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CLIPPING DO SINDICARNE Nº 09 DE 16 DE NOVEMBRO DE 2021


Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná

Ano 1 | nº 09| 16 de novembro de 2021



NOTÍCIAS SETORIAIS – BRASIL


BOVINOS


Boi gordo sobe R$ 24,50/@ na semana e cotação atinge R$ 292/@, informa a Scot Consultoria

Em algumas praças pecuárias, arroba já chega a R$ 300/@, estimulada pelo avanço da demanda e, ao mesmo tempo, pela baixa oferta de animais terminados


Em São Paulo, desde o início da semana a referência do boi gordo teve valorização de R$ 24,50/@, fechando o período a R$ 292/@ (valor bruto e a prazo), segundo dados da Scot Consultoria. Por sua vez, os preços da vaca e da novilha prontas para abater subiram R$ 19,50/@ e R$ 24/@, respectivamente, ao longo desta semana, no mercado paulista, atingindo R$ 270/@ e R$ 282/@ (preços brutos e a prazo). Na média das 32 praças pecuárias monitoradas pela Scot Consultoria, a alta do boi gordo durante a semana foi de R$ 13/@. Para o curto prazo, o mercado brasileiro deverá manter a tendência de valorização na arroba, estimulada pela baixa oferta de animais terminados e pela procura mais intensa por parte dos frigoríficos. Segundo a IHS Markit, a segunda semana do mês do mês de novembro foi marcada pela consolidação de um forte movimento de alta nos preços da arroba nas principais praças pecuárias do País. Apesar da ausência de novidades com relação ao retorno dos envios de carne bovina brasileira à China, o suporte nos preços reflete o encurtamento nas escalas de abate dos frigoríficos e uma resposta positiva dada pelo consumo doméstico de carne bovina, estimulado sobretudo pela reabertura do comércio (após o avanço da vacinação contra a Covid-19) e pela entrada dos salários no início do mês. Embora haja certa cautela por parte da ponta compradora, as vendas de carne bovina vêm apresentando recuperação no mercado doméstico e, ao mesmo tempo, as exportações também dão sinais de retomada, mesmo ainda sem contar com a volta dos chineses. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume médio de carne bovina in natura exportada pelo Brasil na primeira semana de novembro foi de 5,27 mil toneladas por dia, um avanço de 28,1% frente à média de outubro passado. No entanto, o desempenho está 37,2% inferior ao registrado em novembro de 2020, quando a China estava muito presente nas compras do produto brasileiro. Cotações: PR-Maringá: boi a R$ 291/@ (à vista) vaca a R$ 276/@ (à vista); MS-C. Grande: boi a R$ 296/@ (prazo) vaca a R$ 278/@ (prazo); MT-Cuiabá: boi a R$ 266/@ (à vista) vaca a R$ 253/@ (à vista); GO-Goiânia: boi a R$ 285/@ (prazo) vaca R$ 266/@ (prazo); RS-Fronteira: boi a R$ 297/@ (à vista) vaca a R$ 282/@ (à vista).

PORTAL DBO


Embargo chinês pode baratear carnes no Natal, mas demanda preocupa

Ainda que aumento da oferta abra espaço para queda de preços no país, perspectiva de mesa farta esbarra em renda baixa e desemprego alto


Um dos desdobramentos do embargo chinês à carne bovina brasileira poderá ser a redução dos preços da proteína no mercado interno justamente nas festas de fim de ano, quando o consumo tende a aumentar. Mas, se por um lado a queda poderia ser considerada um “presente de Natal” aos consumidores brasileiros, por outro, ela não significa, necessariamente, mesa mais farta em dezembro, já que, afinal, o desemprego está alto e o poder aquisitivo das famílias, em baixa. Após mais de dois meses de embargo chinês à carne brasileira, os estoques dos frigoríficos já passam de 100 mil toneladas, de acordo com a Safras & Mercado. “Se esse produto for liberado no mercado interno, a tendência é que os preços da carne bovina caiam e puxem com eles os das proteínas suína e de frango”, diz Fernando Iglesias, analista de mercado da consultoria. Segundo ele, do ponto de vista da indústria, o mais inteligente seria liberar os estoques no último bimestre, quando, por causa do pagamento do 13º salário, a demanda sobe. Caso os frigoríficos segurem os estoques por mais tempo e a China continue fora das compras, ofertar o produto no primeiro bimestre poderia derrubar as cotações. O preço da arroba do boi chegou a cair de maneira significativa no intervalo entre 3 de setembro (véspera do início do embargo da China à carne brasileira) e 3 de novembro, passando de R$ 305,50 a R$ 258, segundo a Scot Consultoria. Mas, desde então, voltou a subir, chegando em 11/11 a R$ 287,50. Iglesias lembra que as vendas são geralmente mais fracas no início do ano, época em que a população está descapitalizada, seja em virtude dos gastos do fim do ano anterior, seja por causa das despesas com impostos e compra de material escolar. “A China é o diferencial da balança, e nós temos que acompanhar. Enquanto não voltar, o cenário indica alguma queda nos preços”, frisa.

VALOR ECONÔMICO


Mercado de animais para reposição esboça reação

Na média de preço de todas as regiões e categorias monitoradas, entre machos e fêmeas anelorados, houve aumento de 1,6% nesta semana, segundo a Scot Consultoria


Após o marasmo nas últimas semanas, o mercado de reposição começou a ganhar ritmo, influenciado sobretudo pelo avanço nos preços do boi gordo. Segundo levantamento da Scot Consultoria, na média de todas as regiões e categorias monitoradas, entre machos e fêmeas anelorados, houve aumento de 1,6% nesta semana. Neste intervalo, as fêmeas puxaram as cotações. Na média de todas as categorias de fêmeas, a valorização foi de 1,9%, frente a alta de 1,2% da média das categorias dos machos anelorados. Dentre as fêmeas, a maior demanda pela bezerra desmamada resultou em alta de 2,4% para a categoria, considerando os últimos sete dias. Nesta semana, entre as principais praças, houve registro de negócios apenas em algumas regiões do Brasil. No Centro-Oeste, destaque para altas nos preços, entre todas as categorias, registradas nas praças do Mato Grosso do Sul. No Sudeste, o mercado também esboçou recuperação nos preços, embora o volume de negócios evoluiu de forma lenta. Na região Sul, a oferta se mostrou maior no Rio Grande do Sul, em função da saída de lotes das pastagens para abrir espaço para o plantio de soja. No Paraná, o mercado de reposição também segue firme. No Norte do País, os preços também ensaiaram altas, embora os negócios não tenham sido em volumes significativos. No Tocantins, já há relatos do preço do bezerro voltando a ser negociado a R$ 14/kg, apurou a consultoria.

SCOT CONSULTORIA


SUÍNOS


Suínos: sexta-feira com preços em alta

Na cotação do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quinta-feira (11), houve aumento de preço no Paraná, na ordem de 1,02%, chegando a R$ 5,95/kg, alta de 0,43% em Minas Gerais, atingindo R$ 7,01/kg, e de 0,33% em Santa Catarina, alcançando R$ 6,11/kg.


Ficaram estáveis os preços no Rio Grande do Sul, valendo R$ 5,68/kg, e em São Paulo, fechando em R$ 6,46/kg. Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF subiu 6,09%/4,07%, chegando a R$ 122,00/R$ 128,00, enquanto a carcaça especial aumentou 1,10%/1,05%, valendo R$ 9,20/R$ 9,60 o quilo.

Cepea/Esalq

Ações de combate à Peste Suína Africana terão recursos de parceria internacional

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, anunciou na quinta-feira (11) a destinação de até US$ 500 mil para ações de combate à Peste Suína Africana na República Dominicana e no Haiti, países onde a doença já foi detectada


Os recursos são do Programa de Parceria entre o Brasil e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) para Promoção da Cooperação Técnica Sul-Sul Trilateral, gerenciada pela Agência Brasileira de Cooperação. A ideia é desenvolver capacidades locais, incluindo ferramentas de avaliação de risco e análise laboratorial, que permitam confirmar casos suspeitos e auxiliar atividades de vigilância, além do desenvolvimento de programas educacionais para aumentar a conscientização sobre a doença e melhorar o acesso aos serviços de saúde animal, em especial em países com grande número de criadores de suínos em pequena escala. “Diante da ameaça da Peste Suína Africana, é absolutamente essencial que todas as agências internacionais e governos nacionais trabalhem de forma coordenada. Se cada um agir por iniciativa própria, enfraqueceremos a eficácia das ações de todos, e os perdedores serão os produtores dos países afetados”, disse Tereza Cristina, ao participar, por videoconferência, de Reunião Interamericana sobre Peste Suína Africana. O Diretor-Geral do IICA, Manoel Otero, também participou do evento, além de representantes de outros países das Américas.

MAPA


FRANGOS


Frango: preços em leve alta fecharam a sexta-feira

Segundo análise do Itaú BBA, o controle da oferta em relação à demanda da carne de frango tem sido um fator que está proporcionando um ambiente favorável para a proteína


Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quinta-feira (11), a ave congelada teve leve alta de 0,13%, avançando para R$ 7,77/kg, enquanto o frango resfriado fechou estável em R$ 8,08/kg. Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave na granja ficou estável em R$ 5,60/kg, assim como o frango no atacado, custando R$ 7,20/kg. Na cotação do animal vivo, em Santa Catarina, ficou custando R$ 3,70/kg, em São Paulo, cotado a R$ 5,00/kg. No Paraná foi registrada queda de 0,85%, caindo para R$ 5,85/kg.

Cepea/Esalq


Exportações de carne de frango catarinense crescem 57,5% em outubro

Segundo maior produtor de carne de frango do Brasil, Santa Catarina encerrou outubro com um aumento de 57,5% no faturamento com as exportações. No último mês, o estado embarcou 90,9 mil toneladas do produto, gerando receitas que passam de US$ 171,9 milhões.


Os números são divulgados pelo Ministério da Economia e analisados pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa). Em comparação com outubro de 2020, a avicultura catarinense obteve resultados bastante expressivos: alta de 57,5% no valor e de 23,7% na quantidade exportada. O que pode ser explicado pelo aumento nos embarques para os principais mercados compradores: Japão, China, Holanda e Emirados Árabes. O bom desempenho internacional deve influenciar também a valorização dos preços para o setor. “A forte demanda por carne de frango no mercado internacional e no mercado interno, principalmente em função dos preços elevados das demais carnes e da perda de renda de grande parte dos consumidores, tende a favorecer a manutenção dos patamares de preços atingidos por essa proteína ao longo dos próximos meses”, ressaltou o analista da Epagri/Cepa Alexandre Giehl. De janeiro a outubro deste ano, Santa Catarina exportou mais de 855 mil toneladas de carne de frango - 5,8% a mais do que no mesmo período de 2020. O faturamento supera US$ 1,5 bilhão, uma alta de 20,3%. Os catarinenses respondem por 23% de toda arrecadação nacional com os embarques de carne de frango em 2021.

Sec. de Agricultura - SC


NOTÍCIAS SETORIAIS – PARANÁ


Paraná projeta a Nova Ferroeste, ferrovia de R$ 29 bi que liga o MS ao Portode Paranaguá

Ainda não está claro se há investidor disposto a desembolsar um cheque desse tamanho; a expectativa da equipe é atrair algum grupo estrangeiro


O governo do Paraná se prepara para lançar um projeto extremamente ambicioso: a Nova Ferroeste, uma malha ferroviária desde Maracaju (MS) até o Porto de Paranaguá (PR), com previsão de investimentos de R$ 29,4 bilhões. No mercado, porém, há pouca confiança de que o plano saia do papel neste momento. Recentemente, foram concluídos os estudos de viabilidade, que apontaram taxa interna de retorno de 11% e prazo de retorno do investimento de 17 anos, dentro de um contrato de 70 anos. “O estudo indica que a ferrovia é altamente viável em todos os aspectos: operacional, ambiental e financeiro”, diz Luiz Henrique Fagundes, Presidente da Ferroeste, uma estatal paranaense que opera uma concessão federal, de Cascavel (PR) a Guarapuava (PR). O trecho já está em funcionamento, porém, é restrito. A ideia, agora, é ampliar a ferrovia, reformar a estrutura atual e delegar tudo a um privado. A Nova Ferroeste teria 1.304 km de extensão, de Maracaju a Paranaguá, com um ramal até Foz do Iguaçu (PR). O investimento inclui R$ 24,3 bilhões para a construção, R$ 4,3 bilhões de material rodante e R$ 800 milhões de compensações ambientais. Há ainda o plano de outro ramal até Chapecó (SC), mas que não foi incluído no estudo recém-finalizado. A meta é fazer o leilão até meados de 2022. A equipe planeja fazer sondagens de mercado em dezembro e abrir as consultas públicas, com a primeira versão do edital, até fevereiro de 2022. No entanto, ainda há indefinições, que vão além da atração de um investidor. São ao menos duas incertezas. A primeira é a modelagem jurídica, que não foi fechada. A princípio, a ideia é fazer o empreendimento em regime de autorização, diz Fagundes. A Ferroeste, inclusive, já fez os pedidos ao governo federal para construir os trechos adicionais (fora da concessão) por autorização — regime novo em que a responsabilidade é totalmente do empreendedor, sem compartilhamento de riscos ou aporte financeiro do poder público. Porém, o arranjo é complexo. Há dúvidas sobre como a estatal licitaria todo o corredor, já que parte seria feito como autorização e outra parte já é uma concessão vigente, na qual a União delegou a operação à Ferroeste. “Não sei até que ponto vamos conseguir fugir da concessão. Uma possibilidade é vender a concessão. Pelas leis em tramitação no Congresso, poderíamos transformar tudo em autorização.” Outra questão é que ainda não há lei federal definitiva que permite o modelo de autorização, embora haja uma Medida Provisória (MP) em vigor. Em paralelo, também corre um projeto de lei sobre o tema. Procurado, o Ministério de Infraestrutura diz que autorizações outorgadas durante a vigência da MP são atos jurídicos perfeitos e, se houver aval ao projeto, haverá segurança jurídica. A Ferroeste trabalha com o cenário de que até o fim de 2021, antes da consulta pública, a norma final estará aprovada. De todo modo, diz Fagundes, há um plano B: realizar o projeto todo como uma subconcessão. O segundo fator ainda pendente é o licenciamento ambiental. A Ferroeste tem buscado acelerar o processo — os estudos já foram concluídos e, nos próximos dias, serão encaminhados ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). O governo quer ter a licença prévia antes do leilão, para dar mais segurança. No mercado, há dúvidas quanto à viabilidade do projeto, especialmente via autorização — sem recursos ou apoio público. Uma fonte observa que construir uma ferrovia de grande porte é difícil até com dinheiro público, que dirá sem. Outra pessoa, que também pediu anonimato, avalia que a autorização tende a funcionar mais quando o investidor é o dono da carga ou um dos operadores já consolidados no país — que, neste caso, não teriam interesse. Com a ferrovia já madura, a perspectiva é que a capacidade chegue a 85 milhões de toneladas por ano. As principais cargas transportadas seriam soja e milho, seguidas por farelo de soja e proteína animal.

VALOR ECONÔMICO


Para onde vai a montanha de rochas que está sendo retirada do fundo do mar em Paranaguá

A detonação de parte da Pedra da Palangana, no canal de acesso ao Porto de Paranaguá, que começou em setembro, vai gerar mais de 22 mil metros cúbicos de rochas. A maior parte do material seguirá do leito do mar para o leito das ruas, em programas de pavimentação dos municípios litorâneos


Cada cidade do Litoral receberá aproximadamente 3 mil metros cúbicos de pedras, que terão como finalidade melhorias de pavimentação de vias públicas. É como se 1.572 caminhões-caçamba emergissem do mar carregados de pedra brita. Ao longo de oito meses, serão retirados cerca de 12% do complexo rochoso localizado no principal acesso ao terminal portuário, o Canal da Galheta, e cada cidade receberá aproximadamente 3 mil metros cúbicos de pedras. Entre as contempladas, estão Pontal do Paraná, Morretes, Paranaguá, Matinhos, Guaratuba, Guaraqueçaba e Antonina. Serão seis partes retiradas de pontos rasos do maciço de rochas da Pedra de Palangana, que somam 22,3 mil metros cúbicos em volume. A menor delas tem 361 metros cúbicos e a maior 8 mil. O desmonte de cada maciço está sendo feito de forma separada: uma embarcação perfura vários pontos nas rochas para instalar os dispositivos de desagregação, responsáveis por fragmentar as rochas. A previsão é de que o procedimento completo, que inclui mobilização dos equipamentos, perfuração, desmonte e remoção das rochas, demore oito meses. Com a retirada de apenas 12% da pedra, o risco de encalhe de navios e desastres ambientais será minimizado, isso porque essas embarcações têm maior calado (a medida da parte submersa) e hoje não podem atracar devido ao tamanho das rochas. A detonação também pretende garantir mais segurança para a navegação marítima, já que entre 2001 e 2013, aconteceram três acidentes com navios colidindo com o complexo rochoso.

GAZETA DO POVO


ECONOMIA/INDICADORES


Dólar sobe 1% antes de fim de semana prolongado; dados domésticos elevam cautela

O dólar registrou forte alta contra o real na sexta-feira, embora tenha ficado no vermelho no acumulado da semana, com investidores elevando a cautela após dados domésticos mais fracos do que o esperado e antes de final de semana prolongado

O dólar spot subiu 1,00%, a 5,4569 reais na venda. Na B3, onde os negócios vão além das 17h (horário de Brasília), o dólar futuro tinha alta de 1,09%, a 5,4730 reais. Em relação ao fechamento da última sexta-feira, o dólar à vista caiu 1,19%, em sua segunda desvalorização semanal consecutiva. Dados da sexta-feira --que mostraram que o setor de serviços brasileiro registrou queda inesperada de 0,6% em setembro-- também estavam no radar de investidores, uma vez que levantaram temores sobre desaceleração do crescimento econômico. Na quinta-feira, uma leitura já havia mostrado perdas acima do esperado no varejo. Depois da divulgação dos dados, o Credit Suisse passou a projetar contração econômica de 0,5% do PIB brasileiro em 2022. Em meio ao atual ciclo de aperto monetário do Banco Central, investidores começavam a se questionar sobre o que os números mais fracos do que o esperado representará para a política monetária, uma vez que juros muito altos são vistos como prejudiciais à atividade econômica. Estrategistas do Citi disseram em relatório da sexta-feira, publicado após a divulgação dos dados de serviços e varejo, que "o aumento significativo na inflação ao consumidor em outubro, junto a mais sinais de desancoragem das expectativas de inflação de longo prazo, está elevando as chances de movimento ainda mais agressivo" de aperto monetário na próxima reunião do Copom, em dezembro. Em meio à percepção de que o governo vai, de qualquer maneira, fornecer auxílio à população de 400 reais por família em 2022, quando o presidente Jair Bolsonaro deve tentar a reeleição, a PEC dos Precatórios passou a ser vista por muitos participantes do mercado como a alternativa de financiamento menos nociva à saúde das contas públicas.

REUTERS


Ibovespa recuou antes do feriado

Índice de referência da bolsa brasileira, o Ibovespa caiu 1,17%, a 106.334,54 pontos


O Ibovespa fechou em baixa na sexta-feira, reflexo de realização de lucros após três altas seguidas e tendo um fim de semana prolongado no horizonte. Índice de referência da bolsa brasileira, o Ibovespa caiu 1,17%, a 106.334,54 pontos. Ainda assim, teve desempenho positivo de 1,44% na semana, a segunda seguida de alta. O giro financeiro da sessão somou 31,7 bilhões de reais. Na visão do líder de renda variável da assessoria de investimentos Blue3 Antonio Carlos Pedrolin, a queda é natural diante do feriado no Brasil na segunda-feira. “Investidores acabam reduzindo um pouco as posições”, afirmou. Além disso, acrescentou, o noticiário macroeconômico continuou mostrando um cenário mais desafiador no país, com o setor de serviços registrando queda inesperada no volume em setembro, após cinco meses de crescimento. Agentes financeiros também atribuíram o declínio do Ibovespa a movimentos de realização de lucros, após três pregões seguidos de alta, em que acumulou um ganho de 2,7%. Na visão do diretor da plataforma de análises independentes Ohmresearch, Roberto Attuch, com o avanço da PEC o cenário político, pelo menos por enquanto, não deve fazer tanto preço no mercado como ultimamente. Olhando para a frente, contudo, ele ressaltou que, se a popularidade do governo não reagir, o mercado deve começar a questionar sobre potenciais medidas que podem ser adotadas pela equipe do presidente Jair Bolsonaro para melhorar esses números.

REUTERS


Serviços do Brasil têm queda inesperada em setembro após 5 altas seguidas

O setor de serviços brasileiro registrou queda inesperada no volume em setembro, após cinco meses de crescimento, pressionado pela maior queda em transportes em quase 20 meses diante principalmente do aumento das passagens aéreas


O volume de serviços teve em setembro recuo de 0,6% em relação ao mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira. O número contrariou a expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,5%, e ainda interrompeu cinco altas mensais seguidas, quando acumulou ganho de 6,2%. Apesar das perdas inesperadas em setembro, o setor ainda encerrou o terceiro trimestre com ganho de 3% na comparação com os três meses anteriores, e está 3,7% acima do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020. Em relação a setembro de 2020 houve alta de 11,4%, contra expectativa de avanço de 13,5%%. Em setembro houve perdas generalizadas, sendo que a atividade de transportes exerceu o maior peso ao registrar queda de 1,9% sobre o mês anterior, a mais acentuada desde abril do ano passado (-19,0%). De acordo com o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, esse resultado decorre das quedas no transporte aéreo de passageiros, devido à alta de 28,19% no preço das passagens aéreas, no transporte rodoviário de cargas e também no ferroviário de cargas. Também apresentaram recuo no mês outros serviços (-4,7%), informação e comunicação (-0,9%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,1%). “A queda do setor de serviços se deu de maneira relativamente disseminada", disse Lobo. "A inflação aparece de forma mais indireta aqui, mas agora ficou mais clara nas passagens aéreas." Somente os serviços prestados às famílias apresentaram alta, de 1,3%, marcando a sexta taxa positiva consecutiva. No entanto, ainda assim estão 16,2% abaixo do patamar pré-pandemia. O índice de atividades turísticas, por sua vez, avançou 0,8% na comparação com agosto, quinta taxa positiva consecutiva, acumulando no período ganho de 49,9%. Ainda assim, o segmento de turismo ainda está 20,4% abaixo do patamar de fevereiro do ano passado.

REUTERS


EMPRESAS


Frísia: Citada como exemplo na COP26, cooperativa realiza ações para redução de emissões de dióxido de carbono

Entre as apresentações do Brasil em Glasgow, na Escócia, está o case da Frísia e de outras quatro cooperativas na geração de energia limpa


Esse casamento entre produção e sustentabilidade tem como exemplo a Frísia, com sede em Carambeí (PR) e atuação nos Estados do Paraná e Tocantins. A cooperativa, que produz mais de 280 milhões de litros de leite, 28 mil toneladas de suínos e 830 mil toneladas de grãos, trabalha para a redução das emissões de CO² e no sequestro de carbono na atmosfera. UPL - A Unidade Produtora de Leitões (UPL) representa esse equilíbrio. A queima do biogás gerado pelos biodigestores garante o aquecimento térmico de 12 mil leitões por mês, reduzindo o consumo de energia elétrica e, consequentemente, os gases de efeito estufa. A Frísia também utiliza em suas operações 100% de biomassa provenientes de áreas de reflorestamento, garantindo a sustentabilidade do negócio florestal. São 300 hectares de florestas plantadas (próprias) com eucalipto que sequestram próximo de 40 mil toneladas de CO², além de 400 hectares de florestas nativas que sequestram cerca de 120 mil toneladas de CO². Outro número positivo é que o setor florestal movimenta atualmente mais de 100.000 toneladas de madeira por ano, o que representa mais de 45 mil toneladas por ano de CO². São 30% na redução de dióxido de carbono devido a utilização de biomassa nas caldeiras, uma energia limpa e sustentável. Também são 60% de CO² estocados em produtos madeireiros (chapas, painéis, móveis etc.) dos clientes. O Coordenador Ambiental de Frísia, Francis Bavoso, destaca que a cooperativa foca na redução do uso de insumos, maior eficiência das atividades, na preservação da água e do solo e no controle das emissões. “Todos os projetos e atividades exercidas pela Frísia passam por uma análise sobre a sustentabilidade e, pensando na COP26, nosso maior intuito está no projeto de energias renováveis e no incentivo e fomento da implantação de espécies nativas nas áreas dos cooperados para sequestro de carbono”, conclui. Essas ações da cooperativa renderam por dois anos consecutivos (2019 e 2020) o selo “Clima Paraná”, reconhecimento promovido pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo, voltado a organizações que realizam, voluntariamente, inventários sobre suas emissões de gases de efeito estufa e adotam medidas para reduzi-las, contribuindo na diminuição do aquecimento global e das mudanças climáticas. A cooperativa também fomenta aos cooperados o acesso à energia fotovoltaica, o que reduz os custos de aquisição e instalação dos equipamentos e aumenta a sustentabilidade da cooperativa com uma matriz renovável. Com os projetos já instalados e em andamento, serão economizados 570.830 quilos de CO² por ano e gerados 2.330 milhões de kWh. Somado a isso, em parceira com o Instituto Água e Terra (IAT) do Paraná, a cooperativa distribuiu 22.100 mudas de árvores nativas de várias espécies do bioma Mata Atlântica, que foram utilizadas para reflorestar aproximadamente 45 hectares na região dos Campos Gerais paranaense.

Imprensa Frísia


LEGISLAÇÃO


STF decide se Fisco pode cobrar multa de 50% sobre compensações indevidas

Impacto para a União será de R$ 32 bilhões se os ministros impedirem a cobrança. Esse julgamento está previsto para a quinta-feira. São duas ações: ADI 4.905 e RE 796939


O Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir o processo que discute a aplicação da multa de 50% sobre os valores de restituição, ressarcimento ou compensação tributária considerados indevidos pela Receita Federal - a chamada multa isolada. Trata-se de uma disputa cara para a União. Serão R$ 32 bilhões de perda se não puder mais aplicar a punição. Os contribuintes contestam essa multa por já estarem sujeitos à aplicação de uma outra, a multa de mora. Quando entende ter direito a um crédito contra a União, por pagamentos feitos a mais, o contribuinte pode fazer a compensação, ou seja, usar esse crédito para quitar tributos correntes, de forma administrativa. A Receita Federal tem prazo de cinco anos para validar essa operação. Se entender que tal crédito não era devido, a compensação não é homologada. O débito que havia sido pago com o crédito fica em aberto e sobre esses valores são aplicadas as duas multas: a de mora - 20% - e a isolada, de 50%. Trata-se, segundo advogados, de dupla punição ao contribuinte - e acaba inibindo compensações. A multa de 20%, dizem, já seria uma penalidade suficiente. "A multa de 50% pela simples não homologação da compensação, sem que se identifique uma conduta maliciosa do contribuinte, afronta diretamente os princípios da proporcionalidade, razoabilidade e do não confisco", diz Donovan Mazza Lessa, sócio do escritório Maneira Advogados. Chances "A maioria das decisões atuais, de juízes e tribunais regionais, é favorável aos contribuintes. E, além disso, o relator no Supremo também acolheu a tese", observa o tributarista Leonel Martins Bispo, do escritório Bispo, Machado e Mussy Advogados, apostando em vitória para os contribuintes. Ele cita o relator, ministro Edson Fachin, porque esse caso já esteve em discussão no Plenário Virtual da Corte. Foi em abril do ano passado. Fachin abriu o julgamento com voto contrário à aplicação da multa e, na sequência, o Ministro Gilmar Mendes pediu de vista, suspendendo as discussões. No mês seguinte, Luiz Fux, o presidente da Corte, apresentou um pedido de destaque, deslocando o caso do Plenário Virtual para julgamento presencial. Quando isso acontece, às discussões voltam à estaca zero. Os advogados fazem, novamente, as sustentações orais e os todos os ministros votam - mesmo aqueles que já haviam se posicionado (e podem, inclusive, mudar de posição).

VALOR ECONÔMICO


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