, em termos absolutos, no total da agroindústria, o aumento das vagas formais (190,3 mil) foi maior do que a das informais (140,9 mil). Em tal cenário, a FGV Agro comenta que a maior formalização ocasionou melhor remuneração no setor. “Além de ter aumentado, cresceu mais do que a média de todos os setores da economia”, diz. Entre o segundo trimestre de 2016 e igual trimestre de 2023, a remuneração média paga aos trabalhadores do agro cresceu, em termos reais, 12,6%, passando de R$ 1.793,69 para R$ 2.018,99. No mesmo período, a remuneração média brasileira cresceu em um ritmo muito menor (4,3%), passando de R$ 2.719,44 para R$ 2.836,40.

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