CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1061 DE 06 DE MARÇO DE 2026
- prcarne
- 6 de mar.
- 14 min de leitura

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná
Ano 5 | nº 1061 | 06 de março de 2026
NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL
Preços do boi gordo recuam em 10 das 17 regiões monitoradas pela Agrifatto
As incertezas comerciais ocasionadas pelos conflitos no Oriente Médio derrubam cotações da arroba nas praças de SP, BA, GO, MG, MS, MT, PA, PR, SC e TO, segundo apuração da consultoria. No PARANÁ: Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: quatro dias. Boi China: PARANÁ: R$ 351,50/@ (à vista) e R$ 355,00/@ (prazo)
Diante da posição de cautela das indústrias, em algumas praças, as cotações da arroba recuaram na quinta-feira (5/3), segundo apuração da Agrifatto. “Das 17 regiões monitoradas diariamente, 10 registraram desvalorização nos preços do boi gordo”, aponta a consultoria, citando as praças de SP, BA, GO, MG, MS, MT, PA, PR, SC e TO. Nas regiões restantes (AC, AL, ES, MA, RJ, RO e RS), as cotações ficaram estáveis. Pelo levantamento da Agrifatto, o boi gordo abatido em São Paulo agora é negociado por R$ 350/@, no prazo, um recuo de R$ 5/@ em relação ao preço do dia anterior. “Diante da possibilidade de restrições operacionais ou fechamentos pontuais de portos na região, cresce a preocupação com eventuais impactos na logística de exportação”, alerta a consultoria. O Oriente Médio exerce papel estratégico no comércio global de carne bovina, atuando tanto como importante mercado consumidor quanto como relevante entreposto logístico para a redistribuição do produto. “Embora uma interrupção completa do fluxo de alimentos seja considerada improvável, há expectativa de aumento nos custos e de maior lentidão nas operações, ainda que existam rotas alternativas já utilizadas em episódios anteriores de instabilidade”, antecipa a consultoria. De acordo com relatório diário da Scot Consultoria, as negociações no mercado do boi gordo estão mais lentas em relação aos últimos dias, mesmo em semana de pagamento de salários, que normalmente estimula o consumo interno de carne bovina no fim de semana e, consequentemente, a procura pela matéria-prima. “Com a escalada do conflito no Oriente Médio, surgiram receios em relação ao comércio internacional de carne bovina”, ressaltou a Scot. Parte da indústria frigorífica – especialmente exportadoras – optou por se retirar temporariamente das compras, aguardando maior clareza sobre os possíveis reflexos dos acontecimentos no mercado global.
“Os frigoríficos voltados ao mercado interno estão mais ativos, buscando compor escalas, apoiados pelo bom consumo doméstico, que tende a ganhar força com a passagem do quinto dia útil”, disse a Scot, referindo-se ao mercado paulista. Segundo os dados da Scot, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 352/@ em São Paulo, enquanto o “boi-China”, a vaca gorda e a novilha terminada são negociados por R$ 355/@, R$ 325/@ e R$ 337/@, respectivamente (valores brutos, no prazo). Na avaliação da Scot, os fundamentos do mercado permanecem os mesmos: oferta enxuta, escalas de abate curtas e a ponta vendedora firme em suas referências. No mercado futuro, os contratos do boi gordo encerraram a quarta-feira (4/3) em alta, após dois dias consecutivos de forte queda na B3. O destaque ficou para o contrato com vencimento em maio/26, que fechou cotado a R$ 337,50/@, com valorização diária de 0,75%. Cotações do boi gordo da quinta-feira (5/3), conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: cinco dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 335,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: cinco dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 335,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: quatro dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 335,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: cinco dias. GOIÁS: Boi comum: R$ 330,00. Boi China/Europa: R$ 340,00. Média: R$ 335,00. Vaca: R$ 315,00. Novilha: R$ 325,00. Escalas: cinco dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 325,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: quatro dias. PARÁ: Boi comum: R$ 325,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: quatro dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 310,00. Vaca: R$ 290,00.Novilha: R$ 300,00. Escalas: sete dias. MARANHÃO: Boi: R$ 325,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 300,00. Escalas: cinco dias. Preços brutos do “boi-China” nesta quinta-feira (5/3), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 351,00/@ (à vista) e R$ 355,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 336,50/@ (à vista) e R$ 340,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$338,50/@ (à vista) e R$ 342,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 336,50/@ (à vista) e R$ 340,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 331,50/@ (à vista) e R$ 335,00/@ (prazo). PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 331,50/@ (à vista) R$ 335,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 326,50/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 312,00/@ (à vista) e R$ 315,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 319,00/@ (à vista) e R$ 322,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 326,50/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo).
SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO
Boi/Cepea: Bezerro é negociado acima de R$ 3 mil em quase todas as praças
Os preços dos animais para reposição (bezerro nelore, de 8 a 12 meses) estão em movimento de alta desde o final de 2025. Neste início de ano, o animal é negociado acima de R$ 3.000/cabeça na maior parte das 28 regiões acompanhadas pelo Cepea.
Em Mato Grosso do Sul, o bezerro foi comercializado em fevereiro à média de R$ 3.158,74/cabeça (Indicador CEPEA/ESALQ), a maior, em termos reais (valores foram deflacionados pelo IGP-DI), desde dezembro de 2021. Neste começo de março, o bezerro segue em valorização, com a média da parcial do mês a R$ 3.236,30. Em um ano, o preço do animal de reposição sul-mato-grossense subiu pouco mais de 20%. Pesquisadores do Cepea apontam que a valorização é influenciada pela menor oferta de machos e pela demanda mais aquecida. Ressalta-se que, sazonalmente, os meses de março e maio são os que apresentam os maiores patamares de preços de reposição, uma vez que os terminadores demandam mais bezerros para repor os bois gordos que saem de suas fazendas neste período do ano. Pelo lado da demanda, a forte procura dos frigoríficos por novos lotes de boi gordo para abate – especialmente para atender à exportação – mantém os pecuaristas terminadores ativos nas aquisições de novos lotes de bezerro e de boi magro.
CEPEA
SUÍNOS
Suínos/Cepea: Em um ano, preço do suíno recua 20% em SP
As cotações médias do suíno vivo registraram fortes quedas em fevereiro. Na praça SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), o animal vivo foi negociado à média de R$ 6,91/kg no mês, contra R$ 8,24/kg em janeiro/26 (expressiva baixa de 16,1%) e R$ 8,66/kg em fevereiro/25 (forte desvalorização de 20%).
Segundo pesquisadores do Cepea, o movimento de queda se deve à retração da procura por parte da indústria por lotes de animais no mercado independente, que resultou em um desarranjo da oferta interna. Neste mês de março, agentes do setor consultados pelo Cepea estão atentos ao conflito no Oriente Médio, envolvendo principalmente o Irã e que pode se alastrar para outros países. Apesar de a região como um todo não ser um destino importante da carne suína brasileira (por conta sobretudo da religião), o fechamento de canais de escoamento estratégicos e o consequente aumento nos valores dos fretes e seguros marítimos têm gerado preocupações, sobretudo entre exportadores.
CEPEA
NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ
Paraná propõe ao governo federal R$ 670 bilhões para Plano Safra 2026/2027
Volume de recursos é 13% superior ao da safra anterior. Paraná propõe R$ 95 bilhões para a agricultura familiar, R$ 85 bilhões para médios produtores e o restante, R$ 490 bilhões aos demais produtores. Proposta foi elaborada em conjunto pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento, IDR-PR, Faep, Fetaep e Ocepar.
O Paraná encaminhou ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) uma proposta para que o governo federal disponibilize R$ 670 bilhões para o Plano Safra 2026/2027. O valor total reivindicado é 13% superior ao que o Governo Federal disponibilizou para a safra 2025/2026 (R$ 516,2 bilhões) e propõem que R$ 486,3 bilhões sejam destinados ao crédito de custeio e comercialização e R$ 183,7 bilhões para investimentos, além de redução de três pontos percentuais nas taxas de juros em relação às praticadas no último ciclo. A proposta foi elaborada de forma conjunta pelo setor agropecuário paranaense, a partir de um levantamento feito pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Paraná (Fetaep) e pela Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Do volume total de R$ 670 bilhões, R$ 95 bilhões seriam recursos destinados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), R$ 85 bilhões ao Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e o restante, R$ 490 bilhões, aos demais produtores. Além do MAPA, o documento também será encaminhado ao líder da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion, e à presidente do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), Tania Zanella. O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, salientou que o setor trabalha de forma integrada no Estado, que é um dos maiores produtores do País, para desenvolver ainda mais a agropecuária paranaense. “Neste período, foi possível estreitar o relacionamento com todas as entidades que representam a agricultura do Paraná”, declarou.
“Já é tradição, todos os anos nos reunimos e elaboramos uma proposta conjunta para o Plano Safra”, explicou o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken. Ele salientou que as margens hoje na agricultura são mínimas, destacando a importância de um bom Plano Safra para o desenvolvimento do setor e o retorno financeiro aos produtores rurais. A proposta das lideranças paranaenses para baixar as taxas de juros leva em conta o comportamento da taxa Selic, que deve encerrar 2026 em torno de 12,25% ao ano, com recuo para aproximadamente 10% em 2027. Enquanto na safra passada o juro do Pronaf variou entre 0,5% e 8% ao ano, esse ano a reivindicação é que fique entre 0,5% e 5%. Para o Pronamp, a proposta é a taxa de juro variar entre 7% e 9,5% ao ano. No ano passado, foi de 10%. E para os demais produtores e cooperativas, o pedido é que varie de 7,5% a 10%. No ciclo anterior foi de 14% ao ano. O documento também traz contribuições específicas para as linhas de investimentos, propondo valores, limites e taxas de juros para programas como o Moderfrota, o Proirriga, o Renovagro e o Programa de Construção de Armazéns (PCA). E, também, propõe montante de recursos e limites para o Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) e para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural. A proposta do Paraná inclui, ainda, um pedido específico sobre a renegociação de dívidas dos produtores afetados por adversidades climáticas. “É fundamental que o governo implemente mecanismos de apoio aos produtores impactados por adversidades climáticas, com foco na readequação das dívidas e recomposição do capital de giro”, sinaliza o documento. As medidas propostas são: prorrogar os financiamentos de custeio por 12 meses, mantendo integralmente as condições originalmente contratadas; renegociar as operações de investimento que não puderam ser liquidadas em função das perdas climáticas, postergando o vencimento para 12 meses após o prazo originalmente previsto; e instituir uma linha emergencial de recomposição de capital de giro para produtores afetados por eventos climáticos, vinculada ao crédito rural oficial, com condições favorecidas e prazo compatível com o ciclo produtivo.
AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS
ECONOMIA
Dólar sobe mais de 1% no Brasil em novo dia de busca global por segurança
Depois de ter encerrado a sessão da véspera em baixa, o dólar fechou a quinta-feira em alta firme no Brasil, superior a 1%, acompanhando o avanço da moeda no exterior, com investidores voltando a buscar a segurança da divisa norte-americana em meio à guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
O dólar à vista fechou com alta de 1,33%, aos R$5,2879. No ano, a divisa acumula agora queda de 3,66%. Às 17h02, o dólar futuro para abril -- o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 1,01% na B3, aos R$5,3230. Na quarta-feira, em uma sessão de alívio para os ativos de risco, o dólar à vista havia recuado, mas nesta quinta-feira a moeda voltou a subir ante quase todas as demais divisas, em meio à guerra no Oriente Médio. O petróleo também voltou a registrar ganhos fortes, com o Brent negociado em Londres sendo cotado acima dos US$85 o barril. “Vimos ontem uma despressurizada na moeda norte-americana, e eu até achei que iria cair mais, mas não adianta -- quando tem cenário extremo de guerra, o dólar sobe”, comentou durante a tarde Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos. "No momento, com base nas notícias conhecidas, não é possível prever quanto tempo este conflito irá durar e/ou se vai escalar. Assim, R$5,20 ou menos, com base nas recomendações passadas, é nível interessante para termos proteção, principalmente para aqueles que estão mais expostos, menos comprados", disse em uma análise enviada a clientes pela manhã o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em recomendação para importadores.
"Ainda é cedo para afirmar que o pior já passou... Dólar acima de R$5,30-R$5,34 tende a estressar, é preciso ter esta ponderação", acrescentou, na recomendação para exportadores.
Durante evento do Goldman Sachs, em São Paulo, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou que a instituição tem feito rolagens menores de swaps que estão para vencer para não atrapalhar a formação de preços no mercado de câmbio. "Percebemos ano passado que parecia que estávamos atrapalhando ao fazer a rolagem de swaps", disse. No vencimento mais recente, de 2 de março, dos 750.000 contratos que estavam para vencer, o BC rolou apenas 725.000 contratos. Os 25.000 contratos da diferença, equivalentes a US$1,25 bilhão, venceram normalmente.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com incerteza sobre Oriente Médio
O Ibovespa fechou em queda de mais de 2% na quinta-feira, com o conflito no Oriente Médio voltando a pressionar mercados acionários no mundo, enquanto Braskem resistiu ao viés negativo e disparou mais de 15% na bolsa paulista.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 2,46%, a 180.803,62 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo marcado 179.895,37 na mínima e 185.366,35 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão somava R$29,5 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Desemprego fica em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, menor taxa para o período na série histórica
Segundo o IBGE, o país tinha 5,9 milhões de desempregados no período analisado; renda do trabalhador e massa de rendimentos atingem novos recordes
A taxa de desemprego no país foi de 5,4% no trimestre móvel encerrado em janeiro. O resultado ficou igual ao verificado no trimestre móvel anterior, encerrado em outubro (5,4%), e abaixo do resultado de igual período de 2025 (6,5%). A taxa é também a menor para um trimestre encerrado em janeiro de toda a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2012. No trimestre encerrado em dezembro, a taxa estava em 5,1%. Os dados foram divulgados na quinta-feira (5). O resultado ficou em linha com a mediana das expectativas de 19 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, que apontava para uma taxa de 5,4% no trimestre móvel encerrado em janeiro. O intervalo das projeções ia de 5,2% a 5,5%. No trimestre encerrado em janeiro, o país tinha 5,9 milhões de desempregados – pessoas de 14 anos ou mais que buscaram emprego, mas não conseguiram encontrar. O número aponta recuo de 1% frente ao trimestre anterior, encerrado em outubro (menos 59 mil pessoas). A variação é classificada como estabilidade estatística pelo IBGE, por estar dentro da margem de erro da pesquisa. Frente a igual período de 2025, a queda é de 17,1% (menos 1,211 milhão de pessoas). O resultado do trimestre encerrado em janeiro engloba os meses de novembro, dezembro e janeiro. Nesse período, a população ocupada (empregados, empregadores, funcionários públicos) era de 102,7 milhões de pessoas. Isso representa uma variação de 0,1% em relação ao trimestre anterior (mais 116 mil pessoas ocupadas). Frente a igual trimestre de 2025, subiu 1,7% (1,683 milhão de pessoas). A taxa de informalidade no mercado de trabalho brasileiro chegou a 37,5% no trimestre encerrado em janeiro. O número fica acima apenas do trimestre encerrado em junho de 2020, quando foi de 36,6%. Naquele momento, no entanto, a redução da informalidade era explicada pela saída dos trabalhadores informais do mercado de trabalho por causa da necessidade de isolamento social no início da pandemia. Essa informalidade baixa, portanto, teve a ver com o chamado efeito composição: os trabalhadores que mais permaneceram empregados foram aqueles de carteira assinada. “O momento atual é o melhor para a qualidade do emprego existente de toda a série histórica”, afirmou a coordenadora das pesquisas por amostra de domicílios do IBGE, Adriana Beringuy. “Temos uma população ocupada que segue estável como um todo. E o ramo informal, embora estável, porque a variação não foi tão intensa, reduz um pouco mais. [...] As principais parcelas da informalidade tenderam a diminuir. Ainda temos um contingente grande de informais, de 38 milhões, mas com tendência a redução.” A renda média dos trabalhadores avançou 2,8% no trimestre encerrado em janeiro, ante trimestre móvel anterior (encerrado em outubro) para R$ 3.652. É o valor mais alto de toda a série histórica da Pnad Contínua. A diferença é de R$ 100 a mais. O rendimento médio real habitual dos trabalhadores considera a soma de todos os trabalhos. Na comparação com igual trimestre de 2025, houve alta de 5,4% (R$ 186 a mais). Já a massa de rendimentos real habitualmente recebida por pessoas ocupadas (em todos os trabalhos) foi de R$ 370,3 bilhões no trimestre móvel encerrado em janeiro. O número subiu 2,9% frente ao trimestre móvel anterior (encerrado em outubro) ou R$ 10,527 bilhões a mais, e atingiu novo recorde. Frente a igual período de 2025, o aumento foi ainda maior, de 7,3% (mais R$ 25,108 bilhões).
VALOR ECONÔMICO
Brasil tem superávit comercial de US$4,208 bi em fevereiro, em linha com o esperado
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$4,208 bilhões em fevereiro, ante um resultado negativo de US$467 milhões observado no mesmo mês de 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados na quinta-feira.
Pesquisa da Reuters com economistas apontava para uma expectativa de resultado similar, um saldo positivo de US$4,228 bilhões para o período. O resultado das trocas comerciais do país no mês passado é fruto de US$ 26,306 bilhões em exportações, que cresceram 15,6% na comparação com fevereiro de 2025, e US$22,098 bilhões em importações, que recuaram 4,8% no período. Nas exportações, houve alta dos embarques de todos os setores, com destaque para a indústria extrativa, com aumento de 55,5%, puxada por altas expressivas nas vendas de petróleo e minério de ferro. Os ganhos foram de 6,3% na indústria de transformação, com vendas maiores de carnes, e de 6,1% na agropecuária, sob impulso das vendas de soja. Do lado das importações, houve queda na chegada ao país de bens intermediários e bens de capital, recuo mais relevante do que as elevações observadas em bens de consumo e combustíveis.
REUTERS
Calibração da Selic não é afrouxamento e ciclo do BC vai terminar em ponto restritivo, diz diretor David
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, disse na quinta-feira que a esperada "calibração" na Selic neste mês não representa um afrouxamento da política monetária, enfatizando que a autarquia não busca uma taxa de juros real neutra e que o ciclo de corte vai terminar ainda em ponto restritivo.
Em evento do Goldman Sachs, em São Paulo, David afirmou que a indicação futura de corte de juros dada pelo BC em janeiro "segue válida", ressaltando que essa orientação vale apenas para a reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom). "É um processo de calibração, não é um processo de afrouxamento da política monetária. A busca aqui não é a taxa de juro neutro", disse. "Esse processo de calibração passa por terminar em ponto restritivo." O diretor acrescentou ser esperada uma maior volatilidade no mercado neste ano por conta das eleições presidenciais, o que diminui a eficácia da política monetária. Para ele, a "camada extra de juros" aplicada pelo BC até o momento será bastante útil nesse ambiente. "Com tudo isso posto, o Comitê decidiu que o processo de calibração deve começar na próxima reunião, e por isso que é uma calibração, a gente está vendo até onde a gente pode ir", disse. Em janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano, mas sinalizou de forma clara a intenção de iniciar o processo de corte da taxa neste mês. No mercado, a principal dúvida é sobre qual será o tamanho do corte na reunião, após a incerteza global ter aumentado com o início da guerra de EUA e Israel contra o Irã. Desde então, investidores reduziram as apostas em um corte de 50 pontos-base e elevaram as posições em uma redução de 25 pontos-base. Em sua fala, David disse não poder antecipar decisão do Copom, acrescentando que o acontecimento no Irã é relevante, mas cercado de incertezas e será analisado pelo BC com serenidade. "Serenidade não significa inação, é tirar a emoção do tratamento dos dados", afirmou. O diretor disse que uma eventual alta persistente da cotação do petróleo, sob efeito do conflito, geraria pressão inflacionária. Ele ponderou que a materialização de um cenário desse tipo seria menos complexa de ser enfrentada no atual momento do que se tivesse ocorrido há seis meses. David pontuou que o BC "não reage a ruídos" e não se emociona com um dado melhor ou pior, e que o horizonte da política monetária é de 18 meses. "Estamos pilotando um petroleiro", comparou. Na apresentação, o diretor disse que o crescimento econômico do país -- que vinha apresentando dinamismo maior que o esperado -- parece estar agora dentro do seu potencial.
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