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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 42 DE 10 DE JANEIRO DE 2022


Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 2 | nº 42| 10 de janeiro de 2022



NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL


BOVINOS


Preços do boi gordo fecham a semana firmes nas principais regiões do País

O viés altista deve-se à escassez de oferta de boiadas gordas e ao aquecimento das exportações brasileiras de carne bovina, informam a consultorias do setor pecuário


A primeira semana de 2022 foi marcada por altas nos preços da arroba bovina, estimuladas pela escassez de oferta de boiadas gordas e pelo aquecimento das exportações brasileiras de carne bovina. “O viés altista deve-se sobretudo à enorme dificuldade dos frigoríficos em encontrar lotes de animais terminados nas principais praças pecuárias do País, em função da baixa presença de pecuaristas nas vendas (período de férias ou mesmo retenção)”, destaca a IHS Markit. Paralelamente, a recuperação dos embarques brasileiros de carne bovina, favorecidos pela reabertura do comércio com a China após um longo período de embargo (mais de 100 dias), estimulou a procura por animais gordos, ressalta a consultoria. Segundo a IHS, entre os exportadores de carne bovina da América do Sul, o Brasil é que possui o preço pago pela arroba (em dólar) mais baixo, o que torna o produto nacional mais competitivo no mercado internacional. A semana terminou com o mercado do boi gordo um pouco menos comprador, resultado do avanço das escalas de abate dos frigoríficos nos últimos dias. Segundo apurou a Scot Consultoria na sexta-feira (7/1), os preços dos animais terminados no mercado de São Paulo ficaram estáveis na comparação com o dia anterior. O valor de referência nas praças paulistas seguiu em R$ 338/@ para o boi gordo, R$ 310/@ para a vaca gorda e R$ 327/@ para a novilha gorda (preços brutos e a prazo). Bovinos com até quatro dentes (“padrão-China) receberam ágio de até R$ 15/@ em relação ao preço do mercado interno. No acumulado da semana, de acordo com a Scot, a cotação do boi gordo subiu R$ 16/@ no interior de São Paulo, enquanto os preços da vaca e da novilha tiveram aumento de R$ 8/@ e R$ 10/@, respectivamente. Segundo apurou a IHS Markit, no mercado interno da carne bovina não há espaço para altas nos preços, uma vez que os valores das carnes concorrentes (frango e suínos) continuam em trajetória de queda. As altas nos preços da arroba na sexta-feira ocorreram em regiões onde existe uma forte presença de plantas exportadoras, relata a IHS, observado em praças pecuárias localizadas no Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. No interior paulista, de acordo com apuração a IHS, o boi-China é negociado por até R$ 350/@, a prazo, valor bruto. Na B3, os preços dos contratos futuros do boi gordo continuam fragilizados. As baixas seguem motivadas pelas preocupações com a capacidade de repasse dos custos operacionais das indústrias frigoríficas aos preços finais da carne bovina, relata a IHS. No atacado, a primeira semana do ano encerrou com estabilidade nos preços dos cortes bovinos. Cotações: PR-Maringá: boi a R$ 315/@ (à vista) vaca a R$ 300/@ (à vista); SP-Noroeste: boi a R$ 345/@ (prazo) vaca a R$ 317/@ (prazo); MS-C. Grande: boi a R$ 320/@ (prazo) vaca a R$ 308/@ (prazo); MT-Cuiabá: boi a R$ 320/@ (à vista) vaca a R$ 298/@ (à vista); GO-Goiânia: boi a R$ 325/@ (prazo) vaca R$ 315/@ (prazo); RS-Fronteira: boi a R$ 333/@ (à vista) vaca a R$ 315/@ (à vista); PA-Paragominas: boi a R$ 296/@ (prazo) vaca a R$ 288/@ (prazo); TO-Araguaína: boi a R$ 305/@ (prazo) vaca a R$ 292/@ (prazo).

PORTAL DBO


Abrafrigo: Exportações totais de carne bovina fecham 2021 com queda de 7% no volume e aumento de 9% na receita

As exportações totais de carne bovina em 2021 (incluindo produtos in natura e processados), apresentaram queda de 7,37% no volume e crescimento de 8,85% na receita em comparação com a movimentação de 2020, informou a Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO), que compilou os dados Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério da Economia


Segundo a entidade, o país movimentou 1.867.595 toneladas em 2021 diante de 2.016.223 toneladas em 2020, ano de recorde na exportação. Graças a elevação do preço do produto nos mercados internacionais, no entanto, a receita subiu de US$ 8,485 bilhões em 2020 para US$ 9,236 bilhões em 2021. A Abrafrigo também divulgou os números de dezembro das exportações totais. A movimentação no último mês do ano alcançou 151.594 toneladas contra 168.156 toneladas em 2020, queda de 10%. A receita obtida foi de US$ 726,66 milhões, contra US$ 741,26 milhões em 2020, redução de 2%. Embora tenha reduzido suas importações de 1.182.674 toneladas em 2020 para 950.057 toneladas em 2021 (queda de 20%), a China continua sendo o maior comprador da carne bovina brasileira, através da movimentação realizada pela cidade estado de Hong Kong e pelas compras realizadas pela China continental. No ano passado, os Estados Unidos se transformaram no segundo maior importador do produto, partindo de aquisições de 59.545 toneladas em 2020 para 148.177 toneladas em 2021, com aumento de 148,9% na movimentação. O Chile se manteve na terceira posição, saindo de 90.403 toneladas importadas em 2020 para 110.626 toneladas em 2021 (+22,4 %). Mesmo diminuindo suas compras em 42,5%, de 127.953 toneladas para 73.612 toneladas, o Egito ocupou a quarta posição. Os Emirados Árabes ampliaram suas importações em 21,7%, saindo de 40.861 toneladas em 2020 para 49.711 toneladas em 2021, ficando no quinto lugar. Na sexta posição, as Filipinas saíram de 39.673 toneladas em 2020 para 46.349 toneladas em 2021 (+16,8%), enquanto que a Arábia Saudita ficou em sétimo com queda de 0,5% na movimentação que passou de 41.067 toneladas em 2020 para 40.870 toneladas em 2021. No total do ano, 104 países aumentaram suas importações enquanto que outros 68 reduziram suas compras.

ABRAFRIGO


SUÍNOS


Suínos: preços em queda na sexta-feira

Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF cedeu 4,76%/4,35%, chegando a R$ 100,00/R$ 110,00, enquanto a carcaça especial baixou 2,35%/3,41%, custando R$ 8,30 o quilo/R$ 8,50 o quilo


No caso do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quinta-feira (6), houve queda de 0,97% em São Paulo, atingindo R$ 6,10/kg, baixa de 0,92% em Santa Catarina, chegando em R$ 5,39/kg, e de 0,49% em Minas Gerais, alcançando R$ 6,15/kg. Ficaram estáveis os preços no Paraná e no Rio Grande do Sul, fechando, respectivamente, em R$ 5,40/kg e R$ 5,54/kg.

Cepea/Esalq


FRANGOS


Frango: sexta-feira com preços em queda

Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave na granja ficou estável em R$ 5,00/kg, enquanto o frango no atacado caiu 0,35%, valendo R$ 5,75/kg

No caso do animal vivo, o Paraná registrou R$ 5,09/kg, enquanto São Paulo e Santa Catarina ficaram sem referência de preço nesta sexta-feira (7). Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quinta-feira (6), a ave congelada teve queda de 1,91%, chegando a R$ 6,16/kg, enquanto a resfriada cedeu 1,75%, fechando em R$ 6,18/kg.

Cepea/Esalq


Frango/Cepea: Preços da carne e do animal devem se manter firmes em 2022

Do animal vivo aos cortes, os preços do frango devem continuar firmes em 2022, tendo como suporte a provável manutenção do ritmo aquecido das vendas da carne aos mercados doméstico e externo


Além disso, pesquisadores do Cepea ressaltam que os custos de produção, sobretudo os relacionados à alimentação (milho e farelo de soja), devem continuar altos em 2022, o que, por sua vez, tende a ser repassado aos valores de venda do animal vivo e, consequentemente, da proteína. No Brasil, o consumo da proteína de frango deve ser incrementado pela conjuntura macroeconômica. Diante do baixo crescimento econômico (o Banco Central estima avanço de apenas 0,36% no PIB em 2022) e do consequente menor poder aquisitivo da população, a demanda pela proteína deve ser favorecida, tendo em vista que a carne de frango é tradicionalmente mais barata que as principais substitutas (bovina e suína).

Cepea


Exportações de carne de frango crescem 9% em 2021, aponta ABPA

As vendas de carne de frango para o mercado internacional (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 4,6 milhões de toneladas em 2021, maior volume já registrado pelo setor em um único ano, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)


Segundo o levantamento, o número superou em 9% o total exportado pelo Brasil em 2020, quando foram embarcadas 4,23 milhões de toneladas. Em receita, houve elevação de 25,7%, com US$ 7,66 bilhões registrados ao longo dos 12 meses de 2021, contra US$ 6,09 bilhões em 2020. Considerando apenas o mês de dezembro, as exportações de carne de frango totalizaram 411 mil toneladas, número 7,7% superior ao registrado no último mês de 2020, com 381,7 mil toneladas. Em receita, houve elevação de 29,9%, com US$ 718,9 milhões registrados em dezembro de 2021, contra US$ 533,3 milhões no ano anterior. “O impulso das exportações foi essencial para reduzir os impactos ocasionados pela alta nos custos de produção, ocasionada pela alta histórica do milho e da soja, principais insumos de produção da carne de frango. Apesar de uma leve redução nas importações, a China se mantém como o principal destino das exportações do setor e deve se manter no posto durante o próximo ano. Outros importantes parceiros comerciais como o Japão e os Emirados Árabes Unidos também devem se manter entre os maiores compradores", analisa o Presidente da ABPA, Ricardo Santin. Os mercados da Ásia, da África e da Europa mantiveram a alta das exportações brasileiras no ano passado. Principal destino das exportações de carne de frango do Brasil, a Ásia importou 1,64 milhão de toneladas nos 12 meses de 2021, resultado 0,5% superior ao registrado no mesmo período de 2020. A China continua como principal importador (com 14,3% do total) e importou 640 mil toneladas (-4,86%). Outros destaques da região foram Japão e Filipinas, que importaram, respectivamente, 448,9 mil toneladas (+9,35%) e 168 mil toneladas (+180%). Já para a África foram destinadas 662,3 mil toneladas ao longo do ano, resultado 19,2% maior em relação a 2020. Um dos destaques foi a África do Sul, com 297 mil toneladas (+13,39%). Para a União Europeia foram exportadas 193,2 mil toneladas em 2021, volume 13,23% superior ao realizado no mesmo período de 2020. Já para os países Extra-UE foram embarcadas no ano passado 243 mil toneladas, número 20,5% maior em relação ao efetivado no mesmo período de 2020. A Rússia é o destaque da região, com 105,9 mil toneladas (+26,24%). Outro destaque da região foi o Reino Unido, que importou 92,7 mil toneladas (+14%). Para os países do Oriente Médio foram exportadas 1,33 milhão de toneladas nos 12 meses de 2021, número 0,3% menor em relação ao mesmo período de 2020. Emirados Árabes, Arábia Saudita e o Iêmen importaram, respectivamente, 389,5 mil toneladas (+28,54%). 353,5 mil toneladas (-24,4%) e 111,9 mil toneladas (-0,5%). Por fim, para os países da América foram embarcadas 394,4 mil toneladas em 2021, número 75,2% maior em relação ao efetivado no ano interior. ABPA


CARNES


Entidade pede medida para contornar 'operação padrão' de fiscais agropecuários

Fórum ProBrasil, formado pelas principais associações de produtores e exportadores de proteína animal do país, encaminhou solicitação ao governo


O Fórum ProBrasil, formado pelas principais entidades de produtores e exportadores de proteína animal do país, pediu ao Presidente Jair Bolsonaro uma ação emergencial para contornar os reflexos da "operação padrão" dos auditores fiscais federais agropecuários. A categoria está em mobilização para pedir aumento salarial e a realização de concurso público para a contratação de novos agentes. "Pleiteamos por vossa intervenção na construção de uma solução junto aos AFFAs para essa crise emergente. Sabemos das dificuldades financeiras do país [na] crise gerada pela pandemia, mas a previsão no orçamento de possibilidade de ajuste da carreira, em decorrência da melhora da condição econômica, já se configuraria em uma valiosa alternativa para contornar tal crise", diz um ofício enviado na quinta-feira ao gabinete do presidente e aos ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Agricultura, Tereza Cristina. O setor também sugere alternativas para proteger o fluxo de mercadorias agropecuárias, "como a redução dos prazos para que [os auditores] exerçam suas funções de Estado, e um eventual plano de contingência em caso de greve, para evitar que se quebre o fluxo de exportações de proteínas", atualmente estimado em US$ 2 bilhões mensais. Em vídeo publicado nas redes sociais, o Presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), Janus Pablo, pede união da categoria pela reestruturação salarial da carreira. "Sabemos que não é tarefa fácil (...) Tentamos de todas as formas evitar esse tipo de enfrentamento. Estamos abertos ao diálogo e à negociação. Juntos vamos conquistar essa vitória", disse. O documento enviado ao governo federal é assinado por Abiec, Abinpet, Abipesca, ABPA, Abra, Abrafrigo, Sindirações e Ubrabio. O ofício apresenta a "grande apreensão das cadeias produtivas que envolvem a produção de proteína animal do Brasil" associada à operação padrão e comenta os principais impactos "que se acumulam nas várias unidades produtoras do país" com dez dias de mobilização, como o comprometimento de linhas de produção em agroindústrias e atrasos no recebimento de insumos importados. "Em plena crise econômica, a desaceleração da produção de alimentos poderá se configurar em fator extra para o quadro inflacionário. Ao mesmo tempo, gera um problema crítico para as exportações, impactando severamente custos com armazenagem e outros pontos logísticos. Perdas de janelas de embarques já foram informadas pelos associados, colocando em risco contratos de exportação, geração de divisas e a sustentabilidade das empresas dos setores aqui representados", alerta o texto. O documento destaca também que o pleito da categoria é justo e que, apesar da complexidade que envolve as tratativas de solução da situação, o setor tem "convicção sobre o entendimento dos auditores quanto ao papel social que exercem, assim como crê na construção de uma solução que permita a manutenção do fluxo de produção e exportações para preservar o abastecimento de alimentos no Brasil e nos países importadores, a sustentabilidade econômica e os empregos mantidos por essas cadeias produtiva".

VALOR ECONÔMICO


NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ


Portos do Paraná fecham 2021 com 57,5 milhões toneladas de cargas movimentadas. Movimentação de granéis caiu 4% em 2021

Os Portos de Paranaguá e Antonina fecharam 2021 com movimentação de 57.520.122 toneladas de cargas. Em relação às 57.338.001 toneladas registradas em 2020, o aumento foi de 0,3%


Os granéis sólidos, tanto de importação quanto exportação, representam quase 62,2% da movimentação total dos portos do Paraná. Em 2021, foram 35.806.105 toneladas de cargas movimentadas – 4% a menos que em 2020, com 37.288.965 toneladas. Considerando apenas os granéis sólidos de exportação – soja, milho, farelo de soja e açúcar – em 2021, foram 23.027.094 toneladas de cargas; 13% a menos que as 26.531.964 toneladas exportadas em 2020. No segmento, no último ano, apenas o embarque de açúcar registrou alta. Foram exportadas 4.080.802 toneladas do produto – 4% a mais que as 3.935.096 toneladas embarcadas no ano anterior. Já os granéis sólidos de importação – fertilizantes, malte/cevada, trigo, sal e, em 2021, em especial, o milho – registraram aumento de 18%. Em 2021 foram 12.881.261 toneladas ante 10.911.752 toneladas no ano anterior. O segmento que engloba a movimentação de produtos em sacas (como o açúcar e o fubá), contêineres, fardos (como madeira, papel e celulose) e unidades (como os veículos e partes de projetos) é chamado de carga geral e representa quase 24% do total movimentado pelos portos de Paranaguá e Antonina no ano passado. Em 2021, a carga geral somou 13.765.178 toneladas movimentadas – 11% a mais que as 12.440.192 toneladas embarcadas e desembarcadas em 2020. O destaque principal foi a quantidade de contêineres movimentados no ano passado – com registro de nova marca histórica e aumento de 12% na movimentação total. Em 2021, 1.100.885 TEUs (unidade específica equivalente a um contêiner de 20 pés) foram importados e exportados pelo Terminal de Contêineres de Paranaguá, administrado pela TCP. Em 2020, foram 981.116 TEUs. Produtos líquidos – granéis de importação e exportação - somam 13,8% do total movimentado em 2021 pelos portos paranaenses. Nos 12 meses do ano, o segmento movimentou 7.948.839 toneladas de cargas, 4% a mais que as 7.608.843 toneladas registradas em 2020. Entre os líquidos, destaca-se a movimentação do óleo de soja que registrou aumento nos volumes tanto de importação quanto de exportação. Embarcadas, no ano passado, foram 1.179.760 toneladas do óleo vegetal (50% a mais que as 788.262 toneladas exportadas em 2020). Em contrapartida, foram desembarcadas 361.416 toneladas (57% a mais que as 230.433 toneladas importadas em 2020). Das 57.520.122 toneladas de cargas movimentadas pelos portos do Paraná, em 2021, 1.479.581 toneladas foram pelo Porto de Antonina (Porto Ponta do Félix). O restante, 56.040.541 toneladas, pelos terminais do Porto de Paranaguá.

Portos do Paraná


ECONOMIA/INDICADORES


Dólar acumula alta de 1% na 1ª semana de negócios do novo ano

O dólar interbancário fechou em queda na sexta-feira, tomando distância do nível psicológico de 5,70 reais superado pela manhã, em meio a uma correção global de baixa na divisa norte-americana


O recuo de sexta, porém, não impediu que o dólar completasse a primeira semana de negócios de 2022 em alta no Brasil. A moeda negociada no mercado à vista caiu 0,85% nesta sexta-feira, a 5,6318 reais, menor patamar desde 30 de dezembro (5,5735 reais). Ainda assim, a cotação acumulou na semana ganho de 1,05%, após duas semanas consecutivas de perdas. O dólar tanto no Brasil como no mundo veio de dias de firmes altas, patrocinadas pelas expectativas de aperto monetário nos EUA e, aqui, por renovadas dúvidas sobre a trajetória das contas públicas. O mercado, portanto, em parte realizou lucros. Nas próximas semanas teremos novos eventos importantes, mas não vejo neles potencial para tirar a força do dólar. Como por exemplo, as audiências no Congresso norte-americano para avaliar a renomeação do Chefe do Banco Central dos EUA, Jerome Powell; a indicação de sua vice, Lael Brainard; e dados de inflação ao consumidor no país em dezembro. Em relatório, a Santander Asset Management decidiu manter avaliação neutra para o real. "O diferencial de juros em relação às economias desenvolvidas e o ciclo de commodities favorecem a alocação em moeda brasileira. Por outro lado, as incertezas de natureza fiscal e o potencial aumento de juros no exterior geram efeito contrário", disseram. A casa estima que o dólar fechará 2022 em 5,6 reais, próximo dos patamares atuais.

REUTERS


Ibovespa estende reação apesar de exterior, mas fecha semana em queda

O principal índice da bolsa brasileira subiu na sexta-feira e estendeu recuperação da véspera, apesar de um clima cauteloso nos mercados externos após a divulgação de dados de emprego nos Estados Unidos


Ações de empresas ligadas ao setor de commodities e papéis de bancos novamente deram suporte ao índice. Segundo dados preliminares, o Ibovespa subiu 0,95%, a 102.523,06 pontos, o que ainda assim significa queda de 2,2% na semana, dado que o índice caiu nos três primeiros pregões do ano. O volume financeiro da sessão foi de 23,5 bilhões de reais.

REUTERS


BNDES tem um terço do tamanho que tinha em 2011

Com previsão de desembolso de R$ 64 bilhões, em 2021, banco criado no governo Vargas, em 1952, teve um dos menores patamares de crédito direcionado em uma década


A imagem do transatlântico é usada como metáfora para explicar o funcionamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), instituição que, historicamente, tem alta capacidade de intervenção na economia. A figura do grande navio costuma vir à tona porque leva tempo para mudar o curso do banco estatal, criado em 1952, no segundo governo Vargas, e que em junho de 2022 completa 70 anos. Essa característica do BNDES faz com que, por exemplo, contratos de crédito fechados em uma administração passem como “herança” para gestões seguintes com repercussões socioeconômicas que vão além do ciclo eleitoral de quatro anos. Apesar dessa realidade, o BNDES entrou em uma nova fase a partir de 2016, ainda no governo Temer, que se consolidou com Bolsonaro e que é marcada pela retração do crédito direcionado em um dos menores patamares do banco em uma década. O encolhimento se seguiu à expansão do BNDES, nos governos Lula e Dilma, quando a instituição chegou ao pico de R$ 190 bilhões em empréstimos em 2013, considerando valores corrigidos pela inflação. A previsão é que, em 2021, o banco tenha desembolsado R$ 64 bilhões — o número oficial será conhecido em março. É um montante semelhante a 2020 em termos nominais, mas que só fica acima dos R$ 55 bilhões a valores correntes de 2019, ano que marca o “piso” de uma série desde 2010. O desembolso de R$ 64 bilhões, dizem economistas, é resultado de um nível de atividade na economia com alta incerteza e também do aumento de juros, o que retrai a demanda por investimentos uma vez que, muitas vezes, o custo de capital supera a taxa de retorno. Na prática, desde Vargas, o BNDES tem sido usado pelos governos para fazer política industrial de curto prazo. A posição do BNDES fica evidenciada nas contas de Carlos Antonio Rocca, Coordenador do Centro de Estudos de Mercado de Capitais da Fipe (Cemec/Fipe). Ele diz que, em 2011, o banco representava 22% das dívidas das empresas brasileiras somadas. Em setembro, esse percentual tinha caído para 8%. Em dez anos, o BNDES encolheu para quase um terço do tamanho que tinha. As empresas passaram a se financiar de outras formas. A captação líquida de recursos das empresas brasileiras nos doze meses encerrados em setembro do ano passado foi de R$ 494,8 bilhões, nos cálculos de Rocca. O número inclui instrumentos de mercado de capitais, dívida e emissão de ações. No período, diz, o BNDES teve contribuição negativa de R$ 15 bilhões para a captação líquida das empresas. Os novos empréstimos do banco ocorreram em volumes menores do que as amortizações de financiamentos antigos. Técnicos do banco questionam se a substituição do BNDES por fontes de mercado será suficiente para suprir um possível ciclo virtuoso de investimentos no futuro em cenário de retomada da economia. Levantam ainda dúvidas se com maior crescimento, a partir de 2023, poderiam faltar recursos no banco para atender a demanda. Em 2013, os recursos líquidos captados pelas empresas foram equivalentes a 6,8% do Produto Interno Bruto (PIB) e o BNDES, sozinho, respondeu por 1,27% desse total, diz Rocca. Em 2020, a captação líquida das empresas foi de 4,4% do PIB e a parcela do BNDES no bolo foi reduzida a 0,09%.

VALOR ECONÔMICO


Produção da indústria cai 20% em 10 anos e enfraquece a economia

Problemas estruturais, combinados às crises econômicas, agravam o desemprego e desperdiçam o potencial do setor mais capaz de impulsionar o PIB, diz estudo do Iedi

Ainda sob os efeitos da crise causada pela covid-19, a indústria brasileira chegou a novembro passado com seis meses de quedas na produção, marcando uma década perdida, com queda de 20% na produção desde 2011. Apesar da pandemia, as dificuldades vêm de antes. Ao longo da década de 2010, a participação da indústria no PIB encolheu 33%, e foram aniquilados cerca de 800 mil empregos no setor, segundo o IBGE. Os efeitos se espalham, já que a elevada quantidade de vagas formais é uma marca do emprego industrial, mostra estudo do Instituto de Estudos para Desenvolvimento Industrial (IEDI). “O setor industrial, ano a ano, vem perdendo espaço na estrutura econômica do País”, diz André Macedo, Gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do IBGE. Após afundar com a paralisação das fábricas em meio ao isolamento social, no início da pandemia, a produção ensaiou uma recuperação no segundo semestre de 2020 e chegou a superar o nível pré-covid-19. Ao longo de 2021, porém, a retomada rateou. Segundo o IBGE, depois de seis meses de quedas consecutivas, a produção industrial operava, em novembro, 20,4% abaixo do pico alcançado em maio de 2011. Com a produção andando de lado, a indústria vem perdendo participação na economia como um todo. De 2010 a 2020, a fatia do setor no PIB caiu de 27,4% para 20,5%. Em outubro de 2021, o PIB industrial ainda era 14% menor do que em março de 2014, último mês antes da recessão que se estendeu até 2016, mostram cálculos com base em estimativas do Monitor do PIB da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Segundo economistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast, a indústria vem sendo afetada por uma combinação de problemas conjunturais, que variam conforme a crise do momento, e estruturais. São eles inflação e juros elevados, câmbio desfavorável (quando a cotação do dólar fica baixa demais perante o real, dificulta as exportações e favorece as importações) –, desequilíbrios nas contas do governo, incertezas políticas e econômicas, gargalos de infraestrutura, o complexo sistema tributário, a falta de mão de obra qualificada e o custo da energia. O economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rafael Cagnin, lembra que a redução do peso da indústria no PIB ocorre desde o fim da década de 1980. O especialista inclui no rol de problemas a abertura comercial “abrupta”, com redução de tarifas de importação, a partir dos anos 1990. O desequilíbrio nas contas do governo torna o problema estrutural do sistema tributário ainda maior e afeta problemas conjunturais, como a alta do dólar no mercado financeiro, que serve de combustível para a inflação. Diante da perspectiva de mais inflação, os juros futuros sobem no mercado financeiro e, em seguida, o Banco Central sobe os juros básicos. O crédito mais caro arrefece a demanda dos consumidores, ao mesmo tempo em que torna o investimento da indústria menos vantajoso. Cagnin observa que a indústria de transformação tem um efeito multiplicador na economia. Conforme cálculos do Iedi, cada R$ 1 gerado pelo segmento leva ao acréscimo de R$ 2,14 no PIB. No setor de serviços, o efeito final é de R$ 1,46; na agropecuária, de R$ 1,67. A crise da indústria na última década, com o fechamento definitivo de linhas de produção no País, como as de veículos da Ford, de TVs da Sony e de TVs e equipamentos de áudio da Panasonic, se espalha também pelo mercado de trabalho. Além de ceifar empregos, o fechamento de fábricas piora a qualidade do trabalho, mostra estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

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