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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 1052 DE 23 DE FEVEREIRO DE 2026

  • prcarne
  • 23 de fev.
  • 21 min de leitura

Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 5 | nº 1052 | 23 de fevereiro de 2026

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL 

 

Mercado do boi: boa demanda e baixa oferta

Na sexta-feira (20/2), 10 das 17 praças monitoradas pela Agrifatto registraram valorização nos preços da arroba: AC, AL, BA, ES, MA, MS, MT, RJ, RO e RS. No Paraná, Boi: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: cinco dias.  Boi China: PARANÁ: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo)

 

O mercado físico do boi gordo registrou altas consistentes nas semanas anteriores ao feriado de Carnaval e continuou subindo nas praças brasileiras após o período de festas. Tal movimento reflete sobretudo a oferta restrita de animais terminados, que segue dificultando a formação das escalas de abate dos frigoríficos nacionais, posicionadas entre 4 e 5 dias na média nacional, segundo levantamento semanal da Agrifatto. “As negociações mais lentas durante o feriado ampliaram a necessidade de compra por parte dos frigoríficos, dando sustentação às cotações da arroba”, observam os analistas da consultoria. Ao mesmo tempo, continua a Agrifatto, o consumo interno de carne bovina segue em bom ritmo e as exportações continuam altamente aceleradas, contribuindo para o enxugamento dos estoques. “Esse cenário de oferta ajustada e procura firme resultou em negócios pontuais a R$ 355/@ na praça de São Paulo, para pagamento à vista”, informa a Agrifatto. No entanto, acrescenta a consultoria, o valor de R$ 355/@ ainda não se consolidou como referência no mercado paulista, já que foram efetivados poucos negócios neste patamar.  Pelos dados da Agrifatto, o boi paulista seguiu valendo R$ 350/@ na sexta-feira (20/2). No entanto, 10 das 17 praças monitoradas diariamente pela Agrifatto registraram valorização nos preços do boi gordo neste último dia da semana: AC, AL, BA, ES, MA, MS, MT, RJ, RO e RS. Nas demais (GO, MG, PA, PR, SC, TO e SP), as cotações ficaram estáveis. Pelos números da Scot Consultoria, o boi gordo sem padrão-exportação subiu R$ 2/@ na sexta-feira, para R$ 347/@, enquanto o “boi-China” segue cotado em R$ 350/@ (valores brutos, no prazo). Cotações do boi gordo desta quinta-feira (20/2), conforme levantamento diário da Agrifatto: SÃO PAULO: Boi comum: R$ 350,00. Boi China: R$ 350,00. Média: R$ 350,00. Vaca: R$ 325,00. Novilha: R$ 335,00. Escalas: seis dias. MINAS GERAIS: Boi comum: R$ 325,00. Boi China: R$ 335,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: cinco dias. MATO GROSSO DO SUL: Boi comum: R$ 330,00. Boi China: R$ 330,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: cinco dias. MATO GROSSO: Boi comum: R$ 325,00. Boi China: R$ 325,00. Média: R$ 325,00. Vaca: R$ 300,00. Novilha: R$ 310,00. Escalas: cinco dias. GOIÁS:Boi comum: R$ 325,00. Boi China/Europa: R$ 335,00. Média: R$ 330,00. Vaca: R$ 305,00. Novilha: R$ 315,00. Escalas: cinco dias. TOCANTINS: Boi comum: R$ 315,00. Boi China: R$ 325,00. Média: R$ 320,00. Vaca: R$ 290,00. Novilha: R$ 300,00. Escalas: quatro dias. PARÁ: Boi comum: R$ 315,00. Boi China: R$ 325,00. Média: R$ 320,00. Vaca: R$ 290,00. Novilha: R$ 300,00. Escalas: quatro dias. RONDÔNIA: Boi: R$ 300,00. Vaca: R$ 280,00. Novilha: R$ 290,00. Escalas: cinco dias. MARANHÃO: Boi: R$ 315,00. Vaca: R$ 290,00. Novilha: R$ 290,00. Escalas: seis dias. Preços brutos do “boi-China” na sexta-feira (20/2), de acordo com levantamento diário da Scot Consultoria: SÃO PAULO: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo). MINAS GERAIS (Exceto região Sul): R$ 336,00/@ (à vista) e R$ 340,00/@ (prazo). MATO GROSSO: R$326,00/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo). MATO GROSSO DO SUL: R$ 326,00/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo). GOIÁS: R$ 326,00/@ (à vista) e R$ 330,00/@ (prazo).  PARÁ/PARAGOMINAS: R$ 318,50/@ (à vista) R$ 322,00/@ e (prazo). PARÁ/REDENÇÃO E MARABÁ: R$ 314,50/@ (à vista) e R$ 318,00/@ (prazo). RONDÔNIA: R$ 306,50/@ (à vista) e R$ 310,00/@ (prazo). ESPÍRITO SANTO: R$ 311,50/@ (à vista) e R$ 315,00/@ (prazo). TOCANTINS: R$ 316,50/@ (à vista) e R$ 320,00/@ (prazo). PARANÁ: R$ 346,00/@ (à vista) e R$ 350,00/@ (prazo)

SCOT CONSULTORIA/AGRIFATTO/PORTAL DBO

 

SUÍNOS

 

Exportações de carne suína avançam em 2026 e sustentam mercado interno; fevereiro tem ritmo forte

As exportações brasileiras de carne suína fresca, refrigerada ou congelada somaram 134.811,2 milhões de dólares até a segunda semana de fevereiro de 2026, conforme dados da (Secex) Secretaria de Comércio Exterior reportados nesta semana. O resultado confirma a força do mercado externo na composição da renda do setor. Em fevereiro de 2025, a receita total havia alcançado 253.426,3 milhões de dólares.

 

Na média diária, o desempenho deste ano é superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Até a segunda semana de fevereiro de 2026, o valor médio diário ficou em 13.481,1 milhões de dólares. Em fevereiro de 2025, a média foi de 12.671,3 milhões de dólares por dia.

O volume embarcado também mostra avanço proporcional quando analisado pelo ritmo diário. Na segunda semana de fevereiro de 2026, foram exportadas 53.896,4 toneladas. Em todo o mês de fevereiro de 2025, o total embarcado chegou a 101.118,4 toneladas. Considerando a média diária de volume, a primeira semana de fevereiro de 2026 registrou 5.389,6 toneladas. Durante fevereiro de 2025, a média diária foi de 5.055,9 toneladas. A diferença representa acréscimo de 6,6 toneladas no comparativo entre os períodos. No preço médio por tonelada, o cenário aponta estabilidade. Na primeira semana de fevereiro de 2026, o valor ficou em 2.501 dólares por tonelada. Em fevereiro de 2025, a média foi de 2.506 dólares, com variação negativa de apenas 0,2%, ou 6,4 dólares na comparação. Para o consultor da ABC (Associação Brasileira de Criadores de Suínos), Iuri Pinheiro Machado, o desempenho externo tem papel central na sustentação do setor. “As exportações brasileiras de carne suína estão indo muito bem, tanto em volume quanto em receita em dólar”, afirma. Segundo ele, o avanço ajuda a equilibrar a oferta interna e contribui para manter remuneração adequada ao produtor. Iuri Machado lembra que o Brasil reduziu a concentração em poucos compradores internacionais. “Nós tínhamos uma dependência muito grande da China, e agora temos uma distribuição maior de destinos”, destaca. Essa diversificação amplia a segurança comercial diante de oscilações globais. Atualmente, as vendas externas representam pouco mais de 20% da produção nacional. Em janeiro, os embarques superaram em mais de 14% o volume do mesmo mês do ano anterior. “Isso ajuda a enxugar o mercado e manter as cotações num preço que permita margem ao produtor”, reforça. No mercado doméstico, entretanto, o início do ano trouxe ajustes típicos do período. “No final de 2025 nós vimos uma grande estabilidade nos preços, num patamar até razoável, relativamente alto, propiciando margem pro produtor, mas bem estável”, relembra. Com a virada do calendário, a demanda costuma desacelerar. Apesar disso, o cenário já dá sinais de acomodação. “Já observamos nos últimos dias uma estabilização nessa queda, com sinais de retomada de alta nas cotações”, afirma. Para Alvimar Jalles, consultor de mercado da Associação dos Suinocultores de Minas Gerais (ASEMG), o setor funciona sob concorrência aberta. “Ninguém manda nesse mercado”, afirma. Segundo ele, a formação de preço ocorre de maneira livre, baseada em oferta, procura e expectativa. Jalles ressalta que não há manipulação, mas sim movimentos naturais. De acordo com o consultor, a maior capacidade de barganha está no mercado independente, que representa cerca de 30% da produção nacional. Ainda assim, há interligação com o sistema integrado, o que mantém comunicação entre os diferentes modelos de produção. No campo dos insumos, o cenário é considerado favorável. Iuri avalia que não há, no curto e médio prazo, expectativa de alta expressiva para milho e farelo de soja. Isso contribui para preservar a rentabilidade, mesmo diante de preços médios ligeiramente inferiores aos de 2025. Jalles também projeta equilíbrio ao longo do ano. Ele lembra que a produção vem crescendo em torno de 4,5%, o que pode resultar em preço médio um pouco abaixo do pico anterior. Ainda assim, acredita em resultado positivo ao produtor. Outro ponto relevante é a disputa com outras carnes no varejo. Iuri destaca que o boi influencia diretamente o comportamento do suíno. “O boi deve ajudar a manter os preços do suíno firmes, porque existe essa relação de competitividade entre as duas carnes”, explica. Jalles complementa que o consumo não depende apenas de preço. Segundo ele, a carne suína vem ganhando espaço pela qualidade sanitária e pelo maior conhecimento do consumidor.

NOTÍCIAS AGRÍCOLAS

 

FRANGOS

 

Frango mantém demanda firme, mas média mensal é a menor desde agosto de 2023

Estabilidade recente não impede recuo acumulado no mês, que registra menor valor real no atacado da Grande São Paulo em quase dois anos e meio.

 

O mercado de carne de frango apresenta estabilidade nos preços nesta semana marcada pelo recesso de carnaval, sustentado pela firmeza da demanda. Ainda assim, o desempenho mensal indica cenário de cautela para o setor, com médias abaixo das registradas no mesmo período do ano passado. Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que, até 18 de fevereiro, o valor médio da proteína congelada negociada no atacado da Grande São Paulo é de R$ 7/kg, o menor patamar real desde agosto de 2023, quando a média foi de R$ 6,91/kg, considerando valores deflacionados pelo IPCA de dezembro.

O recuo mensal está associado às quedas intensas observadas nas primeiras semanas do ano. O movimento de baixa se estende há pouco mais de três meses, refletindo ajustes na oferta e na dinâmica de consumo. Apesar do cenário, a demanda segue sustentando as cotações no curto prazo, impedindo novas desvalorizações mais expressivas. A liquidez, porém, mantém ritmo moderado, especialmente na segunda quinzena do mês, período tradicionalmente marcado por menor poder de compra do consumidor. Agentes consultados pelo Cepea avaliam que uma recuperação mais consistente nos preços pode ocorrer apenas a partir do início de março, quando o fluxo de renda costuma estimular o consumo. Até lá, a tendência é de estabilidade, com dificuldade para avanços mais intensos nas cotações. O comportamento do mercado de frango também influencia o equilíbrio entre proteínas no varejo, já que preços mais baixos podem estimular substituição por parte do consumidor, afetando a dinâmica de carnes bovina e suína. O setor acompanha o cenário com atenção, avaliando custos de produção, demanda interna e estratégias comerciais para recomposição de margens ao longo do primeiro trimestre.

CEPEA

 

Fávaro diz que Brasil busca na Índia oportunidades para carne de frango

Uma comitiva brasileira na Índia discutiu na sexta-feira a abertura comercial para a exportação de carne de frango do Brasil ao país asiático, pedindo redução tarifária, informaram o Ministério da Agricultura e a associação de empresas do setor ABPA.

 

O mercado de carne de frango no país mais populoso do mundo tem elevado potencial, mas o maior exportador global não vende quase nada ao país asiático diante de proibitivas taxas de importação. Em 2025, o Brasil exportou apenas 2,47 toneladas para a Índia, enquanto os Emirados Árabes Unidos, principal destino, compraram 479,9 mil toneladas, segundo dados do governo e da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). "Tratamos da ampliação das relações comerciais. O Brasil está pronto para abrir a romã para importar da Índia e para receber a noz macadâmia... Como contrapartida, buscamos a abertura do feijão-guandu, além de ampliar oportunidades para a carne de frango brasileira e a erva-mate", afirmou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, em comunicado. Atualmente, há alíquotas de importação na Índia de 100% para cortes e de 30% para o frango inteiro, o que inviabiliza a competitividade comercial, apesar de acordo sanitário entre os dois países já estar estabelecido, segundo informação da ABPA, que vê a pauta da redução de tarifas como "prioritária". A ABPA apresentou proposta para a criação de cota específica com tarifa reduzida ou zerada, "como mecanismo inicial de destravamento do fluxo comercial". Na carne suína, a ABPA afirmou em nota que embora o mercado esteja aberto sanitariamente, a tarifa de 26% também limita a viabilidade das exportações. A entidade também defende a adoção de cotas diferenciadas para o produto ou revisão de taxas vigentes. A reunião de Fávaro com seu colega indiano Shri Singh Chouhan integrou a agenda da comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Nova Délhi. O encontro abriu espaço para "avanços concretos" no comércio bilateral de produtos agropecuários, afirmou o ministério. Entre outros temas tratados, segundo o governo, estiveram bioinsumos, mecanização, inteligência artificial aplicada ao campo e complementaridade produtiva entre as duas potências agrícolas. A agenda agrícola ocorre em um momento de intensificação das relações bilaterais entre Brasil e Índia. Em 2025, o comércio total entre os países alcançou US$15 bilhões, crescimento de 25,5% em relação ao ano anterior, e a meta comum é elevar esse valor para US$20 bilhões até 2030, disse a nota do ministério.

REUTERS

 

INTERNACIONAL

 

Dados confirmam recordes de exportação, produção e receita dos produtores de carne bovina da Austrália em 2025

Os dados oficiais de comércio do ABS divulgados pelo Governo Federal confirmaram o que muitos já suspeitavam: a Austrália estabeleceu novos recordes impressionantes de exportação de carne bovina, abate e receitas com a venda de gado durante o ano-calendário de 2025.

 

Os principais números incluíram produção recorde de carne bovina, alcançando 2,87 milhões de toneladas – um aumento colossal de 300 mil toneladas ou 12% em relação a 2024, que até então era o recorde anterior – e renda recorde dos produtores de gado proveniente de animais destinados ao abate. Recordes de produção também foram estabelecidos nos três trimestres consecutivos encerrados em 31 de dezembro, superando 700 mil toneladas por trimestre pela primeira vez na história. O trimestre de setembro foi o maior já registrado para a produção de carne bovina australiana, atingindo 759 mil toneladas, apesar dos desafios relacionados ao acesso à mão de obra no processamento. O total de abate de bovinos adultos no ano passado atingiu 9,28 milhões de cabeças, um aumento de 12% em relação ao ano anterior, e o maior número registrado desde 1978, um ano de seca no final da era conhecida como Beef Slump.

O abate do ano passado superou (marginalmente, por 50 mil cabeças) o de 2015, quando 9,26 milhões de cabeças foram processadas. A grande diferença é que 2015 foi um ano de seca, fortemente influenciado pelo elevado descarte de fêmeas, enquanto o ano passado representou um ciclo de descarte mais convencional. A proporção de abate de fêmeas (FSR) apresentou, no último ano-calendário, um índice de 53%. Esse número foi baseado em um total de 4,9 milhões de fêmeas abatidas no ano. A FSR mede a proporção de fêmeas no abate nacional e fornece um indicador útil para avaliar redução ou contração do rebanho (sendo 47% de FSR o ponto de inflexão reconhecido). Ao longo do ano passado, a FSR mensal permaneceu acima de 50% durante todo o ano, levantando novamente questionamentos sobre a validade da fórmula atual da FSR, na qual 47% são considerados o ponto de transição. Entre outros dados importantes divulgados pelo ABS hoje, os produtores de carne bovina receberam um valor recorde de US$ 5,65 bilhões por bovinos prontos para abate no trimestre de dezembro, um recorde dentro do trimestre. No acumulado do ano, a receita para produtores de confinamento e a pasto com animais destinados ao abate atingiu o recorde de US$ 20,43 bilhões – um aumento expressivo de 25% em relação aos US$ 15,3 bilhões registrados em 2024. A forte demanda internacional, especialmente de mercados-chave como Estados Unidos, Japão, China e Coreia do Sul, sustentou esse nível de receita, enquanto grande parte do restante do mundo apresentou redução no tamanho do rebanho e na produção. Vale destacar que os números de receita mencionados se referem a bovinos abatidos na Austrália – não incluem gado exportado vivo para abate no exterior, nem vendas de gado de reposição.

Apesar da sequência de novos recordes estabelecidos em produção e renda no ano passado, o ano produtivo de 2026 está, até o momento, ainda mais elevado. As primeiras sete semanas de abate de 2026 já somaram 870 mil cabeças, cerca de 4% acima do mesmo período do ano passado.

BEEF CENTRAL

 

NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ

 

Com 3,2% no 4º trimestre, Paraná chegou ao menor índice de desemprego da história em 2025

O resultado fechado do ano também representou o melhor desempenho do Estado, com a taxa de desocupação chegando a 3,6% em 2025 (3,3% para os homens e 3,9% para mulheres), uma redução de 0,5 ponto percentual em relação ao ano anterior, que era de 4,1%.

 

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada na sexta-feira (20) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os índices paranaenses estão melhores que a média nacional. No último trimestre, a taxa de desocupação foi de 5,1% no País, e a média anual chegou a 5,6%. O Paraná tem 9,8 milhões de pessoas com 14 anos ou mais, em idade de trabalhar, sendo que 6,47 milhões compõem a força de trabalho – que concentra as pessoas que estão trabalhando e aquelas que, mesmo não estando empregadas, estão procurando uma ocupação. Dentro da força de trabalho, o número de pessoas ocupadas chega a 6,26 milhões, enquanto 205 mil estão desocupadas.

Entre as ocupadas, 3,45 milhões estão empregadas no setor privado, sendo que 80,7% delas têm a carteira assinada, totalizando 2,78 milhões de empregos formais, também os maiores números da história. Outras 652 mil pessoas estão empregadas no setor público. Além disso, há um contingente de 1,9 milhão de pessoas em empregos informais. O Paraná vem reduzindo drasticamente os índices de desemprego desde a pandemia de Covid-19. Em 2020, ano em que houve as maiores restrições nas atividades econômicas, foi também o maior índice da série histórica, chegando a 9,7%. No ano seguinte, a taxa de desocupação já era menor, passando para 8,9%. Esse índice caiu para 6% em 2022, 4,8% em 2023, 4,1% em 2024 – até então, a menor taxa da história, até chegar aos 3,6% do ano passado. Na comparação com 2020, houve redução de 169% no índice de desemprego no Estado. De maneira geral, a taxa trimestral vem caindo desde o terceiro trimestre de 2020, logo após os impactos imediatos do novo coronavírus, quando atingiu 10,5%. E a queda foi rápida. Um ano depois (terceiro trimestre de 2021) já era de 8% e dois anos depois, de 5,3%, melhorando até o patamar atual. O recorde trimestral se iguala ao feito alcançado no último trimestre de 2024, quando o índice também foi de 3,2%. Nos primeiros três meses de 2025, a taxa foi de 4%, com quedas sucessivas nos períodos seguintes: para 3,8% no segundo trimestre, 3,5% no terceiro e 3,2% no quarto. O rendimento real mensal habitual no Paraná em 2025 foi de R$ 4.083, registrando acréscimo de 5,2% em relação a 2024 (R$ 3.881). Em relação ao 4º trimestre de 2025, o rendimento médio mensal habitual de todos os trabalhos registrou R$ 4.128 no Paraná. Esses valores também estão acima da média nacional. O valor anual do rendimento real habitual de todos os trabalhos no Brasil chegou a R$ 3.560 em 2025. Os menores valores da pesquisa foram de Maranhão (R$ 2.228), Bahia (R$ 2.284) e Ceará (R$ 2.394).

AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS

 

Movimentação de cargas pelos portos do Paraná cresce 12% em janeiro

Porto de Paranaguá amplia embarques; destino principal das carnes são Emirados, China e EUA

 

A movimentação geral de cargas nos portos paranaenses em janeiro somou 5.288.747 toneladas, aumento de 12,3% ante o ano anterior, segundo nota do governo do Estado. Foram embarcadas 811,9 mil toneladas de soja em grão, aumento de 98% em relação a janeiro de 2025. O milho registrou crescimento de 12%, com o envio de 387 mil toneladas. Janeiro também apresentou aumento de 199% na movimentação de açúcar ensacado, totalizando 397 mil toneladas. A exportação de carne de frango congelada pelos portos locais somou em janeiro 199 mil toneladas, o equivalente a US$ 365 milhões em valor FOB (Free on Board – valor da carga no momento do embarque), ainda segundo o governo paranaense. Os principais destinos foram Emirados Árabes Unidos, África do Sul e China. Pelos portos do Estado, maior produtor de carne de frango do País, saíram 47,6% de toda a carne de frango exportada pelo País. Ao longo de 2025, somente o Porto de Paranaguá exportou mais de 2,8 milhões de toneladas de frango congelado. Ainda conforme a nota, de carne bovina foram exportadas pelos portos do Estado 27,7% do total. Foram 122 mil toneladas enviadas, principalmente para China, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos, o equivalente a US$ 690 milhões em valor FOB. O Porto de Paranaguá recebeu 882 mil toneladas de fertilizantes em janeiro, crescimento de 9% em comparação com janeiro de 2025.

ESTADÃO/AGRO


GOVERNO

 

Presidente da Coreia do Sul fala sobre retomar negociação com o Mercosul após encontro com Lula

Presidentes se encontraram em Seul nesta segunda-feira (23). Brasileiro afirmou que conversou com sul-coreano sobre mercado de carne bovina

 

O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, afirmou que pretende retomar as negociações sobre um acordo comercial com o bloco sul-americano após reunião bilateral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Seul, na manhã desta segunda-feira. "Eu reiterei a necessidade de retomarmos as negociações imediatamente para um acordo de comércio entre a Coreia e o Mercosul, e o presidente Lula expressou concordância com a conclusão de que um acordo como esse cumpre uma tarefa urgente e importante", disse Lee. Já Lula afirmou que os presidentes discutiram caminhos para retomar as tratativas do acordo comercial, que teve negociações interrompidas em 2021, segundo o brasileiro. Os presidentes também concordaram que a cooperação econômica entre os dois países deve ser ampliada. Lula está na capital sul-coreana para uma visita de Estado com o objetivo de realizar negociações comerciais. Sua passagem por Seul ocorre após uma estada em Nova Déli, na Índia, onde assinou acordos e participou de uma cúpula de inteligência artificial. Os presidentes também anunciaram um plano de ação bilateral com o objetivo de orientar o relacionamento entre as nações em áreas como cooperação econômica, colaboração técnica e intercâmbio de pessoas.

"O presidente Lula e eu concordamos em elevar nossas relações bilaterais para uma parceria estratégica", disse Lee. Em seu discurso, Lula afirmou que apresentou ao líder sul-coreano a conclusão dos procedimentos sanitários para a exportação de carne bovina brasileira, uma das principais pautas do governo na viagem. Os líderes também assinaram uma série de acordos e parcerias em áreas como comércio, agricultura, pecuária, empreendedorismo, ciência, ciência e tecnologia e segurança. A pauta cultural, em decorrência da influência da cultura coreana no Brasil, também foi discutida, com os países prevendo cooperação em indústrias como do audiovisual.

FOLHA DE SP

 

Proposta de controle da cota de carne para a China divide governo brasileiro

O MDIC apontou questionamentos jurídicos, enquanto o Ministério da Agricultura descartou ficar responsável pelo gerenciamento da cota. Mais de 40% da carne bovina exportada pelo Brasil tem a China como destino

 

A proposta de criação de um sistema estatal de controle da cota de exportação de carne bovina para a China, apresentada pelos frigoríficos brasileiros e debatida desde o início do ano, gerou dúvidas no governo sobre a legalidade e efetividade da medida. Análise jurídica garante a constitucionalidade do modelo pretendido e o alinhamento com regras do comércio internacional. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontou questionamentos jurídicos, sobre a adequação da norma às legislações brasileira e internacional sobre comércio exterior, e técnicos, sobre a eventual implementação do sistema. Já o Ministério da Agricultura descartou ficar responsável pelo gerenciamento da cota. As divergências no Executivo retardaram aprovação da medida. A expectativa é que uma resolução sobre o assunto possa ser aprovada na próxima sexta-feira (27/2), em reunião extraordinária do Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex). O encontro ainda não foi confirmado pelo governo. Um dos argumentos da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC é que a medida seria incompatível com normas constitucionais e poderia violar o princípio da livre iniciativa. A indagação da Pasta é se, ao limitar os volumes por empresa com base no market share de 2025, seriam ou não criadas uma reserva de mercado para grandes frigoríficos e barreiras à entrada de novos competidores. Outro alerta é que a medida poderia ser encarada como “desvio de finalidade”, pois ao mesmo tempo em que pretende “estabilizar preços” ela beneficiaria “grandes players” em detrimento de eficiência setorial. A Secex também indicou que os critérios propostos são complexos e que exportadores “pequenos” seriam afetados desproporcionalmente, sem ampla defesa prévia, o que elevaria o risco de judicialização por “discriminação”. Também houve indicação de preocupação com o cumprimento de regras internacionais. Os argumentos contrários apresentados pelo governo foram respondidos no parecer jurídico elaborado pelo escritório Barral Parente Pinheiro, do ex-secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, finalizado em 5 de fevereiro. Segundo o documento, a proposta não viola a livre iniciativa, pois há autorização constitucional para o Estado atuar como “agente normativo e regulador da atividade econômica”, especialmente em comércio exterior. O parecer aponta base legal específica para o “controle das operações [...] por interesse nacional”. O texto indica também que o critério de distribuição da cota pelo market share de 2025 é objetivo e transparente, não discricionário e preserva a eficiência setorial. A sugestão de criação de uma reserva técnica, de 3% do volume total autorizado, mais uma quantidade econômica mínima por frigorífico, de oito mil toneladas, garante espaço para pequenas empresas e novos entrantes, defende o parecer. O documento completa que não há reserva de mercado ou criação de barreiras. Sobre os apontamentos de “discriminação” e risco de judicialização, o documento defende que a resolução proposta inclui motivação cabal, que é a salvaguarda chinesa, e que houve consulta documentada ao setor. “Em razão de urgência, a adoção da medida observa as exceções previstas em normas regulatórias para situações de risco econômico relevante”, diz o parecer visto pela reportagem. O texto indica ainda que não há complexidade na adoção da norma porque o Siscomex já operacionaliza cotas automaticamente, com eficiência via automação e bloqueio das licenças de exportação (LPCO). “O STF já decidiu que atos comerciais não exigem SIR [Sistema de Informações de Risco e Regulatórias] exaustivo, se urgentes”, relata o parecer.

O escritório ainda defendeu que não há violação do direito internacional. A Secex indicou que a China poderia acionar o Sistema de Solução de Controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). A proposta deixa em aberto para a Camex a decisão sobre qual órgão fará a gestão da cota, se o Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), ou a Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), do Ministério da Agricultura. A Pasta comandada por Carlos Fávaro, por exemplo, é a gestora da cota de exportação de açúcar aos Estados Unidos. O ministro, no entanto, disse que a ideia de controle pela SDA foi descartada, pois trata-se de uma autoridade sanitária e que “não faz sentido” interferir no comércio.

VALOR ECONÔMICO

 

ECONOMIA

 

Dólar cai para R$5,1766 após Suprema Corte dos EUA derrubar tarifas de Trump

O dólar fechou a sexta-feira em queda firme no Brasil e novamente abaixo dos R$5,20, acompanhando o recuo da moeda norte-americana no exterior após a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitar tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump.

 

O dólar à vista fechou a sessão em baixa de 0,99%, aos R$5,1766, o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou em R$5,1539. Na semana encurtada pelo Carnaval, a moeda norte-americana acumulou baixa de 1,03% e, no ano, queda de 5,69%.

Às 17h06, o dólar futuro para março -- atualmente o mais líquido no Brasil -- cedia 0,77% na B3, aos R$5,1840. O recuo do dólar no Brasil esteve em sintonia com a baixa quase generalizada da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, após a Suprema Corte rejeitar as tarifas aplicadas por Trump com base em uma lei destinada a ser usada em emergências nacionais. O tribunal decidiu que a interpretação de que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) concede a Trump o poder de impor tarifas interferiria nas atribuições do Congresso e violaria a doutrina das "questões principais". Essa doutrina exige que as ações do Poder Executivo de "vasta importância econômica e política" sejam claramente autorizadas pelo Congresso. Em reação, o dólar despencou ao redor do mundo, atingindo a cotação mínima do pregão de R$5,1739 (-1,04%) no mercado brasileiro às 15h47, quando Trump concedia entrevista nos Estados Unidos prometendo novas medidas. O norte-americano afirmou que assinará uma ordem para impor uma tarifa global de 10%, em conformidade com a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, e prometeu iniciar novas investigações comerciais. “Na margem, o fim das tarifas reforça o movimento de reposicionamento global de portfólios estrangeiros, que favoreceu o real e a bolsa brasileira, mas a principal consequência deve ser o aumento da volatilidade cambial diante da incerteza sobre os próximos passos do governo americano”, disse André Valério, economista sênior do Inter, em comentário escrito. “Ainda assim, a tendência global de depreciação do dólar permanece.”

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Ibovespa fecha acima de 190 mil pela 1ª vez após Suprema Corte dos EUA derrubar tarifas de Trump

O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira, renovando máximas históricas, com os papéis da Vale e de bancos entre os principais suportes, em pregão marcado por vencimento de opções sobre ações na bolsa paulista.

 

A tendência positiva no pregão ganhou fôlego à tarde, após decisão da Suprema Corte norte-americana, que declarou ilegais parte das tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,05%, a 190.517,89 pontos, tendo marcado 190.726,78 na máxima, após 186.700,34 na mínima do dia. Na semana, encurtada pelo Carnaval, avançou 2,17%. O volume financeiro nesta sexta-feira somava R$31 bilhões antes dos ajustes finais.

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Agroindústria fechou 2025 perto da estagnação

Índice PIMAgro, elaborado pela FGV Agro, encerrou o ano com uma leve retração, de 0,1%. A produção das indústrias de alimentos de origem animal aumentou 3%, puxada pela expansão da produção de carnes bovina, suína e de aves 

 

A produção da agroindústria brasileira encerrou 2025 praticamente no zero a zero. No cabo de guerra entre juros altos de um lado e, do outro, o mercado interno aquecido, o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), elaborado pelo Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), terminou o ano com uma leve retração, de 0,1%. Esse desempenho geral “morno” escamoteia, porém, comportamentos muitos distintos entre os vários segmentos agroindustriais. No agrupamento das indústrias de alimentos e bebidas, o segmento de bebidas foi consistentemente ruim durante o ano todo. A produção de bebidas caiu 2,6% em 2025. O fraco desempenho refletiu especialmente o declínio da fabricação de bebidas alcoólicas, que, com a queda expressiva do consumo do produto, teve uma contração de 4,7%. A produção de bebidas não alcoólicas, por sua vez, fechou o ano passado em queda de 0,3%. Já as indústrias de alimentos tiveram um desempenho geral positivo, encerrando o ano com expansão de 1,5%. Mas, mesmo dentro desse ramo, houve desempenhos distintos. A produção das indústrias de alimentos de origem animal aumentou 3%, puxada pela expansão da produção de carnes bovina, suína e de aves. Os segmentos de laticínios e de pescados também cresceram. Apesar do tarifaço que o governo dos Estados Unidos impôs a uma série de produtos brasileiros, que afetou os embarques da indústria de carnes entre agosto e setembro, as exportações do segmento bateram recorde em 2025. No caso da indústria de lácteos, a produção de leite atingiu recorde no país, a despeito do aumento das importações, que pressionaram os integrantes dessa cadeia. As indústrias de alimentos de origem vegetal, em contrapartida, não tiveram um desempenho tão consistente. A produção das empresas do segmento abriu o ano em queda e começou a se recuperar no segundo semestre, mas fechou 2025 com retração de 0,9%. Pesaram sobre o resultado desse segmento o declínio da produção das indústrias de arroz, café e refino de açúcar, segundo o FGV Agro. A produção de açúcar e o consequente refino sofreram ao longo do ano com a diminuição do volume e da qualidade da cana-de-açúcar, quadro que as usinas compensaram direcionando mais cana para a produção da commodity, ao invés do etanol. Ainda assim, a atividade de refino contraiu-se em 2025.

No caso do arroz, o beneficiamento diminuiu como consequência do declínio da colheita, que, com a redução da área de plantio, caiu 14% na safra 2025/26, segundo a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab). No segmento de alimentos de origem vegetal, cresceu a produção das indústrias de conservas e sucos, de óleos e gorduras e de trigo. As agroindústrias de produtos não alimentícios encerraram o ano com retração geral de 1,3%, mas o desempenho dos diferentes ramos desse agrupamento não foi uniforme. A contração do segmento foi consequência direta da queda acentuada da produção de biocombustíveis; as demais indústrias tiveram um desempenho melhor. No ramo de biocombustíveis, a produção caiu 18,6%, pressionada pelo declínio da fabricação de etanol. Apesar de a produção de biodiesel de etanol a partir do milho ter crescido no Brasil, a produção de etanol de cana ainda é predominante. Com isso, alterações nessa indústria afetam o desempenho geral do segmento.

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