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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1105 DE 12 DE MAIO DE 2026

  • prcarne
  • 12 de mai.
  • 16 min de leitura

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 5 | nº 1105 | 12 de maio de 2026

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL 

 

Boi gordo: viés de baixa é mantido

Na segunda-feira (11/5), o mercado brasileiro do boi gordo seguiu em ritmo lento, com estabilidade nos preços da arroba nas principais praças monitoradas pelos analistas da Agrifatto e Scot Consultoria, que acompanham diariamente os negócios no setor pecuário.

No PARANÁ: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. Boi China: PARANÁ: R$ 349,00/@ (à vista) e R$ 353,00/@ (prazo)

 

Segundo a Agrifatto, a queda acentuada das temperaturas em importantes regiões do País durante o último fim de semana pode estimular, ainda que pontualmente, maior entrada de animais terminados ao mercado, adicionando viés baixista às negociações nos próximos dias.

Ainda de acordo com apuração da Agrifatto, os frigoríficos com escalas mais confortáveis mantêm postura cautelosa nas aquisições de boiadas gordas, sem necessidade imediata de recomposição e atentos a oportunidades em patamares mais baixos. Na segunda-feira, pelos dados da Agrifatto, o boi gordo sem padrão-exportação seguiu valendo R$ 350/@ no mercado paulista, enquanto o “boi-China” está cotado em R$ 360/@ (valores no prazo). Pelo levantamento da Scot Consultoria, em São Paulo, a semana começou com um recuo de R$ 1/@ para a vaca gorda e de R$ 2/@ para a novilha terminada, agora negociadas por R$ 322/@ e R$ 335/@, respectivamente (valores brutos, no prazo). Por sua vez, acrescenta a Scot, a cotação do “boi-China” abatido no mercado paulista segue em R$ 360/@ e o boi gordo sem padrão-exportação está cotado em R$ 355/@. “Já há negócios sendo realizados abaixo desses patamares, mas em volume insuficiente para determinar referência no mercado”, observou a Scot. Cotações do boi gordo da segunda-feira (11/5), conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 360,00. Média: R$ 355,00. Vaca: R$ 330,00. Novilha: R$ 340,00. Escalas: oito dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: nove dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 345,00. Boi China: R$ 355,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China/Europa: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: oito dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 335,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: sete dias. PARÁ: Boi comum: R$ 335,00. Boi China: R$ 345,00. Média: R$ 340,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: seis dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 325,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: nove dias. MARANHÃO: Boi: R$ 345,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 320,00. Escalas: sete dias. PARANÁ: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 320,00. Novilha: R$ 330,00. Escalas: seis dias. Preços brutos do “boi-China” na segunda-feira (11/5), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 356,00/@ (à vista) e R$ 360,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 329,50/@ (à vista) e R$ 333,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$356,00/@ (à vista) e R$ 360,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 338,50/@ (à vista) e R$ 342,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 351,00/@ (à vista) R$ 355,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 348,00/@ (à vista) e R$ 352,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 326,50/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 316,50/@ (à vista) e R$ 320,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 341,00/@ (à vista) e R$ 345,00/@ (prazo).

SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO

 

Produtividade cai e pressiona custo de confinamento de gado no país em abril

O movimento atingiu tanto o Centro-Oeste quanto o Sudeste

 

A menor produtividade dos lotes abatidos impactou diretamente o resultado econômico

A redução na quantidade de arrobas produzidas por animal abatido foi o principal fator de pressão sobre a rentabilidade do confinamento bovino no Brasil em abril de 2026, segundo o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), calculado pela Ponta Agro. O movimento atingiu tanto o Centro-Oeste quanto o Sudeste e elevou o custo da arroba produzida, mesmo com relativa estabilidade no custo diário da alimentação. De acordo com o levantamento, o custo alimentar seguiu sob controle nas duas principais regiões produtoras. No Centro-Oeste, o ICAP ficou em R$ 13,36 por cabeça/dia, alta de 0,98% em relação a março. Já no Sudeste, houve recuo de 1,31%, com o índice atingindo R$ 12,03, consolidando o segundo mês consecutivo de custos inferiores aos do Centro-Oeste. Apesar desse cenário, a menor produtividade dos lotes abatidos impactou diretamente o resultado econômico. No Centro-Oeste, as arrobas produzidas por animal caíram de 8,40 para 7,80, elevando o custo da arroba produzida em 18,76%, para R$ 228,94. No Sudeste, a queda também foi registrada, embora de forma mais moderada, resultando em aumento de 6,43% no custo da arroba, para R$ 205,96. Com isso, a rentabilidade do confinamento recuou em ambas as regiões. No Centro-Oeste, o lucro por cabeça foi estimado em R$ 851,04, queda de 33,44% frente ao mês anterior. No Sudeste, o resultado foi de R$ 1.116,80 por animal, redução de 11,90% no mesmo comparativo. Segundo a Ponta Agro, o principal destaque do mês foi a mudança no vetor de pressão sobre as margens. Diferentemente de períodos anteriores, o impacto não veio do custo da dieta, mas da queda na eficiência produtiva dos animais terminados. “A redução das arrobas produzidas elevou o custo unitário da produção e reduziu a lucratividade do confinamento nas duas regiões monitoradas”, afirma o boletim. No mercado físico, a arroba apresentou leve alta, sendo cotada a R$ 346,00 no Centro-Oeste e R$ 351,00 no Sudeste. Ainda assim, o avanço não foi suficiente para compensar a perda de produtividade. No mercado de exportação, o Sudeste manteve vantagem, com lucro estimado em R$ 1.186,10 por cabeça, frente a R$ 952,82 no Centro-Oeste, beneficiado por uma estrutura de custos mais eficiente. Mesmo com a queda mensal, a Ponta Agro destaca que a rentabilidade do confinamento segue em patamares historicamente elevados. “O mês reforça que, além do custo alimentar, a produtividade dos lotes abatidos passa a ter papel decisivo na margem final da atividade”, completa a empresa em nota.

GLOBO RURAL

 

Trump deve reduzir tarifas sobre importações de carne bovina nos EUA

Os Estados Unidos há mais de um ano lidam com escassez de gado para abate, o que tem elevado os preços da carne bovina no país. O rebanho de gado bovino dos EUA atingiu recentemente o mais baixo nível em 75 anos 

 

O governo dos Estados Unidos planeja reduzir, temporariamente, tarifas aplicadas às importações de carne bovina. Segundo reportagem do The Wall Street Journal que cita fontes a par do assunto, o país pode suspender tributos aplicados a importações que excedam cotas estabelecidas com os vários parceiros comerciais de carne bovina, medida que poderia permitir um maior volume de importação a custos mais baixos. O WSJ disse também que o governo americano ainda planeja medidas para reduzir custos dos pecuaristas, como instruir a agência federal para pequenas empresas a aumentar os empréstimos e o acesso a capital para os criadores, entre outras ações. A administração Trump deve, além disso, reduzir algumas regulamentações para os criadores de gado, incluindo normas do Departamento de Agricultura (USDA) que os obrigam a usar brincos eletrônicos nos animais. Os Estados Unidos há mais de um ano lidam com escassez de gado para abate, o que tem elevado os preços da carne bovina no país — a carne moída é vendida atualmente a valores 40% superiores aos de cinco anos atrás, segundo o jornal americano. O rebanho de gado bovino dos EUA atingiu recentemente o mais baixo nível em 75 anos, de acordo com a Bloomberg. Com isso, os preços cobrados de consumidores atingiram patamares recordes enquanto as margens de lucro de frigoríficos diminuíram. O governo do presidente Donald Trump vem buscando alternativas para contrabalançar as altas do boi gordo e da carne bovina. Em fevereiro, ampliou a cota de importação de carne da Argentina. A administração Trump também investiga produtoras de carne que atuam no país, entre as quais JBS e a National Beef, controlada pela MBRF, por supostas práticas anticompetitivas que estariam levando às altas da carne. Segundo a Bloomberg, com base em dados do USDA, os EUA devem importar volume recorde de carne bovina neste ano. No caso da carne do Brasil, a administração Trump já havia suspendido, em novembro do ano passado, a cobrança de tarifa adicional de 40% que incidia sobre o produto e outros itens alimentícios brasileiros exportados ao país. O Brasil tem ampliado suas exportações de carne bovina ao país, hoje o segundo principal destino do produto, atrás apenas da China. Nos primeiros quatro meses do ano, foram embarcadas 149,8 mil toneladas de carne bovina para os americanos, 13,7% do total exportado pelo Brasil.

VALOR ECONÔMICO

 

SUÍNOS

 

Dia das Mães reaqueceu a demanda e segurou o preço do suíno vivo

Procura por lombo e costela puxou a carcaça especial em São Paulo, interrompendo a sequência de baixas e reabrindo a janela de reação para as cotações do animal nas granjas.

 

A procura por lombo e costela nas vésperas do Dia das Mães devolveu fôlego ao mercado e reaqueceu o preço do suíno vivo no Dia das Mães nas principais praças produtoras. Conforme o Cepea/Esalq, a carcaça especial fechou a R$ 8,71/kg no atacado da Grande São Paulo na quarta-feira (6), com alta de 3,44% em três pregões. O movimento interrompeu uma sequência ruim para o suinocultor. Ao longo de abril, a terceira semana consecutiva de queda tinha empurrado as cotações ao menor patamar real em quase dois anos. Agora, o início de mês e a data comemorativa puxam o consumo das gôndolas e reabrem espaço para reação dentro da porteira. Nas granjas do Sul, o salto também apareceu. Em Santa Catarina, o quilo do animal vivo chegou a R$ 4,99, alta de 1,63% na semana. No Paraná, a média subiu para R$ 4,85/kg, avanço de 3,41% no mesmo período, segundo os indicadores do Cepea. O calendário do varejo manda no fluxo do frigorífico. Quando o açougue vende mais costela e lombo, a indústria precisa repor estoque rápido e volta a brigar por carregamentos extras na granja. Foi exatamente o que aconteceu na semana, conforme apontam os pesquisadores do Cepea.

Antes, o cenário era oposto. Câmaras frias cheias e consumidor segurando a carteira tinham travado o escoamento. Nem mesmo as exportações recordes seguraram a queda – afinal, o mercado externo absorve menos de 30% da carne produzida no país. Segundo o Cepea, o cenário para os próximos pregões é de estabilidade ou nova alta no animal vivo, justamente por causa do aquecimento na procura pelos cortes. Contudo, o produtor não deve confundir reação pontual com virada de tendência. O Cepea projeta estabilidade ou nova alta nas próximas semanas, sustentada pelo aquecimento recente da demanda por cortes. Ainda assim, a oferta segue alta nas granjas e o consumo interno continua sensível. Passada a data comemorativa, a tendência é de acomodação, não de disparada contínua.

CEPEA/ESALQ

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ

 

Exportações paranaenses crescem 7,7% em abril e totalizam US$ 2,2 bilhões no mês

As exportações do Paraná somaram US$ 2,24 bilhões em abril de 2026, um crescimento de 7,74% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o Estado registrou US$ 2,08 bilhões em vendas ao mercado internacional. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, compilados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).

 

Além do avanço na comparação anual, abril marcou o quarto mês consecutivo de crescimento das exportações paranaenses em 2026. Em janeiro, as vendas externas totalizaram US$ 1,41 bilhão, passando para US$ 1,8 bilhão em fevereiro e US$ 2,1 bilhões em março, até alcançar o patamar de US$ 2,24 bilhões em abril. O desempenho positivo de abril foi puxado principalmente pelo aumento das exportações de soja em grão, óleo e farelo de soja, além das máquinas de terraplanagem e perfuração, segmentos que tiveram forte expansão no comparativo anual. As vendas externas de soja em grão cresceram 14,41%, passando de US$ 478 milhões em abril de 2025 para US$ 547 milhões no mesmo mês deste ano. Já o farelo de soja registrou alta de 39,91%, saltando de US$ 97 milhões para US$ 136 milhões. O maior avanço proporcional entre os principais produtos exportados foi observado no óleo de soja, cuja comercialização internacional praticamente dobrou em um ano. O volume financeiro passou de US$ 52 milhões para US$ 101 milhões, o que representa um aumento de 94,8%.

As exportações de máquinas de terraplanagem e perfuração também apresentaram crescimento expressivo, de 69,3%, com expansão de US$ 44 milhões para US$ 74 milhões.

No acumulado do primeiro quadrimestre, as exportações do Estado somaram US$ 7,54 bilhões, o sexto maior volume do País e o maior da região Sul. Entre os principais destinos das mercadorias paranaenses, Índia, China e Colômbia tiveram papel relevante no crescimento das exportações estaduais em abril. As vendas para a Índia avançaram 75,92% entre abril de 2025 e 2026, passando de US$ 57 milhões para US$ 100 milhões. Para a China, principal parceiro comercial do Paraná, o crescimento foi de 6,17%, com elevação de US$ 559 milhões para US$ 593 milhões. Já as exportações para a Colômbia mais que dobraram no período, com alta de 110,29%, saindo de US$ 30 milhões para US$ 63 milhões. No acumulado do ano, a China segue como principal compradora de produtos paranaenses, concentrando 23,8% das exportações estaduais. Na sequência aparecem Argentina (5,3%), Estados Unidos (3,7%), Índia (3,6%) e México (3,5%). Entre os países que mais ampliaram as compras de produtos paranaenses nos quatro primeiros meses de 2026, destaque para a Índia, cujas importações cresceram 60,8%, passando de US$ 169,1 milhões para US$ 272 milhões. O Japão apresentou expansão ainda maior, de 115,3%, com aumento de US$ 92,7 milhões para US$ 199,7 milhões.

AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS

 

CNA solicita medidas emergenciais para reverter falta de vacinas para a pecuária

Entidade encaminhou ofício ao Ministério da Agricultura, diante do desabastecimento do insumo

 

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) encaminhou, na quarta (6), ofício ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) solicitando medidas emergenciais para enfrentar o desabastecimento de vacinas essenciais para a pecuária nacional. No documento, enviado ao ministro André de Paula, a CNA alerta, com base em informações das Federações de Agricultura e Pecuária de todas as regiões do país, para a escassez de imunizantes usados para combater doenças como clostridioses, influenza equina, encefalomielite, herpesvírus, tétano e leptospirose. “A indisponibilidade desses produtos aumenta o risco sanitário dos rebanhos, com registro de mortalidade de animais em alguns estados”, ressalta no ofício o presidente da CNA, João Martins. Segundo a CNA, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal (Sindan) informou que a redução da oferta está relacionada, entre outros fatores, à saída do mercado brasileiro, em 2025, de uma das principais empresas farmacêuticas do setor.

“Embora exista expectativa de ampliação da produção a partir de maio, o abastecimento ainda não foi normalizado”, reforça Martins. Desta forma, a Confederação solicita esclarecimentos sobre as medidas adotadas pelo Mapa para orientar a distribuição das vacinas remanescentes entre os estados e sobre as ações emergenciais em andamento para restabelecer a produção e o abastecimento dos imunobiológicos. A CNA propõe, ainda, maior articulação institucional para agilizar registros e ampliar a entrada de novos fornecedores e produtos no mercado.

“Estamos à disposição para colaborar tecnicamente com o Ministério na construção de soluções que assegurem a proteção sanitária e a sustentabilidade da pecuária brasileira”, conclui a CNA no ofício. Na semana passada, em reunião na Expozebu, a Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte discutiu o tema e propôs medidas voltadas para o reabastecimento das vacinas no país.

CNA

 

Indústria de proteína animal manifesta preocupação com custo de embalagens

Entidades estão preocupadas com possível revisão das medidas antidumping sobre o polietileno importado dos EUA e Canadá. Custos das resinas utilizadas na fabricação de embalagens já acumulam alta próxima de 70% desde o agravamento do conflito no Oriente Médio

 

A indústria brasileira de proteína animal manifestou preocupação com os custos de embalagem do setor diante da possível revisão das medidas antidumping sobre o polietileno importado dos Estados Unidos e Canadá. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e outras 18 entidades do setor, a medida representa risco de aumento de custos, pressão inflacionária sobre alimentos e perda de competitividade nas exportações. De acordo com o documento, os custos das resinas utilizadas na fabricação de embalagens para produtos congelados e processados já acumulam alta próxima de 70% desde o agravamento do conflito no Oriente Médio. A possível elevação da tarifa antidumping dos atuais US$ 200 por tonelada para US$ 735, afirma, poderá gerar impacto adicional de cerca de 25% sobre o custo das resinas. Com isso, a indústria projeta uma pressão adicional de 16% a 22% nos custos de embalagens, a depender da tecnologia utilizada. As estimativas indicam que o impacto total nos preços dos produtos, que já supera 5% devido à crise internacional, possa se aproximar de 10% com as novas medidas. O setor também destaca a elevada dependência brasileira de resinas importadas. No último ano, cerca de 50% das importações tiveram origem justamente nos Estados Unidos e Canadá, países afetados pelo antidumping. Ao mesmo tempo, fornecedores alternativos, como Oriente Médio, Ásia e Egito, enfrentam restrições de oferta devido ao cenário geopolítico. Outro ponto ressaltado é a importância dos Estados Unidos como uma das poucas fontes globais de resinas específicas, como as de base metaloceno e octenos, fundamentais para embalagens utilizadas na cadeia de frio e em produtos submetidos a baixas temperaturas. Diante desse cenário, as entidades defendem a adoção de medidas emergenciais para mitigar os impactos, incluindo a avaliação de mecanismos temporários de suspensão ou redução das alíquotas sobre a importação de insumos estratégicos para embalagens, com o objetivo de preservar o abastecimento, a competitividade do setor e o equilíbrio dos preços ao consumidor.

VALOR ECONÔMICO

 

ECONOMIA

 

Dólar mostra estabilidade no Brasil após EUA rejeitarem acordo com Irã sobre guerra

Em uma sessão de liquidez limitada, o dólar oscilou em margens estreitas e fechou a segunda-feira perto da estabilidade, ainda que no exterior a divisa norte-americana tenha sustentado ganhos ante algumas divisas de países emergentes, após os EUA rejeitarem a resposta do Irã à proposta de paz norte-americana.

 

O dólar à vista fechou com leve baixa de 0,10%, aos R$4,8911. Esta é a menor cotação desde 15 de janeiro de 2024, quando a moeda norte-americana encerrou em R$4,8667. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular baixa de 10,89% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para junho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,03% na B3, aos R$4,9165, com apenas cerca de 128 mil contratos negociados até este fim da tarde. O Irã divulgou no domingo uma proposta para dar fim à guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano, onde Israel combate os militantes do Hezbollah. O país solicitou uma compensação por danos de guerra e o fim do bloqueio naval dos EUA, com soberania iraniana no Estreito de Ormuz e garantia de que não haverá novos ataques, entre outras exigências. Sem dar detalhes, Trump classificou a proposta como “totalmente inaceitável”, mantendo o impasse sobre a guerra. Nesta segunda-feira, Trump voltou a atacar as exigências do Irã, chamando a proposta -- na verdade, uma resposta a outra proposta feita anteriormente pelos EUA -- de “estúpida”.

Trump disse ainda que o cessar-fogo entre os países está “respirando por aparelhos”. Em reação, o petróleo Brent voltou a subir na segunda-feira, para perto dos US$104 o barril neste fim de tarde, enquanto o dólar sustentou ganhos ante parte das demais divisas, incluindo pares do real como a rupia indiana, o peso chileno e a lira turca. No Brasil, o dólar chegou a registrar leves altas, mas no geral não se afastou da estabilidade, oscilando em margens estreitas durante toda a sessão. Mais cedo, o boletim Focus do Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim deste ano passou de R$5,25 para R$5,20. Há um mês, a cotação projetada era de R$5,37. No caso da Selic, a taxa projetada para o fim de 2026 seguiu em 13,00%, mas para o encerramento de 2027 passou de 11,00% para 11,25%, com os economistas vendo um espaço menor para cortes de juros em meio à continuidade da guerra no Oriente Médio.

REUTERS

 

Ibovespa fecha em queda pressionado por ações sensíveis a juros

No setor de proteínas, MINERVA ON fechou em alta de 4,88%, tendo como pano de fundo a notícia de que o presidente dos EUA, Donald Trump, deve assinar decretos na segunda-feira para permitir o aumento das importações de carne bovina para os EUA e apoiar a renovação do rebanho bovino do país, em um esforço para lidar com os altos preços da carne bovina.

 

O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira, pressionado por ações sensíveis a juros, com a nova alta do preço do petróleo diante do impasse entre Estados Unidos e Irã reforçando preocupações com a inflação e os próximos passos do Banco Central. A temporada de resultados também ocupou as atenções, mas nem os números robustos do BTG Pactual evitaram o fechamento negativo de suas units, enquanto as ações da Telefônica Brasil figuraram entre as maiores baixas após lucro aquém das expectativas. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,19%, a 181.908,87 pontos, mínima de fechamento desde 27 de março. Ao longo da sessão, chegou a 181.614,83 na mínima e marcou 184.530,15 na máxima. O volume financeiro do pregão somou R$29,19 bilhões. A bolsa paulista continua registrando saída líquida de estrangeiros, com o saldo nos primeiros pregões de maio negativo em R$3,3 bilhões, de acordo com dados da B3 até o dia 7. Em abril, ainda houve entrada líquida de quase R$3,2 bilhões (excluindo follow-ons e IPOs). Mas, até o dia 15, esse saldo era de R$14,6 bilhões. "Diminuiu de fato um pouco esse fluxo de estrangeiros, mas eu acho que o Brasil, geopoliticamente, ainda oferece uma oportunidade enorme de investimentos" afirmou na segunda-feira o diretor financeiro do BTG, Renato Cohn, em conversa com jornalistas para comentar o balanço do primeiro trimestre, ressaltando, porém, que o mercado brasileiro e as empresas brasileiras são muito convidativas para o investidor estrangeiro. "Eu acho que isso ainda continua", afirmou. O movimento acompanha a recuperação das ações de empresas de tecnologia dos Estados Unidos, onde os índices acionários S&P 500 e o Nasdaq renovaram máximas nos últimos pregões. "Parece que a aversão aos EUA diminuiu", afirmou o gestor de uma empresa de previdência complementar, ressaltando também que, desde o início da guerra, com a revisão nas previsões de inflação para cima, a perspectiva de intensidade de queda da Selic reduziu e alterou o cenário mais favorável ao Brasil. A piora nas projeções para a inflação no Brasil tem como pano de fundo a forte alta dos preços do petróleo no exterior, na esteira do conflito no Oriente Médio que começou no final de fevereiro, quando EUA e Israel atacaram o Irã.  De acordo com a análise gráfica semanal do Ibovespa da equipe do BB Investimento, há elementos que sinalizam uma possível continuidade da realização no curtíssimo prazo, mas ainda dentro da tendência primária de alta.

REUTERS

 

Mercado eleva previsão da inflação para 4,91% este ano

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país, passou de 4,89% para 4,91% este ano. A estimativa está no Boletim Focus da segunda-feira (11), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

 

Com a guerra do Oriente Médio pressionando o preço dos combustíveis e a inflação, a previsão para o IPCA deste ano foi elevada pela nona semana seguida, estourando o intervalo da meta que deve ser perseguida pelo BC. Estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%. Em março, a alta dos preços em transportes e alimentação fez a inflação oficial do mês fechar em 0,88% – ante 0,7% em fevereiro. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,14%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para 2027, a projeção da inflação permaneceu em 4%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,64% e 3,5%, respectivamente. Nesta edição do Focus, a estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica até o fim de 2026 permaneceu em 13% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida para 11,25% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 10% ao ano. Nesta edição do boletim do Banco Central, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano permaneceu em 1,85%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) variou de 1,75% para 1,76%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos. No Focus desta semana, a previsão da cotação do dólar está em R$ 5,20 para o final deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,30.

AGÊNCIA BRASIL

 

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